Total de pacientes analisados
~1. 100
Soma dos participantes dos 28 estudos incluídos
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
International Journal of Environmental Research and Public Health
Ano
2021
Autores
Nowak et al.
Desenho
Revisão sistemática
Esta revisão analisou diferentes técnicas de agulhamento para tratar dor nos músculos da mastigação. Os pesquisadores encontraram que tanto o agulhamento seco quanto injeções de substâncias como Botox podem reduzir a dor e melhorar a função dos músculos mastigatórios. Embora os tratamentos sejam efetivos, ainda há necessidade de mais estudos para padronizar as técnicas e confirmar qual abordagem é mais eficaz.
Título original do estudo: Intramuscular Injections and Dry Needling within Masticatory Muscles in Management of Myofascial Pain. Systematic Review of Clinical Trials
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Agulhamento seco e injeções intramusculares nos músculos mastigatórios mostram potencial para reduzir dor e melhorar função em pacientes com dor miofascial, mas a falta de padronização entre estudos impede conclusões firmes sobre qual técnica ou substância é s
Esta revisão analisou diferentes técnicas de agulhamento para tratar dor nos músculos da mastigação. Os pesquisadores encontraram que tanto o agulhamento seco quanto injeções de substâncias como Botox podem reduzir a dor e melhorar a função dos músculos mastigatórios. Embora os tratamentos sejam efetivos, ainda há necessidade de mais estudos para padronizar as técnicas e confirmar qual abordagem é mais eficaz.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Revisão de 28 estudos mostra que técnicas de agulhamento nos músculos da mandíbula reduzem dor e melhoram abertura da boca, mas ainda faltam padrões claros sobre qual método é melh
Ponto 1
Diversas opções existem: agulhamento seco, Botox, anestésicos, PRP e colágeno
Ponto 2
O músculo masseter é o mais estudado; técnicas para músculos profundos têm pouca evidência
Ponto 3
Fale com seu dentista ou médico sobre expectativas realistas e critérios para avaliar resultado
O que este estudo acrescenta
Esta revisão mapeia o crescimento exponencial de publicações desde 2016 e inclui análise de novas substâncias como PRP e colágeno, além de sistematizar métodos de navegação emergentes para músculos de difícil acesso
Aplicabilidade clínica
A revisão sintetiza evidência de múltiplas técnicas com resultados consistentemente positivos, mas a baixa qualidade metodológica dos estudos primários, a heterogeneidade dos protocolos e a ausência de padronização limit
Força do desenho do estudo
Este estudo sintetiza múltiplos ensaios clínicos, oferecendo visão panorâmica do campo, mas a qualidade da evidência final depende da robustez dos estudos primários incluídos
Total de pacientes analisados
~1. 100
Soma dos participantes dos 28 estudos incluídos
Estudos no músculo masseter
65%
Proporção dos ensaios que trataram este músculo
Uso de palpação manual
72,5%
Porcentagem de estudos que usaram este método de localização
Estudos publicados desde 2016
86%
Indica o crescimento recente do interesse pelo tema
Dose máxima de Botox no masseter
150 UI
Maior dose relatada em um único estudo; doses mais comuns variam de 30 a 50 UI
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor miofascial em músculos mastigatórios associada a distúrbios temporomandibulares
Tipo de estudo
Revisão sistemática de ensaios clínicos
Participantes
Aproximadamente 1. 100 pacientes adultos com dor miofascial, distribuídos em 28 e
Duração
Variável entre estudos; a maioria avaliou desfechos de curto prazo (1 a 20 dias
Sessões
Predominantemente 1 sessão; alguns protocolos com 2 a 4 sessões
Comparador
Não obrigatório; estudos incluídos com grupos controle, placebo ou sem comparador
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
1 a 4 sessões, com predominância de tratamento único
Não padronizada; quando múltiplas sessões, geralmente com intervalos semanais
Variável; técnicas de agulhamento seco com imersão de 10 minutos em alguns estud
Pontos-gatilho identificados por palpação manual (72,5%) ou pontos anatômicos padronizados; agulhamento profundo ou superficial; injeções de Botox (20-150 UI), anestésicos locais (
