Estudo científico comentado

Comparação entre agulhamento seco dinâmico, estático e placebo na síndrome de dor miofascial cervical

Referência acadêmica

Periódico

Complementary Therapies in Medicine

Ano

2026

Autores

Olaniszyn et al.

Desenho

ensaio clínico randomizado

Este estudo mostrou que o agulhamento seco com movimentos rápidos da agulha (dinâmico) foi mais efetivo para reduzir a rigidez muscular e aumentar a tolerância à dor no trapézio que deixar a agulha parada ou usar agulha falsa. Os benefícios foram observados imediatamente após o tratamento e duraram até 7 dias. Isso sugere que a técnica específica do agulhamento importa para obter melhores resultados no alívio da dor muscular.

Título original do estudo: Comparative effects of static, classical, and sham dry needling on muscle properties and autonomic nervous system activity in cervical myofascial pain syndrome

🔬ensaio clínico randomizado👥n=45 participantes🎯alto impacto clínico
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Em adultos com dor miofascial cervical, uma única sessão de agulhamento seco com técnica dinâmica mostrou-se superior ao agulhamento estático e ao placebo para reduzir rigidez muscular e aumentar a tolerância à pressão no curto prazo, embora os efeitos a longo

O que isso significa para você?

Este estudo mostrou que o agulhamento seco com movimentos rápidos da agulha (dinâmico) foi mais efetivo para reduzir a rigidez muscular e aumentar a tolerância à dor no trapézio que deixar a agulha parada ou usar agulha falsa. Os benefícios foram observados imediatamente após o tratamento e duraram até 7 dias. Isso sugere que a técnica específica do agulhamento importa para obter melhores resultados no alívio da dor muscular.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Se você tem pontos-gatilho dolorosos no trapézio, a técnica de agulhamento com movimentos rápidos pode ser mais efetiva que deixar a agulha parada, segundo esta evidência
  • 2Os benefícios parecem mais fortes nas primeiras 24 horas, então planejar atividades e exercícios nessa janela pode ser estratégico
  • 3Não houve complicações relatadas, mas converse sobre suas condições de saúde antes, especialmente se tem problemas neurológicos, alergias ou está grávida
  • 4Uma sessão isolada mostrou efeitos, mas não se sabe quantas seriam ideais ou se a melhora se mantém semanas depois — discuta um plano de acompanhamento
  • 5A rigidez muscular e a sensibilidade à pressão melhoraram, mas o estudo não mediu se você conseguirá mexer o pescoço melhor ou sentir menos dor no dia a dia
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Qual técnica de agulhamento você utiliza — dinâmica com pistão, estática ou outra variação? Há evidência específica para a sua abordagem?
  • 2Como vamos avaliar se houve melhora na minha função e não apenas em medidas laboratoriais?
  • 3Caso eu não sinta diferença após uma sessão, qual é o plano — mais sessões, técnica diferente ou outra abordagem terapêutica?
  • 4Há contraindicações específicas para mim considerando meu histórico médico e medicamentos atuais?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum evento adverso foi observado neste estudo, mas a amostra foi pequena e o acompanhamento limitado a 7 dias
  • 2A técnica dinâmica envolve múltiplas inserções rápidas, o que pode causar mais desconforto agudo durante a sessão que a abordagem estática
  • 3Contraindicações incluem radiculopatia cervical, doenças do colágeno, gravidez e alergia a níquel — informe seu médico sobre essas condições
  • 4A segurança em populações não estudadas, como idosos frágeis, pessoas com distúrbios de coagulação ou uso de anticoagulantes, não foi estabelecida

Leitura rápida para pacientes

Agulhamento dinâmico pode aliviar a tensão do trapézio

Estudo mostra que técnica com movimentos rápidos da agulha superou abordagem parada e placebo em medidas de rigidez e tolerância à pressão

Ponto 1

Técnica com movimentos de pistão mostrou melhores resultados que agulha parada ou falsa

Ponto 2

Benefícios mais consistentes apareceram nas primeiras 24 horas após a sessão

Ponto 3

Não houve eventos adversos, mas o estudo não avaliou melhora da dor nem da função do pescoço

