n de pacientes randomizados
70
34 ondas de choque, 36 placebo; meta original era 120
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
BMC Musculoskeletal Disorders
Ano
2025
Autores
Ogbeivor et al.
Desenho
ensaio clínico randomizado
Ambos os grupos apresentaram melhora clinicamente significativa na dor e sensibilidade muscular. Isso sugere que os exercícios podem ter um papel importante no tratamento, e as ondas de choque podem ser usadas como complemento seguro ao cuidado padrão.
Título original do estudo: The effectiveness of radial shockwave therapy on myofascial pain syndrome: a two-armed, randomized double-blind placebo-controlled trial
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Ondas de choque radiais somadas a exercícios não superaram placebo somado aos mesmos exercícios para dor miofascial cervical: ambos melhoraram igualmente, sugerindo que os exercícios terapêuticos são provavelmente o componente ativo mais importante do tratamen
Ambos os grupos apresentaram melhora clinicamente significativa na dor e sensibilidade muscular. Isso sugere que os exercícios podem ter um papel importante no tratamento, e as ondas de choque podem ser usadas como complemento seguro ao cuidado padrão.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Neste estudo, quem fez ondas de choque + exercícios melhorou igual a quem fez placebo + exercícios. A melhora veio, mas provavelmente dos exercícios.
Ponto 1
Faça os exercícios terapêuticos com consistência — eles parecem ser o que realmente ajuda
Ponto 2
Ondas de choque são seguras, mas não se espera milagre da tecnologia sozinha
Ponto 3
Converse com seu médico sobre expectativas realistas e prazo para reavaliação
O que este estudo acrescenta
Este é um dos primeiros ensaios rigorosos com placebo psicologicamente convincente (mesmo som, aparência idêntica) para ondas de choque radiais em dor miofascial cervical, mostrando que resultados anteriores positivos po
Aplicabilidade clínica
A diferença entre os grupos foi inexistente ou mínima; a melhora observada parece atribuível principalmente aos exercícios e ao efeito placebo, não à energia das ondas de choque em si. O valor prático está em reforçar a
Força do desenho do estudo
Este é um dos desenhos de estudo mais confiáveis para avaliar tratamentos, pois compara grupos equivalentes de forma imparcial, embora limitações de tamanho amostral e perdas de se
n de pacientes randomizados
70
34 ondas de choque, 36 placebo; meta original era 120
redução de dor no placebo
3,6 pontos
na escala 0-10, superando a meta de melhora mínima de 2 pontos
redução de dor nas ondas de choque
2,3 pontos
também clinicamente significativa, mas inferior ao placebo
sessões de tratamento
6
uma por semana, com exercícios diários em casa
perda de seguimento
29%
20 dos 70 participantes não completaram as avaliações
Ficha rápida do estudo
Condição
Síndrome de dor miofascial no pescoço e parte superior das costas
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo
Participantes
70 adultos (34 no grupo ondas de choque, 36 no placebo), maioria do sexo masculi
Duração
12 semanas de acompanhamento após 6 sessões de tratamento
Sessões
6 sessões semanais
Comparador
Placebo ativo com som idêntico e dose subterapêutica de 0,3 bar
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
6 sessões no total
1 vez por semana
Consulta inicial de 45 minutos; sessões de acompanhamento de 30 minutos
Aplicação direta sobre pontos-gatilho identificados por resposta de salto, usando transdutor de 20 mm; 2000 pulsos a 15 Hz e 1,5 bar no grupo ativo, 0,3 bar no placebo
Placebo com mesmo som, aparência e protocolo de exercícios, mas energia subterapêutica
Ambos os grupos receberam idêntico programa de alongamentos e exercícios para casa, incluindo gato-camelo, deslizamento de braço na parede, flexões adaptadas e rotação cervical (10
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Intensidade da dor
melhorou em ambos os grupos
Redução de 2,3 a 3,6 pontos na escala 0-10, considerada clinicamente significativa (meta de 2 pontos)
Limiar de pressão dolorosa
melhorou em ambos os grupos
Aumento de aproximadamente 0,5-0,6 kg/cm² na tolerância à pressão sobre pontos-gatilho
