Estudo científico comentado

Acupuntura e biofeedback eletromiográfico para tratamento da vulvodínia

Referência acadêmica

Periódico

Chinese Medicine

Ano

2014

Autores

Nwanodi et al.

Desenho

revisão narrativa

A vulvodínia é uma dor crônica na região vulvar que afeta significativamente a qualidade de vida e função sexual. Esta revisão mostra que o biofeedback eletromiográfico apresentou resultados mais consistentes na redução da dor, enquanto a acupuntura mostrou resultados variáveis. Ambas as terapias podem ser opções menos invasivas que a cirurgia, mas são necessários mais estudos para estabelecer protocolos padronizados.

Título original do estudo: Vulvodynia Treated with Acupuncture or Electromyographic Biofeedback

📖revisão narrativa👥n=125 (compilação)🔍evidência preliminar
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

O biofeedback EMG mostrou resultados consistentes para redução da dor em vulvodínia provocada, enquanto a acupuntura teve evidências preliminares e variáveis, sem comparação direta entre as modalidades nesta revisão.

O que isso significa para você?

A vulvodínia é uma dor crônica na região vulvar que afeta significativamente a qualidade de vida e função sexual. Esta revisão mostra que o biofeedback eletromiográfico apresentou resultados mais consistentes na redução da dor, enquanto a acupuntura mostrou resultados variáveis. Ambas as terapias podem ser opções menos invasivas que a cirurgia, mas são necessários mais estudos para estabelecer protocolos padronizados.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Vulvodínia é real, comum e tratável, embora exija paciência para encontrar a abordagem certa para cada pessoa
  • 2O biofeedback EMG exige comprometimento com exercícios diários, mas tem o melhor histórico de evidência para dor provocada ao toque ou relação sexual
  • 3Acupuntura pode ser considerada, especialmente para dor não provocada, mas sem expectativa garantida de melhora
  • 4Cirurgia permanece opção de última linha, com taxas de sucesso que declinam com o tempo e riscos significativos
  • 5A busca por tratamento deve incluir avaliação do tipo específico de vulvodínia, pois isso direciona a escolha terapêutica mais apropriada
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Meu tipo de vulvodínia é provocada ou não provocada? Isso muda as opções de tratamento recomendadas?
  • 2Há indicação de avaliação da tensão do meu assoalho pélvico para ver se biofeedback EMG seria adequado?
  • 3Quais são as experiências locais com acupuntura para esta condição, e qual protocolo seria utilizado?
  • 4Antes de considerar cirurgia, posso tentar biofeedback EMG ou outras modalidades não invasivas por um período definido?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum evento adverso foi relatado nos estudos de acupuntura revisados, mas isso não elimina riscos teóricos como hematoma, infecção ou pneumotórax em pontos torácicos
  • 2O biofeedback EMG foi bem tolerado, embora a inserção do sensor vaginal possa causar desconforto, especialmente em mulheres com dispareunia severa
  • 3A ausência de comparação com placebo ou sham em estudos de acupuntura impede avaliação completa do perfil de segurança versus efeitos específicos
  • 4A revisão não encontrou dados de segurança de longo prazo para nenhuma das modalidades; a vigilância contínua é necessária

Leitura rápida para pacientes

Há alternativas antes da cirurgia

Para vulvodínia provocada, o biofeedback EMG tem histórico mais consistente. A acupuntura ainda precisa de mais estudos. Nem todo mundo responde igual — converse com seu médico sob

Ponto 1

Biofeedback EMG: exercícios diários em casa que ensinam a relaxar o assoalho pélvico, com bons resultados em 3-4 meses

Ponto 2

Acupuntura: resultados imprevisíveis, sem garantia de melhora — pode valer a tentativa se outras opções falharem

Ponto 3

Cirurgia é última opção: considere abordagens não invasivas primeiro, mas saiba que nenhuma promete cura completa

O que este estudo acrescenta

PRIMEIRA COMPARAÇÃO SISTEMÁTICA

Esta foi uma das primeiras revisões a confrontar diretamente a literatura de acupuntura e biofeedback EMG para vulvodínia, destacando a lacuna de evidências para acupuntura e a necessidade de protocolos padronizados.

