Estudo científico comentado

Agulhamento Seco: Revisão Clínica Sobre Técnicas e Aplicações

Referência acadêmica

Periódico

International Journal of Sports Physical Therapy

Ano

2022

Autores

McAphee et al.

Desenho

Revisão clínica

O agulhamento seco é uma técnica que usa agulhas finas para tratar pontos dolorosos nos músculos, chamados pontos-gatilho. Este artigo mostra que a técnica pode reduzir dor e melhorar função muscular, sendo especialmente útil para atletas e pessoas com dor miofascial. É um procedimento seguro, mas os benefícios tendem a ser de curto prazo, sendo mais efetivo quando combinado com exercícios e fisioterapia.

Título original do estudo: Dry Needling: A Clinical Commentary

📝Revisão clínica🔬Artigo técnico⚖️Impacto moderado
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

O agulhamento seco oferece alívio da dor de curto prazo em condições miofasciais e tendinopáticas, com evidência de baixa a moderada qualidade, funcionando melhor quando integrado a exercícios terapêuticos e não como tratamento isolado.

O que isso significa para você?

O agulhamento seco é uma técnica que usa agulhas finas para tratar pontos dolorosos nos músculos, chamados pontos-gatilho. Este artigo mostra que a técnica pode reduzir dor e melhorar função muscular, sendo especialmente útil para atletas e pessoas com dor miofascial. É um procedimento seguro, mas os benefícios tendem a ser de curto prazo, sendo mais efetivo quando combinado com exercícios e fisioterapia.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1O agulhamento seco é uma opção válida para dor muscular com pontos-gatilho, mas não é milagrosa — funciona melhor como parte de um plano completo
  • 2Sinta-se à vontade para perguntar sobre a experiência do profissional e a técnica específica que será utilizada no seu caso
  • 3O alívio pode ser rápido, mas a manutenção dos resultados depende do seu comprometimento com exercícios e orientações de reabilitação
  • 4Informe sempre condições como gestação, uso de anticoagulantes, infecções ou problemas de cicatrização antes de qualquer sessão
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Como o profissional identificou que meus pontos dolorosos são pontos-gatilho miofasciais e não outra condição?
  • 2Qual a razão para escolher a técnica superficial versus profunda no meu caso específico?
  • 3O plano de tratamento inclui exercícios que eu possa fazer em casa para manter os resultados?
  • 4Quantas sessões são esperadas antes de reavaliarmos se esta abordagem está funcionando para mim?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1O procedimento é geralmente bem tolerado, com desconforto local passageiro sendo o efeito mais comum
  • 2Contraindicações absolutas incluem primeiro trimestre gestacional, infecções ativas, imunodeficiência e doença vascular significativa na área
  • 3A segurança em populações especiais e a incidência precisa de eventos adversos leves a moderados ainda não foram completamente quantificadas em estudos robustos
  • 4A qualificação e experiência do profissional são fatores críticos para segurança e eficácia do procedimento

Leitura rápida para pacientes

Agulhamento seco: alívio que funciona melhor acompanhado

Uma técnica segura e minimamente invasiva para dor muscular, com melhores resultados quando combinada com exercícios terapêuticos

Ponto 1

A agulha fina estimula pontos dolorosos nos músculos, reduzindo a dor em poucas sessões

Ponto 2

Os benefícios são reais mas de curto prazo — exercícios são essenciais para manter o resultado

Ponto 3

Contraindicado em gestação inicial, infecções e para menores de 12 anos; sempre informe sua condição de saúde completa

O que este estudo acrescenta

ATUALIZAÇÃO HISTÓRICA

Este comentário clínico traça a evolução do agulhamento seco desde 1938, integrando décadas de desenvolvimento técnico com evidências contemporâneas de eficácia e segurança

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

O efeito é clinicamente perceptível para pacientes com dor miofascial, mas de duração limitada e magnitude modesta; o maior valor está na integração com reabilitação ativa, não como intervenção standalone

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este tipo de publicação sintetiza conhecimento existente e oferece perspectiva de especialistas, mas não constitui nova evidência experimental de alta certeza

Anos de história documentada

84

Desde a primeira descrição de dor referida por Lewis e Kellgren em 1938

Qualidade da evidência

Baixa a moderada

Classificação da metanálise de Gattie et al. sobre eficácia em condições musculoesqueléticas

Duração típica dos benefícios

Curto prazo

Conclusão consistente em múltiplas revisões; necessidade de combinação com exercícios

