Estudo científico comentado

Terapia por ondas de choque de alta ou baixa energia para síndrome de dor miofascial do trapézio superior

Referência acadêmica

Periódico

Medicine

Ano

2018

Autores

Park et al.

Desenho

ensaio clínico randomizado

Este estudo testou duas intensidades de ondas de choque para tratar dor no músculo trapézio (entre pescoço e ombro). Ambas as intensidades melhoraram a dor, mas a energia mais alta foi melhor para restaurar o movimento do pescoço e reduzir limitações funcionais. As ondas de choque são aplicadas externamente na pele e podem ser uma opção não invasiva para este tipo de dor muscular. O tratamento foi bem tolerado pelos pacientes.

Título original do estudo: High- versus low-energy extracorporeal shock-wave therapy for myofascial pain syndrome of upper trapezius: A prospective randomized single blinded pilot study

🧪ensaio clínico randomizado👥n=30 participantes💪impacto funcional moderado
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Ondas de choque de alta e baixa energia reduziram a dor em pacientes com síndrome miofascial do trapézio superior, mas apenas a alta energia melhorou significativamente a flexão do pescoço e a funcionalidade, sugerindo vantagem funcional da intensidade maior e

O que isso significa para você?

Este estudo testou duas intensidades de ondas de choque para tratar dor no músculo trapézio (entre pescoço e ombro). Ambas as intensidades melhoraram a dor, mas a energia mais alta foi melhor para restaurar o movimento do pescoço e reduzir limitações funcionais. As ondas de choque são aplicadas externamente na pele e podem ser uma opção não invasiva para este tipo de dor muscular. O tratamento foi bem tolerado pelos pacientes.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1As ondas de choque são uma opção não invasiva para dor miofascial do trapézio, com evidência preliminar de eficácia em curto prazo
  • 2Se seu objetivo é principalmente reduzir a dor, a intensidade da energia pode não ser decisiva; se quer recuperar movimento e função, a energia mais alta pode ser preferível
  • 3O tratamento foi bem tolerado neste estudo, mas exigiu anestesia local para conforto — converse sobre o que esperar
  • 4Não se sabe se o benefício dura meses; o acompanhamento foi muito curto
  • 5Este é um estudo piloto: útil para orientar discussão com o médico, mas não é a última palavra sobre o tema
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Minha dor no trapézio é de fato síndrome miofascial, ou há outra causa que precisa ser investigada primeiro?
  • 2Quais são minhas opções antes de considerar ondas de choque, e por que esse tratamento seria indicado no meu caso?
  • 3Qual intensidade de energia seria mais adequada aos meus objetivos — alívio da dor, recuperação de movimento, ou ambos?
  • 4Como será feito o acompanhamento após o tratamento, já que os estudos disponíveis têm prazos curtos de avaliação?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum efeito adverso grave foi relatado neste estudo de 30 pacientes, mas a amostra é pequena para detectar eventos raros
  • 2Anestesia local com lidocaína foi usada em todos os participantes; desconforto durante o procedimento é esperado sem essa medida
  • 3A segurança em gestantes, lactantes, portadores de marca-passo e pessoas com distúrbios de coagulação não foi testada — esses grupos foram excluídos
  • 4O efeito da anestesia local sobre a eficácia das ondas de choque é teoricamente preocupante, embora os autores considerem que o protocolo padronizado minimizou essa interferência

Leitura rápida para pacientes

Ondas de choque podem aliviar dor no trapézio; intensidade maior pode ajudar mais no movimento

Em um estudo pequeno, duas sessões reduziram a dor para a metade, mas apenas a energia alta melhorou significativamente a capacidade de mover o pescoço

Ponto 1

Tanto energia alta quanto baixa aliviaram a dor de forma semelhante

Ponto 2

A energia mais alta trouxe vantagem extra na flexão do pescoço e nas atividades diárias

Ponto 3

O estudo é promissor, mas pequeno e de curto prazo: converse com seu médico sobre se faz sentido para você

