pacientes no estudo
384
total de participantes em quatro tendinopatias diferentes
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Materia Socio-Medica
Ano
2018
Autores
Dedes et al.
Desenho
Nível não totalmente claro
Este estudo mostra que a terapia por ondas de choque é efetiva para tratar dores de tendão, especialmente quando outros tratamentos não funcionaram. O procedimento é feito no consultório, sem internação, e mostrou redução significativa da dor e melhora da capacidade de movimentação. Os resultados foram duradouros, mantendo-se após 4 semanas do tratamento.
Título original do estudo: Effectiveness and Safety of Shockwave Therapy in Tendinopathies
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A terapia por ondas de choque reduziu significativamente a dor e melhorou a função em quatro tendinopatias comuns, com resultados superiores ao tratamento conservador convencional após 4 semanas, embora o acompanhamento seja curto e o estudo não tenha sido ran
Este estudo mostra que a terapia por ondas de choque é efetiva para tratar dores de tendão, especialmente quando outros tratamentos não funcionaram. O procedimento é feito no consultório, sem internação, e mostrou redução significativa da dor e melhora da capacidade de movimentação. Os resultados foram duradouros, mantendo-se após 4 semanas do tratamento.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Estudo com 384 pacientes mostrou alívio significativo da dor e melhora da função em quatro condições comuns, com tratamento ambulatorial e sem efeitos colaterais importantes.
Ponto 1
3 sessões são geralmente suficientes para sentir o benefício máximo
Ponto 2
A melhora começa logo após o tratamento e se mantém nas primeiras semanas
Ponto 3
Fale com seu médico se já tentou repouso, exercícios e medicamentos sem sucesso suficiente
O que este estudo acrescenta
Este estudo reforça, em amostra diversificada de quatro tendinopatias comuns, que os benefícios da terapia por ondas de choque são reproduzíveis e não limitados a uma única condição.
Aplicabilidade clínica
A redução de aproximadamente 2 pontos em escala de 5 pontos representa melhora clínicamente importante e consistente em quatro condições distintas, mas o desenho não randomizado e o seguimento curto de 4 semanas limitam
Força do desenho do estudo
Há comparação entre grupos tratados e não tratados, mas sem sorteio aleatório para definir quem entra em cada grupo, o que reduz a certeza sobre a causa dos resultados.
pacientes no estudo
384
total de participantes em quatro tendinopatias diferentes
tratados com ondas de choque
326
grupo de intervenção principal
redução da dor no cotovelo
95%
queda relativa da média de 1,99 para 0,10 na escala
sessões mais comuns
3
porcentagem entre 66% e 83% conforme a condição
significância estatística
p<0,001
para dor, função e qualidade de vida em todas as condições
Ficha rápida do estudo
Condição
tendinopatias do cotovelo, Aquiles, manguito rotador e fascite plantar
Tipo de estudo
estudo controlado não randomizado
Participantes
384 pacientes com tendinopatias diagnosticadas em clínica ortopédica
Duração
tratamento seguido de 4 semanas de acompanhamento
Sessões
predominantemente 3 sessões, variando conforme a tendinopatia
Comparador
tratamento conservador com anti-inflamatórios tópicos, exercícios, modulação de atividade e medidas de suporte
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
3 a 4 sessões, sendo 3 a mais frequente (66-83% dos casos)
intervalo não explicitado em dias, mas protocolo padrão de sessões semanais na l
não especificado em minutos; baseado em número de impulsos (1500-3000)
aplicação focalizada com equipamento STORZ MEDICAL Master Pulse MP200, com parâmetros variáveis por condição (frequência 15-21 Hz, pressão 1,6-2,0 bar)
anti-inflamatórios tópicos, talas de suporte, programa de exercícios, modificação de atividade, massagem de fricção, com
sessão inicial sempre com parâmetros de maior frequência (21 Hz) para analgesia, seguida de sessões terapêuticas com frequência reduzida (15 Hz)
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
dor
reduziu drasticamente
queda de médias próximas a 2 pontos para próximo de zero em escala de 0-4, mantida em todas as quatro condições
funcionalidade
melhorou
redução significativa das dificuldades para movimentar membros afetados, com impacto direto nas atividades diárias
qualidade de vida
melhorou
menor dificuldade em realizar tarefas cotidianas, com benefício estatisticamente significativo em todas as tendinopatias
durabilidade preliminar
manteve-se
os ganhos não se perderam após 4 semanas, sugerindo persistência do efeito além do período de tratamento ativo
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
após a última sessão
imediatamente após o tratamento
redução drástica da dor e melhora funcional já mensurável na avaliação pós-tratamento
4 semanas de seguimento
consolidação aos 4 semanas
os ganhos se mantiveram ou, em alguns casos, intensificaram-se, sem retorno aos níveis basais
Antes e depois
dor no cotovelo (escala 0-4)
escala máx. 4 pontos
funcionalidade do cotovelo (escala 0-4)
escala máx. 4 pontos
qualidade de vida no cotovelo (escala 0-4)
escala máx. 4 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
A maioria dos pacientes precisa de 3 sessões para sentir o benefício máximo. A dor tende a cair de forma acentuada já após o tratamento, e essa melhora se consolida nas semanas seguintes.
