Estudos analisados em detalhe
11
de 19 inicialmente identificados como relevantes
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Journal of Clinical Medicine
Ano
2024
Autores
Trybulski et al.
Desenho
revisão sistemática
Esta revisão analisou estudos sobre o uso de acupuntura e agulhamento seco para tratar cicatrizes. Embora alguns casos individuais tenham mostrado melhorias na dor e aparência das cicatrizes, a evidência científica ainda é muito limitada. A maioria dos estudos são relatos de casos únicos, que não permitem conclusões definitivas sobre a eficácia. São necessários mais estudos controlados para confirmar se essas técnicas realmente funcionam para cicatrizes.
Título original do estudo: Dry Needling and Acupuncture for Scars—A Systematic Review
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A evidência científica atual é insuficiente para confirmar que acupuntura ou agulhamento seco são eficazes no tratamento de cicatrizes, apesar de alguns relatos individuais sugerirem alívio da dor e melhora da aparência em casos específicos.
Esta revisão analisou estudos sobre o uso de acupuntura e agulhamento seco para tratar cicatrizes. Embora alguns casos individuais tenham mostrado melhorias na dor e aparência das cicatrizes, a evidência científica ainda é muito limitada. A maioria dos estudos são relatos de casos únicos, que não permitem conclusões definitivas sobre a eficácia. São necessários mais estudos controlados para confirmar se essas técnicas realmente funcionam para cicatrizes.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Algumas pessoas relatam melhora, mas a ciência ainda não consegue garantir que funcione de forma confiável para todos
Ponto 1
A maioria dos estudos são relatos de caso isolados, que não provam eficácia
Ponto 2
Só existem 2 ensaios clínicos randomizados, com resultados mistos e qualidade questionável
Ponto 3
Se considerar essa opção, converse com seu médico sobre expectativas realistas e alternativas com mais evidência
O que este estudo acrescenta
Esta é uma das primeiras revisões sistemáticas exclusivamente focadas em acupuntura e agulhamento seco para cicatrizes, mapeando explicitamente as lacunas metodológicas que impedem conclusões firmes
Aplicabilidade clínica
Embora alguns relatos individuais mostrem melhoras expressivas em dor e aparência, a ausência de ensaios clínicos de alta qualidade, a heterogeneidade dos protocolos e a possibilidade de evolução natural das cicatrizes i
Força do desenho do estudo
Uma revisão sistemática sintetiza múltiplos estudos, mas quando estes são predominantemente relatos de caso com poucos ensaios randomizados, a confiança nas conclusões permanece ba
Estudos analisados em detalhe
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de 19 inicialmente identificados como relevantes
Relatos de caso
8
maioria da evidência disponível, com alto risco de viés
Ensaios randomizados controlados
2
apenas Kotani 2001 e Song 2011, com qualidade desigual (8 e 5 pontos na PEDro)
Redução máxima de dor relatada
VAS 8→3
em um único relato de caso de agulhamento seco para cicatriz pós-artroplastia
Pacientes com redução de dor >70%
40%
no grupo de agulhas intradérmicas do ensaio de Kotani 2001, contra <15% no grupo sham
Ficha rápida do estudo
Condição
Cicatrizes hipertróficas, queloides e cicatrizes cirúrgicas de diversas origens, com sintomas como dor, coceira e restri
Tipo de estudo
Revisão sistemática (sem meta-análise)
Participantes
Aproximadamente 270 pacientes no total, distribuídos em 19 estudos de diversos d
Duração
3 a 8 semanas de tratamento nos estudos incluídos
Sessões
Variável: de 6 a 20 sessões, com frequência de 1 a 3 vezes por semana
Comparador
Sem tratamento, tratamento sham, pomada cicatrizante com ultrassom, ou diclofenac conforme necessidade
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
6 a 20 sessões no total, dependendo do estudo
1 a 3 vezes por semana
5 minutos a 1 hora por sessão
Agulhas de 0,15×15 mm a 0,30×50 mm, inseridas perpendicularmente, em ângulo de 15-45° ou paralelamente; técnicas incluíram "envolvimento do dragão", rotação, movimento de balanço e
Grupo sem intervenção, agulhas em pontos não dolorosos (sham), pomada cicatrizante com ultrassom, ou uso de anti-inflama
Muitos estudos combinaram acupuntura ou agulhamento seco com outras terapias (ultrassom, infravermelho, terapia manual, fita adesiva), dificultando a avaliação do efeito isolado da
