Estudo científico comentado

Acupuntura reduz dor da neuropatia causada por quimioterapia

Referência acadêmica

Periódico

Frontiers in Neurology

Ano

2022

Autores

Xu et al.

Desenho

revisão sistemática e meta-análise

Este estudo analisou 5 pesquisas com 225 pacientes de câncer que sofriam de dormência e dor nas mãos e pés após quimioterapia. A acupuntura mostrou-se eficaz para reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida, mas não foi superior ao placebo para melhorar a função dos nervos. O tratamento foi seguro, causando apenas efeitos colaterais leves como dor no local da agulha.

Título original do estudo: The effectiveness and safety of acupuncture for chemotherapy-induced peripheral neuropathy: A systematic review and meta-analysis

📊revisão sistemática e meta-análise👥n=225 participantes🟡evidência moderada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

A acupuntura pode aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida em pacientes com neuropatia por quimioterapia, mas não demonstrou superioridade ao placebo para recuperação da função nervosa; é segura, com efeitos colaterais leves.

O que isso significa para você?

Este estudo analisou 5 pesquisas com 225 pacientes de câncer que sofriam de dormência e dor nas mãos e pés após quimioterapia. A acupuntura mostrou-se eficaz para reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida, mas não foi superior ao placebo para melhorar a função dos nervos. O tratamento foi seguro, causando apenas efeitos colaterais leves como dor no local da agulha.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A acupuntura é uma opção razoável para tentar diminuir a dor da neuropatia por quimioterapia, especialmente se você busca alternativas não medicamentosas
  • 2Os benefícios são mais claros para dor e bem-estar geral do que para recuperação da sensibilidade ou força nas mãos e pés
  • 3O tratamento exige comprometimento: sessões regulares por algumas semanas, não apenas uma ou duas consultas
  • 4Converse sempre com seu oncologista antes de iniciar, para garantir coordenação com seu tratamento e avaliar se há contraindicações individuais
  • 5Se após 4 a 6 semanas não notar melhora na dor, pode ser razoável reconsiderar a continuidade — a evidência não garante benefício para todos
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Minha neuropatia é mais dolorosa ou mais focada em dormência e fraqueza? Isso influencia se a acupuntura é uma boa aposta para mim
  • 2Há alguma razão pela qual eu não deveria fazer acupuntura agora, considerando meu tratamento oncológico atual ou minha contagem de plaquetas?
  • 3Se eu fizer acupuntura, como vamos medir se está funcionando — qual escala ou objetivo devemos acompanhar juntos?
  • 4O profissional de acupuntura que você indica tem experiência com pacientes oncológicos e se comunica com a equipe médica?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum evento adverso grave foi documentado nesta meta-análise, mas a segurança depende de profissional qualificado e de avaliação individual prévia
  • 2Reações locais leves como dor no sítio da agulha, hematomas pequenos e desconforto transitório são esperadas e geralmente autolimitadas
  • 3Pacientes com distúrbios de coagulação, trombocitopenia grave ou infecções de pele ativas precisam de avaliação médica antes da acupuntura
  • 4A impossibilidade de cegar completamente o estudo (os acupunturistas sabem o que aplicam) é limitação metodológica que pode influenciar resultados subjetivos, embora não represente

Leitura rápida para pacientes

Acupuntura pode aliviar dor da neuropatia por quimioterapia

É segura, mas não cura a lesão nervosa — funciona melhor como complemento para qualidade de vida

Ponto 1

Dor e incômodo nas mãos e pés podem diminuir com sessões regulares de 1 a 3 vezes por semana

Ponto 2

Segurança é boa: apenas reações locais leves, sem eventos graves em mais de 200 pacientes

Ponto 3

Não espere recuperação completa da sensibilidade ou força — o benefício é no conforto e no dia a dia

O que este estudo acrescenta

ATUALIZAÇÃO COM ENSAIOS DE ALTA QUALIDAD

Esta meta-análise incorpora três ensaios clínicos randomizados de alta qualidade publicados recentemente, superando revisões anteriores limitadas por estudos de baixa qualidade metodológica

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A melhora na dor e qualidade de vida é estatisticamente significativa e clinicamente perceptível, porém limitada pela ausência de efeito na função nervosa objetiva e pelo tamanho modesto das amostras individuais. O efeit

