Estudo científico comentado

Liberação miofascial é mais eficaz que eletroestimulação para dor no trapézio em estudantes universitários

Referência acadêmica

Periódico

Cureus

Ano

2022

Autores

Joshi et al.

Desenho

Nível não totalmente claro

Este estudo comparou duas técnicas para tratar dor no músculo trapézio (região do pescoço e ombro) em estudantes. A liberação miofascial, que é uma técnica de massagem manual, mostrou-se mais eficaz que a eletroestimulação para reduzir a dor e melhorar a função. Ambos os tratamentos são seguros, mas a liberação miofascial proporcionou alívio maior e mais duradouro. Os resultados sugerem que a terapia manual pode ser uma boa opção para quem passa muito tempo estudando ou no computador.

Título original do estudo: Effectiveness of Myofascial Release (MFR) vs. High-Frequency Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation (TENS) for Pain Relief and Functional Improvement in College Students With Trapezius Myalgia

🔬estudo comparativo👥n=45 participantes📈evidência moderada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Em jovens universitários com mialgia crônica do trapézio, quatro semanas de liberação miofascial manual reduziram mais a dor e melhoraram mais a função do que a eletroestimulação TENS de alta frequência, embora ambas as abordagens tenham mostrado benefícios.

O que isso significa para você?

Este estudo comparou duas técnicas para tratar dor no músculo trapézio (região do pescoço e ombro) em estudantes. A liberação miofascial, que é uma técnica de massagem manual, mostrou-se mais eficaz que a eletroestimulação para reduzir a dor e melhorar a função. Ambos os tratamentos são seguros, mas a liberação miofascial proporcionou alívio maior e mais duradouro. Os resultados sugerem que a terapia manual pode ser uma boa opção para quem passa muito tempo estudando ou no computador.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Se você sente dor persistente no pescoço e ombros por causa de horas no computador, tratamentos manuais direcionados podem aliviar mais do que aparelhos de eletroestimulação sozinh
  • 2A consistência importa: os benefícios vieram de sessões regulares durante várias semanas, não de tratamentos esporádicos
  • 3Dor no pescoço em jovens não deve ser ignorada — intervenção precoce pode evitar que o problema se torne mais difícil de tratar
  • 4Ergonômia e hábitos de estudo são tão importantes quanto o tratamento; considere avaliar sua postura junto com a terapia
  • 5Converse com seu médico sobre se você se enquadra no perfil dos participantes deste estudo
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Minha dor no pescoço se parece com a dos participantes do estudo, ou há diferenças importantes?
  • 2Seria adequado tentar liberação miofascial no meu caso, ou há contraindicações?
  • 3Que outras medidas posso tomar além do tratamento para prevenir que a dor volte?
  • 4Como saberemos se o tratamento está funcionando, e em quanto tempo devo esperar resultados?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Ambos os tratamentos foram bem tolerados no estudo, mas a segurança a longo prazo não foi avaliada
  • 2A liberação miofascial pode causar desconforto durante a aplicação; a intensidade deve ser ajustada individualmente
  • 3O TENS de alta frequência não é adequado para pessoas com determinados tipos de marca-passo ou desfibriladores; informe seu médico sobre qualquer dispositivo implantado
  • 4Este estudo não substitui avaliação médica individual; dor no pescoço pode ter diversas causas que precisam de diagnóstico adequado

Leitura rápida para pacientes

Massagem terapêutica direcionada venceu a eletroestimulação para dor no trapézio

Em estudantes com dor crônica de pescoço, quatro semanas de liberação miofascial manual aliviaram mais a dor e melhoraram mais o movimento do que o aparelho TENS

Ponto 1

Ambos os tratamentos ajudaram, mas a técnica manual foi mais eficaz para dor e função

Ponto 2

Sessões curtas (10 min) e frequentes (4x/semana) foram suficientes para resultados em 4 semanas

Ponto 3

Não se sabe se o efeito dura: o estudo não acompanhou os participantes além do tratamento

O que este estudo acrescenta

COMPARAÇÃO DIRETA INÉDITA

Este foi um dos poucos estudos a comparar diretamente liberação miofascial com TENS de alta frequência especificamente para mialgia do trapézio em universitários, população cada vez mais afetada por dores relacionadas ao

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A diferença de 2 pontos na escala de dor (0-10) e de mais de 4 pontos no NDI são clinicamente perceptíveis para pacientes, mas a ausência de grupo controle e o tamanho amostral limitado reduzem a certeza sobre a magnitud

