Estudo científico comentado

Terapia Manual para Dor Miofascial na DTM: Revisão Sistemática

Referência acadêmica

Periódico

Journal of Oral & Facial Pain and Headache

Ano

2020

Autores

de Melo et al.

Desenho

revisão sistemática

Este estudo mostrou que técnicas manuais como massagem e exercícios para os músculos da face podem ajudar a reduzir a dor da DTM. Embora a terapia manual tenha sido eficaz, ela não se mostrou claramente superior às orientações educacionais ou à toxina botulínica. A combinação de terapia manual com orientações parece ser mais benéfica que cada tratamento isolado. Por ser um tratamento seguro e de baixo custo, pode ser uma boa opção inicial.

Título original do estudo: Manual Therapy in the Treatment of Myofascial Pain Related to Temporomandibular Disorders: A Systematic Review

📚revisão sistemática👥n=279 participantes🟡evidência moderada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

A terapia manual alivia a dor miofascial temporomandibular, mas não se provou claramente superior a orientações educacionais ou toxina botulínica; sua vantagem prática está no baixo custo, na segurança e no caráter não invasivo.

O que isso significa para você?

Este estudo mostrou que técnicas manuais como massagem e exercícios para os músculos da face podem ajudar a reduzir a dor da DTM. Embora a terapia manual tenha sido eficaz, ela não se mostrou claramente superior às orientações educacionais ou à toxina botulínica. A combinação de terapia manual com orientações parece ser mais benéfica que cada tratamento isolado. Por ser um tratamento seguro e de baixo custo, pode ser uma boa opção inicial.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A terapia manual é uma opção inicial razoável para dor miofascial temporomandibular, especialmente se você prefere evitar medicamentos ou procedimentos invasivos
  • 2O benefício mais consistente aparece quando você combina sessões presenciais com exercícios e mudanças de hábito orientados em casa
  • 3Não há garantia de que terapia manual seja melhor que orientações educacionais bem estruturadas — mas também não é pior, e pode ser mais agradável
  • 4A melhora tende a ser gradual, não imediata; persistência e adesão são fatores-chave para resultados duradouros
  • 5Se você considera toxina botulínica, saiba que a evidência não mostra vantagem clara sobre a terapia manual, apesar do custo muito maior
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Com base no meu exame, minha dor é predominantemente miofascial ou há componente articular que exigiria abordagem diferente?
  • 2Há um protocolo específico de exercícios domiciliares que eu possa aprender para complementar o tratamento?
  • 3Quais são os critérios para avaliar se estou respondendo bem, e em quanto tempo devemos reavaliar?
  • 4Existem contraindicações para técnicas de mobilização facial no meu caso particular?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum efeito adverso foi relatado nos 279 pacientes dos estudos revisados, mas a vigilância sistemática para eventos adversos não foi robusta
  • 2Técnicas intraorais exigem profissional com formação adequada; não tente reproduzir manobras avançadas sem orientação
  • 3A segurança em condições específicas (gestação, distúrbios de coagulação, infecções ativas) não foi estabelecida pelos estudos incluídos
  • 4A natureza reversível do tratamento permite interrupção imediata se desconforto surgir, mas comunicação com o profissional é essencial

Leitura rápida para pacientes

Massagem e exercícios ajudam, mas exigem sua participação

A terapia manual para dor da DTM é segura e acessível, funciona melhor combinada com orientações, e não é magicamente superior a outros cuidados bem feitos

Ponto 1

Combine sessões de terapia manual com exercícios diários em casa para melhores resultados

Ponto 2

Não espere milagres imediatos: melhora gradual em semanas, com consolidação em meses

Ponto 3

Converse com seu dentista ou médico se seu caso é realmente miofascial ou se há problema articular

O que este estudo acrescenta

SÍNTESE CRÍTICA

Primeira revisão sistemática dedicada exclusivamente à terapia manual para dor miofascial em DTM que incluiu apenas ensaios randomizados com diagnóstico padronizado, revelando tanto o potencial quanto as lacunas da evidê

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A terapia manual mostra efeito consistente sobre a dor, mas a magnitude do benefício adicional sobre abordagens educacionais bem estruturadas é incerta; seu valor prático reside mais na segurança e acessibilidade do que

