Participantes do estudo
64
32 em cada grupo, randomizados
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Complementary Therapies in Medicine
Ano
2025
Autores
Vasvit et al.
Desenho
ensaio clínico randomizado
Este estudo avaliou uma nova técnica de ondas de choque focalizadas para tratar dor no pescoço e ombros em pessoas que trabalham muito no computador. O tratamento mostrou reduzir tanto a dor quanto a rigidez muscular de forma objetiva, medida por ultrassom. Os resultados sugerem que 4 sessões semanais podem ser eficazes, mas é importante considerar que mesmo o tratamento simulado teve alguns benefícios, possivelmente por efeito psicológico.
Título original do estudo: Therapeutic effect of focused-extracorporeal shockwave therapy on muscular and adjacent tissue stiffness and pain changes in myofascial pain syndrome: A randomized controlled trial study
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Ondas de choque focalizadas reduziram dor e rigidez muscular objetiva em trabalhadores de escritório com síndrome miofascial, com benefício perceptível já na primeira sessão, embora o efeito psicológico do tratamento também tenha influenciado resultados subjet
Este estudo avaliou uma nova técnica de ondas de choque focalizadas para tratar dor no pescoço e ombros em pessoas que trabalham muito no computador. O tratamento mostrou reduzir tanto a dor quanto a rigidez muscular de forma objetiva, medida por ultrassom. Os resultados sugerem que 4 sessões semanais podem ser eficazes, mas é importante considerar que mesmo o tratamento simulado teve alguns benefícios, possivelmente por efeito psicológico.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Estudo com trabalhadores de escritório mostrou redução de dor já na primeira sessão e diminuição objetiva da rigidez muscular ao longo de 4 semanas
Ponto 1
Benefício na dor parece mais rápido e consistente que tratamento simulado
Ponto 2
Rigidez muscular diminuiu de forma mensurável, não apenas pela sensação do paciente
Ponto 3
Mas ergonomia, exercícios e expectativas realistas continuam essenciais para resultado completo
O que este estudo acrescenta
Este estudo foi um dos primeiros a usar elastografia ultrassônica para demonstrar redução objetiva da rigidez tecidual com ondas de choque focalizadas especificamente em trabalhadores de escritório com síndrome miofascia
Aplicabilidade clínica
A redução de dor foi consistente e mais rápida que o placebo, com confirmação objetiva de mudança na rigidez tecidual. No entanto, o efeito funcional foi similar ao sham, a amostra foi moderada, e o mecanismo não está co
Força do desenho do estudo
Este é um estudo experimental em que participantes foram aleatoriamente distribuídos em grupos, com avaliadores cegos, oferecendo evidência de maior confiabilidade sobre causa e ef
Participantes do estudo
64
32 em cada grupo, randomizados
Redução da rigidez no ponto-gatilho
-6,1 kPa
Medida imediatamente após primeira sessão de ondas de choque focalizadas
Redução da rigidez na fascia inferior
-5,3 kPa
Após 4 semanas de tratamento
Idade média dos participantes
31 anos
Trabalhadores de escritório, faixa de 23 a 55 anos
Energia do tratamento ativo
0,1-0,232 mJ/mm²
Individualizada conforme tolerância de cada paciente
Ficha rápida do estudo
Condição
Síndrome miofascial do trapézio superior em trabalhadores de escritório
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado duplo-cego
Participantes
64 trabalhadores de escritório, idade média 31 anos, todos destros
Duração
4 semanas de tratamento, com acompanhamento até 4 semanas após início
Sessões
4 sessões semanais
Comparador
Tratamento simulado com energia subterapêutica
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
4 sessões
1 vez por semana
Não especificada; intervalo de 5-7 dias entre sessões
1. 200 choques focais no ponto-gatilho do trapézio superior, frequência 4 Hz, energia 0,1-0,232 mJ/mm² ajustada à tolerância
300 choques com energia subterapêutica (0,03 mJ/mm²), aparelho posicionado próximo mas não sobre o ponto-gatilho