O que este estudo acrescenta

TÉCNICA IMPORTA

Este foi um dos primeiros estudos a isolar rigorosamente o efeito da intensidade mecânica do agulhamento, mostrando que a técnica dinâmica produz mudanças fisiológicas mais robustas que a estática ou o placebo no trapézi

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

Os efeitos fisiológicos mensuráveis foram consistentes e de magnitude relevante para a técnica dinâmica, mas o estudo não avaliou desfechos funcionais ou de qualidade de vida, e o seguimento curto limita a certeza sobre

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é um dos níveis mais altos de evidência para intervenções terapêuticas, pois a randomização e o uso de placebo reduzem vieses de seleção e expectativa

Participantes do estudo

45

15 em cada grupo, amostra calculada para detectar efeitos de magnitude média a grande

Duração da sessão

30 min

Tempo padronizado para todos os grupos, independente da técnica

Redução de rigidez com dinâmico

~40 N/m

Diferença média aproximada versus estático e placebo, mantida em todos os momentos

Aumento do limiar de dor

~6 N/cm²

Vantagem do dinâmico sobre os outros grupos, do imediato aos 7 dias

Seguimento pós-intervenção

7 dias

Prazo máximo de observação, considerado curto para avaliar durabilidade clínica

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Síndrome de dor miofascial cervical com pontos-gatilho ativos no trapézio superior

Tipo de estudo

Ensaio clínico randomizado, paralelo, com grupo placebo

Participantes

45 adultos, média de 41 anos, com dor cervical bilateral e pontos-gatilho ativos

Duração

7 dias de acompanhamento após intervenção única

Sessões

1 sessão única de 30 minutos

Comparador

Agulhamento placebo com agulha não penetrante (Streitberger) e agulhamento estático sem manipulação

Grupos do estudo

Agulhamento dinâmico clássico (CDN)Agulhamento estático (SDN)Agulhamento placebo (shamN)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

1 sessão

Frequência02

Intervenção única, sem repetição

Duração da sessão03

30 minutos

Pontos / técnica04

2 pontos-gatilho bilaterais no trapézio superior; dinâmico com pistão 5-7 Hz por 1 minuto por ponto; estático com agulha retida 30 min sem manipulação

Comparador05

Agulha placebo Streitberger sem penetração cutânea, mesma duração e posicionamento

Nota de protocolo06

Três terapeutas distintos, cada um exclusivo a um braço de intervenção, com mais de 5 anos de experiência; ambiente controlado a 22°C

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com diagnóstico clínico de síndrome de dor miofascial cervicalPresença de pontos-gatilho ativos no trapézio superior com banda tensa palpávelDor cervical bilateral com duração inferior a um mêsIntensidade dolorosa mínima de 3 em escala numérica de 0 a 10Restrição de amplitude de movimento cervical e dor durante contração do trapézio

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Sinais de radiculopatia cervical ou patologia de raiz nervosaHistórico de trauma ou cirurgia cervicalDoenças do tecido conjuntivo como esclerose sistêmica ou fibromialgiaGravidez, alergia a níquel ou fobia de agulhas

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Rigidez muscular

Reduziu

Redução de ~35-45 N/m no grupo dinâmico comparado a estático e placebo em todos os momentos

🛡️

Tolerância à pressão

Aumentou

Limiar de dor à pressão 5-7 N/cm² maior no dinâmico que nos outros grupos, do imediato aos 7 dias

💓

Perfusão tecidual

Aumentou temporariamente

Picos de fluxo sanguíneo local imediatamente e às 24 horas, apenas com técnica dinâmica

🧘

Tônus muscular em repouso

Reduziu

Frequência de oscilação muscular menor no dinâmico na maioria dos momentos avaliados

🔄

Elasticidade tecidual

Mudou de forma complexa

Elevação isolada às 24 horas no grupo dinâmico, possivelmente por resposta inflamatória local

