Anos de história documentada
3. 500+
Primeiros registros no Papiro Ebers, Egito, 1550 a. C.
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Journal of Acupuncture and Meridian Studies
Ano
2018
Autores
Aboushanab et al.
Desenho
artigo de revisão
Este estudo de revisão reuniu evidências sobre a ventosaterapia, uma técnica antiga que usa ventosas para criar sucção na pele. A pesquisa mostra que pode ajudar especialmente com dores nas costas e pescoço, sendo relativamente segura quando bem aplicada. Os autores criaram classificações para organizar melhor os diferentes tipos e equipamentos, ajudando a padronizar a prática clínica.
Título original do estudo: Cupping Therapy: An Overview from a Modern Medicine Perspective
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A ventosaterapia mostra benefícios promissores especialmente para dores nas costas e pescoço, com perfil de segurança aceitável, mas ainda carece de evidências robustas sobre mecanismos e protocolos ideais; não substitui tratamentos médicos convencionais.
Este estudo de revisão reuniu evidências sobre a ventosaterapia, uma técnica antiga que usa ventosas para criar sucção na pele. A pesquisa mostra que pode ajudar especialmente com dores nas costas e pescoço, sendo relativamente segura quando bem aplicada. Os autores criaram classificações para organizar melhor os diferentes tipos e equipamentos, ajudando a padronizar a prática clínica.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Terapia milenar com evidências promissoras especialmente para dor nas costas e pescoço, mas que exige avaliação médica prévia por suas contraindicações específicas
Ponto 1
Pode ajudar como complemento para dores musculoesqueléticas, mas não substitui tratamento médico
Ponto 2
Existem contraindicações sérias que devem ser verificadas antes, como câncer e problemas de coagulação
Ponto 3
A segurança depende muito da técnica e higiene do profissional — descartáveis e protocolos de infecção são essenciais
O que este estudo acrescenta
Este estudo propôs reorganizar as categorias de ventosaterapia, criou uma classificação inédita de eventos adversos em preveníveis e não preveníveis, e sistematizou os tipos de conjuntos de ventosas disponíveis
Aplicabilidade clínica
Para condições dolorosas específicas, especialmente lombar e cervical, a magnitude do efeito parece clinicamente relevante para muitos pacientes, embora a variabilidade metodológica dos estudos limite a certeza. Para con
Força do desenho do estudo
Síntese de múltiplos estudos por especialistas, mas sem os métodos sistemáticos rigorosos de uma revisão sistemática, o que limita a certeza das conclusões
Anos de história documentada
3. 500+
Primeiros registros no Papiro Ebers, Egito, 1550 a. C.
Condições com benefícios reportados
10+
Dor lombar, cervical, cefaleia, joelho, paralisia facial, entre outras
Eventos adversos mais comuns
2
Escaras e queimaduras, ambos considerados preveníveis com técnica adequada
Contraindicações absolutas principais
4
Câncer, insuficiência orgânica, marca-passo, distúrbios de coagulação
Categorias de classificação propostas
5
Reorganização das tipologias de ventosaterapia para padronização clínica
Ficha rápida do estudo
Condição
Múltiplas condições, com ênfase em dores musculoesqueléticas (lombar, cervical, joelho) e algumas doenças sistêmicas
Tipo de estudo
Revisão narrativa de literatura
Participantes
Revisão de múltiplos estudos; não há cálculo de amostra agregada
Duração
Abrangência histórica até 2018
Sessões
Variável conforme estudos revisados; tipicamente 5 a 10 sessões nas pesquisas ci
Comparador
Variável: lista de espera, relaxamento muscular progressivo, terapias convencionais ou placebo
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Variável: estudos revisados utilizaram de 1 a 12 sessões
Geralmente 1 a 2 vezes por semana
5 a 15 minutos para ventosa seca; ventosa úmida inclui tempo adicional para esca
Aplicação em pontos de acupuntura tradicionais ou áreas dolorosas; técnicas incluem ventosa seca, úmida, massagem com ventosa e flash cupping
Lista de espera, relaxamento muscular progressivo, cuidado usual ou intervenções placebo
A pressão da sucção varia de leve a forte; a região dorsal é o local mais comum de aplicação
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Intensidade da dor lombar
melhorou
Múltiplos ensaios controlados reportaram redução significativa comparada a lista de espera
Amplitude de movimento cervical
melhorou
