Estudo científico comentado

Plasma rico em plaquetas reduz dor muscular na face em pacientes com DTM

Referência acadêmica

Periódico

Frontiers in Neurology

Ano

2019

Autores

Nitecka-Buchta et al.

Desenho

ensaio clínico randomizado

Este estudo testou se injeções de plasma rico em plaquetas (feito do próprio sangue do paciente) podem reduzir a dor muscular na face causada pela DTM. Os resultados mostram que o tratamento reduziu significativamente a dor em comparação ao placebo, mas o efeito diminui após duas semanas. É uma opção promissora quando outros tratamentos conservadores não funcionam, mas ainda precisa de mais estudos para confirmar sua eficácia a longo prazo.

Título original do estudo: Platelet-Rich Plasma Intramuscular Injections — Antinociceptive Therapy in Myofascial Pain Within Masseter Muscles in Temporomandibular Disorders Patients: A Pilot Study

🧪ensaio clínico randomizado👥n=58 participantes📊impacto moderado
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Injeções intramusculares de plasma rico em plaquetas no músculo masseter reduziram a dor em cerca de 58% após 5 dias em comparação com placebo, mas o efeito diminui parcialmente até as duas semanas, sendo necessários mais estudos sobre durabilidade e repetição

O que isso significa para você?

Este estudo testou se injeções de plasma rico em plaquetas (feito do próprio sangue do paciente) podem reduzir a dor muscular na face causada pela DTM. Os resultados mostram que o tratamento reduziu significativamente a dor em comparação ao placebo, mas o efeito diminui após duas semanas. É uma opção promissora quando outros tratamentos conservadores não funcionam, mas ainda precisa de mais estudos para confirmar sua eficácia a longo prazo.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Se você tem dor persistente no músculo da bochecha por DTM e não melhora com tratamentos básicos, o plasma rico em plaquetas pode ser uma opção a discutir com seu médico
  • 2O procedimento é relativamente simples e usa seu próprio sangue, mas exige coleta, preparo em laboratório e injeção com técnica precisa
  • 3Não espere cura definitiva com uma única aplicação — a evidência atual sugere que o efeito é significativo, mas pode precisar de reforços
  • 4Continue as medidas conservadoras (placa oclusal, controle de estresse, hábitos de sono) mesmo que faça o tratamento com PRP
  • 5Cada caso de DTM é único; o que funcionou neste estudo em adultos jovens pode não se aplicar exatamente à sua situação
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Meu diagnóstico é dor miofascial do masseter ou há também problema na articulação temporomandibular?
  • 2Já esgotamos as opções conservadoras antes de considerar injeções de PRP?
  • 3Qual é o protocolo exato de preparo do PRP que será usado, e como ele se compara ao do estudo?
  • 4Se a dor voltar após duas semanas, qual seria a estratégia — repetição do PRP ou outra abordagem?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1O estudo relatou apenas efeitos leves e temporários, mas o acompanhamento foi curto (14 dias) e a amostra pequena para detectar eventos raros
  • 2Inchaço local e dor pós-injeção ocorreram em minoria dos pacientes; hematomas na coleta de sangue foram os efeitos mais comuns
  • 3A segurança de múltiplas repetições do procedimento e de uso em condições diferentes das estudadas não está estabelecida
  • 4Como todo procedimento invasivo, deve ser realizado por profissional com experiência na anatomia da região facial e em técnicas assépticas

Leitura rápida para pacientes

Plasma do próprio sangue pode aliviar dor facial em dias

Estudo polonês mostrou que injeções de plasma rico em plaquetas no músculo da bochecha reduziram a dor pela metade em 5 dias, mas o efeito pode precisar de reforço

Ponto 1

Tratamento usa seu próprio sangue, reduzindo riscos de rejeição

Ponto 2

Melhora significativa aparece rápido, mas pode não durar sem repetições

Ponto 3

Ainda é considerado terapia adicional, não substitui tratamentos básicos como placa oclusal

O que este estudo acrescenta

PRIMEIRO ENSAIO DUPLO-CEGO EM MÚSCULOS M

Antes deste estudo, não havia ensaios clínicos randomizados e duplo-cegos avaliando injeções intramusculares de PRP especificamente para dor miofascial do masseter em pacientes com DTM

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A redução de 58% da dor em 5 dias é clinicamente relevante para pacientes com dor refratária, mas a amostra pequena, o seguimento curto e o declínio parcial do efeito limitam a certeza sobre benefício sustentado e custo-

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é um estudo experimental de alta qualidade onde participantes foram aleatoriamente distribuídos em grupos, reduzindo vieses e fortalecendo a confiança nos resultados.

