Estudo científico comentado

Terapia por ondas de choque para síndrome de dor miofascial

Referência acadêmica

Periódico

Annals of Rehabilitation Medicine

Ano

2012

Autores

Jeon et al.

Desenho

Ensaio controlado randomizado

Este estudo mostra que a terapia por ondas de choque pode ser uma alternativa eficaz para tratar dor muscular no pescoço e ombros. O tratamento com ondas de choque foi tão efetivo quanto as injeções tradicionais, mas de forma não invasiva. Ambos os tratamentos reduziram significativamente a dor em 3 semanas. É importante lembrar que este é um estudo pequeno e mais pesquisas são necessárias para confirmar estes benefícios.

Título original do estudo: The Effect of Extracorporeal Shock Wave Therapy on Myofascial Pain Syndrome

🔬Ensaio controlado randomizado👥n=30 participantes📊Evidência moderada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Em adultos com dor miofascial no trapézio, três sessões de ondas de choque de baixa energia aliviaram a dor e aumentaram o limiar de dor de forma comparável ou levemente superior à combinação de injeções nos pontos-gatilho com TENS, em um acompanhamento de trê

O que isso significa para você?

Este estudo mostra que a terapia por ondas de choque pode ser uma alternativa eficaz para tratar dor muscular no pescoço e ombros. O tratamento com ondas de choque foi tão efetivo quanto as injeções tradicionais, mas de forma não invasiva. Ambos os tratamentos reduziram significativamente a dor em 3 semanas. É importante lembrar que este é um estudo pequeno e mais pesquisas são necessárias para confirmar estes benefícios.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A terapia por ondas de choque é uma alternativa válida e não invasiva para quem tem dor miofascial no trapézio, especialmente se deseja evitar injeções repetidas.
  • 2O protocolo estudado exige paciência: três sessões semanais, com melhora gradual, não resultado imediato após a primeira aplicação.
  • 3A segurança parece boa a curto prazo, mas o estudo foi pequeno e não acompanhou os pacientes por muito tempo.
  • 4Nem todos os indicadores de dor favoreceram as ondas de choque; a escolha do tratamento deve considerar seus objetivos pessoais e o que já foi experimentado.
  • 5Converse com seu médico sobre se seu perfil se assemelha ao dos participantes deste estudo e se há experiência com a tecnologia no centro onde será atendido.
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Meu diagnóstico de dor miofascial foi confirmado por exame físico com pontos-gatilho ativos no trapézio, como no estudo?
  • 2Já tentei injeções ou TENS? Como foi minha resposta, e isso muda a indicação para ondas de choque?
  • 3Há contraindicações à ESWT no meu caso (anticoagulantes, próteses, marcapasso, gravidez)?
  • 4Qual é o custo e a disponibilidade deste tratamento, e há previsão de quantas sessões seriam necessárias?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1O estudo relatou boa tolerabilidade e ausência de eventos adversos em 30 pacientes durante 3 semanas, mas este tamanho amostral não permite descartar completamente riscos raros.
  • 2A baixa energia utilizada (0,10 mJ/mm²) é associada a menor desconforto agudo e menor risco de lesão tecidual comparada a protocolos de alta energia, embora o número de sessões pos
  • 3Contraindicações clássicas da ESWT — como uso de anticoagulantes, presença de próteses metálicas na área de aplicação, infecção cutânea ativa, gravidez ou neoplasia na região — não
  • 4A ausência de grupo placebo e de seguimento de longo prazo significa que o perfil completo de segurança, incluindo possíveis efeitos tardios ou recidivas, permanece incompletamente

Leitura rápida para pacientes

Ondas de choque: opção sem agulha para dor no pescoço

Três sessões semanais de ondas de choque de baixa energia no trapézio aliviaram a dor tanto quanto — e em alguns aspectos mais que — injeções combinadas com eletroestimulação, em u

