Estudo científico comentado

Comparação entre laser de alta intensidade e laser de baixa potência no tratamento da dor lombar crônica

Referência acadêmica

Periódico

Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine

Ano

2020

Autores

Abdelbasset et al.

Desenho

Ensaio clínico randomizado

Este estudo comparou dois tipos de laser para dor lombar crônica: um de baixa potência (mais comum) e outro de alta intensidade (mais novo). Ambos os lasers foram igualmente eficazes em reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida após 12 semanas. Os resultados sugerem que ambas as modalidades podem ser opções válidas no tratamento da lombalgia crônica, quando combinadas com exercícios.

Título original do estudo: A Randomized Comparative Study between High-Intensity and Low-Level Laser Therapy in the Treatment of Chronic Nonspecific Low Back Pain

⚗️Ensaio clínico randomizado👥n=60 participantes🟢Evidência moderada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Laser de baixa e alta intensidade foram igualmente eficazes em reduzir dor e incapacidade na lombalgia crônica inespecífica quando combinados com exercícios, mas o estudo não prova superioridade de nenhuma tecnologia nem estabelece benefício do laser isolado.

O que isso significa para você?

Este estudo comparou dois tipos de laser para dor lombar crônica: um de baixa potência (mais comum) e outro de alta intensidade (mais novo). Ambos os lasers foram igualmente eficazes em reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida após 12 semanas. Os resultados sugerem que ambas as modalidades podem ser opções válidas no tratamento da lombalgia crônica, quando combinadas com exercícios.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Se você tem entre 25 e 40 anos e dor lombar crônica sem causa específica, a laserterapia pode ser uma opção complementar válida, desde que combinada com exercícios regulares
  • 2Não há vantagem comprovada em buscar especificamente laser de alta intensidade se o de baixa intensidade estiver disponível — ambos parecem funcionar igualmente bem
  • 3O comprometimento com cerca de 3 meses de tratamento é necessário; não espere resultados imediatos
  • 4Continue investigando outras causas de dor lombar com seu médico, pois o estudo excluiu condições estruturais específicas que exigem abordagens diferentes
  • 5Discuta com seu médico um plano de manutenção após o término das sessões de laser, já que não há dados sobre durabilidade dos resultados
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Minha dor lombar é realmente classificada como 'inespecífica' ou há alguma causa estrutural que precise de abordagem diferente?
  • 2Já fiz exercícios de fortalecimento e alongamento de forma consistente antes de considerar laser como complemento?
  • 3Qual é o plano de seguimento após o término do tratamento para avaliar se os benefícios se mantêm?
  • 4Há alguma contraindicação específica para mim quanto ao uso de laser, considerando minha idade, medicamentos ou condições de saúde?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum evento adverso foi relatado neste estudo, mas a amostra foi pequena e o período de observação limitado a 12 semanas
  • 2O uso de óculos de proteção é essencial durante as sessões de laser para prevenir lesão ocular acidental
  • 3A segurança em gestantes, idosos, pacientes com câncer ou uso de fotossensibilizantes não foi avaliada neste estudo e requer cautela adicional
  • 4A laserterapia de alta intensidade, em particular, deve ser aplicada com técnica adequada de movimento contínuo da sonda para evitar aquecimento excessivo local

Leitura rápida para pacientes

Dois tipos de laser, mesmo resultado

Para dor lombar crônica sem causa definida, laser de baixa e alta intensidade ajudaram igualmente — mas apenas quando combinados com exercícios

Ponto 1

24 sessões em 3 meses, sempre com exercícios em casa

Ponto 2

Dor, incapacidade e qualidade de vida melhoraram clinicamente

Ponto 3

Não se sabe se o benefício dura após parar o tratamento

O que este estudo acrescenta

PRIMEIRA COMPARAÇÃO DIRETA

Este foi o primeiro ensaio clínico a confrontar diretamente laser de alta versus baixa intensidade especificamente para dor lombar crônica inespecífica, mostrando equivalência onde se esperava possível superioridade da t

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A magnitude das melhorias na dor e incapacidade é clinicamente relevante, mas a ausência de seguimento prolongado, amostra pequena e falta de grupo placebo limitam a certeza sobre o efeito específico do laser versus exer

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Participantes foram distribuídos aleatoriamente entre os grupos, reduzindo vieses de seleção e oferecendo evidência de maior confiabilidade sobre a eficácia relativa das intervençõ