Participantes incluídos

58

de 80 inicialmente selecionados, após aplicação dos critérios de elegibilidade

Redução da dor em 5 dias (PRP)

58%

comparada a 10,4% no grupo placebo — diferença estatisticamente significativa

Redução da dor em 14 dias (PRP)

47%

comparada a 4,6% no grupo placebo, mostrando declínio parcial do efeito

Volume de PRP injetado

3 ml

distribuídos em 6 pontos do masseter (0,5 ml cada ponto), bilateralmente

Efeitos adversos leves

4

pacientes com inchaço/dor local temporária; nenhum evento grave relatado

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Dor miofascial no músculo masseter associada a distúrbios temporomandibulares (DTM)

Tipo de estudo

Ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo

Participantes

58 adultos (21 homens, 37 mulheres), média de 29 anos, com diagnóstico de dor mi

Duração

14 dias de acompanhamento após a injeção única

Sessões

1 sessão única de injeções bilaterais em 6 pontos do masseter

Comparador

Injeções de soro fisiológico (placebo) com mesmo volume e técnica

Grupos do estudo

Plasma rico em plaquetas (PRP)Soro fisiológico 0,9% (placebo)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

1 sessão única

Frequência02

Aplicação única, sem repetição programada no estudo

Duração da sessão03

Não especificado; procedimento de coleta e preparo do PRP + injeções

Pontos / técnica04

6 pontos injetados no músculo masseter (3 de cada lado), 0,5 ml por ponto, total 3 ml, bilateralmente, próximo à origem do músculo sob o arco zigomático

Comparador05

Soro fisiológico 0,9% (NaCl) em mesmo volume, técnica e localização

Nota de protocolo06

O PRP foi preparado por dupla centrifugação do sangue autólogo, obtendo-se aproximadamente 6 ml de plasma purificado sem leucócitos

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos de 18 a 80 anos com dor miofascial confirmada nos músculos masseteresPacientes com diagnóstico por critérios RDC/TMD (categorias Ia e Ib)Pessoas que não estavam em uso de analgésicos ou drogas que afetassem a função muscularIndivíduos com boa saúde geral, sem doenças neurológicas ou neuropatiasParticipantes que concordaram em fazer parte do estudo após informação completa

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pessoas com histórico de trauma de cabeça ou pescoço nos últimos 2 anosPacientes desdentados, grávidas, lactantes ou com diagnóstico de câncerIndivíduos com fobia de agulhas, distúrbios mentais ou dependência de álcool/drogasQuem fazia radioterapia ou tinha dor de origem dental não tratadaCrianças e adolescentes abaixo de 18 anos, ou adultos acima de 80 anos

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor

reduziu significativamente

Queda de média 5,3 para 2,2 na escala 0-10 em 5 dias no grupo PRP

⏱️

Velocidade de alívio

melhorou

Diferença estatisticamente significativa já no 5º dia, bem antes do grupo controle

🔄

Diferença entre grupos

ampliou-se

Separação clara e sustentada entre PRP e placebo em ambos os pontos de avaliação

O que não mudou

  • Função mastigatória ou amplitude de abertura bucal não foram avaliadas
  • Qualidade do sono ou intensidade do bruxismo não foram medidas
  • Não houve comparação com outros tratamentos ativos (apenas placebo)
  • Efeito a longo prazo (além de 14 dias) não foi investigado

Quando a melhora apareceu

1

5 dias após a injeção

Redução acentuada da dor

58% de redução média na escala VAS no grupo PRP, versus 10,4% no grupo placebo

2

14 dias após a injeção

Manutenção parcial do efeito

47,2% de redução média no grupo PRP, com leve aumento da dor em relação ao dia 5, sugerindo declínio do efeito

Antes e depois

Dor média (escala 0-10) no grupo PRP

escala máx. 10 pontos

Antes5.3 pontos
Depois2.2 pontos

Dor média (escala 0-10) no grupo placebo

escala máx. 10 pontos

Antes6.1 pontos
Depois5.4 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum evento adverso grave relatado
  • Efeitos leves foram todos temporários e reversíveis
  • Uso de material autólogo elimina risco de rejeição ou transmissão de doenças
Amarelo
  • Inchaço local e dor muscular pós-injeção em alguns pacientes
  • Hematomas no local da punção venosa para coleta de sangue
  • Necessidade de repetição do procedimento não estabelecida com segurança
Vermelho
  • Segurança em uso repetido ou a longo prazo não estudada
  • Amostra pequena pode não detectar efeitos adversos raros
  • Protocolo específico de preparo do PRP pode influenciar resultados e segurança

