Estudos incluídos
45
Ensaios clínicos randomizados de múltiplos países
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation
Ano
2024
Autores
Majidi et al.
Desenho
revisão sistemática e meta-análise
Este estudo analisou 45 pesquisas sobre terapia de ondas de choque para dor em tendões. Os resultados mostram que essa terapia pode reduzir significativamente a dor em problemas como fasciíte plantar, cotovelo de tenista e tendinite do calcâneo. A terapia focada mostrou melhores resultados que a radial, e o tratamento funciona melhor com mais sessões e intensidade adequada.
Título original do estudo: The effect of extracorporeal shock-wave therapy on pain in patients with various tendinopathies: a systematic review and meta-analysis of randomized control trials
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A terapia de ondas de choque extracorpórea demonstra redução significativa da dor em fasciíte plantar, epicondilite lateral, tendinopatia de Aquiles e manguito rotador, sendo mais efetiva na forma focada e com cinco ou mais sessões; não há evidência robusta de
Este estudo analisou 45 pesquisas sobre terapia de ondas de choque para dor em tendões. Os resultados mostram que essa terapia pode reduzir significativamente a dor em problemas como fasciíte plantar, cotovelo de tenista e tendinite do calcâneo. A terapia focada mostrou melhores resultados que a radial, e o tratamento funciona melhor com mais sessões e intensidade adequada.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Terapia minimamente invasiva com evidência robusta para fasciíte plantar, cotovelo de tenista, tendão de Aquiles e ombro
Ponto 1
Funciona melhor com 5+ sessões e técnica focada, não radial
Ponto 2
Não é milagre: efeito aparece gradualmente, em semanas
Ponto 3
Tendinopatia patelar (joelho do saltador) não mostrou benefício nesta análise
O que este estudo acrescenta
Esta meta-análise de 45 estudos é uma das mais abrangentes já publicadas, incluindo análises de subgrupos por idade, IMC, parâmetros técnicos e tipo de comparador, permitindo recomendações mais personalizadas que revisõe
Aplicabilidade clínica
As reduções de dor são estatisticamente significativas e clinicamente perceptíveis, especialmente para fasciíte plantar e manguito rotador. No entanto, a alta heterogeneidade entre estudos, o viés de publicação detectado
Força do desenho do estudo
Este é o nível mais alto de evidência científica, pois sintetiza dados de múltiplos ensaios clínicos randomizados, aumentando a confiabilidade das conclusões.
Estudos incluídos
45
Ensaios clínicos randomizados de múltiplos países
Redução máxima de dor
2,37
Pontos na EVA para manguito rotador (maior efeito observado)
Heterogeneidade
67-98%
Variação entre estudos, indicando que resultados individuais podem diferir da média
Sessões ideais
≥5
Número de sessões associado a maior eficácia na análise de subgrupos
Anos de pesquisa sintetizados
1996-2023
Período de publicação dos estudos incluídos na meta-análise
Ficha rápida do estudo
Condição
Diversas tendinopatias (fasciíte plantar, epicondilite lateral, tendinopatia de Aquiles, manguito rotador, tendinopatia
Tipo de estudo
Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados
Participantes
45 estudos com amostras variadas; pacientes adultos com tendinopatias crônicas
Duração
Seguimento variando de 4 semanas a 48 semanas após intervenção
Sessões
Variável: análise de subgrupos sugeriu ≥5 sessões como mais efetivo
Comparador
Placebo, injeções de corticoides, plasma rico em plaquetas, proloterapia, tratamento convencional, exercícios, ultrassom
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Variável; subgrupos com ≥5 sessões mostraram melhores resultados
Geralmente 1 a 3 vezes por semana, com frequência inferior a 10 Hz associada a m
Não especificada de forma padronizada nos estudos
Aplicação focada (penetração profunda) ou radial (superficial) sobre o ponto de dor máxima; técnica focada mostrou-se superior
Placebo, corticoides, PRP, proloterapia, exercício excêntrico, ultrassom, tratamento convencional
Intensidade de pulso inferior a 2000 associada a melhores resultados; idade >30 anos e IMC >25 foram preditores de melhor resposta
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Dor na fasciíte plantar
reduziu significativamente
Queda média de 1,63 pontos na EVA; mais efetivo com ≥5 sessões e frequência <10 Hz
Dor na epicondilite lateral
reduziu moderadamente
Queda de 0,63 pontos; efeito mais pronunciado em casos crônicos e com ondas focadas
Dor na tendinopatia de Aquiles
reduziu significativamente
Queda de 1,38 pontos; benefício consistente embora com alta heterogeneidade entre estudos
Dor no manguito rotador
reduziu substancialmente
Maior efeito observado: queda de 2,37 pontos, embora baseado em apenas 3 estudos
Precisão do tratamento
melhorou com técnica focada
Ondas de choque focadas superaram as radiais na maioria das comparações
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
primeiras semanas
Após 1-3 sessões
Alguns estudos relataram redução inicial da dor, embora a análise não tenha padronizado momento exato de início do efeito
4-6 semanas
Ao final do protocolo
Maioria dos estudos avaliou resultados após completar o ciclo de tratamento
12-48 semanas
Seguimento tardio
Efeitos mantidos em parte dos estudos com seguimento prolongado, sugerindo benefício sustentado
Antes e depois
Fasciíte plantar (EVA 0-10)
escala máx. 10 pontos
Epicondilite lateral (EVA 0-10)
escala máx. 10 pontos
Tendinopatia de Aquiles (EVA 0-10)
escala máx. 10 pontos
Manguito rotador (EVA 0-10)
escala máx. 10 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
A maioria dos pacientes que respondem ao tratamento nota redução progressiva da dor ao longo de 4 a 6 semanas, com potencial de manutenção do benefício por meses. Não é um tratamento de efeito imediato.
