profissionais ouvidos
422
tamanho da amostra, um dos maiores levantamentos do tipo
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Medicina
Ano
2024
Autores
Valera-Calero et al.
Desenho
Nível não totalmente claro
Efeitos menores como dor após o tratamento e hematomas ocorrem na maioria dos casos, enquanto complicações graves como pneumotórax são raras mas possíveis. Os resultados destacam a importância de escolher profissionais bem treinados e que usem orientação por ultrassom quando necessário para maior segurança.
Título original do estudo: Current State of Dry Needling Practices: A Comprehensive Analysis on Use, Training, and Safety
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
O agulhamento seco apresenta efeitos adversos menores em quase todos os pacientes ao longo do tempo e complicações graves em proporção pequena mas não nula, reforçando que a segurança depende mais da qualidade da formação anatômica e do uso de recursos de guia
Efeitos menores como dor após o tratamento e hematomas ocorrem na maioria dos casos, enquanto complicações graves como pneumotórax são raras mas possíveis. Os resultados destacam a importância de escolher profissionais bem treinados e que usem orientação por ultrassom quando necessário para maior segurança.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Estudo espanhol com centenas de profissionais mostra que efeitos como dor e hematomas são esperados, enquanto complicações graves existem em proporção pequena mas real. A escolha d
Ponto 1
Espere dor pós-sessão e possíveis hematomas — são efeitos normais, não exceções
Ponto 2
Pergunte sobre formação em anatomia e uso de ultrassom, especialmente para regiões do tórax e pescoço
Ponto 3
Não existe procedimento sem risco; complicações graves são raras por sessão, mas possíveis e documentadas
O que este estudo acrescenta
Este é um dos maiores levantamentos nacionais sobre práticas reais de agulhamento seco na Europa, com dados inéditos sobre a baixa adoção de ultrassom e o paradoxo de que mais treinamento não se traduziu em menos eventos
Aplicabilidade clínica
O estudo não mede benefício terapêutico direto para pacientes, mas fornece dados robustos sobre perfil de segurança que são essenciais para decisão informada e para orientar políticas de formação e protocolos clínicos ma
Força do desenho do estudo
Este tipo de estudo descreve práticas e eventos em um momento específico, mas não consegue estabelecer relações de causa e efeito nem medir resultados em pacientes de forma direta.
profissionais ouvidos
422
tamanho da amostra, um dos maiores levantamentos do tipo
com dor pós-agulhamento
95,5%
percentual de carreiras com este evento adverso menor
com pneumotórax relatado
8,2%
evento adverso grave, possivelmente superestimado por viés de memória
que usam ultrassom
14,5%
baixa adoção de recurso de segurança recomendado
com punção acidental de nervo
53%
evento adverso maior relativamente frequente ao longo da carreira
Ficha rápida do estudo
Condição
práticas de agulhamento seco e seus eventos adversos
Tipo de estudo
pesquisa transversal por questionário
Participantes
Duração
janeiro de 2019 a abril de 2024 (período de coleta)
Sessões
não aplicável (estudo sobre prática, não sobre pacientes tratados)
Comparador
análise entre subgrupos por horas de treinamento, anos de experiência, percentual de uso e carga semanal
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
não aplicável — estudo observacional sobre prática habitual, não protocolo fixo
variável conforme prática individual do profissional
não especificado no estudo
técnica de agulhamento seco em pontos gatilho miofasciais, sem injeção de substâncias
comparação entre subgrupos de profissionais, não entre técnicas
Apenas 14,5% usavam ultrassom para guiar as inserções; 85,5% realizavam o procedimento sem orientação por imagem
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
conhecimento sobre perfil de risco
ampliado
maior clareza sobre quais eventos adversos são comuns e quais são raros mas graves
identificação de fatores associados a complicações
melhorado
maior treinamento e maior volume de prática correlacionaram-se com mais eventos adversos relatados, possivelmente por maior exposição
visibilidade da baixa adoção de ultrassom
revelado
apenas 14,5% dos profissionais usavam guiamento por imagem, apesar de sua comprovada maior segurança
alerta sobre paradoxo da experiência
demonstrado
mais treinamento não se traduziu em menos complicações, sugerindo que volume de curso sem foco em segurança anatômica pode ser insuficiente
O que não mudou
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
É muito provável que sinta dor no local após a sessão e que apareça um pequeno hematoma. Esses efeitos costumam passar em horas ou poucos dias. O alívio da dor muscular pode ocorrer, mas não é garantido, e em alguns casos os sintomas podem
Tempo provável
Os efeitos menores aparecem imediatamente ou nas primeiras 24-48 horas; benefícios, quando ocorrem, tendem a ser notados
