participantes do estudo
30
20 homens e 10 mulheres, média de 31 anos
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Annals of Rehabilitation Medicine
Ano
2025
Autores
Olaniszyn et al.
Desenho
ensaio clínico randomizado
Este estudo mostrou que manter a agulha no ponto doloroso por 1 minuto (técnica sustentada) é mais eficaz que fazer várias picadas rápidas (técnica múltipla) para tratar dor no pescoço. A técnica sustentada relaxou melhor os músculos, aliviou mais a dor e causou menos efeitos colaterais como dor após o procedimento e hematomas. Para quem tem dor miofascial no pescoço, estes resultados sugerem que a abordagem mais suave pode ser mais benéfica.
Título original do estudo: Comparing Multiple Versus Sustained Insertion Dry Needling Therapy for Myofascial Neck Pain: A Randomized Controlled Trial
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Em pacientes com dor miofascial cervical, manter a agulha por 1 minuto no ponto gatilho relaxou mais os músculos, aliviou melhor a dor e causou menos efeitos adversos do que 40 inserções rápidas em 2 minutos.
Este estudo mostrou que manter a agulha no ponto doloroso por 1 minuto (técnica sustentada) é mais eficaz que fazer várias picadas rápidas (técnica múltipla) para tratar dor no pescoço. A técnica sustentada relaxou melhor os músculos, aliviou mais a dor e causou menos efeitos colaterais como dor após o procedimento e hematomas. Para quem tem dor miofascial no pescoço, estes resultados sugerem que a abordagem mais suave pode ser mais benéfica.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Para dor miofascial no pescoço, manter a agulha por 1 minuto no ponto doloroso relaxou mais o músculo, aliviou melhor a dor e causou menos desconforto do que 40 picadas rápidas.
Ponto 1
Técnica mais suave: 1 inserção por 1 minuto, com menos dor e hematomas depois
Ponto 2
Resultados melhores: tensão muscular menor e limiar de dor mais alto até 7 dias
Ponto 3
Converse com seu médico sobre qual técnica será usada e se esta opção é adequada para você
O que este estudo acrescenta
Primeiro ensaio randomizado a comparar diretamente inserção sustentada versus múltipla no mesmo indivíduo, com avaliações objetivas de propriedades musculares, dor e perfusão em múltiplos momentos.
Aplicabilidade clínica
As diferenças entre técnicas foram consistentes e estatisticamente robustas, com tamanhos de efeito grandes a muito grandes em múltiplos desfechos. No entanto, a amostra pequena, o acompanhamento curto de 7 dias e a impo
Força do desenho do estudo
Estudo experimental com alocação aleatória de participantes a grupos comparativos, oferecendo evidência de alta qualidade sobre a eficácia relativa de intervenções.
participantes do estudo
30
20 homens e 10 mulheres, média de 31 anos
redução de tensão muscular com GS
16,4 Hz
versus 20,5 Hz com GH, 24h após o procedimento
limiar de dor aos 7 dias com GS
94,8 N/cm
versus 88,7 N/cm com GH; maior é melhor
dor pós-procedimento com GH
73,3%
versus apenas 13,3% com técnica sustentada, 24h depois
hematomas com GH
40%
versus 13,3% com técnica sustentada
Ficha rápida do estudo
Condição
dor miofascial no músculo trapézio superior
Tipo de estudo
ensaio clínico randomizado cruzado
Participantes
30 adultos (20 homens, 10 mulheres, média de 31-32 anos) com dor cervical bilate
Duração
7 dias de acompanhamento após procedimento único
Sessões
1 sessão por técnica, com cada participante recebendo ambas (ativa e placebo em
Comparador
sham dry needling (agulha telescópica sem perfuração) no lado contralateral
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
1 sessão ativa e 1 sessão placebo por participante (lados diferentes)
avaliações em 4 momentos: repouso, 5 min, 24h e 7 dias após
aproximadamente 2 minutos para ambas as técnicas ativas
