Participantes analisados
102
51 em cada grupo, divididos aleatoriamente
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Clinical Rehabilitation
Ano
2020
Autores
Naruseviciute & Kubilius
Desenho
Ensaio clínico randomizado
Este estudo comparou dois tipos de laser para tratar dor no calcanhar (fascite plantar). Ambos os tratamentos reduziram a dor de forma similar após 3 semanas. A única diferença foi que mais pessoas ficaram satisfeitas com o laser de alta intensidade. Isso sugere que ambas as opções podem ajudar, mas os pacientes podem se sentir melhor com uma delas.
Título original do estudo: The effect of high-intensity versus low-level laser therapy in the management of plantar fasciitis: randomized participant blind controlled trial
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Laser de alta e baixa intensidade aliviaram a dor de fascite plantar de forma semelhante; a única diferença foi maior satisfação subjetiva com o laser de alta intensidade, sem superioridade mensurável na dor ou função.
Este estudo comparou dois tipos de laser para tratar dor no calcanhar (fascite plantar). Ambos os tratamentos reduziram a dor de forma similar após 3 semanas. A única diferença foi que mais pessoas ficaram satisfeitas com o laser de alta intensidade. Isso sugere que ambas as opções podem ajudar, mas os pacientes podem se sentir melhor com uma delas.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Para dor no calcanhar por fascite plantar, laser de alta e baixa intensidade ajudaram igualmente em 3 semanas. Mais pessoas gostaram do de alta intensidade, mas não sentiram menos
Ponto 1
8 sessões em 3 semanas podem reduzir a dor, mas não curam a fascite plantar
Ponto 2
A satisfação maior com laser de alta intensidade não se traduziu em benefício real adicional
Ponto 3
Cuidados em casa (calçado, gelo, alongamento) foram parte essencial do tratamento em ambos os grupos
O que este estudo acrescenta
Primeiro estudo a comparar HILT e LLLT combinados com educação do paciente, mostrando que a vantagem percebida do laser de alta intensidade não se confirma em medidas objetivas de dor.
Aplicabilidade clínica
Ambos os lasers reduziram a dor, mas sem grupo controle é impossível saber se foi efeito específico do laser, placebo ou evolução natural. A diferença de satisfação (73% vs. 51%) não se traduziu em benefício mensurável a
Força do desenho do estudo
Este é um estudo experimental de alta qualidade metodológica, mas com limitações importantes: sem controle placebo, sem cegamento do avaliador e com perda significativa de particip
Participantes analisados
102
51 em cada grupo, divididos aleatoriamente
Sessões de laser
8
ao longo de 3 semanas, 3x por semana
Satisfação >50% com HILT
73%
vs. 51% com LLLT, única diferença estatística
Redução da dor geral
2,6-2,9 cm
na escala de 0-10, similar entre os grupos
Perda de seguimento
40%
aos 4 semanas, limitando confiança nos resultados de longo prazo
Ficha rápida do estudo
Condição
Fascite plantar unilateral
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado
Participantes
102 adultos (média ~56 anos, 80% mulheres) com dor no calcanhar há pelo menos 1
Duração
3 semanas de tratamento + 1 semana de seguimento
Sessões
8 sessões de laser
Comparador
Comparação direta entre dois tipos de laser ativos (HILT vs. LLLT), sem grupo placebo
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
8
3 vezes por semana (segunda, quarta e sexta)
Aproximadamente 7 minutos em ambos os grupos
Varredura lenta sobre a borda medial da fáscia plantar + varredura da zona de inserção no calcâneo e calcanhar completo
HILT (12W, 1064nm, 3000J por sessão) vs. LLLT (50mW/diodo, 785nm, 140J por sessão)
Ambos os grupos receberam orientações idênticas para cuidados em casa: calçado com palmilha macia, gelo, massagem e exercícios. Uso de anti-inflamatórios foi proibido durante o est
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Dor geral
melhorou
Redução de ~2,6 a 2,9 cm na escala de 0-10 cm, similar nos dois grupos
Dor na primeira passada matinal
melhorou
Queda de ~4,4 a 4,7 cm, principal queixa dos pacientes com fascite plantar
Dor ao longo do dia
melhorou
Melhora consistente em todos os momentos avaliados (manhã, meio-dia, noite)
Satisfação com tratamento
melhorou mais no HILT
73% consideraram HILT >50% efetivo vs. 51% para LLLT, única diferença estatística entre grupos
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
3 semanas
Após 8 sessões (3 semanas)
Redução significativa da dor geral e nos momentos específicos do dia em ambos os grupos
4 semanas
Seguimento de 4 semanas
Manutenção das melhoras, mas com alta perda de seguimento (40%) que dificulta interpretação
Antes e depois
Dor geral (escala 0-10)
escala máx. 10 cm
Dor na primeira passada matinal
escala máx. 10 cm
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Se você tem fascite plantar unilateral, ambos os tipos de laser podem ajudar a reduzir a dor em cerca de 3 semanas de tratamento frequente. A melhora tende a ser modesta e similar entre as tecnologias.
