Estudo científico comentado

Terapia de ondas de choque reduz significativamente a dor em diferentes tipos de tendinopatia

Referência acadêmica

Periódico

BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation

Ano

2024

Autores

Majidi et al.

Desenho

revisão sistemática e meta-análise

Este estudo analisou 45 pesquisas sobre terapia de ondas de choque para dor em tendões. Os resultados mostram que essa terapia pode reduzir significativamente a dor em problemas como fasciíte plantar, cotovelo de tenista e tendinite do calcâneo. A terapia focada mostrou melhores resultados que a radial, e o tratamento funciona melhor com mais sessões e intensidade adequada.

Título original do estudo: The effect of extracorporeal shock-wave therapy on pain in patients with various tendinopathies: a systematic review and meta-analysis of randomized control trials

📊revisão sistemática e meta-análise👥45 estudos incluídosevidência robusta
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

A terapia de ondas de choque extracorpórea demonstra redução significativa da dor em fasciíte plantar, epicondilite lateral, tendinopatia de Aquiles e manguito rotador, sendo mais efetiva na forma focada e com cinco ou mais sessões; não há evidência robusta de

O que isso significa para você?

Este estudo analisou 45 pesquisas sobre terapia de ondas de choque para dor em tendões. Os resultados mostram que essa terapia pode reduzir significativamente a dor em problemas como fasciíte plantar, cotovelo de tenista e tendinite do calcâneo. A terapia focada mostrou melhores resultados que a radial, e o tratamento funciona melhor com mais sessões e intensidade adequada.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A terapia de ondas de choque é uma opção válida e com evidência científica para dores crônicas em tendões específicos, mas não é universalmente eficaz
  • 2O tratamento exige paciência: os benefícios aparecem gradualmente e múltiplas sessões são necessárias para resultado ideal
  • 3Converse com seu médico se você tem contraindicações como marcapasso, distúrbios de coagulação ou gestação
  • 4Combine com exercícios específicos para o tendão; a onda de choque sozinha não substitui reabilitação ativa
  • 5Se você tem tendinopatia patelar, a evidência atual não apoia o uso de ondas de choque como primeira opção
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Meu tipo específico de tendinopatia tem boa evidência de resposta às ondas de choque nesta análise?
  • 2O médico utiliza técnica focada ou radial, e por quê? Quantas sessões são planejadas?
  • 3Há interação com medicamentos que uso, como anticoagulantes, ou condições como marcapasso?
  • 4Qual é o custo total do tratamento e existe alternativa com cobertura do plano de saúde?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1A segurança a longo prazo não foi completamente estabelecida nesta meta-análise; a maioria dos estudos teve seguimento de alguns meses
  • 2Efeitos adversos relatados foram geralmente leves e transitórios (dor local, hematoma, rubor), mas a incidência precisa variou entre estudos
  • 3Populações especiais (gestantes, portadores de marcapasso, pacientes com distúrbios de coagulação) não foram adequadamente representadas nos estudos incluídos
  • 4A terapia deve ser aplicada com cautela próximo a estruturas nervosas, vasos maiores e áreas com infecção ativa

Leitura rápida para pacientes

Ondas de choque aliviam dor em várias tendinopatias

Terapia minimamente invasiva com evidência robusta para fasciíte plantar, cotovelo de tenista, tendão de Aquiles e ombro

Ponto 1

Funciona melhor com 5+ sessões e técnica focada, não radial

Ponto 2

Não é milagre: efeito aparece gradualmente, em semanas

Ponto 3

Tendinopatia patelar (joelho do saltador) não mostrou benefício nesta análise

O que este estudo acrescenta

MAIOR SÍNTESE ATUALIZADA

Esta meta-análise de 45 estudos é uma das mais abrangentes já publicadas, incluindo análises de subgrupos por idade, IMC, parâmetros técnicos e tipo de comparador, permitindo recomendações mais personalizadas que revisõe

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

As reduções de dor são estatisticamente significativas e clinicamente perceptíveis, especialmente para fasciíte plantar e manguito rotador. No entanto, a alta heterogeneidade entre estudos, o viés de publicação detectado

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é o nível mais alto de evidência científica, pois sintetiza dados de múltiplos ensaios clínicos randomizados, aumentando a confiabilidade das conclusões.

