Estudo científico comentado

Terapia por ondas de choque reduz dor e melhora função em tendinopatias

Referência acadêmica

Periódico

Materia Socio-Medica

Ano

2018

Autores

Dedes et al.

Desenho

Nível não totalmente claro

Este estudo mostra que a terapia por ondas de choque é efetiva para tratar dores de tendão, especialmente quando outros tratamentos não funcionaram. O procedimento é feito no consultório, sem internação, e mostrou redução significativa da dor e melhora da capacidade de movimentação. Os resultados foram duradouros, mantendo-se após 4 semanas do tratamento.

Título original do estudo: Effectiveness and Safety of Shockwave Therapy in Tendinopathies

🔬estudo controlado👥n=384🎯alto impacto clínico
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

A terapia por ondas de choque reduziu significativamente a dor e melhorou a função em quatro tendinopatias comuns, com resultados superiores ao tratamento conservador convencional após 4 semanas, embora o acompanhamento seja curto e o estudo não tenha sido ran

O que isso significa para você?

Este estudo mostra que a terapia por ondas de choque é efetiva para tratar dores de tendão, especialmente quando outros tratamentos não funcionaram. O procedimento é feito no consultório, sem internação, e mostrou redução significativa da dor e melhora da capacidade de movimentação. Os resultados foram duradouros, mantendo-se após 4 semanas do tratamento.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A terapia por ondas de choque é uma opção não cirúrgica com evidências crescentes para tendinopatias comuns
  • 2O tratamento exige múltiplas sessões e paciência — não é solução de única aplicação
  • 3A melhora tende a ser progressiva, com benefício inicial imediato e consolidação nas semanas seguintes
  • 4A decisão deve ser individualizada, considerando sua condição específica, histórico de tratamentos e expectativas realistas
  • 5Converse com seu médico sobre se você se encaixa no perfil estudado e qual protocolo seria mais adequado
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Minha tendinopatia é do tipo estudado nesta pesquisa? Se não, qual a evidência disponível?
  • 2Quantas sessões seriam indicadas no meu caso e qual o custo total do tratamento?
  • 3Há alguma razão para eu não fazer ondas de choque, considerando meus outros problemas de saúde?
  • 4Se não funcionar, quais seriam as próximas etapas do meu tratamento?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1O estudo não relatou efeitos colaterais significativos, mas o acompanhamento foi curto (4 semanas)
  • 2O desconforto durante a aplicação é esperado e faz parte do mecanismo de ação
  • 3Contraindicações clássicas da literatura médica (gravidez na região, distúrbios de coagulação, certos implantes) não foram especificamente testadas neste estudo e devem ser discuti
  • 4A segurança em longo prazo e em populações especiais não foi estabelecida nesta pesquisa

Leitura rápida para pacientes

Onda de choque: opção para dor de tendão persistente

Estudo com 384 pacientes mostrou alívio significativo da dor e melhora da função em quatro condições comuns, com tratamento ambulatorial e sem efeitos colaterais importantes.

Ponto 1

3 sessões são geralmente suficientes para sentir o benefício máximo

Ponto 2

A melhora começa logo após o tratamento e se mantém nas primeiras semanas

Ponto 3

Fale com seu médico se já tentou repouso, exercícios e medicamentos sem sucesso suficiente

O que este estudo acrescenta

AMPLIAÇÃO DE EVIDÊNCIA

Este estudo reforça, em amostra diversificada de quatro tendinopatias comuns, que os benefícios da terapia por ondas de choque são reproduzíveis e não limitados a uma única condição.

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A redução de aproximadamente 2 pontos em escala de 5 pontos representa melhora clínicamente importante e consistente em quatro condições distintas, mas o desenho não randomizado e o seguimento curto de 4 semanas limitam

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Há comparação entre grupos tratados e não tratados, mas sem sorteio aleatório para definir quem entra em cada grupo, o que reduz a certeza sobre a causa dos resultados.

pacientes no estudo

384

total de participantes em quatro tendinopatias diferentes

tratados com ondas de choque

326

grupo de intervenção principal

redução da dor no cotovelo

95%

queda relativa da média de 1,99 para 0,10 na escala

sessões mais comuns

3

porcentagem entre 66% e 83% conforme a condição

significância estatística

p<0,001

para dor, função e qualidade de vida em todas as condições

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

tendinopatias do cotovelo, Aquiles, manguito rotador e fascite plantar

Tipo de estudo

estudo controlado não randomizado

Participantes

384 pacientes com tendinopatias diagnosticadas em clínica ortopédica

Duração

tratamento seguido de 4 semanas de acompanhamento

Sessões

predominantemente 3 sessões, variando conforme a tendinopatia

Comparador

tratamento conservador com anti-inflamatórios tópicos, exercícios, modulação de atividade e medidas de suporte