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Dor
reduziu em alguns casos
Queda de VAS 8/10 para 3/10 em cicatriz pós-artroplastia; redução >70% em 40% dos pacientes no ensaio de Kotani
Funcionalidade
melhorou em relatos isolados
Aumento da força muscular, melhora em testes de mobilidade e capacidade física avaliada pelo SF-36
Aparência da cicatriz
melhorou em casos específicos
Redução do escore POSAS de 57/70 para 27/70; melhora de cor, vascularização e flexibilidade na escala VSS
Coceira
reduziu levemente
Queda de NRS 7/10 para 4,5/10 em cicatriz de queimadura, embora a melhora tenha sido modesta
Sensibilidade térmica
normalizou em caso relatado
Restauração da sensação de calor e normalização da cor da pele em dedo com quelóide pós-operatório
Qualidade de vida
melhorou em alguns estudos
Ganhos nos domínios físico, psicológico e social do SF-36, com capacidade física subindo de 40% para 65%
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
2-3 semanas
Primeiras semanas
Redução inicial da dor em alguns relatos de caso, com VAS caindo de 8/10 para 3/10
4-5 semanas
Meio do tratamento
Melhora na aparência da cicatriz avaliada por escalas como POSAS e VSS em casos isolados
7-8 semanas
Final do protocolo
Redução da coceira e ganhos funcionais em testes de mobilidade e qualidade de vida
7 meses pós-lesão
Seguimento tardio
Manutenção parcial da melhora da coceira em um relato, embora com redução menor que no pós-tratamento imediato
Antes e depois
Dor (VAS)
escala máx. 10 pontos
Avaliação da cicatriz (POSAS)
escala máx. 70 pontos
Coceira (NRS)
escala máx. 10 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Possível alívio parcial da dor e coceira em alguns casos, com melhora variável na aparência e funcionalidade da cicatriz — mas sem garantia de resultado
Tempo provável
Quando há resposta, pode aparecer nas primeiras 2-3 semanas de tratamento; protocolos típicos duram 4-8 semanas
A melhora pode refletir, em parte, a evolução natural da cicatriz ao longo do tempo, e não apenas o efeito do tratamento
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Acupuntura e agulhamento seco são tratamentos comprovados para melhorar qualquer cicatriz
Achado
A revisão encontrou apenas 2 ensaios randomizados de qualidade desigual entre 19 estudos; a maioria são relatos de caso que não permitem conclusões definitivas
Mito
Se funcionou para uma pessoa, vai funcionar para mim
Achado
As cicatrizes são altamente individuais em sua composição, localização e história de formação; a resposta ao tratamento varia enormemente e não é previsível
Mito
A melhora visual e da dor é exclusivamente efeito da agulha
Achado
Cicatrizes naturalmente evoluem com clareamento e amolecimento ao longo de meses; a revisão alerta que parte da melhora observada pode ser espontânea, não atribuível ao tratamento
Mito
Agulhamento seco e acupuntura são técnicas iguais com nomes diferentes
Achado
São abordagens distintas: a acupuntura tradicional baseia-se em pontos específicos ao longo de meridianos, enquanto o agulhamento seco foca em pontos gatilhos miofasciais e tecido conjuntivo, com fundamentos teóricos dif
Como isso pode funcionar
PASSO 1
A inserção da agulha pode estimular mecanorreceptores e fibras nervosas aferentes no tecido cicatricial — mecanismo proposto, não plenamente confirmado em cicatrizes humanas
PASSO 2
Esta estimulação pode levar à liberação de neurotransmissores como endorfinas e serotonina, potencialmente modulando a percepção de dor (baseado em estudos de acupuntura para dor em geral)
PASSO 3
A rotação ou movimentação da agulha pode induzir estresse mecânico em fibroblastos, promovendo remodelagem do colágeno — hipótese derivada de estudos celulares e em animais, com extrapolação incerta para humanos
PASSO 4
A remodelagem tecidual resultante poderia reduzir tensão local e melhorar vascularização, contribuindo para alívio de sintomas — efeito ainda não demonstrado com métodos objetivos em ensaios robustos
O que ainda é incerto
Avaliar a eficácia da acupuntura e agulhamento seco no tratamento de cicatrizes e sintomas relacionados como dor e coceira
Pacientes com cicatrizes hipertróficas, queloides e cicatrizes cirúrgicas de diferentes origens
Análise de 19 estudos incluindo relatos de caso, séries de casos e 2 ensaios controlados randomizados
Alguns estudos mostraram redução da dor (VAS 8/10 para 3/10) e melhora na qualidade de vida
