Estudo científico comentado

Ultrassom focado versus planar para dor miofascial no músculo trapézio: resultados imediatos

Referência acadêmica

Periódico

BMC Musculoskeletal Disorders

Ano

2025

Autores

Chen et al.

Desenho

Ensaio clínico randomizado

Este estudo mostrou que tanto o ultrassom focado quanto o ultrassom planar são eficazes para reduzir imediatamente a dor nos pontos-gatilho do músculo trapézio (região entre pescoço e ombro). Ambos os tratamentos melhoraram a dor e a capacidade funcional de forma significativa após apenas 3 sessões de 5 minutos cada. Os resultados sugerem que pacientes com dor miofascial no trapézio podem se beneficiar de qualquer uma dessas modalidades de ultrassom, oferecendo uma alternativa não medicamentosa segura e eficaz.

Título original do estudo: Immediate efficacy of low-intensity focused ultrasound versus planar ultrasound in patients with myofascial pain syndrome of upper trapezius: a randomized controlled clinical trial

🧪Ensaio clínico randomizado👥n=40 participantesEfeito imediato significativo
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Ultrassom focado e planar de baixa intensidade mostraram alívio imediato e seguro da dor miofascial no trapézio superior, sem diferença comprovada entre eles; a escolha pode depender de disponibilidade prática, não de superioridade estabelecida.

O que isso significa para você?

Este estudo mostrou que tanto o ultrassom focado quanto o ultrassom planar são eficazes para reduzir imediatamente a dor nos pontos-gatilho do músculo trapézio (região entre pescoço e ombro). Ambos os tratamentos melhoraram a dor e a capacidade funcional de forma significativa após apenas 3 sessões de 5 minutos cada. Os resultados sugerem que pacientes com dor miofascial no trapézio podem se beneficiar de qualquer uma dessas modalidades de ultrassom, oferecendo uma alternativa não medicamentosa segura e eficaz.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Se você tem dor miofascial moderada no trapézio, o ultrassom terapêutico — seja focado ou planar — pode oferecer alívio rápido em poucas sessões curtas
  • 2A escolha entre um equipamento ou outro provavelmente dependerá mais do que está disponível na sua região do de uma vantagem comprovada
  • 3O tratamento parece seguro no curto prazo, mas converse com seu médico sobre se seu perfil se encaixa no dos participantes do estudo
  • 4Não espere que a melhora dure para sempre: o estudo não acompanhou os pacientes por mais de três dias
  • 5O ultrassom pode ser uma alternativa interessante se você não pode ou não quer usar medicamentos para dor
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Minha dor no trapézio tem características de pontos-gatilho miofascial ou pode ser outra condição, como hérnia de disco cervical?
  • 2Há contraindicações específicas para eu fazer ultrassom terapêutico considerando meu histórico médico?
  • 3Se o benefício do estudo durou apenas 72 horas, qual seria a estratégia para manutenção a longo prazo?
  • 4O ultrassom seria usado sozinho ou combinado com outros tratamentos, como exercícios terapêuticos?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum evento adverso foi documentado neste estudo com 40 participantes, mas amostras maiores são necessárias para confirmar a segurança em populações mais amplas
  • 2O estudo excluiu pacientes com condições específicas (radiculopatia, trauma cervical, fibromialgia) — a segurança nesses perfis não foi testada
  • 3O seguimento de apenas 72 horas não permite afirmar segurança a médio e longo prazo ou com múltiplos ciclos de tratamento
  • 4A aplicação deve ser feita com parâmetros padronizados e por profissional adequadamente treinado, considerando as características individuais de cada paciente

Leitura rápida para pacientes

Ultrassom pode aliviar dor no trapézio em 3 dias

Tanto o modelo focado quanto o planar mostraram reduzir dor e melhorar movimento de forma rápida e segura

Ponto 1

3 sessões de 5 minutos foram suficientes para sentir diferença

Ponto 2

Nenhum efeito colateral foi observado no estudo

Ponto 3

Não se sabe se o benefício dura mais de 3 dias — acompanhamento maior é necessário

O que este estudo acrescenta

COMPARAÇÃO DIRETA INÉDITA

Este é um dos primeiros ensaios clínicos a comparar diretamente o efeito imediato do ultrassom focado versus planar especificamente para síndrome de dor miofascial do trapézio, incluindo avaliação eletromiográfica.

