participantes que completaram
35
mulheres alocadas e analisadas no estudo
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Pain Physician
Ano
2020
Autores
Mitidieri et al.
Desenho
ensaio clínico randomizado
Este estudo mostrou que a acupuntura ashi (agulhamento diretamente nos pontos dolorosos) funciona tão bem quanto injeções de anestésico local para tratar dor pélvica crônica causada por tensão muscular. Ambos os tratamentos reduziram significativamente a dor e os benefícios duraram pelo menos 6 meses. A acupuntura exigiu mais sessões (10 vs 4), mas ambos foram seguros com apenas efeitos colaterais leves.
Título original do estudo: Ashi Acupuncture Versus Local Anesthetic Trigger Point Injections in the Treatment of Abdominal Myofascial Pain Syndrome: A Randomized Clinical Trial
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A acupuntura ashi demonstrou eficácia comparável às injeções de lidocaína para reduzir dor pélvica crônica de origem miofascial em mulheres, com benefícios mantidos por seis meses e perfil de segurança favorável em ambos os grupos.
Este estudo mostrou que a acupuntura ashi (agulhamento diretamente nos pontos dolorosos) funciona tão bem quanto injeções de anestésico local para tratar dor pélvica crônica causada por tensão muscular. Ambos os tratamentos reduziram significativamente a dor e os benefícios duraram pelo menos 6 meses. A acupuntura exigiu mais sessões (10 vs 4), mas ambos foram seguros com apenas efeitos colaterais leves.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Se você tem dor pélvica crônica por tensão muscular abdominal, tanto acupuntura nos pontos dolorosos quanto injeções de anestésico local podem ajudar de forma semelhante.
Ponto 1
A melhora começa nas primeiras semanas e pode durar pelo menos 6 meses
Ponto 2
A acupuntura exige mais sessões, mas não usa medicamentos; as injeções são mais rápidas, mas causam mais tontura
Ponto 3
Ambas são seguras, com efeitos colaterais leves e raros; escolha depende da sua preferência e acesso
O que este estudo acrescenta
Este foi um dos primeiros ensaios clínicos randomizados a comparar especificamente acupuntura ashi versus injeções de anestésico local em mulheres com dor pélvica crônica de origem exclusivamente miofascial, preenchendo
Aplicabilidade clínica
A equivalência terapêutica entre duas técnicas distintas oferece opção genuína para pacientes, embora o tamanho amostral pequeno e a ausência de grupo placebo limitem a certeza sobre a magnitude específica do efeito de c
Força do desenho do estudo
Este é um estudo experimental em que participantes foram alocados aleatoriamente a grupos de tratamento, oferecendo maior confiança de que diferenças observadas são devidas às inte
participantes que completaram
35
mulheres alocadas e analisadas no estudo
redução da dor (EVA acupuntura)
de 6,7 para 2,9
pontos em escala de 0 a 10 após 10 sessões
redução da dor (EVA anestésico)
de 6,7 para 3,9
pontos em escala de 0 a 10 após 4 injeções
seguimento pós-tratamento
6 meses
período máximo de avaliação da manutenção dos benefícios
eventos adversos leves (acupuntura)
50%
prevalência de equimoses, todas autolimitadas
Ficha rápida do estudo
Condição
dor pélvica crônica secundária à síndrome miofascial abdominal
Tipo de estudo
ensaio clínico randomizado
Participantes
35 mulheres premenopausas com diagnóstico clínico confirmado
Duração
6 meses de seguimento após intervenções
Sessões
10 sessões semanais de acupuntura versus 4 injeções semanais de anestésico
Comparador
injeções de anestésico local ativo (lidocaína 1%)
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
10 sessões para acupuntura; 4 sessões para injeções de anestésico
uma vez por semana, consecutivas
25 minutos com agulhas in situ (acupuntura); tempo não especificado para injeçõe
pontos ashi identificados por palpação abdominal, agulhas de 0,25-0,40 mm sem estímulo manual
2 mL de lidocaína 1% sem vasoconstritor, agulha 22G, compressão por 2 minutos após
diferença no número de sessões entre grupos foi uma limitação reconhecida pelos autores
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
intensidade da dor
reduziu significativamente
queda expressiva nas pontuações da escala numérica e visual analógica em ambos os grupos
dor em repouso
melhorou
redução da dor proveniente de pontos-gatilho ativos, que causavam desconforto mesmo sem movimento
percepção multidimensional da dor
melhorou
pontuação total do questionário de McGill reduziu, embora com resposta inicial mais lenta na acupuntura
durabilidade do alívio
favorável
manutenção dos ganhos por até 6 meses de acompanhamento
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
semana 2
após a 2ª sessão
redução significativa já detectável nas escalas numérica e visual em ambos os grupos
semana 4 (anestésico) ou 10 (acupuntura)
ao final do tratamento
melhora sustentada e significativa em todas as medidas de dor
3 e 6 meses
manutenção a longo prazo
benefícios preservados sem diferença significativa entre as técnicas
Antes e depois
Escala Visual Analógica (acupuntura)
escala máx. 10 pontos
Escala Visual Analógica (anestésico)
escala máx. 10 pontos
Escala Numérica Categórica (acupuntura)
escala máx. 10 pontos
Escala Numérica Categórica (anestésico)
escala máx. 10 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Tanto a acupuntura ashi quanto as injeções de anestésico local podem reduzir significativamente a dor pélvica de origem muscular, com melhora perceptível já nas primeiras semanas e manutenção do benefício por pelo menos seis meses.
