Estudo científico comentado

Agulhamento seco pode melhorar performance esportiva e recuperação de lesões

Referência acadêmica

Periódico

Quality in Sport

Ano

2026

Autores

Słuchocka et al.

Desenho

Revisão narrativa

O agulhamento seco é uma técnica que usa agulhas finas para tratar pontos dolorosos nos músculos, especialmente em atletas. A revisão mostra que pode reduzir a dor significativamente e acelerar a recuperação quando combinado com exercícios. É considerado seguro, com efeitos colaterais leves como sensibilidade local temporária. Funciona melhor como parte de um programa completo de reabilitação.

Título original do estudo: Optimizing Performance and Recovery: Dry Needling of Myofascial Trigger Points in Sports Medicine

📚Revisão narrativa🏃‍♂️Medicina esportivaEvidência moderada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

O agulhamento seco mostra evidência moderada de redução da dor e melhora funcional em condições musculares esportivas quando combinado a exercícios, mas não deve ser usado como tratamento isolado nem como substituto da reabilitação ativa.

O que isso significa para você?

O agulhamento seco é uma técnica que usa agulhas finas para tratar pontos dolorosos nos músculos, especialmente em atletas. A revisão mostra que pode reduzir a dor significativamente e acelerar a recuperação quando combinado com exercícios. É considerado seguro, com efeitos colaterais leves como sensibilidade local temporária. Funciona melhor como parte de um programa completo de reabilitação.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1O agulhamento seco pode ser uma opção para alívio de dores musculares relacionadas ao esporte, especialmente quando há pontos de tensão identificáveis
  • 2Os benefícios são maiores e mais duradouros quando a técnica faz parte de um programa completo com exercícios e reabilitação
  • 3A resposta individual varia — não há garantia de que funcionará igualmente para todas as pessoas
  • 4A segurança é boa no geral, mas exige profissional com formação específica e conhecimento anatômico preciso
  • 5Dor local leve por um a três dias após o procedimento é o efeito mais comum e esperado
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Os meus sintomas são compatíveis com pontos-gatilho miofasciais ou há outra causa que precisa ser investigada?
  • 2Como o agulhamento seco se encaixa no meu plano atual de exercícios e reabilitação?
  • 3Quais são os sinais de que o tratamento está funcionando, e quando devemos reavaliar a estratégia?
  • 4Há alguma condição minha (medicações, histórico de sangramento, infecções) que contraindique ou exija cautela especial?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Efeitos adversos leves e temporários são os mais frequentes: dor local, sensibilidade e pequenos hematomas que costumam resolver em 1 a 3 dias
  • 2Complicações graves como pneumotórax e lesão nervosa são raras, mas documentadas em regiões de anatomia complexa, exigindo precisão técnica
  • 3Contraindicações incluem infecção ativa, distúrbios de coagulação e fobia severa a agulhas — informe seu histórico completo antes do procedimento
  • 4A segurança a longo prazo e em tratamentos repetidos não está bem estabelecida na literatura, representando uma lacuna importante de conhecimento

Leitura rápida para pacientes

Agulhamento seco pode aliviar dores musculares do esporte

Funciona melhor como parte de um programa completo de reabilitação, com exercícios e acompanhamento profissional

Ponto 1

A técnica usa agulhas finas em pontos doloridos do músculo, sem medicamento

Ponto 2

Reduz dor e tensão, mas os melhores resultados vêm quando combinada a exercícios

Ponto 3

É geralmente segura, com efeitos leves temporários; requer profissional bem treinado

O que este estudo acrescenta

SÍNTESE MULTIMECANISMO

Esta revisão integra evidências de efeitos locais, espinhais e supraespinhais do agulhamento seco, reforçando sua posição como catalisador de reabilitação — não como solução isolada — em medicina esportiva.

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A redução de 2-3 pontos na escala de dor é clinicamente perceptível, e a melhora funcional é mais consistente quando a técnica é integrada a programas de exercícios. No entanto, a heterogeneidade dos protocolos e a falta

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Uma síntese de múltiplos estudos que resume o estado atual do conhecimento, mas com menor rigor metodológico que uma revisão sistemática para avaliar a certeza da evidência.

