Estudo científico comentado

Nova técnica guiada por ultrassom mostra-se eficaz para dor muscular no trapézio superior

Referência acadêmica

Periódico

Scientific Reports

Ano

2025

Autores

Chen et al.

Desenho

Ensaio clínico randomizado

Este estudo testou uma nova técnica para tratar dor no músculo trapézio (pescoço/ombro) usando injeção de soro fisiológico guiada por ultrassom. Os resultados mostraram que essa abordagem é tão eficaz quanto a injeção tradicional de lidocaína para reduzir a dor e melhorar a função. A vantagem é que usa apenas soro fisiológico, evitando possíveis efeitos colaterais de medicamentos, com benefícios durando pelo menos 3 meses.

Título original do estudo: Efficacy of ultrasound-guided myofascial hydrodissection technique in myofascial pain syndrome of upper trapezius: a randomized controlled trial

🔬Ensaio clínico randomizado👥n=41 participantesImpacto moderado
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Injeção de soro fisiológico guiada por ultrassom no trapézio superior foi tão eficaz quanto lidocaína para reduzir dor miofascial durante 12 semanas, sem eventos adversos, sugerindo que o efeito mecânico da intervenção pode ser mais importante que a ação do me

O que isso significa para você?

Este estudo testou uma nova técnica para tratar dor no músculo trapézio (pescoço/ombro) usando injeção de soro fisiológico guiada por ultrassom. Os resultados mostraram que essa abordagem é tão eficaz quanto a injeção tradicional de lidocaína para reduzir a dor e melhorar a função. A vantagem é que usa apenas soro fisiológico, evitando possíveis efeitos colaterais de medicamentos, com benefícios durando pelo menos 3 meses.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A dor no trapézio superior tem tratamentos invasivos eficazes além dos medicamentos tradicionais
  • 2A hidrodissecção com soro fisiológico é uma opção válida se você quer evitar anestésicos locais
  • 3O ultrassom durante o procedimento aumenta a precisão, mas a técnica exige habilidade específica do médico
  • 4Dois tratamentos podem ser suficientes para meses de alívio, mas não é cura definitiva
  • 5Mudanças de postura e hábitos continuam essenciais para evitar recidivas
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Meu perfil de dor se encaixa no que foi estudado — dor focalizada no trapézio superior com ponto-gatilho palpável?
  • 2O médico que me atenderá tem experiência específica em hidrodissecção guiada por ultrassom?
  • 3Se a dor retornar após alguns meses, qual seria a estratégia — repetir o procedimento ou associar outros tratamentos?
  • 4Há benefício em combinar a hidrodissecção com fisioterapia ou mudanças ergonômicas para prolongar o resultado?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum evento adverso foi observado neste estudo, mas a amostra pequena (41 pacientes) limita a detecção de efeitos raros
  • 2O acompanhamento de segurança foi de apenas 12 semanas; dados de longo prazo não existem para esta técnica específica
  • 3O procedimento é invasivo e requer ambiente adequado de assepsia, além de médico treinado em ultrassom intervencionista
  • 4Embora a lidocaína seja geralmente segura, a opção por soro fisiológico elimina riscos específicos de anestésicos locais como reações alérgicas ou toxicidade sistêmica

Leitura rápida para pacientes

Soro fisiológico = Lidocaína para dor no trapézio

Estudo mostra que injeção guiada por ultrassom com soro fisiológico alivia a dor tanto quanto anestésico, sem riscos de medicamento

Ponto 1

Duas sessões foram suficientes para reduzir a dor pela metade, com efeito durando 3 meses

Ponto 2

A técnica usa ultrassom para precisão e soro fisiológico em vez de remédio

Ponto 3

Fale com seu médico se esta opção faz sentido para seu caso específico

O que este estudo acrescenta

EQUIVALÊNCIA TERAPÊUTICA INESPERADA

Pela primeira vez em ensaio randomizado para trapézio superior, soro fisiológico guiado por ultrassom mostrou-se tão eficaz quanto lidocaína, sugerindo que o efeito mecânico da intervenção pode ser mais importante que a

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A redução da dor foi substancial (>60%), clinicamente significativa e duradoura, com equivalência entre técnicas que muda a lógica terapêutica. Porém, a amostra pequena, o desenho de centro único e a ausência de benefíci

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é um dos níveis mais altos de evidência científica, pois compara grupos equivalentes de forma aleatória, reduzindo vieses que distorcem resultados em estudos menos rigorosos.

