estudos incluídos na revisão
98
seleção rigorosa a partir de 3. 517 identificados
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Healthcare
Ano
2023
Autores
De la Corte-Rodríguez et al.
Desenho
revisão narrativa
As ondas de choque são uma terapia não-invasiva que utiliza ondas acústicas de alta energia para tratar dor musculoesquelética crônica. Esta revisão mostra que o tratamento é eficaz para diversas condições como tendinopatias, fascite plantar, dor lombar e problemas ósseos. Os benefícios incluem redução da dor e melhora da função, com efeitos que se mantêm por meses ou anos. É um tratamento seguro que pode ser usado quando outras terapias conservadoras falharam.
Título original do estudo: Extracorporeal Shock Wave Therapy for the Treatment of Musculoskeletal Pain: A Narrative Review
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A terapia por ondas de choque extracorpóreas mostra evidência sólida de eficácia para alívio da dor em múltiplas condições musculoesqueléticas crônicas, com benefícios que se mantêm a longo prazo, embora a falta de protocolos padronizados limite ainda comparaç
As ondas de choque são uma terapia não-invasiva que utiliza ondas acústicas de alta energia para tratar dor musculoesquelética crônica. Esta revisão mostra que o tratamento é eficaz para diversas condições como tendinopatias, fascite plantar, dor lombar e problemas ósseos. Os benefícios incluem redução da dor e melhora da função, com efeitos que se mantêm por meses ou anos. É um tratamento seguro que pode ser usado quando outras terapias conservadoras falharam.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Tratamento não invasivo com evidência científica sólida para múltiplas condições, da fascite plantar à dor lombar
Ponto 1
A melhora vem gradualmente: espere 3-12 semanas para notar diferença, com benefícios que podem durar anos
Ponto 2
É seguro para a maioria, mas não serve para gestantes, quem usa anticoagulantes descontrolados ou tem câncer na área
Ponto 3
Funciona melhor combinado com exercícios e quando aplicado por protocolo adequado à sua condição específica
O que este estudo acrescenta
Esta revisão expande as indicações tradicionais de ondas de choque para condições menos conhecidas como dor lombar, neuropatias por compressão, osteoartrite e doenças vasculares ósseas, consolidando evidências recentes d
Aplicabilidade clínica
A ESWT demonstra efeitos clinicamente significativos para múltiplas condições, com vantagem de ser não invasiva e com baixo risco. No entanto, a variabilidade dos protocolos, a ausência de padronização e a comparação com
Força do desenho do estudo
Este estudo sintetiza múltiplas revisões sistemáticas, meta-análises e ensaios clínicos randomizados, representando um nível elevado de evidência, embora com menor rigor metodológi
estudos incluídos na revisão
98
seleção rigorosa a partir de 3. 517 identificados
condições com evidência nível 1+
5
tendinopatia calcífica do ombro, epicondilite, síndrome trocantérica, fascite plantar, consolidação
condições com evidência nível 1-
9
incluindo tendinopatias, dor lombar, osteoartrite, osteonecrose e síndrome do túnel do carpo
taxa de recuperação em tendinopatias crônicas
~80%
estimativa de recuperação completa com ESWT
persistência do benefício
até 2 anos
superior a placebo no seguimento de longo prazo
Ficha rápida do estudo
Condição
dor musculoesquelética crônica de múltiplas causas
Tipo de estudo
revisão narrativa da literatura
Participantes
98 estudos analisados, abrangendo milhares de pacientes em conjunto (metanálises
Duração
variável conforme estudo; benefícios relatados de 3-12 semanas até 2 anos
Sessões
3 a 6 sessões na maioria das indicações, com variação significativa
Comparador
placebo, exercícios, ultrassom, laser, TENS, infiltrações ou cuidado usual
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
3 a 6 sessões para a maioria das condições; até 10 para dor lombar/miofascial; 1
geralmente 1 sessão a cada 1-2 semanas; 1-2 por semana para dor lombar e síndrom
não especificada em minutos; aplicação de 800 a 3. 000 pulsos por sessão
aplicação sobre ponto de máxima dor (palpação ou ultrassom); posicionamento específico para ombro (hiperextensão e rotação interna)
variável: placebo, exercícios, ultrassom, laser, TENS, infiltrações de corticoide ou ácido hialurônico
sem anestesia local recomendada; avaliação de eficácia recomendada após pelo menos 4 meses
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
dor
melhorou
redução significativa em escores de dor em múltiplas condições, com efeito superior a placebo em metanálises
função e mobilidade
melhorou
ganhos funcionais documentados em ombro, joelho, cotovelo e quadril; retorno mais precoce ao trabalho/esporte
desempenho esportivo
melhorou
aumento da distância de salto vertical em tendinopatia patelar; retorno ao futebol 30 dias mais cedo em osteíte púbica
reparação tecidual
melhorou
redução de calcificações no ombro, neovascularização tendínea, sinais de consolidação óssea em radiografias
força de preensão
melhorou
recuperação mais precoce da força de preensão em epicondilite lateral comparada a placebo
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
3 a 12 semanas
início da resposta
melhora clínica inicial relatada na maioria das condições, com efeito biológico gradual
4 meses
avaliação recomendada
momento mínimo sugerido para avaliar eficácia, dada a natureza tardia da resposta tecidual
até 2 anos
manutenção do benefício
estudos mostram persistência de melhora em comparação com placebo no longo prazo
Antes e depois
dor em coccigodinia (escala VAS)
escala máx. 10 pontos
eficácia em epicondilite a 52 semanas
escala máx. 100 % de melhora
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
A maioria dos pacientes nota algum alívio da dor entre 3 e 12 semanas após o início do tratamento. Os benefícios tendem a se acumular ao longo do tempo e podem perdurar por meses ou anos, diferentemente de alguns tratamentos que oferecem al
Tempo provável
3 a 12 semanas para início de melhora; avaliação definitiva recomendada após 4 meses
O tratamento pode ser desconfortável durante a aplicação, e a resposta individual varia. Nem todos os pacientes respondem igualmente bem.
