Estudo científico comentado

Terapia Laser de Alta Intensidade em Distúrbios Musculoesqueléticos: Revisão Sistemática e Meta-análise

Referência acadêmica

Periódico

Journal of Clinical Medicine

Ano

2023

Autores

Arroyo-Fernández et al.

Desenho

Meta-análise

Este estudo mostra que a terapia laser de alta intensidade é eficaz para reduzir dor e melhorar a função em problemas musculoesqueléticos como dores no joelho, ombro, pescoço e coluna. O tratamento apresentou pouquíssimos efeitos colaterais e benefícios superiores ao placebo. Os melhores resultados foram observados em problemas de joelho e ombro, com efeitos que podem se manter por meses.

Título original do estudo: High-Intensity Laser Therapy for Musculoskeletal Disorders: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Clinical Trials

📊Meta-análise👥n=3107 participantesImpacto moderado
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

A terapia laser de alta intensidade mostra evidência moderada de redução de dor e melhora funcional em distúrbios musculoesqueléticos, com melhores resultados em joelho e ombro e excelente perfil de tolerabilidade, embora a qualidade geral das evidências seja

O que isso significa para você?

Este estudo mostra que a terapia laser de alta intensidade é eficaz para reduzir dor e melhorar a função em problemas musculoesqueléticos como dores no joelho, ombro, pescoço e coluna. O tratamento apresentou pouquíssimos efeitos colaterais e benefícios superiores ao placebo. Os melhores resultados foram observados em problemas de joelho e ombro, com efeitos que podem se manter por meses.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A terapia laser de alta intensidade é uma opção não invasiva com evidência de ajudar na dor e funcionalidade de problemas musculoesqueléticos, principalmente em joelho e ombro
  • 2O tratamento exige múltiplas sessões (geralmente 10-20) e funciona melhor quando combinado com exercícios orientados
  • 3A redução da dor é mais evidente quando comparada à ausência de tratamento do que quando confrontada com outras terapias já estabelecidas
  • 4O perfil de segurança é muito favorável, mas informe seu médico sobre medicamentos e condições que possam contraindicar o uso
  • 5A qualidade das evidências é limitada por problemas metodológicos nos estudos originais, então mantenha expectativas realistas e avalie sua resposta individual
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Minha condição específica (local e diagnóstico) tem evidência favorável nesta revisão?
  • 2Qual protocolo de sessões, frequência e combinação com exercícios seria mais adequado para mim?
  • 3Existem contraindicações pessoais considerando meus medicamentos, histórico médico ou implantes?
  • 4Como vamos avaliar se estou respondendo ao tratamento e quando considerar alternativas?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Apenas um evento adverso foi relatado em toda a amostra de 3. 107 participantes, mas 62,5% dos estudos não reportaram dados de segurança de forma adequada
  • 2A proteção ocular adequada é essencial durante as sessões devido à alta potência do equipamento
  • 3Pacientes em uso de medicamentos fotossensibilizantes devem discutir riscos com o médico antes de iniciar
  • 4A impossibilidade de mascaramento completo em muitos estudos limita a certeza sobre a magnitude real dos efeitos e potenciais efeitos colaterais subjetivos

Leitura rápida para pacientes

Laser de alta intensidade: opção com evidência moderada para dores musculares e articulares

Tratamento não invasivo que pode ajudar especialmente em joelho e ombro, com boa tolerância e poucos efeitos colaterais relatados

Ponto 1

Funciona melhor combinado com exercícios terapêuticos do que isoladamente

Ponto 2

A vantagem sobre placebo é clara, mas sobre outras terapias ativas é modesta

Ponto 3

Fale com seu médico se sua condição específica está entre as com melhores evidências

O que este estudo acrescenta

MAIOR SÍNTESE ATÉ 2023

Esta meta-análise quadruplicou o número de ensaios incluídos em relação à revisão anterior (48 vs. 12 estudos), permitindo análise por subgrupos de localização anatômica, dosagem e tempo de seguimento que não eram possív

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A redução de 1,9 cm no VAS contra placebo supera o mínimo clinicamente importante (1,4-2,0 cm), e o SMD de -1,5 para funcionalidade é considerado efeito grande. Porém, contra terapias ativas a diferença é menor (0,7 cm e

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é um dos mais altos níveis de evidência científica, pois sintetiza múltiplos experimentos controlados, embora a qualidade final dependa da robustez dos estudos originais inclu

