Estudos revisados
2. 214
Número inicial de estudos identificados nas bases de dados
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Journal of Back and Musculoskeletal Rehabilitation
Ano
2023
Autores
Mohamed et al.
Desenho
Revisão sistemática
Esta revisão analisou 22 estudos sobre ventosaterapia para dores musculares e lesões esportivas. Os resultados mostram que a ventosaterapia pode ajudar a reduzir a dor e melhorar a flexibilidade, especialmente na região lombar e pescoço. Embora a qualidade das evidências ainda seja limitada, a técnica se mostrou segura, com poucos efeitos colaterais. É uma opção complementar promissora para alívio da dor muscular.
Título original do estudo: Evidence-based and adverse-effects analyses of cupping therapy in musculoskeletal and sports rehabilitation: A systematic and evidence-based review
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A ventosaterapia mostra evidência baixa a moderada para alívio de dor lombar e cervical e flexibilidade de tecidos moles, com boa segurança, mas não deve substituir tratamentos de primeira linha com evidência mais consolidada.
Esta revisão analisou 22 estudos sobre ventosaterapia para dores musculares e lesões esportivas. Os resultados mostram que a ventosaterapia pode ajudar a reduzir a dor e melhorar a flexibilidade, especialmente na região lombar e pescoço. Embora a qualidade das evidências ainda seja limitada, a técnica se mostrou segura, com poucos efeitos colaterais. É uma opção complementar promissora para alívio da dor muscular.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
A técnica milenar ganhou fama no esporte, mas a ciência ainda está começando a entender seus reais benefícios e limites
Ponto 1
Pode ajudar com dor crônica lombar e cervical, e com flexibilidade, segundo evidências preliminares
Ponto 2
É geralmente segura, com efeitos colaterais leves como hematomas temporários
Ponto 3
Não substitui tratamentos médicos consolidados e carece de padronização para uso rotineiro
O que este estudo acrescenta
Este estudo foi o primeiro a aplicar uma análise baseada em evidências (evidence-based analysis) especificamente para ventosaterapia em reabilitação musculoesquelética e esportiva, classificando o nível de evidência por
Aplicabilidade clínica
Os efeitos observados são modestos em magnitude, com evidência predominantemente baixa a moderada, e a heterogeneidade dos protocolos impede a determinação de uma intervenção padronizada clinicamente robusta. A técnica p
Força do desenho do estudo
Este estudo sintetiza múltiplos ensaios clínicos, mas a qualidade dos estudos originais é moderada a baixa, limitando a força das conclusões
Estudos revisados
2. 214
Número inicial de estudos identificados nas bases de dados
Estudos incluídos
22
Ensaios clínicos randomizados e séries de casos que preencheram critérios de elegibilidade
Qualidade metodológica média
5/10
Pontuação média na escala PEDro, indicando qualidade moderada com limitações importantes
Efeitos adversos
Muito baixa
Incidência geral de eventos adversos, predominantemente leves e transitórios
Evidência mais robusta
Moderada
Apenas para flexibilidade de tecidos moles; dor lombar e cervical ficam em baixa a moderada
Ficha rápida do estudo
Condição
Dores e lesões musculoesqueléticas, incluindo lombar, cervical, síndrome do túnel do carpo, fascite plantar, fibromialgi
Tipo de estudo
Revisão sistemática com análise baseada em evidências
Participantes
22 estudos revisados, com amostras variando de 12 a 141 participantes, idades en
Duração
Estudos publicados entre 1990 e 2019, com intervenções de 1 dia a 12 semanas
Sessões
Variável: 1 sessão a 10 sessões, frequência desde única até 2x por semana
Comparador
Diversos: não-intervenção, cuidado médico padrão, calor, fisioterapia rotineira, estimulação elétrica, alongamento ativo
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Variável: de 1 a 10 sessões, dependendo do estudo
Desde sessão única até 2 vezes por semana
De 4 minutos a 15 minutos por sessão
Ventosaterapia seca (maioria) ou úmida (5 estudos); aplicação em pontos de acupuntura, pontos Ashi (locais de dor), ou áreas musculares específicas; pressão negativa variável
Sem intervenção, cuidado médico padrão, calor, fisioterapia convencional, estimulação elétrica, alongamento, paracetamol
Grande heterogeneidade nos protocolos; não há padronização estabelecida para tipo de copo, pressão aplicada, duração ou pontos de aplicação
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Dor lombar
reduziu
Evidência baixa a moderada de redução de intensidade dolorosa em pacientes com dor crônica
Dor cervical
reduziu
Evidência baixa a moderada para diminuição de dor e aumento do limiar de pressão
Flexibilidade de tecidos moles
melhorou
Evidência moderada para aumento da amplitude de movimento, especialmente de joelho e quadril
Limiar de dor
aumentou
Aumento do limiar de dor por pressão em múltiplas condições, incluindo cervicalgia e fascite plantar