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

O biofeedback EMG oferece evidências consistentes de eficácia para uma subpopulação específica (vulvodínia provocada com hipertonia pélvica), com magnitude clínica expressiva (redução de 68-84% na dor) e impacto na funçã

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Esta revisão compilou estudos clínicos disponíveis, mas sem metanálise estatística rigorosa, com amostras pequenas e metodologias heterogêneas, resultando em evidência preliminar d

Total de pacientes compilados

125

34 em estudos de acupuntura, 91 em estudos de biofeedback EMG

Redução máxima da dor com biofeedback

84%

Alcançada no estudo de acompanhamento de 11 meses por McKay et al.

Taxa de resposta à acupuntura no pior cenário

17%

Apenas 2 de 12 pacientes com boa resposta no estudo de Powell e Wojnarowska

Retorno à atividade sexual com biofeedback

78%

No estudo original de Glazer et al. , entre mulheres que haviam interrompido as relações

Sucesso da vestibulectomia em RCT

68%

Taxa de cura ou quase cura, com declínio para 40% aos 6 meses em outros dados

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Vulvodínia provocada e não provocada, incluindo vestibulodínia

Tipo de estudo

Revisão narrativa da literatura

Participantes

125 mulheres compiladas de 7 estudos (3 de acupuntura, n=34; 4 de biofeedback EM

Duração

10 semanas a 11 meses conforme protocolo de cada estudo

Sessões

Variável: 10 sessões para acupuntura; exercícios diários por 12-16 semanas para

Comparador

Não houve comparação direta entre acupuntura e biofeedback; comparadores incluíram lista de espera, terapia cognitivo-co

Grupos do estudo

AcupunturaBiofeedback EMG

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

Variável: 10 sessões para acupuntura; 12-16 semanas de exercícios para biofeedba

Frequência02

Acupuntura: semanal ou a cada 1-2 semanas; Biofeedback EMG: duas vezes ao dia em

Duração da sessão03

Acupuntura: 30-60 minutos; Biofeedback EMG: 20 minutos por sessão domiciliar

Pontos / técnica04

Acupuntura: 4-20 pontos de meridianos do fígado, rim, baço e intestino grosso, da testa aos joelhos; Biofeedback EMG: sensor vaginal com exercícios de contração e relaxamento do as

Comparador05

Lista de espera, terapia cognitivo-comportamental em grupo, vestibulectomia, gel de lidocaína a 2% e pomada de lidocaína

Nota de protocolo06

Os estudos de acupuntura utilizaram protocolos heterogêneos sem padronização de pontos; os estudos de biofeedback EMG também variaram em equipamentos e padrões de exercícios

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Mulheres com diagnóstico de vulvodínia provocada ou não provocada, ou vestibulodíniaIdades predominantemente entre 21 e 49 anos, com média em torno de 30 anosMulheres com dor vulvar crônica que não responderam adequadamente a tratamentos de primeira linhaNo estudo de biofeedback, mulheres com hipertonia do assoalho pélvico identificadaNo estudo de acupuntura de Powell, mulheres com vulvodínia não provocada de longa duração

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Homens (a condição é específica de anatomia feminina)Mulheres com causas identificáveis de dor vulvar como infecções, neoplasias ou doenças inflamatóriasMulheres com vulvodínia não provocada nos estudos de biofeedback EMG (todos os estudos focaram na forma provocada)Mulheres grávidas ou em período puerperal (não mencionadas nas amostras)Pacientes que já haviam realizado vestibulectomia, exceto cinco mulheres em um dos estudos de biofeedback

