Estudo científico comentado

Estado Atual das Práticas de Agulhamento Seco: Análise Abrangente sobre Uso, Treinamento e Segurança

Referência acadêmica

Periódico

Medicina

Ano

2024

Autores

Valera-Calero et al.

Desenho

Nível não totalmente claro

Efeitos menores como dor após o tratamento e hematomas ocorrem na maioria dos casos, enquanto complicações graves como pneumotórax são raras mas possíveis. Os resultados destacam a importância de escolher profissionais bem treinados e que usem orientação por ultrassom quando necessário para maior segurança.

Título original do estudo: Current State of Dry Needling Practices: A Comprehensive Analysis on Use, Training, and Safety

📊pesquisa transversal👥n=422 fisioterapeutasmoderado impacto clínico
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

O agulhamento seco apresenta efeitos adversos menores em quase todos os pacientes ao longo do tempo e complicações graves em proporção pequena mas não nula, reforçando que a segurança depende mais da qualidade da formação anatômica e do uso de recursos de guia

O que isso significa para você?

Efeitos menores como dor após o tratamento e hematomas ocorrem na maioria dos casos, enquanto complicações graves como pneumotórax são raras mas possíveis. Os resultados destacam a importância de escolher profissionais bem treinados e que usem orientação por ultrassom quando necessário para maior segurança.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A dor após o agulhamento seco e pequenos hematomas são extremamente comuns — não são sinais de erro, mas efeitos esperados da técnica.
  • 2Pergunte explicitamente se o profissional utiliza ultrassom para guiar a inserção em regiões de maior risco anatômico; isso pode fazer diferença real na segurança.
  • 3Complicações graves como pneumotórax existem e foram relatadas, embora sejam estatisticamente raras por sessão individual — a escolha de região segura e profissional qualificado é
  • 4Mais anos de curso ou mais certificações não garantem sozinhos maior segurança; o que importa é a qualidade da formação anatômica e a postura cautelosa na prática.
  • 5Se seus sintomas piorarem após o procedimento e não melhorarem em poucos dias, busque reavaliação — a piora prolongada foi um dos eventos mais relatados pelos profissionais.
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1O senhor(a) utiliza ultrassom para guiar a inserção da agulha, especialmente em regiões próximas ao tórax ou a grandes nervos?
  • 2Qual foi sua formação específica em anatomia de seções transversas e em gerenciamento de riscos da técnica?
  • 3Quais efeitos devo esperar nas primeiras 48 horas, e quais sinais indicariam que preciso buscar atendimento de emergência?
  • 4Existem alternativas terapêuticas para minha condição que não envolvam inserção de agulhas, com perfil de risco diferente?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1A segurança relatada neste estudo é percebida pelos profissionais, não medida em pacientes de forma independente — há risco de sub ou superestimação.
  • 2A baixa adoção do ultrassom (14,5%) é preocupante do ponto de vista da segurança, especialmente considerando que a precisão cega da agulha é limitada em certas regiões anatômicas.
  • 3O pneumotórax foi relatado por 8,2% dos profissionais, percentual que diverge de outras literaturas e requer interpretação cautelosa; mesmo assim, não pode ser descartado como irre
  • 4Pacientes devem ser informados sobre a possibilidade de piora prolongada dos sintomas (62% das carreiras), não apenas sobre benefícios potenciais.

Leitura rápida para pacientes

Agulhamento seco: comum, mas não isento de riscos

Estudo espanhol com centenas de profissionais mostra que efeitos como dor e hematomas são esperados, enquanto complicações graves existem em proporção pequena mas real. A escolha d

Ponto 1

Espere dor pós-sessão e possíveis hematomas — são efeitos normais, não exceções

Ponto 2

Pergunte sobre formação em anatomia e uso de ultrassom, especialmente para regiões do tórax e pescoço

Ponto 3

Não existe procedimento sem risco; complicações graves são raras por sessão, mas possíveis e documentadas

O que este estudo acrescenta

MAIOR AMOSTRA NACIONAL SOBRE SEGURANÇA

Este é um dos maiores levantamentos nacionais sobre práticas reais de agulhamento seco na Europa, com dados inéditos sobre a baixa adoção de ultrassom e o paradoxo de que mais treinamento não se traduziu em menos eventos

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

O estudo não mede benefício terapêutico direto para pacientes, mas fornece dados robustos sobre perfil de segurança que são essenciais para decisão informada e para orientar políticas de formação e protocolos clínicos ma