Placebo, acupuntura, tratamento conservador ou ausência de grupo controle
Técnicas de navegação auxiliar (EMG, MRI, EPI®) usadas principalmente para músculos profundos; grande variabilidade de doses e número de pontos de punção entre estudos
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Intensidade da dor
reduziu
Todos os estudos incluídos relataram alguma redução da dor, embora com magnitude variável entre técnicas e substâncias
Abertura bucal máxima
melhorou
Aumento documentado da amplitude de abertura da boca, especialmente em pacientes com limitação funcional prévia
Limiar de dor à pressão
aumentou
Maior tolerância à pressão nos pontos-gatilho, indicando redução da sensibilização periférica
Desativação de pontos-gatilho
melhorou
Redução da irritabilidade e desaparecimento parcial dos pontos-gatilho identificados inicialmente
Qualidade de vida
melhorou
Alguns estudos específicos com Botox relataram melhora nos escores de qualidade de vida relacionada à saúde bucal
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
1 a 7 dias
Primeira avaliação pós-tratamento
Redução inicial da dor relatada na maioria dos estudos com agulhamento seco e injeções de anestésicos locais
1 a 20 dias
Curto prazo
PRP mostrou maior eficácia para redução da dor neste período segundo meta-análise prévia de Al-Moraissi
3 a 6 meses
Intermediário
Efeitos do Botox e do agulhamento seco sem resposta de contração local parecem mais sustentáveis neste prazo
Antes e depois
Participação de estudos no masseter
escala máx. 100 % dos ensaios
Uso de palpação manual
escala máx. 100 % dos estudos
Estudos com Botox
escala máx. 100 % dos ensaios
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
A maioria dos pacientes pode experimentar redução da intensidade da dor e melhora da abertura bucal, especialmente nas primeiras semanas após o procedimento
Tempo provável
Melhora inicial em 1 a 7 dias; efeitos mais duradouros podem requerer 2 a 4 sessões espaçadas
Não há evidência clara de que uma técnica ou substância seja superior às outras; a resposta individual varia e não há como prever com certeza quem se beneficiar
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Botox é sempre a melhor opção para dor miofascial
Achado
A evidência não mostra superioridade do Botox sobre anestésicos locais, agulhamento seco ou PRP; a escolha deve ser individualizada
Mito
Quanto mais profunda a agulha, melhor o resultado
Achado
Estudo comparativo sugere que agulhamento superficial pode ser tão eficaz quanto o profundo para dor no masseter, com possivelmente menos desconforto
Mito
É preciso sentir a contração muscular para o tratamento funcionar
Achado
A resposta de contração local não parece necessária para o sucesso clínico, e sua busca repetida pode aumentar o risco de danos ao tecido conjuntivo
Mito
Uma única sessão resolve definitivamente o problema
Achado
A maioria dos estudos usou uma sessão, mas a durabilidade dos resultados é incerta; alguns protocolos sugerem benefício com 2 a 4 sessões
Como isso pode funcionar
IDENTIFICAÇÃO DO ALVO
Pontos-gatilho miofasciais são localizados por palpação manual (mais comum) ou métodos auxiliares como EMG e MRI para músculos profundos
INTERVENÇÃO MECÂNICA OU QUÍMICA
A agulha rompe a banda tensa muscular; substâncias injetadas podem modificar a atividade nervosa local ou promover regeneração (mecanismo proposto, não totalmente confirmado)
MODULAÇÃO DA SENSIBILIZAÇÃO
A redução da nocicepção periférica pode diminuir a sensibilização do sistema nervoso central, diminuindo a percepção de dor (mecanismo teórico baseado em estudos de neurofisiologia da dor)
RESTAURAÇÃO FUNCIONAL
Com a diminuição da dor e tensão muscular, a amplitude de movimento da mandíbula tende a melhorar, interrompendo o ciclo de disfunção
O que ainda é incerto
Comparar técnicas de agulhamento seco e injeções intramusculares nos músculos mastigatórios para dor miofascial
28 estudos com pacientes adultos com dor miofascial em músculos mastigatórios
Análise de estudos usando Botox, anestésicos locais, PRP, colágeno e agulhamento seco
Redução da dor, aumento da abertura bucal e melhora do limiar de dor à pressão
Técnicas consideradas simples, seguras e acessíveis com poucos efeitos adversos
Achados Interessantes
EXPANSÃO DAS SUBSTÂNCIAS