Prevalência de dor miofascial em atletas

>50%

entre atletas com lesões por uso excessivo

Redução de dor em síndrome patelofemoral

2-3 pontos

na escala visual analógica de 0 a 10

Taxa de recorrência de lesão isquiotibial

12-31%

faixa reportada na literatura esportiva

Duração da literatura analisada

20 anos

período de publicações incluídas na revisão

Duração típica de dor pós-agulhamento

24-72h

efeito adverso mais comum, autolimitado

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Pontos-gatilho miofasciais e síndromes de dor musculoesquelética em atletas

Tipo de estudo

Revisão narrativa da literatura

Participantes

Não aplicável — síntese de múltiplos estudos publicados em 20 anos

Duração

Análise de literatura dos últimos 20 anos

Sessões

Variável conforme estudo analisado; protocolos não padronizados

Comparador

Sham, exercício isolado, terapia manual ou cuidado usual, dependendo do estudo

Grupos do estudo

Estudos com agulhamento secoComparadores variados (sham, exercício isolado, cuidado usual)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

Variável — a literatura não apresenta protocolo padronizado

Frequência02

Depende do estudo; frequência não uniformemente reportada

Duração da sessão03

Não especificada de forma padronizada na revisão

Pontos / técnica04

Agulhas finas inseridas em pontos-gatilho miofasciais, com ou sem manipulação, buscando resposta de twitch local

Comparador05

Sham, exercício isolado, terapia manual ou cuidado usual

Nota de protocolo06

A revisão destaca que a falta de padronização em profundidade, técnica de manipulação, frequência e número de sessões é uma limitação importante da literatura atual

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Atletas com síndrome da dor patelofemoral (corredores, saltadores)Praticantes com epicondilalgia lateral (cotovelo de tenista)Atletas de arremesso com dor relacionada ao manguito rotadorPacientes em reabilitação de lesão do grupo isquiotibialIndivíduos com síndrome da banda iliotibial, tendinopatia aquiliana ou fascite plantarPessoas com pontos-gatilho miofasciais identificáveis em avaliação clínica

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes com infecção local ou sistêmica na região de tratamentoPessoas com distúrbios de coagulação ou em uso de anticoagulantes (contraindicação relativa)Indivíduos com fobia severa a agulhas ou incapacidade de tolerar procedimentos invasivosPacientes com dor de origem exclusivamente articular, neural ou estrutural não muscularCrianças e adolescentes, devido à escassez de evidência específica nessa faixa etária

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor

reduziu

Queda de 2-3 pontos na escala visual analógica de 10 pontos em síndrome patelofemoral

🦵

Amplitude de movimento

melhorou

Aumento da flexibilidade e redução de limitação articular, especialmente em ombro e joelho

💪

Ativação muscular

melhorou

Normalização dos padrões de recrutamento motor e redução da atividade elétrica espontânea

🏃

Tempo de retorno ao esporte

melhorou

Recuperação mais rápida em lesões isquiotibiais quando combinado a reabilitação estruturada

🤝

Força de preensão

melhorou

Ganhos moderados em epicondilalgia lateral em comparação a intervenções simuladas

O que não mudou

  • Taxas de recorrência de lesões a longo prazo — dados de seguimento são limitados
  • Padrões de resposta individual — preditores de quem beneficia mais não estão estabelecidos
  • Efeitos isolados do agulhamento seco sem exercícios — a maioria dos benefícios robustos ocorre na combinação

Quando a melhora apareceu

1

Imediato a curto prazo

Após a primeira sessão

Redução da dor e melhora da amplitude de movimento em alguns estudos

2

Curto a médio prazo (semanas)

Ao longo de múltiplas sessões

Benefícios funcionais mais consistentes quando combinado a exercícios terapêuticos

Antes e depois

Dor (escala visual 0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes7 pontos
Depois4 pontos

Recorrência de lesão isquiotibial

escala máx. 100 % (faixa reportada)

Antes31 % (faixa reportada)
Depois12 % (faixa reportada)

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Efeitos adversos são predominantemente leves e autolimitados
  • Dor local pós-procedimento resolve em 24-72 horas na maioria dos casos
  • Técnica considerada segura quando realizada com conhecimento anatômico preciso e técnica estéril
Amarelo
  • Risco de hematomas e desconforto transitório na região tratada
  • Necessidade de avaliação prévia de antecedentes de coagulação e medicações
  • Efeitos de longo prazo e segurança em tratamentos repetidos não totalmente estabelecidos
Vermelho
  • Risco de pneumotórax em regiões torácicas e de ombro se a técnica for inadequada
  • Possibilidade de lesão nervosa por posicionamento incorreto da agulha
  • Contraindicação absoluta em presença de infecção local ou sistêmica

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Atletas com pontos-gatilho musculares identificáveis e dor miofascial
  • Pessoas em reabilitação de lesões esportivas que já participam de programa de exercícios
  • Indivíduos com síndrome patelofemoral, epicondilalgia lateral ou dor de ombro relacionada a manguito rotador
  • Pacientes que não apresentam contraindicações como distúrbios de coagulação ou infecção ativa
  • Pessoas motivadas a seguir programa multimodal de reabilitação