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este tipo de estudo descreve práticas e eventos em um momento específico, mas não consegue estabelecer relações de causa e efeito nem medir resultados em pacientes de forma direta.

profissionais ouvidos

422

tamanho da amostra, um dos maiores levantamentos do tipo

com dor pós-agulhamento

95,5%

percentual de carreiras com este evento adverso menor

com pneumotórax relatado

8,2%

evento adverso grave, possivelmente superestimado por viés de memória

que usam ultrassom

14,5%

baixa adoção de recurso de segurança recomendado

com punção acidental de nervo

53%

evento adverso maior relativamente frequente ao longo da carreira

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

práticas de agulhamento seco e seus eventos adversos

Tipo de estudo

pesquisa transversal por questionário

Participantes

Duração

janeiro de 2019 a abril de 2024 (período de coleta)

Sessões

não aplicável (estudo sobre prática, não sobre pacientes tratados)

Comparador

análise entre subgrupos por horas de treinamento, anos de experiência, percentual de uso e carga semanal

Grupos do estudo

profissionais com diferentes níveis de treinamento e experiência

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

não aplicável — estudo observacional sobre prática habitual, não protocolo fixo

Frequência02

variável conforme prática individual do profissional

Duração da sessão03

não especificado no estudo

Pontos / técnica04

técnica de agulhamento seco em pontos gatilho miofasciais, sem injeção de substâncias

Comparador05

comparação entre subgrupos de profissionais, não entre técnicas

Nota de protocolo06

Apenas 14,5% usavam ultrassom para guiar as inserções; 85,5% realizavam o procedimento sem orientação por imagem

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Profissionais licenciados e atuantes na EspanhaMajoritariamente mulheres (65,9%), com média de 31 anosDistribuição variada de experiência: 36% com menos de 2 anos, 5,7% com mais de 10 anosProfissionais com diferentes volumes de treinamento: de 0-20h até mais de 100hQuem utilizava a técnica em diferentes proporções de sua prática clínicaQuem respondia voluntariamente a questionário online sobre segurança

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes diretamente — o estudo perguntou aos profissionais, não aos tratadosProfissionais de outros países, com regulamentação e formação potencialmente distintasQuem não possuía licença ativa ou não era membro de conselho regional espanholProfissionais que não utilizavam agulhamento seco em sua práticaQuem, tendo vivenciado eventos graves, pode ter se abstenido de responder por desconforto

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📊

conhecimento sobre perfil de risco

ampliado

maior clareza sobre quais eventos adversos são comuns e quais são raros mas graves

🎯

identificação de fatores associados a complicações

melhorado

maior treinamento e maior volume de prática correlacionaram-se com mais eventos adversos relatados, possivelmente por maior exposição

🔍

visibilidade da baixa adoção de ultrassom

revelado

apenas 14,5% dos profissionais usavam guiamento por imagem, apesar de sua comprovada maior segurança

⚠️

alerta sobre paradoxo da experiência

demonstrado

mais treinamento não se traduziu em menos complicações, sugerindo que volume de curso sem foco em segurança anatômica pode ser insuficiente

O que não mudou

  • Não houve redução clara de eventos adversos com aumento linear de horas de treinamento
  • Não foi estabelecida causalidade direta entre fatores estudados e ocorrência de complicações graves
  • Não se avaliou a eficácia do agulhamento seco para condições específicas — apenas sua segurança

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Infecções e reações alérgicas foram relatadas como extremamente raras (92,1% nunca observaram)
  • Pneumotórax, embora grave, ocorreu em proporção menor que outros eventos maiores na amostra
  • A maioria dos eventos menores é transitória e autolimitada
Amarelo
  • Dor pós-agulhamento praticamente universal ao longo da carreira (95,5%)
  • Hematomas muito comuns (85,3%) e agulhas dobradas frequentes (68,9%)
  • Punção acidental de nervo relatada por mais da metade dos profissionais (53%)
Vermelho
  • Pneumotórax relatado por 8,2% dos profissionais — percentual preocupante se confirmado em dados prospectivos
  • Piora prolongada de sintomas em 62% das carreiras, sugerindo que a técnica nem sempre ajuda e pode agravar
  • Baixíssima adoção de ultrassom (14,5%) apesar de recomendações de segurança