Tempo provável
benefício inicial imediato; consolidação até 4 semanas após a última sessão
Este estudo acompanhou os pacientes por apenas 4 semanas. A persistência do efeito por meses ou anos requer confirmação em pesquisas de seguimento mais longo.
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Ondas de choque são cirurgia sem corte
Achado
É um procedimento totalmente não invasivo, aplicado sobre a pele, sem qualquer incisão — mas também não é tão definitivo quanto uma cirurgia bem-sucedida
Mito
Uma sessão resolve o problema
Achado
A maioria dos pacientes precisou de 3 sessões, e alguns de 4; o protocolo exige múltiplas aplicações para resultado ótimo
Mito
Funciona para qualquer tipo de dor
Achado
O estudo avaliou apenas quatro tendinopatias específicas; não há evidência direta para outras condições musculoesqueléticas
Mito
O efeito é permanente e garantido
Achado
A melhora foi significativa e durou pelo menos 4 semanas, mas o estudo não acompanhou os pacientes por tempo suficiente para afirmar permanência
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO MECÂNICO
Ondas de alta energia penetram nos tecidos e criam microtraumas controlados — o mecanismo exato ainda não está totalmente elucidado, mas é proposto pela literatura
REAÇÃO BIOLÓGICA PROPOSTA
Possível aumento da vascularização local e liberação de fatores de crescimento que favoreceriam a reparação tecidual, segundo hipóteses da pesquisa científica
MODULAÇÃO DA DOR
O estímulo pode ativar vias que elevam o limiar de tolerância à dor, contribuindo para o alívio sintomático observado clinicamente
CICATRIZAÇÃO FUNCIONAL
Com a redução da dor e melhora do suprimento sanguíneo, o tendão recuperaria capacidade de suportar cargas progressivamente
O que ainda é incerto
avaliar se ondas de choque reduzem dor e melhoram função em diferentes tendinopatias
384 pacientes com tendinopatias de cotovelo, Aquiles, fascite plantar e manguito rotador
326 pacientes receberam ondas de choque, 58 fizeram tratamento conservador
redução de pelo menos 2 pontos na dor e melhora da função após tratamento
tratamento ambulatorial sem efeitos colaterais significativos
Achados Interessantes
CONSISTÊNCIA ENTRE CONDIÇÕES
Raramente um único estudo avalia quatro tendinopatias distintas com resultados tão uniformemente positivos — isso fortalece a generalização cautelosa da técnica
MELHORA QUE SE ACENTUA
Em algumas condições os resultados foram ainda melhores aos 4 semanas do que imediatamente após o tratamento, sugerindo efeito biológico em curso
PROTOCOLO PRÁTICO REPRODUTÍVEL
O uso de questionário validado e parâmetros claros de equipamento oferece um modelo que pode ser replicado em consultórios, facilitando a conversa entre médico e paciente sobre o que esperar
Resumo detalhado em linguagem acessível
As tendinopatias representam uma das causas mais frequentes de dor musculoesquelética, afetando milhões de pessoas em todo o mundo e limitando atividades cotidianas, trabalho e exercícios físicos. Tradicionalmente, o tratamento conservador dessas condições inclui repouso, uso de medicamentos anti-inflamatórios, modificações de atividade e exercícios específicos. No entanto, quando essas abordagens não trazem alívio suficiente, pacientes e médicos buscam alternativas que evitem a necessidade de procedimentos cirúrgicos mais invasivos. É nesse contexto que a terapia por ondas de choque extracorpórea ganhou espaço como opção terapêutica.
O estudo conduzido por Dedes e colaboradores, publicado em 2018 na revista Materia Socio-Medica, avaliou de forma sistemática a eficácia e a segurança dessa tecnologia em 384 pacientes com diferentes tipos de tendinopatias. A pesquisa incluiu casos de epicondilite lateral (tendinopatia do cotovelo), tendinopatia do Aquiles, fascite plantar e tendinopatia do manguito rotador — quatro das condições mais comuns que levam pacientes a consultórios ortopédicos. A grande maioria dos participantes, 326 pessoas, foi tratada com ondas de choque, enquanto 58 pacientes constituíram grupos de controle que receberam apenas tratamento conservador convencional, com aplicação tópica de anti-inflamatórios, uso de talas de suporte, programa de exercícios orientado pelo médico, modificação das atividades, massagem de fricção e aplicação de compressas quentes ou frias.