ponto gatilho ativo na linha média do trapézio superior; GS: 1 inserção mantida 1 minuto (até 5 tentativas para obter LTR); GH: ~40 inserções rápidas em 2 minutos sem retenção
agulha telescópica sham que simulava a sensação sem perfurar a pele
posição de decúbito ventral com cabeça apoiada a 15 graus de flexão; proibição de exercícios intensos, fisioterapia, analgésicos e anti-inflamatórios durante o estudo
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
tensão muscular
reduziu
valores menores de frequência em repouso indicam maior relaxamento; GS superior a GH em todas as avaliações tardias
rigidez muscular
reduziu
menor resistência à deformação do tecido; redução mais pronunciada e duradoura com técnica sustentada
limiar de dor à pressão
melhorou
maior tolerância à compressão do ponto gatilho; GS alcançou 94,8 N/cm vs 88,7 N/cm de GH aos 7 dias
força muscular isométrica
melhorou
recuperação mais consistente da capacidade de contração do trapézio superior com técnica sustentada
vascularização tecidual
melhorou
score Doppler mais elevado indicando resposta vascular reparativa mais adequada com GS
tolerabilidade e conforto
melhorou
menor incidência de dor pós-procedimento, hematomas e outros desconfortos com técnica sustentada
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
5 minutos após
relaxamento muscular
redução inicial da tensão muscular já detectável após a técnica sustentada
5 minutos a 7 dias
limiar de dor
melhora progressiva e sustentada do limiar de dor à pressão com a técnica sustentada
24 horas a 7 dias
rigidez muscular
redução significativa da rigidez mais evidente nas avaliações tardias com GS
24 horas a 7 dias
força muscular
ganho de força isométrica mais pronunciado nas avaliações de 24h e 7 dias com GS
Antes e depois
tensão muscular (Hz)
escala máx. 25 Hz
limiar de dor (N/cm)
escala máx. 120 N/cm
rigidez muscular (N/m)
escala máx. 400 N/m
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Com a técnica de inserção sustentada, a maioria das pessoas experimenta redução da tensão muscular já nos primeiros minutos, com melhora contínua do limiar de dor ao longo de uma semana, associada a menos desconforto após o procedimento.
Tempo provável
Benefícios iniciais em minutos; pico de efeito entre 24 horas e 7 dias para dor e tensão muscular
Este estudo acompanhou os participantes por apenas 7 dias; a durabilidade do alívio além deste período é desconhecida e pode variar individualmente.
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Quanto mais agulhadas, melhor o resultado
Achado
40 inserções rápidas foram menos efetivas que 1 inserção mantida por 1 minuto para relaxamento muscular e alívio da dor
Mito
A dor intensa após o procedimento é sinal de que funcionou
Achado
A técnica que causou menos dor pós-procedimento (13,3% vs 73,3%) foi justamente a mais efetiva nos desfechos clínicos
Mito
O efeito do agulhamento seco é puramente placebo
Achado
Ambas as técnicas ativas superaram o placebo sham em múltiplos desfechos objetivos, mas com magnitude diferente entre si
Mito
Resposta vascular maior implica melhor resultado clínico
Achado
O método de Hong causou maior perfusão imediata, mas sem correspondência em melhora da dor ou tensão muscular
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO MECÂNICO
A agulha ativa mecanorreceptores e nociceptores no ponto gatilho, possivelmente interrompendo o ciclo de dor sustentado — mecanismo proposto, não totalmente elucidado
RESPOSTA NEUROMUSCULAR
A contração local transitória (LTR) pode indicar desbloqueio da placa motora, com redução da tensão muscular em repouso — efeito mais consistente com retenção prolongada
MODULAÇÃO DA DOR
A estimulação sustentada pode ativar vias descendentes inibitórias da dor no sistema nervoso central, elevando o limiar de dor à pressão de forma progressiva