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Pacientes com dor musculoesquelética de origem miofascial, já diagnosticada
  • Quem já tentou abordagens conservadoras sem alívio satisfatório
  • Pacientes que compreendem e aceitam que dor pós-procedimento e pequenos hematomas são comuns
  • Quem tem acesso a profissional com formação sólida em anatomia de superfície e profunda
  • Pacientes para os quais a técnica será aplicada longe de regiões de alto risco (tórax, coluna cervical profunda)

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com medo intenso de agulhas ou histórico de desmaios (síncope vasovagal)
  • Quem tem condições que aumentam risco de sangramento ou infecção
  • Pacientes com implantes próximos à região de aplicação ou histórico cirúrgico recente
  • Regiões anatômicas de alto risco quando o profissional não dispõe de ultrassom
  • Quem espera garantia de ausência total de riscos ou efeitos colaterais

Expectativa realista

O que esperar se optar por agulhamento seco

É muito provável que sinta dor no local após a sessão e que apareça um pequeno hematoma. Esses efeitos costumam passar em horas ou poucos dias. O alívio da dor muscular pode ocorrer, mas não é garantido, e em alguns casos os sintomas podem

Tempo provável

Os efeitos menores aparecem imediatamente ou nas primeiras 24-48 horas; benefícios, quando ocorrem, tendem a ser notados

Complicações graves como pneumotórax são raras por sessão individual, mas possíveis — especialmente em regiões torácicas e sem uso de guiamento por imagem

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte quantas horas de formação específica em agulhamento seco o profissional possui e se inclui anatomia de seções transversais
  2. 2Questione se há uso de ultrassom para guiar a inserção, especialmente em regiões próximas a pulmões, grandes vasos ou nervos
  3. 3Peça informação clara sobre quais efeitos esperar no pós-procedimento e como reconhecer sinais de alerta
  4. 4Discuta alternativas terapêuticas e por que o agulhamento seco é indicado no seu caso específico
  5. 5Informe-se sobre o protocolo de emergência caso ocorra complicação durante ou após a sessão

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Quanto mais treinamento o profissional tem, mais seguro é o procedimento

Achado

Neste estudo, profissionais com mais de 100h de curso relataram mais complicações, possivelmente por maior volume de prática e confiança em casos complexos — o que sugere que qualidade e foco em segurança podem importar

Mito

Agulhamento seco é uma técnica completamente segura sem riscos importantes

Achado

Eventos adversos menores ocorrem na esmagadora maioria das carreiras, e complicações maiores como pneumotórax, punção de nervo e piora prolongada de sintomas foram relatadas por proporções significativas de profissionais

Mito

A experiência de anos elimina o risco de complicações

Achado

Profissionais com 6-10 anos de experiência relataram mais auto-agulhamentos acidentais, e não houve eliminação de eventos graves com o tempo — a prudência anatômica continua essencial em qualquer estágio

Mito

O ultrassom é um recurso supérfluo e pouco usado na prática real

Achado

Embora 85,5% não o utilizem, a literatura científica recomenda fortemente o guiamento por imagem para aumentar precisão e reduzir riscos, especialmente em músculos de alto risco anatômico

Como isso pode funcionar

🎯

INSERÇÃO DA AGULHA

A agulha fina penetra a pele e camadas superficiais até atingir o ponto gatilho miofascial — área de tensão anormal no músculo. O mecanismo exato de alívio da dor ainda é parcialmente compreendido e provavelmente envolve

RESPONSE LOCAL

A inserção pode provocar resposta de espasmo local (twitch response) e alterar a atividade elétrica do músculo. Este efeito é observado clinicamente, mas sua relação direta com o benefício terapêutico permanece objeto de

🧠

MODULAÇÃO DA DOR

Estudos sugerem que a técnica pode influenciar vias de processamento da dor no sistema nervoso central, embora o mecanismo completo ainda seja proposto e não totalmente elucidado.

⚠️

RISCO ANATÔMICO

Sem orientação por imagem, a agulha avança de forma cega através de tecidos. A profundidade inadequada, erros de direção ou variações anatômicas individuais podem levar a punção de estruturas não desejadas — mecanismo de

O que ainda é incerto

  • ?Os dados são auto-relatados por profissionais, sem verificação independente dos eventos adversos mencionados
  • ?Não se sabe se a maior frequência de eventos em profissionais mais treinados reflete realmente mais risco ou simplesmente maior exposição ao longo do
  • ?A taxa de pneumotórax de 8,2% parece discrepante de outras literaturas e pode refletir viés de resposta; é necessária confirmação em estudos prospecti
  • ?Não foi avaliado o benefício clínico real para pacientes — apenas a frequência de eventos adversos do ponto de vista do profissional
🧪

