áreas de dor identificadas
40
diferentes regiões corporais marcadas pelos 50 pacientes
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Frontiers in Neurology
Ano
2019
Autores
Kuć et al.
Desenho
Estudo observacional transversal
Este estudo mostra que pessoas com DTM miofascial não sentem dor apenas na mandíbula - a dor se espalha para muitas outras partes do corpo. Os pesquisadores descobriram que quase 9 em cada 10 pacientes tinham dor em pelo menos 4 regiões diferentes, incluindo pescoço, ombros e até mesmo pernas. Isso confirma que a DTM pode afetar o corpo todo, não apenas a face, e que o tratamento deve considerar todas essas áreas.
Título original do estudo: Evaluation of Orofacial and General Pain Location in Patients With Temporomandibular Joint Disorder—Myofascial Pain With Referral
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A DTM miofascial com dor referida apresenta-se como condição de dor disseminada em 88% dos pacientes, com envolvimento médio de 4+ regiões corporais, exigindo avaliação que ultrapasse a mandíbula.
Este estudo mostra que pessoas com DTM miofascial não sentem dor apenas na mandíbula - a dor se espalha para muitas outras partes do corpo. Os pesquisadores descobriram que quase 9 em cada 10 pacientes tinham dor em pelo menos 4 regiões diferentes, incluindo pescoço, ombros e até mesmo pernas. Isso confirma que a DTM pode afetar o corpo todo, não apenas a face, e que o tratamento deve considerar todas essas áreas.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Um estudo polonês mostrou que quase 9 em cada 10 pacientes com DTM miofascial sentem dor em pelo menos 4 regiões diferentes — e isso é um padrão reconhecido
Ponto 1
Marque no mapa corporal todas as áreas onde sente dor para mostrar ao seu dentista ou médico
Ponto 2
Pergunte se sua coluna cervical e postura precisam ser avaliadas junto com a mandíbula
Ponto 3
Dor em múltiplos locais não significa exagero — pode indicar sensibilização do sistema nervoso
O que este estudo acrescenta
Demonstração quantitativa de que a DTM miofascial com dor referida se apresenta como condição de dor generalizada em 88% dos pacientes, usando bodychart como ferramenta diagnóstica
Aplicabilidade clínica
Embora a amostra seja pequena e específica, a alta proporção de dor disseminada (88% com 4+ regiões) tem implicações práticas importantes para o diagnóstico e abordagem clínica da DTM miofascial
Força do desenho do estudo
Descreve características de um grupo sem comparador ou intervenção, útil para gerar hipóteses mas com menor capacidade de estabelecer causalidade
áreas de dor identificadas
40
diferentes regiões corporais marcadas pelos 50 pacientes
pacientes com dor em 4+ regiões
88%
44 de 50 participantes
dor no masseter direito
70%
área mais frequentemente afetada
queixas cervicais
56%
segunda região mais comum após as estruturas mandibulares
pacientes com incapacitação severa
10%
Grau IV na escala GCPS v. 2. 0
Ficha rápida do estudo
Condição
Disfunção temporomandibular — miofascial com dor referida
Tipo de estudo
Estudo observacional transversal
Participantes
n=50, jovens universitários (37 mulheres, 13 homens), média de 23 anos
Duração
Avaliação única, sem acompanhamento temporal
Sessões
Avaliação clínica única com múltiplos instrumentos
Comparador
Nenhum — estudo descritivo sem grupo controle
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Avaliação única
Não aplicável — estudo observacional
Não especificado
Exame clínico DC/TMD (eixos I e II), TMD Pain Screener, GCPS v. 2. 0 e bodychart de dor
Nenhum
O bodychart permitiu que pacientes marcassem visualmente todas as áreas de dor, incluindo irradiação com setas
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Visualização da dor
mapeada
Bodychart revelou padrão de disseminação da dor em 40 áreas corporais distintas
Compreensão do perfil
esclarecido
88% dos pacientes tinham dor em 4+ regiões, confirmando caráter sistêmico da condição
Identificação de padrões
documentada
Masseteres e ATM esquerda foram as áreas mais frequentes, seguidas por cervical (56%)
O que não mudou
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Se você tem DTM miofascial com dor referida, é comum sentir desconforto não apenas na mandíbula, mas também no pescoço, ombros e outras áreas. Isso reflete um padrão reconhecido, não fragilidade sua.