RESPOSTA VASCULAR
Mudanças na perfusão local refletem resposta inflamatória e reparativa ao microtrauma da agulha; a técnica sustentada parece promover vascularização mais favorável ao reparo tecidual
O que ainda é incerto
comparar duas técnicas de agulhamento seco para tratar dor no pescoço: inserção múltipla rápida versus inserção sustentada
30 pessoas com dor miofascial no músculo trapézio superior há mais de 1 mês
cada pessoa recebeu ambas as técnicas (em lados diferentes) e foi avaliada por 7 dias
técnica sustentada reduziu mais a tensão muscular e melhorou o alívio da dor
técnica sustentada causou menos efeitos adversos que a técnica múltipla
Achados Interessantes
MENOS É MAIS
Contra a intuição de que estímulo mais intenso produz melhor resultado, uma única inserção mantida foi clinicamente superior a 40 inserções rápidas em praticamente todos os desfechos relevantes
SEGURANÇA COMO DIFERENCIAL
A técnica sustentada funcionou melhor e foi mais bem tolerada, com 5 vezes menos relatos de dor tardia e 3 vezes menos hematomas
DESENHO CRUZADO ROBUSTO
Cada pessoa serviu como próprio controle, recebendo tratamento real e placebo em lados diferentes, fortalecendo a confiabilidade das comparações entre as duas técnicas ativas
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor miofascial no pescoço é uma condição dolorosa e frequente, caracterizada por pontos sensíveis nos músculos — chamados de pontos gatilho — que podem causar tensão, rigidez e limitação dos movimentos. Entre as opções de tratamento, o agulhamento seco tem ganhado atenção como uma intervenção que busca aliviar esses sintomas através da estimulação direta dos pontos gatilho com agulhas finas. No entanto, existe mais de uma forma de realizar esse procedimento, e a dúvida permanece: alguma técnica é superior à outra? O estudo de Olaniszyn e colaboradores, publicado em 2025 no Annals of Rehabilitation Medicine, traz uma resposta importante para essa questão ao comparar diretamente duas abordagens principais.
O pesquisadores recrutaram 30 voluntários com dor miofascial bilateral no músculo trapézio superior, todos com queixa de dor persistente há mais de um mês e intensidade mínima de 4 em uma escala de 0 a 10. O desenho do estudo foi robusto: cada participante serviu como seu próprio controle, recebendo a técnica ativa em um lado do corpo e um procedimento placebo do outro lado. A randomização determinou qual lado recebia qual intervenção e qual técnica ativa seria aplicada — a técnica de inserção sustentada (GS) ou o método de Hong com inserções múltiplas rápidas (GH).
Na prática, as diferenças entre as técnicas eram claras. A técnica sustentada consistia em uma única inserção da agulha no ponto gatilho, mantida por um minuto, com observação da resposta de contração local — aquele breve espasmo muscular que indica a ativação do ponto. Caso não ocorresse em até cinco tentativas, a agulha era inserida profundamente e mantida pelo tempo restante. Já o método de Hong envolvia aproximadamente 40 inserções rápidas e repetidas ao longo de dois minutos, sem retenção da agulha na pele, independentemente das respostas obtidas.
O procedimento placebo utilizava uma agulha telescópica que simulava a sensação sem perfurar a pele, mantendo os participantes sem saber qual lado recebia tratamento real.
As avaliações foram realizadas em quatro momentos: antes do procedimento, cinco minutos após, 24 horas depois e sete dias depois. Os pesquisadores mediram tensão muscular e rigidez com um myotonometer, limiar de dor à pressão com um algômetro, força muscular isométrica com dinamômetro manual, perfusão sanguínea com laser Doppler e vascularização com ultrassom Doppler. Essa bateria de exames permitiu uma visão abrangente dos efeitos fisiológicos de cada técnica.
