Participantes
60
20 em cada grupo, sem perdas de seguimento
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine
Ano
2020
Autores
Abdelbasset et al.
Desenho
Ensaio clínico randomizado
Este estudo comparou dois tipos de laser para dor lombar crônica: um de baixa potência (mais comum) e outro de alta intensidade (mais novo). Ambos os lasers foram igualmente eficazes em reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida após 12 semanas. Os resultados sugerem que ambas as modalidades podem ser opções válidas no tratamento da lombalgia crônica, quando combinadas com exercícios.
Título original do estudo: A Randomized Comparative Study between High-Intensity and Low-Level Laser Therapy in the Treatment of Chronic Nonspecific Low Back Pain
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Laser de baixa e alta intensidade foram igualmente eficazes em reduzir dor e incapacidade na lombalgia crônica inespecífica quando combinados com exercícios, mas o estudo não prova superioridade de nenhuma tecnologia nem estabelece benefício do laser isolado.
Este estudo comparou dois tipos de laser para dor lombar crônica: um de baixa potência (mais comum) e outro de alta intensidade (mais novo). Ambos os lasers foram igualmente eficazes em reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida após 12 semanas. Os resultados sugerem que ambas as modalidades podem ser opções válidas no tratamento da lombalgia crônica, quando combinadas com exercícios.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Para dor lombar crônica sem causa definida, laser de baixa e alta intensidade ajudaram igualmente — mas apenas quando combinados com exercícios
Ponto 1
24 sessões em 3 meses, sempre com exercícios em casa
Ponto 2
Dor, incapacidade e qualidade de vida melhoraram clinicamente
Ponto 3
Não se sabe se o benefício dura após parar o tratamento
O que este estudo acrescenta
Este foi o primeiro ensaio clínico a confrontar diretamente laser de alta versus baixa intensidade especificamente para dor lombar crônica inespecífica, mostrando equivalência onde se esperava possível superioridade da t
Aplicabilidade clínica
A magnitude das melhorias na dor e incapacidade é clinicamente relevante, mas a ausência de seguimento prolongado, amostra pequena e falta de grupo placebo limitam a certeza sobre o efeito específico do laser versus exer
Força do desenho do estudo
Participantes foram distribuídos aleatoriamente entre os grupos, reduzindo vieses de seleção e oferecendo evidência de maior confiabilidade sobre a eficácia relativa das intervençõ
Participantes
60
20 em cada grupo, sem perdas de seguimento
Sessões de laser
24
2 vezes por semana durante 12 semanas
Redução da dor com laser
~3 pontos
na escala VAS de 0 a 10, comparada a 0,7 ponto no grupo controle
Ganho de qualidade de vida
+40 pontos
média de aumento no EuroQol nos grupos de laser
Diferença LLLT vs HILT
nenhuma
resultados estatisticamente equivalentes entre as duas tecnologias
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor lombar crônica inespecífica
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado
Participantes
60 adultos de 25-40 anos com dor lombar há mais de 3 meses
Duração
12 semanas de intervenção
Sessões
24 sessões de laser ao longo de 12 semanas
Comparador
Exercícios domiciliares sem laser
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
24 sessões
2 vezes por semana
30 minutos (LLLT) ou 15 minutos (HILT)
Aplicação sobre a região lombar acometida, com movimento constante da sonda no caso do HILT
Exercícios domiciliares de fortalecimento e alongamento, mínimo 2x/semana
Todos os grupos realizaram exercícios; laser nunca foi usado isoladamente. Uso de óculos de proteção obrigatório.