Tempo máximo de permanência da agulha

20 min

Protocolo descrito para técnica com agulha in situ, alternativa à técnica de pistão

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Dor miofascial com pontos-gatilho, tendinopatias e lesões musculares em contexto esportivo

Tipo de estudo

Revisão narrativa com comentário clínico

Participantes

Não aplicável — revisão de literatura sem coleta primária de dados

Duração

Revisão histórica de 1938 a 2022; estudos primários citados com seguimentos vari

Sessões

Variável conforme estudo e condição; técnicas descritas permitem sessão única ou

Comparador

Sham/placebo, nenhum tratamento, anti-inflamatórios, plasma rico em plaquetas, sangue autólogo, exercícios isolados

Grupos do estudo

Não aplicável para a revisão em si; estudos citados compararam agulhamento seco versus sha

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

Variável conforme condição e resposta; estudos citados utilizaram de sessão únic

Frequência02

Intervalos variando de semanal a mensal, conforme protocolo do estudo primário

Duração da sessão03

Agulha pode permanecer in situ até 20 minutos, ou técnica de pistão até cessação

Pontos / técnica04

Identificação por palpação com pinça ou apoio plano; abordagem superficial (pele/subcutâneo) ou profunda (músculo/ponto-gatilho); com ou sem estimulação elétrica adjuvante

Comparador05

Placebo/sham, medicação anti-inflamatória tópica ou oral, gelo, imobilização, plasma rico em plaquetas, sangue autólogo,

Nota de protocolo06

Técnica de pistão busca esgotar acetilcolina na placa motora; técnica superficial considerada mais segura para dor nociceptiva simples

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com dor miofascial e pontos-gatilho identificáveis por palpaçãoAtletas com lesões musculares agudas ou condições crônicas em temporada competitivaPacientes com tendinopatias que falharam em tratamento conservador prévioIndivíduos com osteoartrite e limitações funcionais associadasPessoas com síndrome dolorosa regional complexa e componente miofascial

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Crianças menores de 12 anosGestantes no primeiro trimestrePacientes com fobia intensa de agulhas ou incapacidade de compreender o procedimentoIndivíduos com infecções ativas, imunodeficiência ou doença vascular significativaPopulações com edema localizado ou comprometimento cognitivo severo

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor

reduziu

Redução estatisticamente significativa versus sham ou nenhum tratamento, embora de magnitude modesta e duração limitada

👆

Limiar de pressão dolorosa

melhorou

Aumento da tolerância à pressão nos pontos-gatilho, indicando redução da sensibilização periférica

🏃

Função em atletas

melhorou

Retorno mais rápido à atividade quando combinado com programa de exercícios, segundo observações clínicas dos autores

📋

Escores funcionais

melhorou

Melhora em questionários como VISA-A para tendinopatia aquileana, embora sem vantagem clara de adjuvantes como sangue autólogo

🔄

Amplitude de movimento

melhorou

Ganhos documentados em alguns estudos, embora sem diferença significativa em comparação com plasma rico em plaquetas para manguito rotador

O que não mudou

  • Diferença sustentada entre agulhamento seco e plasma rico em plaquetas além de 26 semanas em tendinopatia patelar
  • Benefício adicional demonstrado de injeção de sangue autólogo versus agulhamento seco isolado para tendinopatia aquileana
  • Superioridade do agulhamento seco sobre sham em desfechos de longo prazo para fascite plantar devido a seguimento insuficiente

Quando a melhora apareceu

1

Durante ou logo após a sessão

Resposta imediata

Efeito analgésico rápido descrito como 'needle effect' por Lewitt, com redução da dor local e referida

2

3 a 6 meses

Benefício significativo

Em estudo comparativo com anti-inflamatórios, equivalência aos 3 meses e superioridade aos 6 meses quando combinado com reabilitação

3

12 semanas

Pico de efeito comparativo

Em tendinopatia patelar, plasma rico em plaquetas mostrou vantagem sobre agulhamento seco isolado neste ponto, com equalização posterior

Antes e depois

Intensidade da dor (escala 0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes7 pontos
Depois4 pontos

Limiar de pressão dolorosa

escala máx. 10 kgf/cm² (estimado)

Antes2 kgf/cm² (estimado)
Depois4 kgf/cm² (estimado)