Além do tradicional Botox e anestésicos, a revisão incluiu os primeiros ensaios com PRP e colágeno para dor miofascial mastigatória, abrindo caminho para abordagens regenerativas
MAPEAMENTO DE NAVEGAÇÃO
O trabalho sistematiza métodos de localização desde a simples palpação até tecnologias sofisticadas como MRI com navegação infravermelha, destacando que a escolha depende da profundidade do músculo alvo
QUESTIONAMENTO DO 'MAIS É MELHOR'
A análise sugere que agulhamento superficial e técnicas sem busca intensa de contração muscular podem ser tão eficazes quanto abordagens mais invasivas, com potencialmente menos desconforto
ALERTA SOBRE BOTOX REPETIDO
A revisão chama atenção para evidências preliminares de possíveis efeitos ósseos adversos com uso múltiplo de toxina botulínica em altas doses, tema pouco discutido em revisões anteriores
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor miofascial nos músculos da mastigação é uma condição extremamente comum, podendo afetar até 85% da população em algum momento da vida, e representa uma das principais causas de incapacidade relacionada aos distúrbios temporomandibulares (DTM). Caracteriza-se pela presença de pontos-gatilho miofasciais — áreas de hipersensibilidade dentro de bandas tensas musculares que causam dor local, dor referida e limitação funcional, como restrição da abertura bucal. A etiologia é multifatorial, frequentemente associada a bruxismo, tensão emocional, estresse e depressão, que levam a um ciclo de contração muscular sustentada, diminuição da circulação sanguínea e metabolismo anaeróbio, resultando em hipóxia, isquemia e inflamação local. Diante dessa complexidade, o tratamento pode variar desde abordagens conservadoras — exercícios, terapia manual, laserterapia, biofeedback, placas oclusais e farmacoterapia — até intervenções invasivas, como o agulhamento seco e as injeções intramusculares, que ganharam crescente atenção nos últimos anos devido à sua aparente simplicidade e eficácia na redução da dor.
A revisão sistemática de Nowak e colaboradores, publicada em 2021, surge em um contexto de expansão significativa da literatura sobre o tema: 86% dos estudos incluídos foram publicados a partir de 2016, refletindo o interesse crescente da comunidade científica. Os pesquisadores buscaram comparar e sintetizar as diferentes abordagens de agulhamento nos músculos mastigatórios — masseter, temporal, pterigóideo lateral e pterigóideo medial — analisando 28 ensaios clínicos que totalizaram aproximadamente 1. 100 pacientes. A metodologia seguiu rigorosos protocolos PICOS e PRISMA, com busca nas bases PubMed e BASE, e a seleção de artigos foi realizada de forma cega por múltiplos avaliadores, garantindo confiabilidade no processo.
O desenho dos estudos incluídos revelou uma heterogeneidade considerável, tanto nos métodos quanto nas populações e intervenções. O músculo masseter foi o mais estudado, presente em 65% dos ensaios (32 subgrupos de análise, totalizando 711 pacientes), seguido pelo músculo temporal em 27% (294 pacientes). Os pterigóideos, particularmente o lateral, foram abordados em apenas 8% dos casos (90 pacientes), enquanto o pterigóideo medial figurou em um único estudo com apenas 5 pacientes. Essa distribuição desigual reflete, em parte, a maior acessibilidade anatômica do masseter e do temporal, que são superficiais e de maior volume, contrastando com a localização profunda dos pterigóideos, que exige técnicas de localização mais complexas.
As intervenções analisadas dividiram-se em duas grandes categorias: agulhamento úmido (wet needling), com injeção de substâncias, e agulhamento seco (dry needling), sem administração de fármacos. Entre as substâncias injetadas, a toxina botulínica (Botox) predominou absolutamente, sendo investigada em cerca de 60% dos ensaios, especialmente para masseter e temporal. Outras substâncias incluíram anestésicos locais (principalmente lidocaína a 2%), plasma rico em plaquetas (PRP) e colágeno — estas últimas representando inovações mais recentes, com estudos publicados a partir de 2018. O agulhamento seco, por sua vez, foi empregado em diversas técnicas, desde a abordagem profunda buscando resposta de contração local (local twitch response) até a técnica superficial, com imersão de 5 a 10 mm e rotação da agulha.