Estudos de dor no pescoço mostraram ganho funcional mensurável
Frequência de cefaleias
reduziu
Ensaios em cefaleia tensional e enxaqueca mostraram diminuição do número de episódios
Função do joelho em osteoartrite
melhorou
Estudo piloto mostrou benefício em escores funcionais
Marcadores imunológicos
sugestão de melhora
Estudos preliminares indicam modulação de citocinas, mas evidência ainda incipiente
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
sessão única
Após primeira sessão
Alguns estudos de dor cervical mostraram redução imediata da dor e aumento do limiar de pressão
2 a 3 semanas
Ao longo de 5 sessões
Protocolo típico em ensaios de dor crônica mostrando acúmulo de benefício
5 semanas
Após 10 sessões
Maior magnitude de efeito em estudos com protocolo mais prolongado de dor lombar
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Redução da intensidade da dor e melhora da funcionalidade em algumas semanas de tratamento, com resultados mais consistentes para dores nas costas e pescoço
Tempo provável
Benefícios iniciais podem aparecer após 1 a 3 sessões; efeito mais robusto tipicamente após 5 a 10 sessões
A resposta individual varia bastante, e a ventosaterapia não elimina a necessidade de investigar causas subjacentes da dor ou de manter tratamentos médicos pres
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
A ventosaterapia "tira o sangue ruim" do corpo
Achado
Não há evidência científica de que a ventosaterapia elimine toxinas ou sangue prejudicial; os mecanismos propostos envolvem modulação vascular e imunológica local
Mito
Quanto mais forte a marca da ventosa, melhor o resultado
Achado
A intensidade da sucção deve ser individualizada; queimaduras e escaras são eventos adversos preveníveis relacionados à pressão excessiva ou tempo prolongado
Mito
A ventosaterapia cura doenças graves como câncer ou insuficiência orgânica
Achado
Estas condições são justamente contraindicações absolutas; a ventosaterapia é indicada como complementar para sintomas específicos, não como tratamento curativo de doenças graves
Mito
Como é natural e antiga, a ventosaterapia não tem riscos
Achado
A terapia tem perfil de segurança favorável, mas eventos adversos reais existem, incluindo queimaduras, infecções e reações sistêmicas; contraindicações devem ser respeitadas
Como isso pode funcionar
PRESSÃO SUBATMOSFÉRICA
A sucção cria pressão negativa na pele, promovendo vasodilatação local e aumento do fluxo sanguíneo — mecanismo observado, mas ainda em estudo quanto à relevância clínica final
ALTERAÇÕES CIRCULATÓRIAS LOCAIS
Mudanças no microambiente tecidual podem modificar propriedades biomecânicas da pele e elevar o limiar de dor — efeito proposto, não completamente esclarecido
MODULAÇÃO IMUNE E GENÉTICA (PROPOSTA)
Estudos sugerem que a estimulação cutânea poderia ativar vias neuroimunoendócrinas e programas de expressão gênica — teoria promissora, mas que requer mais evidências de confirmação
O que ainda é incerto
revisar a prática da ventosaterapia e propor classificações atualizadas
análise histórica e revisão de literatura sobre tipos e aplicações
pressão subatmosférica, circulação sanguínea e modulação imune
benefícios reportados para dores nas costas, pescoço e outras condições
terapia relativamente segura com eventos adversos leves a moderados
Achados Interessantes
CLASSIFICAÇÃO DE EVENTOS ADVERSOS
Pela primeira vez, os autores separaram complicações em preveníveis (escaras, queimaduras) e não preveníveis (tontura, reação vasovagal), orientando a prevenção de forma mais clara
PADRONIZAÇÃO DAS TIPOLOGIAS
A reorganização em cinco categorias principais, unindo área e condição tratada, ajuda profissionais e pacientes a entenderem melhor qual abordagem está sendo utilizada
SÍNTESE DE SEGURANÇA
O artigo consolidou que a terapia é relativamente segura, mas com ressalvas importantes, e enfatizou a importância de medidas de controle de infecção muitas vezes negligenciadas na prática
Resumo detalhado em linguagem acessível
A ventosaterapia, conhecida popularmente no Brasil como "ventosas" e em outros países como "cupping", é uma prática milenar de medicina tradicional que vem ganhando destaque no mundo da medicina moderna. Esta técnica antiga envolve a aplicação de copos especiais sobre pontos específicos da pele, criando uma pressão de sucção que pode ser produzida pelo calor ou por equipamentos de vácuo. Documentos históricos, incluindo o papiro de Ebers do Antigo Egito datado de 1550 a. C.