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Ondas de choque são um tratamento novo e experimental
Achado
A tecnologia existe desde 1980 e é usada para condições ortopédicas desde 2000, com aprovação da FDA para fascite plantar e evidência consolidada para múltiplas indicações
Mito
O efeito é imediato, como uma injeção de corticoide
Achado
A melhora é gradual (semanas a meses) e biológica, não sintomática; estudos mostram que, a longo prazo, supera o efeito de corticoides
Mito
Quanto mais intensa a onda, melhor o resultado
Achado
A intensidade deve ser ajustada à condição; para efeito regenerativo recomenda-se densidade de fluxo <0,2 mJ/mm², e doses excessivas podem causar danos e ineficácia
Mito
É apenas um tratamento de fisioterapia
Achado
A ESWT é uma modalidade terapêutica médica com mecanismos biológicos específicos, aplicada em contextos médicos e com indicações que incluem doenças ósseas e neuropatias
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO MECÂNICO
Ondas acústicas de alta energia penetram no tecido, criando microcavitação e liberando energia cinética nas interfaces teciduais — mecanismo físico bem descrito
ATIVAÇÃO CELULAR (PROPOSTA)
A mecanotransdução converte o estímulo mecânico em sinais bioquímicos: proliferação de tenócitos, aumento de colágeno tipo I, neovascularização — mecanismo biológico parcialmente compreendido
MODULAÇÃO DA DOR (PROPOSTA)
Redução da substância P e peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, com possível ativação do sistema serotoninérgico — evidência em modelos animais e alguns estudos humanos
REPARO TECIDUAL E ÓSSEO (PROPOSTA)
Estimulação de osteoblastos, fatores de crescimento (VEGF-A, BMP-2) e metabolismo de células-tronco mesenquimais — mecanismo proposto, ainda em investigação
O que ainda é incerto
revisar evidências sobre ondas de choque no tratamento de dor musculoesquelética
98 estudos incluindo tendinopatias, dor lombar, osteoartrite e doenças ósseas
efeitos analgésicos, osteogênicos e de reparação tecidual por mecanotransdução
evidência sólida para várias condições, benefícios mantidos a longo prazo
tratamento seguro com raros efeitos adversos relatados
Achados Interessantes
EXPANSÃO DE INDICAÇÕES
A revisão consolida evidências recentes para uso em condições antes pouco exploradas: dor lombar crônica, síndrome do túnel do carpo, osteonecrose avascular e doenças vasculares ósseas, ampliando o arsenal terapêutico al
SUPERIORIDADE NO LONGO PRAZO
Diferentemente de corticoides e outras intervenções de efeito rápido, as ondas de choque mostram benefício crescente ao longo do tempo, superando alternativas após 6-12 meses em múltiplas condições
A ANESTESIA LOCAL PREJUDICA
Achado prático: estudos mostram que a aplicação sob anestesia local anula o efeito terapêutico, sugerindo que a sensação neural desencadeada pela onda é parte do mecanismo de ação
MECANISMO EM PARTE MISTERIOSO
Apesar de décadas de uso, os autores enfatizam que a fisiologia completa da mecanotransdução ainda não é compreendida, o que representa tanto uma limitação quanto uma fronteira ativa de pesquisa
Resumo detalhado em linguagem acessível
A terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT, na sigla em inglês) é uma tecnologia que migrou da urologia — onde era usada para fragmentar cálculos renais — para o campo da reabilitação musculoesquelética a partir do ano 2000. Trata-se de um procedimento não invasivo que aplica ondas acústicas de alta energia e curta duração (microssegundos) sobre tecidos dolorosos, com o objetivo de estimular reparação biológica e alívio da dor. A presente revisão narrativa, publicada em 2023 por De la Corte-Rodríguez e colaboradores na revista Healthcare, sintetiza o estado atual das evidências sobre essa terapia para diversas condições dolorosas crônicas.