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Participantes foram distribuídos aleatoriamente entre dois tratamentos, o que reduz vieses de seleção, embora a ausência de grupo placebo limite as conclusões sobre eficácia especí

Participantes do estudo

45

estudantes universitários randomizados

Redução de dor com liberação miofascial

5,18

pontos na escala 0-10 (média do grupo)

Redução de dor com TENS

3,18

pontos na escala 0-10 (média do grupo)

Melhora funcional com liberação miofascial

9,95

pontos no NDI (0-50)

Significância estatística

p<0,0001

diferença entre grupos altamente improvável de ser casual

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Mialgia crônica do músculo trapézio em estudantes universitários

Tipo de estudo

Estudo comparativo randomizado

Participantes

45 estudantes (18-25 anos), maioria feminina, com dor cervical crônica relaciona

Duração

4 semanas de intervenção, com avaliações na primeira e última semana

Sessões

16 sessões ao total (4x/semana por 4 semanas)

Comparador

TENS alta frequência como comparador ativo

Grupos do estudo

Liberação miofascial + crioterapiaTENS alta frequência (80-100 Hz)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

16 sessões totais

Frequência02

4 vezes por semana

Duração da sessão03

10 minutos por sessão

Pontos / técnica04

Liberação miofascial com polegares, borda ulnar da palma e antebraço, deslizando medialmente sobre trapézio superior, seguida de alongamento e compressa fria por 10 minutos

Comparador05

TENS 80-100 Hz, eletrodos lineares sobre trapézio, intensidade tolerável com contração muscular visível, 10 minutos

Nota de protocolo06

Não houve grupo placebo ou sem intervenção ativa; ambos os grupos receberam tratamento real

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Estudantes universitários entre 18 e 25 anosQueixas de dor e rigidez no pescoço com tensão no trapézio superiorSintomas crônicos relacionados a postura prolongada de estudoAmbos os sexos, com predomínio feminino na amostraDisposição para participar e comparecer regularmente ao tratamentoAusência de condições estruturais ou cirúrgicas que explicassem a dor

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pessoas com mais de 25 anos ou idososIndivíduos com escoliose, tortícolis ou outras deformidades estruturaisPacientes com histórico de cirurgia de membro superior no ano anteriorQuem apresentava feridas, fraturas em consolidação ou doenças de pele na regiãoParticipantes de outros ensaios clínicos simultâneos

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor

reduziu

Redução média de 5,18 pontos (0-10) com liberação miofascial vs. 3,18 com TENS

🔄

Função cervical

melhorou

Ganho de 9,95 pontos no NDI com liberação miofascial vs. 5,72 com TENS

🎯

Qualidade de vida relacionada ao pescoço

melhorou

Melhora funcional captada pelo questionário NDI, que avalia atividades diárias como ler, dirigir e dormir

⏱️

Tolerabilidade do tratamento

melhorou

Ambos os tratamentos foram bem aceitos, sem interrupções por desconforto excessivo

O que não mudou

  • Não houve comparação com grupo sem tratamento ativo (placebo ou lista de espera)
  • Não foram avaliados resultados além de 4 semanas, portanto não se sabe sobre manutenção dos ganhos
  • Não houve mensuração do uso de medicamentos analgésicos durante o estudo

Quando a melhora apareceu

1

4 semanas (16 sessões)

Avaliação final

Melhoria significativa em dor e função em ambos os grupos, com vantagem clara para liberação miofascial

Antes e depois

Dor (escala 0-10) — Liberação miofascial

escala máx. 10 pontos

Antes7.5 pontos
Depois2.3 pontos

Dor (escala 0-10) — TENS

escala máx. 10 pontos

Antes7.5 pontos
Depois4.3 pontos

Função cervical (NDI 0-50) — Liberação miofascial

escala máx. 50 pontos

Antes18 pontos
Depois8 pontos

Função cervical (NDI 0-50) — TENS

escala máx. 50 pontos

Antes17 pontos
Depois11 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Ambos os tratamentos foram bem tolerados durante as 4 semanas
  • Nenhum evento adverso grave foi relatado em nenhum dos grupos
  • Técnicas não invasivas, sem necessidade de medicação
Amarelo
  • Liberação miofascial pode causar desconforto temporário durante a manobra
  • TENS pode produzir sensação de formigamento intensa em algumas pessoas
  • Crioterapia aplicada por tempo inadequado pode causar irritação cutânea
Vermelho
  • Estudo não relatou monitoramento sistemático de efeitos adversos além de tolerabilidade geral
  • Contraindicações específicas do TENS (como uso de marca-passo) não foram detalhadas na seleção
  • Duração curta do acompanhamento limita avaliação de segurança a longo prazo