Tempo provável
Melhora inicial em 2 a 4 semanas; benefício sustentado avaliado até 6 meses
A resposta individual varia, e o estudo não permite prever quem responderá melhor a cada técnica; além disso, não houve grupo placebo, parte da melhora pode ref
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Dor pélvica crônica sempre tem causa ginecológica ou visceral
Achado
Até 85% das mulheres com dor pélvica crônica têm componente musculoesquelético, e a síndrome miofascial abdominal é uma causa frequente e tratável
Mito
Acupuntura funciona apenas por efeito placebo
Achado
Neste estudo, a acupuntura ashi mostrou eficácia comparável à de um procedimento médico ativo (injeção de lidocaína), com mecanismos neurofisiológicos propostos mas ainda em investigação
Mito
Injeções de anestésico são sempre mais rápidas e eficazes que técnicas sem medicamento
Achado
Embora a lidocaína tenha mostrado resposta mais precoce em uma medida, a acupuntura alcançou resultados equivalentes ao final e a longo prazo, com mais sessões mas sem necessidade de substância farmacológica
Como isso pode funcionar
IDENTIFICAÇÃO
O profissional localiza pontos-gatilho ativos por palpação cuidadosa da parede abdominal, identificando zonas de tensão muscular que reproduzem a dor habitual da paciente.
INTERVENÇÃO LOCAL
Na acupuntura ashi, agulhas finas são inseridas nesses pontos por 25 minutos; nas injeções, lidocaína é depositada no mesmo local. Ambas as técnicas visam modificar a atividade do ponto-gatilho.
MODULAÇÃO DA DOR
Mecanismo proposto: a estimulação local pode alterar a transmissão de sinais dolorosos na medula espinhal (teoria do portão) e promover mudanças em mediadores inflamatórios no tecido, embora os detalhes neurofisiológicos
MANUTENÇÃO
A melhora observada por até 6 meses sugere que as intervenções não apenas mascaram a dor, mas podem promover reorganização duradoura da sensibilização local, embora a necessidade de reforço não tenha sido estudada.
O que ainda é incerto
comparar acupuntura ashi com injeções de anestésico local para dor pélvica crônica em mulheres
35 mulheres com síndrome miofascial abdominal e dor pélvica crônica
um grupo recebeu 10 sessões de acupuntura ashi, outro recebeu 4 injeções de lidocaína
ambos os tratamentos reduziram significativamente a dor por até 6 meses
efeitos adversos leves: equimoses na acupuntura, tontura nas injeções
Achados Interessantes
EQUIVALÊNCIA TERAPÊUTICA
Pela primeira vez em um ensaio randomizado, a acupuntura ashi mostrou-se tão eficaz quanto as injeções de lidocaína para dor pélvica miofascial, oferecendo alternativa real para quem prefere evitar medicamentos.
TEMPO DE RESPOSTA DIFERENTE
A lidocaína agiu mais rapidamente em uma medida multidimensional da dor, mas a acupuntura alcançou o mesmo patamar de benefício nas semanas seguintes, sugerindo que a paciência inicial pode ser recompensada.