COMO FOI FEITO

questionário online sobre experiência, treinamento e frequência de eventos adversos

📈

O QUE MUDOU

identificação de eventos adversos menores frequentes (52-95%) e maiores menos comuns (4. 8-62%)

🛟

SEGURANÇA

eventos graves raros, mas necessidade de melhor treinamento anatômico e uso de ultrassom

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

O PARADOXO DA EXPERIÊNCIA

Contrariando a intuição, profissionais com mais horas de treinamento relataram mais eventos adversos em algumas categorias — possivelmente porque tratam mais casos e com maior complexidade, não porque a formação seja inú

🧭

ULTRASSOM: RECOMENDADO, MAS RARO

Apesar de estudos mostrarem que o guiamento por imagem aumenta a precisão e reduz riscos, apenas 1 em cada 7 profissionais o utiliza rotineiramente — revelando uma lacuna entre evidência científica e prática clínica real

📌

PIORA PROLONGADA: MAIS COMUM QUE SE IMAGINA

62% dos profissionais relataram já ver sintomas que pioraram e não melhoraram rapidamente — um lembrete de que a técnica não funciona para todos e pode, em alguns casos, agravar temporariamente a condição.

🔬

NECESSIDADE DE BANCO DE DADOS NACIONAL

Os autores propõem sistemas centralizados de notificação de eventos adversos, como existem em outros países, para substituir a dependência da memória dos profissionais por dados prospectivos e confiáveis.

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Estado Atual das Práticas de Agulhamento Seco: Análise Abrangente sobre Uso, Treinamento e Segurança

O agulhamento seco é uma técnica que utiliza agulhas finas e sem medicação para atingir pontos gatilho miofasciais — nódulos sensíveis em músculos que podem causar dor e limitação de movimento. É comumente indicado para dores musculoesqueléticas como cervicalgia, lombalgia, dor no ombro e cefaleia tensional. Apesar de sua crescente popularidade, a segurança da técnica permanece tema de debate na comunidade científica, especialmente porque envolve a inserção de agulhas em tecidos profundos próximos a estruturas sensíveis como nervos, vasos e, em algumas regiões, a própria pleura pulmonar.

Este estudo espanhol, publicado em 2024 na revista Medicina, representa uma das análises mais abrangentes já realizadas sobre as práticas reais de agulhamento seco na clínica diária. Os pesquisadores aplicaram um questionário online detalhado a 422 profissionais licenciados que trabalhavam na Espanha, entre janeiro de 2019 e abril de 2024. O instrumento investigou quatro dimensões principais: características demográficas e profissionais, frequência de eventos adversos relacionados à dor, complicações relacionadas a defeitos das agulhas e efeitos colaterais diversos da técnica. Também foi perguntado sobre o uso rotineiro de ultrassom para guiar as inserções — recurso que teoricamente aumenta a precisão e a segurança.

A amostra era majoritariamente feminina (65,9%), com idade média de 31 anos. Quanto à formação, 38,6% tinham entre 21 e 60 horas de treinamento específico em agulhamento seco, enquanto 24,9% acumulavam mais de 100 horas. A maioria (36%) possuía menos de dois anos de experiência clínica com a técnica, e apenas 5,7% ultrapassavam dez anos. O uso do agulhamento seco variava bastante: 34,6% dos participantes aplicavam a técnica em 20% a 39% de seus pacientes, enquanto apenas 1,7% a utilizava em praticamente todos os casos.

O dado mais preocupante foi que 85,5% dos profissionais não usavam ultrassom para guiar as intervenções, apesar das recomendações de segurança nesse sentido.

Os resultados sobre eventos adversos revelaram um cenário de frequente incidência de efeitos menores e presença não desprezível de complicações maiores. A dor pós-agulhamento foi praticamente universal: 95,5% dos profissionais relataram já ter observado esse efeito em algum momento da carreira, com quase metade (47,9%) considerando-o frequente ou comum em sua prática. Hematomas ocorreram em 85,3% das carreiras, e agulhas dobradas em 68,9%. Esses números são consideravelmente mais altos do que os reportados em estudos anteriores, que estimavam efeitos leves em 19% a 36% dos tratamentos — a diferença pode se explicar pelo fato de que esta pesquisa perguntou sobre toda a carreira profissional, não por sessão individual.

