Participantes randomizados
45
15 em cada um dos 3 grupos do estudo
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
American Journal of Translational Research
Ano
2022
Autores
Anwar et al.
Desenho
estudo clínico randomizado
Este estudo comparou diferentes tratamentos para dor no músculo trapézio (pescoço e ombro). Descobriu-se que combinar ondas de choque com injeção de anestésico local nos pontos doloridos funciona melhor que usar apenas um tratamento. A combinação reduziu mais a dor e deixou o músculo menos rígido. Os tratamentos foram seguros, causando apenas vermelhidão leve e temporária.
Título original do estudo: Combined effectiveness of extracorporeal radial shockwave therapy and ultrasound-guided trigger point injection of lidocaine in upper trapezius myofascial pain syndrome
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Em adultos com dor miofascial crônica do trapézio superior, a combinação de ondas de choque com injeção de lidocaína guiada por ultrassom mostrou-se mais eficaz que ondas de choque isoladas ou tratamento convencional após quatro semanas, com boa tolerabilidade
Este estudo comparou diferentes tratamentos para dor no músculo trapézio (pescoço e ombro). Descobriu-se que combinar ondas de choque com injeção de anestésico local nos pontos doloridos funciona melhor que usar apenas um tratamento. A combinação reduziu mais a dor e deixou o músculo menos rígido. Os tratamentos foram seguros, causando apenas vermelhidão leve e temporária.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Para quem tem dor persistente no trapézio, juntar ondas de choque com injeção guiada de anestésico mostrou resultado melhor que cada tratamento sozinho em curto prazo
Ponto 1
Melhora da dor e rigidez muscular já na primeira semana, com resultado mais consistente em 4 semanas
Ponto 2
Procedimento seguro, com apenas vermelhidão leve temporária relatada como efeito adverso
Ponto 3
Ainda são necessários estudos maiores e de mais longa duração para confirmar se o benefício se mantém
O que este estudo acrescenta
Primeira pesquisa a combinar ondas de choque radial extracorpórea com injeção de lidocaína guiada por ultrassom para dor miofascial do trapézio superior, usando múltiplas ferramentas objetivas de avaliação simultâneas
Aplicabilidade clínica
A diferença entre o tratamento combinado e as ondas de choque isoladas foi consistente em múltiplas medidas (dor, função, rigidez), mas o efeito absoluto na escala de dor (aproximadamente 1 ponto a mais de redução) é mod
Força do desenho do estudo
Este é um estudo experimental onde os participantes foram divididos aleatoriamente em grupos, o que oferece maior confiança de que as diferenças observadas são realmente devido aos
Participantes randomizados
45
15 em cada um dos 3 grupos do estudo
Participantes que completaram
41
4 abandonos ao longo do estudo (aproximadamente 9%)
Sessões de tratamento ativo
3
Ondas de choque uma vez por semana; controle fez 2 semanas de tratamento convencional
Duração do acompanhamento
4 semanas
Avaliações na baseline, 1 semana e 4 semanas após início
Redução de dor no grupo combinado
~50%
De aproximadamente 6 para 3 pontos na escala visual analógica de 0-10
Ficha rápida do estudo
Condição
Síndrome da dor miofascial do trapézio superior
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado
Participantes
45 adultos (20-65 anos) com dor cervical crônica >3 meses e pontos-gatilho ativo
Duração
4 semanas de acompanhamento
Sessões
3 sessões de ondas de choque (1 por semana) no grupo combinado; 2 semanas de tra
Comparador
Cuidado padrão com calor e exercícios, e ondas de choque isoladas como comparador ativo
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
3 sessões totais
1 vez por semana
Não especificada para ondas de choque; injeção aplicada no mesmo dia sem interva
1. 000 pulsos de ondas de choque radiais por ponto-gatilho a 5 Hz e 1,2 bar; injeção de 3 ml de lidocaína 0,5% com 0,5% soro fisiológico guiada por ultrassom com agulha de 1,25 pole
