Participantes do estudo
30
15 em cada grupo, tamanho de amostra pequeno para um piloto
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Medicine
Ano
2018
Autores
Park et al.
Desenho
ensaio clínico randomizado
Este estudo testou duas intensidades de ondas de choque para tratar dor no músculo trapézio (entre pescoço e ombro). Ambas as intensidades melhoraram a dor, mas a energia mais alta foi melhor para restaurar o movimento do pescoço e reduzir limitações funcionais. As ondas de choque são aplicadas externamente na pele e podem ser uma opção não invasiva para este tipo de dor muscular. O tratamento foi bem tolerado pelos pacientes.
Título original do estudo: High- versus low-energy extracorporeal shock-wave therapy for myofascial pain syndrome of upper trapezius: A prospective randomized single blinded pilot study
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Ondas de choque de alta e baixa energia reduziram a dor em pacientes com síndrome miofascial do trapézio superior, mas apenas a alta energia melhorou significativamente a flexão do pescoço e a funcionalidade, sugerindo vantagem funcional da intensidade maior e
Este estudo testou duas intensidades de ondas de choque para tratar dor no músculo trapézio (entre pescoço e ombro). Ambas as intensidades melhoraram a dor, mas a energia mais alta foi melhor para restaurar o movimento do pescoço e reduzir limitações funcionais. As ondas de choque são aplicadas externamente na pele e podem ser uma opção não invasiva para este tipo de dor muscular. O tratamento foi bem tolerado pelos pacientes.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Em um estudo pequeno, duas sessões reduziram a dor para a metade, mas apenas a energia alta melhorou significativamente a capacidade de mover o pescoço
Ponto 1
Tanto energia alta quanto baixa aliviaram a dor de forma semelhante
Ponto 2
A energia mais alta trouxe vantagem extra na flexão do pescoço e nas atividades diárias
Ponto 3
O estudo é promissor, mas pequeno e de curto prazo: converse com seu médico sobre se faz sentido para você
O que este estudo acrescenta
Este foi um dos primeiros estudos a comparar diretamente alta versus baixa energia de ondas de choque especificamente para síndrome miofascial do trapézio superior, sugerindo que a intensidade importa mais para a funcion
Aplicabilidade clínica
A diferença no NDI (4,2 vs 6,5) e na flexão cervical (~10° a mais no grupo de alta energia) sugere vantagem funcional clinicamente perceptível, mas o tamanho amostral pequeno e o seguimento curto limitam a certeza sobre
Força do desenho do estudo
Pacientes foram distribuídos ao acaso entre tratamentos, o que oferece maior confiança que as diferenças observadas se devem à intervenção, não a características prévias dos grupos
Participantes do estudo
30
15 em cada grupo, tamanho de amostra pequeno para um piloto
Redução da dor (ambos os grupos)
~46%
De aproximadamente 5,5 para 3,0 em escala de 0 a 10
Diferença no NDI pós-tratamento
2,3 pontos
4,2 no grupo alta energia versus 6,5 no grupo baixa energia, a favor da intensidade maior
Ganho de flexão cervical (alta energia)
+9°
De 56,5° para 65,5°, contra apenas +2° no grupo de baixa energia
Sessões realizadas
2
Uma por semana, totalizando 1500 pulsos por sessão
Ficha rápida do estudo
Condição
Síndrome de dor miofascial do trapézio superior
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado, simples-cego, piloto
Participantes
30 pacientes (27 mulheres, 3 homens), média de 32 anos, com dor de cerca de 8 se
Duração
2 semanas de tratamento, avaliação ao final
Sessões
2 sessões, uma por semana, 1500 pulsos cada
Comparador
Comparação direta entre duas intensidades de energia, sem grupo placebo
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
2 sessões totais
1 vez por semana
Não especificada no artigo
1500 pulsos aplicados no ponto-gatilho do trapézio superior, identificado por contração muscular ou dor referida, com paciente sentado sem encosto
Alta energia (0,210 mJ/mm²) versus baixa energia (0,068 mJ/mm²)
Anestesia local com lidocaína 1% (5 mL) aplicada antes de cada sessão para conforto; filme transparente e gel de contato usados
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Dor (escala 0-10)
melhorou
De ~5,5 para ~3,0 em ambos os grupos, sem diferença significativa entre eles
Amplitude de movimento (rotação, inclinação)
melhorou
Rotação para o lado saudável e inclinações laterais melhoraram em ambos os grupos
Flexão do pescoço
melhorou
Apenas no grupo de alta energia: de 56,5° para 65,5°, com diferença significativa versus baixa energia
Incapacidade funcional (NDI)
melhorou mais com alta energia
Alta energia: 11,3 para 4,2; baixa energia: 9,2 para 6,5 — diferença estatística entre grupos
Limiar de dor à pressão
melhorou
Aumentou em ambos os grupos, indicando menor sensibilidade do músculo à pressão
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
2 semanas (final do tratamento)
Após 2 sessões
Ambos os grupos mostraram redução da dor, melhora do limiar de pressão e ganho de amplitude em alguns movimentos
2 semanas
Flexão cervical
Apenas o grupo de alta energia melhorou significativamente a flexão do pescoço
2 semanas
Incapacidade funcional
Redução do NDI foi maior no grupo de alta energia comparado ao de baixa energia
Antes e depois
Dor (escala 0-10) — alta energia
escala máx. 10 pontos
Dor (escala 0-10) — baixa energia
escala máx. 10 pontos
Incapacidade funcional (NDI) — alta energia
escala máx. 50 pontos
Incapacidade funcional (NDI) — baixa energia
escala máx. 50 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Após duas sessões semanais, a maioria dos pacientes pode esperar redução da dor de intensidade moderada para leve. Quem recebe energia mais alta tem chance adicional de melhorar a capacidade de inclinar o pescoço para frente e de realizar a
Tempo provável
Melhora avaliada após 2 semanas do início do tratamento
Não se sabe se os benefícios se mantêm por meses; o estudo não acompanhou os pacientes além desse ponto, e não houve comparação com tratamento falso ou placebo.