Participantes do estudo

41

20 na hidrodissecção, 21 na lidocaína

Redução da dor com soro

64%

queda na escala VAS após 12 semanas

Redução da dor com lidocaína

61%

queda equivalente, sem diferença estatística entre grupos

Sessões de tratamento

2

uma por semana, ambas guiadas por ultrassom

Eventos adversos

0

nenhum relatado em ambos os grupos durante 12 semanas

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Síndrome de dor miofascial do trapézio superior com pontos-gatilho ativos

Tipo de estudo

Ensaio clínico randomizado, controlado e com cegamento simples

Participantes

41 adultos (20 a 70 anos), maioria mulheres, com dor cervical crônica

Duração

12 semanas de acompanhamento após 2 sessões de tratamento

Sessões

2 sessões semanais consecutivas

Comparador

Injeção de lidocaína 1% no ponto-gatilho, também guiada por ultrassom

Grupos do estudo

Hidrodissecção com soro fisiológico (5 ml)Injeção de lidocaína 1% (2 ml)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

2 sessões

Frequência02

1 vez por semana

Duração da sessão03

Não especificado; procedimento realizado sob orientação ultrassonográfica em tem

Pontos / técnica04

Ponto-gatilho identificado por palpação e marcado; agulha 22G 10 cm inserida com guia ultrassom in-plane; para hidrodissecção, 5 ml de soro fisiológico no ponto-gatilho seguido de

Comparador05

Injeção de 2 ml de lidocaína 1% no ponto-gatilho, também guiada por ultrassom, com mesma frequência

Nota de protocolo06

Todos os procedimentos realizados pelo mesmo médico experiente em intervenções guiadas por ultrassom; pacientes não sabiam qual solução receberiam

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos de 20 a 70 anos com diagnóstico de síndrome de dor miofascial no trapézio superiorPacientes com pontos-gatilho ativos confirmados por critérios clínicos rigorosos (banda tensa, dor local, resposta de contração local e dor referida)Pessoas com sintomas crônicos que já haviam tentado outros tratamentos, incluindo medicamentosIndivíduos que concordaram em participar e assinaram termo de consentimento informadoPacientes sem sinais de doenças neurológicas ou cirurgias prévias na região cervical

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pessoas com radiculopatia cervical, trauma cervical prévio ou cirurgia na coluna do pescoçoPacientes com fibromialgia, fibromialgia associada, ou sintomas de náusea, vômito e vertigemQuem havia recevido bloqueios nervosos ou toxina botulínica nos últimos 12 mesesIndivíduos fora da faixa etária de 20 a 70 anos ou sem pontos-gatilho ativos classicamente definidos

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor

melhorou significativamente

Redução de 64% no grupo hidrodissecção e 61% no grupo lidocaína, mantida por 12 semanas

🧠

Qualidade da dor

melhorou

Pontuação do questionário McGill caiu pela metade em ambos grupos, tanto aspectos sensoriais quanto afetivos

🔄

Função cervical

melhorou moderadamente

Índice de incapacidade cervical diminuiu em ambos grupos, embora não tenha atingido o limiar de mínima diferença clinicamente importante

⏱️

Durabilidade do efeito

sustentada

Benefícios mantidos por pelo menos 3 meses sem necessidade de reintervenção

O que não mudou

  • Não houve diferença significativa entre hidrodissecção e lidocaína — ambos foram igualmente eficazes, sem superioridade de uma técnica sobre a outra
  • A melhora funcional no Índice de Incapacidade Cervical, embora estatisticamente significativa, não atingiu o patamar considerado clinicamente relevant
  • Não foi possível determinar se a hidrodissecção oferece vantagens em longo prazo além das 12 semanas estudadas

Quando a melhora apareceu

1

2 semanas após início

Primeira avaliação

Redução significativa da dor já observada em ambos os grupos, com VAS caindo de ~5,5 para ~3,2

2

4 semanas

Pico de melhora

Maior redução da dor registrada, com VAS atingindo média de 2,1 a 2,6 pontos

3

12 semanas

Sustentação

Melhora se manteve estável, sem retorno significativo dos sintomas em nenhum grupo

Antes e depois

Dor (Escala 0-10) — Hidrodissecção

escala máx. 10 pontos

Antes5.3 pontos
Depois2.7 pontos

Dor (Escala 0-10) — Lidocaína

escala máx. 10 pontos

Antes5.7 pontos
Depois2.8 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum evento adverso registrado em 41 pacientes durante 12 semanas
  • Ausência de complicações cutâneas, hematomas ou reações sistêmicas
  • Técnica com soro fisiológico elimina riscos de reação a anestésicos locais
Amarelo
  • Estudo pequeno pode não detectar eventos raros
  • Procedimento invasivo que exige habilidade em ultrassom intervencionista
  • Desconforto momentâneo durante a injeção não foi quantificado
Vermelho
  • Dados de segurança limitados a 12 semanas; efeitos de longo prazo desconhecidos
  • Amostra insuficiente para afirmar segurança em populações mais amplas ou vulneráveis