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Síntese de estudos randomizados, que oferece visão mais abrangente que um único experimento, mas ainda depende da qualidade dos estudos originais disponíveis

total de participantes

279

soma dos cinco ensaios clínicos incluídos

taxa de sucesso com terapia + orientações

77%

versus 57% com orientações isoladas, sem diferença estatística significativa

significância vs sem tratamento

P<0,05

ambas as intervenções ativas superaram ausência de tratamento em 6 meses e 1 ano

superioridade vs aconselhamento isolado

P<0,001

em um estudo específico com terapia manual pura

estudos com risco de viés incerto

5/5

todos os estudos incluídos apresentaram limitações metodológicas

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

dor miofascial relacionada à disfunção temporomandibular (DTM)

Tipo de estudo

revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados

Participantes

279 pessoas com idades de 12 a 69 anos, diagnosticadas pelo critério RDC/TMD

Duração

4 semanas a 1 ano de acompanhamento

Sessões

variável: de 3 sessões/semana por 4 semanas até protocolos com acompanhamento de

Comparador

orientações educacionais, toxina botulínica, terapia domiciliar sem supervisão ou ausência de tratamento

Grupos do estudo

terapia manual isolada ou combinadacontroles variados (orientações, toxina botulínica, sem tratamento, terapia domiciliar)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

variável entre estudos: 12 sessões em 4 semanas até protocolos de acompanhamento

Frequência02

de 1 a 3 vezes por semana nas fases iniciais, com transição para autocuidado

Duração da sessão03

30 a 50 minutos nas sessões supervisionadas

Pontos / técnica04

massagem intraoral e extraoral de masseter e temporal, mobilização da ATM, técnicas de gânglio esfenopalatino, alongamentos, exercícios isométricos e respiração diafragmática

Comparador05

orientações educacionais sobre dieta e hábitos, toxina botulínica injetável, exercícios domiciliares sem supervisão ou l

Nota de protocolo06

A adesão aos exercícios domiciliares pareceu tão importante quanto as sessões presenciais para resultados duradouros

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Pessoas com diagnóstico de dor miofascial pelo critério RDC/TMDAdolescentes, adultos e idosos (faixa etária de 12 a 69 anos)Pacientes de ambos os sexos, de países como Itália, Turquia e AustráliaIndivíduos com dor muscular de mastigação sem alterações articulares predominantes da ATMPacientes que aceitaram intervenções conservadoras ou comparadores ativos

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes com dor de origem neurogênica ou associada exclusivamente a cefaleiaIndivíduos com alterações primárias da articulação temporomandibular (não miofasciais)Quem recebeu terapia manual associada a medicamentos ou outras fisioterapias combinadasEstudos sem uso do critério diagnóstico padronizado RDC/TMD

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

intensidade da dor

melhorou

redução da dor em todos os cinco estudos, com diferenças estatísticas em comparações específicas

🦷

abertura bucal

melhorou

melhora da função mandibular e amplitude de movimento relatada em múltiplos estudos

😌

percepção subjetiva de bem-estar

melhorou

pacientes relataram menor impacto da dor na vida diária com terapia manual combinada

🏠

autogestão da condição

melhorou

orientações combinadas com exercícios promoveram maior engajamento do paciente

O que não mudou

  • Superioridade clara da terapia manual sobre orientações educacionais isoladas em todos os cenários
  • Diferença estatisticamente significativa entre terapia manual e toxina botulínica para redução de dor
  • Padronização de protocolos — cada estudo utilizou técnicas e durações distintas

Quando a melhora apareceu

1

4 semanas

primeiras semanas

redução significativa da dor em repouso e durante função no estudo com terapia manual supervisionada versus orientações domiciliares

2

6 semanas

curto prazo

diferença estatística favorável à terapia manual em comparação ao aconselhamento isolado

3

6 meses

médio prazo

ambos os grupos com intervenção ativa superaram o grupo sem tratamento

4

1 ano

longo prazo

vantagem mantida do grupo terapia manual + aconselhamento sobre terapia manual isolada

Antes e depois

taxa de sucesso (terapia manual + orientações)

escala máx. 100 %

Antes57 %
Depois77 %

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum efeito adverso significativo reportado nos cinco estudos
  • Tratamento não invasivo, reversível e de baixo custo
  • Pode ser interrompido a qualquer momento sem consequências
Amarelo
  • Técnicas intraorais exigem profissional com formação específica
  • Resultados variam conforme adesão aos exercícios domiciliares
  • Qualidade metodológica dos estudos originais é incerta
Vermelho
  • Não há dados de segurança em populações especiais como gestantes ou pacientes com distúrbios de coagulação
  • Contraindicações específicas não foram sistematicamente avaliadas nos estudos incluídos

