Estudo científico comentado

Ventosaterapia alivia dor cervical inespecífica segundo análise de 10 estudos

Referência acadêmica

Periódico

Iranian Red Crescent Medical Journal

Ano

2017

Autores

Azizkhani et al.

Desenho

Revisão sistemática

Esta análise de 10 estudos com 441 pessoas mostrou que a ventosaterapia pode ajudar a reduzir a dor no pescoço que não tem uma causa específica conhecida. Os pacientes que receberam ventosas apresentaram menos dor e melhor qualidade de vida comparado aos que não receberam o tratamento. Embora os resultados sejam promissores, são necessários mais estudos com maior número de participantes para confirmar esses benefícios.

Título original do estudo: The Effect of Cupping Therapy on Non-specific Neck Pain: A Systematic Review and Meta-Analysis

📊Revisão sistemática👥n=441 participantes🔬Evidência moderada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

A ventosaterapia mostrou reduzir moderadamente a dor cervical inespecífica e melhorar função e qualidade de vida em análise de dez estudos, mas a evidência ainda é preliminar devido à qualidade metodológica moderada e ao pequeno número de participantes.

O que isso significa para você?

Esta análise de 10 estudos com 441 pessoas mostrou que a ventosaterapia pode ajudar a reduzir a dor no pescoço que não tem uma causa específica conhecida. Os pacientes que receberam ventosas apresentaram menos dor e melhor qualidade de vida comparado aos que não receberam o tratamento. Embora os resultados sejam promissores, são necessários mais estudos com maior número de participantes para confirmar esses benefícios.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A ventosaterapia é uma opção complementar com evidência preliminar de que pode reduzir a dor no pescoço e melhorar sua capacidade de realizar atividades diárias
  • 2Os benefícios são moderados, não milagrosos, e podem não se manter por anos sem reforço ou combinação com outras estratégias
  • 3A técnica parece bem tolerada, mas não é indicada para todos: quem tem problemas de coagulação, lesões de pele ou está grávida deve evitar ou discutir cuidadosamente com o médico
  • 4A qualidade dos profissionais e a técnica específica utilizada variam muito, o que pode influenciar tanto a eficácia quanto a segurança
  • 5Continue acompanhando sua dor cervical com seu médico, especialmente se houver sinais de alerta como fraqueza nos braços, dormência progressiva ou dor que piora constantemente
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Com base no meu histórico de saúde, a ventosaterapia é segura para mim? Existe alguma contraindicação específica?
  • 2Quais resultados posso esperar realisticamente, e em quanto tempo? Se não funcionar, qual seria o próximo passo?
  • 3O profissional que realizará o procedimento tem experiência documentada? Qual técnica será utilizada e por quê?
  • 4Como posso combinar a ventosaterapia com exercícios, ergonomia no trabalho e outras medidas para potencializar o resultado?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum efeito adverso grave foi documentado nos 441 participantes dos dez estudos, mas a vigilância de segurança não foi padronizada entre os ensaios
  • 2Marcas circulares eritematosas na pele são efeito esperado e temporário da ventosaterapia seca, geralmente resolvendo em alguns dias
  • 3A ventosaterapia úmida envolve incisão cutânea e risco teórico de infecção, embora não tenha sido relatado; requer assepsia rigorosa
  • 4A segurança em populações especiais (gestantes, idosos frágeis, pacientes com doenças sistêmicas) não foi estabelecida pelos estudos incluídos

Leitura rápida para pacientes

Ventosaterapia pode aliviar dor no pescoço

Análise de dez estudos mostra benefício moderado em dor, movimento e bem-estar para quem tem dor cervical sem causa específica

Ponto 1

Redução da dor e melhora da função aparecem após algumas sessões, mas efeitos de longo prazo são incertos

Ponto 2

Nenhum efeito grave foi relatado, mas marcas na pele e desconforto leve podem ocorrer

Ponto 3

Não substitui avaliação médica: converse com seu médico sobre se é adequado para seu caso

O que este estudo acrescenta

PRIMEIRA REVISÃO ESPECÍFICA

Foi a primeira revisão sistemática dedicada exclusivamente à ventosaterapia para dor cervical inespecífica, consolidando evidências dispersas em análise quantitativa