Ponto 1

Tratamento completamente externo, sem agulhas, com boa tolerabilidade relatada

Ponto 2

Melhora progressiva ao longo das 3 sessões semanais, não imediata

Ponto 3

Resultados promissores, mas estudo pequeno e sem seguimento de longo prazo

O que este estudo acrescenta

ALTERNATIVA NÃO INVASIVA VALIDADA

Um dos primeiros ensaios randomizados a comparar ondas de choque diretamente com injeções nos pontos-gatilho para dor miofascial, mostrando que uma abordagem completamente externa pode rivalizar com técnicas intervencion

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A diferença no limiar de dor (~3 lb/cm² a mais com ESWT) e na VAS (~1 ponto a menos) sugere vantagem clínica perceptível, embora modesta. A ausência de grupo placebo e o pequeno tamanho amostral limitam a certeza sobre a

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Pacientes foram divididos aleatoriamente entre dois tratamentos, o que reduz vieses de seleção, embora o tamanho pequeno da amostra limite a força da evidência.

Participantes no estudo

30

15 em cada grupo, randomizados

Sessões de tratamento

3

1 por semana, durante 3 semanas

Ondas por sessão (ESWT)

1. 500

Total de 4. 500 ondas no tratamento completo

Densidade de energia

0,10

mJ/mm², classificada como baixa energia

Diferença no limiar de dor final

≈3

lb/cm² a mais no grupo ESWT comparado ao controle

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Síndrome de dor miofascial no músculo trapézio

Tipo de estudo

Ensaio clínico randomizado

Participantes

30 adultos (22 homens, 8 mulheres) com diagnóstico confirmado por exame físico

Duração

3 semanas de tratamento, com avaliações na semana 1 e após a semana 3

Sessões

3 sessões semanais de ESWT ou 3 injeções semanais + TENS 5x/semana

Comparador

Injeções nos pontos-gatilho combinadas com eletroestimulação nervosa transcutânea (TENS)

Grupos do estudo

Ondas de choque extracorpóreas (ESWT)Injeções nos pontos-gatilho + TENS

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

3 sessões totais

Frequência02

1 vez por semana, com intervalo de 7 dias

Duração da sessão03

Não especificada em minutos; aplicação de 1. 500 ondas por sessão

Pontos / técnica04

Ondas de choque focalizadas no ponto-gatilho, identificado pela reprodução da dor referida e resposta de contração muscular; baixa densidade de fluxo de energia (0,10 mJ/mm²), 240

Comparador05

Injeção nos pontos-gatilho (substância não especificada no resumo) 1x/semana + TENS 20 minutos, 5x/semana

Nota de protocolo06

O equipamento utilizado foi o EvoTron RFL0300 (SwiTech Medical AG), com ondas eletrohidráulicas de baixa energia. O ponto de aplicação era ajustado até reproduzir a resposta de con

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com diagnóstico confirmado de síndrome de dor miofascial no músculo trapézioPacientes com queixa principal de dor na região posterior do pescoço e ombroIndivíduos que apresentavam banda tensa palpável, dor referida e resposta de contração muscular local no exame físicoHomens e mulheres em proporção de aproximadamente 3:1 na amostra totalFaixa etária média de 40-45 anosPacientes atendidos em hospital universitário no período de janeiro a dezembro de 2011

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Crianças, adolescentes ou idosos avançados (amostra com média de 40-45 anos)Dor miofascial em músculos diferentes do trapézio (estudo restrito a essa região)Pacientes com condições associadas que não foram especificamente investigadasIndivíduos que já haviam falhado com múltiplos tratamentos prévios (critério não relatado)Gestantes ou pessoas com contraindicações à ESWT (não explicitados no estudo)

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor (VAS)

reduziu

De ~7 para ~2 pontos na escala 0-10; redução ligeiramente maior com ondas de choque

🛡️

Limiar de dor (pressão suportada)

melhorou

Aumento de 6,86 para 12,57 lb/cm² com ESWT vs 6,20 para 9,60 com injeção+TENS; vantagem significativa para ondas de choque

📝

Questionário McGill de dor

melhorou

Redução significativa em ambos os grupos, embora sem diferença estatística entre eles

📊

Escala de avaliação da dor (PRS)

melhorou

Diminuição significativa ao longo do tempo nos dois grupos, sem diferença entre tratamentos