Cuidado padrão: terapia com calor e exercícios em dias alternados por 2 semanas, mais orientações para alongamentos e co
Todos os grupos receberam orientação para exercícios em casa e correção postural; no grupo combinado, ambas as intervenções foram aplicadas no mesmo dia
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Intensidade da dor
reduziu significativamente
O grupo combinado teve maior redução na escala visual analógica do que o controle e o grupo de ondas de choque isoladas em 4 semanas
Capacidade funcional do pescoço
melhorou significativamente
NDI reduziu mais nos grupos ativos que no controle, com melhora progressiva apenas no grupo combinado entre 1 e 4 semanas
Rigidez elástica do músculo
reduziu significativamente
Sonoelastografia mostrou menor rigidez no grupo combinado já na 1ª semana, com redução progressiva até 4 semanas; grupo de ondas de choque só diferiu do controle em 4 semanas
Temperatura da pele sobre o músculo
diminuiu significativamente
Redução da temperatura em grupos de ondas de choque e combinado, interpretada como melhora da circulação e relaxamento muscular
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
1 semana
Primeira semana
O grupo combinado já mostrava redução significativa de dor e rigidez muscular em comparação ao controle; o grupo de ondas de choque isoladas ainda não diferia do controle na maiori
4 semanas
Quatro semanas
Todos os grupos ativos superaram o controle em dor e função, com vantagem estatística do combinado sobre as ondas de choque isoladas; melhora contínua da rigidez muscular apenas no
Antes e depois
Dor média (escala 0-10)
escala máx. 10 pontos
Dor média (escala 0-10)
escala máx. 10 pontos
Dor média (escala 0-10)
escala máx. 10 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Com a combinação de ondas de choque e injeção guiada, muitos pacientes podem esperar redução da dor e maior facilidade para movimentar o pescoço e ombros, com possível sensação de músculo menos tenso
Tempo provável
Primeiros sinais de melhora podem aparecer já na primeira semana; benefício mais consistente observado após 4 semanas
Este estudo acompanhou os participantes por apenas 4 semanas, então não se sabe quanto tempo a melhora dura; manutenção com exercícios e hábitos posturais prova
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Ondas de choque sozinhas são sempre suficientes para dor miofascial
Achado
As ondas de choque foram melhores que o tratamento convencional, mas a combinação com injeção de lidocaína mostrou resultados superiores em dor, função e rigidez muscular
Mito
Injeções em pontos-gatilho funcionam apenas como 'máscara' da dor
Achado
A injeção guiada por ultrassom, combinada com ondas de choque, foi associada a mudanças objetivas na rigidez do músculo medida por elastografia, sugerindo efeito estrutural além do analgésico imediato
Mito
Qualquer profissional pode fazer injeção em ponto-gatilho com os mesmos resultados
Achado
O estudo enfatiza o uso de ultrassom para guiar a injeção, visando precisão anatômica e segurança; a técnica cega não foi testada nesta pesquisa
Mito
Se a dor melhorar, o músculo está necessariamente funcionando melhor eletricamente
Achado
Apesar da melhora clínica, a eletromiografia de superfície não detectou mudanças na atividade elétrica muscular, indicando que nem toda melhora percebida se reflete em todos os parâmetros fisiológicos medidos
Como isso pode funcionar
LOCALIZAÇÃO PRECISA
O ultrassom identifica o ponto-gatilho no trapézio superior, que aparece como área alterada na imagem, permitindo aplicação exata tanto da injeção quanto das ondas de choque — mecanismo bem estabelecido clinicamente
INTERVENÇÃO QUÍMICA E MECÂNICA
A injeção de lidocaína pode bloquear temporariamente sinais dolorosos e, pelo efeito mecânico da agulha, ajudar a desfazer a contração sustentada das fibras musculares — mecanismo proposto, não totalmente comprovado
ESTÍMULO MECÂNICO DAS ONDAS DE CHOQUE
As ondas de choque radiais promovem estímulo mecânico que pode melhorar a circulação local, reduzir substâncias inflamatórias e estimular reparo tecidual — mecanismo sugerido por estudos prévios, com evidência moderada