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

As melhorias superaram o mínimo clinicamente importante para dor e função, com tamanhos de efeito de moderados a grandes. No entanto, a ausência de diferença estatística entre grupos e a falta de controle placebo limitam

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é um estudo experimental com alocação aleatória de participantes, o que oferece maior confiabilidade que estudos observacionais, embora limitado pelo tamanho da amostra e ausê

Participantes

40

20 em cada grupo, amostra calculada para poder de 85%

Redução de dor LIFU

-2,0 cm

na escala VAS de 0-10 cm, imediatamente após tratamento

Redução de dor LIPU

-1,0 cm

na escala VAS, também significativa e mantida a 72h

Melhora funcional

-6,0 / -5,0

pontos no NDI para LIFU e LIPU, respectivamente, acima do mínimo clinicamente importante

Eventos adversos

0

nenhum relatado em qualquer grupo durante o estudo

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Síndrome de dor miofascial do trapézio superior com pontos-gatilho ativos

Tipo de estudo

Ensaio clínico randomizado, single-blind

Participantes

40 adultos (20-70 anos), 20 em cada grupo

Duração

3 dias de tratamento com avaliação imediata e após 72 horas

Sessões

3 sessões de 5 minutos, uma por dia

Comparador

Comparação direta entre duas modalidades ativas de ultrassom

Grupos do estudo

LIFU (ultrassom focado)LIPU (ultrassom planar)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

3

Frequência02

1 vez ao dia por 3 dias consecutivos

Duração da sessão03

5 minutos por sessão

Pontos / técnica04

Aplicação sobre pontos-gatilho do trapézio superior com movimento circular do transdutor (1-2 cm/segundo), usando gel de contato

Comparador05

LIPU (ultrassom planar) versus LIFU (ultrassom focado), mesmos parâmetros de frequência e intensidade

Nota de protocolo06

Parâmetros: 1,5 W/cm², 1 MHz, modo contínuo. Pacientes cegados para alocação com óculos bloqueadores de luz e posicionamento que impedia visualização do equipamento.

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos de 20 a 70 anos com diagnóstico de dor miofascial no trapézio superiorPacientes com pontos-gatilho ativos confirmados por critérios clínicos rigorosos (banda tensa, dor referida, resposta de contração local)Indivíduos que não haviam recebido ultrassom terapêutico nos últimos 12 mesesPessoas com dor de intensidade moderada, em média, segundo a escala visual analógicaPacientes que concordaram em participar voluntariamente do estudo

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes com sinais de radiculopatia cervical ou histórico de trauma cervicalQuem havia feito cirurgia cervical prévia ou recebido toxina botulínica/bloqueios nervosos nos últimos 12 mesesIndivíduos com fibromialgia, náuseas, vômitos ou vertigem associadosPessoas com dor intensa ou severa, já que a maioria da amostra tinha dor moderada

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor

reduziu significativamente

LIFU: -2,0 cm; LIPU: -1,0 cm na escala VAS de 0-10 cm, ambos com melhora clinicamente relevante

🧠

Características da dor

melhorou

Pontuação total do SF-MPQ caiu em ambos os grupos, indicando redução dos componentes sensorial e afetivo da dor

🔄

Função cervical

melhorou significativamente

NDI reduziu 6,0 pontos (LIFU) e 5,0 pontos (LIPU), superando o mínimo clinicamente importante

Atividade muscular (LIPU)

modulou

Redução do RMS no grupo LIPU sugere diminuição da atividade eletromiográfica anormal nos pontos-gatilho

O que não mudou

  • Não houve diferença estatisticamente significativa entre LIFU e LIPU em nenhum desfecho, apesar das tendências numéricas favoráveis ao LIFU
  • O grupo LIFU não mostrou alterações significativas nos parâmetros eletromiográficos (RMS e MF), ao contrário do LIPU
  • A frequência mediana (MF) não mudou significativamente em nenhum dos grupos no pós-imediato