Tempo provável
Início de efeito: 2-4 semanas; avaliação de resposta: 6-12 semanas após início
A resposta individual varia muito; cerca de 20-30% dos pacientes podem não obter benefício significativo, e a tendinopatia patelar não demonstrou responder nest
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Ondas de choque funcionam igualmente bem para todos os tipos de tendinopatia
Achado
O estudo mostrou benefício significativo para fasciíte plantar, epicondilite lateral, Aquiles e manguito rotador, mas não para tendinopatia patelar
Mito
Quanto mais intensas as ondas, melhor o resultado
Achado
A análise de subgrupos indicou que frequências abaixo de 10 Hz e intensidade de pulso inferior a 2000 foram associadas a melhores resultados
Mito
Uma ou duas sessões são suficientes
Achado
Cinco ou mais sessões demonstraram efeito superior em redução da dor comparado a protocolos mais curtos
Mito
Técnica radial e focada são equivalentes
Achado
A terapia focada mostrou redução de dor substancialmente maior que a radial nas análises comparativas
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO MECÂNICO
As ondas de choque geram microtraumas controlados no tecido tendíneo — mecanismo proposto, não completamente comprovado
RESPOSTA BIOLÓGICA
Estes microtraumas podem estimular liberação de fatores de crescimento e recrutamento de células-tronco, promovendo reparo tecidual
NEOVASCULARIZAÇÃO
Aumento do fluxo sanguíneo local e formação de novos vasos são observados, facilitando a nutrição da área lesionada
MODULAÇÃO DA DOR
Possível redução de mediadores inflamatórios e de substância P, além de efeito sobre fibras nervosas não mielinizadas — mecanismo ainda em investigação
O que ainda é incerto
Avaliar se a terapia de ondas de choque extracorpórea reduz a dor em diferentes tipos de tendinopatia
45 estudos clínicos com pacientes com fasciíte plantar, epicondilite lateral, tendinopatia de Aquiles e outras
Meta-análise comparando ondas de choque com outros tratamentos, medindo dor pela escala visual analógica
Redução significativa da dor em todas as tendinopatias estudadas, com efeitos variando por tipo e parâmetros
Terapia minimamente invasiva com perfil de segurança favorável comparado a tratamentos convencionais
Achados Interessantes
PERSONALIZAÇÃO POR PERFIL
Pela primeira vez em uma síntese tão ampla, idade >30 anos e IMC >25 emergiram como preditores de melhor resposta, orientando seleção mais precisa de candidatos
PARÂMETROS TÉCNICOS CLARIFICADOS
A análise sistemática de frequência, intensidade e número de sessões oferece pela primeira vez diretrizes baseadas em evidência para protocolos de tratamento, não apenas opinião de especialistas
LIMITAÇÃO INESPERADA
A ausência de benefício comprovado para tendinopatia patelar — condição muito tratada com esta técnica — é um achado que desafia a prática clínica atual e demanda mais pesquisas
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor crônica nos tendões é uma das queixas mais comuns em consultórios médicos, afetando cerca de 30% de todos os casos de dor musculoesquelética. Atletas de alta performance são particularmente vulneráveis, com lesões tendíneas respondendo por quase metade de todas as condições relacionadas ao esporte. Mas a tendinopatia não escolhe apenas quem pratica atividade física intensa: fatores como idade, sexo, nível de atividade física, tipo de exercício, ocupação e condições médicas associadas influenciam significativamente sua prevalência. Entre as formas mais frequentes estão a fasciíte plantar, que causa dor intensa na sola do pé; a epicondilite lateral, popularmente conhecida como cotovelo de tenista; a tendinopatia de Aquiles, que limita a mobilidade do tornozelo; e as lesões do manguito rotador, responsáveis por dor e fraqueza no ombro.
Diante desse cenário, a terapia de ondas de choque extracorpórea (ESWT, na sigla em inglês) tem emergido como uma opção minimamente invasiva que promete alívio da dor sem os riscos de procedimentos cirúrgicos ou o uso prolongado de medicamentos anti-inflamatórios.