SINERGIA PROPOSTA
A combinação teórica seria: a injeção proporciona alívio mais rápido e preciso, enquanto as ondas de choque mantêm e potencializam o efeito — esta sinergia é uma hipótese dos autores, ainda não confirmada por mecanismos
O que ainda é incerto
Avaliar se combinar ondas de choque com injeção em pontos-gatilho é mais eficaz que cada tratamento isolado para dor no músculo trapézio
45 pessoas com dor no pescoço e ombro por mais de 3 meses, com pontos-gatilho no trapézio superior
Três grupos: ondas de choque, tratamento combinado e cuidado padrão, avaliados por 4 semanas
Tratamento combinado reduziu mais a dor e rigidez muscular comparado aos outros grupos
Nenhum efeito adverso sério relatado, apenas leve vermelhidão local temporária
Achados Interessantes
MULTIMODALIDADE OBJETIVA
O estudo usou cinco ferramentas de avaliação diferentes simultaneamente — dor, função, rigidez muscular, temperatura da pele e atividade elétrica — algo incomum e que permite ver a condição por ângulos distintos
GUIAGEM POR IMAGEM COMO PADRÃO
A injeção foi feita sob ultrassom, não às cegas, elevando a precisão e a reprodutibilidade; isto reforça a tendência de que procedimentos em pontos-gatilho beneficiam-se de imagem em tempo real
RIGIDEZ MUSCULAR MENSURÁVEL
A sonoelastografia mostrou que o músculo ficou objetivamente menos rígido no grupo combinado, dando suporte físico à sensação de 'alívio da tensão' que pacientes relatam
LACUNA INESPERADA
Apesar da melhora clínica clara, a eletromiografia de superfície não capturou mudança alguma, sugerindo que nossa compreensão sobre como os pontos-gatilho respondem a tratamentos ainda está incompleta
Resumo detalhado em linguagem acessível
A síndrome da dor miofascial é uma das principais causas de dor no pescoço e ombro, especialmente em quem passa muitas horas sentado, dirigindo ou usando dispositivos eletrônicos. Nessa condição, aparecem pontos doloridos e tensos nos músculos — chamados pontos-gatilho — que podem irradiar dor, limitar movimentos e comprometer a qualidade de vida. O músculo trapézio superior, que liga o pescoço aos ombros, é particularmente vulnerável por sua função de sustentar a cabeça e estabilizar a região cervical.
Este estudo chinês, publicado em 2022 no American Journal of Translational Research, investigou uma abordagem combinada para esse problema: a aplicação de ondas de choque extracorpóreas radiais junto com injeção de anestésico local (lidocaína) nos pontos-gatilho, guiada por ultrassom. A pergunta central era simples e prática: será que juntar dois tratamentos conhecidos seria melhor do que usar cada um separadamente?
Para responder, os pesquisadores recrutaram 45 participantes com dor cervical crônica — definida como dor persistente há mais de três meses — e pelo menos um ou dois pontos-gatilho ativos no trapézio superior. Os critérios de exclusão foram rigorosos: não entraram no estudo pessoas com dor aguda, problemas na coluna cervical como hérnias, artrite, tumores ou fraturas, nem quem já estava fazendo outro tratamento fisioterápico ou tinha passado por cirurgia na coluna. Essa seleção cuidadosa ajuda a isolar o efeito dos tratamentos sobre a dor miofascial pura, sem confusão com outras condições estruturais.
Os participantes foram divididos aleatoriamente em três grupos de 15 pessoas cada. O primeiro grupo recebeu apenas terapia por ondas de choque: 1. 000 pulsos por ponto-gatilho, com frequência de 5 Hz e intensidade de 1,2 bar, aplicados uma vez por semana durante três semanas. O segundo grupo recebeu a mesma dose de ondas de choque, mas imediatamente antes era feita uma injeção de 3 ml de lidocaína a 0,5% no ponto-gatilho, guiada por ultrassom para garantir precisão.
O terceiro grupo, de controle, fez o tratamento convencional: terapia com calor e exercícios supervisionados, realizados em dias alternados durante duas semanas. Todos receberam orientações para exercícios em casa e correção postural.
