Estudo científico comentado

Toxina botulínica se mostra mais eficaz que anestésico local e plasma rico em plaquetas para dor em pontos-gatilho do músculo masseter

Referência acadêmica

Periódico

Journal of Oral and Maxillofacial Surgery

Ano

2021

Autores

Yilmaz et al.

Desenho

Nível não totalmente claro

Este estudo comparou três tipos de injeções para tratar pontos dolorosos no músculo da mastigação (masseter). Todos os tratamentos ajudaram a reduzir a dor nos primeiros meses, mas a toxina botulínica mostrou resultados superiores e mais duradouros. Para pacientes com dor crônica nessa região, a toxina botulínica pode ser a opção mais eficaz para alívio prolongado da dor e melhora da função mastigatória.

Título original do estudo: Comparison of the Efficacy of Botulinum Toxin, Local Anesthesia, and Platelet-Rich Plasma Injections in Patients With Myofascial Trigger Points in the Masseter Muscle

🔬Estudo retrospectivo👥n=82 participantes🎯Impacto clínico moderado
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Toxina botulínica, anestésico local e plasma rico em plaquetas aliviam a dor de pontos-gatilho no masseter no primeiro mês, mas apenas a toxina botulínica mantém benefícios significativos em dor, função e qualidade de vida até seis meses.

O que isso significa para você?

Este estudo comparou três tipos de injeções para tratar pontos dolorosos no músculo da mastigação (masseter). Todos os tratamentos ajudaram a reduzir a dor nos primeiros meses, mas a toxina botulínica mostrou resultados superiores e mais duradouros. Para pacientes com dor crônica nessa região, a toxina botulínica pode ser a opção mais eficaz para alívio prolongado da dor e melhora da função mastigatória.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Os resultados parecem promissores, mas precisam ser interpretados dentro do seu contexto clínico.
  • 2O estudo ajuda a entender possibilidades de benefício, não garante o mesmo efeito para todas as pessoas.
  • 3A decisão de tratamento continua dependendo do diagnóstico, da intensidade dos sintomas e da avaliação médica.
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Este tipo de intervenção faz sentido para o meu caso específico?
  • 2Qual seria um objetivo realista de melhora no meu quadro?
  • 3Como acompanhar se o tratamento está funcionando de forma segura?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1A segurança do tratamento precisa ser interpretada à luz do desenho do estudo e do perfil do paciente.
  • 2Nem todo artigo descreve eventos adversos com o mesmo nível de detalhe.

Leitura rápida para pacientes

Este estudo comparou três tipos de injeções para tratar pontos dolorosos no músculo da mastigação (masseter).

Leitura rápida para pacientes: o que esse estudo sugere, para quem faz mais sentido e onde mora a cautela.

Ponto 1

Os resultados parecem promissores, mas precisam ser interpretados dentro do seu contexto clínico.

Ponto 2

O estudo ajuda a entender possibilidades de benefício, não garante o mesmo efeito para todas as pessoas.

Ponto 3

A decisão de tratamento continua dependendo do diagnóstico, da intensidade dos sintomas e da avaliação médica.

O que este estudo acrescenta

O QUE ESTE ESTUDO ACRESCENTA

O artigo acrescenta uma peça útil à evidência, mesmo que não resolva todas as dúvidas clínicas.

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A diferença de 1-3 pontos na escala VAS entre toxina botulínica e comparadores, mantida por 6 meses, representa benefício clinicamente perceptível para pacientes com dor crônica. No entanto, o desenho retrospectivo e a a

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Os pesquisadores analisaram prontuários de pacientes já tratados, sem designar aleatoriamente quem receberia cada intervenção, o que oferece evidência moderada sujeita a vieses de

Pacientes

82

tamanho da amostra

Redução da dor com toxina botulínica aos 3 meses

7 para 2 pontos

resultado-chave

Eficácia mantida da toxina botulínica aos 6 meses

p=0,008

resultado-chave

Melhora da função mandibular com toxina botulínica

p<0,001

resultado-chave

Melhora da qualidade de vida com toxina botulínica

p<0,01

resultado-chave

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Pontos-gatilho miofasciais ativos no músculo masseter com dor orofacial não-dental