PERFIL DE SEGURANÇA FAVORÁVEL
Em contraste com preocupações teóricas sobre neurotoxicidade da lidocaína repetida, nenhum evento grave ocorreu em 6 meses, embora o estudo não tenha testado ciclos prolongados de reaplicação.
POPULAÇÃO BEM CARACTERIZADA
O rigor na exclusão de outras causas de dor pélvica permite maior confiança de que os resultados se aplicam especificamente à síndrome miofascial abdominal, embora isso também limite a generalização.
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor pélvica crônica (DPC) é uma condição debilitante que afeta significativamente a qualidade de vida das mulheres, sendo definida como dor recorrente ou contínua no abdome inferior ou pelve por pelo menos 6 meses. Evidências mostram que até 85% das pacientes com DPC apresentam disfunções do sistema musculoesquelético, incluindo a síndrome da dor miofascial abdominal (SDMA). Esta síndrome é caracterizada por dor abdominal profunda originada de pontos-gatilho hipeririáveis localizados nos músculos ou fáscias abdominais. Este estudo randomizado controlado foi conduzido para comparar a eficácia da acupuntura ashi com injeções de anestésico local no tratamento da DPC secundária à SDMA.
A técnica ashi é um método tradicional chinês que utiliza agulhas de acupuntura diretamente nos pontos de dor, independentemente de serem pontos de acupuntura tradicionais dos meridianos. O termo 'ashi' deriva do dialeto wu, onde 'A' representa o grito dos pacientes e 'shi' significa 'sim', confirmando a localização dolorosa. Trinta e cinco mulheres com diagnóstico clínico de DPC secundária à SDMA foram randomizadas em dois grupos: 16 receberam acupuntura ashi e 19 receberam injeções de lidocaína 1%. O grupo da acupuntura passou por 10 sessões semanais, onde agulhas filiformes de aço inoxidável foram inseridas nos pontos-gatilho ativos e permaneceram in situ por 25 minutos.
O grupo do anestésico local recebeu 4 sessões semanais com injeções de 2 mL de lidocaína 1% diretamente nos pontos-gatilho. A dor clínica foi avaliada através da Escala Visual Analógica (EVA), Escala Numérica Categórica (ENC) e Questionário McGill antes do tratamento, após uma semana e após 1, 3 e 6 meses. Os resultados demonstraram que ambos os tratamentos foram eficazes na redução da dor clínica. Na EVA, o grupo da acupuntura apresentou redução de 6.
7 para 2. 9 pontos, enquanto o grupo da lidocaína reduziu de 6. 7 para 3. 9 pontos ao final do tratamento.
Não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos na maioria das avaliações, exceto no Questionário McGill após uma semana, onde a lidocaína mostrou-se mais eficaz. Ambos os tratamentos mantiveram benefícios significativos durante todo o período de seguimento de 6 meses. Em relação aos eventos adversos, 50% dos pacientes do grupo acupuntura apresentaram equimoses nos locais de aplicação, além de um caso de cefaleia e outro de distensão abdominal. No grupo da lidocaína, 37% desenvolveram equimoses, 16% relataram cefaleia, 5% apresentaram dormência abdominal e 21% experimentaram tontura após as injeções.
Todos os eventos foram considerados menores e autolimitados. As implicações clínicas são significativas, pois ambas as modalidades oferecem alternativas terapêuticas válidas para uma condição complexa e muitas vezes refratária. A acupuntura ashi representa uma opção não farmacológica que pode ser particularmente atrativa para pacientes que preferem evitar medicamentos ou apresentam contraindicações aos anestésicos locais. O mecanismo de ação proposto para a acupuntura inclui a modulação da dor através da teoria do portão da dor, estimulação de fatores de crescimento locais e ativação de vias neuroendócrinas.
As injeções de anestésico local atuam bloqueando canais de sódio e interrompendo a condução nervosa nos pontos-gatilho.
acupuntura ashi
16 pessoas
10 sessões semanais de acupuntura em pontos gatilho
anestésico local
19 pessoas
4 injeções semanais de lidocaína 1%
redução da dor - escala numérica
redução da dor - escala visual
equimoses na acupuntura
eventos adversos nas injeções
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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