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Dor vulvar

reduziu

Biofeedback EMG: 68-84% de redução; Acupuntura: resultados variáveis, de 17% a melhora parcial

💑

Função sexual

melhorou

Retorno da atividade sexual em 69-78% com biofeedback; melhora no FSFI com acupuntura em estudo isolado

🧘

Tensão muscular do assoalho pélvico

reduziu

Diminuição de 62-68% na tensão de repouso medida por EMG com biofeedback

😊

Qualidade de vida relacionada à dor

melhorou

Melhora em escalas de catastrofização e vigilância à dor no estudo ACTIV de acupuntura

📊

Amplitude EMG durante relaxamento

melhorou

Redução significativa da amplitude EMG em períodos de relaxamento com treinamento (p<0,0001)

O que não mudou

  • Não houve padronização de protocolos que permitisse reproduzir resultados de acupuntura de forma consistente
  • A comparação direta entre acupuntura e biofeedback EMG não foi realizada em nenhum estudo
  • A eficácia da acupuntura para vulvodínia provocada não foi estabelecida (nenhum dado disponível na época da revisão)
  • A superioridade do biofeedback EMG sobre a vestibulectomia não foi demonstrada; a cirurgia manteve ligeira vantagem em algumas medidas

Quando a melhora apareceu

1

5 semanas

Após 5 sessões de acupuntura

Estudo ACTIV avaliou desfechos após 5 e 10 sessões, com único resultado significativo na sessão 10

2

Após 10 sessões

Imediatamente após tratamento acupuntural

Estudo de Danielsson mostrou melhora significativa imediata, mantida parcialmente aos 3 meses

3

16 semanas

Aos 16 semanas de biofeedback EMG

Redução de 83% na dor subjetiva no estudo de Glazer; 68% diminuição da tensão de repouso

4

11 meses

Aos 11 meses de biofeedback EMG

Estudo de McKay: 84,7% com dor leve ou negligenciável, 75% sexualmente ativas

Antes e depois

Dor subjetiva (escala 0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes8 pontos
Depois1.4 pontos

Tensão muscular de repouso (EMG)

escala máx. 5 µV RMS

Antes2.5 µV RMS
Depois0.9 µV RMS

Mulheres sexualmente ativas

escala máx. 100 %

Antes22 %
Depois78 %

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum evento adverso relatado nos estudos de acupuntura revisados
  • Biofeedback EMG bem tolerado, sem intercorrências significativas mencionadas
  • Ambas as modalidades são não invasivas e reversíveis, contrapondo-se aos riscos cirúrgicos
Amarelo
  • Desconforto potencial com inserção de agulhas de acupuntura em região genital ou distante
  • Necessidade de inserção vaginal de sensor para biofeedback, que pode causar desconforto inicial
  • Variação de qualidade entre profissionais e protocolos não padronizados
Vermelho
  • Ausência de dados de segurança de longo prazo para ambas as modalidades nesta revisão
  • Nenhum estudo de acupuntura utilizou alocação randomizada ou controle placebo, impedindo avaliação de efeitos adversos raros
  • Risco de falsa segurança: a ausência de eventos adversos relatados não equivale a ausência de riscos, especialmente com acupuntura em prática clínica

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Mulheres com vulvodínia provocada, especialmente com sinais de hipertonia do assoalho pélvico, para biofeedback EMG
  • Mulheres que desejam evitar ou adiar procedimentos cirúrgicos como vestibulectomia
  • Pacientes motivadas para realizar exercícios diários em casa durante semanas a meses
  • Mulheres com vulvodínia não provocada que não responderam a outras modalidades, considerando acupuntura como opção experimental
  • Pacientes com comorbidades como fibromialgia, síndrome do intestino irritável ou cistite intersticial, que podem se beneficiar de abordagens que modulam a sensi