Grupos do estudo

ondas de choque extracorpórea (n=326)tratamento conservador (n=58)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

3 a 4 sessões, sendo 3 a mais frequente (66-83% dos casos)

Frequência02

intervalo não explicitado em dias, mas protocolo padrão de sessões semanais na l

Duração da sessão03

não especificado em minutos; baseado em número de impulsos (1500-3000)

Pontos / técnica04

aplicação focalizada com equipamento STORZ MEDICAL Master Pulse MP200, com parâmetros variáveis por condição (frequência 15-21 Hz, pressão 1,6-2,0 bar)

Comparador05

anti-inflamatórios tópicos, talas de suporte, programa de exercícios, modificação de atividade, massagem de fricção, com

Nota de protocolo06

sessão inicial sempre com parâmetros de maior frequência (21 Hz) para analgesia, seguida de sessões terapêuticas com frequência reduzida (15 Hz)

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com diagnóstico de tendinopatia do cotovelo, Aquiles, fascite plantar ou manguito rotadorPacientes encaminhados a clínica ortopédica entre 2015 e 2016Faixa etária predominante entre 40 e 59 anosPessoas que não obtiveram alívio suficiente com medidas iniciais e foram consideradas candidatas ao tratamentoAmbos os sexos, com ligeira predominância feminina em algumas condições

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes menores de 18 anosPessoas com tendinopatias de outras localizações não estudadas (quadril, joelho patelar, etc. )Indivíduos que já haviam sido submetidos a cirurgia prévia ou que necessitavam de intervenção cirúrgica imediataPacientes com expectativa de resolução espontânea sem intervenção ativa

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

dor

reduziu drasticamente

queda de médias próximas a 2 pontos para próximo de zero em escala de 0-4, mantida em todas as quatro condições

🦵

funcionalidade

melhorou

redução significativa das dificuldades para movimentar membros afetados, com impacto direto nas atividades diárias

😊

qualidade de vida

melhorou

menor dificuldade em realizar tarefas cotidianas, com benefício estatisticamente significativo em todas as tendinopatias

⏱️

durabilidade preliminar

manteve-se

os ganhos não se perderam após 4 semanas, sugerindo persistência do efeito além do período de tratamento ativo

O que não mudou

  • O estudo não comparou diretamente diferentes protocolos de ondas de choque entre si para identificar qual seria o mais efetivo
  • Não houve avaliação de retorno às atividades esportivas específicas ou de alta performance
  • A comparação entre equipamentos de diferentes fabricantes não foi realizada

Quando a melhora apareceu

1

após a última sessão

imediatamente após o tratamento

redução drástica da dor e melhora funcional já mensurável na avaliação pós-tratamento

2

4 semanas de seguimento

consolidação aos 4 semanas

os ganhos se mantiveram ou, em alguns casos, intensificaram-se, sem retorno aos níveis basais

Antes e depois

dor no cotovelo (escala 0-4)

escala máx. 4 pontos

Antes1.99 pontos
Depois0.1 pontos

funcionalidade do cotovelo (escala 0-4)

escala máx. 4 pontos

Antes1.79 pontos
Depois0.1 pontos

qualidade de vida no cotovelo (escala 0-4)

escala máx. 4 pontos

Antes2.17 pontos
Depois0.83 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Tratamento realizado em ambulatório, sem necessidade de internação
  • Ausência de efeitos colaterais significativos relatados pelos autores
  • Procedimento não invasivo, sem cortes ou riscos cirúrgicos
Amarelo
  • Desconforto durante a aplicação é esperado devido à natureza do estímulo
  • Parâmetros de tratamento variaram entre condições e não há padronização universal de equipamentos
  • Amostra de controle pequena limita a comparação de eventos adversos entre grupos
Vermelho
  • Seguimento de apenas 4 semanas não permite afirmar segurança em longo prazo
  • Ausência de randomização pode mascarar diferenças de baseline entre grupos que afetam tanto eficácia quanto percepção de tolerabilidade

