fisioterapeutas participantes
420
certificados em agulhamento seco
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
International Journal of Sports Physical Therapy
Ano
2020
Autores
Boyce et al.
Desenho
Nível não totalmente claro
Efeitos menores como pequeno sangramento e hematomas são comuns (cerca de 1 em cada 3 tratamentos), mas são temporários e esperados. Complicações graves são muito raras, ocorrendo em menos de 1 em cada 1. 000 tratamentos. É importante que pacientes saibam sobre esses riscos baixos antes do tratamento.
Título original do estudo: Adverse Events Associated with Therapeutic Dry Needling
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
000 tratamentos, embora efeitos menores como sangramento e hematomas sejam comuns mas temporários.
Efeitos menores como pequeno sangramento e hematomas são comuns (cerca de 1 em cada 3 tratamentos), mas são temporários e esperados. Complicações graves são muito raras, ocorrendo em menos de 1 em cada 1. 000 tratamentos. É importante que pacientes saibam sobre esses riscos baixos antes do tratamento.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Eventos graves são muito raros, efeitos menores são comuns mas temporários
Ponto 1
1 em cada 3 tratamentos pode ter sangramento leve ou hematoma temporário
Ponto 2
Eventos graves ocorrem em menos de 1 em cada 1. 000 sessões
O que este estudo acrescenta
maior análise de segurança específica para agulhamento seco com mais de 20. 000 tratamentos, superando limitações de estudos anteriores
Aplicabilidade clínica
fornece pela primeira vez dados robustos de segurança específicos para agulhamento seco, essenciais para consentimento informado e tomada de decisão clínica
Força do desenho do estudo
coleta dados do mundo real mas não compara com grupos controle, sendo útil para avaliar segurança na prática clínica
fisioterapeutas participantes
420
certificados em agulhamento seco
sessões de tratamento
20. 494
analisadas durante 6 semanas
eventos adversos menores
36,7%
dos tratamentos tiveram eventos menores
eventos adversos maiores
<0,1%
menos de 1 em cada 1. 000 tratamentos
taxa de resposta
3%
Ficha rápida do estudo
Condição
segurança do agulhamento seco terapêutico
Tipo de estudo
estudo prospectivo observacional
Participantes
Duração
6 semanas de coleta de dados
Sessões
20. 494 sessões de agulhamento seco
Comparador
análise descritiva sem grupo controle
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
variável conforme prática clínica individual
conforme necessidade clínica de cada paciente
não especificada no estudo
agulhamento de pontos-gatilho miofasciais com agulhas filiformes
estudo observacional sem comparador
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
coleta de dados de segurança
melhorou significativamente
primeira grande base de dados específica para agulhamento seco com mais de 20. 000 tratamentos
precisão de estimativas
melhorou
amostra 10 vezes maior que estudos anteriores permitiu estimativas mais confiáveis
definições de eventos adversos
melhorou parcialmente
categorização mais clara entre eventos menores e maiores
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
durante ou imediatamente após o tratamento
eventos adversos menores
sangramento, hematomas e dor apareceram durante as sessões
ao longo das 6 semanas
redução de eventos
número de eventos adversos relatados diminuiu com o tempo
Antes e depois
eventos adversos menores relatados
escala máx. 2500 eventos/semana
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Cerca de 1 em cada 3 tratamentos pode resultar em sangramento leve, pequenos hematomas ou dor durante o procedimento, mas eventos graves ocorrem em menos de 1 em 1000 tratamentos
Tempo provável
efeitos menores aparecem imediatamente e resolvem em horas a poucos dias
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
agulhamento seco é perigoso porque usa agulhas
Achado
eventos adversos graves são muito raros (menos de 0,1%) quando realizado por profissionais treinados
Mito
profissionais mais experientes são sempre mais seguros
Achado
experiência do profissional não se correlacionou com frequência de eventos adversos
Mito
agulhamento seco e acupuntura têm os mesmos riscos
Achado