🔄

Amplitude de movimento cervical

melhorou

Ganho significativo em ambos os grupos, de forma equivalente

O que não mudou

  • Não houve diferença significativa entre os grupos no questionário McGill de dor
  • A escala de avaliação da dor (PRS) não diferiu entre tratamentos
  • A amplitude de movimento cervical melhorou igualmente nos dois grupos, sem vantagem para a ESWT
  • A avaliação global de Roles e Maudsley mostrou tendência favorável à ESWT, mas sem significância estatística

Quando a melhora apareceu

1

1 semana

Após a 1ª sessão

Redução já significativa na escala visual de dor (VAS) e aumento do limiar de dor em ambos os grupos

2

3 semanas

Após a 3ª sessão

Melhora máxima observada; diferença entre grupos mais evidente no limiar de dor e VAS, favorecendo ESWT

Antes e depois

Limiar de dor (ESWT)

escala máx. 15 lb/cm²

Antes6.86 lb/cm²
Depois12.57 lb/cm²

Limiar de dor (Injeção+TENS)

escala máx. 15 lb/cm²

Antes6.2 lb/cm²
Depois9.6 lb/cm²

Intensidade da dor VAS (ESWT)

escala máx. 10 pontos

Antes6.86 pontos
Depois1.86 pontos

Intensidade da dor VAS (Injeção+TENS)

escala máx. 10 pontos

Antes7.2 pontos
Depois2.8 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Tratamento bem tolerado, sem eventos adversos reportados no período de 3 semanas
  • Uso de baixa energia (0,10 mJ/mm²) reduz risco de desconforto agudo e lesão tecidual
  • Não foi necessária anestesia local para aplicação das ondas de choque
Amarelo
  • Possível desconforto durante a aplicação, especialmente se a energia for aumentada
  • Necessidade de ajuste preciso do ponto de aplicação, o que pode variar com a experiência do operador
  • Dados de segurança limitados a 3 semanas; efeitos a longo prazo não avaliados
Vermelho
  • Estudo pequeno (n=30) pode não detectar eventos adversos raros
  • Ausência de grupo placebo impede avaliação completa do perfil de efeitos colaterais específicos do tratamento
  • Contraindicações padrão da ESWT (como uso de anticoagulantes, próteses na região, gravidez, infecção local, tumores) não foram detalhadas no estudo e

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor miofascial confirmada no músculo trapézio, com pontos-gatilho ativos
  • Pacientes que preferem abordagem não invasiva em vez de injeções repetidas
  • Indivíduos que já responderam parcialmente a terapias físicas mas buscam potencialização
  • Pessoas com boa tolerância a procedimentos que podem causar desconforto momentâneo durante a aplicação
  • Pacientes sem contraindicações à ESWT (sem anticoagulação, sem próteses metálicas na região, sem infecção ativa)

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com dor miofascial em regiões diferentes do trapézio (extrapolação não testada)
  • Crianças, adolescentes ou idosos muito avançados (fora da faixa etária estudada)
  • Gestantes (contraindicação típica da ESWT, embora não mencionada no estudo)
  • Pessoas com expectativa de cura definitiva ou resultado imediato após uma única sessão (protocolo exigiu 3 sessões)
  • Indivíduos com piora da dor com estímulos mecânicos intensos, que podem não tolerar o procedimento

Expectativa realista

Dor que diminui em semanas, não em dias

Com três sessões semanais de ondas de choque de baixa energia, a maioria dos pacientes experimenta redução significativa da intensidade da dor e maior resistência à pressão no músculo afetado. A melhora tende a ser progressiva, com ganhos a

Tempo provável

Primeiros sinais de alívio já na primeira semana; benefício máximo avaliado após 3 semanas (3 sessões)

Este estudo não acompanhou os pacientes além de 3 semanas, então não se sabe quanto tempo a melhora persiste. Nem todos os indicadores de dor mostraram vantagem