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Intensidade da dor
reduziu
Queda de ~3 pontos na escala VAS (0-10) nos grupos de laser, versus apenas 0,7 ponto no grupo controle
Incapacidade funcional
melhorou
Redução de ~19 pontos no ODI nos grupos de laser, comparada a 1,6 ponto no grupo de exercícios isolados
Amplitude de movimento lombar
melhorou
Ganho de 3,1 a 3,7 cm no teste de Schober nos grupos de laser, versus 0,3 cm no controle
Qualidade de vida
melhorou
Salto de ~32-36 para ~72-74 pontos no EuroQol nos grupos de laser, contra estagnação em ~38 no controle
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
12 semanas (24 sessões)
Avaliação final
Melhorias significativas em dor, incapacidade, mobilidade e qualidade de vida foram documentadas apenas na avaliação pós-intervenção; não há dados sobre evolução intermediária
Antes e depois
Dor (VAS 0-10)
escala máx. 10 pontos
Incapacidade (ODI 0-50)
escala máx. 50 pontos
Qualidade de vida (EuroQol 0-100)
escala máx. 100 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Redução relevante da dor e da incapacidade após cerca de 24 sessões de laser ao longo de 3 meses, sempre acompanhadas de exercícios regulares em casa
Tempo provável
Melhorias mensuráveis aparecem após 12 semanas de tratamento consistente; não há dados sobre resultados mais precoces ou
O estudo não mostra que o laser funciona sozinho, nem garante que o benefício se mantenha após o término do tratamento
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Laser de alta intensidade é necessariamente melhor que o de baixa intensidade
Achado
O estudo mostrou resultados estatisticamente equivalentes entre ambas as tecnologias para dor lombar crônica inespecífica
Mito
Laser sozinho resolve a dor lombar crônica
Achado
Todos os participantes que melhoraram também fizeram exercícios domiciliares; o estudo não testou laser isolado
Mito
Os benefícios do laser são imediatos e duradouros
Achado
As melhorias foram documentadas apenas após 12 semanas, e não há seguimento para saber se persistem
Como isso pode funcionar
FOTOBIOESTIMULAÇÃO
A luz laser penetra nos tecidos e pode estimular a produção de ATP nas mitocôndrias, potencialmente acelerando a recuperação celular — mecanismo proposto, não diretamente observado neste estudo clínico
MODULAÇÃO INFLAMATÓRIA
Estudos pré-clínicos sugerem redução de citocinas pró-inflamatórias e prostaglandinas; neste ensaio, a melhora clínica foi medida, mas os mecanismos bioquímicos não foram avaliados
INIBIÇÃO DA TRANSMISSÃO DOLOROSA
Teoricamente, o laser pode elevar o limiar de dor ao modular a atividade de fibras nervosas periféricas e aumentar opioides endógenos — efeito analgésico observado, mas via exata não confirmada
O que ainda é incerto
Comparar eficácia do laser de alta intensidade vs baixa potência na dor lombar crônica inespecífica
60 adultos de 25-40 anos com dor lombar há mais de 3 meses
3 grupos: laser de baixa potência, laser de alta intensidade, ou apenas exercícios por 12 semanas
Ambos os tipos de laser reduziram dor, incapacidade e melhoraram qualidade de vida igualmente
Nenhum evento adverso relatado durante o tratamento
Achados Interessantes
EQUIVALÊNCIA INESPERADA
Contrariando a expectativa de que laser mais potente e mais caro seria superior, o estudo demonstrou que a tecnologia mais antiga e acessível de baixa intensidade produziu os mesmos benefícios clínicos
EXERCÍCIO COMO BASE INDISPENSÁVEL
O estudo reforça que, mesmo com tecnologia adjuvante, o grupo que fez apenas exercícios não teve melhora significativa — sugerindo que o laser potencializa, mas não substitui, a reabilitação ativa
JANELA ETÁRIA ESTREITA
Todos os participantes tinham entre 25 e 40 anos, idade em que a regeneração tecidual ainda é mais robusta; isso levanta dúvida se os mesmos números se repetiriam em pacientes mais velhos
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor lombar crônica inespecífica é uma das condições mais comuns que afetam a saúde musculoesquelética em todo o mundo, sendo responsável por grande parte das consultas médicas, afastamentos do trabalho e redução da qualidade de vida. Diferente das dores lombares com causa identificável — como hérnias de disco, fraturas ou estenose espinhal —, a forma inespecífica não apresenta uma origem claramente detectável em exames de imagem, o que torna seu manejo particularmente desafiador. Para muitos pacientes, o tratamento convencional com medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios não oferece alívio satisfatório a longo prazo, enquanto a fisioterapia com exercícios, embora recomendada, pode precisar de complementos para acelerar a recuperação. Nesse cenário, a laserterapia surge como uma opção não invasiva que vem sendo estudada há décadas, com duas modalidades principais: a laserterapia de baixa intensidade (LLLT, do inglês low-level laser therapy), mais tradicional e amplamente disponível, e a laserterapia de alta intensidade (HILT, do inglês high-intensity laser therapy), tecnologia mais recente que promete alcançar tecidos mais profundos com maior energia.
O estudo conduzido por Abdelbasset e colaboradores, publicado em 2020 no periódico Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, representa um marco importante porque foi o primeiro a comparar diretamente essas duas modalidades de laser em pacientes com dor lombar crônica inespecífica. Trata-se de um ensaio clínico randomizado, desenho considerado padrão-ouro para avaliar intervenções terapêuticas, no qual 60 adultos com idades entre 25 e 40 anos foram distribuídos aleatoriamente em três grupos de 20 participantes cada. O primeiro grupo recebeu laser de baixa intensidade com comprimento de onda de 850 nanômetros, potência de 800 miliwatts, em sessões de 30 minutos, duas vezes por semana, totalizando 24 sessões ao longo de 12 semanas. O segundo grupo recebeu laser de alta intensidade com comprimento de onda de 1064 nanômetros, potência de 12 watts, em sessões de 15 minutos, com a mesma frequência e duração total.
