pacientes no estudo principal
229. 230
maior estudo de eventos adversos com agulhas
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
International Journal of Sports Physical Therapy
Ano
2016
Autores
Halle et al.
Desenho
Revisão de Segurança
Este estudo revisa os riscos anatômicos na região do tórax, como pneumotórax (ar entre os pulmões), que é raro mas possível. Os benefícios do tratamento superam os riscos quando aplicado adequadamente.
Título original do estudo: Pertinent Dry Needling Considerations for Minimizing Adverse Effects - Part One
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Este estudo revisa os riscos anatômicos na região do tórax, como pneumotórax (ar entre os pulmões), que é raro mas possível. Os benefícios do tratamento superam os riscos quando aplicado adequadamente.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Técnica geralmente segura quando feita por profissional experiente
Ponto 1
Risco baixo mas real de pneumotórax - conheça os sinais
Ponto 2
Variações anatômicas individuais podem aumentar risco
Ponto 3
Comunicação imediata de desconforto é essencial
O que este estudo acrescenta
primeira revisão abrangente das considerações anatômicas específicas para agulhamento seco torácico
Aplicabilidade clínica
conhecimento essencial para prática segura, prevenção de complicações potencialmente sérias como pneumotórax
Força do desenho do estudo
Análise especializada baseada em casos relatados e conhecimento anatômico estabelecido
pacientes no estudo principal
229. 230
maior estudo de eventos adversos com agulhas
eventos adversos relatados
8,6%
pacientes que reportaram algum problema
necessitaram tratamento
2,2%
eventos que precisaram cuidado médico adicional
distância mínima pele-pulmão
3,1 cm
em alguns indivíduos na região cervical
Ficha rápida do estudo
Condição
segurança do agulhamento seco na região torácica
Tipo de estudo
comentário clínico e revisão de literatura
Participantes
229. 230 pacientes em estudo principal citado
Duração
revisão de múltiplos anos de literatura
Sessões
não aplicável - revisão de segurança
Comparador
análise de relatos de casos e anatomia
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
não aplicável
revisão de segurança
não especificado
músculos torácicos incluindo trapézio, romboides, supraespinhal, peitoral maior, serratus anterior
análise de literatura e anatomia
foco em técnicas preventivas usando anteparos ósseos
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
conhecimento anatômico
melhorou
compreensão detalhada da anatomia torácica e riscos
técnicas preventivas
desenvolveu
uso de anteparos ósseos e técnicas de enquadramento
reconhecimento de riscos
aumentou
identificação de variações anatômicas e vulnerabilidades
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
8 semanas
resolução de pneumotórax
caso relatado com recuperação completa após pneumotórax de 20%
Antes e depois
Casos de pneumotórax relatados
escala máx. 10 casos em 229.230 pac
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Agulhamento seco é tipicamente bem tolerado, mas pacientes devem estar cientes de sinais de pneumotórax
Tempo provável
sintomas de complicações podem aparecer imediatamente ou até 3 dias após
qualquer dor torácica, dificuldade respiratória ou tosse após o procedimento requer avaliação médica imediata
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Agulhamento seco é sempre seguro por usar agulhas pequenas
Achado
Mesmo agulhas pequenas podem causar pneumotórax se mal posicionadas
Mito
Anteparos ósseos garantem segurança total
Achado
Agulhas podem deslizar ao longo das bordas ósseas e penetrar além do esperado
Mito
Eventos adversos sempre aparecem imediatamente
Achado
Sintomas podem ser retardados em horas ou até dias
Como isso pode funcionar
PASSO 1
Agulha penetra pele, fáscia superficial e músculos torácicos
PASSO 2
Se muito profunda, pode atravessar músculos intercostais finos
PASSO 3
Penetração da pleura permite entrada de ar, causando pneumotórax
O que ainda é incerto
Minimizar riscos de eventos adversos no agulhamento seco da região torácica através do conhecimento anatômico
Pneumotórax, tamponamento cardíaco, hematomas e lesões em nervos foram relatados
Cavidade pleural se estende acima da clavícula e até a 12ª costela, requerendo cuidado especial
Uso de estruturas ósseas como anteparo e conhecimento profundo da anatomia local
Eventos adversos variam de 0% a 10%, sendo pneumotórax menos de 1 em 100. 000 casos
Achados Interessantes
VARIAÇÃO ANATÔMICA
Pulmões podem estender-se acima da clavícula em alguns indivíduos, tornando agulhamento cervical mais arriscado que previamente reconhecido
APRESENTAÇÃO TARDIA
Sintomas de pneumotórax podem aparecer até 3 dias após o procedimento, não apenas imediatamente
TÉCNICA DE ENQUADRAMENTO
Uso de estruturas ósseas como anteparo é eficaz, mas agulhas podem deslizar sobre bordas ósseas
Resumo detalhado em linguagem acessível
Reconhecido oficialmente pelo Guia para a Prática da Fisioterapia em 2014 e aprovado por conselhos de licenciamento em pelo menos 33 estados americanos, incluindo o Distrito de Columbia, esta técnica emergiu como uma importante ferramenta adjuvante no tratamento da dor musculoesquelética. O procedimento envolve a inserção de agulhas filiformes sólidas em tecidos para o manejo da dor e disfunções neuromusculoesqueléticas, com diâmetro aproximado de cinco vezes maior que uma única fibra muscular. A primeira citação científica sobre agulhamento seco foi publicada por Karel Lewit há mais de 25 anos, mas a técnica tem ganhado popularidade significativa nos últimos cinco anos devido à versatilidade para diversas condições musculoesqueléticas e exemplos de sucesso clínico documentado. O agulhamento seco pode ser aplicado em múltiplas estruturas, incluindo músculos, ligamentos, tendões, fáscia subcutânea, tecido cicatricial, nervos periféricos, ossos e feixes neurovasculares.