Mais cautela para extrapolar

  • Indivíduos com fobia severa a agulhas ou intolerância a procedimentos invasivos
  • Pacientes em uso de anticoagulantes ou com distúrbios hemorrágicos
  • Pessoas com infecção ativa na região de interesse
  • Indivíduos buscando tratamento isolado sem compromisso com reabilitação ativa
  • Pacientes com dor de origem exclusivamente articular, neural ou não muscular

Expectativa realista

Alívio gradual com trabalho em equipe

A maioria das pessoas percebe alguma redução da dor já nas primeiras sessões, mas os ganhos funcionais mais duradouros — como força, flexibilidade e confiança para retornar ao esporte — costumam aparecer quando o agulhamento seco faz parte

Tempo provável

Redução inicial da dor pode ocorrer após 1-3 sessões; benefícios funcionais mais consistentes em semanas de tratamento c

A resposta individual varia, e a literatura ainda não permite prever com precisão quem se beneficiará mais da técnica

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se seus pontos de dor foram avaliados como pontos-gatilho miofasciais ou se há outra origem para a dor
  2. 2Verifique se o profissional tem formação específica em anatomia aplicada e técnica estéril para o procedimento
  3. 3Discuta como o agulhamento seco se integra ao seu programa atual de exercícios e reabilitação
  4. 4Informe sobre uso de medicamentos anticoagulantes, distúrbios de coagulação ou infecções recentes
  5. 5Pergunte sobre sinais de alerta após o procedimento que devem motivar contato imediato

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

O agulhamento seso cura lesões sozinho

Achado

A evidência mais robusta mostra benefícios quando a técnica é combinada a exercícios terapêuticos e reabilitação ativa, não como tratamento isolado

Mito

Funciona igual para todas as pessoas e todas as dores

Achado

A resposta varia individualmente, e preditores de quem se beneficia mais ainda não estão bem estabelecidos na literatura

Mito

É totalmente livre de riscos

Achado

Embora geralmente seguro, há riscos documentados como pneumotórax e lesão nervosa em regiões de anatomia complexa, exigindo precisão técnica

Mito

Os efeitos duram para sempre após poucas sessões

Achado

A maioria dos estudos tem acompanhamento de curto a médio prazo; dados sobre prevenção de recorrência a longo prazo são limitados

Como isso pode funcionar

🎯

ESTÍMULO LOCAL

A agulha ativa uma resposta de contração breve no músculo, que pode ajudar a normalizar a atividade elétrica anormal nos pontos-gatilho — mecanismo observado, embora ainda haja debate sobre sua relevância clínica exata

🧪

MUDANÇA BIOQUÍMICA

Redução de substâncias pró-inflamatórias e melhora do fluxo sanguíneo local, sugerindo alívio do estresse metabólico no músculo — evidência de estudos de microdialise com amostras pequenas

🧠

MODULAÇÃO CENTRAL

Ativação de vias inibitórias do sistema nervoso central, com alterações em regiões cerebrais relacionadas à dor — efeito proposto, com suporte preliminar de neuroimagem funcional

🏋️

PREPARAÇÃO PARA EXERCÍCIO

Redução da dor e do espasmo muscular facilitam a participação em programa de reabilitação ativa, que é o verdadeiro motor da recuperação funcional

O que ainda é incerto

  • ?Qual protocolo exato (profundidade, manipulação, frequência, número de sessões) oferece o melhor equilíbrio entre eficácia e segurança?
  • ?Quais características individuais (idade, sexo, tempo de dor, perfil neuromuscular) predizem melhor resposta ao tratamento?
  • ?Os benefícios se mantêm a longo prazo e previnem recorrência de lesões, ou são predominantemente de curta duração?
  • ?Qual a contribuição relativa dos efeitos específicos da técnica versus efeitos contextuais, expectativa e aliança terapêutica?
🎯

O que o estudo quis responder

Revisar mecanismos e aplicações do agulhamento seco em lesões esportivas

🏃‍♂️

FOCO

Atletas com pontos-gatilho musculares e dor miofascial

🧠

MECANISMO

Reduz inflamação local e ativa vias inibitórias da dor

📈

RESULTADOS

Reduz dor em 2-3 pontos na escala visual e melhora amplitude

🛟

SEGURANÇA

Técnica segura com efeitos adversos leves e temporários

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

CATALISADOR, NÃO SOLUÇÃO ÚNICA

A revisão reforça que o agulhamento seco tem papel de preparar o tecido para a reabilitação ativa, acelerando a entrada em exercícios corretivos, em vez de substituí-los