Complicações graves como pneumotórax são raras por sessão individual, mas possíveis — especialmente em regiões torácicas e sem uso de guiamento por imagem
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Quanto mais treinamento o profissional tem, mais seguro é o procedimento
Achado
Neste estudo, profissionais com mais de 100h de curso relataram mais complicações, possivelmente por maior volume de prática e confiança em casos complexos — o que sugere que qualidade e foco em segurança podem importar
Mito
Agulhamento seco é uma técnica completamente segura sem riscos importantes
Achado
Eventos adversos menores ocorrem na esmagadora maioria das carreiras, e complicações maiores como pneumotórax, punção de nervo e piora prolongada de sintomas foram relatadas por proporções significativas de profissionais
Mito
A experiência de anos elimina o risco de complicações
Achado
Profissionais com 6-10 anos de experiência relataram mais auto-agulhamentos acidentais, e não houve eliminação de eventos graves com o tempo — a prudência anatômica continua essencial em qualquer estágio
Mito
O ultrassom é um recurso supérfluo e pouco usado na prática real
Achado
Embora 85,5% não o utilizem, a literatura científica recomenda fortemente o guiamento por imagem para aumentar precisão e reduzir riscos, especialmente em músculos de alto risco anatômico
Como isso pode funcionar
INSERÇÃO DA AGULHA
A agulha fina penetra a pele e camadas superficiais até atingir o ponto gatilho miofascial — área de tensão anormal no músculo. O mecanismo exato de alívio da dor ainda é parcialmente compreendido e provavelmente envolve
RESPONSE LOCAL
A inserção pode provocar resposta de espasmo local (twitch response) e alterar a atividade elétrica do músculo. Este efeito é observado clinicamente, mas sua relação direta com o benefício terapêutico permanece objeto de
MODULAÇÃO DA DOR
Estudos sugerem que a técnica pode influenciar vias de processamento da dor no sistema nervoso central, embora o mecanismo completo ainda seja proposto e não totalmente elucidado.
RISCO ANATÔMICO
Sem orientação por imagem, a agulha avança de forma cega através de tecidos. A profundidade inadequada, erros de direção ou variações anatômicas individuais podem levar a punção de estruturas não desejadas — mecanismo de
O que ainda é incerto
questionário online sobre experiência, treinamento e frequência de eventos adversos
identificação de eventos adversos menores frequentes (52-95%) e maiores menos comuns (4. 8-62%)
eventos graves raros, mas necessidade de melhor treinamento anatômico e uso de ultrassom
Achados Interessantes
O PARADOXO DA EXPERIÊNCIA
Contrariando a intuição, profissionais com mais horas de treinamento relataram mais eventos adversos em algumas categorias — possivelmente porque tratam mais casos e com maior complexidade, não porque a formação seja inú
ULTRASSOM: RECOMENDADO, MAS RARO
Apesar de estudos mostrarem que o guiamento por imagem aumenta a precisão e reduz riscos, apenas 1 em cada 7 profissionais o utiliza rotineiramente — revelando uma lacuna entre evidência científica e prática clínica real
PIORA PROLONGADA: MAIS COMUM QUE SE IMAGINA
62% dos profissionais relataram já ver sintomas que pioraram e não melhoraram rapidamente — um lembrete de que a técnica não funciona para todos e pode, em alguns casos, agravar temporariamente a condição.
NECESSIDADE DE BANCO DE DADOS NACIONAL
Os autores propõem sistemas centralizados de notificação de eventos adversos, como existem em outros países, para substituir a dependência da memória dos profissionais por dados prospectivos e confiáveis.
Resumo detalhado em linguagem acessível
O agulhamento seco é uma técnica que utiliza agulhas finas e sem medicação para atingir pontos gatilho miofasciais — nódulos sensíveis em músculos que podem causar dor e limitação de movimento. É comumente indicado para dores musculoesqueléticas como cervicalgia, lombalgia, dor no ombro e cefaleia tensional. Apesar de sua crescente popularidade, a segurança da técnica permanece tema de debate na comunidade científica, especialmente porque envolve a inserção de agulhas em tecidos profundos próximos a estruturas sensíveis como nervos, vasos e, em algumas regiões, a própria pleura pulmonar.
Este estudo espanhol, publicado em 2024 na revista Medicina, representa uma das análises mais abrangentes já realizadas sobre as práticas reais de agulhamento seco na clínica diária. Os pesquisadores aplicaram um questionário online detalhado a 422 profissionais licenciados que trabalhavam na Espanha, entre janeiro de 2019 e abril de 2024. O instrumento investigou quatro dimensões principais: características demográficas e profissionais, frequência de eventos adversos relacionados à dor, complicações relacionadas a defeitos das agulhas e efeitos colaterais diversos da técnica. Também foi perguntado sobre o uso rotineiro de ultrassom para guiar as inserções — recurso que teoricamente aumenta a precisão e a segurança.