A técnica pode ser superficial ou profunda, incluindo ou não pontos-gatilho miofasciais. Os possíveis mecanismos de alívio da dor incluem modulação periférica e central através da teoria do portão de controle, ativação do sistema opióide endógeno, interrupção da sensibilização central, disrupção de pontos-gatilho miofasciais com isquemia e hipóxia locais, efeitos remotos onde estimulação distal pode reduzir irritabilidade proximal, e potenciais efeitos placebo. Pesquisas demonstram aumentos no fluxo sanguíneo e níveis de saturação de oxigênio após o procedimento, aumento da atividade fibroblástica e efeitos endocrinológicos e neurológicos que diminuem a ativação do sistema límbico. A evidência clínica para agulhamento seco inclui redução imediata da dor e redução mantida em quatro semanas para dor miofascial do quadrante superior, classificada como evidência grau A.
Estudos demonstram redução clinicamente significativa da dor para osteoartrite de joelho e quadril, dor no ombro, cervical e lombar. No entanto, fatores como frequência ótima de tratamentos, duração da inserção da agulha, intensidade e uso de estimulação elétrica permanecem a ser determinados. Este comentário clínico surge da observação durante um workshop de agulhamento seco onde locais comumente ensinados para agulhamento do glúteo máximo coincidiam com áreas tradicionalmente evitadas para injeções devido ao risco de lesão do nervo ciático. A literatura documenta 370 lesões por injeção em nervos descritas por Villarejo e colaboradores, além de 36 casos adicionais relatados por Pandian e colaboradores, predominantemente em crianças com massa corporal limitada.
Um achado preocupante foi que apenas 28% das lesões tiveram recuperação completa, sublinhando a importância do conhecimento anatômico para minimizar riscos. O maior estudo sobre eventos adversos com agulhamento foi conduzido por Witt e colaboradores, acompanhando 229. 230 pacientes que receberam acupuntura para várias condições, totalizando aproximadamente 2,2 milhões de sessões. Destes pacientes, 8,6% relataram pelo menos um evento adverso, enquanto 2,2% necessitaram tratamento adicional.
Os eventos adversos mais comuns foram sangramento ou dor, mas dois pacientes experimentaram pneumotórax e um teve lesão nervosa com efeitos colaterais durando 180 dias. Embora estes números demonstrem que eventos adversos ocorrem, provavelmente são subestimados devido ao autorrelato dos pacientes. O pneumotórax representa uma das complicações mais sérias associadas ao agulhamento na região torácica. Três casos detalhados ilustram a variabilidade na apresentação desta complicação.
O primeiro ocorreu durante um workshop de agulhamento seco quando uma agulha penetrou mais profundamente que o esperado no músculo iliocostal. O participante desenvolveu dor difusa centrada na escápula, dor inspiratória, tosse seca e sensação de falta de ar que piorava com atividade física. Uma radiografia no segundo dia demonstrou pneumotórax de 20% no lado esquerdo, com falta de ar ao esforço ainda presente duas semanas após, resolvendo completamente em oito semanas. O segundo caso envolveu tratamento de acupuntura para dor cervical e torácica superior, com o paciente experimentando falta de ar e dor quatro a cinco horas após o tratamento.
A dor intensificou-se progressivamente, e após tolerar os sintomas por dois dias, o paciente procurou atendimento de emergência onde o pneumotórax foi confirmado. O terceiro caso ocorreu durante exame eletromiográfico do músculo romboide maior, com sintomas aparecendo em 40 minutos. Estes casos demonstram que a apresentação dos sintomas pode variar significativamente, desde imediata até três dias após o procedimento, e que pneumotórax parcial é frequentemente tratado de forma conservativa, enquanto pneumotórax extenso pode requerer toracostomia com tubo. A anatomia da cavidade pleural é complexa e variável entre indivíduos.