O que não mudou

  • Não houve diferenças significativas entre agulhamento estático e placebo na maioria das comparações diretas
  • Parâmetros de variabilidade da frequência cardíaca não mostraram diferenças clinicamente relevantes entre as técnicas
  • A perfusão sanguínea não se manteve elevada aos 7 dias em nenhum grupo
  • Não foram avaliadas medidas funcionais como amplitude de movimento ou capacidade de atividades diárias

Quando a melhora apareceu

1

T1 (0 min pós-intervenção)

Imediatamente após a sessão

Aumento da perfusão tecidual e redução do tônus muscular no grupo dinâmico; início da elevação do limiar de dor à pressão

2

T2

1 hora após

Manutenção da redução de tônus e rigidez no grupo dinâmico; perfusão já normalizada entre os grupos

3

T3

24 horas após

Pico de elasticidade no grupo dinâmico; segunda elevação da perfusão; limiar de dor à pressão continuamente superior ao estático e placebo

4

T4

7 dias após

Persistência de menor rigidez e tônus no grupo dinâmico; outros parâmetros já sem diferenças significativas entre os grupos

Antes e depois

Rigidez muscular (grupo dinâmico)

escala máx. 400 N/m

Antes345 N/m
Depois296 N/m

Limiar de dor à pressão (grupo dinâmico)

escala máx. 40 N/cm²

Antes26.5 N/cm²
Depois33 N/cm²

Tônus muscular (grupo dinâmico)

escala máx. 25 Hz

Antes18 Hz
Depois16 Hz

Perfusão tecidual (grupo dinâmico)

escala máx. 25 PU

Antes18.7 PU
Depois21.2 PU

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum evento adverso relatado durante ou após as intervenções
  • Ambiente controlado com monitoramento pós-sessão por 5 minutos
  • Agulhas estéreis de uso único em todos os grupos
Amarelo
  • Técnica dinâmica envolve múltiplas inserções rápidas, com potencial maior de desconforto agudo que abordagem estática
  • Efeitos a médio e longo prazo não estabelecidos; repetições não testadas neste estudo
Vermelho
  • Contraindicações específicas incluem radiculopatia cervical, doenças do colágeno, gravidez e alergia a níquel
  • Segurança em populações fora dos critérios de inclusão não foi avaliada
  • Ausência de acompanhamento além de 7 dias não permite descartar efeitos tardios ou recidivas

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor miofascial cervical aguda ou subaguda e pontos-gatilho ativos no trapézio
  • Pessoas sem contraindicações neurológicas, vasculares ou sistêmicas para procedimentos percutâneos
  • Indivíduos que não responderam a abordagens conservadoras iniciais e buscam opções adicionais de manejo da dor
  • Pacientes que compreendem os limites da evidência e aceitam intervenção com seguimento curto documentado

Mais cautela para extrapolar

  • Pessoas com radiculopatia cervical confirmada ou sinais de comprometimento de raiz nervosa
  • Indivíduos com doenças do tecido conjuntivo, fibromialgia ou condições sistêmicas de dor generalizada
  • Gestantes, pessoas com alergia a níquel ou fobia intensa de agulhas
  • Quem busca garantia de melhora funcional duradoura, já que o estudo não avaliou desfechos funcionais nem além de 7 dias

Expectativa realista

O que esperar de uma sessão

Possível redução da rigidez muscular e aumento da tolerância à pressão na região tratada, com efeitos mais evidentes nas primeiras 24 horas

Tempo provável

Melhora mais consistente imediatamente após a sessão e às 24 horas; alguns efeitos persistem até 7 dias

Não há garantia de melhora funcional ou redução da dor subjetiva, pois o estudo não avaliou esses desfechos

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se há contraindicações pessoais como alergia a metais, gravidez ou histórico de desmaios com procedimentos
  2. 2Discutir se a técnica dinâmica está disponível e se o profissional tem experiência específica com essa abordagem
  3. 3Questionar sobre o plano caso não haja melhora após uma sessão, incluindo combinação com exercícios e educação
  4. 4Solicitar esclarecimentos sobre cuidados pós-sessão e sinais de alerta que devem ser comunicados
  5. 5Verificar se haverá avaliação de desfechos funcionais além de medidas fisiológicas, como retorno às atividades diárias