Mais cautela para extrapolar

  • Mulheres com dor vulvar de causa identificável (infecção, neoplasia, doença inflamatória) que necessitam tratamento etiológico específico
  • Pacientes com vulvodínia não provocada que buscam evidências robustas para biofeedback EMG, pois esta modalidade não foi estudada nessa população
  • Mulheres incapazes de realizar exercícios domiciliares regulares ou de comparecer a sessões múltiplas
  • Pacientes com expectativa de cura rápida ou completa, dado que mesmo os melhores resultados mostram redução parcial da dor
  • Mulheres com histórico de abuso sexual não tratado, que pode necessitar abordagem psicoterapêutica integrada antes ou concomitante às modalidades físicas

Expectativa realista

Alívio gradual, não milagre imediato

Com biofeedback EMG dedicado, muitas mulheres experimentam redução significativa da dor e retorno da atividade sexual após 3-4 meses de exercícios diários. Com acupuntura, a resposta é mais imprevisível e pode variar de nenhuma melhora a al

Tempo provável

Biofeedback EMG: melhora típica aos 12-16 semanas; Acupuntura: avaliação possível após 10 sessões, mas sem garantia de r

Nenhuma das modalidades garante cura completa, e a evidência ainda não permite prever quem responderá melhor a cada tratamento.

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se sua dor é provocada (ao toque, relação sexual) ou espontânea, pois isso influencia a escolha terapêutica
  2. 2Questionar sobre avaliação da tensão do assoalho pélvico e se há indicação de biofeedback EMG
  3. 3Discutir se há experiência local com protocolos de acupuntura para vulvodínia e quais resultados foram observados
  4. 4Solicitar informações sobre alternativas não cirúrgicas antes de considerar vestibulectomia ou vulvectomia
  5. 5Verificar se há acompanhamento multidisciplinar disponível (ginecologia, sexologia, terapia da dor)

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Acupuntura e biofeedback EMG são igualmente comprovados para vulvodínia

Achado

A revisão encontrou evidências consistentes apenas para biofeedback EMG em vulvodínia provocada; a acupuntura teve resultados variáveis e sem padronização

Mito

Estas terapias substituem completamente a necessidade de cirurgia

Achado

A vestibulectomia manteve ligeira vantagem em algumas medidas no único RCT comparativo; biofeedback EMG é alternativa a considerar antes, não substituto universal

Mito

Acupuntura funciona melhor porque atua em 'meridianos de energia' que conectam órgãos aos genitais

Achado

Embora haja plausibilidade biológica via modulação neural e liberação de opioides, os estudos clínicos não confirmaram eficácia consistente, e mecanismos propostos permanecem teóricos

Mito

Biofeedback EMG exige apenas algumas sessões em consultório

Achado

O protocolo efetivo envolve exercícios diários em casa por meses, com supervisão periódica — é tratamento de longo prazo, não solução rápida

Como isso pode funcionar

SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL

Estímulo doloroso inicial leva a hipersensibilização de neurônios na medula, reduzindo limiares de dor e causando alodínia — mecanismo bem estabelecido na vulvodínia

🧬

ACUPUNTURA (proposto)

Estimulação de pontos específicos pode liberar β-endorfinas e modular vias descendentes inibitórias da dor, além de possível efeito via 'cross-talk' neural viscerossomático — mecanismo plausível mas com evidência clínica

🔁

CICLO VICIOSO INTERRompido

Ambas as abordagens visam interromper o ciclo de dor-tensão-mais dor, embora por vias diferentes; o biofeedback EMG mostrou maior consistência em alcançar esse objetivo na prática clínica estudada

O que ainda é incerto

  • ?Não se sabe se acupuntura funciona para vulvodínia provocada, pois nenhum estudo foi realizado até 2014
  • ?É desconhecido se biofeedback EMG é eficaz para vulvodínia não provocada, dado que todos os estudos focaram na forma provocada
  • ?Não há como prever quem responderá melhor a cada tratamento, pois nenhum estudo investigou preditores de resposta
  • ?A duração da melhora após término do tratamento é incerta, especialmente para acupuntura, com dados de acompanhamento limitados
🎯