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Jovens adultos com dor crônica no trapézio relacionada a postura de estudo ou trabalho sentado
  • Pessoas que preferem abordagens não farmacológicas para controle da dor
  • Indivíduos com tensão muscular palpável e pontos sensíveis na região do pescoço e ombro
  • Quem tem disponibilidade para sessões regulares (4x/semana) durante algumas semanas
  • Pacientes sem condições estruturais da coluna ou cirurgias prévias na região

Mais cautela para extrapolar

  • Idosos ou pessoas com mais de 25 anos, fora da faixa etária estudada
  • Indivíduos com diagnóstico de escoliose, tortícolis ou outras deformidades estruturais
  • Quem apresenta feridas abertas, infecções de pele ou fraturas recentes na região cervical
  • Pacientes com dor de origem neural compressiva ou radiculopatia confirmada
  • Quem busca tratamento único ou esporádico, sem disponibilidade para sessões frequentes

Expectativa realista

Alívio progressivo com compromisso frequente

Com sessões regulares de liberação miofascial, muitos pacientes podem esperar redução significativa da dor e mais facilidade para movimentar o pescoço e ombros no dia a dia

Tempo provável

Ganhos mensuráveis tendem a aparecer ao longo de 3 a 4 semanas de tratamento frequente

Resultados baseados apenas em jovens estudantes; duração do efeito além de 4 semanas não foi estudada

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se há pontos sensíveis específicos no trapézio que pioram com a pressão
  2. 2Discutir hábitos de estudo/trabalho: quantas horas sentado, posição do monitor, uso de notebook
  3. 3Verificar se já tentou outras abordagens (calor, alongamentos, medicamentos) e o que funcionou
  4. 4Questionar sobre dormir de lado ou de bruços, que podem tensionar o trapézio
  5. 5Solicitar avaliação da postura e da ergonomia da estação de trabalho

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Eletroestimulação é sempre tão eficaz quanto terapia manual para dor muscular

Achado

Neste estudo, a liberação miofascial superou o TENS de alta frequência tanto na redução da dor quanto na melhora funcional

Mito

Dor no pescoço de jovens é passageira e não precisa de tratamento

Achado

Os participantes tinham dor crônica que impactava a função, e a intervenção ativa produziu melhorias significativas em 4 semanas

Mito

Tratamentos para dor precisam ser longos ou medicados para funcionar

Achado

Sessões de 10 minutos, 4x/semana, com técnica manual adequada, produziram resultados clinicamente relevantes sem medicamentos

Como isso pode funcionar

👐

PRESSÃO MECÂNICA

Manobras manuais direcionadas aplicam tensão controlada sobre o tecido conjuntivo e muscular — mecanismo proposto, não diretamente observado neste estudo

🩸

MELHORA DA CIRCULAÇÃO

A mobilização tecidual pode aumentar o fluxo sanguíneo e linfático local, facilitando a resolução de processos inflamatórios leves — hipótese baseada em conhecimento fisiológico geral

🧠

MODULAÇÃO DA SENSIBILIDADE

A estimulação mecânica das fibras nervosas pode alterar o processamento da dor no sistema nervoso central — mecanismo plausível, mas não confirmado diretamente

❄️

CONTROLE DO DESCONFORTO

A crioterapia subsequente pode reduzir a resposta inflamatória aguda e a sensação de dor residual após a manobra manual — associação prática do protocolo estudado

O que ainda é incerto

  • ?Não se sabe se os resultados se manteriam por mais de 4 semanas, pois não houve seguimento posterior
  • ?A ausência de grupo placebo ou controle impede estimar quanto da melhoria se deve ao efeito específico de cada tratamento versus expectativa ou atençã
  • ?É desconhecido se a combinação de ambas as técnicas seria superior a cada uma isoladamente
  • ?A predominância feminina na amostra limita a certeza sobre a generalização para homens em proporções diferentes
🎯

O que o estudo quis responder

Comparar liberação miofascial e eletroestimulação para tratar dor muscular no trapézio em universitários