Os resultados foram claros e consistentemente favoráveis à técnica de inserção sustentada. Em relação à tensão muscular, medida em frequência de vibração do músculo em repouso, a técnica sustentada alcançou valores significativamente menores — o que indica maior relaxamento — tanto após 24 horas (16,4 Hz versus 20,5 Hz) quanto após sete dias (17,1 Hz versus 17,7 Hz), com diferenças estatisticamente robustas. A rigidez muscular seguiu o mesmo padrão, com reduções mais pronunciadas e duradouras no grupo GS. Esses achados sugerem que manter a agulha no ponto gatilho por um período mais longo promove um relaxamento muscular mais efetivo do que as múltiplas picadas rápidas.
O limiar de dor à pressão, que reflete a tolerância do tecido à compressão, também foi significativamente superior na técnica sustentada em todos os momentos avaliados após o procedimento: 82,8 N/cm aos cinco minutos, 88,6 N/cm às 24 horas e 94,8 N/cm após sete dias, contra 79,1, 72,7 e 88,7 N/cm respectivamente no método de Hong. Curiosamente, o método de Hong mostrou uma queda no limiar de dor às 24 horas, sugerindo uma fase de sensibilização antes de eventual recuperação. A força muscular isométrica apresentou melhora mais consistente com a técnica sustentada, especialmente nas avaliações tardias.
Os achados de perfusão sanguínea revelaram um padrão interessante: o método de Hong produziu um aumento mais imediato e intenso da perfusão aos cinco minutos, possivelmente devido ao maior trauma mecânico das múltiplas inserções. No entanto, essa vantagem se dissipou rapidamente, e a técnica sustentada mostrou uma resposta vascular mais equilibrada ao longo do tempo. O score Doppler, que avalia a vascularização tecidual, foi significativamente maior com a técnica sustentada aos cinco minutos e 24 horas, indicando uma resposta inflamatória e reparativa mais adequada.
A segurança constituiu outro domínio onde a técnica sustentada se destacou. Os eventos adversos foram sistematicamente mais frequentes e intensos no método de Hong: 73,3% dos participantes relataram aumento da dor após 24 horas, contra apenas 13,3% na técnica sustentada; hematomas ocorreram em 40% versus 13,3%; sensação de queimação afetou 20% dos participantes do método de Hong, enquanto nenhum participante da técnica sustentada relatou esse sintoma; fadiga foi observada em 20% versus 6,7%; e houve dois casos de desmaio no método de Hong, contra nenhum na técnica sustentada. Esses dados indicam que a abordagem mais agressiva não apenas não oferece benefícios superiores, como também expõe os pacientes a desconfortos desnecessários.
É importante reconhecer as limitações deste estudo. A amostra de 30 participantes, embora adequada para detectar as diferenças observadas, limita a generalização para populações mais amplas e diversas. O acompanhamento de apenas sete dias não permite conclusões sobre a durabilidade dos benefícios a longo prazo. Além disso, a diferença no número de inserções entre as técnicas — uma versus quarenta — introduz uma variável que dificulta isolar o efeito do tempo de retenção versus o número de estímulos.
A diferença de IMC entre os grupos, embora não tenha afetado as análises principais, merece atenção em estudos futuros.
Para pacientes que convivem com dor miofascial cervical, estes resultados oferecem orientação prática valiosa. Quando o agulhamento seco é indicado, a técnica de inserção sustentada parece proporcionar melhor alívio da dor, maior relaxamento muscular, menos efeitos colaterais e uma experiência global mais confortável. A escolha da técnica não é meramente técnica — tem consequências reais na experiência do paciente e nos resultados clínicos. No entanto, é fundamental lembrar que este estudo comparou duas formas de agulhamento seco entre si, e não com outras modalidades de tratamento.
A decisão sobre se o agulhamento seco é apropriado em cada caso, e qual técnica utilizar, deve ser individualizada e discutida com o profissional de saúde responsável, considerando as características específicas de cada paciente, suas preferências e o contexto clínico mais amplo.
técnica sustentada
15 pessoas
agulha mantida por 1 minuto no ponto gatilho
técnica múltipla
15 pessoas
40 inserções rápidas em 2 minutos
redução da tensão muscular com técnica sustentada
melhora do limiar de dor
menos dor pós-procedimento
menos hematomas
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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