A localização dos pontos de punção também variou consideravelmente. A palpação manual foi o método mais empregado, presente em 72,5% dos estudos, permitindo identificar os pontos-gatilho mais dolorosos ou áreas de maior tensão muscular. Métodos de navegação auxiliar, como eletromiografia (EMG), equipamento de eletroterapia EPI® e ressonância magnética (RM) com navegação infravermelha, foram utilizados principalmente para acessar músculos profundos como o pterigóideo lateral, embora representassem proporção minoritária (cerca de 17,7% combinados). Em quase 10% dos ensaios, o método de localização sequer foi especificado, evidenciando a falta de padronização que os autores destacaram como limitação crítica.
Em termos de resultados, todos os estudos incluídos relataram efeitos positivos das terapias de agulhamento, embora com variados graus de magnitude e metodologias de avaliação. As principais melhorias documentadas foram: redução da intensidade da dor, aumento da máxima abertura bucal e elevação do limiar de dor à pressão — ou seja, a quantidade de pressão necessária para provocar dor aumentou, indicando menor sensibilização do tecido. A meta-análise prévia de Al-Moraissi et al. (2020), citada pelos autores, havia já sugerido que a eficácia do agulhamento não dependia do tipo (seco ou úmido) nem da substância injetada, levantando questões importantes sobre o mecanismo real de ação, que permanece parcialmente elucidado.
A segurança das técnicas foi geralmente descrita como boa, com procedimentos considerados simples e acessíveis. No entanto, a revisão identificou preocupações específicas relacionadas ao uso repetido de toxina botulínica em altas doses. Estudos citados indicaram potencial diminuição da densidade óssea e perda de volume dos processos coronóide e condilar da mandíbula associadas a múltiplas aplicações de Botox, embora outros trabalhos não tenham confirmado achados clinicamente significativos. Essa controvérsia ressalta a necessidade de monitoramento em pacientes submetidos a tratamentos prolongados, especialmente com doses elevadas.
A utilidade clínica desta revisão para pacientes reside principalmente na constatação de que múltiplas opções de agulhamento estão disponíveis e podem oferecer alívio sintomático quando tratamentos conservadores falham. O agulhamento seco, em particular, emerge como alternativa atraente por não envolver substâncias farmacológicas, reduzindo riscos de reações adversas. O PRP e o colágeno, embora promissores por estimularem processos regenerativos naturais, ainda carecem de evidências de alta qualidade e ensaios em amostras maiores. A escolha entre as diferentes abordagens deve considerar fatores individuais: localização dos sintomas, presença de pontos-gatilho identificáveis, resposta prévia a tratamentos, preferência do paciente e experiência do profissional.
As limitações desta revisão são substanciais e devem ser ponderadas na interpretação dos resultados. A heterogeneidade metodológica entre os estudos — variando em tamanho amostral (de 5 a 61 pacientes), número de sessões (predominantemente uma única sessão, embora alguns protocolos previssem até quatro), doses de substâncias, técnicas de localização e critérios de desfecho — impede comparações diretas e meta-análises robustas. A qualidade da evidência foi reconhecidamente baixa em muitos estudos, com imprecisões e inconsistências técnicas. Além disso, a ausência de protocolos padronizados dificulta a reprodutibilidade e a implementação sistemática na prática clínica.
Os autores explicitamente não avaliaram o viés, conflitos de interesse ou qualidade individual dos estudos, focando-se na descrição técnica, o que pode limitar a confiabilidade das conclusões sobre eficácia comparativa.
Para o paciente que convive com dor miofascial persistente, esta revisão oferece uma mensagem de cautela esperançosa: existem opções terapêuticas invasivas com potencial de alívio, mas a escolha deve ser individualizada e a expectativa de resultados realista. Não há evidência clara de superioridade de uma técnica sobre outra, e a decisão deve envolver discussão aberta com o profissional sobre riscos, benefícios, custos e alternativas. A necessidade de mais pesquisas, especialmente ensaios clínicos randomizados de alta qualidade com amostras maiores, padronização de protocolos e acompanhamento de longo prazo, é urgente e reconhecida pelos próprios autores como prioridade para avançar o campo.
Músculos masseter
711 pessoas
Botox, anestésicos, PRP, agulhamento seco
Músculos temporais
294 pessoas
Principalmente Botox
Músculos pterigóideos
95 pessoas
Botox e agulhamento seco
Estudos no masseter
Uso de palpação manual
Estudos com Botox
Número de tratamentos
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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