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é o mais alto nível de evidência científica, pois sintetiza e analisa estatisticamente múltiplos ensaios clínicos randomizados, oferecendo estimativas mais precisas que estudo

Total de pacientes analisados

225

Cinco ensaios clínicos randomizados combinados

Redução da dor e interferência

-1,14

Pontos na escala BPI-SF, favorável à acupuntura verdadeira versus placebo

Ganho na qualidade de vida

+10,10

Pontos no EORTC QLQ-C30 em estudo com 40 participantes

Eventos adversos graves

0

Em 174 participantes com dados de segurança disponíveis

Nível de evidência (dor)

Moderado

Pelo sistema GRADE, indicando confiança razoável, porém com possibilidade de revisão futura

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Neuropatia periférica induzida por quimioterapia (CIPN)

Tipo de estudo

Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados

Participantes

225 pacientes oncológicos com CIPN confirmada

Duração

2 a 12 semanas de tratamento ativo

Sessões

9 a 18 sessões no total, conforme protocolo de cada estudo

Comparador

Acupuntura placebo (agulhas em pontos não-acupuntura, inserção superficial ou sem penetração) ou ausência de tratamento

Grupos do estudo

Acupuntura verdadeira (manual ou eletroacupuntura)Acupuntura placebo ou sem tratamento

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

9 a 18 sessões totais

Frequência02

1 a 3 vezes por semana, variável conforme estudo

Duração da sessão03

Não especificado de forma uniforme nos estudos incluídos

Pontos / técnica04

Acupuntura manual ou eletroacupuntura com agulhas de filigrana, buscando sensação de 'De-Qi' (dor, peso, distensão local); pontos próximos às áreas afetadas predominaram

Comparador05

Acupuntura placebo com agulhas em locais não-acupuntura, inserção superficial sem 'De-Qi', ou toque sem penetração; um e

Nota de protocolo06

A eletroacupuntura foi utilizada em três dos cinco estudos, com estimulação elétrica nos pontos selecionados

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Pacientes com diagnóstico de CIPN grau 1 ou superior pelo critério NCI-CTCAE 4. 0Pessoas em tratamento ou pós-tratamento com agentes quimioterápicos neurotóxicos (paclitaxel, oxaliplatina, platina, alcaloides da vinca)Adultos de ambos os sexos, com média de idade entre 49 e 60 anosParticipantes de estudos realizados nos Estados Unidos e ChinaPacientes que desenvolveram sintomas de dormência, formigimento, dor ou ataxia após quimioterapia

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes com neuropatia de origem não relacionada à quimioterapia (diabética, alcoólica, hereditária)Indivíduos com CIPN de grau muito leve ou abaixo do critério de inclusãoCrianças e adolescentes (todos os estudos incluíram apenas adultos)Pacientes em tratamento quimioterápico ativo sem estabilização da condição neurológicaPessoas com contraindicações à acupuntura como distúrbios de coagulação ou infecções ativas no sítio de punção

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Dor e interferência nas atividades

melhorou

Redução de 1,14 pontos na escala BPI-SF comparada ao placebo, com evidência moderada

🌟

Qualidade de vida geral

melhorou

Aumento de 10,10 pontos no questionário EORTC QLQ-C30 em estudo disponível

🛡️

Segurança e tolerabilidade

favorável

Nenhum evento adverso grave; apenas reações locais leves como dor e hematomas

O que não mudou

  • Neurotoxicidade e disfunção funcional global (escala FACT/GOG-Ntx): sem diferença significativa versus placebo
  • Sintomas gerais de CIPN avaliados por escala numérica (NRS): resultado não significativo no único estudo que a avaliou
  • Recuperação estrutural ou regeneração nervosa: não demonstrada nos desfechos avaliados

Quando a melhora apareceu

1

Ao longo das 2 a 12 semanas de tratamento

Redução da dor

Melhora gradual na intensidade da dor e interferência nas atividades, avaliada pela escala BPI-SF

2

Após ciclo completo de tratamento

Qualidade de vida

Ganho de 10 pontos no EORTC QLQ-C30 em estudo com 40 participantes

Antes e depois

Intensidade da dor (BPI-SF)

escala máx. 10 pontos

Antes9 pontos
Depois7.86 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum evento adverso grave em 225 participantes
  • Reações locais leves, autolimitadas e de fácil manejo
  • Boa tolerabilidade em população oncológica já fragilizada
Amarelo
  • Dor local no sítio da agulha em alguns participantes
  • Pequenos hematomas ou equimoses possíveis
  • Prurido e desconforto transitório relatados isoladamente
Vermelho
  • O artigo não traz um mapa completo de contraindicações ou de eventos adversos raros.