Tempo provável
Melhora da dor geralmente observada após 8 sessões ao longo de 3 semanas
Não há garantia de que o laser seja o responsável pela melhora — pode ser efeito dos cuidados em casa, do tempo ou do placebo. A satisfação maior com laser de a
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Laser de alta intensidade é clinicamente superior ao de baixa intensidade para fascite plantar
Achado
Ambos reduziram a dor de forma estatisticamente similar; apenas a satisfação subjetiva foi maior com HILT, não a dor mensurável
Mito
O laser cura a fascite plantar ou resolve a espessura da fáscia
Achado
A espessura da fáscia não mudou de forma clinicamente relevante; a melhora foi principalmente na percepção da dor, sem evidência de cura estrutural
Mito
Tratamentos com laser são totalmente seguros e sem qualquer desconforto
Achado
Aumento temporário de dor ocorreu em alguns participantes do grupo de alta intensidade, embora não tenha havido complicações graves
Como isso pode funcionar
EMISSÃO DE LUZ
O laser emite luz infravermelha que penetra nos tecidos — a intensidade determina a quantidade de energia, mas o mecanismo exato de ação na fascite plantar ainda não está completamente estabelecido
MODULAÇÃO INFLAMATÓRIA (PROPOSTA)
Estudos sugerem que a fotobiomodulação pode influenciar processos inflamatórios e de reparo celular, embora isso seja mais bem documentado em tendinites que na fascite plantar especificamente
MODULAÇÃO DA DOR
A melhora da dor pode envolver efeitos locais nos tecidos, mas também mecanismos de modulação nervosa e placebo, especialmente considerando que não houve diferença entre tecnologias tão distintas
O que ainda é incerto
Comparar se laser de alta intensidade (HILT) funciona melhor que laser de baixa intensidade (LLLT) para dor no calcanhar
102 pessoas com fascite plantar unilateral, divididas em dois grupos de 51
8 sessões de laser (3x/semana) + orientações para casa, comparando HILT versus LLLT
Ambos os grupos melhoraram a dor igualmente, mas mais pessoas ficaram satisfeitas com HILT
Nenhum efeito adverso sério, apenas aumento temporário de dor em alguns do grupo HILT
Achados Interessantes
EXPECTATIVA VS. REALIDADE
Apesar do laser de alta intensidade ser percebido como mais efetivo pelos pacientes (73% vs. 51% de satisfação), as medidas objetivas de dor, pressão e espessura da fáscia foram praticamente idênticas entre os grupos — u
EDUCAÇÃO COMO PILAR
Este foi o primeiro estudo a combinar laser com educação estruturada do paciente (calçado, gelo, massagem, exercícios), refletindo melhor a prática real — embora isso também signifique que não se pode isolar o efeito do
AUSÊNCIA DE CONTROLE
A falta de grupo placebo ou 'cuidado usual apenas' é a limitação mais importante: talvez ambos os lasers tenham funcionado, talvez nenhum tenha sido necessário, e essa dúvida permanece sem resposta neste estudo.
Resumo detalhado em linguagem acessível
A fascite plantar é uma das causas mais comuns de dor no calcanhar, especialmente ao dar os primeiros passos pela manhã ou após períodos de repouso. Para quem convive com esse desconforto, encontrar tratamentos eficazes e seguros é uma prioridade. Este estudo, realizado na Lituânia entre 2017 e 2019, trouxe uma comparação direta entre dois tipos de terapia a laser que têm sido estudados para esse problema: o laser de alta intensidade (HILT) e o laser de baixa intensidade (LLLT).
A pesquisa incluiu 102 participantes com fascite plantar unilateral — ou seja, dor em apenas um dos pés — que foram divididos aleatoriamente em dois grupos iguais de 51 pessoas. Para fazer parte do estudo, era preciso ter dor no calcanhar há pelo menos um mês, principalmente nos primeiros passos ao levantar, com sensibilidade na região onde a fáscia plantar se insere no calcâneo. A idade dos participantes variava de 18 a 85 anos, com média em torno de 56 anos, e a maioria era do sexo feminino.