Estudos incluídos

45

Ensaios clínicos randomizados de múltiplos países

Redução máxima de dor

2,37

Pontos na EVA para manguito rotador (maior efeito observado)

Heterogeneidade

67-98%

Variação entre estudos, indicando que resultados individuais podem diferir da média

Sessões ideais

≥5

Número de sessões associado a maior eficácia na análise de subgrupos

Anos de pesquisa sintetizados

1996-2023

Período de publicação dos estudos incluídos na meta-análise

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Diversas tendinopatias (fasciíte plantar, epicondilite lateral, tendinopatia de Aquiles, manguito rotador, tendinopatia

Tipo de estudo

Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados

Participantes

45 estudos com amostras variadas; pacientes adultos com tendinopatias crônicas

Duração

Seguimento variando de 4 semanas a 48 semanas após intervenção

Sessões

Variável: análise de subgrupos sugeriu ≥5 sessões como mais efetivo

Comparador

Placebo, injeções de corticoides, plasma rico em plaquetas, proloterapia, tratamento convencional, exercícios, ultrassom

Grupos do estudo

Ondas de choque extracorpórea (focada ou radial)Controles diversos (placebo, corticoides, exercício, etc. )

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

Variável; subgrupos com ≥5 sessões mostraram melhores resultados

Frequência02

Geralmente 1 a 3 vezes por semana, com frequência inferior a 10 Hz associada a m

Duração da sessão03

Não especificada de forma padronizada nos estudos

Pontos / técnica04

Aplicação focada (penetração profunda) ou radial (superficial) sobre o ponto de dor máxima; técnica focada mostrou-se superior

Comparador05

Placebo, corticoides, PRP, proloterapia, exercício excêntrico, ultrassom, tratamento convencional

Nota de protocolo06

Intensidade de pulso inferior a 2000 associada a melhores resultados; idade >30 anos e IMC >25 foram preditores de melhor resposta

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Pacientes com fasciíte plantar confirmada clinicamenteIndivíduos com epicondilite lateral (aguda e crônica)Portadores de tendinopatia de Aquiles crônicaPacientes com tendinopatia do manguito rotadorAdultos de ambos os sexos, predominantemente entre 30 e 60 anosPacientes com dor mensurável pela escala visual analógica (EVA 0-10)

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Gestantes ou lactantes (não relatados nos estudos incluídos)Pacientes com distúrbios de coagulação ou uso de anticoagulantesPortadores de marcapasso ou outros dispositivos eletrônicos implantáveisIndivíduos com infecção ativa na área de tratamentoCrianças e adolescentes (menores de 18 anos)

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Dor na fasciíte plantar

reduziu significativamente

Queda média de 1,63 pontos na EVA; mais efetivo com ≥5 sessões e frequência <10 Hz

📉

Dor na epicondilite lateral

reduziu moderadamente

Queda de 0,63 pontos; efeito mais pronunciado em casos crônicos e com ondas focadas

📉

Dor na tendinopatia de Aquiles

reduziu significativamente

Queda de 1,38 pontos; benefício consistente embora com alta heterogeneidade entre estudos

📉

Dor no manguito rotador

reduziu substancialmente

Maior efeito observado: queda de 2,37 pontos, embora baseado em apenas 3 estudos

🎯

Precisão do tratamento

melhorou com técnica focada

Ondas de choque focadas superaram as radiais na maioria das comparações

O que não mudou

  • Tendinopatia patelar não mostrou melhora significativa nesta meta-análise
  • Não houve padronização de quando exatamente o efeito começa a se manifestar
  • A função e qualidade de vida foram mencionadas como desfechos secundários mas não quantificados de forma padronizada

Quando a melhora apareceu

1

primeiras semanas

Após 1-3 sessões

Alguns estudos relataram redução inicial da dor, embora a análise não tenha padronizado momento exato de início do efeito

2

4-6 semanas

Ao final do protocolo

Maioria dos estudos avaliou resultados após completar o ciclo de tratamento

3

12-48 semanas

Seguimento tardio

Efeitos mantidos em parte dos estudos com seguimento prolongado, sugerindo benefício sustentado

Antes e depois

Fasciíte plantar (EVA 0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes7.5 pontos
Depois5.9 pontos

Epicondilite lateral (EVA 0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes6.8 pontos
Depois6.2 pontos

Tendinopatia de Aquiles (EVA 0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes7.2 pontos
Depois5.8 pontos