As avaliações foram feitas antes do tratamento, após uma semana e após quatro semanas, usando cinco ferramentas diferentes: escala visual de dor (VAS), índice de incapacidade cervical (NDI), eletromiografia de superfície, termografia infravermelha e sonoelastografia por ondas de cisalhamento — esta última capaz de medir a rigidez elástica do músculo de forma objetiva. A combinação de tantos métodos de avaliação é um diferencial do estudo, pois vai além da simples pergunta "melhorou ou não? " e tenta capturar mudanças reais na estrutura e função muscular.
Os resultados mostraram que todos os grupos melhoraram em alguma medida, mas em ritmos e intensidades diferentes. Após uma semana, apenas o grupo combinado já apresentava redução significativa de dor em comparação ao controle. Após quatro semanas, tanto o grupo de ondas de choque isolado quanto o grupo combinado tinham menos dor que o controle, mas a redução era maior no grupo combinado — e essa diferença era estatisticamente significativa também em comparação ao grupo de ondas de choque sozinhas. Na prática, isso sugere que a injeção de lidocaína potencializou o efeito das ondas de choque.
A incapacidade funcional, medida pelo NDI, seguiu padrão semelhante: ambos os grupos ativos superaram o controle em uma e quatro semanas, com vantagem do combinado, que foi o único a mostrar melhora contínua entre a primeira e a quarta semana. A rigidez muscular, avaliada pela sonoelastografia, também cedeu mais no grupo combinado, com redução significativa já na primeira semana e progressão até o final do acompanhamento. A temperatura da pele sobre o músculo, medida por termografia, diminuiu nos grupos de ondas de choque e combinado — o que os autores interpretam como sinal de relaxamento muscular e melhora da circulação, com redução dos estímulos químicos que mantêm a dor.
Há, porém, um resultado negativo importante: a atividade elétrica muscular, medida por eletromiografia de superfície, não mudou em nenhum grupo. Os autores admitem que essa ferramenta pode não ser sensível o suficiente para capturar as alterações dos pontos-gatilho, sugerindo que estudos futuros deveriam usar eletromiografia de agulha, mais invasiva porém mais precisa para esse fim.
Sobre segurança, o estudo é tranquilizador: nenhum efeito adverso sério foi relatado em nenhum dos grupos. Alguns participantes do grupo combinado mencionaram vermelhidão leve e sensibilidade local após a injeção, mas esses sintomas foram temporários e autolimitados. As ondas de choque também têm perfil de segurança favorável, com eventuais relatos de dor durante a aplicação, vermelhidão ou pequenos hematomas em outros estudos.
As limitações do estudo devem ser consideradas com atenção. A amostra de 45 participantes é pequena, e apenas 41 completaram todas as avaliações. O acompanhamento de quatro semanas é curto para uma condição crônica — não sabemos se os benefícios se manteriam por meses. Além disso, faltou um quarto grupo que recebesse apenas a injeção de lidocaína, o que impediria saber se a vantagem do combinado vem da adição das ondas de choque ou se a injeção sozinha já seria superior.
A ausência de grupo com injeção falsa (placebo) também limita a interpretação sobre efeitos específicos versus expectativa.
Para pacientes com dor miofascial do trapézio superior, este estudo oferece uma mensagem prática: a combinação de ondas de choque com injeção guiada de anestésico local parece acelerar e potencializar a melhora da dor e da rigidez muscular, comparada tanto ao tratamento convencional quanto às ondas de choque isoladas. No entanto, trata-se de uma única pesquisa de pequeno porte e curta duração, que precisa ser confirmada por estudos maiores e com seguimento mais prolongado antes de se tornar recomendação definitiva. A decisão pelo tratamento combinado deve ser individualizada, considerando a gravidade dos sintomas, resposta a tratamentos anteriores, preferências do paciente e avaliação cuidadosa de contraindicações.
Ondas de choque
15 pessoas
Terapia por ondas de choque radial
Combinado
15 pessoas
Ondas de choque + injeção de lidocaína guiada por ultrassom
Controle
15 pessoas
Cuidado padrão (calor e exercícios)
Redução da dor (grupo combinado)
Melhora da incapacidade funcional
Redução da rigidez muscular
Diminuição da temperatura da pele
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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