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Pacientes com CIPN predominantemente dolorosa que buscam alternativas ou complementos ao tratamento farmacológico
  • Pessoas com qualidade de vida comprometida pela dor neuropática persistente após quimioterapia
  • Indivíduos que valorizam abordagens não farmacológicas com bom perfil de segurança
  • Pacientes com acesso a profissionais de acupuntura experientes e em comunicação com a equipe oncológica
  • Pessoas que compreendem que os benefícios se concentram no alívio da dor, não na cura da lesão nervosa

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes cuja principal queixa é disfunção motora ou sensitiva sem componente doloroso significativo
  • Indivíduos com expectativa de reversão completa da lesão nervosa ou regeneração neural
  • Pessoas com distúrbios de coagulação, trombocitopenia grave ou infecções de pele ativas
  • Pessoas que não toleram procedimentos com agulhas ou têm fobia intensa a punções

Expectativa realista

Alívio da dor possível, cura da lesão nervosa não demonstrada

A acupuntura pode ajudar a diminuir a intensidade da dor nas mãos e pés e reduzir o quanto essa dor atrapalha suas atividades diárias, como caminhar, dormir e trabalhar. Também pode contribuir para uma sensação geral de bem-estar e qualidad

Tempo provável

As sessões geralmente ocorrem 1 a 3 vezes por semana, por 2 a 3 meses, com melhora gradual ao longo desse período

A acupuntura não mostrou capacidade de reverter a lesão nervosa ou melhorar testes de função neurológica; seus benefícios são principalmente no alívio dos sinto

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se minha CIPN é predominantemente dolorosa ou se há mais disfunção motora/sensitiva — isso influencia a expectativa de benefício
  2. 2Verificar se há interações ou contraindicações entre a acupuntura e meus tratamentos oncológicos atuais
  3. 3Solicitar indicação de profissional de acupuntura com experiência em pacientes oncológicos e comunicação com minha equipe médica
  4. 4Discutir metas realistas: alívio da dor e qualidade de vida, não necessariamente cura da dormência ou fraqueza
  5. 5Perguntar sobre frequência ideal de sessões e critérios para avaliar se o tratamento está funcionando após 4 a 6 semanas

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

A acupuntura cura a lesão nervosa causada pela quimioterapia

Achado

O estudo mostrou que a acupuntura não foi superior ao placebo em melhorar a neurotoxicidade funcional avaliada por escala padronizada — seu benefício está no alívio da dor, não na regeneração neural

Mito

Acupuntura é apenas efeito placebo, sem diferença entre verdadeira e falsa

Achado

Embora não tenha superado o placebo em todos os desfechos, a acupuntura verdadeira mostrou redução significativa da dor e melhora da qualidade de vida comparadas ao placebo, com evidência moderada

Mito

Acupuntura é arriscada para quem está em tratamento de câncer

Achado

Nenhum evento adverso grave foi registrado em 225 participantes; os efeitos colaterais foram leves e locais, como dor no sítio da agulha e pequenos hematomas

Mito

Quanto mais sessões, melhor o resultado

Achado

Os estudos variaram de 9 a 18 sessões, mas não há evidência direta de que protocolos mais longos sejam superiores; a frequência de 1 a 3 vezes por semana foi a mais comum

Como isso pode funcionar

🧠

MODULAÇÃO DA DOR

A acupuntura pode ativar vias descendentes de inibição da dor no sistema nervoso central, envolvendo receptores opioides e adrenérgicos — mecanismo proposto em estudos pré-clínicos, não diretamente comprovado nesta meta-

ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA

A eletroacupuntura, usada em três dos cinco estudos, aplica corrente de baixa frequência nos pontos, potencialmente modulando a excitabilidade neural — técnica específica que pode diferir da acupuntura manual em seus efe

🔄

EFEITO PLACEBO ATIVO

A acupuntura placebo (agulhas superficiais ou em locais 'errados') pode ter efeitos biológicos próprios por estresse mecânico ou atenção terapêutica, o que dificulta isolar o efeito específico da técnica verdadeira