Temperatura cutânea local
aumentou
Elevação da temperatura superficial em pontos de aplicação, sugerindo aumento de fluxo sanguíneo
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
Imediato
Após primeira sessão
Redução da dor em repouso em pacientes com fascite plantar; aumento do limiar de dor na cervicalgia
Curto prazo
Após 2 semanas
Redução significativa de dor e incapacidade em pacientes com dor cervical crônica
Médio prazo
Após 4 semanas
Diminuição de dor e incapacidade em pacientes com dor lombar crônica
Longo prazo
Após 12 semanas
Manutenção da redução de dor lombar, embora sem melhora adicional na incapacidade
Antes e depois
Dor lombar (escala VAS 0-10)
escala máx. 10 pontos
Incapacidade lombar (ODQ 0-100)
escala máx. 100 pontos
Limiar de dor cervical (pressão)
escala máx. 5 kg/cm² aproximado
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Possível redução modesta da intensidade da dor e melhora da sensação de flexibilidade, especialmente em regiões lombares e cervicais, após algumas sessões
Tempo provável
Alguns pacientes relatam alívio após a primeira sessão; benefícios mais consistentes tendem a aparecer após 2 a 4 semana
A evidência científica ainda é limitada, os protocolos não são padronizados, e a ventosaterapia não substitui diagnóstico médico nem tratamentos com comprovação
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
A ventosaterapia cura lesões musculares e acelera a recuperação de atletas
Achado
Não há evidência direta de efeito sobre recuperação muscular pós-exercício, fadiga ou DOMS; os benefícios documentados são principalmente para dor crônica lombar e cervical
Mito
As marcas circulares são sinal de eliminação de toxinas do corpo
Achado
As marcas são simplesmente equimoses por ruptura de capilares sob pressão negativa; não há evidência científica de 'detoxificação' por este mecanismo
Mito
A ventosaterapia úmida é mais eficaz que a seca
Achado
A revisão não encontrou evidência suficiente para afirmar superioridade de uma técnica sobre a outra; a ventosaterapia úmida tem mais riscos potenciais e requer maior cautela
Mito
Quanto mais intensa a pressão e mais longa a sessão, melhor o resultado
Achado
Não há padronização de dose-resposta nos estudos; a heterogeneia dos protocolos impede recomendações sobre intensidade ou duração ideais
Como isso pode funcionar
PASSO 1: Estimulação mecânica
A pressão negativa deforma a pele e ativa receptores mecânicos (mecanorreceptores), o que pode interferir na transmissão de sinais de dor — mecanismo proposto, não completamente confirmado
PASSO 2: Alteração do fluxo sanguíneo
A sucção aumenta o fluxo sanguíneo local e a temperatura cutânea, possivelmente melhorando a oxigenação tecidual e remoção de metabólitos — efeito documentado, mas relevância clínica incerta
PASSO 3: Modulação da dor
A estimulação de fibras Aβ pode ativar mecanismos inibitórios na medula espinhal, elevando o limiar de dor — teoria do controle da porta da dor, com suporte parcial
PASSO 4: Efeito biomecânico
A tração do tecido conjuntivo pode promover mobilização de fáscia, músculo e tendão, potencialmente aumentando a flexibilidade — mecanismo proposto, necessita mais evidências
O que ainda é incerto
Avaliar o nível de evidência da ventosaterapia no tratamento de dores e lesões musculares
2214 estudos revisados, 22 selecionados sobre ventosaterapia em problemas musculares
Análise de estudos comparando ventosa seca e molhada com outros tratamentos
Redução da dor, melhora da flexibilidade e aumento do limiar de dor
Efeitos adversos muito raros, apenas pequenos hematomas ou dor temporária
Achados Interessantes
Classificação por nível de evidência
Pela primeira vez, uma revisão classificou separadamente o nível de evidência da ventosaterapia para cada condição — revelando que a fama da técnica no esporte não corresponde à robustez científica disponível
Lacuna para atletas
Nenhum estudo de qualidade investigou diretamente a ventosaterapia para fadiga muscular ou dor muscular tardia (DOMS), apesar da popularidade da técnica entre atletas de elite
Segurança documentada
A revisão sistemática de efeitos adversos trouxe tranquilidade: em mais de duas décadas de estudos, não houve eventos graves, apenas reações locais leves e transitórias
Problema da qualidade
A análise detalhada revelou que a maioria dos estudos tinha falhas metodológicas sérias — pequenas amostras, falta de cegamento e análises inadequadas — o que enfraquece as conclusões favoráveis
Resumo detalhado em linguagem acessível
Esta revisão sistemática representa o primeiro esforço abrangente para analisar o nível de evidência da ventosaterapia na reabilitação musculoesquelética e esportiva. Os pesquisadores examinaram 22 estudos que incluíram um total de 1. 547 participantes com idades entre 18 e 60 anos, investigando os efeitos desta antiga técnica terapêutica em diversas condições.
