Participantes no estudo
30
15 em cada grupo, randomizados
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Annals of Rehabilitation Medicine
Ano
2012
Autores
Jeon et al.
Desenho
Ensaio controlado randomizado
Este estudo mostra que a terapia por ondas de choque pode ser uma alternativa eficaz para tratar dor muscular no pescoço e ombros. O tratamento com ondas de choque foi tão efetivo quanto as injeções tradicionais, mas de forma não invasiva. Ambos os tratamentos reduziram significativamente a dor em 3 semanas. É importante lembrar que este é um estudo pequeno e mais pesquisas são necessárias para confirmar estes benefícios.
Título original do estudo: The Effect of Extracorporeal Shock Wave Therapy on Myofascial Pain Syndrome
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Em adultos com dor miofascial no trapézio, três sessões de ondas de choque de baixa energia aliviaram a dor e aumentaram o limiar de dor de forma comparável ou levemente superior à combinação de injeções nos pontos-gatilho com TENS, em um acompanhamento de trê
Este estudo mostra que a terapia por ondas de choque pode ser uma alternativa eficaz para tratar dor muscular no pescoço e ombros. O tratamento com ondas de choque foi tão efetivo quanto as injeções tradicionais, mas de forma não invasiva. Ambos os tratamentos reduziram significativamente a dor em 3 semanas. É importante lembrar que este é um estudo pequeno e mais pesquisas são necessárias para confirmar estes benefícios.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Três sessões semanais de ondas de choque de baixa energia no trapézio aliviaram a dor tanto quanto — e em alguns aspectos mais que — injeções combinadas com eletroestimulação, em u
Ponto 1
Tratamento completamente externo, sem agulhas, com boa tolerabilidade relatada
Ponto 2
Melhora progressiva ao longo das 3 sessões semanais, não imediata
Ponto 3
Resultados promissores, mas estudo pequeno e sem seguimento de longo prazo
O que este estudo acrescenta
Um dos primeiros ensaios randomizados a comparar ondas de choque diretamente com injeções nos pontos-gatilho para dor miofascial, mostrando que uma abordagem completamente externa pode rivalizar com técnicas intervencion
Aplicabilidade clínica
A diferença no limiar de dor (~3 lb/cm² a mais com ESWT) e na VAS (~1 ponto a menos) sugere vantagem clínica perceptível, embora modesta. A ausência de grupo placebo e o pequeno tamanho amostral limitam a certeza sobre a
Força do desenho do estudo
Pacientes foram divididos aleatoriamente entre dois tratamentos, o que reduz vieses de seleção, embora o tamanho pequeno da amostra limite a força da evidência.
Participantes no estudo
30
15 em cada grupo, randomizados
Sessões de tratamento
3
1 por semana, durante 3 semanas
Ondas por sessão (ESWT)
1. 500
Total de 4. 500 ondas no tratamento completo
Densidade de energia
0,10
mJ/mm², classificada como baixa energia
Diferença no limiar de dor final
≈3
lb/cm² a mais no grupo ESWT comparado ao controle
Ficha rápida do estudo
Condição
Síndrome de dor miofascial no músculo trapézio
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado
Participantes
30 adultos (22 homens, 8 mulheres) com diagnóstico confirmado por exame físico
Duração
3 semanas de tratamento, com avaliações na semana 1 e após a semana 3
Sessões
3 sessões semanais de ESWT ou 3 injeções semanais + TENS 5x/semana
Comparador
Injeções nos pontos-gatilho combinadas com eletroestimulação nervosa transcutânea (TENS)
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
3 sessões totais
1 vez por semana, com intervalo de 7 dias
Não especificada em minutos; aplicação de 1. 500 ondas por sessão
Ondas de choque focalizadas no ponto-gatilho, identificado pela reprodução da dor referida e resposta de contração muscular; baixa densidade de fluxo de energia (0,10 mJ/mm²), 240
Injeção nos pontos-gatilho (substância não especificada no resumo) 1x/semana + TENS 20 minutos, 5x/semana
O equipamento utilizado foi o EvoTron RFL0300 (SwiTech Medical AG), com ondas eletrohidráulicas de baixa energia. O ponto de aplicação era ajustado até reproduzir a resposta de con
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Intensidade da dor (VAS)
reduziu
De ~7 para ~2 pontos na escala 0-10; redução ligeiramente maior com ondas de choque
Limiar de dor (pressão suportada)