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Pacientes com dor miofascial de leve a moderada intensidade sem alterações articulares graves
  • Pessoas que preferem abordagens conservadoras e não invasivas como primeira linha
  • Indivíduos dispostos a praticar exercícios domiciliares regularmente
  • Pacientes com limitação financeira que buscam opções de menor custo
  • Quem já se beneficiou de orientações educacionais mas busca complementação

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com diagnóstico predominantemente articular de DTM (discos deslocados, artrite)
  • Indivíduos com dor de origem neurogênica ou neuropática confirmada
  • Pessoas com histórico de trauma facial recente ou fraturas não consolidadas
  • Pacientes que esperam resultados imediatos sem comprometimento com autocuidado
  • Quem busca evidência de superioridade absoluta sobre todas as alternativas disponíveis

Expectativa realista

Alívio gradual com sua participação ativa

Redução progressiva da intensidade da dor e melhora da abertura bucal, especialmente quando você combina sessões presenciais com exercícios em casa

Tempo provável

Primeiras melhoras em 4 a 6 semanas; benefícios mais duradouros após 6 meses a 1 ano de prática consistente

A terapia manual ajuda, mas não elimina a necessidade de mudanças de hábitos e manejo do estresse, que são parte central do tratamento

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se seu caso é predominantemente miofascial ou se há componente articular significativo
  2. 2Discuta se há protocolo de exercícios domiciliares para complementar as sessões presenciais
  3. 3Questione sobre expectativa de tempo de resposta e critérios para reavaliação
  4. 4Verifique se há contraindicações específicas para técnicas de mobilização facial em seu caso

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Terapia manual é claramente superior a qualquer outro tratamento conservador

Achado

Nos estudos, terapia manual + orientações teve 77% de sucesso versus 57% com orientações isoladas, mas a diferença não foi estatisticamente significativa (P=0,157)

Mito

Preciso de tratamento caro e invasivo para ter alívio da DTM

Achado

A toxina botulínica, apesar do custo elevado e caráter invasivo, não superou estatisticamente a terapia manual na redução da dor

Mito

Só as sessões presenciais importam

Achado

Os melhores resultados de longo prazo ocorreram quando terapia manual foi combinada com orientações e exercícios realizados pelo próprio paciente

Como isso pode funcionar

💆

PASSO 1

Estímulo mecânico sobre músculos hiperativados (masseter, temporal, pterigóideos) pode reduzir tensão local e melhorar circulação — mecanismo proposto, não completamente elucidado

🧠

PASSO 2

Intervenção sobre gânglios relacionados à inervação facial pode modular a percepção de dor — evidência preliminar de estudos incluídos

🔄

PASSO 3

Exercícios regulares promovem reeducação neuromuscular e prevenção de recaídas — efeito dependente da adesão do paciente

🤝

PASSO 4

Orientações educacionais reduzem comportamentos parafuncionais e ansiedade, potencializando o efeito das técnicas manuais — sinergia sugerida pelos dados

O que ainda é incerto

  • ?Não foi possível realizar meta-análise devido à heterogeneidade entre estudos, então a magnitude exata do efeito permanece incerta
  • ?Todos os estudos apresentaram risco de viés incerto, especialmente em mascaramento, o que pode superestimar os benefícios
  • ?Não há consenso sobre qual protocolo de terapia manual é ideal: duração, frequência e técnicas variaram amplamente
  • ?A longo prazo, não se sabe se os benefícios se mantêm sem reforço periódico ou se há recaída após interrupção
🎯

O que o estudo quis responder

Avaliar se a terapia manual reduz a dor miofascial relacionada à disfunção temporomandibular (DTM)

👥

QUEM PARTICIPOU

279 pessoas com DTM miofascial, idades entre 12 e 69 anos

🧪

COMO FOI FEITO

5 estudos compararam massagem e exercícios contra orientações, toxina botulínica ou sem tratamento

📈

O QUE MUDOU

Terapia manual reduziu dor em todos os estudos, mas não foi superior a orientações ou toxina botulínica

🛟

SEGURANÇA

Tratamento conservador, não invasivo e reversível, sem efeitos adversos reportados