Em um estudo anatômico com 23 cadáveres conduzido após um caso de pneumotórax durante eletromiografia paracervical, cinco apresentaram tecido pulmonar estendendo-se acima da clavícula, com distância mínima da pele ao pulmão de apenas 3,1 centímetros. Esta variabilidade significa que músculos como trapézio superior, paravertebrais cervicais inferiores, romboides e supraespinhal podem estar perigosamente próximos ao tecido pulmonar. O ápice pulmonar estende-se 2 a 3 centímetros acima da linha clavicular, enquanto inferiormente, os pulmões estendem-se até o nível da 12ª costela posteriormente. O artigo fornece orientações específicas para cada região muscular de risco.
Para os paravertebrais cervicais inferiores, recomenda-se manter a agulha medial ao processo transverso, com ausculta prévia em pacientes com pescoços longos e magros. O comprimento da agulha deve ser considerado, pois agulhas de 3,1 centímetros podem alcançar tecido pulmonar. Para o músculo supraespinhal, geralmente considerado seguro devido ao anteparo ósseo da fossa supraespinhal, um caso demonstrou que a proteção pode falhar quando a agulha é colocada no ponto médio da espinha da escápula, onde a fossa é mais estreita. O agulhamento dos romboides apresenta riscos particulares devido à localização superficial sobre a caixa torácica, com apenas o trapézio como camada muscular interposta.
Um caso de 1990 relatou pneumotórax em paciente submetido a eletromiografia do romboide maior para investigação de radiculopatia C5. Aproximadamente 40 minutos após o procedimento, o paciente tornou-se agudamente ansioso, inquieto e com falta de ar, com radiografia revelando pneumotórax extenso com desvio mediastinal. Isto demonstra que qualquer tipo de agulha no músculo romboide tem risco inerente, e o benefício deve ser pesado contra os riscos diagnósticos. O peitoral maior oferece desafios únicos devido à variabilidade na espessura do tecido adiposo sobrejacente, sensibilidades de gênero relacionadas ao tecido mamário, e proximidade com a caixa torácica.
A técnica mais segura envolve agulhamento na porção lateral do músculo próximo à inserção umeral, com orientação oblíqua para evitar os campos pulmonares. Uma técnica alternativa de "enquadramento" posiciona os dedos do clínico em ambos os lados de uma costela identificada, contando com a costela como anteparo, embora seja possível que a agulha deslize sobre a borda da costela.
Revisão de literatura
229230 pessoas
Análise de casos relatados na literatura
Pacientes que relataram eventos adversos
Necessitaram tratamento adicional
Incidência de pneumotórax com acupuntura
Recuperação completa após lesão de nervo
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor crônica · Avaliação especializada
Converse com quem trata dor crônica há mais de 40 anos
A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
Acesse a fonte original
Continue lendo
Outros estudos próximos para aprofundar a leitura.
O que este estudo responde
Examinadores clínicos experientes conseguem diagnosticar síndrome de dor miofascial no quarto superior com alta confiabilidade usando exame físico…
Vale abrir se...
Útil se você quer entender como síndrome de dor miofascial foi comparado a grupo controle saudável sem dor e sem pontos-gatilho ativos em síndrome de dor miofascial com…
Comparador
Grupo controle saudável sem dor e sem pontos-gatilho ativos
Força da evidência
Mayoral del Moral et al.
Pain Medicine
O que este estudo responde
A dor pós-agulhamento é um efeito muito comum (50-100% dos casos) e temporário (24-72h) após agulhamento seco, com intensidade moderada (3,5-5,6/10),…
Vale abrir se...
Útil se você quer entender como estudos com agulhas filiformes foi comparado a diferentes técnicas e protocolos de agulhamento em dor pós-agulhamento em pontos gatilho…
Comparador
diferentes técnicas e protocolos de agulhamento
Força da evidência
Martín-Pintado-Zugasti et al.
Journal of Bodywork & Movement Therapies
O que este estudo responde
O agulhamento seco apresenta efeitos adversos menores em quase todos os pacientes ao longo do tempo e complicações graves em proporção pequena mas não…
Vale abrir se...
Útil se você quer entender como profissionais com diferentes níveis de treinamento e experiência foi comparado a análise entre subgrupos por horas de treinamento, anos de…
Comparador
análise entre subgrupos por horas de treinamento, anos de experiência, percentual de uso e carga semanal
Força da evidência
Valera-Calero et al.
Medicina
O que este estudo responde
A dor miofascial é extremamente comum e o diagnóstico é clínico, baseado em pontos-gatilho; o tratamento começa com alongamento e movimentação gradual,…
Vale abrir se...
Útil se você quer entender como grupos não claramente descritos foi comparado a não aplicável — múltiplas comparações entre estudos primários em síndrome de dor miofascial…
Comparador
Não aplicável — múltiplas comparações entre estudos primários
Força da evidência
Weller et al.
Seminars in Neurology