este estudo mostra que riscos devem ser avaliados especificamente para agulhamento seco, não extrapolados da acupuntura
Como isso pode funcionar
CATEGORIZAÇÃO
eventos foram classificados como menores (temporários, funcionalmente insignificantes) ou maiores (requerem tratamento adicional)
ANÁLISE ESTATÍSTICA
cálculo de frequências e correlações para identificar padrões de segurança na prática real
O que ainda é incerto
Determinar a frequência e tipos de efeitos adversos durante o agulhamento seco terapêutico
464 sessões de tratamento
Questionários semanais por 6 semanas registrando eventos adversos menores e maiores
Eventos menores em 36,7% dos tratamentos; eventos maiores em apenas 0,1%
Eventos graves muito raros (1 em cada 1. 024 tratamentos), eventos menores esperados e temporários
Achados Interessantes
PRIMEIRA BASE ROBUSTA
este é o primeiro estudo com amostra grande o suficiente para estimativas confiáveis de eventos adversos específicos do agulhamento seco
EXPERIÊNCIA NÃO INFLUENCIA SEGURANÇA
anos de experiência ou nível de treinamento não se correlacionaram com menor frequência de eventos adversos
PERFIL SUPERIOR A MEDICAMENTOS
taxa de eventos adversos graves muito inferior a medicamentos comuns para dor como opioides (78%) e anti-inflamatórios (35%)
AGULHAS ESQUECIDAS
identificou problema inesperado de agulhas inadvertidamente deixadas no paciente, destacando necessidade de protocolos de controle
Resumo detalhado em linguagem acessível
Esta técnica utiliza agulhas finas e sólidas para penetrar a pele e estimular pontos-gatilho miofasciais, tecidos musculares e conjuntivos com o objetivo de reduzir a dor e melhorar o movimento. Diferentemente da acupuntura, que se baseia em conceitos de medicina tradicional chinesa e meridianos energéticos, o agulhamento seco fundamenta-se na anatomia e fisiologia ocidental, direcionando-se especificamente às estruturas musculoesqueléticas disfuncionais. Apesar do crescimento significativo em sua utilização, existia uma importante lacuna na literatura sobre a segurança desta técnica, com a maioria dos dados de eventos adversos sendo inadequadamente extrapolados de estudos sobre acupuntura. Esta pesquisa prospectiva, conduzida por Boyce e colaboradores, foi desenvolvida para preencher essa lacuna crucial ao fornecer dados específicos sobre eventos adversos associados ao agulhamento seco na prática clínica real.
A metodologia foi cuidadosamente estruturada para capturar diferentes tipos de eventos adversos. Os pesquisadores adaptaram definições de estudos anteriores para classificar os eventos em duas categorias principais: eventos adversos menores e maiores. Eventos adversos menores foram operacionalmente definidos como ocorrências de curto prazo, leves, não sérias, nas quais a função do paciente permanece intacta, com consequências durando horas ou poucos dias. Exemplos incluem sangramento, hematomas e dor durante ou após o tratamento.
Eventos adversos maiores foram definidos como ocorrências de médio a longo prazo, moderadas a graves, que podem requerer tratamento adicional e podem ser sérias e angustiantes, durando dias ou semanas. Exemplos incluem pneumotórax, lesão nervosa, infecção ou exacerbação excessiva de sintomas. Os participantes receberam duas formas de questionário semanais durante seis semanas. A Forma A registrava o número total de tratamentos de agulhamento seco e eventos menores, incluindo hematomas, desmaio, náusea, cefaleia, sonolência, sangramento no local da agulha, dor durante o tratamento e agravamento de sintomas após o tratamento.
A Forma B era preenchida apenas quando eventos adversos maiores ocorriam, incluindo problemas relacionados ao agulhamento como pneumotórax, órgãos perfurados, agulhas quebradas ou esquecidas, efeitos sistêmicos como desmaio, convulsões, vômitos, reações cutâneas importantes, infecções e alterações inesperadas ou prolongadas de sintomas. A maioria (82%) trabalhava em práticas ortopédicas, clínicas ou centros ambulatoriais. Todos haviam completado treinamento certificado, com 60% tendo concluído treinamento de Nível 1, 26% Nível 2 e 14% Nível 3. O treinamento de Nível 1 inclui teoria, segurança, indicações, contraindicações e técnicas introdutórias.