Incapacidade cervical
melhorou principalmente no placebo
Placebo: melhora em todos os momentos; ondas de choque: apenas nas primeiras 4 semanas
Qualidade de vida física
melhorou no grupo placebo
Ganho significativo no SF-12 físico entre 8 e 12 semanas apenas no grupo controle
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
4 semanas
Primeira avaliação
Ambos os grupos já mostravam redução significativa na dor e melhora no limiar de pressão dolorosa
8 semanas
Segunda avaliação
Melhora sustentada na dor e pressão dolorosa; grupo placebo mostrou ganho adicional em qualidade de vida física
12 semanas
Avaliação final
Melhora máxima no grupo placebo (3,6 pontos de redução de dor); melhora persistente mas menor no grupo ondas de choque (2,3 pontos)
Antes e depois
Dor (escala 0-10) — Grupo ondas de choque
escala máx. 10 pontos
Dor (escala 0-10) — Grupo placebo
escala máx. 10 pontos
Limiar de pressão dolorosa — Grupo ondas de choque
escala máx. 5 kg/cm²
Limiar de pressão dolorosa — Grupo placebo
escala máx. 5 kg/cm²
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Você pode experimentar redução da dor e maior tolerância à pressão muscular, especialmente se combinado com exercícios regulares. Porém, o estudo sugere que essa melhora pode ocorrer independentemente do uso das ondas de choque em dose tera
Tempo provável
Alguma melhora pode aparecer já nas primeiras 4 semanas; o pico de benefício no placebo ocorreu entre 8 e 12 semanas
Os resultados individuais variam, e a evidência atual não permite afirmar que as ondas de choque acrescentam benefício além dos exercícios e do efeito placebo
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Ondas de choque são claramente superiores a placebo para dor miofascial
Achado
O estudo não encontrou diferença significativa entre ondas de choque terapêuticas e placebo de baixa energia quando ambos foram combinados com exercícios
Mito
A tecnologia sozinha resolve a dor miofascial
Achado
A melhora ocorreu em ambos os grupos, sugerindo fortemente que os exercícios terapêuticos e possivelmente o efeito placebo são responsáveis principais pela melhora
Mito
Quanto mais energia, melhor o resultado
Achado
O grupo com dose mais alta (1,5 bar) não superou o grupo com dose mínima (0,3 bar); na verdade, o grupo placebo teve tendência a melhor desfechos em algumas medidas
Mito
O tratamento é rápido e não requer esforço do paciente
Achado
Foram necessárias 6 sessões semanais mais exercícios domiciliares regulares, e a melhora máxima só se observou após 12 semanas
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO MECÂNICO
O dispositivo emite ondas acústicas que penetram na pele e atingem os tecidos musculares — o mecanismo exato de ação na dor miofascial ainda não é completamente compreendido
EFEITOS PROPOSTOS
Teoricamente, poderia aumentar o fluxo sanguíneo local, modular substâncias relacionadas à dor e promover mudanças microestruturais, mas estes efeitos não foram confirmados como clinicamente relevantes neste estudo
COMPONENTE PLACEBO
O som e a sensação do procedimento podem ativar mecanismos de modulação da dor no sistema nervoso central — este componente parece ter contribuído substancialmente para a melhora observada
EXERCÍCIOS TERAPÊUTICOS
O componente mais robustamente associado à melhora: movimentação regular, fortalecimento e alongamento dos músculos cervicais e escapulares
O que ainda é incerto
Comparar ondas de choque radiais com placebo para dor miofascial no pescoço e parte superior das costas
70 adultos com síndrome de dor miofascial no pescoço e parte superior das costas
Ambos os grupos melhoraram igualmente na dor e limiar de pressão dolorosa
Apenas 2 pacientes relataram sensibilidade temporária, sem eventos adversos graves
Achados Interessantes
PLACEBO BEM ENGANOSO
Os pesquisadores criaram um placebo com som idêntico e aparência idêntica, difícil de distinguir do tratamento real — isso eleva a qualidade da evidência e sugere que estudos anteriores menos rigorosos podem ter superest
EXERCÍCIOS COMO PILAR