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A diferença de quase 20 pontos na escala de dor (de ~44 para ~26) representa melhora clinicamente perceptível, embora não seja transformadora; a consistência entre múltiplos desfechos (dor, função, qualidade de vida) ref

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é um dos níveis mais altos de evidência científica, pois sintetiza dados de múltiplos ensaios clínicos randomizados, embora a qualidade dos estudos originais afete a força das

Participantes totais

441

Soma de dez ensaios clínicos randomizados

Redução da dor (VAS)

-0,84

Diferença média padronizada favorável à ventosaterapia versus controle

Melhora na função (NDI)

-0,60

Diferença padronizada na incapacidade cervical

Ganho de qualidade de vida (SF-36)

-0,56

Diferença padronizada no componente físico do questionário

Estudos incluídos

10

Ensaios clínicos randomizados publicados até março de 2017

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Dor cervical inespecífica crônica

Tipo de estudo

Revisão sistemática e meta-análise

Participantes

441 adultos, maioria mulheres, com dor no pescoço sem causa específica

Duração

Variação de 2 semanas a 2 anos de seguimento entre os estudos

Sessões

Variável: de 1 a 12 sessões, mais comumente 5 sessões

Comparador

Lista de espera, cuidados médicos padrão, compressa quente ou relaxamento muscular progressivo

Grupos do estudo

Ventosaterapia (seca, úmida, tradicional, massagem ou pulsada)Controle (lista de espera, cuidados padrão, compressa quente ou relaxamento muscular)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

Variável entre 1 e 12 sessões; 5 sessões era o protocolo mais frequente

Frequência02

Geralmente 1 a 2 vezes por semana, com variação entre os estudos

Duração da sessão03

Não uniformemente relatado; sessões típicas de ventosaterapia duram de 5 a 15 mi

Pontos / técnica04

Ventosas aplicadas em região cervical e trapézio; técnicas variaram entre seca, úmida, tradicional, massagem com ventosas e ventosa pulsada mecânica

Comparador05

Lista de espera, cuidados médicos padrão, aplicação de compressa quente, ou relaxamento muscular progressivo

Nota de protocolo06

Um estudo utilizou microdialise subcutânea para investigar metabolismo local; outro avaliou efeito sobre imagem corporal com desenhos dos pacientes

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com dor cervical crônica sem causa específica identificadaMaioria de mulheres em idade média (médias de idade entre 44 e 57 anos na maioria dos estudos)Pacientes com queixa de dor persistente, não atribuída a trauma, fratura, infecção, tumor ou fibromialgiaTrabalhadores de escritório e usuários de terminal de vídeo em alguns estudosPessoas que já haviam tentado ou não obtido alívio com tratamentos convencionaisVoluntários saudáveis em um estudo que avaliou mecanismos fisiológicos

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Crianças e adolescentes (todos os estudos com adultos)Pacientes com dor cervical de causa específica: fraturas, infecções, tumores, doenças degenerativas gravesPessoas com fibromialgia ou outras síndromes de dor generalizadaGestantes ou puérperas (população não mencionada nos estudos)Pacientes com condições que contraindicam ventosaterapia, como distúrbios de coagulação ou lesões cutâneas ativas

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor

Reduziu

Diferença de -0,84 pontos na escala visual analógica (0-100) favorável à ventosaterapia

🔄

Função cervical

Melhorou

Redução de -0,60 no Neck Disability Index, indicando menor incapacidade para atividades diárias

🌟

Qualidade de vida

Melhorou

Diferença de -0,56 no SF-36, com ganhos especialmente no componente físico

🎯

Limiar de dor à pressão

Aumentou

Estudo com algometria mostrou aumento do limiar de dor em áreas específicas após ventosaterapia

🪞

Imagem corporal

Melhorou

Pacientes com distorções de imagem corporal relacionadas à dor relataram melhora após ventosaterapia tradicional

O que não mudou

  • Diferença significativa na intensidade da dor não se manteve aos 2 anos em um estudo de seguimento longo
  • Não houve redução da fadiga de forma consistente entre os estudos que avaliaram este desfecho
  • Efeito sobre limiar de detecção mecânica e vibração não foi demonstrado de forma robusta