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

EFICÁCIA UNIVERSAL, SUPERIORIDADE LIMITADA

Curiosamente, a terapia manual reduziu dor em 100% dos estudos analisados, mas só em algumas comparações específicas superou estatisticamente os controles — o que sugere que o 'efeito terapêutico' vai além da técnica em

🧭

O PODER DA COMBINAÇÃO

Esta revisão reforça que, para a DTM miofascial, provavelmente não existe tratamento isolado ideal: a sinergia entre toque terapêutico, exercícios e orientações de autocuidado parece maior que a soma das partes

📌

CUSTO ZERO DE SEGURANÇA REPORTADO

Em 279 pacientes tratados, nenhum efeito adverso foi documentado — um achado raro e valioso em revisões de intervenções para dor crônica, embora a vigilância sistemática de eventos adversos não tenha sido robusta nos est

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Terapia Manual para Dor Miofascial na DTM: Revisão Sistemática

A dor miofascial nos músculos da mastigação representa a forma mais comum de disfunção temporomandibular (DTM) encontrada na prática clínica mundial, respondendo por mais da metade dos casos atendidos em consultórios especializados. Trata-se de uma condição que mistura desconforto muscular, sensibilidade à palpação e limitação funcional da boca, frequentemente acompanhada de tensão emocional e hábitos como apertar ou ranger os dentes. Diante da multifatorialidade dessa dor, os tratamentos propostos ao longo das décadas se multiplicaram: desde placas oclusais e relaxantes musculares até terapias mais invasivas como aplicações de toxina botulínica. Neste cenário, a terapia manual — que inclui massagem muscular, mobilização da articulação temporomandibular, exercícios de alongamento e técnicas de relaxamento — surge como uma alternativa conservadora, de baixo custo e sem caráter invasivo, o que naturalmente desperta interesse tanto de clínicos quanto de pacientes.

O estudo de de Melo e colaboradores, publicado em 2020 no Journal of Oral & Facial Pain and Headache, buscou justamente organizar o que se sabe sobre essa abordagem. Trata-se de uma revisão sistemática que reuniu ensaios clínicos randomizados, desenhos de pesquisa considerados de alta qualidade metodológica, para avaliar se a terapia manual realmente reduz a dor miofascial relacionada à DTM. Os pesquisadores vascularam seis bases de dados científicas — Cochrane Library, MEDLINE, Web of Science, Scopus, LILACS e SciELO — e aplicaram critérios rigorosos de seleção. Apenas estudos que utilizaram o critério diagnóstico padronizado RDC/TMD foram incluídos, o que garante uma certa uniformidade na caracterização dos pacientes.

Ao final, cinco estudos foram considerados elegíveis, totalizando 279 participantes com idades entre 12 e 69 anos.

A diversidade de intervenções nos estudos selecionados reflete a heterogeneidade ainda presente na literatura sobre o tema. Em um dos estudos, a terapia manual consistiu em sessões profissionais de 50 minutos com pressão digital profunda em pontos específicos dos músculos faciais, realizada três vezes por semana. Em outro, a abordagem combinou automassagem, exercícios de respiração diafragmática, compressas mornas, alongamentos e exercícios de coordenação mandibular orientados para casa. Dois estudos australianos incluíram técnicas intraorais avançadas, como relaxamento do músculo temporal e abordagem do gânglio esfenopalatino, enquanto um estudo turco acrescentou mobilização da coluna cervical e técnicas de relaxamento pós-contração isométrica.

Os grupos de controle, por sua vez, variaram consideravelmente: alguns receberam apenas orientações educacionais sobre autocuidado, dieta branda e evitação de hábitos parafuncionais; outros foram submetidos a injeção única de toxina botulínica; e um grupo permaneceu sem tratamento ativo.

Os resultados, embora promissores em alguns aspectos, exigem interpretação cuidadosa. A boa notícia é que a terapia manual demonstrou eficácia para alívio da dor em todos os cinco estudos avaliados — não houve caso em que a intervenção manual fosse inútil. Em um estudo, a combinação de terapia manual com orientações domiciliares mostrou-se significativamente superior às orientações isoladas, tanto para dor em repouso quanto durante a função. Em outro, o grupo que recebeu terapia manual associada a aconselhamento apresentou redução de dor estatisticamente maior do que o grupo sem tratamento, e essa vantagem se manteve após um ano de acompanhamento.

Um terceiro estudo mostrou que a terapia manual pura foi estatisticamente superior ao aconselhamento isolado na redução da dor miofascial.