O que o estudo quis responder

Comparar a eficácia da acupuntura e biofeedback EMG para tratamento da vulvodínia

👥

QUEM PARTICIPOU

Mulheres com vulvodínia provocada ou espontânea em 7 estudos revisados

🧪

COMO FOI FEITO

Revisão de estudos com acupuntura (3 estudos) e biofeedback EMG (4 estudos)

📈

O QUE MUDOU

Biofeedback mostrou redução de 68-84% na dor; acupuntura teve resultados variáveis

🛟

SEGURANÇA

Acupuntura sem eventos adversos; biofeedback bem tolerado

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

CONSISTÊNCIA DO BIOFEEDBACK

Quatro estudos independentes, com diferentes equipamentos e protocolos, convergiram em resultados favoráveis do biofeedback EMG para vulvodínia provocada — um padrão raro em medicina complementar

🧭

DIVISÃO GEOGRÁFICA NAS DIRETRIZES

A revisão explicou parcialmente por que diretrizes americanas excluíam acupuntura enquanto britânicas a incluíam: a ausência de eventos adversos e 'sugestão de resposta' bastaram para recomendação condicional no Reino Un

📌

LACUNA INESPERADA

Surpreendentemente, nenhum estudo de biofeedback EMG incluiu mulheres com vulvodínia não provocada — justamente o grupo com maior tensão muscular de repouso, que teoricamente mais se beneficiaria dessa abordagem

🔬

CHAMADO POR PADRONIZAÇÃO

Os autores propuseram o algésimetro vulvar como ferramenta essencial para futuros estudos, permitindo mensuração objetiva e reprodutível da dor — algo que nenhum estudo de acupuntura havia utilizado até então

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Acupuntura e biofeedback eletromiográfico para tratamento da vulvodínia

A vulvodínia é uma condição crônica caracterizada por dor e desconforto na região vulvar, afetando significativamente a qualidade de vida e função sexual das mulheres. Esta revisão clínica examina duas modalidades terapêuticas alternativas - acupuntura e biofeedback eletromiográfico (EMG) - como opções de tratamento entre as terapias médicas convencionais e a intervenção cirúrgica. O estudo surge da necessidade de identificar tratamentos eficazes para uma condição que frequentemente não responde adequadamente às terapias de primeira, segunda e terceira linha, evitando assim a progressão para a quarta linha de tratamento que envolve procedimentos cirúrgicos invasivos como vestibulectomia e vulvectomia. A fisiopatologia da vulvodínia envolve mecanismos complexos de sensibilização central da dor, onde neurônios do corno dorsal se tornam hipersensibilizados a estímulos subsequentes.

Este processo resulta em redução dos limiares nociceptivos e desenvolvimento de hiperalgesia, onde estímulos progressivamente menores geram respostas dolorosas cada vez maiores. A condição pode evoluir para alodínia, quando nociceptores respondem a estímulos que normalmente seriam não-nóxicos. A análise eletromiográfica basal revela voltagens progressivamente aumentadas: controles saudáveis apresentam 1-2 µV RMS, mulheres com vulvodínia provocada mostram 2,5 µV RMS, enquanto aquelas com vulvodínia não-provocada demonstram 3-5 µV RMS. Esta progressão sugere evolução da doença desde sensibilização central com hiperalgesia na forma provocada até alodínia na forma não-provocada.

Regarding acupuncture efficacy, a análise de três estudos revelou resultados variáveis. O primeiro estudo de caso com 12 pacientes usando quatro pontos de acupuntura semanalmente por 10 semanas mostrou resposta boa em apenas duas pacientes, resposta de curto prazo em três, e sete não-respondedoras. Um estudo piloto com 14 mulheres utilizando pelo menos seis pontos de acupuntura durante 10 tratamentos demonstrou melhora estatisticamente significativa nas escalas de dor, mantida três meses após o tratamento. O terceiro estudo com oito pacientes usando 10-20 agulhas em sessões de uma hora mostrou melhora significativa apenas na redução da dor com estimulação genital manual.