, já mencionavam esta prática, que posteriormente se espalhou por diversas culturas, incluindo a medicina chinesa, grega, árabe e islâmica. O médico grego Hipócrates, considerado o pai da medicina, descreveu detalhadamente diferentes tipos de ventosas e suas aplicações específicas, demonstrando a importância histórica desta técnica terapêutica.
Este estudo de revisão, conduzido por pesquisadores do Centro Nacional de Medicina Complementar e Alternativa da Arábia Saudita, teve como objetivo principal fornecer uma visão abrangente da ventosaterapia sob a perspectiva da medicina moderna. Os autores realizaram uma análise detalhada da literatura científica disponível, examinando diferentes aspectos da prática, desde seus mecanismos de ação até suas aplicações clínicas atuais. A metodologia envolveu a revisão sistemática de estudos científicos, documentos históricos e evidências clínicas, com o propósito de criar classificações atualizadas e padronizadas para diferentes aspectos da ventosaterapia. O estudo também se propôs a estabelecer diretrizes claras sobre indicações, contraindicações e medidas de segurança necessárias para a prática segura desta terapia.
Embora o mecanismo exato de ação da ventosaterapia ainda não esteja completamente esclarecido, os pesquisadores identificaram várias teorias promissoras. A principal hipótese envolve os efeitos da pressão subatmosférica criada pelas ventosas, que promove a circulação sanguínea periférica e melhora a resposta imunitária local. Estudos demonstraram que a terapia pode aumentar o fluxo sanguíneo na pele, modificar as propriedades biomecânicas dos tecidos, elevar o limiar da dor, melhorar o metabolismo local anaeróbico, reduzir a inflamação e modular o sistema imunológico celular. O estudo também apresentou uma nova classificação atualizada dos tipos de ventosaterapia, organizando-os em seis categorias principais: tipos técnicos, intensidade da sucção, método de sucção, terapias adicionais, condições e áreas tratadas.
Esta classificação mais detalhada permite uma melhor compreensão e padronização da prática clínica.
Para os pacientes, os resultados mostram que a ventosaterapia apresenta evidências promissoras no tratamento de diversas condições, especialmente aquelas relacionadas à dor. As pesquisas demonstraram benefícios significativos para dores lombares, dores no pescoço e ombros, dores de cabeça e enxaquecas, dores no joelho, paralisia facial, síndrome do túnel do carpo, hipertensão, diabetes mellitus, artrite reumatoide e asma. É importante destacar que a terapia se mostrou relativamente segura quando realizada por profissionais qualificados, com efeitos adversos geralmente leves a moderados. Para os profissionais de saúde, o estudo oferece diretrizes importantes sobre contraindicações, incluindo situações onde a terapia deve ser absolutamente evitada, como em pacientes com câncer, falência de órgãos, uso de marca-passo ou distúrbios de coagulação.
O trabalho também estabelece contraindicações relativas, como infecções agudas, uso de anticoagulantes, gravidez e anemia.
O estudo reconhece algumas limitações importantes que devem ser consideradas. A principal é a falta de compreensão completa dos mecanismos de ação da ventosaterapia, o que indica a necessidade de mais pesquisas básicas e clínicas para esclarecer como exatamente a terapia produz seus efeitos benéficos. Além disso, embora existam evidências promissoras para várias condições, os autores enfatizam que são necessários mais estudos clínicos controlados e randomizados para estabelecer definitivamente a eficácia da ventosaterapia em diferentes situações médicas. O trabalho também destaca a importância crucial de seguir medidas rigorosas de controle de infecção, incluindo o uso de equipamentos descartáveis, desinfecção adequada e equipamentos de proteção individual.
Para pacientes interessados nesta terapia, é fundamental procurar profissionais devidamente treinados e certificados, que possam avaliar adequadamente as indicações e contraindicações individuais. A ventosaterapia não deve ser vista como substituto para tratamentos médicos convencionais, mas sim como uma terapia complementar que pode oferecer benefícios adicionais quando integrada a um plano de tratamento abrangente.
Benefícios reportados em dor lombar
Eventos adversos mais comuns
Contraindicações absolutas identificadas
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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