Tipo de estudo

Estudo retrospectivo de coorte

Participantes

82 pacientes (61 mulheres, 21 homens), idade média 35,6 anos, com dor há pelo me

Duração

6 meses de acompanhamento após injeção única

Sessões

1 sessão injetável única por ponto-gatilho

Comparador

Comparação direta entre três tratamentos ativos, sem grupo placebo ou controle sem intervenção

Grupos do estudo

Anestésico local (mepivacaína 3%)Toxina botulínica A (10 UI)Plasma rico em plaquetas (0,5 ml)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

1 sessão

Frequência02

Aplicação única, sem repetição programada no período estudado

Duração da sessão03

Não especificado; procedimento injetável ambulatorial

Pontos / técnica04

Injeção direta no ponto-gatilho de máxima sensibilidade do masseter, com agulha 26G, após preparo antisséptico

Comparador05

Três grupos paralelos: mepivacaína 3% (0,5 ml), toxina botulínica A (10 UI) ou PRP autólogo (0,5 ml) por ponto-gatilho

Nota de protocolo06

Todos os pacientes receberam orientação de repouso muscular mastigatório por 7 dias e dieta pastosa após o procedimento

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com diagnóstico confirmado de pontos-gatilho miofasciais ativos no masseter por critérios padronizadosDor orofacial difusa na face, boca ou ATM referida do masseter, com intensidade ≥3/10 na escala VASSintomas com duração mínima de 3 mesesAcompanhamento documentado de pelo menos 6 meses após o tratamento

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes com doenças sistêmicas articulares ou musculares (fibromialgia, artrite reumatoide)Gestantes, lactantes ou portadores de doenças neurológicas como neuralgia do trigêmeoQuem já havia recebido tratamento prévio para dor temporomandibular ou muscular orofacialPessoas com doenças sistêmicas gravesIndivíduos com bruxismo ou estresse psicológico não sistematicamente avaliados neste estudo

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Dor em repouso e durante mastigação

Reduziu em todos os grupos no curto prazo; manteve-se reduzida apenas com toxina

VAS caiu de 7 para 2 com toxina botulínica aos 3 meses, versus 3 com anestésico e 5 com PRP; aos 6 meses, apenas toxina botulínica manteve redução significativa (para 4 pontos)

🦷

Função mandibular

Melhorou

JFLS reduziu de 26 para 9 com toxina botulínica aos 3 meses, versus 13 com anestésico e 17 com PRP; melhora mantida só com toxina botulínica aos 6 meses

😊

Qualidade de vida relacionada à saúde bucal

Melhorou

OHIP-14 caiu de 33-36 para 18-20 com toxina botulínica e anestésico aos 1-3 meses, mas apenas toxina botulínica manteve melhora significativa aos 6 meses

👆

Sensibilidade à pressão nos pontos-gatilho

Melhorou parcialmente

PPI reduziu em todos os grupos no 1º mês; aos 3 meses, anestésico e toxina botulínica superaram PRP; aos 6 meses, sem diferença significativa entre grupos

O que não mudou

  • Não houve diferença entre os três tratamentos no primeiro mês, sugerindo eficácia inicial equivalente
  • A sensibilidade à pressão (PPI) não se manteve melhorada aos 6 meses em nenhum grupo
  • Não foi avaliada a necessidade de repetição do tratamento ou doses diferentes

Quando a melhora apareceu

1

4 semanas após injeção

Primeiro mês

Melhora significativa e semelhante em todos os grupos: dor VAS caiu de 7-8 para 1-3 pontos, com redução da sensibilidade à pressão e limitação funcional

2

12 semanas

Três meses

Diferenciação entre tratamentos: toxina botulínica mantém melhora superior (VAS 2 vs 3 vs 5), enquanto PRP perde eficácia

3

24 semanas

Seis meses

Apenas toxina botulínica preserva melhora estatisticamente significativa em dor, função mandibular e qualidade de vida