Manguito rotador (EVA 0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes7.5 pontos
Depois5.1 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Procedimento minimamente invasivo, sem necessidade de cirurgia ou anestesia geral
  • Bem tolerado na maioria dos estudos incluídos
  • Perfil de efeitos adversos favorável comparado a injeções de corticoides e cirurgia
Amarelo
  • Desconforto local durante e após a aplicação é comum
  • Necessidade de ajuste de parâmetros em pacientes com maior IMC ou idade avançada
  • Eficácia varia substancialmente conforme técnica, número de sessões e tipo de tendinopatia
Vermelho
  • Segurança não estabelecida em gestantes, lactantes, portadores de marcapasso ou distúrbios de coagulação
  • Contraindicação relativa em áreas com infecção ativa ou próximas a estruturas nervosas/vasculares maiores
  • Ausência de padronização de protocolos dificulta previsibilidade de resultados

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com tendinopatia crônica (especialmente fasciíte plantar, epicondilite lateral, Aquiles ou manguito rotador)
  • Pacientes que não obtiveram alívio adequado com repouso, exercícios e medicamentos
  • Indivíduos com idade superior a 30 anos e IMC elevado (responderam melhor nos subgrupos)
  • Pessoas que buscam alternativa a procedimentos mais invasivos como cirurgia ou injeções frequentes de corticoides
  • Pacientes com epicondilite lateral de evolução crônica (maior efeito observado neste subgrupo)

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com tendinopatia patelar isolada (evidência de ausência de benefício nesta análise)
  • Gestantes, lactantes ou quem planeja gravidez em curto prazo
  • Portadores de marcapasso, desfibriladores ou outros dispositivos eletrônicos implantáveis
  • Indivíduos com distúrbios de coagulação, uso de anticoagulantes ou trombose ativa
  • Pacientes com expectativa de cura imediata ou completa após poucas sessões

Expectativa realista

Alívio gradual da dor em semanas

A maioria dos pacientes que respondem ao tratamento nota redução progressiva da dor ao longo de 4 a 6 semanas, com potencial de manutenção do benefício por meses. Não é um tratamento de efeito imediato.

Tempo provável

Início de efeito: 2-4 semanas; avaliação de resposta: 6-12 semanas após início

A resposta individual varia muito; cerca de 20-30% dos pacientes podem não obter benefício significativo, e a tendinopatia patelar não demonstrou responder nest

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar ao médico se seu tipo específico de tendinopatia tem boa evidência de resposta às ondas de choque
  2. 2Discutir se a técnica focal ou radial é mais adequada para sua lesão, e quantas sessões são recomendadas
  3. 3Informar sobre uso de anticoagulantes, marcapasso, gestação ou infecções ativas antes de iniciar
  4. 4Questionar sobre custo do tratamento e cobertura, já que muitos planos não incluem a terapia
  5. 5Combinar com programa de exercícios específicos para o tendão, pois a ESWT funciona melhor como coadjuvante

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Ondas de choque funcionam igualmente bem para todos os tipos de tendinopatia

Achado

O estudo mostrou benefício significativo para fasciíte plantar, epicondilite lateral, Aquiles e manguito rotador, mas não para tendinopatia patelar

Mito

Quanto mais intensas as ondas, melhor o resultado

Achado

A análise de subgrupos indicou que frequências abaixo de 10 Hz e intensidade de pulso inferior a 2000 foram associadas a melhores resultados

Mito

Uma ou duas sessões são suficientes

Achado

Cinco ou mais sessões demonstraram efeito superior em redução da dor comparado a protocolos mais curtos

Mito

Técnica radial e focada são equivalentes

Achado

A terapia focada mostrou redução de dor substancialmente maior que a radial nas análises comparativas

Como isso pode funcionar

ESTÍMULO MECÂNICO

As ondas de choque geram microtraumas controlados no tecido tendíneo — mecanismo proposto, não completamente comprovado

🔄

RESPOSTA BIOLÓGICA

Estes microtraumas podem estimular liberação de fatores de crescimento e recrutamento de células-tronco, promovendo reparo tecidual

🩸

NEOVASCULARIZAÇÃO

Aumento do fluxo sanguíneo local e formação de novos vasos são observados, facilitando a nutrição da área lesionada

🛡️

MODULAÇÃO DA DOR

Possível redução de mediadores inflamatórios e de substância P, além de efeito sobre fibras nervosas não mielinizadas — mecanismo ainda em investigação

O que ainda é incerto

  • ?O momento exato de início do efeito analgésico não foi padronizado entre os estudos, variando de dias a semanas
  • ?A durabilidade do benefício além de 48 semanas permanece pouco explorada na maioria das pesquisas incluídas
  • ?Não há consenso sobre protocolo ótimo: número de sessões, intervalos, energia e frequência ainda variam amplamente
  • ?A ausência de benefício na tendinopatia patelar contradiz alguns estudos individuais, sugerindo necessidade de mais pesquisas específicas
🎯