melhorou
Aumento de 6,86 para 12,57 lb/cm² com ESWT vs 6,20 para 9,60 com injeção+TENS; vantagem significativa para ondas de choque
Questionário McGill de dor
melhorou
Redução significativa em ambos os grupos, embora sem diferença estatística entre eles
Escala de avaliação da dor (PRS)
melhorou
Diminuição significativa ao longo do tempo nos dois grupos, sem diferença entre tratamentos
Amplitude de movimento cervical
melhorou
Ganho significativo em ambos os grupos, de forma equivalente
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
1 semana
Após a 1ª sessão
Redução já significativa na escala visual de dor (VAS) e aumento do limiar de dor em ambos os grupos
3 semanas
Após a 3ª sessão
Melhora máxima observada; diferença entre grupos mais evidente no limiar de dor e VAS, favorecendo ESWT
Antes e depois
Limiar de dor (ESWT)
escala máx. 15 lb/cm²
Limiar de dor (Injeção+TENS)
escala máx. 15 lb/cm²
Intensidade da dor VAS (ESWT)
escala máx. 10 pontos
Intensidade da dor VAS (Injeção+TENS)
escala máx. 10 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Com três sessões semanais de ondas de choque de baixa energia, a maioria dos pacientes experimenta redução significativa da intensidade da dor e maior resistência à pressão no músculo afetado. A melhora tende a ser progressiva, com ganhos a
Tempo provável
Primeiros sinais de alívio já na primeira semana; benefício máximo avaliado após 3 semanas (3 sessões)
Este estudo não acompanhou os pacientes além de 3 semanas, então não se sabe quanto tempo a melhora persiste. Nem todos os indicadores de dor mostraram vantagem
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Ondas de choque são apenas para cálculos renais e fascite plantar
Achado
Este estudo demonstrou aplicação viável para dor miofascial no trapézio, com resultados comparáveis ou superiores a tratamentos estabelecidos
Mito
Tratamento não invasivo sempre é menos efetivo que injeção
Achado
A ESWT foi pelo menos equivalente e em algumas medidas superior às injeções combinadas com TENS para dor e limiar de pressão
Mito
Se a dor melhorar, todos os aspectos da condição melhoram igualmente
Achado
A ESWT mostrou vantagem em algumas medidas (VAS, limiar de dor) mas não em outras (McGill, amplitude de movimento), mostrando que 'melhora' é multifacetada
Mito
Ondas de choque de alta energia são sempre melhores
Achado
O estudo usou baixa energia (0,10 mJ/mm²) de forma efetiva e bem tolerada, sem necessidade de anestesia local
Como isso pode funcionar
Focalização mecânica
Ondas de pressão são direcionadas ao ponto-gatilho, reproduzindo a resposta de contração muscular e dor referida — o que, além de confirmar o alvo, pode iniciar respostas teciduais (mecanismo proposto, não totalmente com
Possível melhora vascular
Hipótese de aumento da perfusão sanguínea local e redução da isquemia no músculo em contração anormal (baseado em estudos de outros tecidos, não diretamente demonstrado neste estudo)
Modulação de mediadores da dor
Possível redução da substância P e efeito sobre fibras nervosas não mielinizadas, diminuindo a sensibilização periférica e central (mecanismo inferido da literatura, não medido diretamente)
Redução da tensão muscular
Possível diminuição do ciclo vicioso de contração-ischemia-dor, com relaxamento da banda tensa e normalização do metabolismo local (explicação teórica dos autores)
O que ainda é incerto
Comparar ondas de choque com injeções em pontos-gatilho para dor miofascial no músculo trapézio
30 adultos com síndrome de dor miofascial no trapézio (22 homens, 8 mulheres)
Grupo ondas de choque (1. 500 ondas/sessão, 3x) vs grupo injeção + eletroestimulação por 3 semanas
Ambos grupos melhoraram a dor, mas ondas de choque foi superior no limiar de dor
Tratamento bem tolerado sem eventos adversos reportados
Achados Interessantes
Diagnóstico e tratamento simultâneos
As ondas de choque, quando aplicadas no ponto certo, reproduziam os sinais clássicos da síndrome (contração muscular e dor referida), sugerindo que o próprio tratamento poderia auxiliar na confirmação diagnóstica — uma c
Baixa energia, resultado robusto
Contrariando a intuição de que 'mais energia é melhor', o estudo obteve resultados significativos com densidade de fluxo de apenas 0,10 mJ/mm², nível que não requer anestesia e é associado a menor risco de complicações.