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Agulhamento seco sempre funciona, independente da técnica

Achado

Neste estudo, apenas a técnica dinâmica se diferenciou do placebo; a técnica estática não mostrou vantagem mensurável

Mito

Deixar a agulha parada é tão efetivo quanto movimentá-la

Achado

O agulhamento estático de 30 minutos sem manipulação não se diferenciou do placebo na maioria das medidas, sugerindo que a intensidade mecânica importa

Mito

Os benefícios do agulhamento duram semanas ou meses

Achado

Os efeitos fisiológicos mais consistentes ocorreram nas primeiras 24 horas, e o acompanhamento de apenas 7 dias não permite afirmar durabilidade maior

Mito

O agulhamento melhora a circulação de forma duradoura

Achado

A perfusão aumentou apenas transitoriamente, imediatamente e às 24 horas, normalizando depois

Como isso pode funcionar

ESTÍMULO MECÂNICO INTENSO

Movimentos rápidos de pistão da agulha provocam micro-perturbações no tecido muscular, possivelmente interrompendo a atividade espontânea da placa motora — mecanismo proposto, não completamente confirmado

🔄

MODULAÇÃO NOCICEPTIVA

A desensibilização periférica pode reduzir a sensibilização dos nociceptores locais, aumentando o limiar de dor à pressão — efeito observado, mas via neural exata ainda debatida

💧

RESPOSTA VASCULAR E TECIDUAL

A perfusão aumenta transitoriamente, possivelmente por reflexo axônico e liberação de peptídeos vasodilatadores; a elevação da elasticidade às 24h pode refletir resposta inflamatória local com redistribuição de fluidos —

⏱️

JANELA TERAPÊUTICA CURTA

Os efeitos mecânicos e circulatórios são mais evidentes nas primeiras 24 horas, sugerindo que o benefício depende de timing para atividades terapêuticas complementares

O que ainda é incerto

  • ?A durabilidade dos efeitos além de 7 dias é desconhecida; não se sabe se múltiplas sessões ampliariam ou manteriam os benefícios
  • ?Não foi avaliada a dor subjetiva nem o impacto funcional na vida diária, apenas medidas fisiológicas objetivas
  • ?O mecanismo exato pela qual a técnica dinâmica supera a estática permanece parcialmente especulativo, sem evidência direta de mediadores bioquímicos
  • ?A generalização para outros músculos ou condições de dor crônica não é garantida, pois o estudo se restringiu ao trapézio superior em adultos selecion
🎯

O que o estudo quis responder

Comparar os efeitos de três técnicas de agulhamento seco nos pontos-gatilho do músculo trapézio superior

👥

QUEM PARTICIPOU

45 adultos com síndrome de dor miofascial cervical e pontos-gatilho ativos no trapézio

🧪

COMO FOI FEITO

Três grupos: agulhamento dinâmico (pistão), estático (agulha retida) e placebo durante 30 minutos

📈

O QUE MUDOU

O agulhamento dinâmico reduziu rigidez muscular e aumentou tolerância à dor mais que outras técnicas

🛟

SEGURANÇA

Nenhum evento adverso foi relatado durante ou após os tratamentos

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

A TÉCNICA ESTÁTICA NÃO SUPEROU O PLACEBO

Deixar a agulha inserida por 30 minutos sem manipular não se diferenciou da agulha falsa na maioria das medidas, questionando a eficácia dessa abordagem específica no curto prazo

🧭

PERFUSÃO COM DOIS PICOS TEMPORAIS

O fluxo sanguíneo local aumentou não apenas imediatamente, mas também às 24 horas com a técnica dinâmica, sugerindo uma resposta bifásica que merece investigação futura

📌

ELASTICIDADE COM COMPORTAMENTO ÚNICO

A elevação isolada e acentuada da elasticidade às 24 horas apenas no grupo dinâmico indica que a resposta tecidual pode ser mais complexa que simples relaxamento muscular, possivelmente envolvendo reações inflamatórias l