O que ainda é incerto

  • ?O efeito da acupuntura na função nervosa objetiva permanece incerto, dada a ausência de diferença significativa versus placebo na escala FACT/GOG-Ntx
  • ?A heterogeneidade alta (I²=74%) na análise da neurotoxicidade funcional indica que os estudos não concordam completamente entre si, reduzindo a confia
  • ?Não se sabe se diferentes drogas quimioterápicas (taxanos, platina, alcaloides) respondem de forma diferente à acupuntura, pois essa análise não foi r
  • ?O tamanho amostral combinado de 225 pacientes, embora razoável para uma meta-análise, ainda é considerado modesto para detectar efeitos pequenos ou mo
🎯

O que o estudo quis responder

Avaliar se a acupuntura é eficaz para tratar a neuropatia causada por quimioterapia

👥

QUEM PARTICIPOU

225 pacientes com câncer que desenvolveram neuropatia após quimioterapia

🧪

COMO FOI FEITO

Comparação da acupuntura verdadeira com acupuntura placebo em 5 estudos

📈

O QUE MUDOU

Redução da dor e melhora da qualidade de vida

🛟

SEGURANÇA

Apenas eventos adversos leves, como dor local e hematomas

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

SEPARAÇÃO ENTRE DOR E FUNÇÃO

Pela primeira vez em uma meta-análise atualizada, ficou claro que a acupuntura ajuda na dor subjetiva e qualidade de vida, mas não demonstra vantagem sobre placebo para a função neurológica objetiva — uma distinção cruci

🧭

PROTOCOLO DE QUALIDADE ELEVADA

Ao incluir apenas ensaios com controle placebo rigoroso, esta revisão supera análises anteriores que foram criticadas por incluir estudos de baixa qualidade, oferecendo estimativas mais confiáveis

📌

O ENIGMA DO PLACEBO ATIVO

A descoberta de que a acupuntura placebo pode ter efeitos fisiológicos próprios — talvez por estresse mecânico tecidual — complica a interpretação e sugere que até intervenções 'falsas' podem não ser inertes em dor neuro

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Acupuntura reduz dor da neuropatia causada por quimioterapia

A neuropatia periférica induzida por quimioterapia (NPIQ) representa um efeito colateral significativo e preocupante do tratamento oncológico, afetando aproximadamente 50% dos pacientes que recebem quimioterápicos. Esta condição neurológica pode persistir por anos após o término do tratamento, causando sintomas debilitantes como formigamento, dor e problemas de coordenação que comprometem drasticamente a qualidade de vida dos sobreviventes do câncer. Atualmente, as opções terapêuticas para a NPIQ são bastante limitadas, com a duloxetina sendo o único medicamento recomendado pelas diretrizes da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, porém com benefícios modestos. Diante desta limitação terapêutica, a acupuntura tem emergido como uma alternativa promissora, baseando-se em mecanismos que incluem a modulação de vias neurais e neurotransmissores envolvidos no controle da dor e regulação autonômica.

Este estudo teve como objetivo avaliar sistematicamente a eficácia e segurança da acupuntura no tratamento da neuropatia periférica induzida por quimioterapia através de uma revisão sistemática e meta-análise. Os pesquisadores conduziram uma busca abrangente nas bases de dados PubMed, Cochrane Library e Embase desde o início até abril de 2022, seguindo as diretrizes PRISMA. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados que compararam acupuntura verdadeira com acupuntura placebo (sham) em pacientes com NPIQ de grau maior que 1. A metodologia envolveu tanto acupuntura manual quanto eletroacupuntura, definidas como estimulação mecânica de pontos específicos do corpo.

Os desfechos primários incluíram escalas validadas para avaliar neurotoxicidade, dor neuropática, sintomas da NPIQ e qualidade de vida. Para análise estatística, utilizaram o software RevMan 5. 3, calculando diferenças médias com intervalos de confiança de 95%, aplicando modelos de efeitos fixos ou aleatórios conforme a heterogeneidade dos dados.