Poucos estudos relataram eventos adversos; técnicas consideradas seguras
Achados Interessantes
MAPEAMENTO DAS LACUNAS
A revisão identificou de forma transparente que quase nenhum estudo seguiu diretrizes de reporte padronizadas (STRICTA), dificultando reproduzir ou comparar protocolos
HETEROGENEIDADE EXTREMA
Não há 'receita única': os estudos variaram de 6 a 20 sessões, com agulhas de 0,15 a 0,30 mm, inseridas de formas completamente diferentes — impossível dizer qual abordagem seria melhor
EVOLUÇÃO NATURAL VS. TRATAMENTO
Os autores levantam a possibilidade importante de que melhorias atribuídas à acupuntura possam, em parte, refletir o amadurecimento espontâneo da cicatriz ao longo de meses
Resumo detalhado em linguagem acessível
Esta revisão sistemática investigou a eficácia da acupuntura e agulhamento seco no tratamento de cicatrizes e sintomas relacionados. Os pesquisadores conduziram uma busca abrangente em múltiplas bases de dados até janeiro de 2024, seguindo as diretrizes PRISMA 2020. Das 706 referências iniciais encontradas, apenas 19 estudos foram considerados relevantes, com 11 selecionados para análise detalhada. Os estudos incluídos consistiam em oito relatos de caso sobre acupuntura e agulhamento seco, dois ensaios controlados randomizados sobre acupuntura, e uma série de casos.
A qualidade metodológica foi avaliada usando as escalas JBI e PEDro, com pontuações variando de 4 a 8 pontos, indicando qualidade moderada a boa na maioria dos estudos. As intervenções variaram consideravelmente entre os estudos, utilizando diferentes tipos de agulhas (0,15mm×15mm a 0,30mm×50mm), técnicas de inserção (perpendicular, paralela, angular), durações de tratamento (3-8 semanas), e frequências (2-3 sessões por semana). Alguns estudos combinaram as técnicas com outras modalidades como radiação infravermelha, ultrassom e terapia manual, dificultando a análise do efeito específico das técnicas de agulhamento. Os resultados mostraram que a maioria dos estudos (10 de 11) relatou algum efeito terapêutico positivo.
Melhorias significativas foram observadas na percepção da dor, com reduções na Escala Visual Analógica de 8/10 para 3/10 em alguns casos. A escala POSAS mostrou melhora de 57/70 para 27/70, indicando melhor aparência da cicatriz. Testes funcionais como 'levantar e caminhar' e 'sentar e levantar em 30 segundos' também demonstraram melhorias. O SF-36 indicou aumento na capacidade física de 40% para 65%.
Em termos de características das cicatrizes, foram observadas melhorias na cor, distribuição vascular, espessura e flexibilidade. No entanto, os autores enfatizam várias limitações importantes. A diversidade metodológica impediu a realização de meta-análise. A maioria dos estudos foram relatos de caso, que têm alto risco de viés e limitada generalização.
Houve inconsistências significativas no relato de parâmetros de dosagem e eventos adversos. A falta de aderência às diretrizes STRICTA para relato de intervenções de acupuntura foi notada. Os mecanismos fisiológicos propostos incluem estimulação de fibroblastos, liberação de compostos bioquímicos, modulação da inflamação e efeitos no sistema nervoso central. A acupuntura pode inibir fatores inflamatórios e o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF).
O agulhamento seco pode promover remodelação celular e redução da inflamação através da estimulação mecânica do tecido conjuntivo. Os autores concluem que, embora os resultados sejam encorajadores, a evidência científica atual é insuficiente para apoiar definitivamente o uso de acupuntura e agulhamento seco no tratamento de cicatrizes. As limitações metodológicas, o pequeno número de estudos controlados, e a heterogeneidade significativa dos resultados impedem conclusões definitivas sobre a eficácia dessas intervenções. Pesquisas futuras devem priorizar ensaios controlados randomizados de maior escala, com metodologia padronizada e relato consistente de parâmetros de tratamento e eventos adversos.
relatos de caso
8 pessoas
acupuntura ou agulhamento seco individual
ensaios controlados
2 pessoas
acupuntura vs controle
redução da dor (escala VAS)
melhora no POSAS
estudos com qualidade satisfatória
redução da dor >70%
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor crônica · Avaliação especializada
Converse com quem trata dor crônica há mais de 40 anos
A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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