Quando a melhora apareceu

1

Imediato a 280 minutos

Após primeira sessão

Um estudo com microdialise mostrou aumento do limiar de dor à pressão já após aplicação única

2

Aproximadamente 2 semanas

Ao final do tratamento

Maioria dos estudos com 5 sessões mostrou redução significativa da dor e melhora funcional ao final do protocolo

3

Até 12 semanas

Curto prazo

Benefícios em dor, função e qualidade de vida mantidos nas avaliações de curto prazo em alguns estudos

4

2 anos

Longo prazo

Um estudo não encontrou diferença na dor, mas manteve melhora em qualidade de vida e função física

Antes e depois

Dor em repouso (escala 0-100)

escala máx. 100 pontos

Antes44 pontos
Depois26 pontos

Incapacidade cervical (NDI)

escala máx. 50 pontos aproximados

Antes28 pontos aproximados
Depois22 pontos aproximados

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum efeito adverso grave relatado em nenhum dos dez estudos incluídos
  • Marcas circulares na pele são temporárias e esperadas, resolvendo-se em dias
  • Boa tolerabilidade geral entre os 441 participantes
Amarelo
  • Ventosa úmida envolve pequena incisão e requer cuidados com assepsia
  • Desconforto durante a sucção pode ocorrer, especialmente em primeira sessão
  • Qualidade dos estudos variou de moderada a baixa, limitando certeza sobre segurança em populações mais amplas
Vermelho
  • Contraindicações clássicas da ventosaterapia (distúrbios de coagulação, anticoagulantes, lesões cutâneas, gestação) não foram sistematicamente avaliad
  • Ausência de padronização de protocolos dificita previsão de riscos em diferentes técnicas e profissionais

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor cervical crônica inespecífica sem resposta satisfatória a tratamentos convencionais
  • Pessoas interessadas em abordagens complementares com perfil de segurança aparentemente favorável
  • Pacientes com queixa predominante de dor e limitação funcional, sem sinais de alerta neurológicos
  • Indivíduos que aceitam a possibilidade de marcas temporárias na pele como consequência do tratamento

Mais cautela para extrapolar

  • Pessoas com distúrbios de coagulação, em uso de anticoagulantes ou com histórico de sangramento fácil
  • Pacientes com lesões cutâneas ativas, infecções de pele ou condições dermatológicas na região cervical
  • Gestantes (segurança não estabelecida nesta população)
  • Indivíduos com dor cervical de causa específica que requer tratamento direcionado (fratura, infecção, tumor)
  • Quem espera cura definitiva ou eliminação completa da dor, dado que os efeitos são moderados e podem não se manter longo prazo

Expectativa realista

Alívio gradual da dor com melhora da função

Redução modesta mas significativa da intensidade da dor, com ganhos em capacidade de movimento e bem-estar geral após algumas sessões

Tempo provável

Benefícios mais claros aparecem ao final de um protocolo de aproximadamente 2 a 5 semanas; manutenção pode ser necessári

A dor pode não desaparecer completamente, e os efeitos de longo prazo são incertos com base na evidência atual

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se há contraindicações pessoais como problemas de coagulação, uso de anticoagulantes ou lesões de pele na região
  2. 2Discutir expectativas realistas: a ventosaterapia pode ajudar, mas não é cura garantida
  3. 3Questionar sobre experiência prévia do profissional com a técnica e qual protocolo será utilizado
  4. 4Solicitar orientação sobre cuidados após a sessão e sinais de alerta que devem ser comunicados
  5. 5Combinar com outras estratégias: exercícios, ergonomia e manejo do estresse podem potencializar resultados

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Ventosaterapia é apenas placebo sem efeito real

Achado

A meta-análise mostrou diferenças estatisticamente significativas favoráveis à ventosaterapia em dor, função e qualidade de vida, comparada a grupos controle

Mito

Ventosaterapia elimina a dor cervical definitivamente

Achado

Os efeitos são moderados e um estudo de 2 anos não mostrou diferença mantida na intensidade da dor, embora qualidade de vida tenha permanecido melhor

Mito

Todas as técnicas de ventosaterapia são iguais

Achado

Os estudos incluíram ventosas secas, úmidas, tradicionais, de massagem e pulsadas, com protocolos variados, e os resultados foram agrupados, impedindo conclusões sobre qual técnica é superior