Quando a melhora apareceu

1

10 minutos após tratamento

Imediatamente após 3ª sessão

Redução significativa da dor (VAS) e melhora funcional (NDI) em ambos os grupos

2

72 horas após tratamento

Manutenção da melhora

Os ganhos em dor e função se mantiveram sem regradação significativa

Antes e depois

Dor (VAS) - LIFU

escala máx. 10 cm

Antes4.5 cm
Depois2 cm

Dor (VAS) - LIPU

escala máx. 10 cm

Antes4 cm
Depois3 cm

Função cervical (NDI) - LIFU

escala máx. 50 pontos

Antes7 pontos
Depois4 pontos

Função cervical (NDI) - LIPU

escala máx. 50 pontos

Antes8.5 pontos
Depois7 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum evento adverso relatado em qualquer grupo durante todo o estudo
  • Boa tolerabilidade confirmada com protocolo padronizado de acompanhamento
  • Ausência de lesões cutâneas ou reações ao gel de contato
Amarelo
  • Seguimento curto de 72 horas não permite afirmar segurança a longo prazo
  • Cegamento apenas dos pacientes, não dos terapeutas aplicadores
  • Estudo unicêntrico limita generalização de segurança para outras populações
Vermelho
  • Ausência de grupo controle dificulta distinguir efeitos específicos do tratamento de melhorias espontâneas
  • Amostra pequena pode não capturar eventos adversos raros

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor miofascial moderada no trapézio superior e pontos-gatilho ativos palpáveis
  • Pessoas que preferem ou precisam de opções não farmacológicas para controle da dor
  • Indivíduos com dor relacionada a postura de trabalho ou uso prolongado de computador
  • Pacientes sem contraindicações cervicais graves e sem histórico recente de ultrassom terapêutico

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com radiculopatia cervical, trauma cervical prévio ou cirurgia na região
  • Quem apresenta fibromialgia generalizada ou sintomas neurológicos associados (vertigem, náuseas)
  • Indivíduos com dor severa, fora do perfil de intensidade moderada estudado
  • Pessoas que já receberam toxina botulínica ou bloqueios nervosos nos últimos 12 meses

Expectativa realista

Alívio rápido em poucas sessões

Após três sessões curtas de cinco minutos, você pode esperar redução da dor e melhora na capacidade de movimentar o pescoço e ombros, com benefício perceptível logo após o tratamento

Tempo provável

Melhora imediata após a terceira sessão, mantida por pelo menos 72 horas

Não se sabe se os efeitos persistem além de três dias, pois o estudo não acompanhou os pacientes por mais tempo

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se há pontos-gatilho ativos confirmados no trapézio superior e se a intensidade da dor é predominantemente moderada
  2. 2Verifique se há contraindicações como radiculopatia cervical, trauma prévio ou procedimentos recentes na região
  3. 3Discuta expectativas realistas: alívio rápido possível, mas necessidade de avaliar manutenção do benefício
  4. 4Considere a disponibilidade de equipamento e custo na escolha entre ultrassom focado ou planar
  5. 5Planeje reavaliação clínica após tratamento inicial para decidir sobre continuidade ou ajuste da estratégia

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Ultrassom focado é claramente superior ao planar para dor miofascial

Achado

O estudo não encontrou diferença estatisticamente significativa entre as modalidades; ambas funcionaram, sem superioridade comprovada de uma sobre a outra

Mito

É preciso muitas sessões para sentir algum efeito do ultrassom

Achado

Três sessões de cinco minutos foram suficientes para produzir alívio significativo e clinicamente relevante da dor e da função

Mito

Ultrassom terapêutico tem muitos efeitos colaterais

Achado

Nenhum evento adverso foi relatado, sugerindo bom perfil de segurança no curto prazo, embora mais dados sejam necessários

Como isso pode funcionar

🌊

Aplicação mecânica

Ondas ultrassônicas de 1 MHz penetram nos tecidos, possivelmente aumentando a temperatura local e a circulação sanguínea na região do ponto-gatilho — mecanismo proposto, não diretamente comprovado neste estudo

🔧

Modulação tecidual

A energia ultrassônica pode alterar a permeabilidade de membranas celulares e promover processos de reparo tecidual, segundo estudos prévios citados pelos autores

Reajuste neuromuscular

Alterações nos parâmetros eletromiográficos (especialmente redução do RMS no grupo LIPU) sugerem mudanças na atividade elétrica muscular, possivelmente refletindo normalização da função das placas terminais motoras — int

O que ainda é incerto

  • ?A durabilidade dos efeitos além de 72 horas é completamente desconhecida — não há dados de acompanhamento a médio ou longo prazo
  • ?A ausência de grupo controle placebo impede saber se a melhoria se deve ao ultrassom especificamente ou a fatores como expectativa, atenção terapêutic
  • ?Não houve diferença estatística entre LIFU e LIPU, mas os tamanhos de efeito moderados a grandes sugerem que o estudo pode ter sido subdimensionado pa
  • ?Os mecanismos eletrofisiológicos permanecem incertos: por que o LIPU alterou o RMS e o LIFU não? Essa diferença é biologicamente real ou fruto do acas
🎯