O estudo de Majidi e colaboradores, publicado em 2024 na BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation, representa uma das análises mais abrangentes já realizadas sobre o tema. Trata-se de uma revisão sistemática e meta-análise que reuniu 45 ensaios clínicos randomizados conduzidos em diferentes partes do mundo, totalizando milhares de pacientes. A pesquisa teve como objetivo central avaliar se a ESWT efetivamente reduz a dor em diferentes tipos de tendinopatia, comparando-a com diversas alternativas terapêuticas como placebo, injeções de corticoides, plasma rico em plaquetas, proloterapia, tratamento convencional e exercícios específicos. A escolha da escala visual analógica (EVA, de 0 a 10) como medida principal permitiu padronizar os resultados entre estudos de diferentes países e contextos clínicos.
Os achados são expressivos e merecem atenção cuidadosa. Para a fasciíte plantar, a redução média de dor foi de 1,63 pontos na escala de 10 — um efeito considerado clinicamente relevante, especialmente para quem convive com a sensação de pisar em pregos ao acordar. Na epicondilite lateral, a diminuição foi de 0,63 pontos, mais modesta mas ainda significativa estatisticamente. A tendinopatia de Aquiles apresentou redução de 1,38 pontos, enquanto o manguito rotador mostrou o maior benefício, com queda de 2,37 pontos na média de dor.
Curiosamente, a tendinopatia patelar não demonstrou melhora significativa com a ESWT nesta análise, um resultado que contrasta com alguns estudos individuais e que os autores atribuem à escassez de pesquisas de qualidade nesta condição específica.
Uma das contribuições mais valiosas deste trabalho está na análise detalhada de quais parâmetros de tratamento funcionam melhor. A terapia focada (FoSW) mostrou-se superior à radial (RaSW) na maioria das comparações, provavelmente por sua capacidade de penetração mais profunda e direcionamento preciso à lesão. Quanto ao número de sessões, cinco ou mais tratamentos parecem oferecer resultados mais robustos que protocolos mais curtos. A frequência ideal situa-se abaixo de 10 Hz, com intensidade de pulso menor que 2000 — configurações que maximizam o efeito terapêutico enquanto minimizam o risco de danos aos tecidos adjacentes.
A idade e o índice de massa corporal também influenciam: pacientes acima de 30 anos e com IMC superior a 25 tendem a responder melhor, possivelmente devido a alterações fisiológicas relacionadas ao envelhecimento tecidual e a níveis mais elevados de inflamação crônica.
O mecanismo pelo qual as ondas de choque aliviam a dor ainda não está completamente elucidado, mas a evidência atual aponta para uma combinação de efeitos. As microtraumatisções induzidas pelas ondas de choque parecem estimular a liberação local de fatores de crescimento, como o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), promovendo a neovascularização e melhorando o aporte sanguíneo à região lesionada. Há também indícios de ação anti-inflamatória direta, redução da substância P (um mediador químico da dor) e até mesmo destruição seletiva de fibras nervosas não mielinizadas que transmitem sinais dolorosos. É importante ressaltar que estes mecanismos são descritos com o devido ceticismo científico: trata-se de modelos propostos, não de verdades absolutamente estabelecidas.
Para o paciente que sofre com dor tendínea crônica, estes números traduzem-se em possibilidades concretas de melhora. A ESWT oferece uma alternativa quando repouso, fisioterapia convencional e medicamentos não foram suficientes, e antes de se considerar cirurgia. É um procedimento ambulatorial, geralmente bem tolerado, que não exige anestesia geral ou tempo prolongado de recuperação. A maioria dos estudos incluídos relatou seguimento de 4 a 48 semanas, sugerindo que os benefícios podem se manter por meses após o término do tratamento.
Contudo, é fundamental manter as expectativas realistas. A heterogeneidade entre os estudos foi alta, o que significa que nem todos os pacientes responderam igualmente bem. Houve evidência de viés de publicação, com tendência a publicar resultados mais favoráveis. Os protocolos variaram enormemente entre si, dificultando a padronização de uma receita única.
E, crucialmente, a segurança a longo prazo e em populações específicas — como gestantes, pessoas com distúrbios de coagulação ou portadores de marcapasso — não foi suficientemente explorada nesta análise. A decisão de iniciar a terapia de ondas de choque deve sempre ser individualizada, considerando o tipo específico de tendinopatia, as características pessoais do paciente, as opções terapêuticas já tentadas e, acima de tudo, uma conversa franca entre médico e paciente sobre benefícios esperados, limitações e incertezas que permanecem.
Ondas de choque
0 pessoas
terapia extracorpórea radial ou focada
Controles
0 pessoas
placebo, corticoides, fisioterapia ou outros
Redução da dor na fasciíte plantar
Redução da dor na epicondilite lateral
Redução da dor na tendinopatia de Aquiles
Redução da dor no manguito rotador
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor crônica · Avaliação especializada
Converse com quem trata dor crônica há mais de 40 anos
A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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