Energia do grupo ativo foi individualizada conforme tolerância de dor de cada participante; após o estudo, ambos os grupos receberam orientações de exercícios e postura
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Dor no pescoço
reduziu
Queda significativa em todos os momentos no grupo ativo; diferença estatística versus simulado nas 3 primeiras sessões
Rigidez do ponto-gatilho
reduziu
Diminuição objetiva de 6,1 kPa na rigidez medida por elastografia, já após primeira sessão
Rigidez da fascia inferior
reduziu
Redução de 5,3 kPa após 4 semanas, indicando efeito tardio em estruturas adjacentes profundas
Função cervical (NDI)
melhorou
Ambos os grupos melhoraram igualmente, sugerindo forte componente de expectativa e percepção de dor
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
Imediato
Após 1ª sessão
Redução aguda da rigidez no ponto-gatilho (-6,1 kPa) e primeira queda significativa na dor (VAS)
Semanas 2-4
Ao longo das 4 semanas
Redução progressiva e mantida da dor no grupo ativo; grupo simulado só mostrou redução de dor nas semanas 3-4
Final do acompanhamento
Após 4 semanas
Redução tardia da rigidez na aponeurose inferior (-5,3 kPa), sugerindo efeito cumulativo em estruturas profundas
Antes e depois
Rigidez do ponto-gatilho (grupo ativo)
escala máx. 60 kPa
Rigidez da aponeurose inferior (grupo ativo)
escala máx. 45 kPa
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Muitos pacientes sentem redução da dor já na primeira sessão, com benefício acumulado ao longo de 4 semanas. A rigidez muscular objetiva também diminui, especialmente no ponto-gatilho. No entanto, a melhora funcional geral pode ocorrer mesm
Tempo provável
Primeiros sinais de alívio: imediatamente após a 1ª sessão; avaliação completa: 4 semanas
O tratamento não substitui cuidados com postura, pausas no trabalho e exercícios, e seus efeitos de longo prazo além de 4 semanas ainda não foram estudados nest
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Ondas de choque 'derretem' o nódulo muscular e curam a síndrome miofascial
Achado
O tratamento reduziu rigidez medida objetivamente, mas o mecanismo exato é desconhecido; não houve evidência de resolução completa do ponto-gatilho
Mito
Se a dor melhorou, a estrutura muscular necessariamente mudou
Achado
A melhora funcional (NDI) foi igual nos grupos ativo e simulado, e não houve correlação entre rigidez e intensidade da dor, sugerindo que percepção e estrutura não andam sempre juntas
Mito
Quanto mais sessões e mais energia, melhor o resultado
Achado
Este estudo usou apenas 4 sessões semanais com energia individualizada; a dose ótima ainda é desconhecida e precisa de mais pesquisa
Mito
O efeito placebo é irrelevante em dor miofascial
Achado
O grupo simulado também melhorou em dor e função nas semanas finais, mostrando que expectativa, atenção e cuidado são componentes reais e importantes do tratamento
Como isso pode funcionar
PENETRAÇÃO FOCAL
Ondas de choque focalizadas atingem estruturas profundas do músculo e fascia, diferente das ondas radiais mais superficiais — mecanismo de entrega confirmado, mas efeito biológico ainda em estudo
MODULAÇÃO DA DOR
Possível redução de substância P e inibição de nociceptores periféricos — hipótese baseada em estudos pré-clínicos e mecanismos propostos, não diretamente demonstrado neste ensaio
MUDANÇA NA MATRIZ EXTRACELULAR
Teoricamente, melhor drenagem de água ligada aos glicosaminoglicanos na fascia profunda, reduzindo rigidez — mecanismo proposto, ainda não confirmado causalmente neste estudo
COMPONENTE PSICOLÓGICO
Expectativa, atenção terapêutica e cuidado recebido influenciam percepção de dor e função — demonstrado pelo desempenho do grupo simulado, que também melhorou em alguns desfechos
O que ainda é incerto
Avaliar se ondas de choque focalizadas reduzem dor, rigidez e incapacidade em síndrome miofascial do trapézio superior
64 trabalhadores de escritório com dor miofascial no trapézio, idade média 31 anos
4 sessões semanais de ondas de choque focalizadas vs tratamento simulado, medindo dor e rigidez muscular