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se há pontos-gatilho confirmados no trapézio por exame físico, pois o estudo se baseou nesse critério diagnóstico
  2. 2Discutir se já foram tentadas injeções ou TENS, e como foi a resposta, para contextualizar a decisão terapêutica
  3. 3Questionar sobre uso de anticoagulantes, presença de próteses, marcapasso ou condições que contraindiquem a ESWT
  4. 4Perguntar sobre expectativas realistas: o protocolo exige múltiplas sessões e a melhora é gradual, não imediata
  5. 5Solicitar informação sobre custo e cobertura, já que a ESWT pode não estar disponível em todos os centros

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Ondas de choque são apenas para cálculos renais e fascite plantar

Achado

Este estudo demonstrou aplicação viável para dor miofascial no trapézio, com resultados comparáveis ou superiores a tratamentos estabelecidos

Mito

Tratamento não invasivo sempre é menos efetivo que injeção

Achado

A ESWT foi pelo menos equivalente e em algumas medidas superior às injeções combinadas com TENS para dor e limiar de pressão

Mito

Se a dor melhorar, todos os aspectos da condição melhoram igualmente

Achado

A ESWT mostrou vantagem em algumas medidas (VAS, limiar de dor) mas não em outras (McGill, amplitude de movimento), mostrando que 'melhora' é multifacetada

Mito

Ondas de choque de alta energia são sempre melhores

Achado

O estudo usou baixa energia (0,10 mJ/mm²) de forma efetiva e bem tolerada, sem necessidade de anestesia local

Como isso pode funcionar

🎯

Focalização mecânica

Ondas de pressão são direcionadas ao ponto-gatilho, reproduzindo a resposta de contração muscular e dor referida — o que, além de confirmar o alvo, pode iniciar respostas teciduais (mecanismo proposto, não totalmente com

🩸

Possível melhora vascular

Hipótese de aumento da perfusão sanguínea local e redução da isquemia no músculo em contração anormal (baseado em estudos de outros tecidos, não diretamente demonstrado neste estudo)

🧪

Modulação de mediadores da dor

Possível redução da substância P e efeito sobre fibras nervosas não mielinizadas, diminuindo a sensibilização periférica e central (mecanismo inferido da literatura, não medido diretamente)

💪

Redução da tensão muscular

Possível diminuição do ciclo vicioso de contração-ischemia-dor, com relaxamento da banda tensa e normalização do metabolismo local (explicação teórica dos autores)

O que ainda é incerto

  • ?A duração da melhora além de 3 semanas é desconhecida; não houve seguimento de longo prazo
  • ?O mecanismo exato de ação da ESWT na dor miofascial permanece hipotético, baseado em extrapolações de outros tecidos e não em evidência direta deste e
  • ?A amostra de 30 pacientes é insuficiente para detectar efeitos colaterais raros ou confirmar com segurança a magnitude das diferenças entre tratamento
  • ?A ausência de grupo placebo impede saber quanto da melhoria observada se deve ao efeito específico do tratamento versus expectativa, atenção ou evoluç
🎯

O que o estudo quis responder

Comparar ondas de choque com injeções em pontos-gatilho para dor miofascial no músculo trapézio

👥

QUEM PARTICIPOU

30 adultos com síndrome de dor miofascial no trapézio (22 homens, 8 mulheres)

🧪

COMO FOI FEITO

Grupo ondas de choque (1. 500 ondas/sessão, 3x) vs grupo injeção + eletroestimulação por 3 semanas

📈

O QUE MUDOU

Ambos grupos melhoraram a dor, mas ondas de choque foi superior no limiar de dor

🛟

SEGURANÇA

Tratamento bem tolerado sem eventos adversos reportados

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

Diagnóstico e tratamento simultâneos

As ondas de choque, quando aplicadas no ponto certo, reproduziam os sinais clássicos da síndrome (contração muscular e dor referida), sugerindo que o próprio tratamento poderia auxiliar na confirmação diagnóstica — uma c

🧭

Baixa energia, resultado robusto

Contrariando a intuição de que 'mais energia é melhor', o estudo obteve resultados significativos com densidade de fluxo de apenas 0,10 mJ/mm², nível que não requer anestesia e é associado a menor risco de complicações.