Participantes

60

20 em cada grupo, sem perdas de seguimento

Sessões de laser

24

2 vezes por semana durante 12 semanas

Redução da dor com laser

~3 pontos

na escala VAS de 0 a 10, comparada a 0,7 ponto no grupo controle

Ganho de qualidade de vida

+40 pontos

média de aumento no EuroQol nos grupos de laser

Diferença LLLT vs HILT

nenhuma

resultados estatisticamente equivalentes entre as duas tecnologias

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Dor lombar crônica inespecífica

Tipo de estudo

Ensaio clínico randomizado

Participantes

60 adultos de 25-40 anos com dor lombar há mais de 3 meses

Duração

12 semanas de intervenção

Sessões

24 sessões de laser ao longo de 12 semanas

Comparador

Exercícios domiciliares sem laser

Grupos do estudo

Laser baixa potência + exercíciosLaser alta intensidade + exercíciosApenas exercícios

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

24 sessões

Frequência02

2 vezes por semana

Duração da sessão03

30 minutos (LLLT) ou 15 minutos (HILT)

Pontos / técnica04

Aplicação sobre a região lombar acometida, com movimento constante da sonda no caso do HILT

Comparador05

Exercícios domiciliares de fortalecimento e alongamento, mínimo 2x/semana

Nota de protocolo06

Todos os grupos realizaram exercícios; laser nunca foi usado isoladamente. Uso de óculos de proteção obrigatório.

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos entre 25 e 40 anos de idadeDor lombar inespecífica há mais de 3 mesesDiagnóstico clínico confirmado por exames laboratoriais e radiológicosCapacidade de cumprir o programa de tratamentoDisposição para não usar medicamentos para dor durante o estudo

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pessoas com menos de 25 ou mais de 40 anosPacientes com alterações neurológicas, fraturas, espondilose, estenose espinal ou doenças inflamatórias/infecciosasGestantes ou pacientes com cirurgia prévia na colunaQuem havia recebido qualquer tratamento para dor lombar nos 3 meses anteriores

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor

reduziu

Queda de ~3 pontos na escala VAS (0-10) nos grupos de laser, versus apenas 0,7 ponto no grupo controle

🚶

Incapacidade funcional

melhorou

Redução de ~19 pontos no ODI nos grupos de laser, comparada a 1,6 ponto no grupo de exercícios isolados

🔄

Amplitude de movimento lombar

melhorou

Ganho de 3,1 a 3,7 cm no teste de Schober nos grupos de laser, versus 0,3 cm no controle

😊

Qualidade de vida

melhorou

Salto de ~32-36 para ~72-74 pontos no EuroQol nos grupos de laser, contra estagnação em ~38 no controle

O que não mudou

  • Não houve diferença significativa entre LLLT e HILT em nenhuma medida — ambos funcionaram igualmente
  • O grupo de exercícios isolados não mostrou melhora significativa em nenhum desfecho

Quando a melhora apareceu

1

12 semanas (24 sessões)

Avaliação final

Melhorias significativas em dor, incapacidade, mobilidade e qualidade de vida foram documentadas apenas na avaliação pós-intervenção; não há dados sobre evolução intermediária

Antes e depois

Dor (VAS 0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes6.5 pontos
Depois3.4 pontos

Incapacidade (ODI 0-50)

escala máx. 50 pontos

Antes36.5 pontos
Depois17.8 pontos

Qualidade de vida (EuroQol 0-100)

escala máx. 100 pontos

Antes32.5 pontos
Depois72.8 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum evento adverso relatado em 60 participantes durante 12 semanas
  • Boa tolerabilidade com ambas as modalidades de laser
  • Uso de óculos de proteção padronizado
Amarelo
  • Laser de alta intensidade requer maior potência e técnica adequada de movimento da sonda para evitar superaquecimento local
  • Exposição ocular acidental não foi testada no estudo
Vermelho
  • Estudo não foi desenhado para detectar eventos raros de segurança
  • Ausência de dados de segurança em populações mais amplas (idosos, gestantes, pacientes com comorbidades)

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos jovens a meia-idade (25-40 anos) com dor lombar crônica inespecífica
  • Pacientes que já tentaram exercícios isolados sem sucesso satisfatório
  • Pessoas que preferem ou precisam evitar medicamentos sistêmicos para dor
  • Indivíduos sem contraindicações neurológicas ou estruturais na coluna
  • Pacientes com acesso a laserterapia em conjunto com programa de exercícios