O que este estudo acrescenta

PRIMEIRA COMPARAÇÃO DIRETA DE DOSES

Este foi um dos primeiros estudos a comparar diretamente alta versus baixa energia de ondas de choque especificamente para síndrome miofascial do trapézio superior, sugerindo que a intensidade importa mais para a funcion

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A diferença no NDI (4,2 vs 6,5) e na flexão cervical (~10° a mais no grupo de alta energia) sugere vantagem funcional clinicamente perceptível, mas o tamanho amostral pequeno e o seguimento curto limitam a certeza sobre

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Pacientes foram distribuídos ao acaso entre tratamentos, o que oferece maior confiança que as diferenças observadas se devem à intervenção, não a características prévias dos grupos

Participantes do estudo

30

15 em cada grupo, tamanho de amostra pequeno para um piloto

Redução da dor (ambos os grupos)

~46%

De aproximadamente 5,5 para 3,0 em escala de 0 a 10

Diferença no NDI pós-tratamento

2,3 pontos

4,2 no grupo alta energia versus 6,5 no grupo baixa energia, a favor da intensidade maior

Ganho de flexão cervical (alta energia)

+9°

De 56,5° para 65,5°, contra apenas +2° no grupo de baixa energia

Sessões realizadas

2

Uma por semana, totalizando 1500 pulsos por sessão

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Síndrome de dor miofascial do trapézio superior

Tipo de estudo

Ensaio clínico randomizado, simples-cego, piloto

Participantes

30 pacientes (27 mulheres, 3 homens), média de 32 anos, com dor de cerca de 8 se

Duração

2 semanas de tratamento, avaliação ao final

Sessões

2 sessões, uma por semana, 1500 pulsos cada

Comparador

Comparação direta entre duas intensidades de energia, sem grupo placebo

Grupos do estudo

Alta energia (0,210 mJ/mm²)Baixa energia (0,068 mJ/mm²)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

2 sessões totais

Frequência02

1 vez por semana

Duração da sessão03

Não especificada no artigo

Pontos / técnica04

1500 pulsos aplicados no ponto-gatilho do trapézio superior, identificado por contração muscular ou dor referida, com paciente sentado sem encosto

Comparador05

Alta energia (0,210 mJ/mm²) versus baixa energia (0,068 mJ/mm²)

Nota de protocolo06

Anestesia local com lidocaína 1% (5 mL) aplicada antes de cada sessão para conforto; filme transparente e gel de contato usados

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com síndrome de dor miofascial ativa no trapézio superiorDor de intensidade ≥4 em escala de 0 a 10 há pelo menos 3 mesesPresença de ponto-gatilho com padrão típico de dor referida e resposta de contração localIdade entre 19 e 70 anosPessoas que não usavam medicação analgésica (exceto paracetamol) na semana prévia

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes com doenças cardíacas, hepáticas graves ou doenças reumáticas sistêmicasPessoas com radiculopatia cervical, acidente vascular cerebral ou distúrbios neurológicosGestantes, lactantes ou portadores de marca-passoQuem usava anticoagulantes ou tinha distúrbios de coagulaçãoPacientes com suspeita de infecção ou histórico de reação à anestesia local

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Dor (escala 0-10)

melhorou

De ~5,5 para ~3,0 em ambos os grupos, sem diferença significativa entre eles

🔄

Amplitude de movimento (rotação, inclinação)

melhorou

Rotação para o lado saudável e inclinações laterais melhoraram em ambos os grupos

📐

Flexão do pescoço

melhorou

Apenas no grupo de alta energia: de 56,5° para 65,5°, com diferença significativa versus baixa energia

📋

Incapacidade funcional (NDI)

melhorou mais com alta energia

Alta energia: 11,3 para 4,2; baixa energia: 9,2 para 6,5 — diferença estatística entre grupos

