Estudo científico comentado

Comparação entre técnicas de agulhamento seco para dor miofascial no pescoço: inserção múltipla versus sustentada

Referência acadêmica

Periódico

Annals of Rehabilitation Medicine

Ano

2025

Autores

Olaniszyn et al.

Desenho

ensaio clínico randomizado

Este estudo mostrou que manter a agulha no ponto doloroso por 1 minuto (técnica sustentada) é mais eficaz que fazer várias picadas rápidas (técnica múltipla) para tratar dor no pescoço. A técnica sustentada relaxou melhor os músculos, aliviou mais a dor e causou menos efeitos colaterais como dor após o procedimento e hematomas. Para quem tem dor miofascial no pescoço, estes resultados sugerem que a abordagem mais suave pode ser mais benéfica.

Título original do estudo: Comparing Multiple Versus Sustained Insertion Dry Needling Therapy for Myofascial Neck Pain: A Randomized Controlled Trial

🎯ensaio clínico randomizado👥n=30 participantes💚evidência moderada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Em pacientes com dor miofascial cervical, manter a agulha por 1 minuto no ponto gatilho relaxou mais os músculos, aliviou melhor a dor e causou menos efeitos adversos do que 40 inserções rápidas em 2 minutos.

O que isso significa para você?

Este estudo mostrou que manter a agulha no ponto doloroso por 1 minuto (técnica sustentada) é mais eficaz que fazer várias picadas rápidas (técnica múltipla) para tratar dor no pescoço. A técnica sustentada relaxou melhor os músculos, aliviou mais a dor e causou menos efeitos colaterais como dor após o procedimento e hematomas. Para quem tem dor miofascial no pescoço, estes resultados sugerem que a abordagem mais suave pode ser mais benéfica.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Se o agulhamento seco for recomendado para sua dor cervical, a técnica de inserção sustentada parece oferecer melhor relação entre benefício e desconforto
  • 2A dor após o procedimento não é indicador de eficácia — a técnica que causou menos dor foi a mais efetiva
  • 3Os benefícios tendem a se acumular nas primeiras 24 horas a 7 dias, não sendo necessariamente imediatos
  • 4Contraindicações específicas existem; sempre informe seu histórico completo de saúde antes do procedimento
  • 5Este estudo não define quantas sessões são necessárias; o tratamento deve ser individualizado
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Qual técnica de agulhamento seco você utiliza e por que a considera adequada para meu caso específico?
  • 2Quantas sessões são tipicamente necessárias, e com qual frequência, para condições semelhantes à minha?
  • 3Quais sinais de alerta devo observar após o procedimento e quando devo buscar atendimento?
  • 4Existem alternativas terapêuticas que poderiam ser consideradas antes ou em conjunto com o agulhamento seco?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1A técnica sustentada demonstrou perfil de segurança favorável, mas qualquer procedimento invasivo carrega riscos de infecção, sangramento ou reação vasovagal
  • 2O estudo não avaliou populações de risco como idosos fragilizados, pacientes anticoagulados ou imunocomprometidos
  • 3Eventos adversos graves foram raros, mas dois casos de desmaio ocorreram com o método de inserções múltiplas, reforçando a necessidade de precaução
  • 4O acompanhamento de 7 dias é insuficiente para garantir ausência de efeitos tardios; relatar qualquer sintoma novo ao profissional de saúde é essencial

Leitura rápida para pacientes

Uma agulhada calma vale mais que muitas rápidas

Para dor miofascial no pescoço, manter a agulha por 1 minuto no ponto doloroso relaxou mais o músculo, aliviou melhor a dor e causou menos desconforto do que 40 picadas rápidas.

Ponto 1

Técnica mais suave: 1 inserção por 1 minuto, com menos dor e hematomas depois

Ponto 2

Resultados melhores: tensão muscular menor e limiar de dor mais alto até 7 dias

Ponto 3

Converse com seu médico sobre qual técnica será usada e se esta opção é adequada para você

O que este estudo acrescenta

COMPARAÇÃO DIRETA INÉDITA

Primeiro ensaio randomizado a comparar diretamente inserção sustentada versus múltipla no mesmo indivíduo, com avaliações objetivas de propriedades musculares, dor e perfusão em múltiplos momentos.

