Atletas analisados
145
total em 6 estudos incluídos
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Este estudo mostra que o agulhamento seco pode ser uma técnica eficaz para reduzir rapidamente a dor no ombro em atletas de esportes como vôlei e handebol. A técnica envolve inserir agulhas finas diretamente nos pontos dolorosos do músculo, proporcionando alívio em poucos dias. Embora os resultados sejam promissores para o alívio imediato, ainda são necessários mais estudos para confirmar os benefícios a longo prazo.
Título original do estudo: Dry Needling in Overhead Athletes with Myofascial Shoulder Pain: A Systematic Review
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
O agulhamento seco mostra potencial para reduzir rapidamente a dor e melhorar a função do ombro em atletas de esportes de overhead com pontos-gatilho miofasciais, mas os benefícios comprovados até agora são apenas de curto prazo e ainda não há consenso sobre o
Este estudo mostra que o agulhamento seco pode ser uma técnica eficaz para reduzir rapidamente a dor no ombro em atletas de esportes como vôlei e handebol. A técnica envolve inserir agulhas finas diretamente nos pontos dolorosos do músculo, proporcionando alívio em poucos dias. Embora os resultados sejam promissores para o alívio imediato, ainda são necessários mais estudos para confirmar os benefícios a longo prazo.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
O agulhamento seco mostrou reduzir a dor e melhorar a movimentação em atletas de esportes como vôlei e handebol, mas os estudos só acompanharam por poucas semanas.
Ponto 1
Funciona melhor combinado com exercícios e terapia manual, não como tratamento isolado
Ponto 2
A melhora da dor pode aparecer já na primeira sessão, mas não se sabe quanto dura
Ponto 3
Fale com seu médico sobre se seu perfil se encaixa e se há profissionais qualificados disponíveis
O que este estudo acrescenta
Esta é a primeira revisão sistemática exclusivamente focada em atletas de esportes de overhead, diferenciando-se de revisões anteriores sobre agulhamento seco em populações gerais ou regiões anatômicas amplas.
Aplicabilidade clínica
A redução da dor e melhora funcional são clinicamente significativas e rápidas, mas limitadas ao curto prazo, com heterogeneidade de protocolos e associação frequente com outras terapias que dificultam isolar o efeito es
Força do desenho do estudo
Este estudo sintetiza múltiplos ensaios controlados, oferecendo visão mais abrangente que um único estudo, mas ainda depende da qualidade e quantidade dos trabalhos originais dispo
Atletas analisados
145
total em 6 estudos incluídos
Redução da dor
p<0. 001
significância estatística em múltiplos estudos
Melhora no DASH
20-28
queda média de pontos no questionário de incapacidade
Ganho de rotação interna
13-23°
incremento em graus em estudos com avaliação
Estudos de excelente qualidade
66%
4 de 6 estudos com baixo risco de viés
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor miofascial no ombro em atletas de esportes de overhead
Tipo de estudo
Revisão sistemática
Participantes
145 atletas, 18-60 anos, predominantemente handebol, vôlei e tênis
Duração
Acompanhamento de imediato a 2 semanas
Sessões
1 a 3 sessões, com grande variabilidade entre estudos
Comparador
Terapia manual isolada, exercícios, fibrolise diacutânea ou ausência de tratamento
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
1 a 3 sessões (variável entre estudos)
Intervalos de 2 dias a 1 semana entre sessões
Não padronizado; agulhas permaneciam de 10 minutos em alguns protocolos
Pontos-gatilho miofasciais em músculos escapulohumerais (trapézio superior, infraespinhal, redondo maior, subescapular); técnica com ou sem busca de resposta de contração local
Terapia manual, exercícios de fortalecimento e alongamento, fibrolise diacutânea, ou ausência de intervenção
Em 4 de 6 estudos, o agulhamento seco foi combinado com outras terapias, dificultando o isolamento do efeito específico
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Dor
melhorou
Redução significativa em todas as escalas utilizadas (EVA, END, McGill), com p<0. 001 em múltiplos estudos