🧭

EVIDÊNCIA MAIS FORTE EM CONDIÇÕES ESPECÍFICAS

Entre todas as aplicações esportivas, os dados mais consistentes acumulam-se para síndrome patelofemoral, epicondilalgia lateral, dor de manguito rotador e lesões isquiotibiais

📌

MECANISMOS EM MÚLTIPLOS NÍVEIS

A integração de efeitos locais (bioquímicos e mecânicos), espinhais e cerebrais oferece um modelo mais completo de como a técnica pode agir, embora ainda com gaps de confirmação

🔍

PADRONIZAÇÃO AINDA PENDENTE

O artigo destaca de forma transparente que a falta de protocolos uniformes é a principal barreira para comparar resultados e definir as melhores práticas na área

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Agulhamento seco pode melhorar performance esportiva e recuperação de lesões

A dor miofascial é uma das queixas mais frequentes entre pessoas que praticam esportes regularmente. Estudos indicam que até 85% dos indivíduos experimentam esse tipo de dor em algum momento da vida, e entre atletas com lesões por uso excessivo, a prevalência ultrapassa 50%. Essa condição se manifesta através de pontos-gatilho musculares — pequenas áreas de tensão dentro das fibras musculares que causam dor local, sensibilidade ao toque e até dor em outras regiões do corpo. Para quem compete ou treina com regularidade, esses pontos-gatilho não são apenas desconfortáveis: eles comprometem a coordenação motora, reduzem a força muscular, prejudicam o senso de posição do corpo e aumentam o risco de novas lesões.

A revisão publicada por Słuchocka e colaboradores em 2026, na revista Quality in Sport, examina como o agulhamento seco pode ser uma ferramenta útil no manejo desses problemas, especialmente quando integrado a programas de reabilitação estruturados.

O agulhamento seco consiste na inserção de agulhas finas e estéreis diretamente nos pontos-gatilho musculares, sem a injeção de qualquer medicamento. Apesar de usar instrumentos similares aos da acupuntura tradicional, a técnica tem fundamentos e objetivos distintos, focando especificamente na desativação mecânica e neurofisiológica desses pontos dolorosos. A revisão analisou estudos publicados principalmente nos últimos 20 anos, incluindo ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas, meta-análises e pesquisas experimentais sobre mecanismos biológicos. Não se trata de um único estudo com pacientes, mas de uma síntese abrangente do conhecimento acumulado na área.

Os mecanismos pelos quais o agulhamento seco atua são múltiplos e operam em diferentes níveis do organismo. Localmente, a inserção da agulha frequentemente provoca uma resposta de contração muscular breve e involuntária, conhecida como resposta de twitch local. Esse fenômeno está associado à redução da atividade elétrica espontânea que ocorre de forma anormal nos pontos-gatilho, sugerindo uma normalização da função das placas motores — as regiões onde os nervos se comunicam com os músculos. Em termos bioquímicos, pesquisas com microdialise mostraram que o agulhamento seco diminui a concentração de mediadores pró-inflamatórios como substância P, peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP) e interleucina-1 beta, enquanto melhora o fluxo sanguíneo local e a oxigenação tecidual.

A redução do pH ácido nessas regiões também indica alívio do estresse metabólico que caracteriza o ciclo de crise energética dos pontos-gatilho.

Além dos efeitos locais, o agulhamento seco modula o processamento da dor no sistema nervoso central. A estimulação mecânica ativa fibras nervosas de condução rápida (A-delta), que atuam sobre interneurônios na medula espinhal, reduzindo a transmissão de sinais nociceptivos através de mecanismos de controle de portão. Estudos de neuroimagem funcional demonstram alterações na atividade de regiões cerebrais envolvidas na experiência da dor, como o córtex cingulado anterior, a ínsula e o córtex somatossensorial primário. Esses efeitos centrais envolvem a ativação de vias inibitórias descendentes mediadas por opioides endógenos, serotonina e norepinefrina, e podem contribuir para a normalização da excitabilidade cortical em pacientes com dor musculoesquelética crônica.

A revisão destaca aplicações clínicas específicas em condições esportivas frequentes. Na síndrome da dor patelofemoral, comum em corredores e atletas de esportes que exigem flexão e extensão repetitiva do joelho, o agulhamento seco dos músculos vasto medial e vasto lateral mostrou reduzir a dor em 2 a 3 pontos em uma escala visual analógica de 10 pontos, além de melhorar escores funcionais como a Escala de Dor Anterior do Joelho. Na epicondilalgia lateral, ou cotovelo de tenista, a técnica aplicada no músculo extensor radial curto do carpo reduziu a intensidade da dor e melhorou a força de preensão, com tamanhos de efeito moderados em comparação a intervenções simuladas. Nas dores relacionadas ao manguito rotador, prevalentes em atletas de arremesso, o agulhamento seco melhorou a amplitude de movimento do ombro, reduziu a dor noturna e otimizou os padrões de ativação muscular.

