Participantes do estudo
60
29 completaram HILT, 30 completaram LILT
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Archives of Rheumatology
Ano
2020
Autores
Kaydok et al.
Desenho
ensaio clínico randomizado
Este estudo mostrou que tanto o laser de alta quanto o de baixa intensidade são tratamentos seguros e eficazes para o cotovelo de tenista. Ambos reduziram significativamente a dor e melhoraram a função do braço em apenas 3 semanas. O laser de alta intensidade teve resultados ligeiramente superiores na força de preensão e nas atividades diárias, mas a diferença não foi grande. A escolha entre os dois pode depender da disponibilidade e preferência do profissional.
Título original do estudo: Short-Term Efficacy Comparison of High-Intensity and Low-Intensity Laser Therapy in the Treatment of Lateral Epicondylitis: A Randomized Double-Blind Clinical Study
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Laser de alta e baixa intensidade são ambos seguros e eficazes para cotovelo de tenista em curto prazo, com leve vantagem do alta intensidade na força de preensão e função física, embora a diferença na dor não tenha sido estatisticamente significativa.
Este estudo mostrou que tanto o laser de alta quanto o de baixa intensidade são tratamentos seguros e eficazes para o cotovelo de tenista. Ambos reduziram significativamente a dor e melhoraram a função do braço em apenas 3 semanas. O laser de alta intensidade teve resultados ligeiramente superiores na força de preensão e nas atividades diárias, mas a diferença não foi grande. A escolha entre os dois pode depender da disponibilidade e preferência do profissional.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Alta e baixa intensidade reduzem dor e melhoram função em 3 semanas; o de alta intensidade pode ter leve vantagem na força do aperto
Ponto 1
Ambos os lasers são seguros e eficazes para reduzir dor e melhorar o uso do braço
Ponto 2
O tratamento exige 9 sessões em 3 semanas, com bandagem e exercícios em casa
Ponto 3
A diferença entre os dois não é grande; a escolha pode depender da disponibilidade na sua região
O que este estudo acrescenta
Este foi o primeiro ensaio clínico randomizado a comparar diretamente laser de alta versus baixa intensidade especificamente para cotovelo de tenista, preenchendo uma lacuna de mais de uma década na literatura sobre lase
Aplicabilidade clínica
A diferença entre os lasers foi estatisticamente significativa em alguns domínios, mas modesta em magnitude prática. Ambos produziram melhora clinicamente importante, e a escolha pode depender mais de disponibilidade e c
Força do desenho do estudo
Este é um estudo experimental onde os participantes foram divididos aleatoriamente em grupos, o que oferece boa proteção contra vieses de seleção e é considerado um dos melhores de
Participantes do estudo
60
29 completaram HILT, 30 completaram LILT
Redução da dor com HILT
59,7%
queda relativa na escala EVA após 3 semanas
Redução da dor com LILT
53,5%
queda relativa na escala EVA após 3 semanas
Diferença de força entre grupos
4,8 kg
27,3 kg (HILT) versus 22,5 kg (LILT) após tratamento
Efeitos adversos
0
nenhum evento adverso relatado em qualquer grupo
Ficha rápida do estudo
Condição
Epicondilite lateral (cotovelo de tenista)
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado duplo-cego
Participantes
60 adultos (44 mulheres, 16 homens), média de 44 anos, dor unilateral há pelo me
Duração
3 semanas de tratamento, sem seguimento posterior
Sessões
9 sessões de laser, 3 por semana
Comparador
Comparação direta entre dois tipos de laser ativos, sem grupo placebo
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
9 sessões totais
3 vezes por semana
Variável: 75 segundos nas 3 primeiras sessões (HILT) ou 30 segundos por ponto (L