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor miofascial no masseter diagnosticada por critérios RDC/TMD
  • Pacientes que não obtiveram alívio adequado com placas oclusais e medidas conservadoras
  • Pessoas que preferem abordagens autólogas e minimamente invasivas
  • Indivíduos sem contraindicações para punção venosa e injeção intramuscular
  • Quem tem expectativas realistas sobre necessidade de possíveis repetições

Mais cautela para extrapolar

  • Pessoas com histórico recente de trauma de cabeça ou pescoço
  • Pacientes em anticoagulação ou com distúrbios de coagulação (não estudado)
  • Quem busca solução definitiva de longo prazo com única aplicação
  • Indivíduos com dor de origem predominantemente articular (não muscular)
  • Gestantes, lactantes ou pessoas com doenças sistêmicas ativas não controladas

Expectativa realista

Alívio significativo, mas possivelmente temporário

Muitos pacientes podem sentir redução importante da dor facial já nos primeiros 5 dias após as injeções de plasma rico em plaquetas, com melhora que se mantém parcialmente até duas semanas

Tempo provável

Efeito máximo por volta de 5 dias; declínio parcial observado até o 14º dia

O estudo não mostrou se o benefício se mantém por meses, e injeções repetidas podem ser necessárias — algo ainda não confirmado em pesquisas robustas

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se seu diagnóstico é realmente dor miofascial do masseter ou se há componente articular
  2. 2Discuta se você já tentou e falhou com tratamentos conservadores como placa oclusal
  3. 3Questione sobre o protocolo exato de preparo do PRP que será usado (nem todos são iguais)
  4. 4Pergunte sobre possibilidade de repetição do tratamento e custos envolvidos
  5. 5Verifique se há plano de acompanhamento além das duas semanas do estudo original

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Plasma rico em plaquetas cura definitivamente a dor facial por DTM

Achado

O estudo mostrou redução significativa em 5 dias, mas o efeito diminuiu parcialmente em 2 semanas, sugerindo necessidade de repetições

Mito

Qualquer pessoa com dor de face pode fazer esse tratamento

Achado

O estudo incluiu apenas adultos com dor miofascial específica do masseter, excluindo muitas outras causas de dor orofacial

Mito

PRP é totalmente livre de efeitos colaterais

Achado

Embora seguro no estudo, houve inchaço, dor local e hematomas temporários em alguns participantes

Mito

O efeito do PRP dura meses ou anos

Achado

O acompanhamento foi de apenas 14 dias; os autores sugerem que a meia-vida das plaquetas (7-10 dias) pode limitar a duração do efeito

Como isso pode funcionar

🩸

COLETA E PREPARO

Sangue venoso do próprio paciente é coletado e centrifugado para concentrar plaquetas e seus fatores de crescimento — mecanismo bem estabelecido

💉

INJEÇÃO NO MÚSCULO

O concentrado é injetado nos pontos doloridos do masseter, onde as plaquetas podem liberar substâncias ativas localmente — procedimento validado no estudo

🔬

AÇÃO PROPOSTA (TEÓRICA)

Fatores de crescimento podem estimular regeneração muscular, reduzir inflamação e apoptose celular — mecanismo sugerido por estudos pré-clínicos, não diretamente comprovado neste ensaio em humanos

LIMITAÇÃO TEMPORAL

A meia-vida das plaquetas in vivo é de 7-10 dias, o que pode explicar por que o efeito analgésico declina após duas semanas — hipótese dos autores que precisa de mais investigação

O que ainda é incerto

  • ?Não se sabe se o benefício se mantém por mais de duas semanas ou quantas repetições seriam ideais
  • ?O protocolo ideal de preparo do PRP (concentração de plaquetas, presença ou ausência de leucócitos) ainda não está padronizado para essa aplicação esp
  • ?Não foi estudado se o alívio da dor se traduz em melhora real da função mastigatória, sono ou qualidade de vida
  • ?A maioria dos participantes tinha cerca de 29 anos; não se sabe se resultados seriam similares em idosos ou em pacientes com DTM de longa evolução
🎯

O que o estudo quis responder

Testar se injeções de plasma rico em plaquetas reduzem dor muscular na face

👥

QUEM PARTICIPOU

58 adultos com dor no músculo masseter por DTM

🧪

COMO FOI FEITO

Grupo recebeu plasma rico em plaquetas, outro recebeu soro fisiológico

📈

O QUE MUDOU

58% de redução da dor em 5 dias no grupo tratado

🛟

SEGURANÇA

Efeitos leves: inchaço temporário e hematomas

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

PRIMEIRA EVIDÊNCIA ROBUSTA PARA MASSETER

Este foi o primeiro ensaio duplo-cego randomizado a testar injeções intramusculares de PRP especificamente na dor miofascial do músculo masseter, preenchendo uma lacuna importante na literatura de DTM