Quanto aos eventos adversos maiores, os números também chamam atenção. A piora prolongada dos sintomas foi relatada por 62% dos participantes, punção acidental de nervo por 53%, e desmaios por 51,7%. O pneumotórax — complicação grave que pode comprometer a função pulmonar — apareceu em 8,2% das carreiras, percentual muito superior ao documentado em literatura prévia (menos de 0,1% em algumas séries). Os autores alertam que esse dado provavelmente reflete viés de memória e possível sobre-notificação, já que profissionais que vivenciaram eventos graves podem ter maior propensão a responder pesquisas sobre segurança.

Ainda assim, a magnitude indica que riscos sérios, embora estatisticamente raros por sessão, não são teóricos: são eventos que ocorrem na prática real.

Um achado relevante foi que mais treinamento nem sempre se traduziu em menos complicações. Profissionais com mais de 100 horas de curso relataram mais sangramento excessivo e piora de sintomas. Os autores interpretam esse paradoxo como provável efeito de maior exposição: quem tem mais formação tende a realizar mais procedimentos, em regiões mais complexas, com maior confiança técnica — o que aumenta o denominador de risco ao longo do tempo. Já os menos experientes (menos de dois anos) mostraram mais hematomas e interrupções de tratamento por dor, sugerindo curva de aprendizado relevante.

A baixa adoção do ultrassom (apenas 14,5%) é apontada como uma lacuna crítica. Estudos prévios demonstram que a orientação por imagem aumenta substancialmente a precisão da colocação da agulha, especialmente em músculos de alto risco como o trapézio superior, o levantador da escápula e os músculos paravertebrais torácicos — justamente a região onde o pneumotórax é mais temido. Barreiras como custo do equipamento, falta de treinamento em imagem e disponibilidade limitada em clínicas são mencionadas como fatores que dificultam essa prática mais segura.

Para pacientes que consideram o agulhamento seco como opção terapêutica, este estudo oferece informações valiosas para decisão compartilhada. A técnica não é isenta de riscos, mas os riscos graves são relativamente raros quando ponderados por sessão individual. A dor pós-procedimento e pequenos hematomas devem ser esperados como norma, não como exceção. A escolha de um profissional com sólida formação anatômica, que conheça profundamente as estruturas subjacentes aos pontos de inserção, que utilize agulhas de comprimento adequado para cada região e que esteja preparado para reconhecer sinais de alerta precocemente, parece ser o fator mais importante para segurança.

A pergunta sobre uso de ultrassom em regiões de maior risco anatômico é pertinente e razoável. Por fim, a comunicação aberta sobre o que esperar — tanto no sentido de benefícios quanto de desconfortos e riscos — é fundamental para que a relação terapêutica seja construída sobre informação verdadeira, não sobre promessas de inocuidade inexistente.

O que fortalece a leitura

  • 1análise abrangente de eventos adversos
  • 2dados detalhados sobre treinamento e experiência
  • 3identificação de fatores de risco
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1dados auto-relatados sujeitos a viés de memória
  • 2estudo transversal não estabelece causalidade
  • 3limitado à Espanha
  • 4falta de contexto detalhado dos eventos

Leitura clínica do estudo

MODERADA
75/ 100
Desenho
4/5
Amostra
4/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

422pessoas avaliadas
divisão dos grupos

fisioterapeutas

422 pessoas

questionário sobre práticas de agulhamento seco

⏱️ Tempo de acompanhamento: janeiro de 2019 a abril de 2024

📊 Resultados em números

0%

dor pós-agulhamento

0%

hematomas

0%

agulhas dobradas

0%

pneumotórax

0%

uso de ultrassom para guiar

Destaques percentuais

95.5%
dor pós-agulhamento
85.3%
hematomas
68.9%
agulhas dobradas
8.2%
pneumotórax
14.5%
uso de ultrassom para guiar

📊 Comparação de Resultados

eventos adversos menores (alguma vez na carreira)

dor pós-agulhamento
95.5
hematomas
85.3
agulhas dobradas
68.9

eventos adversos maiores (alguma vez na carreira)

piora prolongada dos sintomas
62
punção acidental de nervo
53
pneumotórax
8.2

📅 Linha do tempo da evidência

2014primeiros estudos sistemáticos sobre segurança do agulhamento seco
2017meta-análise confirma eficácia em condições musculoesqueléticas
2024análise abrangente de práticas na Espanha com 422 profissionais

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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