O que o estudo quis responder

Avaliar se a terapia de ondas de choque extracorpórea reduz a dor em diferentes tipos de tendinopatia

👥

QUEM PARTICIPOU

45 estudos clínicos com pacientes com fasciíte plantar, epicondilite lateral, tendinopatia de Aquiles e outras

🧪

COMO FOI FEITO

Meta-análise comparando ondas de choque com outros tratamentos, medindo dor pela escala visual analógica

📈

O QUE MUDOU

Redução significativa da dor em todas as tendinopatias estudadas, com efeitos variando por tipo e parâmetros

🛟

SEGURANÇA

Terapia minimamente invasiva com perfil de segurança favorável comparado a tratamentos convencionais

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

PERSONALIZAÇÃO POR PERFIL

Pela primeira vez em uma síntese tão ampla, idade >30 anos e IMC >25 emergiram como preditores de melhor resposta, orientando seleção mais precisa de candidatos

🧭

PARÂMETROS TÉCNICOS CLARIFICADOS

A análise sistemática de frequência, intensidade e número de sessões oferece pela primeira vez diretrizes baseadas em evidência para protocolos de tratamento, não apenas opinião de especialistas

📌

LIMITAÇÃO INESPERADA

A ausência de benefício comprovado para tendinopatia patelar — condição muito tratada com esta técnica — é um achado que desafia a prática clínica atual e demanda mais pesquisas

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Terapia de ondas de choque reduz significativamente a dor em diferentes tipos de tendinopatia

A dor crônica nos tendões é uma das queixas mais comuns em consultórios médicos, afetando cerca de 30% de todos os casos de dor musculoesquelética. Atletas de alta performance são particularmente vulneráveis, com lesões tendíneas respondendo por quase metade de todas as condições relacionadas ao esporte. Mas a tendinopatia não escolhe apenas quem pratica atividade física intensa: fatores como idade, sexo, nível de atividade física, tipo de exercício, ocupação e condições médicas associadas influenciam significativamente sua prevalência. Entre as formas mais frequentes estão a fasciíte plantar, que causa dor intensa na sola do pé; a epicondilite lateral, popularmente conhecida como cotovelo de tenista; a tendinopatia de Aquiles, que limita a mobilidade do tornozelo; e as lesões do manguito rotador, responsáveis por dor e fraqueza no ombro.

Diante desse cenário, a terapia de ondas de choque extracorpórea (ESWT, na sigla em inglês) tem emergido como uma opção minimamente invasiva que promete alívio da dor sem os riscos de procedimentos cirúrgicos ou o uso prolongado de medicamentos anti-inflamatórios.

O estudo de Majidi e colaboradores, publicado em 2024 na BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation, representa uma das análises mais abrangentes já realizadas sobre o tema. Trata-se de uma revisão sistemática e meta-análise que reuniu 45 ensaios clínicos randomizados conduzidos em diferentes partes do mundo, totalizando milhares de pacientes. A pesquisa teve como objetivo central avaliar se a ESWT efetivamente reduz a dor em diferentes tipos de tendinopatia, comparando-a com diversas alternativas terapêuticas como placebo, injeções de corticoides, plasma rico em plaquetas, proloterapia, tratamento convencional e exercícios específicos. A escolha da escala visual analógica (EVA, de 0 a 10) como medida principal permitiu padronizar os resultados entre estudos de diferentes países e contextos clínicos.

Os achados são expressivos e merecem atenção cuidadosa. Para a fasciíte plantar, a redução média de dor foi de 1,63 pontos na escala de 10 — um efeito considerado clinicamente relevante, especialmente para quem convive com a sensação de pisar em pregos ao acordar. Na epicondilite lateral, a diminuição foi de 0,63 pontos, mais modesta mas ainda significativa estatisticamente. A tendinopatia de Aquiles apresentou redução de 1,38 pontos, enquanto o manguito rotador mostrou o maior benefício, com queda de 2,37 pontos na média de dor.

Curiosamente, a tendinopatia patelar não demonstrou melhora significativa com a ESWT nesta análise, um resultado que contrasta com alguns estudos individuais e que os autores atribuem à escassez de pesquisas de qualidade nesta condição específica.