Participantes totais

3. 107

Amostra de 48 ensaios clínicos randomizados

Redução de dor vs placebo

1,9 cm

Na escala VAS de 0 a 10 cm, considerado clinicamente relevante

Redução de dor vs terapias ativas

0,7 cm

Vantagem modesta sobre outras terapias conservadoras

Eventos adversos

1 em 3. 107

Apenas uma reação alérgica relatada, mas subnotificação provável

Estudos com alto risco de viés

~70%

Principalmente por dificuldade de mascaramento, limitando a certeza das conclusões

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Distúrbios musculoesqueléticos diversos (joelho, ombro, coluna, pescoço, cotovelo, punho, mandíbula, pé)

Tipo de estudo

Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados

Participantes

3. 107 adultos, média de idade entre 28 e 64 anos, 55% mulheres

Duração

Variação de 3 a 24 semanas de acompanhamento entre os estudos incluídos

Sessões

5 a 24 sessões, com grande variação entre protocolos

Comparador

Controle sham, ausência de tratamento, ou outras terapias conservadoras (ultrassom, TENS, exercícios, ondas de choque, l

Grupos do estudo

HILT (laser alta intensidade)Controle sham/placebo ou outras terapias conservadoras

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

5 a 24 sessões (maioria entre 11-20 sessões)

Frequência02

Variação entre protocolos, geralmente 2-3 vezes por semana

Duração da sessão03

Não especificado de forma uniforme; tempo de exposição reduzido devido à alta po

Pontos / técnica04

Aplicação direta sobre a região dolorosa, com densidade energética variando de <10 a 300 J/cm² e potência de 1 a 30 watts; múltiplos pontos ou varredura conforme a área

Comparador05

Sham/placebo (dispositivo desligado ou simulação), ou terapias ativas como ultrassom, TENS, exercícios, ondas de choque,

Nota de protocolo06

A maioria dos estudos (38 de 48) combinou HILT com exercícios terapêuticos; apenas 10 estudos usaram HILT isoladamente

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com distúrbios musculoesqueléticos confirmados de diversas localizaçõesPacientes com osteoartrite de joelho, síndrome do impacto subacromial, lombalgia crônica, cervicalgia, epicondilite lateral, síndrome do túnel do carpIndivíduos com duração variada de sintomas, incluindo condições agudas e crônicasParticipantes de ambos os sexos, com idades predominantemente entre 40 e 60 anosPacientes que utilizavam ou não medicações concomitantes para dor

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Crianças e adolescentes (menores de 18 anos)Gestantes ou lactantes (não especificadas nas inclusões)Pacientes com doenças inflamatórias sistêmicas ativas ou infecções locaisIndivíduos com contraindicações específicas para laser (uso de fotossensibilizantes, tumores na região, próteses metálicas próximas em alguns protocolPortadores de deficiência neurológica grave que impossibilitasse a avaliação funcional

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

dor

reduziu

Média de 1,3 cm na escala VAS (0-10 cm); 1,9 cm contra placebo/sham

🏃

funcionalidade

melhorou

Efeito padronizado médio de -1,0; melhores resultados em joelho e ombro

🔄

amplitude de movimento

melhorou

SMD = 1,1, especialmente quando comparado a controle inativo

🌟

qualidade de vida física

melhorou

Benefícios nos domínios físico-funcional, dor corporal, saúde geral e aspectos sociais do SF-36

🧠

qualidade de vida mental parcial

melhorou parcialmente

Melhora nos domínios role-emocional e funcionamento social; sem mudança em vitalidade e saúde mental

O que não mudou

  • Força muscular mensurada por dinamometria não apresentou melhora significativa
  • Funcionalidade na região do pé e temporomandibular não mostrou efeito significativo
  • Dor no pé não alcançou significância estatística na análise por subgrupos
  • Domínios de vitalidade e saúde mental geral do SF-36 permaneceram inalterados

Quando a melhora apareceu

1

Ao longo das primeiras 2-4 semanas

Durante o tratamento

Redução gradual da dor intensidade, com acúmulo de sessões

2

Até 3 semanas após término

Avaliação pós-intervenção imediata

Pico do efeito analgésico e funcional na maioria dos estudos

3

3 a 9 semanas

Seguimento de médio prazo

Manutenção dos ganhos funcionais, com tendência de redução do efeito analgésico

4

10 a 24 semanas

Seguimento prolongado

Efeito funcional tende a se manter ou aumentar levemente; efeito na dor diminui progressivamente