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

As diferenças entre técnicas foram consistentes e estatisticamente robustas, com tamanhos de efeito grandes a muito grandes em múltiplos desfechos. No entanto, a amostra pequena, o acompanhamento curto de 7 dias e a impo

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Estudo experimental com alocação aleatória de participantes a grupos comparativos, oferecendo evidência de alta qualidade sobre a eficácia relativa de intervenções.

participantes do estudo

30

20 homens e 10 mulheres, média de 31 anos

redução de tensão muscular com GS

16,4 Hz

versus 20,5 Hz com GH, 24h após o procedimento

limiar de dor aos 7 dias com GS

94,8 N/cm

versus 88,7 N/cm com GH; maior é melhor

dor pós-procedimento com GH

73,3%

versus apenas 13,3% com técnica sustentada, 24h depois

hematomas com GH

40%

versus 13,3% com técnica sustentada

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

dor miofascial no músculo trapézio superior

Tipo de estudo

ensaio clínico randomizado cruzado

Participantes

30 adultos (20 homens, 10 mulheres, média de 31-32 anos) com dor cervical bilate

Duração

7 dias de acompanhamento após procedimento único

Sessões

1 sessão por técnica, com cada participante recebendo ambas (ativa e placebo em

Comparador

sham dry needling (agulha telescópica sem perfuração) no lado contralateral

Grupos do estudo

técnica de inserção sustentada (GS)método de Hong com inserções múltiplas (GH)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

1 sessão ativa e 1 sessão placebo por participante (lados diferentes)

Frequência02

avaliações em 4 momentos: repouso, 5 min, 24h e 7 dias após

Duração da sessão03

aproximadamente 2 minutos para ambas as técnicas ativas

Pontos / técnica04

ponto gatilho ativo na linha média do trapézio superior; GS: 1 inserção mantida 1 minuto (até 5 tentativas para obter LTR); GH: ~40 inserções rápidas em 2 minutos sem retenção

Comparador05

agulha telescópica sham que simulava a sensação sem perfurar a pele

Nota de protocolo06

posição de decúbito ventral com cabeça apoiada a 15 graus de flexão; proibição de exercícios intensos, fisioterapia, analgésicos e anti-inflamatórios durante o estudo

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com dor cervical bilateral persistente há mais de 1 mêsPontuação de dor ≥ 4 na escala numérica de 0 a 10Presença de banda tensa palpável com ponto gatilho hipersensível no trapézio superiorDor local ou referida à pressão no ponto gatilhoRestrição de mobilidade cervicalAmbos os sexos, predomínio de homens (67% da amostra)

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Dor radicular, cervicalgia pós-traumática (whiplash), tonturas ou cirurgia cervical préviaDoenças do tecido conjuntivo como fibromialgia, esclerose sistêmica ou discopatia cervicalAlergia a níquel, fobia de agulhas, síndromes oclusivas vasculares ou gestação

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

tensão muscular

reduziu

valores menores de frequência em repouso indicam maior relaxamento; GS superior a GH em todas as avaliações tardias

🧱

rigidez muscular

reduziu

menor resistência à deformação do tecido; redução mais pronunciada e duradoura com técnica sustentada

🛡️

limiar de dor à pressão

melhorou

maior tolerância à compressão do ponto gatilho; GS alcançou 94,8 N/cm vs 88,7 N/cm de GH aos 7 dias

💪

força muscular isométrica

melhorou

recuperação mais consistente da capacidade de contração do trapézio superior com técnica sustentada

🩸

vascularização tecidual

melhorou

score Doppler mais elevado indicando resposta vascular reparativa mais adequada com GS

😌

tolerabilidade e conforto

melhorou

menor incidência de dor pós-procedimento, hematomas e outros desconfortos com técnica sustentada