A ventosaterapia, uma prática com mais de 4. 000 anos de história, ganhou notoriedade recente quando atletas de elite como Michael Phelps foram vistos com as características marcas circulares vermelhas nos Jogos Olímpicos de 2016. A técnica utiliza copos de vidro, plástico ou bambu que criam pressão negativa na pele, podendo ser aplicada de forma seca (sem cortes) ou úmida (com pequenas incisões).
A análise revelou que a maioria dos estudos utilizou ventosa seca, com durações de tratamento variando de um único dia até 12 semanas. Os resultados demonstraram evidência moderada para o aumento da flexibilidade dos tecidos moles, evidência baixa a moderada para a redução da dor lombar e cervical, e evidência muito baixa a baixa para outras condições musculoesqueléticas.
Para dor lombar, seis estudos investigaram os efeitos da ventosaterapia. Os pesquisadores encontraram três possíveis mecanismos de ação: primeiro, a deformação da pele pode excitar fibras Aβ em regiões dolorosas; segundo, a manipulação da pele pode desencadear neurônios inibitórios no corno dorsal da medula espinhal; terceiro, a técnica pode produzir um efeito relaxante e socialmente calmante.
Em relação à dor cervical, cinco estudos mostraram que a ventosaterapia pode diminuir significativamente a dor e melhorar a qualidade de vida. Os efeitos são atribuídos à elevação manual e amassamento do tecido muscular, que diminui a excitabilidade neuromuscular e pode produzir um efeito inibitório que ajuda a reduzir espasmos musculares.
Para condições como síndrome do túnel do carpo, fascite plantar e fibromialgia, a evidência foi classificada como baixa ou muito baixa, principalmente devido a limitações metodológicas nos estudos, incluindo falta de cegamento adequado, tamanhos de amostra pequenos e análises estatísticas inadequadas.
Um achado importante foi a incidência muito baixa de eventos adversos. Os efeitos colaterais relatados incluíram hematomas leves no local de aplicação, dores musculares temporárias por 1-2 dias, e ocasionalmente dores de cabeça que duraram menos de 60 minutos. Isso sugere que a ventosaterapia é uma intervenção relativamente segura.
Os mecanismos propostos para os benefícios da ventosaterapia incluem o aumento do fluxo sanguíneo e circulação local, que pode ajudar na remoção de toxinas e produtos de degradação, além de facilitar a entrega de substâncias anti-inflamatórias à área afetada. A pressão negativa também pode estimular mecanorreceptores, cujos sinais chegam à medula espinhal mais rapidamente que os sinais de dor, bloqueando assim a percepção dolorosa através da teoria do portão da dor.
As limitações desta revisão incluem a qualidade metodológica variável dos estudos incluídos, com muitos não atendendo aos critérios rigorosos de ensaios clínicos randomizados de alta qualidade. Muitos estudos não incluíram cegamento adequado de participantes, terapeutas ou avaliadores, o que pode introduzir viés nos resultados.
Despite estas limitações, os autores concluem que a ventosaterapia pode ser uma intervenção útil na reabilitação musculoesquelética e esportiva, especialmente considerando seu baixo perfil de risco e potencial para diminuir a dor e melhorar o fluxo sanguíneo. No entanto, enfatizam a necessidade de mais pesquisas de alta qualidade para estabelecer protocolos padronizados e identificar quais pacientes se beneficiariam mais desta terapia complementar.
Análise de estudos
22 pessoas
Revisão sistemática de estudos sobre ventosaterapia
Evidência para flexibilidade de tecidos
Evidência para dor lombar
Evidência para dor cervical
Incidência de efeitos adversos
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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