Antes e depois

Dor média (escala VAS 0-10)

escala máx. 10 cm

Antes6.5 cm
Depois4.6 cm

Dor vs placebo/sham (estimativa)

escala máx. 10 cm

Antes5.5 cm
Depois3.6 cm

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Apenas 1 evento adverso em 3. 107 participantes (reação alérgica isolada)
  • Taxa de abandono similar entre grupos HILT e controle (3,96% total)
  • Não foram relatados eventos graves ou complicações sérias
Amarelo
  • 62,5% dos estudos não reportaram sistematicamente dados de segurança
  • A alta potência do laser exige proteção ocular adequada e treinamento do operador
  • Variação extrema de protocolos dificulta previsibilidade de resposta individual
Vermelho
  • Contraindicações relativas não bem exploradas nos estudos (uso de fotossensibilizantes, neoplasias, gestação)
  • Impossibilidade de mascaramento completo pode mascarar reações adversas subjetivas

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com osteoartrite de joelho ou síndrome do impacto subacromial
  • Pacientes com lombalgia ou cervicalgia crônica sem indicação cirúrgica
  • Indivíduos que não obtiveram resposta adequada a analgésicos ou desejam reduzi-los
  • Pessoas com contraindicações ou intolerância a terapias farmacológicas sistêmicas
  • Pacientes motivados para tratamento que envolve múltiplas sessões e combinação com exercícios

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com dor predominante no pé (fascite plantar, esporão calcâneo) — evidência fraca ou negativa
  • Indivíduos com distúrbios temporomandibulares como principal queixa — funcionalidade não melhorou
  • Pessoas em uso de medicamentos fotossensibilizantes sem avaliação médica prévia
  • Pacientes com expectativa de cura rápida com poucas sessões — protocolos exigem consistência
  • Indivíduos que não podem realizar exercícios concomitantes — maioria dos estudos usou combinação

Expectativa realista

O que esperar da terapia laser de alta intensidade

Redução moderada da dor e melhora da capacidade de realizar atividades diárias, especialmente em problemas de joelho e ombro, após série de sessões combinada com exercícios terapêuticos

Tempo provável

Benefícios iniciais em 2-4 semanas; pico terapêutico ao final do tratamento; manutenção parcial por 3-6 meses

O efeito é mais consistente contra ausência de tratamento do que superior a outras terapias ativas já estabelecidas, e a qualidade das evidências é limitada

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se minha condição específica (localização) tem boas evidências de resposta à HILT
  2. 2Discutir se devo fazer HILT isolada ou combinada com exercícios, e qual protocolo de sessões
  3. 3Questionar sobre contraindicações pessoais (medicações, implantes, histórico oncológico)
  4. 4Solicitar esclarecimento sobre proteção ocular e credenciais do equipamento utilizado
  5. 5Combinar critérios de avaliação de resposta e plano de transição para autocuidado

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Laser de alta intensidade é muito superior a qualquer outro tratamento

Achado

A vantagem é clara contra placebo, mas modesta ou inexistente quando comparada a terapias ativas como exercícios, ultrassom ou TENS

Mito

Quanto mais potente e mais sessões, melhor o resultado

Achado

A análise por subgrupos não mostrou dose-resposta clara; doses muito altas não necessariamente aumentaram os benefícios

Mito

Funciona igualmente bem para qualquer dor musculoesquelética

Achado

Houve variação significativa por localização: joelho e ombro responderam melhor; pé e mandíbula não mostraram efeito funcional

Mito

É completamente isento de riscos

Achado

Embora muito seguro, a subnotificação de eventos adversos nos estudos e a necessidade de proteção adequada indicam que precauções são necessárias

Como isso pode funcionar

⚙️

PASSO 1: Absorção de energia luminosa

A luz laser de alta potência penetra nos tecidos e é absorvida por cromóforos mitocondriais — mecanismo proposto, não diretamente observado nestes estudos clínicos

⚙️

PASSO 2: Modulação celular

Possível aumento da produção de ATP e modulação da resposta inflamatória local, com redução de mediadores pró-inflamatórios — evidência pré-clínica que necessita confirmação em humanos

⚙️

PASSO 3: Efeitos circulatórios e neuromodulação

Aquecimento tecidual controlado e possível influência na condução nervosa periférica, com diminuição da sensibilidade dolorosa — mecanismo teórico suportado parcialmente por estudos experimentais