O que não mudou

  • A força muscular não mostrou diferença significativa entre agulhamento ativo e placebo nas comparações diretas
  • A perfusão sanguínea de curto prazo foi maior com o método de Hong, sugerindo que múltiplas inserções causam maior trauma vascular imediato sem benefí
  • Não houve diferenças significativas entre grupos nas medidas basais, confirmando a equivalência inicial

Quando a melhora apareceu

1

5 minutos após

relaxamento muscular

redução inicial da tensão muscular já detectável após a técnica sustentada

2

5 minutos a 7 dias

limiar de dor

melhora progressiva e sustentada do limiar de dor à pressão com a técnica sustentada

3

24 horas a 7 dias

rigidez muscular

redução significativa da rigidez mais evidente nas avaliações tardias com GS

4

24 horas a 7 dias

força muscular

ganho de força isométrica mais pronunciado nas avaliações de 24h e 7 dias com GS

Antes e depois

tensão muscular (Hz)

escala máx. 25 Hz

Antes19.6 Hz
Depois17.1 Hz

limiar de dor (N/cm)

escala máx. 120 N/cm

Antes79 N/cm
Depois94.8 N/cm

rigidez muscular (N/m)

escala máx. 400 N/m

Antes346.5 N/m
Depois304.1 N/m

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Técnica sustentada associada a baixa incidência de eventos adversos (13,3% dor tardia, 13,3% hematomas)
  • Ausência de eventos graves com ambas as técnicas no período observado
  • Procedimento realizado em ambiente controlado com protocolos de segurança rigorosos
Amarelo
  • Método de Hong associado a maior frequência de desconfortos pós-procedimento
  • Dois casos de desmaio relatados apenas no grupo de inserções múltiplas
  • Sensação de queimação exclusiva do método de Hong (20% dos participantes)
Vermelho
  • Contraindicações específicas incluem alergia a níquel, fobia de agulhas, síndromes vasculares oclusivos e gestação
  • Estudo não avaliou segurança em populações mais velhas ou com comorbidades significativas
  • Acompanhamento de apenas 7 dias não permite descartar eventos adversos tardios

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor miofascial cervical crônica ou subaguda no trapézio superior
  • Pacientes com pontos gatilho ativos palpáveis e dor referida à pressão
  • Indivíduos sem contraindicações específicas a procedimentos com agulhas
  • Pessoas que já não obtiveram alívio satisfatório com tratamentos conservadores
  • Pacientes que valorizam abordagens com menor incidência de efeitos adversos

Mais cautela para extrapolar

  • Pessoas com dor radicular, neuropatia ou origem não miofascial da dor cervical
  • Indivíduos em uso de anticoagulantes ou com distúrbios de coagulação (não explicitamente estudado)
  • Pacientes com fobia de agulhas ou histórico de reações vasovagais a procedimentos
  • Gestantes ou pessoas com doenças do tecido conjuntivo sistêmico
  • Idosos muito avançados ou com múltiplas comorbidades (fora do perfil estudado)

Expectativa realista

Alívio progressivo com abordagem mais suave

Com a técnica de inserção sustentada, a maioria das pessoas experimenta redução da tensão muscular já nos primeiros minutos, com melhora contínua do limiar de dor ao longo de uma semana, associada a menos desconforto após o procedimento.

Tempo provável

Benefícios iniciais em minutos; pico de efeito entre 24 horas e 7 dias para dor e tensão muscular

Este estudo acompanhou os participantes por apenas 7 dias; a durabilidade do alívio além deste período é desconhecida e pode variar individualmente.