👆

Limiar de dor à pressão

melhorou

Aumentou em ambos os grupos, indicando menor sensibilidade do músculo à pressão

O que não mudou

  • Extensão do pescoço: melhorou apenas no grupo de alta energia, mas sem diferença significativa entre os grupos
  • Rotação para o lado afetado: não houve melhora estatisticamente significativa em nenhum dos grupos
  • Dor entre os grupos: apesar das diferenças funcionais, a intensidade da dor não diferiu entre alta e baixa energia ao final

Quando a melhora apareceu

1

2 semanas (final do tratamento)

Após 2 sessões

Ambos os grupos mostraram redução da dor, melhora do limiar de pressão e ganho de amplitude em alguns movimentos

2

2 semanas

Flexão cervical

Apenas o grupo de alta energia melhorou significativamente a flexão do pescoço

3

2 semanas

Incapacidade funcional

Redução do NDI foi maior no grupo de alta energia comparado ao de baixa energia

Antes e depois

Dor (escala 0-10) — alta energia

escala máx. 10 pontos

Antes5.7 pontos
Depois3 pontos

Dor (escala 0-10) — baixa energia

escala máx. 10 pontos

Antes5.4 pontos
Depois3.1 pontos

Incapacidade funcional (NDI) — alta energia

escala máx. 50 pontos

Antes11.3 pontos
Depois4.2 pontos

Incapacidade funcional (NDI) — baixa energia

escala máx. 50 pontos

Antes9.2 pontos
Depois6.5 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum efeito adverso grave relatado entre os 30 participantes
  • Anestesia local foi usada rotineiramente para conforto
  • Procedimento não invasivo, sem cortes ou injeções terapêuticas no músculo
Amarelo
  • Desconforto durante a aplicação possível, mesmo com anestesia
  • Efeitos a longo prazo não avaliados neste estudo
  • Anestesia local pode teoricamente interferir no mecanismo das ondas de choque, embora os autores considerem esse efeito minimizado pelo protocolo padr
Vermelho
  • Estudo piloto com amostra pequena: segurança em populações maiores e mais diversas não estabelecida
  • Ausência de grupo placebo impede avaliação completa do perfil de eventos adversos específicos do tratamento

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor miofascial ativa no trapézio superior confirmada por critérios clínicos
  • Pessoas com limitação funcional cervical que não responderam adequadamente a tratamentos conservadores iniciais
  • Pacientes que preferem ou precisam evitar procedimentos invasivos como injeções
  • Indivíduos com boa tolerância a procedimentos que podem causar desconforto momentâneo
  • Pacientes com objetivo de recuperar amplitude de movimento, especialmente flexão do pescoço

Mais cautela para extrapolar

  • Pessoas com radiculopatia cervical ou outras causas neurológicas de dor
  • Pacientes com distúrbios de coagulação, uso de anticoagulantes ou doenças sistêmicas graves
  • Gestantes, lactantes ou portadores de marca-passo
  • Quem busca apenas alívio da dor sem interesse em ganho funcional (neste caso, baixa energia pode ser suficiente, mas a evidência é preliminar)
  • Pacientes que necessitam de evidência robusta de longo prazo para decidir, dado o seguimento de apenas 2 semanas

Expectativa realista

Alívio da dor em semanas, com possível ganho extra de movimento na ene

Após duas sessões semanais, a maioria dos pacientes pode esperar redução da dor de intensidade moderada para leve. Quem recebe energia mais alta tem chance adicional de melhorar a capacidade de inclinar o pescoço para frente e de realizar a

Tempo provável

Melhora avaliada após 2 semanas do início do tratamento

Não se sabe se os benefícios se mantêm por meses; o estudo não acompanhou os pacientes além desse ponto, e não houve comparação com tratamento falso ou placebo.