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Procedimento minimamente invasivo quando bem indicado
  • Baixa incidência de eventos adversos graves em mãos treinadas
  • Alternativa de menor custo e invasividade comparada a injeções de substâncias
Amarelo
  • Desconforto local durante e após a sessão
  • Risco de sangramento mínimo ou hematoma
  • Necessidade de avaliação cuidadosa de contraindicações individuais
Vermelho
  • Contraindicado em primeiro trimestre de gestação
  • Contraindicado em infecções ativas, imunodeficiência e doença vascular significativa
  • Não recomendado para menores de 12 anos

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor muscular localizada e pontos-gatilho palpáveis
  • Atletas em temporada que precisam de alívio rápido para manter programa de reabilitação
  • Pacientes com tendinopatias crônicas refratárias a exercícios isolados
  • Indivíduos com osteoartrite e componente de dor miofascial associado
  • Pessoas que buscam alternativa não farmacológica para controle da dor

Mais cautela para extrapolar

  • Gestantes no primeiro trimestre ou com complicações obstétricas
  • Pacientes com distúrbios de coagulação não controlados ou terapia anticoagulante intensiva
  • Indivíduos com fobia incapacitante de agulhas ou incapacidade de consentir
  • Pessoas com infecções de pele ativas ou sistemicas não tratadas
  • Pacientes com comprometimento vascular severo na região de interesse

Expectativa realista

Alívio real, mas temporário

Você pode sentir redução da dor muscular já na primeira sessão, com melhora progressiva quando o tratamento é combinado com exercícios específicos

Tempo provável

Benefícios iniciais em dias; pico de efeito nas primeiras 4 a 12 semanas, com necessidade de manutenção ou reforço

Os efeitos tendem a diminuir com o tempo se não houver reabilitação ativa; a técnica não cura a causa subjacente isoladamente

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se seus pontos dolorosos foram avaliados por palpação para confirmar que são pontos-gatilho miofasciais
  2. 2Questione qual técnica será usada — superficial ou profunda — e por quê
  3. 3Verifique se o plano inclui exercícios terapêuticos além do agulhamento
  4. 4Discuta contraindicações pessoais como medicamentos anticoagulantes, condições de pele ou histórico de gestação
  5. 5Solicite esclarecimentos sobre número esperado de sessões e critérios para reavaliação

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Agulhamento seco é a mesma coisa que acupuntura

Achado

São técnicas distintas: o agulhamento seco tem base anatômica e neurofisiológica ocidental, enquanto a acupuntura segue princípios da medicina tradicional chinesa com meridianos de energia

Mito

A agulha 'solta' o músculo diretamente

Achado

O mecanismo proposto envolve depleção de neurotransmissores na junção neuromuscular e redução de mediadores inflamatórios, não liberação mecânica simples da fibra

Mito

Quanto mais profunda a agulha, melhor o resultado

Achado

Estudos indicam que a técnica superficial é efetiva para a maioria dos casos e mais segura; a técnica profunda deve ser reservada para casos selecionados de dor mais complexa

Mito

Uma sessão resolve o problema definitivamente

Achado

A evidência mostra benefícios de curto prazo; para resultados duradouros, a técnica precisa ser combinada com exercícios e abordagem multidisciplinar

Como isso pode funcionar

ESTÍMULO MECÂNICO

A agulha fina penetra o tecido e ativa mecanorreceptores; o mecanismo exato de alívio da dor ainda é parcialmente compreendido

🧪

DEPLEÇÃO QUÍMICA (PROPOSTO)

A resposta de contração local pode esgotar acetilcolina na placa motora e reduzir substância P e peptídeo relacionado ao gene da calcitonina

🔄

QUEBRA DO CICLO DOLOROSO

A redução de mediadores inflamatórios locais pode diminuir a sensibilização periférica e central, interrompendo o ciclo de dor crônica

💪

FACILITAÇÃO DA REABILITAÇÃO

Com a dor reduzida, o paciente consegue participar melhor de exercícios terapêuticos, que são essenciais para recuperação funcional duradoura

O que ainda é incerto

  • ?A duração ideal dos benefícios e a necessidade de sessões de manutenção não foram estabelecidas em ensaios de longo prazo
  • ?O mecanismo fisiológico exato da resposta de contração local e sua relevância clínica permanecem incompletamente compreendidos
  • ?Não há consenso sobre protocolos padronizados de frequência, duração e técnica para diferentes condições
  • ?A comparação direta de custo-efetividade entre agulhamento seco e outras intervenções físicas ainda é limitada
🎯

