Estudo científico comentado

Laser de Alta Intensidade Reduz Dor e Melhora Função em Pacientes com Lombalgia Crônica

Referência acadêmica

Periódico

Open Access Macedonian Journal of Medical Sciences

Ano

2019

Autores

Gocevska et al.

Desenho

Ensaio clínico controlado

Este estudo mostra que o laser de alta intensidade é mais eficaz que o ultrassom para tratar dor lombar crônica. Pacientes tratados com laser tiveram maior redução da dor e melhora da capacidade funcional, com benefícios que se mantiveram por 3 meses. O tratamento é seguro, sem efeitos colaterais, e deve ser combinado com exercícios para melhores resultados. É uma opção promissora para quem sofre de dor nas costas há mais de 3 meses.

Título original do estudo: Effects of High-Intensity Laser in Treatment of Patients with Chronic Low Back Pain

🔬Ensaio clínico controlado👥n=54 participantes💪Impacto clínico alto
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Laser de alta intensidade combinado com exercícios reduziu mais a dor e a incapacidade funcional que ultrassom com exercícios em pacientes com lombalgia crônica, com benefícios mantidos por 3 meses.

O que isso significa para você?

Este estudo mostra que o laser de alta intensidade é mais eficaz que o ultrassom para tratar dor lombar crônica. Pacientes tratados com laser tiveram maior redução da dor e melhora da capacidade funcional, com benefícios que se mantiveram por 3 meses. O tratamento é seguro, sem efeitos colaterais, e deve ser combinado com exercícios para melhores resultados. É uma opção promissora para quem sofre de dor nas costas há mais de 3 meses.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1O laser de alta intensidade pode ser uma opção a considerar se você tem dor lombar crônica e não obteve bons resultados com outras modalidades físicas
  • 2O tratamento só funcionou combinado com exercícios regulares, então sua participação ativa é essencial
  • 3Os benefícios não são imediatos — espere cerca de 2 semanas para sentir melhora significativa
  • 4A tecnologia ainda precisa de mais estudos para confirmar se funciona para todos os perfis de pacientes
  • 5Converse com seu médico sobre disponibilidade do equipamento e se você se encaixa no perfil estudado
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Com base nos meus exames, eu me enquadro no perfil dos pacientes que se beneficiaram neste estudo?
  • 2A clínica tem laser de alta intensidade com as mesmas características do estudo (4W, modo varredura) e profissionais treinados?
  • 3Como será montado meu programa de exercícios e quem vai acompanhar se estou fazendo corretamente em casa?
  • 4Se o laser não estiver disponível, o ultrassom ainda seria uma opção razoável para o meu caso?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum efeito adverso foi observado neste estudo, mas a segurança depende de equipamento calibrado e aplicação correta
  • 2Proteção ocular é necessária durante a aplicação do laser de alta intensidade
  • 3Contraindicações incluem fotossensibilidade, câncer ativo, infecção na área e alterações neurológicas de compressão radicular
  • 4Este estudo não avaliou uso em gestantes, crianças ou adolescentes, portanto a segurança nesses grupos é desconhecida

Leitura rápida para pacientes

Laser de alta intensidade + exercícios venceu ultrassom + exercícios

Em estudo com 54 pacientes, quem usou laser teve dor mais leve e vida mais ativa, com resultados que duraram 3 meses

Ponto 1

10 sessões de laser em 2 semanas, sempre com exercícios

Ponto 2

Dor caiu de 7 para menos de 2, contra queda de 7 para 5 no ultrassom

Ponto 3

Nenhum efeito colateral, mas estudo foi pequeno e precisa de confirmação

O que este estudo acrescenta

COMPARAÇÃO DIRETA COM SEGUIMENTO

Este foi um dos primeiros estudos a comparar laser de alta intensidade com ultrassom em lombalgia crônica e demonstrar superioridade com manutenção dos resultados por 3 meses

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A diferença de aproximadamente 3 pontos na escala de dor (0-10) e quase 11 pontos no índice de incapacidade representa melhora clinicamente perceptível para pacientes, embora o tamanho da amostra pequeno limite a certeza

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Estudos que comparam grupos de pacientes separados aleatoriamente oferecem evidência de boa qualidade, embora não sejam tão robustos quanto revisões sistemáticas de múltiplos estud