A metodologia do estudo merece atenção por sua clareza prática. Os pesquisadores desenvolveram um questionário específico para avaliar três dimensões fundamentais para quem vive com dor crônica de tendão: a intensidade da dor durante movimentos precisos, a funcionalidade dos membros superiores e inferiores, e a qualidade de vida relacionada à dificuldade em realizar tarefas diárias. Cada uma dessas dimensões foi medida em uma escala de cinco pontos, permitindo que os pacientes expressassem de forma gradativa o impacto da condição sobre suas vidas. As avaliações ocorreram em três momentos: antes do início do tratamento, imediatamente após sua conclusão, e após quatro semanas de acompanhamento.
Os resultados demonstraram diferenças marcantes entre os grupos. Nos pacientes tratados com ondas de choque, a redução da dor foi expressiva e imediata. Na epicondilite, por exemplo, a média de dor caiu de 1,99 para apenas 0,10 após o tratamento, mantendo-se em 0,01 após quatro semanas. Padrão semelhante foi observado nas outras três condições: tendinopatia do manguito rotador, do Aquiles e fascite plantar.
Em todos os casos, a melhora não apenas se manteve, mas em algumas situações se intensificou no período de seguimento, sugerindo que os benefícios não são meramente transitórios. A funcionalidade e a qualidade de vida acompanharam essa trajetória positiva, com reduções significativas nas dificuldades para realizar atividades cotidianas.
O grupo controle, que recebeu tratamento conservador, também apresentou alguma melhora, o que é esperado dado que muitas tendinopatias têm curso natural flutuante e que medidas como repouso e anti-inflamatórios podem oferecer alívio parcial. Contudo, em todas as comparações diretas, os resultados do grupo de ondas de choque foram estatisticamente superiores, tanto no pós-tratamento imediato quanto na avaliação de quatro semanas. Essa superioridade consistente em múltiplas condições diferentes fortalece a confiabilidade das conclusões.
Do ponto de vista prático, o protocolo de tratamento variou ligeiramente conforme a condição, mas seguiu uma lógica comum: sessões iniciais com frequência de 21 Hz e pressão de 1,8 bar para analgesia, seguidas de sessões terapêuticas com frequência de 15 Hz e pressões entre 1,6 e 2,0 bar. A maioria dos pacientes completou três sessões, com porcentagens variando de 66% a 83% conforme a tendinopatia, enquanto uma minoria necessitou de quatro sessões. O procedimento foi realizado em ambulatório, sem necessidade de internação, e os autores não relataram efeitos colaterais significativos — aspecto particularmente relevante para pacientes que já experimentaram frustração com tratamentos anteriores ou que temem complicações de intervenções mais agressivas.
É importante, no entanto, manter uma interpretação prudente desses achados. O acompanhamento de quatro semanas, embora suficiente para demonstrar eficácia inicial, é considerado curto no universo das tendinopatias crônicas, que frequentemente exigem avaliação de meses ou até anos para confirmar durabilidade dos resultados. Além disso, o estudo não utilizou randomização na alocação dos pacientes, o que introduz possibilidade de viés de seleção: os médicos puderam direcionar pacientes para um ou outro grupo conforme critérios clínicos não padronizados, e os próprios pacientes puderam ter preferências que influenciaram sua alocação. Os grupos de controle também foram substancialmente menores que os grupos de intervenção, o que reduz a precisão das comparações.
Outra limitação relevante é a ausência de padronização dos equipamentos de ondas de choque — diferentes aparelhos podem produzir ondas com características distintas, e essa variabilidade dificulta a reprodutibilidade dos protocolos em outros contextos.
Para o paciente que convive com dor de tendão persistente, este estudo oferece uma mensagem de cauteloso otimismo. A terapia por ondas de choque aparece como uma opção viável, especialmente quando tratamentos mais conservadores não produziram o alívio desejado. O procedimento é rápido, realizado no consultório médico, e a experiência de desconforto durante a aplicação é geralmente bem tolerada. Os benefícios tendem a se manifestar rapidamente e a se manter nas primeiras semanas, embora a literatura mais ampla — citada pelos próprios autores — sugira que a melhora pode perdurar por meses ou até mais de um ano em muitos casos.
A decisão de indicar esse tratamento deve ser individualizada, considerando o perfil específico de cada paciente, a gravidade da condição, as tentativas terapêuticas prévias e as expectativas realistas. Não se trata de uma cura mágica, mas de uma ferramenta adicional no arsenal terapêutico, com evidências crescentes de eficácia e perfil de segurança favorável. A conversa aberta entre paciente e médico sobre possibilidades, limites e incertezas permanece o melhor caminho para decisões de tratamento alinhadas aos valores e necessidades de cada pessoa.
grupo ondas de choque
326 pessoas
terapia por ondas de choque extracorpórea
grupo controle
58 pessoas
tratamento conservador com anti-inflamatórios e fisioterapia
redução da dor imediatamente após tratamento
melhora da função após 4 semanas
melhora na qualidade de vida
pacientes tratados com 3 sessões
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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