Mais cautela para extrapolar

  • Idosos ou crianças/adolescentes (fora da faixa etária estudada)
  • Pacientes com dor lombar de causa específica identificável (hérnia, fratura, estenose, espondilolistese)
  • Gestantes ou pacientes com cirurgia prévia na coluna
  • Quem busca tratamento único sem comprometimento com exercícios regulares
  • Indivíduos com expectativa de cura definitiva ou resultado imediato após poucas sessões

Expectativa realista

Alívio gradual com comprometimento

Redução relevante da dor e da incapacidade após cerca de 24 sessões de laser ao longo de 3 meses, sempre acompanhadas de exercícios regulares em casa

Tempo provável

Melhorias mensuráveis aparecem após 12 semanas de tratamento consistente; não há dados sobre resultados mais precoces ou

O estudo não mostra que o laser funciona sozinho, nem garante que o benefício se mantenha após o término do tratamento

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se minha dor lombar é realmente 'inespecífica' ou se há uma causa estrutural identificável que exija abordagem diferente
  2. 2Discutir se já tentei exercícios de fortalecimento e alongamento de forma adequada antes de considerar laser
  3. 3Questionar qual tipo de laser está disponível (baixa ou alta intensidade) e se há evidência de que um seja melhor para meu caso específico
  4. 4Verificar se o tratamento será combinado com orientação de exercícios e não oferecido como terapia isolada
  5. 5Perguntar sobre plano de seguimento após o término das sessões para monitorar manutenção dos resultados

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Laser de alta intensidade é necessariamente melhor que o de baixa intensidade

Achado

O estudo mostrou resultados estatisticamente equivalentes entre ambas as tecnologias para dor lombar crônica inespecífica

Mito

Laser sozinho resolve a dor lombar crônica

Achado

Todos os participantes que melhoraram também fizeram exercícios domiciliares; o estudo não testou laser isolado

Mito

Os benefícios do laser são imediatos e duradouros

Achado

As melhorias foram documentadas apenas após 12 semanas, e não há seguimento para saber se persistem

Como isso pode funcionar

💡

FOTOBIOESTIMULAÇÃO

A luz laser penetra nos tecidos e pode estimular a produção de ATP nas mitocôndrias, potencialmente acelerando a recuperação celular — mecanismo proposto, não diretamente observado neste estudo clínico

🛡️

MODULAÇÃO INFLAMATÓRIA

Estudos pré-clínicos sugerem redução de citocinas pró-inflamatórias e prostaglandinas; neste ensaio, a melhora clínica foi medida, mas os mecanismos bioquímicos não foram avaliados

🧠

INIBIÇÃO DA TRANSMISSÃO DOLOROSA

Teoricamente, o laser pode elevar o limiar de dor ao modular a atividade de fibras nervosas periféricas e aumentar opioides endógenos — efeito analgésico observado, mas via exata não confirmada

O que ainda é incerto

  • ?Não se sabe se os benefícios se mantêm após 3, 6 ou 12 meses do término do tratamento
  • ?É incerto se os resultados se aplicam a idosos, trabalhadores braçais intensos ou pacientes com obesidade significativa
  • ?Não foi estabelecido se o efeito vem principalmente do laser, dos exercícios, da interação entre ambos ou do efeito placebo da atenção terapêutica
  • ?Falta definir o número mínimo de sessões necessárias e se protocolos mais curtos ou mais longos seriam igualmente eficazes
🎯

O que o estudo quis responder

Comparar eficácia do laser de alta intensidade vs baixa potência na dor lombar crônica inespecífica

👥

QUEM PARTICIPOU

60 adultos de 25-40 anos com dor lombar há mais de 3 meses

🧪

COMO FOI FEITO

3 grupos: laser de baixa potência, laser de alta intensidade, ou apenas exercícios por 12 semanas

📈

O QUE MUDOU

Ambos os tipos de laser reduziram dor, incapacidade e melhoraram qualidade de vida igualmente

🛟

SEGURANÇA

Nenhum evento adverso relatado durante o tratamento

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

EQUIVALÊNCIA INESPERADA

Contrariando a expectativa de que laser mais potente e mais caro seria superior, o estudo demonstrou que a tecnologia mais antiga e acessível de baixa intensidade produziu os mesmos benefícios clínicos