O Nível 2 abrange técnicas mais avançadas em áreas técnicas das extremidades, articulação temporomandibular e coluna. O Nível 3 foca em técnicas avançadas para pacientes complexos. Durante as seis semanas de coleta, foram registrados dados de 20. 494 sessões de tratamento, representando uma amostra substancial da prática clínica real.
Os resultados revelaram um padrão tranquilizador de segurança geral. Um total de 7. 531 eventos adversos menores foi relatado, indicando que 36,7% dos tratamentos resultaram em algum evento adverso menor. Os três eventos menores mais comuns foram sangramento (16%), hematomas (7,7%) e dor durante o agulhamento (5,9%).
É crucial contextualizar que estes eventos menores são esperados e temporários, similares ao que ocorre em qualquer procedimento envolvendo penetração da pele por agulha. A razão média de eventos adversos menores para todos os participantes foi de 0,53, ou aproximadamente um evento para cada dois pacientes tratados. Outros eventos menores relatados incluíram agravamento temporário de sintomas (2,9%), dor após o tratamento (2,5%), desmaio (1,1%), sonolência (0,6%), náusea (0,5%) e cefaleia (0,3%). Todos os outros eventos adversos menores tiveram frequência inferior a 3% do total de tratamentos.
Quanto aos eventos adversos maiores, apenas vinte foram relatados das 20. 494 sessões, resultando em uma taxa inferior a 0,1%, o que equivale a aproximadamente um evento para cada 1. 024 tratamentos. Esta taxa baixa de eventos adversos maiores demonstra um perfil de segurança favorável para a técnica.
Os eventos maiores mais frequentemente relatados foram agravamento prolongado de sintomas (6 casos), desmaio (4 casos) e agulhas esquecidas (3 casos). Também foram relatados dois casos de sintomas semelhantes à gripe, duas infecções, um caso de fraqueza em membro inferior direito durando até 18 horas, um caso de sangramento excessivo e um caso de dormência em extremidade superior. Uma observação interessante foi que dos vinte eventos adversos maiores relatados, doze ocorreram durante agulhamento seco do quadrante inferior e oito durante tratamento do quadrante superior, sem eventos adversos maiores associados ao agulhamento da coluna torácica, tórax anterior, abdome ou regiões inguinais. Os grupos musculares mais frequentemente associados a eventos adversos maiores foram glúteos, paraespinais lombares, suboccipitais e trapézio superior.
No entanto, os autores advertem para não assumir que eventos adversos maiores ocorrem mais frequentemente no quadrante inferior baseado apenas nestes achados, recomendando investigação adicional. Um achado significativo foi que a experiência do profissional, nível de treinamento, idade ou tempo de prática não se correlacionaram com a frequência de eventos adversos. Esta descoberta é encorajadora, indicando que o treinamento adequado e a certificação são fatores mais determinantes para a segurança do que a experiência acumulada. O estudo também observou uma tendência interessante de redução no relato de eventos adversos ao longo das seis semanas.
No início do período de coleta, 2. 053 eventos foram relatados na primeira semana, diminuindo para 787 na sexta semana, mesmo com o número de tratamentos permanecendo relativamente constante em aproximadamente 3. 415 por semana. Esta redução pode refletir fadiga dos participantes em reportar eventos menores, maior consciência e cuidado na aplicação da técnica, ou possível dessensibilização a eventos menores considerados como ocorrências normais do agulhamento seco.
Quando comparados com outros tratamentos para dor, os resultados mostram um perfil de segurança favorável para o agulhamento seco. Medicamentos opioides apresentam eventos adversos em 78% dos casos, anti-inflamatórios não esteroidais em 35%, aspirina em 18,7% e ibuprofeno em 13,7%. Neste contexto, a taxa de eventos adversos maiores inferior a 0,1% para o agulhamento seco representa um perfil de risco baixo, especialmente considerando a crescente preocupação com alternativas seguras aos opioides para manejo da dor. O estudo apresenta algumas limitações importantes que devem ser consideradas na interpretação dos resultados.
Fisioterapeutas certificados
420 pessoas
Relatório de eventos adversos durante prática de agulhamento seco
Eventos adversos menores
Eventos adversos maiores
Sangramento (evento menor mais comum)
Hematomas
Dor durante agulhamento
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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