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Ondas de choque mais fortes sempre aliviam mais a dor
Achado
Ambas as intensidades reduziram a dor de forma semelhante; a vantagem da energia alta apareceu na funcionalidade e amplitude de movimento, não na dor
Mito
Preciso de muitas sessões para sentir alguma diferença
Achado
Com apenas duas sessões semanais, houve melhora significativa em vários parâmetros, embora não se saiba se isso se sustenta
Mito
Ondas de choque são totalmente indolores
Achado
O estudo usou anestesia local rotineiramente, sugerindo que o procedimento pode ser desconfortável sem essa medida
Mito
Esse tratamento já está comprovado como melhor opção para dor miofascial
Achado
Trata-se de estudo piloto pequeno, sem grupo placebo e com seguimento curto; a evidência é promissora, mas não definitiva
Como isso pode funcionar
APLICAÇÃO MECÂNICA
Pulsos de energia são dirigidos ao ponto-gatilho miofascial, criando estímulo mecânico no tecido — mecanismo direto, observado clinicamente
POSSÍVEL MELHORA DA PERFUSÃO
Estudos sugerem que ondas de choque de alta energia podem aumentar a microcirculação cutânea e a oxigenação tecidual — mecanismo proposto, não diretamente demonstrado neste estudo
MODULAÇÃO DA SENSIBILIDADE
Há evidências de que ondas de choque podem afetar fibras nervosas não mielinizadas e alterar a sinalização da dor — mecanismo inferido de pesquisas pré-clínicas, não confirmado nestes pacientes
GANHO FUNCIONAL SECUNDÁRIO
A melhora da amplitude de movimento provavelmente decorre do alívio da dor no trapézio, músculo essencial para a flexão e rotação do pescoço — interpretação dos autores, baseada na anatomia
O que ainda é incerto
Comparar ondas de choque de alta e baixa energia para dor miofascial do trapézio superior
30 pacientes (3 homens, 27 mulheres) com síndrome miofascial do trapézio
Dois grupos receberam 1500 pulsos de ondas de choque, uma vez por semana, por 2 semanas
Ambos grupos melhoraram dor e mobilidade. Energia alta foi superior para função e flexão
Sem efeitos adversos importantes relatados. Anestesia local usada para conforto
Achados Interessantes
A DOR NÃO DIFERIU, MAS A FUNÇÃO SIM
Contra a intuição de que energia mais forte sempre alivia mais dor, a surpresa foi que ambas as intensidades foram iguais para dor — a vantagem da alta energia apareceu na capacidade funcional e no movimento do pescoço.
POUCAS SESSÕES, RESULTADO MENSURÁVEL
Com apenas duas sessões semanais, houve melhora significativa em múltiplos parâmetros, o que sugere que o tratamento pode ser relativamente rápido em produzir efeito, embora a duração seja incerta.
ANESTESIA LOCAL COMO PADRÃO
O uso rotineiro de lidocaína antes das sessões é um detalhe prático importante: indica que o procedimento não é totalmente confortável, mas tem estratégia para torná-lo tolerável.
LACUNA SOBRE MECANISMO
O estudo deixa claro que, apesar dos resultados clínicos, ainda não se sabe exatamente por que a alta energia funciona melhor para a mobilidade — seja por efeito direto no tecido, modulação nervosa ou simplesmente alívio
Resumo detalhado em linguagem acessível
A síndrome de dor miofascial é uma condição dolorosa bastante comum que afeta cerca de 12% da população em algum momento da vida. Ela se caracteriza pela presença de pontos-gatilho nos músculos — pequenas áreas de contração persistente que são dolorosas à palpação e podem irradiar dor para outras regiões. O trapézio superior, aquele músculo que vai da base do crânio até o ombro, é um dos locais mais frequentemente acometidos, causando dor no pescoço, ombro e até cefaleia. Para quem vive com essa condição, as opções de tratamento tradicionais incluem medicamentos, injeções e fisioterapia, mas nem sempre trazem o alívio desejado.