🧭

EXERCÍCIO COMO BASE INDISPENSÁVEL

O estudo reforça que, mesmo com tecnologia adjuvante, o grupo que fez apenas exercícios não teve melhora significativa — sugerindo que o laser potencializa, mas não substitui, a reabilitação ativa

📌

JANELA ETÁRIA ESTREITA

Todos os participantes tinham entre 25 e 40 anos, idade em que a regeneração tecidual ainda é mais robusta; isso levanta dúvida se os mesmos números se repetiriam em pacientes mais velhos

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Comparação entre laser de alta intensidade e laser de baixa potência no tratamento da dor lombar crônica

A dor lombar crônica inespecífica é uma das condições mais comuns que afetam a saúde musculoesquelética em todo o mundo, sendo responsável por grande parte das consultas médicas, afastamentos do trabalho e redução da qualidade de vida. Diferente das dores lombares com causa identificável — como hérnias de disco, fraturas ou estenose espinhal —, a forma inespecífica não apresenta uma origem claramente detectável em exames de imagem, o que torna seu manejo particularmente desafiador. Para muitos pacientes, o tratamento convencional com medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios não oferece alívio satisfatório a longo prazo, enquanto a fisioterapia com exercícios, embora recomendada, pode precisar de complementos para acelerar a recuperação. Nesse cenário, a laserterapia surge como uma opção não invasiva que vem sendo estudada há décadas, com duas modalidades principais: a laserterapia de baixa intensidade (LLLT, do inglês low-level laser therapy), mais tradicional e amplamente disponível, e a laserterapia de alta intensidade (HILT, do inglês high-intensity laser therapy), tecnologia mais recente que promete alcançar tecidos mais profundos com maior energia.

O estudo conduzido por Abdelbasset e colaboradores, publicado em 2020 no periódico Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, representa um marco importante porque foi o primeiro a comparar diretamente essas duas modalidades de laser em pacientes com dor lombar crônica inespecífica. Trata-se de um ensaio clínico randomizado, desenho considerado padrão-ouro para avaliar intervenções terapêuticas, no qual 60 adultos com idades entre 25 e 40 anos foram distribuídos aleatoriamente em três grupos de 20 participantes cada. O primeiro grupo recebeu laser de baixa intensidade com comprimento de onda de 850 nanômetros, potência de 800 miliwatts, em sessões de 30 minutos, duas vezes por semana, totalizando 24 sessões ao longo de 12 semanas. O segundo grupo recebeu laser de alta intensidade com comprimento de onda de 1064 nanômetros, potência de 12 watts, em sessões de 15 minutos, com a mesma frequência e duração total.

O terceiro grupo, de controle, realizou apenas exercícios domiciliares de fortalecimento muscular e alongamento, sem qualquer tipo de laser. Todos os participantes foram orientados a não usar medicamentos para dor durante o período do estudo, e as avaliações foram conduzidas por profissionais que desconheciam a qual grupo cada paciente pertencia, garantindo maior confiabilidade dos resultados.

As medidas de desfecho escolhidas foram robustas e amplamente validadas internacionalmente: o Índice de Incapacidade de Oswestry (ODI), que avalia limitações em atividades diárias como caminhar, sentar, dormir e realizar tarefas domésticas; a Escala Visual Analógica de Dor (VAS), que quantifica a intensidade da dor em uma linha de 0 a 10; a medida de amplitude de movimento da coluna lombar pelo teste de Schober modificado; e o questionário EuroQol, que avalia a qualidade de vida em múltiplas dimensões, incluindo mobilidade, autocuidado, atividades usuais, dor e ansiedade. Os resultados foram expressivos e consistentes. Ambos os grupos que receberam laser — seja de baixa ou alta intensidade — apresentaram melhorias significativas em todas as medidas após as 12 semanas de tratamento. A redução média da dor na escala VAS foi de aproximadamente 3 pontos nos grupos de laser, enquanto o grupo controle teve redução de apenas 0,7 ponto, praticamente insignificante do ponto de vista clínico.