HILT: movimentos circulares contínuos sobre a área mais dolorosa da epicôndilo lateral, em 2 fases (analgesia + bioestimulação); LILT: 6 pontos de aplicação sobre a face lateral da
Laser de baixa intensidade (904 nm, 240 mW) versus laser de alta intensidade (1064 nm, 8W)
Ambos os grupos usaram bandagem para epicondilite e realizaram exercícios de fortalecimento dos extensores do punho durante o período de tratamento
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Dor em repouso
melhorou significativamente
EVA caiu de ~7,2 para ~2,9 (HILT) e de ~7,1 para ~3,3 (LILT) — melhora de cerca de 60% e 54%
Força de preensão manual
melhorou em ambos, mais no HILT
HILT: de 21,4 para 27,3 kg; LILT: de 19,2 para 22,5 kg — diferença entre grupos foi significativa
Função do membro superior
melhorou em ambos, mais no HILT
QDASH caiu de ~55 para ~24 (HILT) versus de ~59 para ~30 (LILT) — menores escores indicam melhor função
Qualidade de vida física
melhorou em ambos, mais no HILT
SF-36 componente físico subiu de ~38,6 para ~63,2 (HILT) versus de ~38,2 para ~59,4 (LILT)
Qualidade de vida mental
melhorou igualmente nos dois grupos
SF-36 componente mental: ~43 para ~60 (HILT) e ~41 para ~59 (LILT), sem diferença significativa entre grupos
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
3 semanas
Após 9 sessões (3 semanas)
Ambos os grupos mostraram melhora significativa em dor, função, força e qualidade de vida ao final do tratamento
3 semanas
Tendência de diferença entre grupos
Vantagem estatística do HILT apareceu apenas na força de preensão, QDASH e SF-36 físico, não na dor
Antes e depois
Dor (EVA 0-10)
escala máx. 10 pontos
Força de preensão (HILT, kg)
escala máx. 35 kg
Função do braço (QDASH)
escala máx. 100 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Redução da dor em aproximadamente 50-60% e melhora da função do braço após 9 sessões de laser combinadas com bandagem e exercícios, com possível vantagem do laser de alta intensidade na força e nas atividades diárias
Tempo provável
As melhorias se acumulam ao longo de 3 semanas de tratamento regular; não há dados sobre duração do efeito além desse pe
A diferença entre os dois tipos de laser não é dramática, e ambos podem ser opções válidas dependendo da disponibilidade; a condição pode precisar de manejo con
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Laser de alta intensidade é muito melhor que o de baixa intensidade para dor
Achado
Ambos reduziram a dor de forma similar; a vantagem do alta intensidade foi em força e função, não em alívio da dor
Mito
Cotovelo de tenista é uma inflamação que precisa de anti-inflamatório
Achado
Trata-se de degeneração tendínea por uso excessivo, não inflamação aguda; o laser age por mecanismos de reparo e analgesia, não apenas anti-inflamatórios
Mito
Basta uma ou duas sessões de laser para resolver
Achado
O protocolo estudado exigiu 9 sessões em 3 semanas para obter resultados; consistência e tempo são importantes
Mito
Laser sozinho é suficiente
Achado
No estudo, o laser foi sempre combinado com bandagem compressiva e exercícios; não se sabe o efeito do laser isolado
Como isso pode funcionar
FOTOBIOESTIMULAÇÃO
A luz laser penetra nos tecidos e pode estimular a produção de ATP mitocondrial, acelerando o metabolismo celular — mecanismo mais associado ao laser de baixa intensidade
EFEITO TÉRMICO E CIRCULATÓRIO
O laser de alta intensidade gera calor controlado que pode aumentar o fluxo sanguíneo local e a permeabilidade vascular, facilitando a remoção de substâncias dolorosas — mecanismo proposto, não totalmente confirmado
ESTÍMULO DE REPARO TECIDUAL
Ambos os tipos de laser podem promover a proliferação de tenócitos e síntese de colágeno, auxiliando na regeneração do tendão degenerado — evidência principalmente de estudos pré-clínicos e mecanismos teóricos
MODULAÇÃO DA DOR