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar qual técnica de agulhamento seco será utilizada e por que ela foi escolhida para seu caso
  2. 2Informar sobre histórico de reações a procedimentos com agulhas, incluindo desmaios ou sensação de queimação
  3. 3Discutir expectativas realistas sobre o número de sessões necessárias e a evolução temporal dos sintomas
  4. 4Questionar sobre medidas de segurança adotadas e plano de acompanhamento pós-procedimento
  5. 5Verificar se há contraindicações específicas para sua situação (medicações, condições de saúde, gestação)

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Quanto mais agulhadas, melhor o resultado

Achado

40 inserções rápidas foram menos efetivas que 1 inserção mantida por 1 minuto para relaxamento muscular e alívio da dor

Mito

A dor intensa após o procedimento é sinal de que funcionou

Achado

A técnica que causou menos dor pós-procedimento (13,3% vs 73,3%) foi justamente a mais efetiva nos desfechos clínicos

Mito

O efeito do agulhamento seco é puramente placebo

Achado

Ambas as técnicas ativas superaram o placebo sham em múltiplos desfechos objetivos, mas com magnitude diferente entre si

Mito

Resposta vascular maior implica melhor resultado clínico

Achado

O método de Hong causou maior perfusão imediata, mas sem correspondência em melhora da dor ou tensão muscular

Como isso pode funcionar

🎯

ESTÍMULO MECÂNICO

A agulha ativa mecanorreceptores e nociceptores no ponto gatilho, possivelmente interrompendo o ciclo de dor sustentado — mecanismo proposto, não totalmente elucidado

RESPOSTA NEUROMUSCULAR

A contração local transitória (LTR) pode indicar desbloqueio da placa motora, com redução da tensão muscular em repouso — efeito mais consistente com retenção prolongada

🧬

MODULAÇÃO DA DOR

A estimulação sustentada pode ativar vias descendentes inibitórias da dor no sistema nervoso central, elevando o limiar de dor à pressão de forma progressiva

🩸

RESPOSTA VASCULAR

Mudanças na perfusão local refletem resposta inflamatória e reparativa ao microtrauma da agulha; a técnica sustentada parece promover vascularização mais favorável ao reparo tecidual

O que ainda é incerto

  • ?A durabilidade dos benefícios além de 7 dias não foi estabelecida; são necessários estudos com acompanhamento de semanas a meses
  • ?O número desproporcional de inserções entre técnicas (1 vs 40) impede concluir se a superioridade da GS se deve ao tempo de retenção, ao número de est
  • ?A amostra foi predominantemente masculina e jovem-adulta; a aplicabilidade a mulheres, idosos e outras populações requer confirmação
  • ?O mecanismo exato pelo qual a retenção prolongada produz melhores resultados permanece teórico e demanda investigação fisiológica adicional
🎯

O que o estudo quis responder

comparar duas técnicas de agulhamento seco para tratar dor no pescoço: inserção múltipla rápida versus inserção sustentada

👥

QUEM PARTICIPOU

30 pessoas com dor miofascial no músculo trapézio superior há mais de 1 mês

🧪

COMO FOI FEITO

cada pessoa recebeu ambas as técnicas (em lados diferentes) e foi avaliada por 7 dias

📈

O QUE MUDOU

técnica sustentada reduziu mais a tensão muscular e melhorou o alívio da dor

🛟

SEGURANÇA

técnica sustentada causou menos efeitos adversos que a técnica múltipla

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

MENOS É MAIS

Contra a intuição de que estímulo mais intenso produz melhor resultado, uma única inserção mantida foi clinicamente superior a 40 inserções rápidas em praticamente todos os desfechos relevantes

🧭

SEGURANÇA COMO DIFERENCIAL

A técnica sustentada funcionou melhor e foi mais bem tolerada, com 5 vezes menos relatos de dor tardia e 3 vezes menos hematomas

📌

DESENHO CRUZADO ROBUSTO

Cada pessoa serviu como próprio controle, recebendo tratamento real e placebo em lados diferentes, fortalecendo a confiabilidade das comparações entre as duas técnicas ativas

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Comparação entre técnicas de agulhamento seco para dor miofascial no pescoço: inserção múltipla versus sustentada

A dor miofascial no pescoço é uma condição dolorosa e frequente, caracterizada por pontos sensíveis nos músculos — chamados de pontos gatilho — que podem causar tensão, rigidez e limitação dos movimentos. Entre as opções de tratamento, o agulhamento seco tem ganhado atenção como uma intervenção que busca aliviar esses sintomas através da estimulação direta dos pontos gatilho com agulhas finas. No entanto, existe mais de uma forma de realizar esse procedimento, e a dúvida permanece: alguma técnica é superior à outra? O estudo de Olaniszyn e colaboradores, publicado em 2025 no Annals of Rehabilitation Medicine, traz uma resposta importante para essa questão ao comparar diretamente duas abordagens principais.