Antes e depois

Dor VAS (toxina botulínica)

escala máx. 10 pontos

Antes7 pontos
Depois2 pontos

Dor VAS (anestésico local)

escala máx. 10 pontos

Antes7 pontos
Depois3 pontos

Dor VAS (PRP)

escala máx. 10 pontos

Antes8 pontos
Depois5 pontos

Limitação funcional JFLS (toxina botulínica)

escala máx. 50 pontos

Antes26 pontos
Depois9 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum evento adverso grave foi relatado em nenhum dos três grupos
  • Todos os procedimentos foram bem tolerados pelos 82 participantes
  • Toxina botulínica em dose de 10 UI por ponto-gatilho mostrou perfil seguro no acompanhamento de 6 meses
Amarelo
  • Efeitos adversos específicos não foram detalhadamente relatados no artigo, limitando a avaliação completa da segurança
  • A toxina botulínica pode causar assimetria facial temporária ou fraqueza muscular, embora não tenha sido mencionado neste estudo
  • O PRP requer coleta de sangue venoso e processamento, com riscos procedimentais não discutidos
Vermelho
  • Estudo retrospectivo sem randomização ou grupo controle: não se pode atribuir com segurança todas as melhoras apenas ao tratamento
  • Ausência de relato sistemático de eventos adversos pode subestimar problemas de segurança
  • Amostra pequena (26-29 por grupo) limita detecção de efeitos raros

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com pontos-gatilho miofasciais ativos no masseter diagnosticados por critérios padronizados
  • Pacientes com dor orofacial crônica (≥3 meses) de intensidade moderada a grave, sem resposta a medidas conservadoras
  • Mulheres entre 27-50 anos, perfil mais frequente neste estudo
  • Pessoas que buscam alívio prolongado e estão abertas a procedimentos injetáveis
  • Indivíduos sem doenças sistêmicas autoimunes, neurológicas ou gestação/lactação

Mais cautela para extrapolar

  • Quem busca apenas tratamento não-invasivo ou tem aversão a agulhas
  • Pacientes com fibromialgia, artrite reumatoide ou doenças neurológicas não estudados
  • Gestantes, lactantes ou planejamento de gravidez imediato
  • Pessoas com histórico de tratamento prévio para dor temporomandibular (foram excluídas do estudo)
  • Indivíduos com bruxismo severo ou condições psicológicas não controladas, não avaliadas como modificadores de resultado

Expectativa realista

Alívio inicial rápido, duração que depende da escolha do tratamento

Na primeira semana após a injeção, a tendência é de redução da intensidade da dor e maior facilidade para mastigar. Com anestésico local ou plasma rico em plaquetas, esse benefício tende a diminuir ao longo de 3 a 6 meses. Com toxina botulí

Tempo provável

Melhora inicial em 2-4 semanas; pico de efeito da toxina botulínica em 1-4 semanas; avaliação de manutenção aos 3 e 6 me

Resultados baseados em estudo retrospectivo sem grupo placebo: parte da melhora pode refletir fatores naturais da condição ou expectativa do tratamento, não ape

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se o diagnóstico de pontos-gatilho miofasciais foi confirmado por critérios padronizados (palpação de banda tensa, ponto doloroso, resposta de contratura local e dor refe
  2. 2Discutir expectativas de duração do efeito: toxina botulínica tende a durar mais, mas anestésico local pode ser opção inicial de menor custo
  3. 3Questionar sobre bruxismo, hábitos de apertar os dentes e níveis de estresse, pois estes fatores não foram controlados no estudo mas influenciam a dor
  4. 4Verificar se há contraindicações como doenças autoimunes, neurológicas ou possibilidade de gravidez
  5. 5Perguntar sobre experiência do profissional com cada técnica e protocolo de reavaliação em 1, 3 e 6 meses

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Toda injeção no ponto-gatilho funciona igual e dura o mesmo tempo

Achado

Embora todas melhorem a dor no primeiro mês, apenas a toxina botulínica manteve benefícios significativos aos 6 meses; o plasma rico em plaquetas perdeu eficácia mais rapidamente