📌

Vantagem seletiva, não universal

A ESWT superou o controle em algumas medidas (limiar de dor, VAS) mas não em outras (McGill, amplitude de movimento), revelando que 'melhor tratamento' depende de qual aspecto da dor se prioriza — uma nuance frequentemen

🔍

Primeira ponte para evidência direta

Antes deste estudo, a eficácia da ESWT para dor miofascial baseava-se principalmente em relatos de caso e séries pequenas; este foi um dos primeiros ensaios controlados a oferecer comparação head-to-head com tratamento e

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Terapia por ondas de choque para síndrome de dor miofascial

A síndrome de dor miofascial é uma condição dolorosa muito comum que afeta principalmente a região cervical, lombar e os ombros, sendo uma das principais causas de incapacidade relacionada à dor no sistema musculoesquelético. Caracteriza-se por pontos sensíveis localizados nos músculos, bandas tensas palpáveis e dor referida — ou seja, dor que se espalha para outras regiões além do ponto exato do problema. O músculo trapézio, que liga o pescoço aos ombros, é frequentemente acometido, causando desconforto persistente na parte posterior do pescoço e na região escapular.

O tratamento tradicional dessa condição inclui alongamentos, terapias físicas e injeções nos chamados pontos-gatilho — pontos hiperirritáveis dentro das bandas musculares tensas que reproduzem a dor característica. A eletroestimulação nervosa transcutânea (TENS) também é amplamente utilizada como coadjuvante para alívio da dor. No entanto, nem todos os pacientes respondem adequadamente a essas abordagens, e alguns buscam alternativas não invasivas.

Nesse contexto, um estudo publicado em 2012 na Annals of Rehabilitation Medicine investigou se a terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT) poderia oferecer benefícios comparáveis ou superiores à combinação de injeções nos pontos-gatilho com TENS. A ESWT é uma tecnologia que utiliza ondas de pressão de alta energia, geradas externamente ao corpo e focalizadas na área afetada. Originalmente desenvolvida para tratar cálculos renais, sua aplicação expandiu-se para diversas condições ortopédicas, como epicondilite e fascite plantar. O estudo em questão representou uma das primeiras investigações formais sobre seu uso específico para síndrome de dor miofascial.

Foram recrutados 30 pacientes com diagnóstico confirmado de síndrome de dor miofascial no músculo trapézio, todos com dor na região posterior do pescoço e ombro como queixa principal. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de 15 pessoas cada. O grupo experimental recebeu três sessões de ESWT, com intervalo de uma semana entre elas, totalizando 4. 500 ondas de choque de baixa energia (0,10 mJ/mm²) por sessão.

O grupo controle recebeu três injeções nos pontos-gatilho, também semanais, associadas à TENS cinco vezes por semana, durante as três semanas de acompanhamento.

A avaliação da eficácia foi realizada por meio de múltiplos instrumentos: escala visual analógica da dor (VAS), questionário McGill de dor, escala de avaliação da dor (PRS), medida do limiar de dor com algometria (em lb/cm²) e avaliação da amplitude de movimento cervical. As mensurações ocorreram antes do início do tratamento, uma semana após a primeira sessão e uma semana após a terceira sessão.

Os resultados mostraram que ambos os tratamentos produziram melhorias significativas. Quanto ao limiar de dor — a pressão que a pele e o músculo conseguem suportar antes de sentir dor —, o grupo das ondas de choque apresentou aumento de 6,86 para 12,57 lb/cm², enquanto o grupo controle passou de 6,20 para 9,60 lb/cm². Essa diferença entre os grupos foi estatisticamente significativa, indicando vantagem para a ESWT. Na escala visual analógica, que mede a intensidade da dor de 0 a 10, o grupo das ondas de choque reduziu de 6,86 para 1,86 pontos, contra queda de 7,20 para 2,80 no grupo controle — também com diferença significativa favorável à ESWT.

Curiosamente, em outros instrumentos a vantagem não se manteve. O questionário McGill e a escala de avaliação da dor (PRS) mostraram melhorias em ambos os grupos, mas sem diferença estatisticamente significativa entre eles. A amplitude de movimento cervical também melhorou nos dois grupos de forma semelhante. Essa "mistura" de resultados é comum em estudos de dor e reforça que diferentes ferramentas captam dimensões distintas da experiência dolorosa.