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor crônica no trapézio superior e pontos-gatilho ativos palpáveis
  • Pacientes que já tentaram tratamentos conservadores sem sucesso adequado
  • Pessoas com sensibilidade ou reação prévia a anestésicos locais que buscam alternativa
  • Indivíduos que preferem abordagens com menor exposição a medicamentos
  • Pacientes com acesso a serviços que oferecem ultrassom intervencionista de qualidade

Mais cautela para extrapolar

  • Quem tem diagnóstico de fibromialgia ou dor generalizada, não focalizada no trapézio
  • Pacientes com sinais de compressão nervosa cervical ou histórico de trauma/cirurgia cervical
  • Pessoas que receberam toxina botulínica ou bloqueios nervosos recentes (últimos 12 meses)
  • Indivíduos com expectativa de cura definitiva ou que não aceitam a necessidade de possíveis reintervenções
  • Pacientes fora da faixa etária estudada (menores de 20 ou maiores de 70 anos)

Expectativa realista

Alívio da dor possível, mas não milagroso

Redução de mais da metade da intensidade da dor é realisticamente alcançável em duas sessões, com efeito que se mantém por pelo menos três meses. A função cervical melhora, mas de forma mais modesta.

Tempo provável

Melhora inicial em 2 semanas, pico por volta de 4 semanas, sustentação por 12 semanas

A técnica não cura a condição; postura inadequada e sobrecarga muscular podem fazer a dor retornar, e reintervenções podem ser necessárias.

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se o médico tem experiência com hidrodissecção guiada por ultrassom e quantos procedimentos já realizou
  2. 2Questione se seus sintomas se encaixam no perfil do estudo: dor focalizada no trapézio superior com ponto-gatilho palpável, sem sinais de problema nervoso
  3. 3Discuta se você já teve reações a anestésicos locais e se a opção por soro fisiológico faz sentido no seu caso
  4. 4Peça esclarecimentos sobre o que fazer se a dor retornar após 3 meses: há protocolo de reintervenção?
  5. 5Considere combinar o procedimento com mudanças ergonômicas e exercícios para potencializar e prolongar o resultado

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Precisa de remédio forte para aliviar a dor do ponto-gatilho

Achado

Soro fisiológico foi tão eficaz quanto lidocaína, sugerindo que o efeito mecânico da agulha e da separação fascial importa mais que a substância injetada

Mito

Injeção no músculo só funciona se acertar exatamente o ponto-gatilho

Achado

A hidrodissecção tratou não só o ponto-gatilho, mas também camadas ao redor, com resultado equivalente, indicando que o 'entorno' também importa

Mito

Tratamento invasivo para dor muscular é arriscado

Achado

Nenhum evento adverso ocorreu em 41 pacientes durante 3 meses, com ambas as técnicas bem toleradas

Mito

Melhora rápida significa cura definitiva

Achado

A dor diminuiu em semanas, mas o acompanhamento parou em 3 meses; não se sabe se o benefício persiste sem reintervenção ou mudanças de hábito

Como isso pode funcionar

🔍

LOCALIZAÇÃO PRECISA

Ultrassom permite ver o músculo, o ponto-gatilho e as camadas fasciais em tempo real, guiando a agulha com precisão — mecanismo bem estabelecido

💧

SEPARAÇÃO MECÂNICA

Soro fisiológico é injetado de forma sequencial para separar camadas aderidas ao redor do músculo — efeito mecânico proposto, não totalmente comprovado como único responsável pela melhora

🎯

INATIVAÇÃO DO PONTO-GATILHO

A agulha e o fluido podem interromper o ciclo de contração sustentada das fibras musculares — mecanismo provável, compartilhado com outras técnicas invasivas

🔄

RESTAURAÇÃO DO DESLIZAMENTO

Liberação de aderências fasciais pode restaurar a mobilidade normal entre camadas musculares — hipótese teórica apoiada por estudos de imagem preliminares, mas não confirmada diretamente neste estudo

O que ainda é incerto

  • ?Não se sabe se os benefícios se mantêm além de 12 semanas, nem qual a frequência ideal de reintervenções para manutenção
  • ?O tamanho da amostra (41 pacientes) é insuficiente para detectar diferenças menores entre técnicas ou raros eventos adversos
  • ?A ausência de avaliações objetivas (ultrassom estrutural, eletromiografia) impede confirmar se as mudanças fasciais propostas realmente ocorreram
  • ?Fatores psicológicos que influenciam a percepção de dor não foram avaliados e podem ter afetado os resultados
🎯