A laserterapia pode modular a transmissão de estímulos dolorosos pelas fibras nervosas e aumentar a liberação de endorfinas — mecanismo analgésico proposto para ambos os tipos de laser
O que ainda é incerto
Comparar a eficácia do laser de alta intensidade versus baixa intensidade no tratamento do cotovelo de tenista
60 adultos com dor no cotovelo há pelo menos 4 semanas
Grupos receberam 9 sessões de laser (alta ou baixa intensidade) por 3 semanas, mais bandagem
Ambos os lasers reduziram dor e melhoraram função, mas o de alta intensidade foi superior em força e atividades diárias
Nenhum efeito adverso foi observado em qualquer grupo
Achados Interessantes
PRIMEIRO CARA A CARA
Pela primeira vez, um estudo randomizado comparou diretamente laser de alta e baixa intensidade para cotovelo de tenista, respondendo uma pergunta que incomodava médicos há anos
DOR IGUAL, FUNÇÃO DIFERENTE
O achado foi que ambos os lasers aliviaram a dor de forma similar, mas o de alta intensidade se destacou mais na força de preensão e capacidade de realizar atividades diárias
PROTOCOLO EM DUAS FASES
O estudo usou um protocolo interessante de alta intensidade: primeiras 3 sessões focadas em alívio da dor, últimas 6 sessões em reparo tecidual — uma estratégia que pode inspirar práticas futuras
LACUNA QUE PERSISTE
Apesar da contribuição, o estudo deixa claro que ainda faltam dados sobre duração do efeito, dosagem ideal e se a diferença entre lasers realmente importa na vida cotidiana a longo prazo
Resumo detalhado em linguagem acessível
O cotovelo de tenista, conhecido tecnicamente como epicondilite lateral, é uma das causas mais frequentes de dor no cotovelo em adultos. Apesar do nome popular, a condição não afeta apenas tenistas: qualquer pessoa que realize movimentos repetitivos de punho e antebraço — como datilografar, usar ferramentas manuais, cozinhar ou praticar certos esportes — pode desenvolvê-la. Trata-se, na verdade, de uma degeneração crônica do tendão que conecta os músculos extensores do antebraço ao cotovelo, e não de uma inflamação aguda como se pensava antigamente. A dor costuma se localizar na parte externa do cotovelo e piora com a extensão do punho ou a rotação do antebraço.
A condição é mais comum entre 30 e 50 anos de idade, afeta mais mulheres do que homens, e geralmente predomina no braço dominante.
Diante dessa realidade, pesquisadores da Turquia conduziram um estudo clínico randomizado e duplo-cego para comparar duas modalidades de laser terapêutico no tratamento dessa condição: o laser de alta intensidade (HILT) e o laser de baixa intensidade (LILT). A escolha do tema é particularmente relevante porque, embora ambas as tecnologias sejam utilizadas há anos na reabilitação de problemas musculoesqueléticos, existia uma lacuna importante na literatura médica: nenhum estudo anterior havia comparado diretamente esses dois tipos de laser especificamente para o cotovelo de tenista.
O estudo recrutou 60 adultos com dor unilateral no cotovelo há pelo menos quatro semanas, com idades entre 18 e 65 anos. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de 30 pessoas cada. O grupo do laser de alta intensidade recebeu aplicações de laser neodímio-yttrium-alumínio-granada (Nd:YAG) com comprimento de onda de 1064 nanômetros e potência de 8 watts, em nove sessões distribuídas ao longo de três semanas. O protocolo foi dividido em duas fases: as três primeiras sessões focaram no efeito analgésico, enquanto as seis sessões seguintes priorizaram a bioestimulação tecidual.
O grupo do laser de baixa intensidade, por sua vez, recebeu laser de diodo de arsênio de alumínio e gálio com comprimento de onda de 904 nanômetros e potência de 240 milivatts, também em nove sessões de três semanas. Ambos os grupos utilizaram uma bandagem para epicondilite (faixa compressiva no antebraço) e realizaram exercícios de fortalecimento dos extensores do punho durante o período de tratamento.