Mito

Plasma rico em plaquetas é sempre superior por ser 'natural' e regenerativo

Achado

Neste estudo, PRP foi a opção com menor eficácia duradoura, possivelmente porque seus fatores de crescimento têm meia-vida curta e não sustentam o efeito além de algumas semanas no músculo masseter

Mito

Se a dor melhorou com injeção, foi o medicamento que agiu

Achado

Sem grupo placebo, não se pode descartar que parte da melhora em todos os grupos se deva ao efeito da agulhada, expectativa do paciente ou flutuação natural da dor crônica

Mito

Uma única sessão resolve o problema definitivamente

Achado

Mesmo com toxina botulínica, a melhora aos 6 meses era menor que aos 3 meses, sugerindo que o efeito diminui com o tempo e repetições podem ser necessárias

Como isso pode funcionar

🔒

PASSO 1: Contração muscular persistente

O ponto-gatilho miofascial é uma área de contração localizada e sustentada no músculo masseter, que gera dor local e irradiada, além de reduzir o fluxo sanguíneo na região

💉

PASSO 2: Intervenção injetável (mecanismo propos

A toxina botulínica bloqueia a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular, promovendo relaxamento muscular; o anestésico local interrompe sinais dolorosos e pode reverter sensibilização central; o PRP libera fator

⏱️

PASSO 3: Diferença na persistência do efeito

A ação farmacológica da toxina botulínica persiste por 3-6 meses, explicando sua superioridade no acompanhamento prolongado; o anestésico local tem efeito mais breve; os fatores de crescimento do PRP têm meia-vida de apr

🔄

PASSO 4: Retorno gradual da atividade (possível)

À medida que a toxina botulínica se metaboliza, a transmissão neuromuscular se restabelece e os sintomas podem retornar, sugerindo que repetições do tratamento podem ser necessárias

O que ainda é incerto

  • ?Estudo retrospectivo sem randomização
  • ?Ausência de grupo controle ou placebo
  • ?Não considerou fatores como bruxismo ou estresse psicológico
🎯

O que o estudo quis responder

Comparar eficácia de toxina botulínica, anestésico local e plasma rico em plaquetas em pontos-gatilho do masseter

👥

QUEM PARTICIPOU

82 pacientes com pontos-gatilho miofasciais no músculo masseter, maioria mulheres, idade média 35,6 anos

🧪

COMO FOI FEITO

Três grupos: injeção de anestésico local, toxina botulínica ou plasma rico em plaquetas diretamente nos pontos-gatilho

📈

O QUE MUDOU

Todos os tratamentos reduziram dor em 1-3 meses, mas toxina botulínica teve efeito superior e duradouro até 6 meses

🛟

SEGURANÇA

Todos os procedimentos foram bem tolerados, sem eventos adversos graves relatados

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

O QUE ESTE ESTUDO ADICIONA

O artigo acrescenta uma peça útil à evidência, mesmo que não resolva todas as dúvidas clínicas.

🧭

COMO INTERPRETAR

O valor principal está em mostrar direção de efeito e contexto, não em prometer resultado universal.

📌

POR QUE IMPORTA

Esse tipo de estudo ajuda pacientes e médicos a discutirem expectativas de forma mais concreta.

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Toxina botulínica se mostra mais eficaz que anestésico local e plasma rico em plaquetas para dor em pontos-gatilho do músculo masseter

A dor orofacial de origem muscular é uma queixa mais comum do que muitos imaginam. Entre suas causas, os pontos-gatilho miofasciais no músculo masseter — aquele responsável pela mastigação — ocupam lugar de destaque. Esses pontos são áreas localizadas de contração muscular persistente, que geram dor local intensa e podem irradiar para outras regiões da face, além de restringir movimentos da mandíbula e comprometer a qualidade de vida. Para quem vive com essa condição, tarefas simples como comer, falar ou até mesmo manter a boca aberta por alguns instantes podem se tornar desafiadoras.