O que o estudo quis responder

Comparar técnica de hidrodissecção guiada por ultrassom com injeção de lidocaína para dor muscular no trapézio

👥

QUEM PARTICIPOU

41 pacientes com síndrome de dor miofascial no músculo trapézio superior

🧪

COMO FOI FEITO

Grupo hidrodissecção recebeu soro fisiológico, grupo controle recebeu lidocaína, ambos guiados por ultrassom

📈

O QUE MUDOU

Redução significativa da dor (>60%) em ambos os grupos durante 12 semanas

🛟

SEGURANÇA

Nenhum evento adverso relatado em qualquer grupo durante o estudo

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

ÁGUA VENCE REMÉDIO

A surpresa do estudo: soro fisiológico puro, sem propriedades analgésicas, foi tão eficaz quanto lidocaína. Isso desafia a suposição de que alívio da dor exige farmacologia ativa.

🧭

O ENTORNO IMPORTA TANTO QUANTO O ALVO

Em vez de focar apenas no ponto-gatilho, a hidrodissecção trata as camadas fasciais ao redor. O sucesso equivalente sugere que a 'vizinhança' do ponto-gatilho é tão importante quanto ele próprio.

📌

MECANISMO MECÂNICO SOBRE QUÍMICO

Se ambos os líquidos funcionam igual, o efeito terapêutico provavelmente vem da agulha rompendo o ponto-gatilho e do fluido separando tecidos aderidos — não da substância injetada.

🔬

PROTOCOLO REPLICÁVEL E SEGURO

Duas sessões semanais com 5 ml de soro, técnica padronizada e nenhum evento adverso oferecem um modelo claro para futuros estudos e possível adoção clínica.

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Nova técnica guiada por ultrassom mostra-se eficaz para dor muscular no trapézio superior

A síndrome de dor miofascial é uma condição dolorosa que atinge até 85% da população em algum momento da vida, sendo o músculo trapézio superior — aquele que vai da base do crânio até o ombro — o local mais comumente afetado. Quem passa muitas horas na frente do computador, com postura fixa, conhece bem essa queixa: nódulos dolorosos, tensão muscular e restrição de movimentos que podem evoluir para problemas de sono, ansiedade e depressão. O desafio do tratamento sempre foi localizar com precisão esses chamados pontos-gatilho e inativá-los de forma duradoura.

Neste estudo, publicado em 2025 na Scientific Reports, pesquisadores chineses testaram uma técnica relativamente nova chamada hidrodissecção miofascial guiada por ultrassom, comparando-a com o tratamento tradicional de injeção de lidocaína no ponto-gatilho. A hidrodissecção consiste em usar o ultrassom para visualizar em tempo real o músculo e as camadas fasciais ao redor, injetando soro fisiológico de forma sequencial para separar mecanicamente as aderências teciduais e restaurar a mobilidade fascial. A ideia central é que a dor crônica nesses casos não vem apenas do ponto-gatilho em si, mas também de tecidos ao redor que perderam a capacidade de deslizar livremente.

O estudo foi desenhado como um ensaio clínico randomizado e controlado, considerado o padrão-ouro para avaliar tratamentos. Foram recrutados 41 pacientes com diagnóstico confirmado de síndrome de dor miofascial no trapézio superior, todos com pontos-gatilho ativos segundo critérios rigorosos. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: 20 receberam a hidrodissecção com 5 ml de soro fisiológico, e 21 receberam a injeção tradicional com 2 ml de lidocaína a 1%. Ambos os grupos fizeram duas sessões, com intervalo de uma semana, sempre guiados por ultrassom para garantir precisão.

Os avaliadores que mediram os resultados não sabiam a qual grupo cada paciente pertencia, o que aumenta a confiabilidade dos achados.

As avaliações ocorreram no início do estudo, após duas semanas, quatro semanas e doze semanas após o tratamento. Os pesquisadores usaram três instrumentos validados internacionalmente: a Escala Visual Analógica de dor, que vai de zero a dez; o Questionário McGill de dor, que avalia tanto aspectos sensoriais quanto emocionais da dor; e o Índice de Incapacidade Cervical, que mede como a dor interfere em atividades diárias como trabalhar, dirigir, dormir e se cuidar.

Os resultados chamaram atenção por sua simetria. Ambos os grupos tiveram redução significativa da dor, com melhora superior a 60% que se manteve durante todo o período de acompanhamento de três meses. Na escala de zero a dez, quem fazia hidrodissecção passou de média de 5,3 para 2,7 pontos; quem recebeu lidocaína, de 5,7 para 2,8. Estatisticamente, não houve diferença entre os tratamentos — eles foram igualmente eficazes.