Participantes no estudo

54

27 em cada grupo, divididos aleatoriamente

Redução da dor com laser

7,2 → 1,9

pontos na escala 0-10 após 3 meses

Redução da dor com ultrassom

7,0 → 4,9

pontos na escala 0-10 após 3 meses

Diferença estatística

p < 0,0001

alta confiabilidade de que a diferença entre grupos não é ao acaso

Sessões de tratamento

10

realizadas em 2 semanas, com exercícios continuados por 3 meses

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Dor lombar crônica (mais de 3 meses de evolução)

Tipo de estudo

Ensaio clínico controlado prospectivo

Participantes

54 adultos (25-65 anos), divididos igualmente entre dois grupos

Duração

2 semanas de tratamento ativo com seguimento de 3 meses

Sessões

10 sessões consecutivas, com intervalos nos finais de semana

Comparador

Ultrassom terapêutico ativo, também combinado com exercícios

Grupos do estudo

Laser de alta intensidade + exercíciosUltrassom terapêutico + exercícios

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

10

Frequência02

Diária durante dias úteis, por 2 semanas

Duração da sessão03

15 minutos de laser ou 5 minutos de ultrassom, mais 15 minutos de exercícios

Pontos / técnica04

Laser aplicado por varredura longitudinal na região de L1 a S1, com contato direto na pele; ultrassom com movimentos circulares lentos na região paravertebral lombar

Comparador05

Ultrassom contínuo 0,5 W/cm² por 5 minutos na região paravertebral

Nota de protocolo06

Ambos os grupos realizaram o mesmo programa de exercícios isométricos e estáticos para fortalecimento de abdômen, lombar e glúteos, com orientação para continuidade domiciliar por

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos entre 25 e 65 anos com dor lombar crônica há mais de 3 mesesPacientes com alterações radiológicas na coluna lombar confirmadas por raio-XPessoas não expostas a esforço físico intenso no trabalhoIndivíduos com capacidade mental suficiente para responder questionários de avaliaçãoParticipantes que se comprometeram a não usar medicamentos analgésicos ou anti-inflamatórios durante o estudo

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes com alterações neurológicas motoras ou sensitivas (compressão de raízes)Quem já havia realizado cirurgia na coluna lombar ou apresentava malformações congênitasPessoas com histórico de trauma, câncer, infecção ou inflamação ativa na regiãoIndivíduos com fotossensibilidade conhecida ou doenças sistêmicas não relacionadas à dor lombarQuem necessitava de medicação para dor durante o período do estudo

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor

reduziu

De média 7,2 para 1,9 no grupo do laser, contra 7,0 para 4,9 no grupo do ultrassom, após 3 meses

🚶

Capacidade funcional

melhorou

Índice de Oswestry caiu de 44,3 para 15,9 no laser, contra 45,2 para 26,6 no ultrassom, indicando menos limitação nas atividades diárias

🤸

Flexibilidade lombar

melhorou

Teste de Schober mostrou diferença significativa a favor do laser apenas no seguimento de 3 meses

O que não mudou

  • Não houve diferença significativa entre os grupos nas medidas iniciais de dor, incapacidade ou flexibilidade antes do tratamento
  • A flexibilidade lombar não mostrou diferença estatística entre os grupos imediatamente após as 2 semanas de tratamento
  • Não foi avaliado o impacto sobre qualidade de vida geral, sono ou aspectos psicossociais da dor

Quando a melhora apareceu

1

10 sessões

Após 2 semanas de tratamento

Redução significativa da dor e da incapacidade funcional já era evidente, com vantagem estatística para o grupo do laser

2

3 meses

Após 3 meses de acompanhamento

Benefícios se mantiveram e, no caso da flexibilidade lombar, a diferença entre os grupos tornou-se significativa apenas neste momento