A amostra era majoritariamente feminina (65,9%), com idade média de 31 anos. Quanto à formação, 38,6% tinham entre 21 e 60 horas de treinamento específico em agulhamento seco, enquanto 24,9% acumulavam mais de 100 horas. A maioria (36%) possuía menos de dois anos de experiência clínica com a técnica, e apenas 5,7% ultrapassavam dez anos. O uso do agulhamento seco variava bastante: 34,6% dos participantes aplicavam a técnica em 20% a 39% de seus pacientes, enquanto apenas 1,7% a utilizava em praticamente todos os casos.
O dado mais preocupante foi que 85,5% dos profissionais não usavam ultrassom para guiar as intervenções, apesar das recomendações de segurança nesse sentido.
Os resultados sobre eventos adversos revelaram um cenário de frequente incidência de efeitos menores e presença não desprezível de complicações maiores. A dor pós-agulhamento foi praticamente universal: 95,5% dos profissionais relataram já ter observado esse efeito em algum momento da carreira, com quase metade (47,9%) considerando-o frequente ou comum em sua prática. Hematomas ocorreram em 85,3% das carreiras, e agulhas dobradas em 68,9%. Esses números são consideravelmente mais altos do que os reportados em estudos anteriores, que estimavam efeitos leves em 19% a 36% dos tratamentos — a diferença pode se explicar pelo fato de que esta pesquisa perguntou sobre toda a carreira profissional, não por sessão individual.
Quanto aos eventos adversos maiores, os números também chamam atenção. A piora prolongada dos sintomas foi relatada por 62% dos participantes, punção acidental de nervo por 53%, e desmaios por 51,7%. O pneumotórax — complicação grave que pode comprometer a função pulmonar — apareceu em 8,2% das carreiras, percentual muito superior ao documentado em literatura prévia (menos de 0,1% em algumas séries). Os autores alertam que esse dado provavelmente reflete viés de memória e possível sobre-notificação, já que profissionais que vivenciaram eventos graves podem ter maior propensão a responder pesquisas sobre segurança.
Ainda assim, a magnitude indica que riscos sérios, embora estatisticamente raros por sessão, não são teóricos: são eventos que ocorrem na prática real.
Um achado relevante foi que mais treinamento nem sempre se traduziu em menos complicações. Profissionais com mais de 100 horas de curso relataram mais sangramento excessivo e piora de sintomas. Os autores interpretam esse paradoxo como provável efeito de maior exposição: quem tem mais formação tende a realizar mais procedimentos, em regiões mais complexas, com maior confiança técnica — o que aumenta o denominador de risco ao longo do tempo. Já os menos experientes (menos de dois anos) mostraram mais hematomas e interrupções de tratamento por dor, sugerindo curva de aprendizado relevante.
A baixa adoção do ultrassom (apenas 14,5%) é apontada como uma lacuna crítica. Estudos prévios demonstram que a orientação por imagem aumenta substancialmente a precisão da colocação da agulha, especialmente em músculos de alto risco como o trapézio superior, o levantador da escápula e os músculos paravertebrais torácicos — justamente a região onde o pneumotórax é mais temido. Barreiras como custo do equipamento, falta de treinamento em imagem e disponibilidade limitada em clínicas são mencionadas como fatores que dificultam essa prática mais segura.
Para pacientes que consideram o agulhamento seco como opção terapêutica, este estudo oferece informações valiosas para decisão compartilhada. A técnica não é isenta de riscos, mas os riscos graves são relativamente raros quando ponderados por sessão individual. A dor pós-procedimento e pequenos hematomas devem ser esperados como norma, não como exceção. A escolha de um profissional com sólida formação anatômica, que conheça profundamente as estruturas subjacentes aos pontos de inserção, que utilize agulhas de comprimento adequado para cada região e que esteja preparado para reconhecer sinais de alerta precocemente, parece ser o fator mais importante para segurança.
A pergunta sobre uso de ultrassom em regiões de maior risco anatômico é pertinente e razoável. Por fim, a comunicação aberta sobre o que esperar — tanto no sentido de benefícios quanto de desconfortos e riscos — é fundamental para que a relação terapêutica seja construída sobre informação verdadeira, não sobre promessas de inocuidade inexistente.
fisioterapeutas
422 pessoas
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hematomas
agulhas dobradas
pneumotórax
uso de ultrassom para guiar
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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