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com tendinopatia de cotovelo, Aquiles, calcanhar ou ombro de evolução crônica
  • Pacientes que não obtiveram alívio satisfatório com anti-inflamatórios, repouso e exercícios
  • Pessoas que buscam alternativa não cirúrgica para evitar procedimentos mais invasivos
  • Indivíduos com disponibilidade para múltiplas sessões ambulatoriais
  • Pacientes com expectativas realistas sobre gradualidade da melhora

Mais cautela para extrapolar

  • Crianças e adolescentes menores de 18 anos (excluídos do estudo)
  • Pacientes com necessidade de resolução imediata para compromissos ou eventos próximos
  • Pessoas com tendinopatias em localizações não estudadas (joelho patelar, quadril, punho)
  • Indivíduos com contraindicações não avaliadas neste estudo (gravidez, distúrbios de coagulação, uso de anticoagulantes)
  • Pacientes que buscam garantia absoluta de resultado, dado que a resposta individual varia

Expectativa realista

Alívio gradual, não instantâneo

A maioria dos pacientes precisa de 3 sessões para sentir o benefício máximo. A dor tende a cair de forma acentuada já após o tratamento, e essa melhora se consolida nas semanas seguintes.

Tempo provável

benefício inicial imediato; consolidação até 4 semanas após a última sessão

Este estudo acompanhou os pacientes por apenas 4 semanas. A persistência do efeito por meses ou anos requer confirmação em pesquisas de seguimento mais longo.

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se sua tendinopatia específica é uma das quatro estudadas (cotovelo, Aquiles, calcanhar, ombro)
  2. 2Verifique quantas sessões serão necessárias e qual o intervalo entre elas
  3. 3Questione sobre o tipo de equipamento de ondas de choque utilizado e se há experiência prévia com sua condição
  4. 4Discuta o que já foi tentado e por que a onda de choque seria indicada agora
  5. 5Peça orientação sobre atividades permitidas e proibidas durante e após o tratamento

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Ondas de choque são cirurgia sem corte

Achado

É um procedimento totalmente não invasivo, aplicado sobre a pele, sem qualquer incisão — mas também não é tão definitivo quanto uma cirurgia bem-sucedida

Mito

Uma sessão resolve o problema

Achado

A maioria dos pacientes precisou de 3 sessões, e alguns de 4; o protocolo exige múltiplas aplicações para resultado ótimo

Mito

Funciona para qualquer tipo de dor

Achado

O estudo avaliou apenas quatro tendinopatias específicas; não há evidência direta para outras condições musculoesqueléticas

Mito

O efeito é permanente e garantido

Achado

A melhora foi significativa e durou pelo menos 4 semanas, mas o estudo não acompanhou os pacientes por tempo suficiente para afirmar permanência

Como isso pode funcionar

🌊

ESTÍMULO MECÂNICO

Ondas de alta energia penetram nos tecidos e criam microtraumas controlados — o mecanismo exato ainda não está totalmente elucidado, mas é proposto pela literatura

🩸

REAÇÃO BIOLÓGICA PROPOSTA

Possível aumento da vascularização local e liberação de fatores de crescimento que favoreceriam a reparação tecidual, segundo hipóteses da pesquisa científica

🧠

MODULAÇÃO DA DOR

O estímulo pode ativar vias que elevam o limiar de tolerância à dor, contribuindo para o alívio sintomático observado clinicamente

🔄

CICATRIZAÇÃO FUNCIONAL

Com a redução da dor e melhora do suprimento sanguíneo, o tendão recuperaria capacidade de suportar cargas progressivamente

O que ainda é incerto

  • ?A duração do efeito além de 4 semanas não foi estabelecida neste estudo, embora a literatura citada sugira persistência por meses
  • ?A ausência de randomização impede saber se pacientes mais motivados ou com prognóstico naturalmente melhor foram direcionados para o grupo de ondas de
  • ?A variabilidade entre equipamentos de diferentes fabricantes não foi controlada, levantando dúvida sobre qual protocolo seria ideal
  • ?O mecanismo biológico exato permanece parcialmente desconhecido, com explicações ainda no campo das hipóteses
🎯

O que o estudo quis responder

avaliar se ondas de choque reduzem dor e melhoram função em diferentes tendinopatias

👥

QUEM PARTICIPOU

384 pacientes com tendinopatias de cotovelo, Aquiles, fascite plantar e manguito rotador