O pesquisadores recrutaram 30 voluntários com dor miofascial bilateral no músculo trapézio superior, todos com queixa de dor persistente há mais de um mês e intensidade mínima de 4 em uma escala de 0 a 10. O desenho do estudo foi robusto: cada participante serviu como seu próprio controle, recebendo a técnica ativa em um lado do corpo e um procedimento placebo do outro lado. A randomização determinou qual lado recebia qual intervenção e qual técnica ativa seria aplicada — a técnica de inserção sustentada (GS) ou o método de Hong com inserções múltiplas rápidas (GH).

Na prática, as diferenças entre as técnicas eram claras. A técnica sustentada consistia em uma única inserção da agulha no ponto gatilho, mantida por um minuto, com observação da resposta de contração local — aquele breve espasmo muscular que indica a ativação do ponto. Caso não ocorresse em até cinco tentativas, a agulha era inserida profundamente e mantida pelo tempo restante. Já o método de Hong envolvia aproximadamente 40 inserções rápidas e repetidas ao longo de dois minutos, sem retenção da agulha na pele, independentemente das respostas obtidas.

O procedimento placebo utilizava uma agulha telescópica que simulava a sensação sem perfurar a pele, mantendo os participantes sem saber qual lado recebia tratamento real.

As avaliações foram realizadas em quatro momentos: antes do procedimento, cinco minutos após, 24 horas depois e sete dias depois. Os pesquisadores mediram tensão muscular e rigidez com um myotonometer, limiar de dor à pressão com um algômetro, força muscular isométrica com dinamômetro manual, perfusão sanguínea com laser Doppler e vascularização com ultrassom Doppler. Essa bateria de exames permitiu uma visão abrangente dos efeitos fisiológicos de cada técnica.

Os resultados foram claros e consistentemente favoráveis à técnica de inserção sustentada. Em relação à tensão muscular, medida em frequência de vibração do músculo em repouso, a técnica sustentada alcançou valores significativamente menores — o que indica maior relaxamento — tanto após 24 horas (16,4 Hz versus 20,5 Hz) quanto após sete dias (17,1 Hz versus 17,7 Hz), com diferenças estatisticamente robustas. A rigidez muscular seguiu o mesmo padrão, com reduções mais pronunciadas e duradouras no grupo GS. Esses achados sugerem que manter a agulha no ponto gatilho por um período mais longo promove um relaxamento muscular mais efetivo do que as múltiplas picadas rápidas.

O limiar de dor à pressão, que reflete a tolerância do tecido à compressão, também foi significativamente superior na técnica sustentada em todos os momentos avaliados após o procedimento: 82,8 N/cm aos cinco minutos, 88,6 N/cm às 24 horas e 94,8 N/cm após sete dias, contra 79,1, 72,7 e 88,7 N/cm respectivamente no método de Hong. Curiosamente, o método de Hong mostrou uma queda no limiar de dor às 24 horas, sugerindo uma fase de sensibilização antes de eventual recuperação. A força muscular isométrica apresentou melhora mais consistente com a técnica sustentada, especialmente nas avaliações tardias.

Os achados de perfusão sanguínea revelaram um padrão interessante: o método de Hong produziu um aumento mais imediato e intenso da perfusão aos cinco minutos, possivelmente devido ao maior trauma mecânico das múltiplas inserções. No entanto, essa vantagem se dissipou rapidamente, e a técnica sustentada mostrou uma resposta vascular mais equilibrada ao longo do tempo. O score Doppler, que avalia a vascularização tecidual, foi significativamente maior com a técnica sustentada aos cinco minutos e 24 horas, indicando uma resposta inflamatória e reparativa mais adequada.