A incapacidade medida pelo ODI caiu cerca de 19 pontos nos grupos de laser, comparada a queda de apenas 1,6 ponto no grupo de exercícios isolados. A qualidade de vida, medida pelo EuroQol, saltou de valores ao redor de 32-36 para mais de 72 pontos nos grupos de laser, enquanto o controle permaneceu praticamente inalterado em torno de 38 pontos.

Contudo, não houve diferença significativa entre os dois tipos de laser. Apesar de a laserterapia de alta intensidade teoricamente oferecer vantagens de penetração tecidual e concentração de energia, os números mostraram que, na prática, ambas as tecnologias produziram resultados equivalentes para essa população específica. Isso tem implicações práticas importantes: pacientes que têm acesso apenas à laserterapia de baixa intensidade não precisam se sentir em desvantagem, e a escolha entre uma ou outra modalidade pode ser baseada em fatores como disponibilidade, custo e preferência pessoal, sempre em conjunto com orientação médica.

É fundamental, no entanto, manter uma interpretação prudente. O estudo apresenta limitações claras que restringem a generalização de seus achados. A amostra de 60 participantes, embora adequada para um ensaio piloto, é pequena para estabelecer recomendações definitivas. A faixa etária restrita de 25 a 40 anos exclui idosos, que constituem uma parcela significativa dos pacientes com dor lombar crônica, bem como adolescentes e adultos mais jovens.

A ausência de seguimento após as 12 semanas impede saber se os benefícios se mantêm a médio e longo prazo, questão crucial para uma condição crônica. Além disso, não houve grupo placebo para laser, ou seja, um grupo que recebesse aplicação simulada do aparelho, o que dificulta separar o efeito específico do laser de possíveis efeitos psicológicos ou do contato terapêutico em si. Por fim, todos os participantes realizaram exercícios domiciliares, o que significa que os resultados refletem a combinação de laser mais exercícios, não o laser isoladamente.

Do ponto de vista da segurança, o estudo traz notícias tranquilizadoras: nenhum evento adverso foi relatado durante as 12 semanas de tratamento em nenhum dos grupos. Ambas as modalidades de laser foram bem toleradas, com uso de óculos de proteção obrigatório para pacientes e operadores. Essa boa tolerabilidade reforça o perfil de risco-benefício favorável da laserterapia como opção complementar no manejo da dor lombar crônica.

Para o paciente que vive com essa condição, os resultados sugerem que a laserterapia — seja de baixa ou alta intensidade — pode ser uma ferramenta valiosa quando combinada com exercícios regulares, mas não deve ser vista como substituta de uma abordagem integral que inclua avaliação médica adequada, educação sobre manejo da dor, modificação de fatores de risco como sobrepeso e sedentarismo, e, quando necessário, outros tratamentos. A decisão pelo uso do laser deve ser individualizada, considerando o perfil de cada paciente, a disponibilidade da tecnologia e o custo-benefício, sempre em diálogo com o médico responsável pelo tratamento.

O que fortalece a leitura

  • 1Desenho randomizado controlado
  • 2Grupos bem balanceados
  • 3Medidas validadas
  • 4Nenhuma perda de seguimento
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Amostra pequena
  • 2Faixa etária restrita (25-40 anos)
  • 3Ausência de seguimento de longo prazo
  • 4Falta de grupo placebo para laser

Leitura clínica do estudo

MODERADA
75/ 100
Desenho
4/5
Amostra
3/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

60pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Laser baixa potência

20 pessoas

LLLT 850nm + exercícios

Laser alta intensidade

20 pessoas

HILT 1064nm + exercícios

Controle

20 pessoas

Apenas exercícios domiciliares

⏱️ Tempo de acompanhamento: 12 semanas

📊 Resultados em números

18.75 pontos

Redução da incapacidade (ODI) com LLLT

3.1 pontos

Redução da dor (VAS) com LLLT

40.3 pontos

Melhora da qualidade de vida com LLLT

2.8 pontos

Redução da dor (VAS) com HILT

📊 Comparação de Resultados

Escala de dor (VAS)

LLLT
3.4
HILT
3.5
Controle
5.9

Qualidade de vida (EuroQol)

LLLT
72.8
HILT
74.3
Controle
38.6

📅 Linha do tempo da evidência

2007LLLT reconhecido como tratamento para dor lombar
2015Laser de alta intensidade (HILT) ganha popularidade
2019Estudos começam a comparar diferentes tipos de laser
2020Este estudo demonstra eficácia similar entre LLLT e HILT

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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