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se meu quadro é de fato síndrome miofascial do trapézio, ou se há outra causa para a dor cervical
  2. 2Discutir se já tentei tratamentos conservadores suficientes antes de considerar ondas de choque
  3. 3Questionar qual intensidade de energia seria mais adequada aos meus objetivos: alívio da dor ou recuperação funcional
  4. 4Verificar se há contraindicações pessoais como uso de anticoagulantes, marca-passo ou gestação
  5. 5Perguntar sobre plano de seguimento após o tratamento, já que o estudo avaliou apenas 2 semanas

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Ondas de choque mais fortes sempre aliviam mais a dor

Achado

Ambas as intensidades reduziram a dor de forma semelhante; a vantagem da energia alta apareceu na funcionalidade e amplitude de movimento, não na dor

Mito

Preciso de muitas sessões para sentir alguma diferença

Achado

Com apenas duas sessões semanais, houve melhora significativa em vários parâmetros, embora não se saiba se isso se sustenta

Mito

Ondas de choque são totalmente indolores

Achado

O estudo usou anestesia local rotineiramente, sugerindo que o procedimento pode ser desconfortável sem essa medida

Mito

Esse tratamento já está comprovado como melhor opção para dor miofascial

Achado

Trata-se de estudo piloto pequeno, sem grupo placebo e com seguimento curto; a evidência é promissora, mas não definitiva

Como isso pode funcionar

🎯

APLICAÇÃO MECÂNICA

Pulsos de energia são dirigidos ao ponto-gatilho miofascial, criando estímulo mecânico no tecido — mecanismo direto, observado clinicamente

🩸

POSSÍVEL MELHORA DA PERFUSÃO

Estudos sugerem que ondas de choque de alta energia podem aumentar a microcirculação cutânea e a oxigenação tecidual — mecanismo proposto, não diretamente demonstrado neste estudo

🧠

MODULAÇÃO DA SENSIBILIDADE

Há evidências de que ondas de choque podem afetar fibras nervosas não mielinizadas e alterar a sinalização da dor — mecanismo inferido de pesquisas pré-clínicas, não confirmado nestes pacientes

💪

GANHO FUNCIONAL SECUNDÁRIO

A melhora da amplitude de movimento provavelmente decorre do alívio da dor no trapézio, músculo essencial para a flexão e rotação do pescoço — interpretação dos autores, baseada na anatomia

O que ainda é incerto

  • ?A duração do efeito é desconhecida: o acompanhamento foi de apenas 2 semanas após a última sessão
  • ?Sem grupo placebo, não é possível quantificar quanto da melhora se deve ao efeito específico do tratamento versus expectativa do paciente
  • ?O mecanismo exato de por que a alta energia melhorou mais a funcionalidade permanece especulativo, sem confirmação molecular ou histológica neste estu
  • ?A amostra pequena e homogênea (jovens, predominantemente mulheres) limita a confiança em aplicar os resultados a outras populações
🎯

O que o estudo quis responder

Comparar ondas de choque de alta e baixa energia para dor miofascial do trapézio superior

👥

QUEM PARTICIPOU

30 pacientes (3 homens, 27 mulheres) com síndrome miofascial do trapézio

🧪

COMO FOI FEITO

Dois grupos receberam 1500 pulsos de ondas de choque, uma vez por semana, por 2 semanas

📈

O QUE MUDOU

Ambos grupos melhoraram dor e mobilidade. Energia alta foi superior para função e flexão

🛟

SEGURANÇA

Sem efeitos adversos importantes relatados. Anestesia local usada para conforto

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

A DOR NÃO DIFERIU, MAS A FUNÇÃO SIM

Contra a intuição de que energia mais forte sempre alivia mais dor, a surpresa foi que ambas as intensidades foram iguais para dor — a vantagem da alta energia apareceu na capacidade funcional e no movimento do pescoço.

🧭

POUCAS SESSÕES, RESULTADO MENSURÁVEL

Com apenas duas sessões semanais, houve melhora significativa em múltiplos parâmetros, o que sugere que o tratamento pode ser relativamente rápido em produzir efeito, embora a duração seja incerta.