O que o estudo quis responder

Comparar os efeitos imediatos do ultrassom focado (LIFU) versus ultrassom planar (LIPU) na dor e função em pacientes com síndrome de dor miofascial do trapézio superior

👥

QUEM PARTICIPOU

40 pacientes adultos (20-70 anos) com pontos-gatilho ativos no músculo trapézio superior, divididos igualmente em dois grupos

🧪

COMO FOI FEITO

3 sessões de ultrassom (1,5 W/cm², 1 MHz, 5 minutos) com LIFU ou LIPU, uma vez por dia, com avaliações imediatas e após 72 horas

📈

O QUE MUDOU

Ambos os grupos tiveram redução significativa da dor: LIFU reduziu 2,0 cm e LIPU reduziu 1,0 cm na escala visual analógica

🛟

SEGURANÇA

Nenhum evento adverso foi relatado em qualquer grupo durante todo o período de estudo

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

EQUIVALÊNCIA

Contrariando a expectativa de que o ultrassom focado seria superior por concentrar energia mais profundamente, o estudo não encontrou diferença comprovada entre as duas modalidades

🧭

JANELA DE TEMPO CURTA

O estudo demonstra que é possível obter alívio clinicamente relevante em apenas três dias, o que pode ser útil para quem precisa de resposta rápida antes de eventos importantes

📌

BIOMARCADORES EM TEMPO REAL

O uso de eletromiografia de superfície para acompanhar a resposta ao ultrassom é uma abordagem inovadora que pode, no futuro, ajudar a personalizar tratamentos — embora os resultados ainda sejam preliminares

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Ultrassom focado versus planar para dor miofascial no músculo trapézio: resultados imediatos

A síndrome de dor miofascial é uma condição dolorosa que afeta uma parcela enorme da população — estima-se que até 85% das pessoas experimentem esse tipo de dor em algum momento da vida. Ela se caracteriza pela presença de pontos-gatilho nos músculos, áreas sensíveis que causam dor localizada, tensão e limitação de movimento. O músculo trapézio superior, que liga o pescoço aos ombros, é um dos mais comumente atingidos, especialmente em quem trabalha longas horas na frente do computador ou mantém posturas inadequadas por tempo prolongado. Para esses pacientes, encontrar tratamentos não medicamentosos, seguros e de rápida ação é uma prioridade importante.

Neste contexto, pesquisadores chineses conduziram um ensaio clínico randomizado para comparar duas modalidades de ultrassom terapêutico: o ultrassom focado de baixa intensidade (LIFU) e o ultrassom planar de baixa intensidade (LIPU). Ambos são recursos que aplicam ondas sonoras de alta frequência sobre a pele, com o objetivo de modificar a resposta do tecido e promover alívio sintomático. A diferença técnica entre eles está na forma como a energia se distribui: enquanto o ultrassom planar dispersa a energia de maneira mais ampla, o ultrassom focado concentra a energia em um ponto específico, mais profundamente no tecido.

O estudo incluiu 40 pacientes adultos, com idades entre 20 e 70 anos, todos diagnosticados com síndrome de dor miofascial no trapézio superior e com pontos-gatilho ativos confirmados por critérios clínicos rigorosos. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de 20 pessoas cada. Um grupo recebeu LIFU e o outro, LIPU. O protocolo terapêutico foi padronizado: três sessões de cinco minutos cada, uma por dia, com frequência de 1 MHz e intensidade de 1,5 W/cm², aplicadas diretamente sobre os pontos-gatilho identificados.

As avaliações foram feitas antes do tratamento, dez minutos após a última sessão e novamente após 72 horas.

Os resultados mostraram que ambos os tratamentos produziram melhora significativa e imediata nos principais desfechos. Quanto à intensidade da dor, medida pela escala visual analógica de 0 a 10 cm, o grupo LIFU apresentou redução média de 2,0 cm, enquanto o grupo LIPU teve redução de 1,0 cm. Ambas as reduções foram estatisticamente significativas e mantidas após 72 horas. A caracterização multidimensional da dor, avaliada pelo questionário de McGill abreviado, também melhorou nos dois grupos.

A função cervical, mensurada pelo Neck Disability Index, apresentou melhora clinicamente relevante: redução de 6,0 pontos no grupo LIFU e de 5,0 pontos no grupo LIPU, valores que superam o mínimo considerado clinicamente importante para essa escala.