🧪

COMO FOI FEITO

326 pacientes receberam ondas de choque, 58 fizeram tratamento conservador

📈

O QUE MUDOU

redução de pelo menos 2 pontos na dor e melhora da função após tratamento

🛟

SEGURANÇA

tratamento ambulatorial sem efeitos colaterais significativos

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

CONSISTÊNCIA ENTRE CONDIÇÕES

Raramente um único estudo avalia quatro tendinopatias distintas com resultados tão uniformemente positivos — isso fortalece a generalização cautelosa da técnica

🧭

MELHORA QUE SE ACENTUA

Em algumas condições os resultados foram ainda melhores aos 4 semanas do que imediatamente após o tratamento, sugerindo efeito biológico em curso

📌

PROTOCOLO PRÁTICO REPRODUTÍVEL

O uso de questionário validado e parâmetros claros de equipamento oferece um modelo que pode ser replicado em consultórios, facilitando a conversa entre médico e paciente sobre o que esperar

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Terapia por ondas de choque reduz dor e melhora função em tendinopatias

As tendinopatias representam uma das causas mais frequentes de dor musculoesquelética, afetando milhões de pessoas em todo o mundo e limitando atividades cotidianas, trabalho e exercícios físicos. Tradicionalmente, o tratamento conservador dessas condições inclui repouso, uso de medicamentos anti-inflamatórios, modificações de atividade e exercícios específicos. No entanto, quando essas abordagens não trazem alívio suficiente, pacientes e médicos buscam alternativas que evitem a necessidade de procedimentos cirúrgicos mais invasivos. É nesse contexto que a terapia por ondas de choque extracorpórea ganhou espaço como opção terapêutica.

O estudo conduzido por Dedes e colaboradores, publicado em 2018 na revista Materia Socio-Medica, avaliou de forma sistemática a eficácia e a segurança dessa tecnologia em 384 pacientes com diferentes tipos de tendinopatias. A pesquisa incluiu casos de epicondilite lateral (tendinopatia do cotovelo), tendinopatia do Aquiles, fascite plantar e tendinopatia do manguito rotador — quatro das condições mais comuns que levam pacientes a consultórios ortopédicos. A grande maioria dos participantes, 326 pessoas, foi tratada com ondas de choque, enquanto 58 pacientes constituíram grupos de controle que receberam apenas tratamento conservador convencional, com aplicação tópica de anti-inflamatórios, uso de talas de suporte, programa de exercícios orientado pelo médico, modificação das atividades, massagem de fricção e aplicação de compressas quentes ou frias.

A metodologia do estudo merece atenção por sua clareza prática. Os pesquisadores desenvolveram um questionário específico para avaliar três dimensões fundamentais para quem vive com dor crônica de tendão: a intensidade da dor durante movimentos precisos, a funcionalidade dos membros superiores e inferiores, e a qualidade de vida relacionada à dificuldade em realizar tarefas diárias. Cada uma dessas dimensões foi medida em uma escala de cinco pontos, permitindo que os pacientes expressassem de forma gradativa o impacto da condição sobre suas vidas. As avaliações ocorreram em três momentos: antes do início do tratamento, imediatamente após sua conclusão, e após quatro semanas de acompanhamento.

Os resultados demonstraram diferenças marcantes entre os grupos. Nos pacientes tratados com ondas de choque, a redução da dor foi expressiva e imediata. Na epicondilite, por exemplo, a média de dor caiu de 1,99 para apenas 0,10 após o tratamento, mantendo-se em 0,01 após quatro semanas. Padrão semelhante foi observado nas outras três condições: tendinopatia do manguito rotador, do Aquiles e fascite plantar.

Em todos os casos, a melhora não apenas se manteve, mas em algumas situações se intensificou no período de seguimento, sugerindo que os benefícios não são meramente transitórios. A funcionalidade e a qualidade de vida acompanharam essa trajetória positiva, com reduções significativas nas dificuldades para realizar atividades cotidianas.

O grupo controle, que recebeu tratamento conservador, também apresentou alguma melhora, o que é esperado dado que muitas tendinopatias têm curso natural flutuante e que medidas como repouso e anti-inflamatórios podem oferecer alívio parcial. Contudo, em todas as comparações diretas, os resultados do grupo de ondas de choque foram estatisticamente superiores, tanto no pós-tratamento imediato quanto na avaliação de quatro semanas. Essa superioridade consistente em múltiplas condições diferentes fortalece a confiabilidade das conclusões.