Antes e depois

Dor (escala 0-10) — Grupo Laser

escala máx. 10 pontos

Antes7.2 pontos
Depois1.9 pontos

Dor (escala 0-10) — Grupo Ultrassom

escala máx. 10 pontos

Antes7 pontos
Depois4.9 pontos

Incapacidade (ODI) — Grupo Laser

escala máx. 100 pontos

Antes44.3 pontos
Depois15.9 pontos

Incapacidade (ODI) — Grupo Ultrassom

escala máx. 100 pontos

Antes45.2 pontos
Depois26.6 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum efeito adverso relatado em nenhum dos grupos durante todo o estudo
  • Laser descrito como indolor e sem risco à saúde quando aplicado com proteções adequadas
  • Tecnologia não invasiva, sem necessidade de medicação concomitante
Amarelo
  • Pouca informação sobre contraindicações específicas do laser de alta intensidade nesta população
  • Aplicação requer equipamento calibrado e pessoal treinado para evitar exposição ocular inadequada
Vermelho
  • O artigo não traz um mapa completo de contraindicações ou de eventos adversos raros.

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor lombar crônica há mais de 3 meses e alterações degenerativas no raio-X
  • Pacientes que não obtiveram alívio suficiente com modalidades físicas convencionais
  • Pessoas comprometidas com a realização de exercícios domiciliares regulares
  • Indivíduos que precisam evitar ou reduzir o uso de medicamentos analgésicos

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com sinais de compressão nervosa (fraqueza, dormência, alterações sensitivas)
  • Quem já foi submetido a cirurgia na coluna lombar ou tem malformações congênitas
  • Pessoas com condições sistêmicas ativas como câncer, infecção ou doenças metabólicas não controladas
  • Indivíduos com fotossensibilidade conhecida ou uso de fotossensibilizantes

Expectativa realista

O que esperar do tratamento

Redução gradual da intensidade da dor e maior facilidade para realizar atividades do dia a dia, como sentar, caminhar e pegar objetos leves

Tempo provável

Melhora perceptível já após 2 semanas de tratamento, com benefícios mantidos por pelo menos 3 meses se associados a exer

Resultados baseados em estudo com amostra pequena; resposta individual pode variar e não há garantia de eliminação completa da dor

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se há equipamento de laser de alta intensidade disponível na clínica e se o operador está treinado no protocolo
  2. 2Discutir se seus exames de imagem mostram alterações compatíveis com as incluídas no estudo
  3. 3Verificar se há contraindicações pessoais como fotossensibilidade, uso de medicamentos fotossensibilizantes ou histórico de cirurgia lombar
  4. 4Combinar um programa de exercícios domiciliares e entender como será o acompanhamento da adesão
  5. 5Perguntar sobre custo do tratamento e quantas sessões são recomendadas com base na sua situação

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Laser elimina a dor lombar instantaneamente

Achado

A melhora foi gradual, ao longo de 10 sessões, e associada a exercícios; não houve eliminação completa da dor em todos os pacientes

Mito

Qualquer tipo de laser funciona igualmente

Achado

O estudo testou laser de alta intensidade (4W) com varredura, diferente de lasers de baixa intensidade usados em outros protocolos

Mito

O laser pode substituir totalmente os exercícios

Achado

O protocolo sempre combinou laser com exercícios supervisionados e domiciliares; não há evidência neste estudo de que o laser sozinho seja suficiente

Como isso pode funcionar

⚙️

PASSO 1

A luz laser é absorvida pelos tecidos, com possível aumento da microcirculação e redução de mediadores inflamatórios (mecanismo proposto, não diretamente observado neste estudo)

⚙️

PASSO 2

Estimulação da produção de ATP mitocondrial e possível elevação de β-endorfinas, que atuam como analgésicos endógenos (baseado em literatura prévia, não medido diretamente aqui)

⚙️

PASSO 3

Redução da dor percebida e menor limitação funcional, permitindo maior participação nos exercícios terapêuticos e atividades diárias

⚙️

PASSO 4

Manutenção dos benefícios por exercícios continuados em casa, sugerindo efeito sinérgico entre a modalidade física e o movimento ativo

O que ainda é incerto

  • ?Não se sabe se os resultados se aplicam a pacientes com dor lombar aguda ou subaguda, já que apenas casos crônicos foram incluídos
  • ?A contribuição isolada do laser versus a dos exercícios não foi determinada, pois não houve grupo de exercícios sozinhos
  • ?A adesão aos exercícios domiciliares foi autopreenchida, o que pode ter inflacionado ou mascarado parte do efeito observado
  • ?A influência de fatores como peso corporal, ocupação e nível de atividade física habitual não foi analisada
🎯