📌

ANESTESIA LOCAL COMO PADRÃO

O uso rotineiro de lidocaína antes das sessões é um detalhe prático importante: indica que o procedimento não é totalmente confortável, mas tem estratégia para torná-lo tolerável.

🔍

LACUNA SOBRE MECANISMO

O estudo deixa claro que, apesar dos resultados clínicos, ainda não se sabe exatamente por que a alta energia funciona melhor para a mobilidade — seja por efeito direto no tecido, modulação nervosa ou simplesmente alívio

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Terapia por ondas de choque de alta ou baixa energia para síndrome de dor miofascial do trapézio superior

A síndrome de dor miofascial é uma condição dolorosa bastante comum que afeta cerca de 12% da população em algum momento da vida. Ela se caracteriza pela presença de pontos-gatilho nos músculos — pequenas áreas de contração persistente que são dolorosas à palpação e podem irradiar dor para outras regiões. O trapézio superior, aquele músculo que vai da base do crânio até o ombro, é um dos locais mais frequentemente acometidos, causando dor no pescoço, ombro e até cefaleia. Para quem vive com essa condição, as opções de tratamento tradicionais incluem medicamentos, injeções e fisioterapia, mas nem sempre trazem o alívio desejado.

Nesse cenário, a terapia por ondas de choque extracorpóreas tem ganhado atenção como uma alternativa não invasiva. O tratamento utiliza pulsos de energia aplicados sobre a pele, direcionados aos pontos-gatilho dolorosos. A questão que permanecia em aberto era: qual intensidade de energia seria mais adequada? Seria melhor usar uma energia mais suave, com menos desconforto, ou uma energia mais intensa, potencialmente mais efetiva?

O estudo de Park e colaboradores, publicado em 2018, foi desenhado para responder exatamente essa pergunta. Trata-se de um ensaio clínico randomizado, ou seja, os participantes foram distribuídos ao acaso em dois grupos, o que aumenta a confiabilidade dos resultados. Os pesquisadores recrutaram 30 pacientes com síndrome de dor miofascial do trapézio superior, sendo 27 mulheres e 3 homens, com idades em torno dos 32 anos. Os critérios de inclusão eram bem definidos: dor com pelo menos 4 em uma escala de 0 a 10, presença de ponto-gatilho ativo no trapézio superior com padrão típico de dor referida, e duração dos sintomas de aproximadamente 8 semanas.

Importante notar que foram excluídos pacientes com doenças graves, problemas neurológicos como radiculopatia cervical, distúrbios de coagulação, uso de anticoagulantes, gestantes e pessoas com marca-passo.

Os participantes foram divididos em dois grupos de 15 pessoas cada. Um grupo recebeu ondas de choque de alta energia (0,210 mJ/mm²) e o outro, de baixa energia (0,068 mJ/mm²). Ambos realizaram duas sessões, com intervalo de uma semana entre elas, totalizando 1500 pulsos por sessão. Para tornar o procedimento tolerável, foi aplicada anestesia local com lidocaína antes de cada sessão.

Os avaliadores que mediram os resultados não sabiam a qual grupo cada paciente pertencia, o que reduz o viés de avaliação.

Os resultados foram mensurados antes do tratamento e duas semanas após a última sessão, usando quatro instrumentos diferentes: escala verbal numérica de dor (de 0 a 10), índice de incapacidade cervical (NDI, que avalia limitações funcionais em atividades diárias), amplitude de movimento do pescoço em várias direções (flexão, extensão, rotação e inclinação lateral), e limiar de dor à pressão (quanto maior, melhor — indica que o músculo tolera mais pressão antes de doer).

Os achados foram reveladores. Ambos os grupos melhoraram significativamente em dor, incapacidade funcional e limiar de dor à pressão. Isso significa que, independentemente da intensidade, as ondas de choque trouxeram benefícios reais. No entanto, quando os grupos foram comparados entre si, o de alta energia mostrou vantagens claras em dois aspectos específicos: a capacidade de inclinar o pescoço para frente (flexão) e a redução da incapacidade funcional medida pelo NDI.