Vantagem seletiva, não universal
A ESWT superou o controle em algumas medidas (limiar de dor, VAS) mas não em outras (McGill, amplitude de movimento), revelando que 'melhor tratamento' depende de qual aspecto da dor se prioriza — uma nuance frequentemen
Primeira ponte para evidência direta
Antes deste estudo, a eficácia da ESWT para dor miofascial baseava-se principalmente em relatos de caso e séries pequenas; este foi um dos primeiros ensaios controlados a oferecer comparação head-to-head com tratamento e
Resumo detalhado em linguagem acessível
A síndrome de dor miofascial é uma condição dolorosa muito comum que afeta principalmente a região cervical, lombar e os ombros, sendo uma das principais causas de incapacidade relacionada à dor no sistema musculoesquelético. Caracteriza-se por pontos sensíveis localizados nos músculos, bandas tensas palpáveis e dor referida — ou seja, dor que se espalha para outras regiões além do ponto exato do problema. O músculo trapézio, que liga o pescoço aos ombros, é frequentemente acometido, causando desconforto persistente na parte posterior do pescoço e na região escapular.
O tratamento tradicional dessa condição inclui alongamentos, terapias físicas e injeções nos chamados pontos-gatilho — pontos hiperirritáveis dentro das bandas musculares tensas que reproduzem a dor característica. A eletroestimulação nervosa transcutânea (TENS) também é amplamente utilizada como coadjuvante para alívio da dor. No entanto, nem todos os pacientes respondem adequadamente a essas abordagens, e alguns buscam alternativas não invasivas.
Nesse contexto, um estudo publicado em 2012 na Annals of Rehabilitation Medicine investigou se a terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT) poderia oferecer benefícios comparáveis ou superiores à combinação de injeções nos pontos-gatilho com TENS. A ESWT é uma tecnologia que utiliza ondas de pressão de alta energia, geradas externamente ao corpo e focalizadas na área afetada. Originalmente desenvolvida para tratar cálculos renais, sua aplicação expandiu-se para diversas condições ortopédicas, como epicondilite e fascite plantar. O estudo em questão representou uma das primeiras investigações formais sobre seu uso específico para síndrome de dor miofascial.
Foram recrutados 30 pacientes com diagnóstico confirmado de síndrome de dor miofascial no músculo trapézio, todos com dor na região posterior do pescoço e ombro como queixa principal. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de 15 pessoas cada. O grupo experimental recebeu três sessões de ESWT, com intervalo de uma semana entre elas, totalizando 4. 500 ondas de choque de baixa energia (0,10 mJ/mm²) por sessão.
O grupo controle recebeu três injeções nos pontos-gatilho, também semanais, associadas à TENS cinco vezes por semana, durante as três semanas de acompanhamento.
A avaliação da eficácia foi realizada por meio de múltiplos instrumentos: escala visual analógica da dor (VAS), questionário McGill de dor, escala de avaliação da dor (PRS), medida do limiar de dor com algometria (em lb/cm²) e avaliação da amplitude de movimento cervical. As mensurações ocorreram antes do início do tratamento, uma semana após a primeira sessão e uma semana após a terceira sessão.