O que o estudo quis responder

Comparar laser de alta intensidade versus ultrassom no tratamento da dor lombar crônica

👥

QUEM PARTICIPOU

54 adultos (25-65 anos) com dor lombar há mais de 3 meses

🧪

COMO FOI FEITO

10 sessões de laser + exercícios versus ultrassom + exercícios por 2 semanas

📈

O QUE MUDOU

Laser reduziu mais a dor (de 7. 2 para 1. 9) e melhorou função

🛟

SEGURANÇA

Nenhum efeito adverso relatado durante todo o tratamento

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

SUPERIORIDADE SOBRE ULTRASSOM

Pela primeira vez nesta comparação direta com seguimento prolongado, o laser de alta intensidade mostrou vantagem clara e mantida sobre uma modalidade física tradicional amplamente usada

🧭

EFEITO DURADOURO

A diferença entre os tratamentos não desapareceu com o tempo — ao contrário, a flexibilidade lombar só mostrou vantagem significativa para o laser após 3 meses

📌

SEGURANÇA DOCUMENTADA

Em meio a preocupações comuns sobre novas tecnologias, o estudo registrou zero eventos adversos, reforçando a tolerabilidade do método quando bem aplicado

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Laser de Alta Intensidade Reduz Dor e Melhora Função em Pacientes com Lombalgia Crônica

A dor lombar crônica é uma condição que afeta milhões de pessoas no mundo todo, caracterizada por desconforto persistente na região inferior das costas que dura mais de 12 semanas. Além da dor em si, quem convive com esse problema frequentemente enfrenta fraqueza muscular, dificuldade para realizar atividades cotidianas e um peso emocional significativo que pode alterar a qualidade de vida. Tratá-la exige abordagem multidisciplinar, e entre as opções disponíveis estão diversos recursos físicos, como exercícios terapêuticos, terapia por ultrassom e, mais recentemente, a terapia com laser de alta intensidade.

Este estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de São Cirilo e Metódio, em Skopje, na Macedônia do Norte, teve como objetivo comparar diretamente duas dessas modalidades: o laser de alta intensidade e o ultrassom terapêutico, ambos combinados com um programa padronizado de exercícios. A investigação foi projetada como um ensaio clínico prospectivo e controlado, com 54 participantes adultos, com idades entre 25 e 65 anos, todos com dor lombar persistente há mais de três meses e alterações visíveis em exames de raio-X da coluna.

Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de 27 pessoas cada. O primeiro grupo recebeu terapia com laser de alta intensidade, aplicada com potência de 4 watts durante 15 minutos na região lombar, combinada com exercícios diários supervisionados. O segundo grupo recebeu ultrassom terapêutico contínuo com intensidade de 0,5 watt por centímetro quadrado durante 5 minutos, também acompanhado do mesmo programa de exercícios. Ambos os grupos realizaram 10 sessões consecutivas ao longo de duas semanas, com intervalos nos finais de semana.

Após esse período, os pacientes foram orientados a continuar os exercícios em casa e foram reavaliados três meses depois.

Para medir os resultados, os pesquisadores utilizaram três instrumentos validados internacionalmente: a Escala Numérica de Dor, que vai de zero (sem dor) a 10 (pior dor possível); o Índice de Incapacidade de Oswestry, que avalia o impacto da dor nas atividades diárias; e o Teste de Schober, que mede a flexibilidade da coluna lombar. As avaliações ocorreram no início do estudo, após duas semanas de tratamento e após três meses de acompanhamento.

Os resultados revelaram diferenças expressivas entre os grupos. No início, ambos apresentavam níveis semelhantes de dor e incapacidade. Após duas semanas, porém, o grupo do laser de alta intensidade mostrou redução média da dor de 7,2 para 2,1 pontos, enquanto o grupo do ultrassom passou de 7,0 para 4,3 pontos. Três meses depois, essa vantagem se manteve: os pacientes do laser relataram média de 1,9 de dor, contra 4,9 do grupo do ultrassom.

A diferença entre os grupos foi estatisticamente significativa, com valor de p menor que 0,0001, o que indica alta confiabilidade de que o resultado não ocorreu ao acaso.