Já nas lesões do grupo isquiotibial, com taxas de recorrência reportadas entre 12% e 31%, a técnica aplicada na fase subaguda da reabilitação demonstrou melhorar a flexibilidade, reduzir a proteção muscular e acelerar o retorno ao esporte quando combinada a exercícios excêntricos e treinamento específico.

Outras aplicações mencionadas incluem a síndrome da banda iliotibial, tendinopatia aquiliana, fascite plantar e síndromes de sobrecarga cervicotorácica em atletas de arremesso. Para todas essas condições, os autores enfatizam que o agulhamento seco atinge seu potencial máximo quando integrado a protocolos multimodais que incluem terapia manual, exercícios terapêuticos e gerenciamento progressivo de cargas, em vez de ser usado como intervenção isolada.

Os efeitos adversos mais comuns são leves e temporários: dor local após o procedimento que dura de 24 a 72 horas, pequenos hematomas e desconforto transitório na região da inserção. Complicações graves são raras, mas podem ocorrer, particularmente em regiões de anatomia de alto risco, como pneumotórax em punções torácicas ou de ombro, lesão nervosa por posicionamento inadequado e infecção. Contraindicações incluem infecção local ou sistêmica, distúrbios de coagulação ou uso de anticoagulantes, e fobia severa a agulhas.

Os autores reconhecem limitações importantes na literatura atual. A falta de padronização nos protocolos de agulhamento — incluindo profundidade da agulha, técnica de manipulação, frequência e número de sessões — dificulta comparações entre estudos. Os critérios diagnósticos para pontos-gatilho também variam, introduzindo inconsistência. A maioria dos ensaios tem acompanhamento de curto a médio prazo, limitando conclusões sobre benefícios sustentados de desempenho ou prevenção de recorrência.

Além disso, preditores de resposta individual, como idade, sexo, cronicidade da dor e perfil neuromuscular, ainda não estão bem caracterizados. A evidência mecanicista deriva em grande parte de estudos experimentais ou com amostras pequenas, reforçando a necessidade de investigações multicêntricas de maior porte.

Para pacientes, a mensagem prática é que o agulhamento seco pode ser uma opção valiosa no arsenal terapêutico para dores musculares relacionadas à prática esportiva, especialmente quando há pontos-gatilho identificáveis. No entanto, seus benefícios são mais consistentes e duradouros quando a técnica faz parte de um programa completo de reabilitação, com ênfase em fortalecimento muscular, correção biomecânica e reintrodução gradual das cargas de treino. A redução rápida da dor proporcionada pelo agulhamento pode facilitar a adesão ao programa de exercícios e reduzir comportamentos de evitação pelo medo de movimento, mas a recuperação funcional plena depende do trabalho ativo do paciente em conjunto com a equipe de reabilitação.

O que fortalece a leitura

  • 1Revisão abrangente de 20 anos de literatura
  • 2Análise de mecanismos biológicos detalhada
  • 3Aplicações práticas bem definidas
  • 4Integração com reabilitação baseada em exercícios
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Falta de padronização nos protocolos
  • 2Variabilidade nos critérios diagnósticos
  • 3Seguimento limitado dos estudos
  • 4Necessidade de mais estudos multicêntricos

Leitura clínica do estudo

MODERADA
75/ 100
Desenho
4/5
Amostra
3/5
Confirmação
4/5

🔬 Como o estudo foi organizado

pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Revisão de literatura

0 pessoas

Análise de estudos clínicos

⏱️ Tempo de acompanhamento: 20 anos de literatura

📊 Resultados em números

2-3 pontos

Redução na dor

0%

Prevalência de dor miofascial em atletas

12-31%

Taxa de recorrência de lesões no isquiotibial

Destaques percentuais

50%
Prevalência de dor miofascial em atletas
12-31%
Taxa de recorrência de lesões no isquiotibial

📊 Comparação de Resultados

📅 Linha do tempo da evidência

1950Travell e Simons estabelecem bases dos pontos-gatilho
2010Primeiros estudos de neuroimagem dos efeitos centrais
2020Meta-análises confirmam eficácia em condições específicas
2026Revisão atual sintetiza evidências e mecanismos

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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