Redução significativa da dor em todos os momentos e diminuição da rigidez do ponto-gatilho
Tratamento bem tolerado sem eventos adversos relatados
Achados Interessantes
RIGIDEZ OBJETIVA MEDIIDA POR ULTRASSOM
Diferente de estudos anteriores que se baseavam apenas em relatos de dor, este usou elastografia para mostrar que a rigidez real do músculo e fascia mudou após o tratamento
EFEITO DIFERENCIADO NO TEMPO
O ponto-gatilho respondeu rapidamente (após 1ª sessão), enquanto a fascia profunda levou 4 semanas para mostrar mudança, sugerindo que diferentes estruturas têm cronogramas de resposta distintos
O PLACEBO TAMBÉM FUNCIONOU — E ISSO É INFORMAÇÃO
O grupo simulado melhorou em dor e função, lembrando que cuidado, atenção e expectativa são componentes legítimos e poderosos de qualquer tratamento, não algo a ser ignorado
FOCO EM QUEM TRABALHO NO COMPUTADOR
A amostra específica de trabalhadores de escritório torna os resultados mais aplicáveis a esse perfil, embora limite a generalização para outros tipos de paciente
Resumo detalhado em linguagem acessível
A síndrome miofascial é uma condição dolorosa extremamente comum entre quem trabalha longas horas sentado, especialmente em frente ao computador. Caracteriza-se pela presença de pontos-gatilho sensíveis em músculos — no caso deste estudo, o trapézio superior, região do pescoço e ombro — que causam dor local, tensão e limitação funcional. Para quem convive com esse problema, a busca por tratamentos eficazes e não invasivos é constante, e a terapia por ondas de choque extracorpóreas tem ganhado atenção nos últimos anos.
Este estudo, conduzido na Tailândia e publicado em 2025, investigou especificamente uma modalidade chamada ondas de choque focalizadas (fESWT, na sigla em inglês). Diferente das ondas de choque radiais, que dispersam energia de forma mais superficial, as ondas focalizadas penetram mais profundamente no tecido, o que teoricamente permitiria atingir pontos-gatilho e fascias profundas com maior precisão. Os pesquisadores queriam saber: será que essa tecnologia conseguiria, de fato, reduzir a rigidez muscular medida de forma objetiva, além de aliviar a dor e melhorar a função?
Para responder a essa pergunta, 64 trabalhadores de escritório foram recrutados — todos com diagnóstico de síndrome miofascial ativa no trapézio superior, com idade média de aproximadamente 31 anos. O estudo foi randomizado e duplo-cego, o que significa que nem os participantes nem os avaliadores sabiam quem recebia o tratamento verdadeiro ou o simulado. Essa é uma das formas mais robustas de se testar uma intervenção, pois reduz vieses de expectativa tanto de pacientes quanto de pesquisadores.
Os participantes foram divididos em dois grupos iguais de 32 pessoas. O grupo ativo recebeu quatro sessões semanais de fESWT, com 1. 200 choques por sessão, frequência de 4 Hz e densidade de energia entre 0,1 e 0,232 mJ/mm² — ajustada conforme a tolerância de cada um. O grupo controle recebeu um tratamento simulado: o aparelho era posicionado próximo, mas não diretamente sobre o ponto-gatilho, com apenas 300 choques e energia muito baixa (0,03 mJ/mm²), abaixo do limiar terapêutico conhecido.
Ambos os grupos foram avaliados no início, imediatamente após cada sessão, e depois com duas e quatro semanas de seguimento.
Os resultados trouxeram informações valiosas. Em termos de dor, medida pela escala visual analógica (de 0 a 10), o grupo que recebeu ondas de choque verdadeiras mostrou redução significativa em todos os momentos avaliados — ou seja, já após a primeira sessão, e mantendo a melhora ao longo das quatro semanas. O grupo simulado, curiosamente, também apresentou redução de dor, mas apenas nas duas últimas semanas do estudo, e manteve níveis mais altos de dor comparado ao grupo ativo nas primeiras três sessões. Esse padrão sugere que o efeito do tratamento verdadeiro foi mais rápido e consistente, embora o efeito psicológico do "receber algum cuidado" tenha também influenciado a percepção de dor no grupo controle.