Tempo provável
Este estudo não avaliou evolução temporal — a duração e flutuação da dor variam individualmente
A experiência de cada pessoa é única; ter múltiplas áreas de dor não significa automaticamente que sua condição é mais grave, mas sugere que a avaliação deve se
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
DTM é só uma dor na mandíbula que passa com tratamento local
Achado
88% dos pacientes tinham dor em 4+ regiões corporais, incluindo cervical, ombros e coluna
Mito
Quem sente dor em muitos lugares está exagerando ou é hipocondríaco
Achado
A disseminação da dor é um padrão biológico reconhecido em DTM miofascial, possivelmente relacionado a sensibilização central
Mito
Homens e mulheres têm padrões de dor completamente diferentes na DTM
Achado
Apenas duas áreas (masseter e ATM direitos) mostraram diferença de gênero; a maioria das comparações não foi conclusiva
Como isso pode funcionar
DISFUNÇÃO MANDIBULAR
Atividade parafuncional (apertamento, bruxismo) gera sobrecarga nos músculos mastigatórios — mecanismo proposto, não diretamente observado neste estudo
SENSIBILIZAÇÃO NOCICEPTIVA
Estimulação repetida mantém sinais de dor que se espalham além do local original, possivelmente via sensibilização central
CONVERGÊNCIA TRIGEMINO-CERVICAL
Vias nervosas da mandíbula e do pescoço convergem no tronco encefálico, explicando a sobreposição de sintomas — explicação neuroanatômica plausível
O que ainda é incerto
Mapear onde os pacientes com DTM miofascial sentem dor no corpo todo
50 jovens universitários (37 mulheres, 13 homens) com DTM miofascial
Pacientes marcaram em um mapa corporal todas as áreas onde sentiam dor
Pacientes identificaram até 40 áreas diferentes de dor pelo corpo
88% relataram dor em pelo menos 4 regiões diferentes do corpo
Achados Interessantes
A DTM MIOFASCIAL É SISTÊMICA
Contrariando a visão de condição localizada, 88% dos pacientes apresentaram dor em 4 ou mais regiões corporais, com um total de 40 áreas distintas identificadas
O BODYCHART COMO FERRAMENTA CLÍNICA
O estudo valida o uso do mapa corporal de dor como instrumento prático para revelar a extensão real dos sintomas em pacientes que podem subestimar ou não verbalizar sua dor disseminada
A CERVICAL COMO PARCEIRA DA MANDÍBULA
56% dos pacientes relataram queixas cervicais, reforçando a necessidade de avaliação conjunta da articulação temporomandibular e da coluna cervical, não como sistemas isolados
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor orofacial crônica é muito mais do que um desconforto localizado na mandíbula. Para quem convive com disfunção temporomandibular do tipo miofascial com dor referida, a experiência de dor pode se espalhar por dezenas de pontos diferentes no corpo, transformando uma condição aparentemente localizada em um quadro de saúde complexo e multidimensional. O estudo conduzido por Kuć e colaboradores, publicado em 2019 na Frontiers in Neurology, traz uma contribuição visual e clínica importante para entendermos essa realidade.
O que distingue este estudo é a forma como ele capturou a experiência subjetiva da dor. Em vez de apenas perguntar onde dói, os pesquisadores entregaram aos pacientes um mapa corporal — um bodychart — e pediram que marcassem cada ponto de dor que sentiam. Essa abordagem, embora simples, revela algo que questionários tradicionais muitas vezes deixam escapar: a verdadeira extensão territorial da dor no corpo do paciente.
Participaram do estudo 50 jovens universitários da Polônia, com idade média de aproximadamente 23 anos, sendo 37 mulheres e 13 homens. Todos foram cuidadosamente selecionados e diagnosticados segundo critérios internacionais padronizados (DC/TMD), especificamente com o subtipo miofascial com dor referida. O critério de inclusão exigia que os participantes apresentassem dor na região craniofacial com intensidade mínima de 8 pontos em uma escala visual analógica de 0 a 10 — ou seja, uma dor intensa. Importante notar que se trata de um grupo bastante específico: jovens, em geral saudáveis, com dentição natural completa, sem histórico de tratamento ortodôntico recente, sem traumas craniofaciais prévios e sem doenças metabólicas que pudessem confundir os resultados.
A metodologia foi meticulosa. Além do exame clínico estruturado do eixo I do DC/TMD, os pesquisadores aplicaram o TMD Pain Screener e a Escala de Dor Crônica Graduada (GCPS v. 2. 0), que avalia não apenas a intensidade da dor, mas seu impacto funcional na vida diária.