Quanto à incapacidade funcional, medida pelo Índice de Oswestry, o grupo do laser também se destacou. A pontuação caiu de 44,3 para 15,9 após três meses, enquanto no grupo do ultrassom a redução foi de 45,2 para 26,6. Isso significa que os pacientes tratados com laser conseguiram retomar atividades que antes eram limitadas pela dor, como sentar por mais tempo, levantar objetos e realizar tarefas domésticas. A flexibilidade lombar, avaliada pelo Teste de Schober, também mostrou diferença significativa a favor do laser apenas no acompanhamento de três meses, sugerindo que alguns benefícios da terapia se consolidam com o tempo.

Importante destacar que nenhum efeito adverso foi relatado em nenhum dos grupos durante todo o período de observação. O laser de alta intensidade foi descrito como indolor e sem riscos à saúde dos participantes, desde que aplicado com as proteções adequadas.

Apesar desses achados promissores, o estudo apresenta limitações que merecem atenção. O número de participantes, 54 pessoas, é considerado pequeno para garantir que os resultados sejam generalizáveis para toda a população com dor lombar crônica. Além disso, os pesquisadores não controlaram fatores como o índice de massa corporal e a ocupação profissional dos pacientes, que podem influenciar a resposta ao tratamento. A adesão aos exercícios domiciliares foi monitorada apenas por relato dos próprios participantes ou de familiares, o que introduz alguma incerteza sobre o quanto a prática regular em casa contribuiu para os resultados finais.

Outro ponto a considerar é que o estudo comparou duas modalidades ativas — laser e ultrassom — mas não incluiu um grupo que recebesse apenas exercícios, sem nenhum recurso físico adicional. Portanto, não é possível saber se parte dos benefícios observados poderia ser atribuída exclusivamente aos movimentos terapêuticos. Estudos futuros, com amostras maiores e grupos mais diversos, são necessários para confirmar e expandir essas descobertas.

Para quem vive com dor lombar crônica, este estudo oferece uma mensagem encorajadora: o laser de alta intensidade, quando associado a exercícios regulares, pode representar uma opção terapêutica mais eficaz que o ultrassom tradicional, com resultados que se mantêm por pelo menos três meses. No entanto, a escolha do tratamento deve sempre ser individualizada, considerando o perfil de cada paciente, a disponibilidade da tecnologia e a avaliação de um médico especialista.

O que fortalece a leitura

  • 1Seguimento de 3 meses mostra efeitos duradouros
  • 2Comparação direta com terapia padrão estabelecida
  • 3Uso de escalas validadas para mensurar resultados
  • 4Protocolo bem definido e reproduzível
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Amostra pequena com apenas 54 pacientes
  • 2Não considerou IMC e ocupação dos pacientes
  • 3Controle limitado da aderência aos exercícios em casa
  • 4Necessidade de estudos maiores para confirmar achados

Leitura clínica do estudo

MODERADA
75/ 100
Desenho
4/5
Amostra
3/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

54pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Laser alta intensidade

27 pessoas

Laser 4W por 15 min + exercícios

Ultrassom

27 pessoas

Ultrassom 0.5 W/cm² por 5 min + exercícios

⏱️ Tempo de acompanhamento: 2 semanas de tratamento com seguimento de 3 meses

📊 Resultados em números

7.2 para 1.9

Redução da dor (escala 0-10) com laser

7.0 para 4.9

Redução da dor com ultrassom

44.3 para 15.9

Melhora na incapacidade (ODI) com laser

45.2 para 26.6

Melhora na incapacidade com ultrassom

p < 0.0001

Diferença estatística entre grupos

📊 Comparação de Resultados

Escala de Dor (0-10) após 3 meses

Laser
1.89
Ultrassom
4.89

Índice de Incapacidade Oswestry após 3 meses

Laser
15.89
Ultrassom
26.63

📅 Linha do tempo da evidência

2002Estudos iniciais com laser de baixa intensidade mostram benefícios
2011Fiore et al. demonstram eficácia do laser de alta intensidade
2014Alayat et al. confirmam benefícios com seguimento de 4 semanas
2019Este estudo mostra superioridade sobre ultrassom com seguimento de 3 meses

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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