Os resultados mostraram que ambos os tratamentos produziram melhorias significativas. Quanto ao limiar de dor — a pressão que a pele e o músculo conseguem suportar antes de sentir dor —, o grupo das ondas de choque apresentou aumento de 6,86 para 12,57 lb/cm², enquanto o grupo controle passou de 6,20 para 9,60 lb/cm². Essa diferença entre os grupos foi estatisticamente significativa, indicando vantagem para a ESWT. Na escala visual analógica, que mede a intensidade da dor de 0 a 10, o grupo das ondas de choque reduziu de 6,86 para 1,86 pontos, contra queda de 7,20 para 2,80 no grupo controle — também com diferença significativa favorável à ESWT.
Curiosamente, em outros instrumentos a vantagem não se manteve. O questionário McGill e a escala de avaliação da dor (PRS) mostraram melhorias em ambos os grupos, mas sem diferença estatisticamente significativa entre eles. A amplitude de movimento cervical também melhorou nos dois grupos de forma semelhante. Essa "mistura" de resultados é comum em estudos de dor e reforça que diferentes ferramentas captam dimensões distintas da experiência dolorosa.
A avaliação final baseada nos critérios de Roles e Maudsley, que classificam a resposta ao tratamento como excelente, boa ou pobre, mostrou tendência favorável à ESWT (10 excelentes e 5 bons, contra 6 excelentes e 9 bons no controle), embora sem atingir significância estatística. Não houve diferença de resposta relacionada ao gênero.
Sobre a segurança, o estudo relatou que o tratamento foi bem tolerado, sem eventos adversos documentados. A escolha por ondas de baixa energia foi intencional, pois esse nível geralmente não requer anestesia local e está associado a menor desconforto durante a aplicação, além de menor risco de danos teciduais comparado às altas energias.
Os autores discutem que os mecanismos pelos quais as ondas de choque atuam na dor miofascial ainda não estão completamente elucidados. Hipóteses incluem melhora da circulação sanguínea local, redução da tensão muscular, diminuição da substância P (um mediador químico da dor) e possível efeito sobre fibras nervosas não mielinizadas. Também foi observado que, ao aplicar as ondas no ponto exato do problema, era possível reproduzir a resposta de contração muscular local e a dor referida — fenômenos que, paradoxalmente, auxiliam no diagnóstico da síndrome.
É importante contextualizar as limitações deste estudo. A amostra de apenas 30 participantes é pequena, o que reduz a precisão das estimativas e a capacidade de detectar diferenças mais sutis. Não houve grupo placebo, ou seja, não se sabe quanto da melhoria observada se deve especificamente ao tratamento versus expectativas dos pacientes ou evolução natural da condição. Além disso, o acompanhamento foi relativamente curto (três semanas), não permitindo avaliar a durabilidade dos benefícios a médio e longo prazo.
Por fim, o estudo se restringiu ao músculo trapézio, não permitindo generalizações para outras regiões corporais.
Para pacientes que convivem com dor miofascial persistente no pescoço e ombros, este estudo oferece uma mensagem promissora: a terapia por ondas de choque representa uma alternativa não invasiva que, em pelo menos algumas medidas, pode superar abordagens tradicionais como injeções e eletroestimulação. No entanto, a decisão terapêutica deve sempre ser individualizada, considerando o perfil específico de cada paciente, suas preferências, histórico de respostas prévias e a disponibilidade de diferentes tecnologias.
Ondas de choque
15 pessoas
1.500 ondas por sessão, 3 sessões semanais
Injeção + TENS
15 pessoas
Injeção nos pontos-gatilho + eletroestimulação 5x/semana
Melhora no limiar de dor (ondas de choque)
Melhora no limiar de dor (controle)
Redução na escala visual da dor (ondas de choque)
Redução na escala visual da dor (controle)
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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