👥

QUEM PARTICIPOU

45 estudantes universitários (18-25 anos) com dor crônica no músculo trapézio

🧪

COMO FOI FEITO

Grupo 1: liberação miofascial + crioterapia; Grupo 2: TENS alta frequência, 4 semanas cada

📈

O QUE MUDOU

Liberação miofascial reduziu mais a dor (5,18 vs 3,18 pontos) e melhorou mais a função

🛟

SEGURANÇA

Ambos os tratamentos foram bem tolerados, sem eventos adversos relatados

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

DIFERENÇA CLARA ENTRE ABORDAGENS

Pela primeira vez em universitários com mialgia do trapézio, a liberação miofascial mostrou vantagem mensurável e estatisticamente robusta sobre o TENS de alta frequência, não apenas similaridade

🧭

POPULAÇÃO EM ASCENSÃO EPIDÊMICA

O estudo focou em jovens adultos com dor relacionada a estudo e telas — grupo em crescimento exponencial e frequentemente negligenciado em pesquisa, que tende a priorizar idosos e trabalhadores braçais

📌

SIMPLICIDADE DO PROTOCOLO

A técnica vencedora não exigia equipamentos caros ou sofisticados: 10 minutos de manobras manuais combinadas com compressa fria, quatro vezes por semana, produziram resultados superiores a um dispositivo médico

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Liberação miofascial é mais eficaz que eletroestimulação para dor no trapézio em estudantes universitários

A dor no músculo trapézio — aquela região que vai da base do pescoço até o ombro — é uma queixa extremamente comum, especialmente entre quem passa muitas horas sentado estudando ou trabalhando no computador. Cerca de dois terços da população mundial experimenta algum tipo de dor no pescoço pelo menos uma vez na vida, e entre estudantes universitários essa prevalência é particularmente preocupante. A chamada mialgia do trapézio se manifesta como dor, rigidez e tensão nas fibras superiores desse músculo, frequentemente acompanhada de pontos sensíveis que pioram com a palpação e limitam os movimentos do pescoço. Quando essa dor se torna crônica, pode afetar não apenas o bem-estar físico, mas também a concentração, o sono e a qualidade de vida acadêmica e profissional.

Neste contexto, pesquisadores indianos conduziram um estudo comparativo para responder a uma pergunta prática e relevante: entre duas abordagens de tratamento amplamente disponíveis, qual oferece melhor alívio para quem sofre com essa condição? O estudo comparou a liberação miofascial — uma técnica de mobilização manual dos tecidos moles — com a eletroestimulação nervosa transcutânea de alta frequência (TENS), um dispositivo que emite correntes elétricas de baixa intensidade pela pele para modulação da dor.

A pesquisa foi realizada com 45 estudantes universitários entre 18 e 25 anos, todos com diagnóstico de mialgia crônica do trapézio. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de 22 pessoas cada. O grupo A recebeu liberação miofascial combinada com crioterapia (aplicação de frio): sessões de 10 minutos, quatro vezes por semana, durante quatro semanas. A técnica envolvia manobras manuais com os polegares, borda ulnar da palma e antebraço, deslizando em direção medial até a região superior da escápula, seguida de alongamento do trapézio superior e compressa fria para prevenir sensibilidade muscular.

O grupo B recebeu TENS de alta frequência (80-100 Hz), também em sessões de 10 minutos, quatro vezes semanais, por quatro semanas, com eletrodos posicionados linearmente sobre o músculo trapézio em intensidade tolerável pelo participante.

Os resultados foram avaliados por duas escalas validadas: a Escala Numérica de Avaliação de Dor (NPRS), que vai de 0 a 10, e o Índice de Incapacidade Cervical (NDI), que mede o impacto da dor nas atividades diárias em uma pontuação de 0 a 50. Ambos os grupos melhoraram em relação ao início do estudo, mas a diferença entre as abordagens foi expressiva. No grupo da liberação miofascial, a redução média da dor foi de 5,18 pontos na escala de 0 a 10, contra 3,18 pontos no grupo TENS — uma vantagem de dois pontos que, na prática clínica, representa a diferença entre uma dor moderada-intensa e uma dor leve ou quase ausente. Quanto à função, medida pelo NDI, o grupo da liberação miofascial obteve melhoria média de 9,95 pontos, enquanto o grupo TENS melhorou 5,72 pontos.