⚙️

PASSO 4: Facilitação da reabilitação

A analgesia permite maior participação em exercícios terapêuticos, criando ciclo virtuoso de recuperação funcional — efeito indireto bem documentado na prática clínica integrada

O que ainda é incerto

  • ?Qual protocolo ótimo de dosagem, potência e número de sessões permanece indefinido devido à grande variabilidade entre estudos
  • ?O efeito placebo pode estar superestimando os benefícios, dada a dificuldade de mascaramento completo em terapias com dispositivos visíveis
  • ?A longevidade dos efeitos além de 6 meses é desconhecida, pois poucos estudos fizeram seguimento prolongado
  • ?A eficácia comparativa direta com exercícios supervisionados de alta qualidade não foi suficientemente testada
🎯

O que o estudo quis responder

Avaliar a efetividade da terapia laser de alta intensidade (HILT) para dor e funcionalidade em distúrbios musculoesqueléticos

👥

QUEM PARTICIPOU

3. 107 adultos com distúrbios musculoesqueléticos em 48 estudos clínicos randomizados

🧪

COMO FOI FEITO

HILT comparado com controle/placebo ou outras terapias conservadoras

📈

O QUE MUDOU

Redução de 1,3 cm na dor (escala VAS) e melhora significativa na funcionalidade

🛟

SEGURANÇA

Apenas 1 evento adverso relatado (alergia), considerado muito seguro

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

EFEITO VARIA POR LOCAL DO CORPO

Pela primeira vez em uma meta-análise ampla, ficou claro que joelho e ombro respondem melhor à HILT, enquanto pé e mandíbula não mostraram benefício funcional significativo

🧭

DOSE NÃO DETERMINA RESPOSTA

Contra a intuição, doses mais altas não necessariamente produziram melhores resultados; a relação dose-efeito permanece um enigma prático

📌

EFEITO FUNCIONAL PODE CRESCER COM O TEMPO

Enquanto a dor tende a voltar parcialmente, os ganhos de funcionalidade parecem se manter ou até aumentar nas semanas seguintes ao tratamento

🔍

SEGURANÇA DOCUMENTADA, MAS INCOMPLETA

A ausência quase total de eventos adversos é reconfortante, mas a falta de reporte sistemático em dois terços dos estudos deixa lacunas importantes

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Terapia Laser de Alta Intensidade em Distúrbios Musculoesqueléticos: Revisão Sistemática e Meta-análise

A dor musculoesquelética afeta mais de um terço dos adultos mais velhos na Europa e quase metade da população em idade ativa em alguns países, representando um dos principais motivos de busca por tratamento médico e reabilitação. Entre as opções terapêuticas disponíveis, a terapia laser de alta intensidade (HILT, do inglês High-Intensity Laser Therapy) tem ganhado atenção por combinar aplicação não invasiva com potencial de penetração mais profunda nos tecidos, diferentemente dos lasers de menor potência utilizados há décadas. Esta revisão sistemática e meta-análise, publicada em 2023 no Journal of Clinical Medicine por Arroyo-Fernández e colaboradores, representa a mais abrangente síntese de evidências sobre o tema até o momento, incorporando 48 ensaios clínicos randomizados com 3. 107 participantes adultos que apresentavam diversos distúrbios musculoesqueléticos, incluindo problemas no joelho, ombro, coluna lombar, pescoço, punho, cotovelo, mandíbula e pé.

O desenho do estudo seguiu rigorosos critérios metodológicos da declaração PRISMA e das recomendações da Cochrane Collaboration, com busca sistematizada em dez bases de dados até fevereiro de 2022. Os pesquisadores compararam a HILT com três tipos de controle: grupos sham (simulação de tratamento), grupos sem intervenção ativa, e outras terapias conservadoras como ultrassom, estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), exercícios, ondas de choque e laser de baixa intensidade. A análise quantitativa final incluiu 44 estudos, sendo que quatro foram excluídos por não reportarem medidas de dispersão dos resultados. Os desfechos principais foram dor (avaliada pela escala visual analógica de 0 a 10 cm) e funcionalidade (mensurada por escalas específicas para cada região corporal), enquanto os desfechos secundários incluíram amplitude de movimento, força muscular e qualidade de vida.