A avaliação dos resultados foi rigorosa e abrangente. Os pesquisadores utilizaram quatro instrumentos distintos: uma escala visual analógica de dor (EVA, de 0 a 10 centímetros), o questionário rápido de incapacidade do braço, ombro e mão (QDASH, que mede função e sintomas em membros superiores), o questionário de qualidade de vida SF-36 (com ênfase especial no componente físico), e o teste de força de preensão manual com dinamômetro hidráulico. Todas essas avaliações foram realizadas antes do início do tratamento e repetidas três semanas depois, ao final das nove sessões.
Os resultados demonstraram melhorias significativas em ambos os grupos. A dor diminuiu consideravelmente: no grupo de alta intensidade, a média caiu de 7,2 para 2,9 na escala de 0 a 10; no grupo de baixa intensidade, de 7,1 para 3,3. Ambos os grupos também apresentaram melhora na função do membro superior, no SF-36 geral e na força de preensão. Contudo, quando os grupos foram comparados diretamente, o laser de alta intensidade mostrou vantagens estatisticamente significativas em três parâmetros específicos: a força de preensão manual (27,3 kg versus 22,5 kg após o tratamento), o escore QDASH (24,2 versus 30,1, onde valores menores indicam melhor função) e o componente físico do SF-36 (63,2 versus 59,4, em escala de 0 a 100).
Curiosamente, a diferença na redução da dor entre os grupos não alcançou significância estatística, apesar da tendência favorável ao laser de alta intensidade (redução de 59,7% versus 53,5%).
A interpretação desses achados para pacientes requer algumas nuances importantes. Primeiro, ambos os tratamentos funcionaram: ninguém precisa entender que um é totalmente ineficaz. A diferença entre eles, embora estatisticamente significativa em alguns domínios, não é dramática na prática clínica diária. Um paciente que tenha acesso apenas ao laser de baixa intensidade ainda pode esperar melhoria substancial da dor e da função.
Segundo, o período de observação foi curto — apenas três semanas —, o que não permite afirmar se a vantagem do laser de alta intensidade se manteria a longo prazo. Estudos anteriores sugerem que os benefícios do laser podem persistir por meses, mas essa questão específica de comparação direta ainda carece de mais evidências.
Do ponto de vista da segurança, o estudo trouxe notícias tranquilizadoras: nenhum efeito adverso foi observado em qualquer dos grupos. Essa observação, embora reconfortante, deve ser contextualizada pelo tamanho relativamente pequeno da amostra e pelo curto período de acompanhamento. Eventos raros ou efeitos tardios poderiam não ter sido detectados.
Para o paciente com cotovelo de tenista que considera laserterapia como opção de tratamento, este estudo oferece orientações práticas valiosas. A combinação de laser com bandagem compressiva e exercícios parece ser uma estratégia coerente e respaldada por evidências. A escolha entre alta e baixa intensidade pode depender de fatores logísticos — disponibilidade do equipamento, custo, proximidade do serviço — mais do que de uma diferença absoluta de eficácia. O que mais importa, talvez, seja a consistência do tratamento: nove sessões em três semanas representam um compromisso significativo, mas os resultados sugerem que vale a pena.
As limitações do estudo, reconhecidas pelos próprios autores, incluem o pequeno número de participantes, a ausência de acompanhamento além de três semanas, a não diferenciação entre dor em repouso e dor durante atividades, e o fato de que um único protocolo de dosagem foi testado para cada tipo de laser. Futuras pesquisas com mais participantes, diferentes parâmetros de aplicação e seguimento prolongado são necessárias para consolidar as recomendações. Até lá, a mensagem mais honesta é que ambas as tecnologias representam opções válidas, seguras e com boa probabilidade de alívio sintomático para quem sofre com essa condição dolorosa e frequentemente persistente.
Laser Alta Intensidade
29 pessoas
1064 nm, 8W, 9 sessões + bandagem
Laser Baixa Intensidade
30 pessoas
904 nm, 240mW, 9 sessões + bandagem
Redução da dor - Alta Intensidade
Redução da dor - Baixa Intensidade
Melhora na força de preensão - Alta Intensidade
Melhora na força de preensão - Baixa Intensidade
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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