A inconsistência nos protocolos de acupuntura, variando em duração, frequência, número de tratamentos e pontos utilizados, dificulta comparações diretas entre os estudos. Por outro lado, o biofeedback EMG demonstrou eficácia mais consistente no tratamento da vulvodínia provocada. O estudo inicial com 33 mulheres utilizando sensor vaginal de EMG em casa duas vezes ao dia por 16 semanas resultou em redução de 83% da dor. Um estudo de replicação com 29 mulheres confirmou redução da dor para níveis leves ou negligíveis em 84,7% das participantes aos 11 meses.

O primeiro ensaio clínico randomizado comparando biofeedback EMG, terapia cognitivo-comportamental e vestibulectomia mostrou que, embora a cirurgia tenha apresentado escores de dor estatisticamente menores aos seis meses, todos os grupos tiveram melhora idêntica em múltiplos parâmetros de dor e função sexual. Entretanto, o grupo cirúrgico teve sete desistências versus nenhuma no grupo de terapia cognitivo-comportamental. Um estudo randomizado comparando biofeedback EMG com gel de lidocaína tópica mostrou resultados equivalentes aos 12 meses, apesar de a lidocaína ter mostrado melhora inicial mais rápida aos quatro meses. As implicações clínicas desta análise são significativas para o manejo da vulvodínia.

Enquanto as diretrizes americanas para tratamento de vulvodínia recomendam biofeedback e fisioterapia, incluindo EMG biofeedback, mas omitem acupuntura, as diretrizes britânicas incluem acupuntura como possível tratamento para vulvodínia não-provocada. Esta diferença pode ser explicada pela evidência mais robusta e consistente para biofeedback EMG versus os resultados variáveis dos estudos de acupuntura. O biofeedback EMG demonstrou eficácia através do relaxamento da musculatura do assoalho pélvico hipertônica, abordando diretamente um dos mecanismos fisiopatológicos da condição. A acupuntura, embora biologicamente plausível através da liberação de peptídeos opioides e ativação de vias de inibição descendente da dor, ainda carece de evidência robusta em ensaios clínicos randomizados para vulvodínia.

O que fortalece a leitura

  • 1Comparação de duas modalidades não-invasivas
  • 2Revisão abrangente da literatura disponível
  • 3Identificação de lacunas metodológicas
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Pequeno número de estudos incluídos
  • 2Protocolos heterogêneos entre estudos
  • 3Ausência de comparação direta

Leitura clínica do estudo

LIMITADA
45/ 100
Desenho
2/5
Amostra
2/5
Confirmação
2/5

🔬 Como o estudo foi organizado

125pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Estudos de acupuntura

34 pessoas

10-20 pontos, 10 sessões

Estudos de biofeedback EMG

91 pessoas

exercícios musculares com sensor vaginal

⏱️ Tempo de acompanhamento: 10 semanas a 11 meses conforme protocolo

📊 Resultados em números

68-84%

Redução da dor com biofeedback EMG

17-42%

Resposta favorável à acupuntura

0%

Sucesso da vestibulectomia

69-78%

Retorno à atividade sexual com biofeedback

Destaques percentuais

68-84%
Redução da dor com biofeedback EMG
17-42%
Resposta favorável à acupuntura
68%
Sucesso da vestibulectomia
69-78%
Retorno à atividade sexual com biofeedback

📊 Comparação de Resultados

Redução da dor (percentual)

Biofeedback EMG
76
Acupuntura
30

📅 Linha do tempo da evidência

1976Primeira descrição da vulvodínia
1985ISSVD estabelece vulvodínia como entidade clínica
1999Primeiro estudo de acupuntura para vulvodínia
2014Revisão comparativa publicada

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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