Amplitude de movimento
melhorou
Ganhos de 13-23° na rotação interna, com melhorias também em flexão e abdução
Função do membro superior
melhorou
Queda de 20-28 pontos no escore DASH, indicando menos incapacidade nas atividades diárias
Disquinesia escapular
melhorou
70% de melhora no grupo combinado vs. 30% no grupo controle em um estudo
Extensibilidade muscular
melhorou
Ganho de 13,6° em extensibilidade do redondo maior em um estudo controlado
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
minutos a horas após
Imediato pós-sessão
Redução significativa da dor em estudos com avaliação aguda
2 dias a 1 semana
Após 1-3 sessões
Melhora da função (DASH) e amplitude de movimento em protocolos com múltiplas sessões
período máximo de acompanhamento
Até 2 semanas
Manutenção dos ganhos no curto prazo, sem dados além deste período
Antes e depois
Dor (EVA 0-10)
escala máx. 10 pontos
Incapacidade (DASH 0-100)
escala máx. 100 pontos
Rotação interna do ombro
escala máx. 90 graus
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
A maioria dos atletas experimenta redução significativa da dor já na primeira sessão ou nas primeiras 24-72 horas, com melhora da capacidade de movimentar o ombro. No entanto, os estudos só acompanharam os participantes por até duas semanas
Tempo provável
Melhora da dor: imediata a poucos dias; ganhos funcionais: 1-3 sessões em 1-2 semanas
Não se sabe se os benefícios persistem sem manutenção, e a técnica funcionou melhor quando combinada com exercícios e terapia manual.
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Agulhamento seso cura a lesão de ombro do atleta
Achado
A técnica reduz a dor e melhora a função no curto prazo, mas não trata causas estruturais como lesões tendíneas ou instabilidade articular
Mito
Uma sessão é suficiente para resolver definitivamente
Achado
Os estudos mostraram melhora após 1-3 sessões, mas o acompanhamento máximo foi de apenas 2 semanas; não há evidência de efeito duradouro sem manutenção
Mito
Funciona sozinho, sem necessidade de outros tratamentos
Achado
Na maioria dos estudos revisados, o agulhamento seco foi combinado com exercícios, terapia manual ou outras modalidades; apenas um estudo testou a técnica isoladamente
Mito
É totalmente indolor e sem qualquer desconforto
Achado
A dor durante o procedimento e a sensibilidade local pós-agulhamento são esperadas e foram mencionadas nos estudos, embora geralmente toleráveis
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO MECÂNICO
A inserção da agulha no ponto-gatilho pode provocar uma resposta de contração local — um breve espasmo que sugere ativação do ponto correto. Mecanismo observado, mas ainda não totalmente compreendido.
ALTERAÇÃO BIOQUÍMICA LOCAL
Estudos sugerem redução de substância P (mediadora da dor) e aumento de β-endorfina no local, além de melhora da microcirculação e oxigenação tecidual. Estas mudanças são propostas, não diretamente comprovadas nesta revi
MODULAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO
A estimulação pode ativar mecanismos de controle da dor tanto periférica quanto centralmente, incluindo a teoria do portão e vias descendentes inibitórias. Interpretação teórica baseada em estudos de mecanismos, não dire
RESTAURAÇÃO FUNCIONAL
Com a redução da dor e do tônus muscular anormal, pode haver retorno de padrões de movimento mais adequados, embora a força e a rigidez muscular nem sempre melhorem conforme os estudos mostraram.
O que ainda é incerto
Avaliar a eficácia do agulhamento seco para dor miofascial no ombro em atletas de esportes overhead
145 atletas de 18-60 anos com pontos-gatilho miofasciais no ombro (vôlei, handebol, tênis)
Revisão de 6 estudos comparando agulhamento seco com outras terapias ou controle
Redução significativa da dor e melhora da função em curto prazo
Nenhum evento adverso relatado nos estudos incluídos
Achados Interessantes
FOCO ESPORTIVO ESPECÍFICO
Diferente de revisões anteriores sobre pescoço ou lombar, este trabalho concentrou-se exclusivamente em atletas de overhead, onde a demanda mecânica do ombro é única e intensa.