Do ponto de vista prático, o protocolo de tratamento variou ligeiramente conforme a condição, mas seguiu uma lógica comum: sessões iniciais com frequência de 21 Hz e pressão de 1,8 bar para analgesia, seguidas de sessões terapêuticas com frequência de 15 Hz e pressões entre 1,6 e 2,0 bar. A maioria dos pacientes completou três sessões, com porcentagens variando de 66% a 83% conforme a tendinopatia, enquanto uma minoria necessitou de quatro sessões. O procedimento foi realizado em ambulatório, sem necessidade de internação, e os autores não relataram efeitos colaterais significativos — aspecto particularmente relevante para pacientes que já experimentaram frustração com tratamentos anteriores ou que temem complicações de intervenções mais agressivas.

É importante, no entanto, manter uma interpretação prudente desses achados. O acompanhamento de quatro semanas, embora suficiente para demonstrar eficácia inicial, é considerado curto no universo das tendinopatias crônicas, que frequentemente exigem avaliação de meses ou até anos para confirmar durabilidade dos resultados. Além disso, o estudo não utilizou randomização na alocação dos pacientes, o que introduz possibilidade de viés de seleção: os médicos puderam direcionar pacientes para um ou outro grupo conforme critérios clínicos não padronizados, e os próprios pacientes puderam ter preferências que influenciaram sua alocação. Os grupos de controle também foram substancialmente menores que os grupos de intervenção, o que reduz a precisão das comparações.

Outra limitação relevante é a ausência de padronização dos equipamentos de ondas de choque — diferentes aparelhos podem produzir ondas com características distintas, e essa variabilidade dificulta a reprodutibilidade dos protocolos em outros contextos.

Para o paciente que convive com dor de tendão persistente, este estudo oferece uma mensagem de cauteloso otimismo. A terapia por ondas de choque aparece como uma opção viável, especialmente quando tratamentos mais conservadores não produziram o alívio desejado. O procedimento é rápido, realizado no consultório médico, e a experiência de desconforto durante a aplicação é geralmente bem tolerada. Os benefícios tendem a se manifestar rapidamente e a se manter nas primeiras semanas, embora a literatura mais ampla — citada pelos próprios autores — sugira que a melhora pode perdurar por meses ou até mais de um ano em muitos casos.

A decisão de indicar esse tratamento deve ser individualizada, considerando o perfil específico de cada paciente, a gravidade da condição, as tentativas terapêuticas prévias e as expectativas realistas. Não se trata de uma cura mágica, mas de uma ferramenta adicional no arsenal terapêutico, com evidências crescentes de eficácia e perfil de segurança favorável. A conversa aberta entre paciente e médico sobre possibilidades, limites e incertezas permanece o melhor caminho para decisões de tratamento alinhadas aos valores e necessidades de cada pessoa.

O que fortalece a leitura

  • 1amostra grande e diversificada
  • 2múltiplas tendinopatias estudadas
  • 3seguimento de 4 semanas
  • 4questionário validado
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1seguimento curto
  • 2grupos controle menores
  • 3parâmetros diferentes entre equipamentos
  • 4ausência de randomização

Leitura clínica do estudo

MODERADA
78/ 100
Desenho
4/5
Amostra
4/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

384pessoas avaliadas
divisão dos grupos

grupo ondas de choque

326 pessoas

terapia por ondas de choque extracorpórea

grupo controle

58 pessoas

tratamento conservador com anti-inflamatórios e fisioterapia

⏱️ Tempo de acompanhamento: tratamento seguido de 4 semanas de acompanhamento

📊 Resultados em números

p<0,001

redução da dor imediatamente após tratamento

p<0,001

melhora da função após 4 semanas

p<0,001

melhora na qualidade de vida

66-83%

pacientes tratados com 3 sessões

Destaques percentuais

66-83%
pacientes tratados com 3 sessões

📊 Comparação de Resultados

dor no cotovelo (escala 0-4)

ondas de choque após tratamento
0.1
controle após tratamento
1.84

📅 Linha do tempo da evidência

1980primeira aplicação clínica de ondas de choque para cálculos renais
2000expansão do uso para condições musculoesqueléticas
2015início do período de coleta de dados deste estudo
2018publicação demonstrando eficácia em múltiplas tendinopatias

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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