Contudo, a análise comparativa direta revela nuances importantes. Quando a terapia manual foi combinada com orientações educacionais, a taxa de sucesso na redução da dor atingiu 77%, contra 57% do grupo que recebeu apenas orientações — diferença numericamente expressiva, mas que não alcançou significância estatística (P=0,157). Isso significa que, embora mais pacientes tenham se beneficiado da combinação, não se pode afirmar com segurança que essa vantagem não se deva ao acaso. Da mesma forma, quando comparada à toxina botulínica, a terapia manual mostrou-se ligeiramente superior na redução da percepção subjetiva de dor, porém sem diferença estatisticamente significativa.

A toxina botulínica representa um tratamento de custo substancialmente maior e com caráter invasivo, enquanto a terapia manual se configura como opção reversível e economicamente acessível.

A segurança da terapia manual emerge como um ponto favorável consistente. Nenhum dos estudos relatou efeitos adversos significativos, e a natureza não invasiva do tratamento permite que ele seja interrompido ou ajustado a qualquer momento. Essa característica torna a abordagem atraente como primeira linha de manejo, especialmente para pacientes que preferem evitar medicações ou procedimentos mais agressivos.

As limitações desta revisão, contudo, são inegáveis e devem moderar o entusiasmo. Apenas cinco estudos foram encontrados após busca extensiva em múltiplas bases de dados, indicando que a literatura ainda é escassa. Todos os estudos incluídos apresentaram risco de viés incerto segundo a ferramenta Cochrane, principalmente em relação ao mascaramento de participantes e avaliadores — um problema comum em intervenções que envolvem manipulação física, onde o efeito placebo é difícil de controlar. A alta heterogeneidade metodológica entre os estudos impediu a realização de meta-análise, ou seja, não foi possível agregar estatisticamente os resultados para chegar a uma conclusão mais robusta.

Além disso, a duração dos tratamentos e o acompanhamento variaram de quatro semanas a um ano, dificultando comparações diretas.

Para o paciente que vive com dor miofascial temporomandibular, esta revisão oferece uma mensagem equilibrada: a terapia manual funciona, mas não é milagrosa. Ela parece funcionar melhor quando combinada com orientações educacionais e mudanças de hábito, reforçando a ideia de que o tratamento da DTM exige participação ativa do paciente. Não há evidência clara de que a terapia manual seja superior a outras abordagens conservadoras bem estruturadas, mas sua relação custo-benefício e seu perfil de segurança a tornam uma opção inicial razoável. O paciente deve estar ciente de que melhoras significativas podem levar semanas a meses, e que a consistência na prática de exercícios domiciliares parece tão importante quanto as sessões presenciais.

A decisão de incluir terapia manual no plano de tratamento deve ser individualizada, considerando a gravidade dos sintomas, as preferências do paciente e a disponibilidade de profissionais qualificados na aplicação dessas técnicas.

O que fortalece a leitura

  • 1incluiu apenas ensaios clínicos randomizados
  • 2utilizou critério diagnóstico padronizado (RDC/TMD)
  • 3analisou diferentes comparações terapêuticas
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1poucos estudos disponíveis (apenas 5)
  • 2alta heterogeneidade metodológica entre os estudos
  • 3todos os estudos apresentaram risco de viés incerto
  • 4não foi possível realizar meta-análise

Leitura clínica do estudo

MODERADA
65/ 100
Desenho
3/5
Amostra
3/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

279pessoas avaliadas
divisão dos grupos

terapia manual

156 pessoas

massagem, exercícios e mobilização

controles

123 pessoas

orientações, toxina botulínica ou sem tratamento

⏱️ Tempo de acompanhamento: 4 semanas a 1 ano

📊 Resultados em números

0%

taxa de sucesso com terapia manual + orientações

0%

taxa de sucesso apenas com orientações

P=0.157

diferença estatística entre os grupos

P<0.001

redução da dor vs orientações isoladas

Destaques percentuais

77%
taxa de sucesso com terapia manual + orientações
57%
taxa de sucesso apenas com orientações

📊 Comparação de Resultados

taxa de sucesso na redução da dor

terapia manual + orientações
77
apenas orientações
57

📅 Linha do tempo da evidência

2000primeiros estudos sobre terapia manual em DTM
2010desenvolvimento de protocolos padronizados
2015crescimento das evidências sobre abordagens conservadoras
2020esta revisão sistemática sobre eficácia da terapia manual

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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