Pela primeira vez em um desenho duplo-cego robusto, a evidência aponta que o programa de exercícios terapêuticos, não a energia das ondas de choque, pode ser o verdadeiro motor da recuperação na dor miofascial cervical
MELHORA DURADOURA, MAS NÃO ESPECÍFICA
A melhora se manteve por 12 semanas em ambos os grupos, o que é clinicamente relevante — mas como ocorreu igualmente com placebo, abre questões sobre como alocar recursos de forma mais eficiente no tratamento
Resumo detalhado em linguagem acessível
A síndrome de dor miofascial é uma condição extremamente prevalente, estimada em afetar entre 30% e 93% das pessoas que experimentam dor musculoesquelética ao longo da vida, com especial incidência na região do pescoço e ombros. Caracteriza-se pela presença de pontos-gatilho musculares dolorosos e hiperirritáveis, que podem causar dor localizada, tensão muscular, distúrbios do sono, limitação funcional e impacto significativo na qualidade de vida e na capacidade de trabalho. Diante da multiplicidade de tratamentos disponíveis — que incluem desde massagens e laser de baixa intensidade até injeções e terapias manuais — ainda não existe consenso claro sobre qual abordagem oferece melhores resultados, o que motiva a busca contínua por evidências de alta qualidade para orientar as decisões clínicas. Neste contexto, a terapia por ondas de choque radiais tem ganhado atenção como opção não invasiva.
O dispositivo emite pulsos acústicos que se propagam pela pele em direção aos tecidos afetados, com a proposta de estimular a circulação local, modificar a sinalização da dor e promover reparação tecidual através de mecanismos que incluem aumento do fluxo sanguíneo, alterações microestruturais e liberação de substâncias como substância P e prostaglandina E2. Apesar de sua popularidade crescente, os estudos anteriores apresentavam limitações metodológicas importantes: amostras pequenas, ausência de grupos placebo adequados, falta de seguimento em médio prazo e heterogeneidade nos protocolos de aplicação. O estudo de Ogbeivor e colaboradores, publicado em 2025 na BMC Musculoskeletal Disorders, foi desenhado especificamente para preencher essa lacuna com rigor científico. Trata-se de um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, considerado o padrão-ouro para avaliar intervenções terapêuticas.
Foram recrutados 70 adultos com diagnóstico de síndrome de dor miofascial no pescoço e parte superior das costas, todos com pontos-gatilho palpáveis confirmados por resposta de contração local, dor persistente e idade igual ou superior a 19 anos. Os critérios de exclusão foram cuidadosos, excluindo condições que pudessem confundir os resultados, como histórico de câncer, uso de anticoagulantes, implantes metálicos, cirurgia recente na região, fibromialgia, radiculopatia cervical, gravidez e diversas doenças sistêmicas. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: 34 receberam ondas de choque radiais em dose terapêutica (1,5 bar, equivalente a 0,068 mJ/mm², com 2000 pulsos a 15 Hz, aplicados com transdutor de 20 mm diretamente sobre os pontos-gatilho identificados) e 36 receberam placebo (0,3 bar, ou 0,01 mJ/mm², uma dose considerada não terapêutica, embora ainda produzisse som para manter a credibilidade psicológica do procedimento). A randomização foi realizada por computador com blocos permutados e alocação oculta em envelopes selados, e tanto os participantes quanto os avaliadores de desfechos permaneceram cegos ao longo de todo o estudo.
Ambos os grupos realizaram o mesmo protocolo de alongamentos e exercícios terapêuticos, incluindo movimentos como gato-camelo em posição de quadrúpede, deslizamento de braço na parede, flexões adaptadas (de parede, modificadas no chão e padrão conforme tolerância), rotação cervical e adução horizontal de ombros. Cada exercício era realizado em 10 a 15 repetições, 2 séries, 3 a 4 vezes por semana em casa. O tratamento compreendeu seis sessões semanais de 30 minutos, com avaliações realizadas no início e após 4, 8 e 12 semanas. Os desfechos primários incluíram escala numérica de dor de 0 a 10, índice de incapacidade cervical (NDI, de 0 a 50 pontos), limiar de pressão dolorosa medido com algômetro digital e qualidade de vida pelo SF-12 (aspectos físicos e mentais).