O instrumento central, porém, foi o desenho da dor no bodychart: os pacientes marcavam com pontos as áreas de dor localizada e com setas as áreas onde a dor se movia ou irradiava.
Os resultados foram expressivos mesmo para quem já conhece a literatura sobre DTM. Os 50 pacientes identificaram, no total, 40 áreas corporais distintas afetadas por dor. Apenas seis pessoas relataram dor em apenas dois ou três locais isolados. Um único paciente chegou a marcar 17 áreas diferentes.
Outro dado relevante: 44 dos 50 participantes — 88% — relataram dor em pelo menos quatro regiões corporais distintas. Isso significa que, na grande maioria dos casos, a DTM miofascial com dor referida se apresenta como uma condição sistêmica, não localizada.
As regiões mais frequentemente mencionadas foram previsíveis, mas seus percentuais chamam atenção: 70% dos pacientes com dor no músculo masseter direito, 68% no masseter esquerdo e 68% na articulação temporomandibular esquerda. A região cervical apareceu em 56% dos casos, confirmando a forte interconexão entre a mandíbula e a coluna cervical. Outras áreas como ombros, coluna torácica, lombar, quadril, joelhos e até região pélvica também foram registradas, embora com frequências menores.
Quando os pesquisadores analisaram diferenças entre homens e mulheres, encontraram apenas duas áreas com diferença estatisticamente significativa: o masseter direito e a ATM direita tiveram maior prevalência entre os homens. No entanto, o próprio artigo alerta com prudência: a amostra pequena e o desequilíbrio entre sexos (37 mulheres versus 13 homens) limitam qualquer conclusão definitiva sobre padrões de gênero. A maioria das comparações não alcançou poder estatístico suficiente para detectar diferenças, mesmo que existissem.
A escala GCPS v. 2. 0 revelou que 60% dos participantes apresentavam dor de baixa intensidade sem incapacitação funcional significativa (Grau I), enquanto 12% tinham dor intensa com baixa incapacitação (Grau II), 12% com incapacitação moderada (Grau III) e 10% com incapacitação severa e limitação funcional importante (Grau IV). Três pacientes não apresentavam dor crônica nos últimos seis meses.
Esses números diferem de estudos anteriores com populações mais heterogêneas, o que sugere que o subtipo específico de miofascial com dor referida pode ter um perfil de impacto próprio.
Do ponto de vista clínico, o estudo reforça uma mensagem crucial para pacientes: a DTM não é "só uma dor na mandíbula". A presença de múltiplas áreas de dor — especialmente quando envolvem pescoço, ombros e coluna — pode indicar processos de sensibilização central, onde o sistema nervoso passa a processar sinais de forma amplificada. Isso não significa que a dor seja "psicológica" ou imaginária; significa que o corpo desenvolveu um padrão de resposta amplificado que exige abordagem multidisciplinar.
Os autores discutem ainda a importância da reedição postural, citando estudos que correlacionam desvios posturais cervicais com disfunção temporomandibular. A convergência neural entre as vias trigeminais e cervicais no tronco encefálico oferece uma explicação neuroanatômica plausível para essa conexão mandíbula-colo, embora o mecanismo exato ainda seja objeto de investigação.
As limitações do estudo são transparentemente apresentadas e merecem atenção do leitor. A amostra de 50 participantes é pequena para generalizações amplas. O grupo homogêneo de universitários jovens não representa a diversidade de idades, condições socioeconômicas e comorbidades da população geral com DTM. O desenho transversal — uma fotografia única no tempo — impede conclusões sobre evolução natural da doença ou resposta ao tratamento.
Além disso, o bodychart depende da autopercepção do paciente, que pode ser imprecisa ou incompleta.
Para o paciente que busca entender sua condição, este estudo oferece validação importante: sua dor em múltiplas regiões é um padrão reconhecido na DTM miofascial, não uma anomalia ou exagero. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de avaliação abrangente que vá além da articulação temporomandibular, considerando a coluna cervical, hábitos posturais e possíveis componentes de sensibilização central. O bodychart, como ferramenta de comunicação entre paciente e clínico, mostra-se valioso para visualizar e discutir essa complexidade de forma compartilhada.
Pacientes com DTM miofascial
50 pessoas
Mapeamento corporal da dor usando bodychart
Dor no músculo masseter direito
Dor no músculo masseter esquerdo
Dor na ATM esquerda
Problemas cervicais
Múltiplas regiões afetadas
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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