🔍

FALTA DE IMPACTO FUNCIONAL AVALIADO

O estudo foi meticuloso em medidas fisiológicas, mas deixa uma lacuna importante: não sabemos se essas mudanças se traduzem em pescoço mais solto, menos dor ou melhor qualidade de vida

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Comparação entre agulhamento seco dinâmico, estático e placebo na síndrome de dor miofascial cervical

A síndrome de dor miofascial cervical é uma condição dolorosa frequente, caracterizada por pontos-gatilho sensíveis em bandas tensas do músculo trapézio superior. Esses pontos reproduzem dor local e referida, limitam a amplitude de movimento do pescoço e afetam a qualidade de vida de quem convive com a condição. Entre as abordagens terapêuticas disponíveis, o agulhamento seco tem ganhado atenção por sua capacidade de modificar a sensibilidade dolorosa e as propriedades mecânicas dos tecidos musculares. Contudo, uma questão permanecia em aberto: a técnica de manipulação da agulha realmente importa para os resultados?

Este estudo, conduzido na Polônia e publicado em 2026, trouxe uma resposta importante ao comparar diretamente três abordagens em 45 adultos com pontos-gatilho ativos no trapézio superior. Os participantes foram divididos aleatoriamente em três grupos de 15 pessoas cada: agulhamento dinâmico clássico, agulhamento estático e agulhamento placebo. O grupo dinâmico recebeu inserções rápidas da agulha com movimentos de pistão, visando provocar respostas de contração muscular local. O grupo estático teve a agulha inserida e mantida por 30 minutos, sem manipulação adicional.

O grupo placebo utilizou agulha falsa que tocava a pele sem perfurá-la, mantendo os participantes sem saber qual tratamento recebiam.

As avaliações foram realizadas em cinco momentos: antes do tratamento, imediatamente após, uma hora depois, 24 horas depois e sete dias depois. Os pesquisadores mediram o limiar de dor à pressão, que indica quanta pressão a região suporta antes de doer; o tônus muscular, que reflete a tensão em repouso; a rigidez, que mede a resistência do músculo à deformação; a elasticidade, que indica a capacidade de recuperação da forma; e a perfusão tecidual, que mostra o fluxo sanguíneo local. Também foram analisados parâmetros de variabilidade da frequência cardíaca para avaliar a atividade do sistema nervoso autônomo.

Os resultados revelaram diferenças claras entre as técnicas. O agulhamento dinâmico produziu melhores resultados que tanto o estático quanto o placebo na maioria das medidas. O limiar de dor à pressão aumentou significativamente no grupo dinâmico, permanecendo superior aos outros grupos em todos os momentos avaliados. A rigidez muscular diminuiu de forma consistente com a técnica dinâmica, enquanto o tônus muscular também apresentou redução mais pronunciada nesse grupo.

A perfusão tecidual mostrou um padrão interessante: aumentou imediatamente após o tratamento dinâmico e novamente às 24 horas, embora não houvesse diferenças significativas após uma hora ou aos sete dias. A elasticidade apresentou comportamento mais complexo, com uma elevação às 24 horas apenas no grupo dinâmico, possivelmente relacionada a respostas inflamatórias e redistribuição de fluidos teciduais.

Curiosamente, o agulhamento estático não se diferenciou do placebo na maioria das comparações diretas. Isso sugere que, pelo menos no curto prazo e com as condições testadas neste estudo, simplesmente inserir e manter a agulha sem manipulação pode não ser suficiente para produzir mudanças mensuráveis nas propriedades musculares e na sensibilidade dolorosa. A intensidade mecânica da técnica, representada pelos movimentos rápidos de pistão, parece desempenhar papel relevante na modulação fisiológica do tecido.

Do ponto de vista da segurança, o estudo foi tranquilizador. Nenhum evento adverso foi relatado durante as sessões ou no período de acompanhamento. Os participantes não apresentaram sangramentos, tonturas ou reações vasovagais significativas. Essa observação é importante para quem considera o tratamento, embora deva ser lembrado que o estudo foi conduzido em ambiente controlado por profissionais experientes.