Ambas as diferenças alcançaram significância estatística rigorosa (p < 0,0001), indicando que a superioridade da liberação miofascial não foi fruto do acaso.

É importante compreender o que esses números significam na vida real. Uma redução de mais de cinco pontos na escala de dor sugere que muitos participantes do grupo de liberação miofascial passaram de uma dor que interferia nas atividades diárias para uma dor leve ou ocasional. A melhoria funcional de quase 10 pontos no NDI indica ganhos concretos em atividades como ler, dirigir, trabalhar no computador e dormir confortavelmente. A liberação miofascial parece agir através de múltiplos mecanismos: relaxamento da tensão muscular, melhora da circulação sanguínea e drenagem linfática na região, alteração da viscoelasticidade do tecido conjuntivo e restauração do alinhamento muscular.

Já o TENS de alta frequência trabalha principalmente pela estimulação das fibras nervosas A-beta, que competem com as vias da dor no nível da medula espinhal, além de possivelmente promover liberação de endorfinas.

Contudo, é fundamental manter a interpretação prudente. O estudo apresenta limitações importantes que afetam sua generalização. A amostra de 45 participantes, embora adequada para uma pesquisa inicial, é relativamente pequena. Não houve grupo controle com placebo ou sem intervenção ativa, o que impossibilita saber quanto da melhoria em ambos os grupos se deveu ao efeito do tratamento específico versus expectativa, atenção terapêutica ou resolução natural do sintoma.

O acompanhamento foi de apenas quatro semanas, não permitindo conclusões sobre a durabilidade dos benefícios a médio e longo prazo. Além disso, todos os participantes eram jovens estudantes universitários, predominantemente do sexo feminino, com dor crônica relacionada a postura de estudo — perfil que não necessariamente se estende a trabalhadores braçais, idosos ou pessoas com causas estruturais de dor cervical.

Do ponto de vista da segurança, ambos os tratamentos foram bem tolerados e nenhum evento adverso foi relatado, o que é reconfortante. A liberação miofascial pode causar desconforto temporário durante a aplicação, e o TENS pode produzir sensação de formigamento que algumas pessoas acham incômoda, mas ambos são considerados abordagens de baixo risco quando aplicados adequadamente.

Para o paciente que vive com dor no trapézio, este estudo oferece uma orientação valiosa: a terapia manual direcionada parece proporcionar alívio mais robusto que a eletroestimulação isolada, pelo menos no curto prazo e na população estudada. Isso não significa que o TENS seja inútil — ele também produziu melhorias mensuráveis —, mas sugere que, quando disponível, a abordagem manual pode ser preferencial. Na prática clínica, a combinação de ambas as modalidades, associada a orientações ergonômicas e exercícios de fortalecimento, pode representar a estratégia mais completa. O estudo reforça ainda a importância de não ignorar a dor cervical em jovens: o que começa como incômodo ocasional pode evoluir para padrão crônico, e a intervenção precoce, com técnicas adequadas, pode prevenir complicações futuras.

O que fortalece a leitura

  • 1Comparação direta entre duas técnicas amplamente utilizadas
  • 2Avaliação tanto da dor quanto da função
  • 3População homogênea de estudantes universitários
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Amostra relativamente pequena
  • 2Ausência de grupo controle placebo
  • 3Seguimento de apenas 4 semanas

Leitura clínica do estudo

MODERADA
65/ 100
Desenho
3/5
Amostra
2/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

45pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Liberação miofascial

22 pessoas

MFR + crioterapia, 10 min/dia, 4x/semana

TENS alta frequência

22 pessoas

TENS 80-100Hz, 10 min/dia, 4x/semana

⏱️ Tempo de acompanhamento: 4 semanas

📊 Resultados em números

5.18 pontos

Redução da dor (grupo MFR)

3.18 pontos

Redução da dor (grupo TENS)

9.95 pontos

Melhora funcional (grupo MFR)

5.72 pontos

Melhora funcional (grupo TENS)

p<0.0001

Significância estatística

📊 Comparação de Resultados

Redução da dor (escala 0-10)

Liberação miofascial
5.18
TENS alta frequência
3.18

📅 Linha do tempo da evidência

1999Primeiros estudos sobre mialgia do trapézio
2017Evidências sobre eficácia da liberação miofascial
2019Estudos comparativos entre eletroterapia e terapia manual
2022Estudo atual demonstra superioridade da liberação miofascial

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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