🧭

EFEITO RÁPIDO E MENSURÁVEL

A rapidez do alívio — 58% em apenas 5 dias — surpreendeu e abre possibilidade de uso como 'ponte' enquanto tratamentos de fundo fazem efeito, ou para crises de dor intensa

📌

DECLÍNIO QUE GERA PERGUNTAS

O fato de a dor aumentar levemente entre o 5º e o 14º dia sugere que o efeito biológico das plaquetas é temporário, indicando necessidade de pesquisa sobre esquemas de repetição otimizados

🔍

SEGURANÇA EM CONTEXTOS OROFACIAIS

A boa tolerabilidade em região facial, com estruturas anatômicas delicadas e proximidade com articulação temporomandibular, é um achado relevante para futuras aplicações

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Plasma rico em plaquetas reduz dor muscular na face em pacientes com DTM

A dor facial causada por tensão nos músculos da mastigação é um problema comum e frequentemente subestimado. Muitas pessoas que sofrem de distúrbios temporomandibulares (DTM) conhecem bem essa sensação: uma dor persistente no músculo masseter, aquela região que fica logo abaixo da bochecha, que pode piorar com a mastigação, ao acordar ou em momentos de estresse. Essa condição, conhecida como dor miofascial, está frequentemente ligada ao bruxismo — o apertar ou ranger dos dentes, especialmente durante o sono — e pode transformar atividades simples como comer ou conversar em verdadeiras provações. Quando tratamentos conservadores como placas oclusais, biofeedback ou medicamentos não trazem alívio suficiente, pacientes e médicos começam a buscar alternativas.

Foi nesse contexto que pesquisadores poloneses decidiram investigar se o plasma rico em plaquetas, uma substância obtida do próprio sangue do paciente, poderia oferecer uma nova porta de esperança.

O estudo conduzido por Nitecka-Buchta e colaboradores, publicado em 2019 na revista Frontiers in Neurology, representa um dos primeiros passos científicos para entender se injeções intramusculares de plasma rico em plaquetas (PRP) podem reduzir a dor miofascial no músculo masseter. Trata-se de um ensaio clínico randomizado e duplo-cego, o que significa que os participantes foram divididos aleatoriamente em grupos e nem eles nem os avaliadores sabiam quem recebia o tratamento real ou o placebo — um padrão ouro que aumenta a confiabilidade dos resultados. No total, 58 adultos participaram, com idade média próxima dos 29 anos, sendo a maioria mulheres. Todos tinham diagnóstico confirmado de dor miofascial nos músculos masseteres segundo critérios rigorosos internacionais (RDC/TMD) e não estavam respondendo adequadamente aos tratamentos convencionais.

O procedimento em si é relativamente direto, embora exija precisão técnica. Aproximadamente 40 ml de sangue eram coletados de cada participante e processados em centrífuga para obter cerca de 6 ml de plasma rico em plaquetas purificado. Esse concentrado contém fatores de crescimento que, teoricamente, podem estimular a regeneração muscular e reduzir a inflamação. No grupo experimental, essa substância era injetada em seis pontos doloridos dos músculos masseteres (três de cada lado), enquanto o grupo controle recebia injeções de soro fisiológico no mesmo padrão.

A avaliação da dor era feita por uma escala visual de 0 a 10, onde zero significa ausência total de dor e dez representa a pior dor imaginável.

Os resultados chamaram a atenção da comunidade científica. Apenas cinco dias após as injeções, o grupo que recebeu plasma rico em plaquetas apresentou uma redução média de 58% na intensidade da dor — uma queda significativa que muitos pacientes considerariam clinicamente relevante. Em termos práticos, quem começava com dor moderada a intensa (média de 5,3 na escala) passava a sentir dor leve a moderada (média de 2,2). Já o grupo controle, que recebeu soro fisiológico, teve apenas 10,4% de redução, uma melhora modesta que pode ser atribuída ao efeito placebo ou ao leve efeito das próprias injeções.

Duas semanas depois, a diferença entre os grupos permaneceu estatisticamente significativa, embora o efeito do tratamento real tenha diminuído ligeiramente: a redução da dor no grupo PRP foi de 47,2%, contra 4,6% no grupo controle. Essa tendência de declínio parcial do efeito ao longo do tempo é um ponto importante para considerar.