A utilidade clínica desses achados reside na orientação sobre a escolha técnica. Para pacientes com dor miofascial cervical, os resultados sugerem que a técnica de agulhamento com movimentos dinâmicos pode oferecer benefícios mais robustos no curto prazo, especialmente para redução da rigidez e aumento da tolerância à pressão. No entanto, é fundamental manter as expectativas realistas: os efeitos mais consistentes apareceram imediatamente e às 24 horas, e o acompanhamento de apenas sete dias não permite afirmar se essas melhoras se mantêm a médio ou longo prazo.

As limitações do estudo devem ser consideradas na interpretação. A amostra de 45 participantes, embora adequada para detectar efeitos de magnitude média a grande, pode não ter poder estatístico suficiente para identificar diferenças menores entre os grupos. O seguimento de sete dias é curto para avaliar a durabilidade clínica dos efeitos. Além disso, as medidas se restringiram ao músculo trapézio superior, sem avaliação de desfechos funcionais, como amplitude de movimento cervical ou capacidade de realizar atividades diárias, nem de medidas subjetivas de intensidade dolorosa.

A ausência desses desfechos limita a compreensão do impacto real da intervenção na vida dos pacientes.

Outro ponto relevante é que o estudo não incluiu comparação com outras intervenções ativas, como exercícios terapêuticos, mobilizações manuais ou tratamento medicamentoso. Portanto, não é possível afirmar se o agulhamento dinâmico é superior a outras abordagens convencionais, apenas que ele se mostrou mais efetivo que o agulhamento estático e o placebo neste contexto específico.

Para pacientes que convivem com dor miofascial cervical, este estudo oferece informações valiosas para discussões com seus médicos. A evidência sugere que, caso o agulhamento seco seja considerado como opção terapêutica, a técnica com movimentos de pistão pode ser preferível à abordagem estática. Contudo, a decisão deve ser individualizada, considerando o perfil de cada paciente, suas preferências, contraindicações pessoais e o plano de tratamento global. A dor miofascial raramente exige uma única intervenção, e a combinação com educação, exercícios e modificação de fatores ergonômicos permanece essencial para o manejo completo da condição.

O que fortalece a leitura

  • 1Desenho randomizado e controlado com placebo
  • 2Múltiplas medidas objetivas de propriedades musculares
  • 3Avaliação em vários momentos até 7 dias
  • 4Padronização rigorosa das técnicas
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Amostra pequena pode ter perdido diferenças menores
  • 2Seguimento curto de apenas 7 dias
  • 3Avaliação limitada ao músculo trapézio
  • 4Falta de medidas funcionais e de dor subjetiva

Leitura clínica do estudo

FORTE
85/ 100
Desenho
5/5
Amostra
3/5
Confirmação
4/5

🔬 Como o estudo foi organizado

45pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Agulhamento dinâmico

15 pessoas

movimentos rápidos da agulha para provocar contrações musculares

Agulhamento estático

15 pessoas

agulha inserida e mantida por 30 minutos sem manipulação

Placebo

15 pessoas

agulha falsa que não penetra a pele

⏱️ Tempo de acompanhamento: 7 dias de acompanhamento

📊 Resultados em números

5-7 N/cm²

aumento no limiar de dor à pressão com agulhamento dinâmico

35-45 N/m

redução na rigidez muscular com agulhamento dinâmico

3,5 unidades

melhora na perfusão tecidual imediata

1-2 Hz

redução no tônus muscular

📊 Comparação de Resultados

limiar de dor à pressão

dinâmico
33
estático
30
placebo
27

rigidez muscular

dinâmico
300
estático
340
placebo
332

📅 Linha do tempo da evidência

2014primeiros estudos sobre agulhamento seco no trapézio
2020meta-análise confirma eficácia para dor cervical
2022estudos investigam importância da contração muscular
2025comparação direta entre técnicas dinâmica e estática

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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