A flexão cervical passou de aproximadamente 56 graus para 65 graus no grupo de alta energia, enquanto no grupo de baixa energia a mudança foi de 54 para 56 graus — uma diferença estatisticamente significativa. No NDI, que varia de 0 a 50, o grupo de alta energia passou de 11 para 4 pontos, enquanto o de baixa energia foi de 9 para 6,5 pontos.

Curiosamente, a dor em si — medida pela escala de 0 a 10 — não diferiu entre os grupos ao final. Ambos saíram de cerca de 5,5 para aproximadamente 3. Isso sugere que, para o alívio da dor propriamente dita, a intensidade da energia pode não ser tão determinante quanto se imaginava. Mas para recuperar a funcionalidade e a amplitude de movimento, especialmente a flexão do pescoço, a energia mais alta parece oferecer vantagem.

A interpretação desses resultados exige cautela. O estudo é um piloto, com apenas 30 participantes e acompanhamento de apenas duas semanas após o tratamento. Não sabemos se as diferenças observadas se manteriam a longo prazo. Além disso, não houve grupo placebo, ou seja, não dá para descartar completamente que parte da melhora se deva ao efeito de estar recebendo algum tratamento, em vez do tratamento em si.

A predominância feminina e a faixa etária relativamente jovem também limitam a generalização para outros perfis de pacientes.

Do ponto de vista prático, o que isso significa para quem sofre com dor miofascial do trapézio? As ondas de choque parecem ser uma opção viável e bem tolerada, sem efeitos adversos graves relatados neste estudo. Se o objetivo principal é reduzir a dor, tanto a energia alta quanto a baixa podem ajudar. Mas se há limitação importante para inclinar o pescoço ou realizar atividades do dia a dia, a energia mais alta pode oferecer benefício adicional.

A decisão sobre qual intensidade usar deve ser individualizada, considerando a tolerância ao desconforto do procedimento (mesmo com anestesia local, a energia alta pode ser mais intensa) e os objetivos específicos de cada paciente. É importante discutir com o médico se esse tratamento faz sentido no seu caso particular, especialmente considerando que não está isento de limitações e que a evidência, embora promissora, ainda precisa de confirmação em estudos maiores e com seguimento mais prolongado.

O que fortalece a leitura

  • 1Estudo randomizado e cegado
  • 2Comparação direta entre duas intensidades
  • 3Múltiplas medidas de resultado (dor, função, mobilidade)
  • 4Protocolo padronizado de tratamento
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Amostra pequena (30 pacientes)
  • 2Predominância de mulheres
  • 3Seguimento curto (apenas 2 semanas)
  • 4Sem grupo controle placebo

Leitura clínica do estudo

MODERADA
70/ 100
Desenho
3/5
Amostra
2/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

30pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Alta energia

15 pessoas

0.210 mJ/mm² de ondas de choque

Baixa energia

15 pessoas

0.068 mJ/mm² de ondas de choque

⏱️ Tempo de acompanhamento: 2 semanas de tratamento

📊 Resultados em números

De 5,6 para 3,0 (alta energia)

Redução da dor (escala 0-10)

4,20 vs 6,47 pontos (índice NDI)

Melhora da incapacidade funcional

65,5° vs 55,9° pós-tratamento

Flexão do pescoço

Aumento em ambos os grupos

Limiar de dor à pressão

📊 Comparação de Resultados

Dor (escala 0-10)

Alta energia
3
Baixa energia
3.1

Incapacidade funcional (NDI)

Alta energia
4.2
Baixa energia
6.5

📅 Linha do tempo da evidência

2005Primeiros estudos de ondas de choque para dor miofascial
2012Evidências de eficácia das ondas de choque para trapézio superior
2014Estudos comparando diferentes protocolos de energia
2018Este estudo compara alta vs baixa energia diretamente

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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