O achado central do estudo, porém, foi a medição objetiva da rigidez tecidual por elastografia ultrassônica — uma tecnologia que permite "enxergar" quão rígido está um músculo ou fascia. No ponto-gatilho, o grupo ativo teve redução aguda de 6,1 kPa na rigidez (medida de shear modulus), já após a primeira sessão. Na fascia inferior (aponeurose inferior do trapézio), a redução de 5,3 kPa apareceu de forma mais tardia, após as quatro semanas. Esses números representam uma mudança mensurável e objetiva na propriedade mecânica do tecido, não apenas uma sensação subjetiva de alívio.
É importante notar que no grupo simulado, a rigidez da aponeurose superior chegou a aumentar no acompanhamento de duas semanas, sugerindo que a mera passagem do tempo, sem tratamento efetivo, pode não ser suficiente — e que o tratamento ativo pareceu conter uma progressão da rigidez.
Quanto à função, avaliada pelo Neck Disability Index (NDI), ambos os grupos melhoraram após as quatro sessões, sem diferença estatística entre eles. Os autores interpretam que essa melhora funcional pode estar mais ligada à percepção de alívio da dor do que a mudanças estruturais mensuráveis na rigidez muscular, especialmente considerando que o grupo simulado também evoluiu bem nesse aspecto.
Do ponto de vista prático, o que isso significa para alguém com dor miofascial relacionada ao trabalho? Primeiro, que a terapia por ondas de choque focalizadas parece oferecer benefício real e mensurável, tanto na dor quanto na rigidez muscular objetiva, com resposta que pode ser percebida já na primeira sessão. Isso pode ser relevante para quem precisa retomar atividades laborais rapidamente. Segundo, que quatro sessões semanais constituem um protocolo factível e relativamente curto.
Terceiro, que o tratamento foi bem tolerado, sem eventos adversos relatados no estudo.
No entanto, há limitações importantes a considerar. O estudo não acompanhou fatores como carga de trabalho, postura ergonomica, nível de atividade física ou prática de exercícios pelos participantes — variáveis que certamente influenciam a dor miofascial. A amostra de 64 pessoas, embora adequada para um estudo piloto, não permite generalizações amplas. Além disso, todos os participantes eram trabalhadores de escritório tailandeses, predominantemente destros, com idade em torno dos 30 anos; não se sabe se os resultados se aplicariam a outras faixas etárias, profissões ou perfis de dor mais intensa.
O efeito placebo também foi expressivo — o grupo simulado melhorou em dor e função —, o que reforça que a expectativa e o cuidado recebido são componentes poderosos do tratamento da dor.
Outro ponto de prudência: os autores destacam que o mecanismo exato pelo qual as ondas de choque reduzem a rigidez ainda não está completamente elucidado. Há hipóteses sobre destruição seletiva de fibras sensoriais não mielinizadas, redução de substância P (mediador de dor), aumento da permeabilidade da membrana celular, efeitos na matriz extracelular com melhor drenagem de água ligada aos glicosaminoglicanos, e até modulação das propriedades mecânicas da fascia profunda onde passam ramos cutâneos dos nervos espinhais. Mas esses mecanismos permanecem em grande parte teóricos ou baseados em estudos pré-clínicos, não confirmados diretamente neste ensaio clínico.
Em síntese, este estudo oferece evidência moderada e promissora de que a terapia por ondas de choque focalizadas pode reduzir dor e rigidez muscular em trabalhadores de escritório com síndrome miofascial do trapézio superior, com efeito que parece ser mais rápido e objetivamente mensurável que um tratamento simulado. Não é uma cura definitiva, não substitui cuidados com ergonomia, exercícios e postura, e não é isento do componente psicológico inerente a qualquer intervenção terapêutica. Mas representa mais uma ferramenta no arsenal de tratamentos não farmacológicos para uma condição que aflige milhões de pessoas no ambiente de trabalho moderno. Como sempre, a decisão de utilizar essa terapia deve ser individualizada, considerando o perfil de cada paciente, a disponibilidade da tecnologia, o custo e, principalmente, uma avaliação cuidadosa por um profissional de saúde qualificado.
Ondas de choque focalizadas
32 pessoas
4Hz, 0,1-0,232 mJ/mm², 1200 choques
Tratamento simulado
32 pessoas
4Hz, 0,03 mJ/mm², 300 choques
Redução da rigidez no ponto-gatilho
Redução da rigidez na aponeurose inferior
Melhora na dor (VAS)
Melhora funcional (NDI)
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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