Cinco ensaios clínicos randomizados foram incluídos na análise final, totalizando 225 participantes. Os resultados mostraram um panorama misto da eficácia da acupuntura. Em relação à neurotoxicidade e disfunção funcional associada, medidas pela escala FACT/GOG-Ntx, a acupuntura não demonstrou diferença estatisticamente significativa em comparação à acupuntura placebo. No entanto, para o controle da dor neuropática, avaliada pelo Inventário Breve da Dor, a acupuntura mostrou-se superior ao placebo na redução da intensidade da dor e da interferência da dor nas atividades diárias dos pacientes.

Este resultado foi considerado estatisticamente significativo e clinicamente relevante. Quanto aos sintomas específicos da NPIQ avaliados pela escala numérica, não houve diferença significativa entre os grupos. Interessantemente, em relação à qualidade de vida mensurada pelo questionário EORTC QLQ-C30, a acupuntura demonstrou melhora significativa comparada ao placebo. Em termos de segurança, todos os estudos reportaram perfil de segurança excelente, com apenas eventos adversos leves como desconforto local, pequenos hematomas ou coceira, sem nenhum evento adverso grave relacionado ao tratamento.

As implicações clínicas destes achados são importantes tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde. Para os pacientes que sofrem com dor neuropática decorrente da quimioterapia, a acupuntura emerge como uma opção terapêutica segura e potencialmente eficaz, especialmente considerando a escassez de alternativas farmacológicas efetivas. O fato de a acupuntura ter demonstrado benefícios específicos no controle da dor e na melhora da qualidade de vida representa uma esperança concreta para estes pacientes. Para os profissionais de saúde, estes resultados sugerem que a acupuntura pode ser considerada como parte de um plano terapêutico integrado para o manejo da NPIQ, particularmente para o controle da dor.

A excelente segurança demonstrada torna a acupuntura uma opção atrativa, especialmente em pacientes que já foram submetidos a tratamentos oncológicos intensivos. Os protocolos utilizados nos estudos, com sessões realizadas de uma a três vezes por semana durante 9 a 18 sessões, oferecem orientação prática para a implementação clínica.

Entretanto, é importante reconhecer as limitações significativas deste estudo. O tamanho amostral pequeno dos ensaios incluídos limita a generalização dos resultados, e a heterogeneidade encontrada em alguns desfechos sugere cautela na interpretação. Além disso, a natureza da intervenção impossibilita o cegamento dos acupunturistas, representando uma limitação metodológica inerente. Os estudos não consideraram diferenças entre tipos de quimioterápicos, doses ou tipos de tumores, fatores que poderiam influenciar os resultados.

A acupuntura placebo utilizada como controle pode ter efeitos biológicos próprios, potencialmente interferindo na avaliação da eficácia real da acupuntura verdadeira. Estudos futuros necessitam de amostras maiores, desenhos multicêntricos e padronização de protocolos para confirmar estes achados promissores e estabelecer diretrizes mais precisas para o uso da acupuntura no tratamento da neuropatia periférica induzida por quimioterapia.

O que fortalece a leitura

  • 1Qualidade metodológica alta dos estudos incluídos
  • 2Análise rigorosa com múltiplos desfechos
  • 3Avaliação adequada de segurança
  • 4Registro prospectivo do protocolo
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Amostras pequenas nos estudos individuais
  • 2Impossibilidade de cegar acupunturistas
  • 3Heterogeneidade significativa em alguns resultados
  • 4Necessidade de estudos maiores

Leitura clínica do estudo

MODERADA
70/ 100
Desenho
4/5
Amostra
2/5
Confirmação
4/5

🔬 Como o estudo foi organizado

225pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Acupuntura

115 pessoas

Acupuntura manual ou eletroacupuntura

Placebo

110 pessoas

Acupuntura placebo ou pontos falsos

⏱️ Tempo de acompanhamento: 2 a 12 semanas de tratamento

📊 Resultados em números

-1.14 pontos

Redução da dor e interferência nas atividades

+10.10 pontos

Melhora na qualidade de vida

não significativo

Redução da neurotoxicidade

0

Eventos adversos graves

📊 Comparação de Resultados

Intensidade da dor (BPI-SF)

Acupuntura
7.86
Placebo
9

📅 Linha do tempo da evidência

2013Primeiros estudos controlados sobre acupuntura para CIPN
2016Estudos pioneiros com eletroacupuntura
2020Publicação de ensaios clínicos de alta qualidade
2021Evidências sobre melhora da qualidade de vida
2022Meta-análise confirma benefícios para dor

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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75%

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