O tratamento durou três semanas, com oito sessões de laser no total, realizadas três vezes por semana. Ambos os grupos receberam também uma única sessão de orientação sobre cuidados em casa: uso de calçados com palmilhas macias, gelo na região, massagem na sola do pé e exercícios para mobilidade. A diferença entre os grupos estava apenas no tipo de laser aplicado. O grupo HILT recebeu laser de alta intensidade com potência de 12W e comprimento de onda de 1064 nm, enquanto o grupo LLLT recebeu laser de baixa intensidade com 50 mW por diodo e comprimento de onda de 785 nm.
Os participantes não sabiam qual tipo de laser estavam recebendo, o que ajuda a reduzir vieses na avaliação dos resultados.
Os pesquisadores avaliaram a dor de várias formas: através de uma escala visual de 0 a 10 cm, medindo a dor em geral e em momentos específicos do dia; através de um algômetro, que mede a pressão que o calcanhar suporta antes de sentir dor; e por ultrassom, que verifica a espessura da fáscia plantar. A espessura é importante porque, na fascite plantar, essa estrutura tende a ficar mais espessa devido à inflamação.
Os resultados mostraram que ambos os grupos melhoraram significativamente em relação ao início do tratamento. A dor geral diminuiu em média 2,88 cm no grupo de alta intensidade e 2,57 cm no grupo de baixa intensidade — uma diferença pequena e que não teve significado estatístico, ou seja, não dá para afirmar que um foi superior ao outro nesse aspecto. A mesma conclusão valeu para a pressão que o calcanhar conseguia suportar e para a espessura da fáscia plantar medida pelo ultrassom: melhoras em ambos os grupos, sem diferença clara entre eles.
O único ponto onde houve diferença estatística foi na satisfação dos participantes. Quando perguntados se consideravam o tratamento mais de 50% efetivo, 73% do grupo de alta intensidade responderam positivamente, contra 51% do grupo de baixa intensidade. Essa diferença na percepção pessoal do tratamento, embora interessante, não se refletiu nas medidas objetivas de dor e função.
Em termos de segurança, o estudo não registrou eventos adversos graves. Algumas pessoas do grupo de alta intensidade relataram aumento temporário da dor no meio do tratamento, mas isso foi passageiro. Não houve complicações sérias em nenhum dos grupos.
É importante notar algumas limitações que afetam como interpretamos esses resultados. O estudo não teve um grupo que não recebesse laser algum, o que impossibilita saber se a melhora foi devida ao laser especificamente ou aos cuidados gerais, ao efeito placebo ou à evolução natural da condição. Além disso, quem aplicou o tratamento e fez as avaliações sabia qual laser estava sendo usado, o que pode ter influenciado, mesmo que sem intenção, a forma de conduzir o estudo. Outro ponto preocupante foi a alta taxa de abandono: 40% dos participantes não compareceram à avaliação de quatro semanas, o que reduz a confiança nos resultados de longo prazo.
O acompanhamento também foi curto — apenas quatro semanas no total —, não permitindo saber se os benefícios se mantêm a médio e longo prazo. Para quem considera investir em tratamentos com laser, esse estudo sugere que tanto a opção de alta quanto a de baixa intensidade podem trazer alívio da dor, mas não há evidência robusta de que uma seja clinicamente superior à outra. A maior satisfação relatada com o laser de alta intensidade pode refletir expectativas, sensação de tratamento mais "potente" ou outros fatores subjetivos, mas não se traduziu em melhora mensuravelmente maior na dor ou na função.
Na prática, isso significa que pacientes com fascite plantar podem encontrar alívio com ambas as tecnologias, mas a escolha deve considerar custos, disponibilidade, preferência pessoal e, principalmente, a combinação com outras estratégias fundamentais: calçados adequados, alongamentos, fortalecimento e modificações de atividades. O laser, se utilizado, parece funcionar melhor como parte de um plano mais amplo do que como solução isolada.
HILT
51 pessoas
Laser de alta intensidade + educação do paciente
LLLT
51 pessoas
Laser de baixa intensidade + educação do paciente
Redução da dor geral (HILT)
Redução da dor geral (LLLT)
Satisfação >50% (HILT)
Satisfação >50% (LLLT)
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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