A avaliação final baseada nos critérios de Roles e Maudsley, que classificam a resposta ao tratamento como excelente, boa ou pobre, mostrou tendência favorável à ESWT (10 excelentes e 5 bons, contra 6 excelentes e 9 bons no controle), embora sem atingir significância estatística. Não houve diferença de resposta relacionada ao gênero.

Sobre a segurança, o estudo relatou que o tratamento foi bem tolerado, sem eventos adversos documentados. A escolha por ondas de baixa energia foi intencional, pois esse nível geralmente não requer anestesia local e está associado a menor desconforto durante a aplicação, além de menor risco de danos teciduais comparado às altas energias.

Os autores discutem que os mecanismos pelos quais as ondas de choque atuam na dor miofascial ainda não estão completamente elucidados. Hipóteses incluem melhora da circulação sanguínea local, redução da tensão muscular, diminuição da substância P (um mediador químico da dor) e possível efeito sobre fibras nervosas não mielinizadas. Também foi observado que, ao aplicar as ondas no ponto exato do problema, era possível reproduzir a resposta de contração muscular local e a dor referida — fenômenos que, paradoxalmente, auxiliam no diagnóstico da síndrome.

É importante contextualizar as limitações deste estudo. A amostra de apenas 30 participantes é pequena, o que reduz a precisão das estimativas e a capacidade de detectar diferenças mais sutis. Não houve grupo placebo, ou seja, não se sabe quanto da melhoria observada se deve especificamente ao tratamento versus expectativas dos pacientes ou evolução natural da condição. Além disso, o acompanhamento foi relativamente curto (três semanas), não permitindo avaliar a durabilidade dos benefícios a médio e longo prazo.

Por fim, o estudo se restringiu ao músculo trapézio, não permitindo generalizações para outras regiões corporais.

Para pacientes que convivem com dor miofascial persistente no pescoço e ombros, este estudo oferece uma mensagem promissora: a terapia por ondas de choque representa uma alternativa não invasiva que, em pelo menos algumas medidas, pode superar abordagens tradicionais como injeções e eletroestimulação. No entanto, a decisão terapêutica deve sempre ser individualizada, considerando o perfil específico de cada paciente, suas preferências, histórico de respostas prévias e a disponibilidade de diferentes tecnologias.

O que fortalece a leitura

  • 1Desenho randomizado e controlado
  • 2Múltiplas escalas de avaliação da dor
  • 3Comparação com tratamento estabelecido
  • 4Seguimento adequado de 3 semanas
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Amostra pequena (30 participantes)
  • 2Não houve grupo placebo
  • 3Limitado ao músculo trapézio
  • 4Mecanismos de ação não totalmente esclarecidos

Leitura clínica do estudo

MODERADA
68/ 100
Desenho
3/5
Amostra
2/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

30pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Ondas de choque

15 pessoas

1.500 ondas por sessão, 3 sessões semanais

Injeção + TENS

15 pessoas

Injeção nos pontos-gatilho + eletroestimulação 5x/semana

⏱️ Tempo de acompanhamento: 3 semanas

📊 Resultados em números

6,86 → 12,57 lb/cm²

Melhora no limiar de dor (ondas de choque)

6,20 → 9,60 lb/cm²

Melhora no limiar de dor (controle)

6,86 → 1,86 pontos

Redução na escala visual da dor (ondas de choque)

7,20 → 2,80 pontos

Redução na escala visual da dor (controle)

📊 Comparação de Resultados

Limiar de dor final (lb/cm²)

Ondas de choque
12.57
Injeção + TENS
9.6

Escala visual da dor final (0-10)

Ondas de choque
1.86
Injeção + TENS
2.8

📅 Linha do tempo da evidência

1996Primeira aplicação clínica de ondas de choque na Alemanha
2005Estudos sobre efeitos das ondas de choque em tecidos musculoesqueléticos
2009Pesquisas sobre ondas de choque para epicondilite e fascite plantar
2012Este estudo demonstra eficácia para síndrome de dor miofascial

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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