Uma das contribuições mais valiosas deste trabalho está na análise detalhada de quais parâmetros de tratamento funcionam melhor. A terapia focada (FoSW) mostrou-se superior à radial (RaSW) na maioria das comparações, provavelmente por sua capacidade de penetração mais profunda e direcionamento preciso à lesão. Quanto ao número de sessões, cinco ou mais tratamentos parecem oferecer resultados mais robustos que protocolos mais curtos. A frequência ideal situa-se abaixo de 10 Hz, com intensidade de pulso menor que 2000 — configurações que maximizam o efeito terapêutico enquanto minimizam o risco de danos aos tecidos adjacentes.

A idade e o índice de massa corporal também influenciam: pacientes acima de 30 anos e com IMC superior a 25 tendem a responder melhor, possivelmente devido a alterações fisiológicas relacionadas ao envelhecimento tecidual e a níveis mais elevados de inflamação crônica.

O mecanismo pelo qual as ondas de choque aliviam a dor ainda não está completamente elucidado, mas a evidência atual aponta para uma combinação de efeitos. As microtraumatisções induzidas pelas ondas de choque parecem estimular a liberação local de fatores de crescimento, como o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), promovendo a neovascularização e melhorando o aporte sanguíneo à região lesionada. Há também indícios de ação anti-inflamatória direta, redução da substância P (um mediador químico da dor) e até mesmo destruição seletiva de fibras nervosas não mielinizadas que transmitem sinais dolorosos. É importante ressaltar que estes mecanismos são descritos com o devido ceticismo científico: trata-se de modelos propostos, não de verdades absolutamente estabelecidas.

Para o paciente que sofre com dor tendínea crônica, estes números traduzem-se em possibilidades concretas de melhora. A ESWT oferece uma alternativa quando repouso, fisioterapia convencional e medicamentos não foram suficientes, e antes de se considerar cirurgia. É um procedimento ambulatorial, geralmente bem tolerado, que não exige anestesia geral ou tempo prolongado de recuperação. A maioria dos estudos incluídos relatou seguimento de 4 a 48 semanas, sugerindo que os benefícios podem se manter por meses após o término do tratamento.

Contudo, é fundamental manter as expectativas realistas. A heterogeneidade entre os estudos foi alta, o que significa que nem todos os pacientes responderam igualmente bem. Houve evidência de viés de publicação, com tendência a publicar resultados mais favoráveis. Os protocolos variaram enormemente entre si, dificultando a padronização de uma receita única.

E, crucialmente, a segurança a longo prazo e em populações específicas — como gestantes, pessoas com distúrbios de coagulação ou portadores de marcapasso — não foi suficientemente explorada nesta análise. A decisão de iniciar a terapia de ondas de choque deve sempre ser individualizada, considerando o tipo específico de tendinopatia, as características pessoais do paciente, as opções terapêuticas já tentadas e, acima de tudo, uma conversa franca entre médico e paciente sobre benefícios esperados, limitações e incertezas que permanecem.

O que fortalece a leitura

  • 1Grande número de estudos incluídos (45)
  • 2Análise abrangente de diferentes tipos de tendinopatia
  • 3Avaliação detalhada de parâmetros técnicos
  • 4Análises de subgrupos por idade, IMC e características do tratamento
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Alta heterogeneidade entre estudos
  • 2Viés de publicação detectado
  • 3Variação nos protocolos de tratamento
  • 4Falta de padronização nos grupos controle

Leitura clínica do estudo

FORTE
85/ 100
Desenho
4/5
Amostra
5/5
Confirmação
4/5

🔬 Como o estudo foi organizado

45pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Ondas de choque

0 pessoas

terapia extracorpórea radial ou focada

Controles

0 pessoas

placebo, corticoides, fisioterapia ou outros

⏱️ Tempo de acompanhamento: seguimento variando de 4 semanas a 48 semanas

📊 Resultados em números

1,63 pontos

Redução da dor na fasciíte plantar

0,63 pontos

Redução da dor na epicondilite lateral

1,38 pontos

Redução da dor na tendinopatia de Aquiles

2,37 pontos

Redução da dor no manguito rotador

📊 Comparação de Resultados

Redução da dor (diferença média padronizada)

Fasciíte plantar
-1.63
Epicondilite lateral
-0.63
Tendinopatia de Aquiles
-1.38
Manguito rotador
-2.37

📅 Linha do tempo da evidência

1996Primeiros estudos sobre ondas de choque em tendinopatias
2008Estabelecimento da eficácia em tendinopatia de Aquiles
2013Meta-análises iniciais mostrando benefícios
2020Expansão do uso em medicina esportiva
2024Meta-análise atual confirmando eficácia abrangente

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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