Para construir essa síntese, os autores realizaram uma busca abrangente em cinco bases de dados científicas (PubMed, Cochrane, EMBASE, CINAHL e PEDro), identificando inicialmente 3. 517 artigos. Após eliminar duplicatas e aplicar critérios de seleção, 98 estudos foram incluídos na análise final, com prioridade para revisões sistemáticas, meta-análises e ensaios clínicos randomizados de alta qualidade. A revisão abrange doenças como tendinopatias calcíficas e não calcíficas (ombro, cotovelo, quadril, joelho e tendão de Aquiles), fascite plantar, dor lombar e cervical miofascial, coccigodinia, osteoartrite, problemas de consolidação óssea, osteonecrose do quadril, doença de Kienböck, edema de medula óssea, osteíte púbica e síndrome do túnel do carpo.
O mecanismo de ação proposto para as ondas de choque é predominantemente biológico, mediado pelo fenômeno da mecanotransdução — ou seja, a capacidade das células de converter estímulos mecânicos em respostas bioquímicas. Quando aplicadas, as ondas geram microcavitação no tecido, liberando energia cinética que pode ativar vias de reparação. Os efeitos terapêuticos documentados incluem redução da substância P (neurotransmissor da dor), perda seletiva de fibras nervosas não mielinizadas, proliferação de tenócitos, aumento da neovascularização tecidual, estimulação da síntese de colágeno e ativação de fatores de crescimento ósseo como VEGF-A e BMP-2. Contudo, os autores enfatizam que os mecanismos fisiológicos completos ainda não são totalmente compreendidos.
Em termos de resultados clínicos, a revisão classifica as indicações em níveis de evidência. Cinco condições alcançaram o nível 1+ (evidência forte): tendinopatia calcífica do ombro, epicondilite lateral, síndrome da dor trocantérica maior, fascite plantar e consolidação óssea retardada. Nove condições obtiveram nível 1- (evidência moderada): tendinopatia patelar, tendinopatia de Aquiles, síndrome miofascial do trapézio, dor lombar, osteonecrose avascular do quadril, osteoartrite, osteonecrose da cabeça femoral, osteíte púbica e síndrome do túnel do carpo. Duas condições — edema de medula óssea do quadril e coccigodinia — apresentaram evidência de nível 2- ou 3, indicando necessidade de mais pesquisas.
Um achado a destacar é a sustentabilidade dos benefícios. Estudos citados mostram que a melhora clínica tende a aparecer entre 3 e 12 semanas após o tratamento, com efeitos que podem perdurar por até dois anos em comparação com placebo. Um exemplo emblemático é o estudo de Ozturan e colaboradores sobre epicondilite: enquanto infiltrações de corticoide mostraram efeito superior às quatro semanas, após 52 semanas as ondas de choque apresentaram resultado de 89% de melhora, superando tanto o sangue autólogo (83%) quanto o corticoide (50%). A recuperação completa em tendinopatias crônicas é estimada em aproximadamente 80% dos casos.
A segurança do tratamento é descrita como boa, com efeitos adversos raros e geralmente leves. Os mais comuns incluem desconforto durante a aplicação, rubor local e, em casos de alta intensidade, possibilidade de hematomas. Contraindicações absolutas incluem gravidez, infecção aguda na área, tratamento anticoagulante descontrolado, aplicação direta sobre placa de crescimento, tecido oncológico ou metástases, e ruptura tendínea completa. Nervos e grandes vasos devem ser evitados durante a aplicação.
Apesar dos resultados promissores, a revisão identifica limitações importantes. A heterogeneidade dos protocolos de aplicação — variando em número de sessões (geralmente 3 a 6), intervalos entre sessões (1 a 2 semanas), número de pulsos (800 a 6. 000 por sessão) e densidade de fluxo de energia (0,001 a 0,5 mJ/mm²) — dificulta comparações diretas e a elaboração de diretrizes unificadas. Além disso, muitos estudos comparam as ondas de choque com tratamentos conservadores distintos (ultrassom, laser, TENS, diferentes programas de exercícios), o que complica a avaliação do papel específico da ESWT.
A falta de padronização metodológica é reconhecida pelos próprios autores como a principal barreira para evidências mais robustas.
Para pacientes, a mensagem prática é que as ondas de choque representam uma opção terapêutica não invasiva, com bom perfil de segurança e evidências crescentes de eficácia para diversas condições dolorosas crônicas que não responderam a tratamentos conservadores convencionais. Os melhores resultados parecem ocorrer em pacientes com menos de 60 anos e duração de sintomas inferior a 12 meses. O tratamento pode ser usado isoladamente ou combinado com outras intervenções, como exercícios excêntricos ou alongamentos, embora a evidência sobre sinergismo ainda seja incipiente. A avaliação da eficácia deve ser feita com pelo menos quatro meses de acompanhamento, dado o caráter gradual da resposta biológica.
Recomenda-se que a aplicação seja realizada sem anestesia local, pois estudos indicam que sua presença pode anular o efeito terapêutico.
revisão narrativa
0 pessoas
análise de 98 estudos sobre ondas de choque
condições com evidência nível 1+
condições com evidência nível 1-
taxa de recuperação em tendinopatias crônicas
melhora clínica observada em
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor crônica · Avaliação especializada
Converse com quem trata dor crônica há mais de 40 anos
A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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Medicine