O que o estudo quis responder

Revisar histórico, técnicas e aplicações clínicas do agulhamento seco para dor muscular e pontos-gatilho

🔬

COMO FOI FEITO

Revisão narrativa de literatura histórica e evidências sobre mecanismos fisiológicos e eficácia clínica

💪

QUANDO USAR

Dor miofascial com pontos-gatilho, tendinopatias e lesões musculares em atletas

COMO FUNCIONA

Estimulação mecânica de tecidos com agulhas finas reduz dor e melhora função muscular

🛟

SEGURANÇA

Procedimento minimamente invasivo e seguro quando bem indicado

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

REABILITAÇÃO COMBINADA

A observação mais valiosa dos autores é que agulhamento seco + exercícios parece superior a qualquer intervenção isolada, embora ainda careça de confirmação em ensaios randomizados de alta qualidade

🧭

EQUIVALÊNCIA TARDIA

Em tendinopatias, a vantagem inicial de terapias biológicas como plasma rico em plaquetas sobre o agulhamento seco desaparece após 6 meses, sugerindo que a técnica mais simples pode ser opção inicial razoável

📌

DISTINÇÃO TÉCNICA

A diferenciação entre técnicas superficial e profunda, proposta por Baldry em 2002, permanece relevante: 90% dos pacientes com dor nociceptiva simples respondem à abordagem mais segura

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Agulhamento Seco: Revisão Clínica Sobre Técnicas e Aplicações

O agulhamento seco é uma técnica que utiliza agulhas finas e estéreis para tratar pontos dolorosos nos músculos, conhecidos como pontos-gatilho miofasciais. Este artigo de comentário clínico, publicado no International Journal of Sports Physical Therapy em 2022 por McAphee e colaboradores, oferece uma revisão abrangente da história, técnicas, mecanismos fisiológicos e aplicações práticas dessa intervenção, com ênfase especial no contexto da medicina esportiva e do tratamento de condições musculoesqueléticas dolorosas.

A história do agulhamento seco remonta a 1938, quando Sir Thomas Lewis e John Kellgren demonstraram que a injeção de solução salina em músculos podia produzir dor em regiões distantes do local da punção, estabelecendo o conceito de dor referida muscular. Em 1942, a Dra. Janet Travell publicou seu primeiro trabalho sobre infiltração intramuscular com procaína para tratar dor no ombro e braço, técnica que ela própria aplicava em si mesma. Travell e seu colaborador David Simons consolidaram o campo com a publicação, em 1983, do manual definitivo sobre pontos-gatilho miofasciais, em dois volumes que se tornaram referência mundial para o diagnóstico e localização dessas estruturas.

O momento decisivo para o agulhamento seco propriamente dito ocorreu em 1979, quando Karel Lewitt demonstrou que o simples ato de inserir uma agulha, sem qualquer medicamento, produzia efeito analgésico nos pontos dolorosos musculares — o chamado "efeito da agulha".

Do ponto de vista técnico, o procedimento envolve a identificação habilidosa do ponto-gatilho por meio da palpação, seguida da inserção de uma agulha filiforme fina que pode penetrar superficialmente na pele ou profundamente no músculo, conforme a abordagem escolhida. A técnica profunda busca provocar uma resposta local de contração muscular — o "twitch response" ou resposta de contração local — enquanto a técnica superficial é considerada mais segura e menos desconfortável, sendo adequada para a maioria dos casos de dor nociceptiva simples associada a pontos-gatilho. A agulha pode permanecer no local por até vinte minutos ou ser movimentada com movimentos de pistão até a depleção do neurotransmissor envolvido na contração.

Os mecanismos fisiológicos propostos para explicar os efeitos do agulhamento seco são complexos e ainda parcialmente compreendidos. No contexto da síndrome dolorosa miofascial, acredita-se que ocorra liberação excessiva de acetilcolina na placa motora, com inibição da enzima acetilcolinesterase, resultando em atividade elétrica contínua, acúmulo de íons de cálcio e, consequentemente, contração muscular sustentada. Essa contração prolongada gera hipóxia local, queda do pH tecidual e liberação de mediadores inflamatórios e neurotransmissores como peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, prostaglandinas, substância P, serotonina e ATP. O resultado é uma sensibilização periférica e central que amplifica a experiência dolorosa.