O terceiro grupo, de controle, realizou apenas exercícios domiciliares de fortalecimento muscular e alongamento, sem qualquer tipo de laser. Todos os participantes foram orientados a não usar medicamentos para dor durante o período do estudo, e as avaliações foram conduzidas por profissionais que desconheciam a qual grupo cada paciente pertencia, garantindo maior confiabilidade dos resultados.
As medidas de desfecho escolhidas foram robustas e amplamente validadas internacionalmente: o Índice de Incapacidade de Oswestry (ODI), que avalia limitações em atividades diárias como caminhar, sentar, dormir e realizar tarefas domésticas; a Escala Visual Analógica de Dor (VAS), que quantifica a intensidade da dor em uma linha de 0 a 10; a medida de amplitude de movimento da coluna lombar pelo teste de Schober modificado; e o questionário EuroQol, que avalia a qualidade de vida em múltiplas dimensões, incluindo mobilidade, autocuidado, atividades usuais, dor e ansiedade. Os resultados foram expressivos e consistentes. Ambos os grupos que receberam laser — seja de baixa ou alta intensidade — apresentaram melhorias significativas em todas as medidas após as 12 semanas de tratamento. A redução média da dor na escala VAS foi de aproximadamente 3 pontos nos grupos de laser, enquanto o grupo controle teve redução de apenas 0,7 ponto, praticamente insignificante do ponto de vista clínico.
A incapacidade medida pelo ODI caiu cerca de 19 pontos nos grupos de laser, comparada a queda de apenas 1,6 ponto no grupo de exercícios isolados. A qualidade de vida, medida pelo EuroQol, saltou de valores ao redor de 32-36 para mais de 72 pontos nos grupos de laser, enquanto o controle permaneceu praticamente inalterado em torno de 38 pontos.
Contudo, não houve diferença significativa entre os dois tipos de laser. Apesar de a laserterapia de alta intensidade teoricamente oferecer vantagens de penetração tecidual e concentração de energia, os números mostraram que, na prática, ambas as tecnologias produziram resultados equivalentes para essa população específica. Isso tem implicações práticas importantes: pacientes que têm acesso apenas à laserterapia de baixa intensidade não precisam se sentir em desvantagem, e a escolha entre uma ou outra modalidade pode ser baseada em fatores como disponibilidade, custo e preferência pessoal, sempre em conjunto com orientação médica.
É fundamental, no entanto, manter uma interpretação prudente. O estudo apresenta limitações claras que restringem a generalização de seus achados. A amostra de 60 participantes, embora adequada para um ensaio piloto, é pequena para estabelecer recomendações definitivas. A faixa etária restrita de 25 a 40 anos exclui idosos, que constituem uma parcela significativa dos pacientes com dor lombar crônica, bem como adolescentes e adultos mais jovens.
A ausência de seguimento após as 12 semanas impede saber se os benefícios se mantêm a médio e longo prazo, questão crucial para uma condição crônica. Além disso, não houve grupo placebo para laser, ou seja, um grupo que recebesse aplicação simulada do aparelho, o que dificulta separar o efeito específico do laser de possíveis efeitos psicológicos ou do contato terapêutico em si. Por fim, todos os participantes realizaram exercícios domiciliares, o que significa que os resultados refletem a combinação de laser mais exercícios, não o laser isoladamente.
Do ponto de vista da segurança, o estudo traz notícias tranquilizadoras: nenhum evento adverso foi relatado durante as 12 semanas de tratamento em nenhum dos grupos. Ambas as modalidades de laser foram bem toleradas, com uso de óculos de proteção obrigatório para pacientes e operadores. Essa boa tolerabilidade reforça o perfil de risco-benefício favorável da laserterapia como opção complementar no manejo da dor lombar crônica.
Para o paciente que vive com essa condição, os resultados sugerem que a laserterapia — seja de baixa ou alta intensidade — pode ser uma ferramenta valiosa quando combinada com exercícios regulares, mas não deve ser vista como substituta de uma abordagem integral que inclua avaliação médica adequada, educação sobre manejo da dor, modificação de fatores de risco como sobrepeso e sedentarismo, e, quando necessário, outros tratamentos. A decisão pelo uso do laser deve ser individualizada, considerando o perfil de cada paciente, a disponibilidade da tecnologia e o custo-benefício, sempre em diálogo com o médico responsável pelo tratamento.
Laser baixa potência
20 pessoas
LLLT 850nm + exercícios
Laser alta intensidade
20 pessoas
HILT 1064nm + exercícios
Controle
20 pessoas
Apenas exercícios domiciliares
Redução da incapacidade (ODI) com LLLT
Redução da dor (VAS) com LLLT
Melhora da qualidade de vida com LLLT
Redução da dor (VAS) com HILT
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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