O mesmo padrão se repetiu nas avaliações de qualidade da dor e de função cervical. Curiosamente, embora a função tenha melhorado em ambos os grupos, a mudança no Índice de Incapacidade Cervical não atingiu o limiar considerado clinicamente importante na literatura, o que sugere que a melhora funcional, embora real, foi mais modesta que a alívio da dor.

A interpretação mais interessante do estudo reside no que a equivalência entre soro fisiológico e anestésico local revela sobre mecanismos de ação. Se a lidocaína funciona por bloqueio químico dos nervos e a hidrodissecção usa apenas fluido sem propriedades farmacológicas, e ambos têm o mesmo resultado, isso fortalece a hipótese de que o efeito terapêutico vem principalmente da intervenção mecânica — seja pela destruição do ponto-gatilho pela agulha, seja pela separação das camadas fasciais aderidas, ou pela combinação desses fatores. Isso abre caminho para tratamentos que evitem medicamentos, reduzindo riscos de reações adversas.

Do ponto de vista da segurança, o estudo trouxe notícias tranquilizadoras: nenhum evento adverso foi registrado em qualquer grupo durante as doze semanas. Não houve hematomas, infecções, reações alérgicas ou complicações. Isso contrasta favoravelmente com dados de outras intervenções, como acupuntura, onde sangramentos e desconforto com as agulhas são relativamente frequentes.

Contudo, é preciso olhar esses resultados com prudência. A amostra de 41 pacientes é pequena, calculada para detectar diferenças grandes entre grupos, mas pode ter perdido nuances. O estudo foi realizado em um único centro hospitalar na China, o que limita a generalização para outras populações e contextos de saúde. Além disso, não houve avaliações objetivas como ultrassom estrutural ou eletromiografia para confirmar mudanças teciduais — todas as medidas dependiam da percepção dos pacientes.

Fatores psicológicos como ansiedade, catastrofização da dor e vigilância excessiva a sintomas, conhecidos por influenciar resultados em dores crônicas, não foram avaliados e podem ter contaminado as percepções de melhora.

Para o paciente que sofre com dor no trapézio, este estudo oferece uma mensagem prática e esperançosa: existe uma alternativa válida à injeção de anestésicos, com a mesma eficácia e sem os riscos, por menores que sejam, de medicamentos. A hidrodissecção com soro fisiológico, quando bem executada com ultrassom, pode ser especialmente relevante para quem já teve reações a anestésicos locais, quem precisa de tratamentos repetidos ao longo do tempo, ou quem simplesmente prefere abordagens mais naturais. Ainda assim, a decisão deve ser individualizada, considerando que a técnica exige habilidade específica em ultrassom intervencionista, e que os benefícios funcionais, embora presentes, foram mais modestos que o alívio da dor propriamente dita.

O que fortalece a leitura

  • 1Desenho randomizado controlado
  • 2Uso de ultrassom para precisão
  • 3Seguimento de 12 semanas
  • 4Nenhum evento adverso
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Amostra pequena (41 pacientes)
  • 2Estudo de centro único
  • 3Falta de avaliações objetivas
  • 4Fatores psicológicos não considerados

Leitura clínica do estudo

MODERADA
75/ 100
Desenho
4/5
Amostra
2/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

41pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Hidrodissecção

20 pessoas

Injeção de 5ml de soro fisiológico guiada por ultrassom

Lidocaína

21 pessoas

Injeção de 2ml de lidocaína 1% no ponto-gatilho

⏱️ Tempo de acompanhamento: 12 semanas de acompanhamento

📊 Resultados em números

0%

Redução da dor (hidrodissecção)

0%

Redução da dor (lidocaína)

12 semanas

Melhora funcional sustentada

p > 0.05

Diferença entre grupos

Destaques percentuais

64%
Redução da dor (hidrodissecção)
61%
Redução da dor (lidocaína)

📊 Comparação de Resultados

Escala Visual de Dor (0-10)

Hidrodissecção baseline
5.3
Hidrodissecção 12 sem
2.7
Lidocaína baseline
5.7
Lidocaína 12 sem
2.8

📅 Linha do tempo da evidência

1983Primeiras descrições da síndrome de dor miofascial
2011Desenvolvimento de técnicas de hidrodissecção fascial
2021Estudos iniciais comparando soro e lidocaína
2024Ensaio atual demonstra equivalência terapêutica
2025Publicação dos resultados em revista científica

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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placebo/sham, lidocaína, laser, reabilitação convencional

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