O estudo de Yilmaz e colaboradores, publicado em 2021 no Journal of Oral and Maxillofacial Surgery, trouxe uma comparação direta entre três abordagens injetáveis amplamente utilizadas para tratar esses pontos-gatilho: anestésico local, toxina botulínica e plasma rico em plaquetas.

O desenho do estudo foi retrospectivo, o que significa que os pesquisadores analisaram prontuários de pacientes já tratados entre 2016 e 2019, em vez de designar aleatoriamente os tratamentos no momento do estudo. Participaram 82 pacientes, a maioria mulheres, com idade média de aproximadamente 36 anos, todos com diagnóstico confirmado de pontos-gatilho miofasciais ativos no masseter, segundo critérios rigorosos da Academia Americana de Dor Orofacial e dos Critérios Diagnósticos de Pesquisa para Disfunções Temporomandibulares. Os critérios de inclusão exigiam que os participantes tivessem dor persistente há pelo menos três meses, com intensidade mínima de 3 em uma escala de 0 a 10, e que fossem acompanhados por no mínimo seis meses após o procedimento. Foram excluídos pacientes com doenças sistêmicas como fibromialgia ou artrite reumatoide, doenças neurológicas, gestantes ou lactantes, e aqueles que já haviam recebido tratamento prévio para dor na região.

Os 82 participantes foram divididos em três grupos conforme o tratamento recebido: 27 pacientes receberam injeção de mepivacaína 3% (0,5 ml por ponto-gatilho), 26 receberam toxina botulínica serotipo A (10 unidades por ponto-gatilho) e 29 receberam plasma rico em plaquetas (0,5 ml por ponto-gatilho). Todas as injeções foram realizadas diretamente nos pontos de máxima sensibilidade do masseter, após preparo antisséptico da pele. Após o procedimento, todos foram orientados a manter repouso dos músculos mastigatórios por sete dias e seguir dieta pastosa. Os avaliadores mediram a dor em repouso e durante a mastigação através da escala visual analógica (VAS), a sensibilidade à pressão sobre os pontos-gatilho (PPI), as limitações funcionais da mandíbula (JFLS) e o impacto da condição na qualidade de vida relacionada à saúde bucal (OHIP-14).

Essas avaliações ocorreram no diagnóstico, e após um, três e seis meses do tratamento.

Os resultados revelaram padrões distintos de eficácia entre os três tratamentos. Após um mês, todos os grupos apresentaram melhora significativa em relação aos valores iniciais, sem diferença estatística entre eles — uma constatação importante, pois sugere que, no curto prazo imediato, qualquer das três opções pode oferecer alívio. No entanto, a partir dos três meses, as diferenças se tornaram evidentes. A toxina botulínica demonstrou superioridade consistente: a dor em repouso e durante a mastigação caiu de 7 para 2 pontos na escala VAS, enquanto no grupo do anestésico local a redução foi de 7 para 3, e no plasma rico em plaquetas, de 8 para 5.

As limitações funcionais da mandíbula e a qualidade de vida também se mostraram significativamente mais beneficiadas pela toxina botulínica em comparação aos outros dois tratamentos. O plasma rico em plaquetas, embora tenha ajudado no primeiro mês, perdeu eficácia mais rapidamente, com os escores de dor se aproximando dos valores iniciais ao final do terceiro mês.

O momento mais revelador ocorreu aos seis meses. Apenas o grupo da toxina botulínica manteve melhora estatisticamente significativa em dor, função mandibular e qualidade de vida. Os outros dois grupos não diferiram mais de seus valores basais nesse período, indicando que o efeito do anestésico local e do plasma rico em plaquetas foi temporário. A pressão dolorosa aos pontos-gatilho (PPI) seguiu tendência semelhante: houve melhora nos três grupos no primeiro mês, mas aos três meses apenas anestésico local e toxina botulínica mantiveram vantagem sobre o plasma rico em plaquetas, e aos seis meses nenhum grupo apresentou melhora significativa nesse parâmetro específico — possivelmente porque os valores iniciais de PPI já eram relativamente baixos, dificultando detectar mudanças adicionais.