A segurança constituiu outro domínio onde a técnica sustentada se destacou. Os eventos adversos foram sistematicamente mais frequentes e intensos no método de Hong: 73,3% dos participantes relataram aumento da dor após 24 horas, contra apenas 13,3% na técnica sustentada; hematomas ocorreram em 40% versus 13,3%; sensação de queimação afetou 20% dos participantes do método de Hong, enquanto nenhum participante da técnica sustentada relatou esse sintoma; fadiga foi observada em 20% versus 6,7%; e houve dois casos de desmaio no método de Hong, contra nenhum na técnica sustentada. Esses dados indicam que a abordagem mais agressiva não apenas não oferece benefícios superiores, como também expõe os pacientes a desconfortos desnecessários.

É importante reconhecer as limitações deste estudo. A amostra de 30 participantes, embora adequada para detectar as diferenças observadas, limita a generalização para populações mais amplas e diversas. O acompanhamento de apenas sete dias não permite conclusões sobre a durabilidade dos benefícios a longo prazo. Além disso, a diferença no número de inserções entre as técnicas — uma versus quarenta — introduz uma variável que dificulta isolar o efeito do tempo de retenção versus o número de estímulos.

A diferença de IMC entre os grupos, embora não tenha afetado as análises principais, merece atenção em estudos futuros.

Para pacientes que convivem com dor miofascial cervical, estes resultados oferecem orientação prática valiosa. Quando o agulhamento seco é indicado, a técnica de inserção sustentada parece proporcionar melhor alívio da dor, maior relaxamento muscular, menos efeitos colaterais e uma experiência global mais confortável. A escolha da técnica não é meramente técnica — tem consequências reais na experiência do paciente e nos resultados clínicos. No entanto, é fundamental lembrar que este estudo comparou duas formas de agulhamento seco entre si, e não com outras modalidades de tratamento.

A decisão sobre se o agulhamento seco é apropriado em cada caso, e qual técnica utilizar, deve ser individualizada e discutida com o profissional de saúde responsável, considerando as características específicas de cada paciente, suas preferências e o contexto clínico mais amplo.

O que fortalece a leitura

  • 1design cruzado onde cada pessoa serviu como seu próprio controle
  • 2múltiplas medidas objetivas de tensão muscular e dor
  • 3comparação com procedimento placebo
  • 4acompanhamento de eventos adversos
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1amostra pequena de 30 participantes
  • 2acompanhamento de apenas 7 dias
  • 3diferença no número de inserções entre técnicas pode confundir resultados

Leitura clínica do estudo

MODERADA
72/ 100
Desenho
4/5
Amostra
3/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

30pessoas avaliadas
divisão dos grupos

técnica sustentada

15 pessoas

agulha mantida por 1 minuto no ponto gatilho

técnica múltipla

15 pessoas

40 inserções rápidas em 2 minutos

⏱️ Tempo de acompanhamento: 7 dias de acompanhamento

📊 Resultados em números

17.0 Hz final vs 20.5 Hz com múltipla

redução da tensão muscular com técnica sustentada

94.8 N/cm vs 88.7 N/cm

melhora do limiar de dor

13.3% vs 73.3%

menos dor pós-procedimento

13.3% vs 40.0%

menos hematomas

Destaques percentuais

13.3% vs 73.3%
menos dor pós-procedimento
13.3% vs 40.0%
menos hematomas

📊 Comparação de Resultados

tensão muscular final (Hz - menor é melhor)

sustentada
17.1
múltipla
17.7

limiar de dor (N/cm - maior é melhor)

sustentada
94.8
múltipla
88.7

📅 Linha do tempo da evidência

2014desenvolvimento da técnica de inserção múltipla rápida
2018consensus internacional sobre critérios diagnósticos de pontos gatilho
2024estudos recentes questionam confiabilidade da resposta de contração local
2025este estudo compara diretamente as duas principais técnicas de agulhamento seco

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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