Os pesquisadores também investigaram a atividade eletromiográfica da musculatura, usando eletromiografia de superfície. Essa avaliação busca capturar alterações na atividade elétrica muscular que possam refletir mudanças na função neuromuscular. Os achados nessa área foram mais complexos. O grupo LIPU mostrou redução significativa nos parâmetros de amplitude do sinal (RMS) imediatamente após o tratamento, sugerindo uma modulação da atividade muscular.

O grupo LIFU não apresentou alterações estatisticamente significativas nos mesmos parâmetros. Curiosamente, não houve diferença estatística direta entre os grupos em nenhum dos momentos avaliados, embora os tamanhos de efeito tenham sido de moderados a grandes, o que sugere que o estudo pode não ter tido poder estatístico suficiente para detectar diferenças mais sutis.

É importante destacar que nenhum evento adverso foi relatado em qualquer dos grupos durante todo o período de acompanhamento, o que reforça o perfil de segurança favorável de ambas as modalidades. Essa ausência de efeitos colaterais contrasta com as limitações de outros tratamentos frequentemente utilizados para essa condição, como medicamentos anti-inflamatórios — que podem causar irritação gástrica e outros problemas — ou intervenções invasivas, que carregam riscos de sangramento e hematomas.

No entanto, o estudo apresenta limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. A amostra de 40 participantes é relativamente pequena, o que reduz a precisão das estimativas e o poder de detectar diferenças entre os grupos. O acompanhamento de apenas 72 horas impede conclusões sobre a durabilidade dos efeitos a médio e longo prazo. A ausência de um grupo controle com placebo ou sham dificulta saber quanto da melhoria observada se deve especificamente ao ultrassom e quanto poderia ser atribuído a fatores como expectativa do paciente, efeito natural da condição ou outras variáveis.

Além disso, o estudo foi realizado em um único centro, o que pode limitar a generalização dos achados para outras populações e contextos de atendimento.

Do ponto de vista prático para pacientes, este estudo oferece uma mensagem reconfortante: tanto o ultrassom focado quanto o planar parecem ser opções seguras e capazes de produzir alívio rápido da dor e melhora funcional em pessoas com dor miofascial no trapézio superior. A escolha entre uma ou outra modalidade pode depender mais de fatores logísticos — como disponibilidade de equipamento, custo e preferência do profissional — do de uma superioridade comprovada de uma sobre a outra. Para quem busca alternativas não farmacológicas para o manejo da dor miofascial, o ultrassom terapêutico emerge como uma opção promissora, especialmente quando se deseja obter benefício em curto espaço de tempo. Ainda assim, mais pesquisas serão necessárias para definir qual seria o protocolo ideal, quantas sessões seriam necessárias para manutenção dos resultados e se existiriam subgrupos de pacientes que se beneficiariam mais de uma modalidade específica.

O que fortalece a leitura

  • 1Desenho randomizado controlado com cegamento
  • 2Uso de eletromiografia para avaliar mudanças neuromusculares
  • 3Avaliação de múltiplos desfechos (dor, função e atividade muscular)
  • 4Nenhum evento adverso relatado
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Amostra pequena (40 participantes)
  • 2Seguimento de curto prazo (72 horas)
  • 3Estudo unicêntrico
  • 4Ausência de grupo controle placebo

Leitura clínica do estudo

MODERADA
75/ 100
Desenho
4/5
Amostra
2/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

40pessoas avaliadas
divisão dos grupos

LIFU

20 pessoas

Ultrassom focado de baixa intensidade

LIPU

20 pessoas

Ultrassom planar de baixa intensidade

⏱️ Tempo de acompanhamento: 3 dias de tratamento com seguimento de 72 horas

📊 Resultados em números

-2,0 cm

Redução da dor - LIFU

-1,0 cm

Redução da dor - LIPU

-6,0 pontos

Melhora da função - LIFU

-5,0 pontos

Melhora da função - LIPU

📊 Comparação de Resultados

Intensidade da dor (escala 0-10)

LIFU - antes
4.5
LIFU - depois
2
LIPU - antes
4
LIPU - depois
3

📅 Linha do tempo da evidência

2020Estudos anteriores demonstram eficácia do ultrassom em dor miofascial
2022Evidências crescentes sobre ultrassom focado para dor muscular
2024Meta-análises confirmam benefícios do ultrassom terapêutico
2025Este estudo compara diretamente duas modalidades de ultrassom

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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