EFICÁCIA PRÉ-COMPETIÇÃO
A rapidez do efeito analgésico sugere potencial utilidade em momentos críticos da temporada, embora isso precise de mais estudos para ser recomendado rotineiramente.
AUSÊNCIA DE EVENTOS ADVERSOS
Em 145 atletas tratados, nenhum efeito colateral grave foi documentado, o que é tranquilizador, embora não exclua riscos raros em prática clínica mais ampla.
LACUNA DE PADRONIZAÇÃO
O estudo revelou mais o que ainda não se sabe do que o que está consolidado: número de sessões, músculos ideais, técnica de inserção e duração do efeito permanecem sem consenso.
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor no ombro é uma queixa extremamente comum entre atletas de esportes que exigem movimentos acima da cabeça, como vôlei, handebol, tênis, beisebol e natação. Esses movimentos explosivos e repetitivos, realizados milhares de vezes durante treinos e competições, sobrecarregam os músculos e tendões da região, criando condições ideais para o desenvolvimento de pontos-gatilho miofasciais — pequenas áreas de tensão dentro do músculo que causam dor local e, muitas vezes, irradiada. Estes pontos-gatilho podem reduzir a amplitude de movimento, alterar a postura e comprometer a força muscular, impactando diretamente o desempenho esportivo e a qualidade de vida do atleta.
Neste cenário, o agulhamento seco surge como uma técnica minimamente invasiva que utiliza agulhas finas, sem medicamentos, inseridas diretamente nos pontos-gatilho identificados. A revisão sistemática conduzida por Demeco e colaboradores, publicada em 2024 na revista Sports, buscou consolidar as evidências científicas disponíveis sobre a eficácia dessa técnica especificamente para atletas com dor miofascial no ombro. Para isso, os pesquisadores realizaram uma busca abrangente em três grandes bases de dados científicas — PubMed, Scopus e Web of Science — até março de 2024, aplicando critérios rigorosos de seleção.
Dos 399 artigos inicialmente identificados, apenas seis estudos preencheram todos os requisitos para inclusão, totalizando 145 atletas avaliados. A maioria dos participantes era composta por adultos jovens, entre 18 e 60 anos, com predomínio masculino (96 homens e 49 mulheres), praticantes de handebol, vôlei e tênis. Quatro dos seis estudos eram ensaios clínicos randomizados, considerados o padrão-ouro para avaliação de intervenções terapêuticas, enquanto dois eram estudos de caso. Essa predominância de desenhos robustos confere maior confiabilidade às conclusões da revisão.
Os protocolos de agulhamento seco variaram consideravelmente entre os estudos, refletindo a falta de padronização ainda existente na área. O número de sessões oscilou de uma única aplicação até três sessões, com intervalos que variaram de dois dias a uma semana entre elas. Os músculos mais frequentemente tratados foram o trapézio superior, o infraespinhal, o redondo maior e o subescapular — todos musculatura-chave para a estabilidade e mobilidade do ombro em atletas de arremesso. Em alguns estudos, o agulhamento seco foi aplicado isoladamente; em outros, combinado com terapia manual, exercícios de fortalecimento, alongamento ou crioterapia pós-exercício.
Os resultados, embora limitados ao curto prazo, foram consistentemente favoráveis. Todos os estudos que avaliaram dor — utilizando escalas validadas como a Escala Visual Analógica (EVA) e a Escala Numérica de Dor (END) — relataram reduções significativas após o agulhamento seco. Em alguns casos, a melhora foi observada imediatamente após uma única sessão, o que representa uma vantagem importante no contexto esportivo, onde o tempo de recuperação é crítico. A redução da dor foi acompanhada, em vários estudos, por melhorias na função do membro superior, medida pelo questionário DASH (Disabilities of the Arm, Shoulder and Hand), com quedas de 20 a 28 pontos em média — uma mudança clinicamente relevante para quem convive com limitações diárias.