A interpretação prudente desses achados considera tanto os pontos fortes quanto as limitações do estudo. Entre as fortalezas, destaca-se a comparação direta de três modalidades em uso clínico real, o acompanhamento de seis meses — mais longo que muitos estudos anteriores — e a avaliação de múltiplos desfechos relevantes para o paciente. Por outro lado, o desenho retrospectivo impossibilita garantir que os grupos fossem comparáveis em todas as características relevantes, já que a escolha do tratamento não foi aleatória. Não houve grupo controle ou placebo, o que impede saber quanto da melhora inicial em todos os grupos poderia ser atribuído ao efeito natural da condição, ao efeito placebo ou à própria inserção da agulha.

Além disso, fatores importantes como bruxismo noturno, níveis de estresse, ansiedade e depressão — todos reconhecidamente associados à dor miofascial — não foram sistematicamente avaliados como potenciais modificadores do resultado.

Para o paciente que convive com dor crônica no masseter, este estudo oferece orientação valiosa, mas não definitiva. A toxina botulínica emerge como a opção com evidência mais robusta de benefício duradouro, especialmente quando o objetivo é alívio prolongado e melhora sustentada da função. O anestésico local pode ser considerado para alívio de curto prazo, com menor custo e maior acessibilidade em alguns contextos. O plasma rico em plaquetas, embora teoricamente promissor por seu potencial de regeneração tecidual, não se mostrou vantajoso nessa população e protocolo específicos.

É fundamental que a decisão terapêutica seja individualizada, considerando a intensidade e duração da dor, as limitações funcionais, as preferências do paciente e a experiência do profissional. A ausência de eventos adversos graves relatados é reconfortante, mas não elimina a necessidade de discussão sobre riscos específicos de cada procedimento, como a possibilidade de assimetria facial temporária com a toxina botulínica ou desconforto local após injeções. Novos estudos, preferencialmente randomizados e controlados, são necessários para confirmar essas tendências e explorar se combinações de tratamentos ou repetições de sessões poderiam otimizar os resultados.

O que fortalece a leitura

  • 1Comparação direta entre três tratamentos amplamente utilizados
  • 2Acompanhamento de 6 meses para avaliar durabilidade
  • 3Múltiplas medidas de resultado incluindo dor, função e qualidade de vida
  • 4Critérios diagnósticos bem estabelecidos para pontos-gatilho
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Estudo retrospectivo sem randomização
  • 2Ausência de grupo controle ou placebo
  • 3Não considerou fatores como bruxismo ou estresse psicológico
  • 4Amostra relativamente pequena para cada grupo

Leitura clínica do estudo

MODERADA
68/ 100
Desenho
3/5
Amostra
3/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

82pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Anestésico local

27 pessoas

Injeção de mepivacaína 3% (0,5ml) nos pontos-gatilho

Toxina botulínica

26 pessoas

Injeção de 10 unidades de BTX-A nos pontos-gatilho

Plasma rico em plaquetas

29 pessoas

Injeção de 0,5ml de PRP nos pontos-gatilho

⏱️ Tempo de acompanhamento: 6 meses de acompanhamento

📊 Resultados em números

7 para 2 pontos

Redução da dor com toxina botulínica aos 3 meses

p=0,008

Eficácia mantida da toxina botulínica aos 6 meses

p<0,001

Melhora da função mandibular com toxina botulínica

p<0,01

Melhora da qualidade de vida com toxina botulínica

📊 Comparação de Resultados

Dor VAS aos 3 meses

Anestésico local
3
Toxina botulínica
2
Plasma rico em plaquetas
5

Limitação funcional mandibular aos 3 meses

Anestésico local
13
Toxina botulínica
9
Plasma rico em plaquetas
17

📅 Linha do tempo da evidência

2005Primeiros estudos comparando toxina botulínica e anestésicos para pontos-gatilho
2016Início do período de coleta de dados deste estudo retrospectivo
2019Término da coleta de dados clínicos
2021Publicação demonstrando superioridade da toxina botulínica em pontos-gatilho do masseter

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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