Os resultados principais demonstraram que a HILT produziu redução média de 1,3 cm na escala de dor quando comparada a todos os controles combinados, com intervalo de confiança de 95% entre -1,6 e -1,0 cm. Essa redução, embora estatisticamente significativa, apresenta qualidade de evidência classificada como baixa segundo o sistema GRADE, devido principalmente ao alto risco de viés dos estudos incluídos e à grande heterogeneidade entre eles. Quando a análise foi estratificada por tipo de comparador, a diferença se mostrou mais pronunciada: contra controle sham ou ausência de tratamento, a redução da dor atingiu 1,9 cm (IC95%: -2,3 a -1,5), valor considerado clinicamente relevante segundo critérios estabelecidos na literatura. Já contra outras terapias conservadoras ativas, a diferença foi de apenas 0,7 cm (IC95%: -1,1 a -0,2), sugerindo que a vantagem da HILT é mais evidente quando comparada à ausência de tratamento do que quando confrontada diretamente com intervenções já estabelecidas.

Quanto à funcionalidade, a HILT mostrou efeito padronizado médio de -1,0 (IC95%: -1,4 a -0,7), com qualidade de evidência moderada. Novamente, a comparação com controle sham revelou efeito maior (SMD = -1,5) do que contra outras terapias (SMD = -0,7). A amplitude de movimento também melhorou significativamente (SMD = 1,1), especialmente quando comparada a controles inativos, embora não tenha havido diferença contra outras terapias ativas. Curiosamente, a força muscular não apresentou melhora significativa com a intervenção.

A qualidade de vida, avaliada pelo questionário SF-36, mostrou benefícios nos domínios relacionados à saúde física e em dois domínios de saúde mental, sem alterações nos itens vitalidade e saúde mental geral.

Uma análise para a prática clínica examinou se o efeito da HILT varia conforme a localização do problema. Para a dor, todos os sítios anatômicos mostraram tendência a melhora, com exceção do pé, onde o resultado não alcançou significância estatística. Para a funcionalidade, houve diferença estatisticamente significativa entre regiões: os melhores resultados foram observados no joelho e no ombro, enquanto não houve efeito mensurável na articulação temporomandibular e no pé. Essa heterogeneidade de resposta conforme a localização é um achado importante que orienta expectativas realistas sobre onde a terapia pode ser mais útil.

Sobre a segurança, o perfil foi extremamente favorável: apenas um evento adverso foi relatado entre 3. 107 participantes, consistindo em reação alérgica em um único paciente. No entanto, essa aparente segurança deve ser interpretada com cautela, pois 62,5% dos estudos incluídos não reportaram sistematicamente dados sobre efeitos adversos ou abandono do tratamento, o que representa uma lacuna importante na avaliação de segurança. A duração do acompanhamento variou consideravelmente entre os estudos, desde avaliação imediata após a intervenção até 24 semanas de seguimento, com tendência observada de que o efeito na funcionalidade se mantém ou aumenta com o tempo, enquanto o efeito analgésico tende a diminuir gradualmente.

As limitações desta revisão são substanciais e devem ser consideradas na interpretação dos resultados. O alto risco de viés, especialmente relacionado ao mascaramento de participantes e profissionais aplicadores, é preocupante porque dispositivos médicos de alta tecnologia podem produzir efeito placebo particularmente intenso. A impossibilidade de cegamento completo em muitos estudos pode ter superestimado os benefícios. Além disso, a heterogeneidade dos protocolos de tratamento — variando de 5 a 24 sessões, com densidades energéticas de menos de 10 a mais de 300 J/cm², e potências de 1 a 30 watts — dificulta a determinação de qual regime seria ideal.

A análise por subgrupos de dosagem não revelou diferenças estatisticamente significativas, embora tenha havido tendência de maiores efeitos analgésicos com doses menores e melhores resultados funcionais com doses intermediárias.

Para pacientes considerando esta opção terapêutica, a mensagem prática é que a HILT representa uma alternativa com evidência de eficácia moderada para dor e funcionalidade em problemas musculoesqueléticos, especialmente quando comparada à ausência de tratamento, com destaque para os resultados em joelho e ombro. O tratamento é muito bem tolerado, mas a variabilidade dos protocolos e a qualidade limitada das evidências sugerem que a decisão deve ser individualizada, considerando a especificidade da condição, a disponibilidade de alternativas, e a possibilidade de integração com outras modalidades terapêuticas como exercícios e orientações de autocuidado.