Quanto à amplitude de movimento, os ganhos foram mais expressivos para a rotação interna do ombro, com incrementos de 13 a 23 graus em alguns estudos, além de melhorias na flexão e abdução. A rotação interna é especialmente importante para atletas de overhead, pois seu déficit — conhecido como GIRD (Glenohumeral Internal Rotation Deficit) — é um dos principais fatores de risco para lesões de ombro. Curiosamente, a força isométrica não mostrou melhorias consistentes, e um estudo que avaliou rigidez muscular não encontrou diferenças significativas, sugerindo que os mecanismos de ação do agulhamento seco podem ser mais complexos do que simples alterações mecânicas no tecido.
A segurança da técnica foi um ponto tranquilizador: nenhum evento adverso grave foi relatado nos estudos incluídos. O desconforto mais comum mencionado foi a dor durante a inserção da agulha e a sensibilidade local após o procedimento, que pode persistir por alguns dias. Um estudo observou que essa sensibilidade pós-agulhamento pode, paradoxalmente, reduzir a pressão de tolerância à dor no curto prazo, embora isso não tenha comprometido os resultados globais de alívio da dor. É importante ressaltar que, apesar da ausência de complicações graves nos estudos revisados, a técnica envolve riscos inerentes a qualquer procedimento invasivo, como sangramento local ou reações vasovagais, embora estas sejam descritas na literatura como raras e geralmente leves.
As limitações desta revisão são importantes para uma interpretação equilibrada. Primeiramente, o acompanhamento em todos os estudos foi curto, variando de imediato a duas semanas, o que impede qualquer conclusão sobre a durabilidade dos efeitos. Não se sabe se a melhora observada se mantém por meses ou se desaparece rapidamente, exigindo sessões repetidas. A heterogeneidade dos protocolos — número de sessões, músculos tratados, técnica de inserção, associação ou não com outras terapias — dificulta a determinação do regime ideal.
Além disso, a maioria dos estudos envolveu amostras pequenas, e dois deles incluíram apenas atletas de handebol do sexo masculino, limitando a generalização para outras modalidades e para atletas femininas. A ausência de grupos controle ou placebo em alguns estudos, e o fato de que em vários casos o agulhamento seco foi parte de um programa reabilitador mais amplo, dificultam isolar o efeito específico da técnica.
Do ponto de vista prático, esta revisão sugere que o agulhamento seco pode ser uma ferramenta útil no manejo da dor miofascial do ombro em atletas de esportes de overhead, especialmente quando o objetivo é obter alívio rápido da dor e melhoria funcional em curto prazo. Sua natureza livre de medicamentos é particularmente relevante no contexto esportivo, onde o uso de analgésicos e anti-inflamatórios é frequente e pode ter implicações para a saúde renal, gastrointestinal e cardiovascular, além de potencialmente interferir na adaptação muscular ao treinamento. No entanto, a evidência ainda não permite recomendar a técnica como tratamento isolado ou de primeira linha; o ideal é que ela seja integrada a um programa reabilitador abrangente, que inclua avaliação da core stability, correção de desequilíbrios musculares, exercícios específicos e, quando necessário, abordagem multidisciplinar. Pacientes interessados nesta abordagem devem discutir com seu médico se seu perfil se adequa às populações estudadas e se há profissionais adequadamente treinados disponíveis em sua região.
Agulhamento seco
75 pessoas
1-3 sessões com agulhas finas em pontos-gatilho
Controles diversos
70 pessoas
terapia manual, exercícios ou sem tratamento
Melhora na dor (escala visual)
Redução da incapacidade (DASH)
Aumento da amplitude de movimento
Estudos de qualidade excelente
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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