Mito

Ventosaterapia é totalmente segura para qualquer pessoa

Achado

Embora nenhum efeito grave tenha sido relatado nos estudos, existem contraindicações clássicas não sistematicamente avaliadas, como distúrbios de coagulação e lesões cutâneas

Como isso pode funcionar

🔽

PRESSÃO NEGATIVA

A ventosa cria sucção que eleva a pele e tecidos subcutâneos — mecanismo observado, não completamente compreendido em termos de efeito clínico

🩸

ALTERAÇÃO VASCULAR LOCAL

Hipótese de aumento do fluxo sanguíneo e linfático na área, com remoção de estase — proposto, mas não comprovado como principal mecanismo de alívio da dor

MODULAÇÃO NEURAL

Possível estimulação do sistema nervoso periférico e autônomo, alterando a percepção da dor — teoria interessante, ainda sem evidência direta robusta

🧠

EFEITOS CENTRAIS

Mudanças na imagem corporal e possíveis efeitos neurohormonais sugerem componente central — achado preliminar em estudo qualitativo, não generalizável

O que ainda é incerto

  • ?Qual técnica de ventosaterapia (seca, úmida, pulsada, massagem) oferece melhor relação risco-benefício não foi determinado
  • ?A duração ideal do tratamento e necessidade de sessões de manutenção permanecem indefinidas
  • ?O mecanismo biológico exato do alívio da dor pela ventosaterapia continua desconhecido, com múltiplas teorias não comprovadas
  • ?A ausência de placebo convincente em muitos estudos dificulta separar efeito específico da terapia de efeitos de expectativa e atenção
🎯

O que o estudo quis responder

Avaliar se a ventosaterapia é efetiva para reduzir dor cervical inespecífica crônica

👥

QUEM PARTICIPOU

441 adultos com dor no pescoço sem causa específica identificada

🧪

COMO FOI FEITO

Comparou ventosaterapia seca/úmida com grupo controle ou cuidados médicos padrão

📈

O QUE MUDOU

Redução significativa da dor e melhora da qualidade de vida e função cervical

🛟

SEGURANÇA

Nenhum efeito adverso sério foi relatado nos estudos

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

CONSOLIDAÇÃO INÉDITA

Pela primeira vez, uma meta-análise reuniu exclusivamente estudos de ventosaterapia para dor cervical inespecífica, oferecendo estimativa quantitativa do efeito em vez de impressões qualitativas dispersas

🧭

MULTIDIMENSIONALIDADE DO BENEFÍCIO

O estudo mostrou que a ventosaterapia não age apenas na dor, mas também melhora função cervical e qualidade de vida — um achado que ajuda a reposicionar a técnica como intervenção mais ampla do que simples analgesia

📌

IMAGEM CORPORAL E DOR

Um estudo qualitativo embutido revelou que pacientes com dor cervical crônica experimentavam distorções na percepção de seu próprio corpo, e a ventosaterapia tradicional pareceu melhorar essa percepção — conexão inespera

🔬

METABOLISMO LOCAL ALTERADO

Um estudo com microdialise subcutânea mostrou que a ventosaterapia induz metabolismo anaeróbio duradouro no tecido subcutâneo e aumenta limiar de dor à pressão — pista fisiológica rara e interessante para futuras pesquis

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Ventosaterapia alivia dor cervical inespecífica segundo análise de 10 estudos

Esta revisão sistemática e meta-análise investigou a eficácia da ventosaterapia no tratamento da dor cervical inespecífica crônica, uma condição que afeta até 50% da população mundial e representa um importante problema de saúde pública. A dor cervical inespecífica está associada a incapacidade significativa nas atividades diárias e ausências substanciais no trabalho, sendo influenciada por fatores como alta carga física, má postura, estresse e alterações nos tecidos conjuntivos ou musculares.

Os pesquisadores conduziram buscas sistemáticas em múltiplas bases de dados (PubMed, MEDLINE, EMBASE, Cochrane Library e outras) até março de 2017, sem restrições temporais. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados que compararam diferentes técnicas de ventosaterapia (seca, úmida, pulsátil ou massagem com ventosas) com grupos controle (lista de espera, cuidados médicos padrão ou aplicação de almofada térmica) em pacientes com dor cervical inespecífica.