O que fortalece a leitura

  • 1Grande número de estudos incluídos (48 ensaios)
  • 2Amostra robusta com mais de 3. 000 participantes
  • 3Avaliação abrangente de múltiplas condições musculoesqueléticas
  • 4Perfil de segurança muito favorável
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Alta heterogeneidade entre os estudos
  • 2Risco de viés devido à dificuldade de mascaramento
  • 3Protocolos de tratamento muito variados
  • 4Qualidade da evidência classificada como baixa a moderada

Leitura clínica do estudo

MODERADA
65/ 100
Desenho
3/5
Amostra
5/5
Confirmação
4/5

🔬 Como o estudo foi organizado

3107pessoas avaliadas
divisão dos grupos

HILT

1718 pessoas

Terapia laser de alta intensidade

Controle

1389 pessoas

Placebo, sham ou outras terapias

⏱️ Tempo de acompanhamento: 3 a 24 semanas de acompanhamento

📊 Resultados em números

-1,3 cm

Redução da dor (escala VAS)

SMD = -1,0

Melhora na funcionalidade

SMD = 1,1

Melhora no movimento articular

1/3107

Eventos adversos

📊 Comparação de Resultados

Redução da dor vs controle

HILT
1.9
Controle
0

Melhora funcional vs controle

HILT
1.5
Controle
0

📅 Linha do tempo da evidência

2009Primeiros estudos sobre laser de alta intensidade
2018Meta-análise anterior com 12 estudos
2022Busca final desta revisão abrangente
2023Publicação desta meta-análise com 48 estudos

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

Conheça a equipe da clínica →

Continue lendo

Continue pesquisando

Outros estudos próximos para aprofundar a leitura.

Revisões Sistemáticas & Meta-AnálisesLaser & Não-Invasiva
2018

Efetividade da laserterapia de alta intensidade para dores musculoesqueléticas

O que este estudo responde

A laserterapia de alta intensidade mostrou reduzir moderadamente a dor e melhorar a funcionalidade em pacientes com dores musculoesqueléticas,…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como hilt (laserterapia de alta intensidade) foi comparado a placebo, ultrassom, exercícios, tens, talas, bandagens ou medicações em dores…

Comparador

Placebo, ultrassom, exercícios, TENS, talas, bandagens ou medicações

📊 Meta-análise👥 736 participantes🎯 Alto impacto clínico

Força da evidência

75%

Song et al.

Medicine

Ver resumo
Laser & Não-InvasivaDor Crônica (Geral)
2024

Acupuntura e Laser-acupuntura no Tratamento de Disfunção Temporomandibular: Revisão Sistemática

O que este estudo responde

Acupuntura e laser-acupuntura mostraram-se mais eficazes que placebo para reduzir a dor de DTM muscular em curto prazo, com laser-acupuntura apresentando…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como acupuntura tradicional com agulhas foi comparado a placebo, medicamentos (metocarbamol/paracetamol), placas de descompressão, laser sham ou…

Comparador

Placebo, medicamentos (metocarbamol/paracetamol), placas de descompressão, laser sham ou agulhas sham

📊 revisão sistemática e meta-análise👥 191 participantes🎯 Sinal clínico moderado

Força da evidência

68%

Di Francesco et al.

BMC Oral Health

Ver resumo
Dor Crônica (Geral)Revisões Sistemáticas & Meta-Análises
2013

Grande análise revela que diferentes técnicas de acupuntura têm eficácia similar para dor crônica

O que este estudo responde

Diferentes estilos e técnicas de acupuntura têm eficácia similar para dor crônica; o número de sessões e de agulhas pode influenciar levemente os…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como acupuntura verdadeira foi comparado a sham acupuncture e controles não-acupuntura (lista de espera, cuidados usuais) em dor crônica…

Comparador

Sham acupuncture e controles não-acupuntura (lista de espera, cuidados usuais)

📊 meta-análise de dados individuais👥 n=17.922 participantes evidência robusta

Força da evidência

95%

MacPherson et al.

PLoS ONE

Ver resumo
Revisões Sistemáticas & Meta-AnálisesDor Crônica (Geral)
2012

Meta-análise de dados individuais confirma eficácia da acupuntura para dor crônica

O que este estudo responde

Acupuntura reduz dor crônica de forma clinicamente relevante e superior aos cuidados habituais, com evidência robusta de que parte desse efeito vai além…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como acupuntura real foi comparado a acupuntura simulada e ausência de acupuntura (cuidados habituais variados) em dor crônica: lombar, cervical,…

Comparador

Acupuntura simulada e ausência de acupuntura (cuidados habituais variados)

📊 meta-análise individual👥 n=17.922🏆 evidência robusta

Força da evidência

95%

Vickers et al.

Archives of Internal Medicine

Ver resumo