Nesse cenário, a terapia por ondas de choque extracorpóreas tem ganhado atenção como uma alternativa não invasiva. O tratamento utiliza pulsos de energia aplicados sobre a pele, direcionados aos pontos-gatilho dolorosos. A questão que permanecia em aberto era: qual intensidade de energia seria mais adequada? Seria melhor usar uma energia mais suave, com menos desconforto, ou uma energia mais intensa, potencialmente mais efetiva?
O estudo de Park e colaboradores, publicado em 2018, foi desenhado para responder exatamente essa pergunta. Trata-se de um ensaio clínico randomizado, ou seja, os participantes foram distribuídos ao acaso em dois grupos, o que aumenta a confiabilidade dos resultados. Os pesquisadores recrutaram 30 pacientes com síndrome de dor miofascial do trapézio superior, sendo 27 mulheres e 3 homens, com idades em torno dos 32 anos. Os critérios de inclusão eram bem definidos: dor com pelo menos 4 em uma escala de 0 a 10, presença de ponto-gatilho ativo no trapézio superior com padrão típico de dor referida, e duração dos sintomas de aproximadamente 8 semanas.
Importante notar que foram excluídos pacientes com doenças graves, problemas neurológicos como radiculopatia cervical, distúrbios de coagulação, uso de anticoagulantes, gestantes e pessoas com marca-passo.
Os participantes foram divididos em dois grupos de 15 pessoas cada. Um grupo recebeu ondas de choque de alta energia (0,210 mJ/mm²) e o outro, de baixa energia (0,068 mJ/mm²). Ambos realizaram duas sessões, com intervalo de uma semana entre elas, totalizando 1500 pulsos por sessão. Para tornar o procedimento tolerável, foi aplicada anestesia local com lidocaína antes de cada sessão.
Os avaliadores que mediram os resultados não sabiam a qual grupo cada paciente pertencia, o que reduz o viés de avaliação.
Os resultados foram mensurados antes do tratamento e duas semanas após a última sessão, usando quatro instrumentos diferentes: escala verbal numérica de dor (de 0 a 10), índice de incapacidade cervical (NDI, que avalia limitações funcionais em atividades diárias), amplitude de movimento do pescoço em várias direções (flexão, extensão, rotação e inclinação lateral), e limiar de dor à pressão (quanto maior, melhor — indica que o músculo tolera mais pressão antes de doer).
Os achados foram reveladores. Ambos os grupos melhoraram significativamente em dor, incapacidade funcional e limiar de dor à pressão. Isso significa que, independentemente da intensidade, as ondas de choque trouxeram benefícios reais. No entanto, quando os grupos foram comparados entre si, o de alta energia mostrou vantagens claras em dois aspectos específicos: a capacidade de inclinar o pescoço para frente (flexão) e a redução da incapacidade funcional medida pelo NDI.
A flexão cervical passou de aproximadamente 56 graus para 65 graus no grupo de alta energia, enquanto no grupo de baixa energia a mudança foi de 54 para 56 graus — uma diferença estatisticamente significativa. No NDI, que varia de 0 a 50, o grupo de alta energia passou de 11 para 4 pontos, enquanto o de baixa energia foi de 9 para 6,5 pontos.
Curiosamente, a dor em si — medida pela escala de 0 a 10 — não diferiu entre os grupos ao final. Ambos saíram de cerca de 5,5 para aproximadamente 3. Isso sugere que, para o alívio da dor propriamente dita, a intensidade da energia pode não ser tão determinante quanto se imaginava. Mas para recuperar a funcionalidade e a amplitude de movimento, especialmente a flexão do pescoço, a energia mais alta parece oferecer vantagem.
A interpretação desses resultados exige cautela. O estudo é um piloto, com apenas 30 participantes e acompanhamento de apenas duas semanas após o tratamento. Não sabemos se as diferenças observadas se manteriam a longo prazo. Além disso, não houve grupo placebo, ou seja, não dá para descartar completamente que parte da melhora se deva ao efeito de estar recebendo algum tratamento, em vez do tratamento em si.
A predominância feminina e a faixa etária relativamente jovem também limitam a generalização para outros perfis de pacientes.
Do ponto de vista prático, o que isso significa para quem sofre com dor miofascial do trapézio? As ondas de choque parecem ser uma opção viável e bem tolerada, sem efeitos adversos graves relatados neste estudo. Se o objetivo principal é reduzir a dor, tanto a energia alta quanto a baixa podem ajudar. Mas se há limitação importante para inclinar o pescoço ou realizar atividades do dia a dia, a energia mais alta pode oferecer benefício adicional.
A decisão sobre qual intensidade usar deve ser individualizada, considerando a tolerância ao desconforto do procedimento (mesmo com anestesia local, a energia alta pode ser mais intensa) e os objetivos específicos de cada paciente. É importante discutir com o médico se esse tratamento faz sentido no seu caso particular, especialmente considerando que não está isento de limitações e que a evidência, embora promissora, ainda precisa de confirmação em estudos maiores e com seguimento mais prolongado.
Alta energia
15 pessoas
0.210 mJ/mm² de ondas de choque
Baixa energia
15 pessoas
0.068 mJ/mm² de ondas de choque
Redução da dor (escala 0-10)
Melhora da incapacidade funcional
Flexão do pescoço
Limiar de dor à pressão
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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