A análise final incluiu 10 estudos randomizados controlados com 441 participantes, com idades entre 20-57 anos, sendo a maioria mulheres com dor cervical crônica. Os estudos variaram em duração de tratamento (2 semanas a 2 anos) e utilizaram diferentes técnicas de ventosaterapia aplicadas principalmente na região do músculo trapézio e cervical.

Os resultados primários mostraram benefícios significativos da ventosaterapia. Na meta-análise de 5 estudos (282 participantes), a ventosaterapia demonstrou redução significativa na intensidade da dor medida pela escala visual analógica (VAS), com diferença média de -0,84 pontos (IC 95%: -1,22 a -0,46) em favor da ventosaterapia comparada ao grupo controle. Embora a heterogeneidade entre estudos tenha sido moderada (I² = 54,7%), os resultados consistentemente favoreceram o grupo de intervenção.

Quanto aos resultados secundários, 6 estudos (301 participantes) avaliaram incapacidade através do Índice de Incapacidade Cervical (NDI), revelando superioridade clínica significativa da ventosaterapia (SMD = -0,60; IC 95%: -0,86 a -0,35) com baixa heterogeneidade (I² = 16,4%). A qualidade de vida foi avaliada em 5 estudos (261 participantes) usando o questionário SF-36, mostrando melhora significativa no grupo ventosaterapia (SMD = -0,56; IC 95%: -0,20 a -0,92) comparado ao controle.

Os mecanismos de ação propostos para a ventosaterapia incluem aumento do fluxo sanguíneo local, remoção de estagnação sanguínea, melhora da circulação sanguínea e linfática, e estimulação do sistema nervoso periférico. Teoricamente, a sucção criada pelas ventosas pode drenar fluidos extras, movimentar tecido conjuntivo, modular sistemas neurhormonais e estimular o sistema nervoso autônomo, embora estes mecanismos ainda não estejam completamente comprovados cientificamente.

Importantemente, nenhum dos ensaios clínicos relatou efeitos adversos sérios, sugerindo que a ventosaterapia é uma intervenção segura quando aplicada adequadamente. Um estudo específico avaliou limiar de dor e metabolismo local, demonstrando que a ventosaterapia induz metabolismo anaeróbio duradouro no tecido subcutâneo e aumenta imediatamente os limiares de dor por pressão em algumas áreas.

As implicações clínicas sugerem que a ventosaterapia pode ser considerada como tratamento adjuvante eficaz para pacientes com dor cervical crônica inespecífica, oferecendo benefícios na redução da dor, melhora da função cervical e qualidade de vida. Esta evidência é relevante considerando que tratamentos convencionais como fisioterapia, medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos nem sempre são eficazes ou apresentam limitações.

O que fortalece a leitura

  • 1Meta-análise de múltiplos estudos randomizados
  • 2Avaliação de diferentes desfechos (dor, função, qualidade de vida)
  • 3Busca abrangente em múltiplas bases de dados
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Número pequeno de estudos incluídos
  • 2Heterogeneidade entre os estudos
  • 3Qualidade metodológica moderada dos estudos

Leitura clínica do estudo

MODERADA
72/ 100
Desenho
3/5
Amostra
3/5
Confirmação
4/5

🔬 Como o estudo foi organizado

441pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Ventosaterapia

221 pessoas

Sessões de ventosas secas ou úmidas

Controle

220 pessoas

Lista de espera ou cuidados médicos padrão

⏱️ Tempo de acompanhamento: 2 semanas a 2 anos de seguimento

📊 Resultados em números

-0,84 pontos

Redução da dor na escala visual analógica

-0,60

Melhora no índice de incapacidade cervical

-0,56

Melhora na qualidade de vida SF-36

0

Número de estudos analisados

📊 Comparação de Resultados

Intensidade da dor (escala 0-100)

Ventosaterapia
26
Controle
44

📅 Linha do tempo da evidência

2009Primeiros estudos controlados sobre ventosas para dor cervical
2012Aumento do interesse científico em terapias complementares
2015Crescimento de evidências sobre ventosaterapia
2017Esta revisão sistemática confirma benefícios da ventosaterapia

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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