Os resultados revelaram uma surpresa importante: ambos os grupos melhoraram significativamente, mas de maneira praticamente equivalente. Na escala numérica de dor, o grupo placebo reduziu a dor em média 2,4 pontos até a 4ª semana, 2,6 pontos até a 8ª semana e 3,6 pontos até a 12ª semana, todas com significância estatística. O grupo de ondas de choque reduziu 1,9, 2,1 e 2,3 pontos nos mesmos intervalos, também significativos, mas numericamente inferiores ao placebo em todos os momentos. A diferença entre os grupos não atingiu significância estatística em nenhum ponto, exceto um valor isolado de p = 0,047 na comparação da redução de dor entre 0 e 12 semanas, que deve ser interpretado com cautela dada a multiplicidade de comparações.
O limiar de pressão dolorosa melhorou aproximadamente 0,5 a 0,6 pontos em ambos os grupos de forma semelhante. Quanto à incapacidade cervical, o grupo placebo mostrou melhora consistente e significativa em todos os momentos (6,5 pontos às 4 semanas, 6,1 às 8 semanas e 8,2 às 12 semanas), enquanto o grupo de ondas de choque apresentou melhora significativa apenas nas primeiras 4 semanas (5,6 pontos), perdendo a significância nas avaliações posteriores. A qualidade de vida física, medida pelo SF-12, melhorou significativamente no grupo placebo entre 8 e 12 semanas, sem alteração correspondente no grupo ativo. Nenhuma característica basal como idade, sexo ou duração dos sintomas predisse os resultados.
A interpretação desses achados exige cautela e consideração de múltiplos fatores. A melhora expressiva no grupo placebo pode refletir o efeito placebo propriamente dito, a resposta natural da condição ao longo do tempo, e especialmente os exercícios terapêuticos realizados por todos os participantes, que podem ter sido o verdadeiro motor da recuperação. Os autores levantam a hipótese de que até mesmo a dose muito baixa de 0,3 bar possa ter tido algum efeito fisiológico mínimo, citando estudo que mostrou melhora na elasticidade muscular com 0,03 mJ/mm² em atletas saudáveis, embora isso não esteja confirmado para pacientes com dor miofascial. Também discutem influências culturais: em contextos como a Arábia Saudita, pacientes podem ter expectativas mais positivas em relação a tratamentos tecnológicos, potencialmente amplificando respostas placebo.
A taxa de abandono de 29% — substancialmente mais alta que a prevista de 20% — e a amostra final menor que o planejado (70 em vez de 120 participantes calculados para 90% de poder) reduzem a precisão das estimativas e aumentam a incerteza sobre conclusões definitivas, especialmente a possibilidade de um falso negativo por insuficiência de poder estatístico. Do ponto de vista da segurança, a terapia por ondas de choque radiais foi confirmada como bem tolerada: apenas dois pacientes no grupo ativo relataram sensibilidade temporária no local, sem eventos adversos graves ou desistências por causa de efeitos colaterais. Um participante do grupo placebo interrompeu o tratamento por aumento da dor, mas este evento não foi atribuído diretamente à intervenção. Para o paciente, o que este estudo oferece de mais relevante é a evidência de que os exercícios terapêuticos desempenham papel central na recuperação, independentemente do uso do dispositivo de ondas de choque.
A melhora clinicamente significativa observada em ambos os grupos — especialmente a redução de mais de 2 pontos na escala de dor e o ganho no limiar de pressão dolorosa — sugere que a abordagem conservadora com movimentação regular é fundamental.
Ondas de choque
34 pessoas
1,5 bar (0,068 mJ/mm²), 2000 pulsos, 15 Hz + exercícios
Placebo
36 pessoas
0,3 bar (0,01 mJ/mm²) + exercícios idênticos
Melhora na dor (ondas de choque)
Melhora na dor (placebo)
Melhora no limiar de dor (ondas de choque)
Diferença entre grupos em 12 semanas
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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