Sobre a segurança, o estudo trouxe notícias reconfortadoras. Os efeitos adversos foram leves e temporários: três pacientes do grupo PRP e um do grupo controle relataram inchaço local e dor muscular após as injeções, enquanto sete participantes (de ambos os grupos) apresentaram pequenos hematomas no local da coleta de sangue. Nenhum evento adverso grave foi registrado, o que sugere que o procedimento é bem tolerado quando realizado com os devidos cuidados. No entanto, é válido ressaltar que o acompanhamento foi curto e uma amostra de 58 pessoas pode não capturar efeitos raros ou problemas que surgem apenas com o uso repetido ao longo de meses ou anos.

A interpretação desses resultados exige equilíbrio entre otimismo e prudência. Por um lado, a magnitude do efeito é grande para um tratamento minimamente invasivo e autólogo — ou seja, que usa material do próprio corpo do paciente, eliminando riscos de rejeição ou transmissão de doenças. A redução de mais da metade da dor em menos de uma semana pode representar uma mudança real na qualidade de vida de quem convive com essa condição crônica. Por outro lado, o estudo é explicitamente descrito como um "estudo piloto", com limitações importantes que não podem ser ignoradas.

O número de participantes é relativamente pequeno, o período de acompanhamento de apenas duas semanas não permite conclusões sobre durabilidade do efeito, e não houve avaliação de desfechos como função mastigatória, qualidade do sono ou impacto emocional — aspectos que frequentemente acompanham a dor crônica facial.

Os próprios autores reconhecem que o efeito do plasma rico em plaquetas parece ser de curta duração, possivelmente relacionado à meia-vida das plaquetas (cerca de 7 a 10 dias), e sugerem que injeções repetidas podem ser necessárias para manter o benefício. Eles também enfatizam que o PRP não deve ser visto como substituto, mas como complemento aos tratamentos conservadores já estabelecidos, como placas oclusais e abordagens comportamentais para o bruxismo. Essa visão de tratamento multimodal é coerente com o que se sabe sobre DTM: raramente existe uma única solução mágica, e o manejo efetivo geralmente combina diferentes estratégias personalizadas para cada paciente.

Para quem vive com dor miofascial facial refratária, este estudo oferece uma luz no fim do túnel, mas não uma saída garantida. A evidência sugere que o plasma rico em plaquetas pode ser uma opção válida quando outros caminhos se esgotam, especialmente para aqueles que preferem evitar medicamentos de uso contínuo ou procedimentos mais invasivos. A decisão de prosseguir com esse tratamento deve sempre incluir uma conversa franca com o médico sobre expectativas realistas, custos (ainda não reembolsados pela maioria dos planos de saúde), necessidade de possíveis repetições e a importância de continuar as medidas conservadoras paralelas. A ciência avança com passos modestos, e este estudo, embora promissor, é apenas um deles — um convite para pesquisas maiores e mais longas que possam confirmar se esse benefício inicial se traduz em alívio duradouro e em melhoria real na vida das pessoas.

O que fortalece a leitura

  • 1Estudo randomizado e duplo-cego
  • 2Método objetivo de avaliação da dor
  • 3Protocolo padronizado de preparo do PRP
  • 4Resultados estatisticamente significativos
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Amostra pequena (58 pacientes)
  • 2Seguimento curto (apenas 14 dias)
  • 3Efeito diminui com o tempo
  • 4Falta dados sobre eficácia a longo prazo

Leitura clínica do estudo

MODERADA
70/ 100
Desenho
4/5
Amostra
3/5
Confirmação
2/5

🔬 Como o estudo foi organizado

58pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Plasma rico em plaquetas

29 pessoas

Injeções de PRP no músculo masseter

Controle

29 pessoas

Injeções de soro fisiológico

⏱️ Tempo de acompanhamento: 14 dias

📊 Resultados em números

0%

Redução da dor (PRP) em 5 dias

10,4%

Redução da dor (controle) em 5 dias

47,2%

Redução da dor (PRP) em 14 dias

4,6%

Redução da dor (controle) em 14 dias

Destaques percentuais

58%
Redução da dor (PRP) em 5 dias
10,4%
Redução da dor (controle) em 5 dias
47,2%
Redução da dor (PRP) em 14 dias
4,6%
Redução da dor (controle) em 14 dias

📊 Comparação de Resultados

Escala visual de dor (0-10) no dia 5

PRP
2.2
Controle
5.4

Escala visual de dor (0-10) no dia 14

PRP
2.8
Controle
5.8

📅 Linha do tempo da evidência

1970Primeiros usos médicos do plasma rico em plaquetas
2014Estudos iniciais de PRP em DTM
2019Este estudo demonstra eficácia do PRP na dor muscular facial

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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