Quando a agulha penetra o ponto-gatilho e elicia a resposta de contração local, observa-se posterior redução nas concentrações desses mediadores químicos, o que pode explicar, pelo menos parcialmente, o alívio sintomático. Para tendinopatias, a teoria proposta é que a agulha induz microtrauma controlado, estimulando a migração de células inflamatórias e satélites que promovem a reparação do colágeno, convertendo o colágeno tipo III mais fraco em colágeno tipo I mais resistente, interrompendo assim o ciclo degenerativo crônico.

Quanto às evidências de eficácia, a revisão sistemática e metanálise de Gattie e colaboradores de 2017 constitui a base mais sólida citada no artigo, demonstrando que o agulhamento seco é estatisticamente superior ao tratamento simulado ou à ausência de tratamento para redução de dor e melhora do limiar de pressão dolorosa em condições musculoesqueléticas. Contudo, os autores enfatizam que os benefícios são predominantemente de curto prazo e que a qualidade metodológica da literatura disponível varia de baixa a moderada. Um estudo comparativo relevante avaliou o agulhamento seco como tratamento de primeira linha versus anti-inflamatórios não esteroides, cremes tópicos, gelo e imobilização, encontrando equivalência aos três meses e superioridade significativa aos seis meses, sugerindo potencial acumulativo quando combinado com reabilitação adequada. Em tendinopatias, os resultados são mais nuances: um ensaio clínico randomizado comparando plasma rico em plaquetas versus agulhamento seco para tendinopatia patelar encontrou vantagem do primeiro apenas no acompanhamento de doze semanas, com desaparecimento da diferença após vinte e seis semanas; outro estudo similar para doença do manguito rotador mostrou maior alívio sintomático do plasma rico em plaquetas aos seis meses, sem diferença na amplitude de movimento; já para fascite plantar, um ensaio randomizado favoreceu o agulhamento seco em relação ao simulado, embora com seguimento breve.

A segurança do procedimento é descrita como favorável, desde que respeitadas as indicações e contraindicações. O artigo lista precauções importantes: fobia de agulhas, comprometimento cognitivo significativo, infecções locais ou sistêmicas, edema localizado, doença vascular como varizes, primeiro trimestre de gestação e imunodeficiência. Crianças menores de doze anos não são consideradas candidatas adequadas. A técnica é caracterizada como minimamente invasiva, de baixo custo e de baixo risco quando realizada por profissionais adequadamente treinados.

A utilidade prática para pacientes, especialmente atletas, reside na possibilidade de alívio rápido da dor aguda e na facilitação da participação em programas de reabilitação. Os autores relatam, com o devido ceticismo científico, observações clínicas de recuperação mais rápida quando o agulhamento seco é combinado com exercícios apropriados, em comparação com qualquer intervenção isolada. Para condições crônicas que não responderam a medidas conservadoras prévias, a técnica pode representar opção adicional antes de procedimentos mais invasivos. A mensagem central, contudo, é de moderação: os benefícios são reais mas limitados no tempo, a qualidade das evidências ainda precisa de aprimoramento, e o agulhamento seco funciona melhor como componente de um plano de tratamento integrado do que como solução isolada.

A pesquisa futura deve focar em protocolos padronizados, desfechos de longo prazo e comparações com outras intervenções ativas de custo semelhante.

O que fortalece a leitura

  • 1Técnica minimamente invasiva
  • 2Baixo custo
  • 3Pode ser combinada com outras terapias
  • 4Aplicável em diversas condições musculoesqueléticas
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Benefícios principalmente de curto prazo
  • 2Qualidade da evidência ainda baixa a moderada
  • 3Contraindicado em algumas populações
  • 4Necessita profissionais treinados

Leitura clínica do estudo

MODERADA
65/ 100
Desenho
3/5
Amostra
3/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

pessoas avaliadas
divisão dos grupos
⏱️ Tempo de acompanhamento: Revisão histórica de 1938 a 2022

📊 Resultados em números

Estatisticamente significativa

Redução de dor vs controle sham

Evidência baixa a moderada

Melhora em limiar de pressão dolorosa

Curto prazo

Benefícios observados

📊 Comparação de Resultados

📅 Linha do tempo da evidência

1938Lewis e Kellgren demonstram dor referida muscular
1942Dr. Janet Travell publica primeiro estudo sobre infiltração muscular
1979Karel Lewitt descreve o 'efeito da agulha' sem anestésico
1983Publicação do Manual de Pontos-Gatilho por Travell e Simons
2022Revisão atual sobre técnicas e aplicações clínicas

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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