Participantes
40
20 em cada grupo, amostra calculada para poder de 85%
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
BMC Musculoskeletal Disorders
Ano
2025
Autores
Chen et al.
Desenho
Ensaio clínico randomizado
Este estudo mostrou que tanto o ultrassom focado quanto o ultrassom planar são eficazes para reduzir imediatamente a dor nos pontos-gatilho do músculo trapézio (região entre pescoço e ombro). Ambos os tratamentos melhoraram a dor e a capacidade funcional de forma significativa após apenas 3 sessões de 5 minutos cada. Os resultados sugerem que pacientes com dor miofascial no trapézio podem se beneficiar de qualquer uma dessas modalidades de ultrassom, oferecendo uma alternativa não medicamentosa segura e eficaz.
Título original do estudo: Immediate efficacy of low-intensity focused ultrasound versus planar ultrasound in patients with myofascial pain syndrome of upper trapezius: a randomized controlled clinical trial
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Ultrassom focado e planar de baixa intensidade mostraram alívio imediato e seguro da dor miofascial no trapézio superior, sem diferença comprovada entre eles; a escolha pode depender de disponibilidade prática, não de superioridade estabelecida.
Este estudo mostrou que tanto o ultrassom focado quanto o ultrassom planar são eficazes para reduzir imediatamente a dor nos pontos-gatilho do músculo trapézio (região entre pescoço e ombro). Ambos os tratamentos melhoraram a dor e a capacidade funcional de forma significativa após apenas 3 sessões de 5 minutos cada. Os resultados sugerem que pacientes com dor miofascial no trapézio podem se beneficiar de qualquer uma dessas modalidades de ultrassom, oferecendo uma alternativa não medicamentosa segura e eficaz.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Tanto o modelo focado quanto o planar mostraram reduzir dor e melhorar movimento de forma rápida e segura
Ponto 1
3 sessões de 5 minutos foram suficientes para sentir diferença
Ponto 2
Nenhum efeito colateral foi observado no estudo
Ponto 3
Não se sabe se o benefício dura mais de 3 dias — acompanhamento maior é necessário
O que este estudo acrescenta
Este é um dos primeiros ensaios clínicos a comparar diretamente o efeito imediato do ultrassom focado versus planar especificamente para síndrome de dor miofascial do trapézio, incluindo avaliação eletromiográfica.
Aplicabilidade clínica
As melhorias superaram o mínimo clinicamente importante para dor e função, com tamanhos de efeito de moderados a grandes. No entanto, a ausência de diferença estatística entre grupos e a falta de controle placebo limitam
Força do desenho do estudo
Este é um estudo experimental com alocação aleatória de participantes, o que oferece maior confiabilidade que estudos observacionais, embora limitado pelo tamanho da amostra e ausê
Participantes
40
20 em cada grupo, amostra calculada para poder de 85%
Redução de dor LIFU
-2,0 cm
na escala VAS de 0-10 cm, imediatamente após tratamento
Redução de dor LIPU
-1,0 cm
na escala VAS, também significativa e mantida a 72h
Melhora funcional
-6,0 / -5,0
pontos no NDI para LIFU e LIPU, respectivamente, acima do mínimo clinicamente importante
Eventos adversos
0
nenhum relatado em qualquer grupo durante o estudo
Ficha rápida do estudo
Condição
Síndrome de dor miofascial do trapézio superior com pontos-gatilho ativos
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado, single-blind
Participantes
40 adultos (20-70 anos), 20 em cada grupo
Duração
3 dias de tratamento com avaliação imediata e após 72 horas
Sessões
3 sessões de 5 minutos, uma por dia
Comparador
Comparação direta entre duas modalidades ativas de ultrassom
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
3
1 vez ao dia por 3 dias consecutivos
5 minutos por sessão
Aplicação sobre pontos-gatilho do trapézio superior com movimento circular do transdutor (1-2 cm/segundo), usando gel de contato
LIPU (ultrassom planar) versus LIFU (ultrassom focado), mesmos parâmetros de frequência e intensidade
Parâmetros: 1,5 W/cm², 1 MHz, modo contínuo. Pacientes cegados para alocação com óculos bloqueadores de luz e posicionamento que impedia visualização do equipamento.
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Intensidade da dor
reduziu significativamente
LIFU: -2,0 cm; LIPU: -1,0 cm na escala VAS de 0-10 cm, ambos com melhora clinicamente relevante
Características da dor
melhorou
Pontuação total do SF-MPQ caiu em ambos os grupos, indicando redução dos componentes sensorial e afetivo da dor
Função cervical
melhorou significativamente
NDI reduziu 6,0 pontos (LIFU) e 5,0 pontos (LIPU), superando o mínimo clinicamente importante
Atividade muscular (LIPU)
modulou
Redução do RMS no grupo LIPU sugere diminuição da atividade eletromiográfica anormal nos pontos-gatilho
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
10 minutos após tratamento
Imediatamente após 3ª sessão
Redução significativa da dor (VAS) e melhora funcional (NDI) em ambos os grupos
72 horas após tratamento
Manutenção da melhora
Os ganhos em dor e função se mantiveram sem regradação significativa
Antes e depois
Dor (VAS) - LIFU
escala máx. 10 cm
Dor (VAS) - LIPU
escala máx. 10 cm
Função cervical (NDI) - LIFU
escala máx. 50 pontos
Função cervical (NDI) - LIPU
escala máx. 50 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Após três sessões curtas de cinco minutos, você pode esperar redução da dor e melhora na capacidade de movimentar o pescoço e ombros, com benefício perceptível logo após o tratamento
Tempo provável
Melhora imediata após a terceira sessão, mantida por pelo menos 72 horas
Não se sabe se os efeitos persistem além de três dias, pois o estudo não acompanhou os pacientes por mais tempo
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Ultrassom focado é claramente superior ao planar para dor miofascial
Achado
O estudo não encontrou diferença estatisticamente significativa entre as modalidades; ambas funcionaram, sem superioridade comprovada de uma sobre a outra
Mito
É preciso muitas sessões para sentir algum efeito do ultrassom
Achado
Três sessões de cinco minutos foram suficientes para produzir alívio significativo e clinicamente relevante da dor e da função
Mito
Ultrassom terapêutico tem muitos efeitos colaterais
Achado
Nenhum evento adverso foi relatado, sugerindo bom perfil de segurança no curto prazo, embora mais dados sejam necessários
Como isso pode funcionar
Aplicação mecânica
Ondas ultrassônicas de 1 MHz penetram nos tecidos, possivelmente aumentando a temperatura local e a circulação sanguínea na região do ponto-gatilho — mecanismo proposto, não diretamente comprovado neste estudo
Modulação tecidual
A energia ultrassônica pode alterar a permeabilidade de membranas celulares e promover processos de reparo tecidual, segundo estudos prévios citados pelos autores
Reajuste neuromuscular
Alterações nos parâmetros eletromiográficos (especialmente redução do RMS no grupo LIPU) sugerem mudanças na atividade elétrica muscular, possivelmente refletindo normalização da função das placas terminais motoras — int
O que ainda é incerto
Comparar os efeitos imediatos do ultrassom focado (LIFU) versus ultrassom planar (LIPU) na dor e função em pacientes com síndrome de dor miofascial do trapézio superior
40 pacientes adultos (20-70 anos) com pontos-gatilho ativos no músculo trapézio superior, divididos igualmente em dois grupos
3 sessões de ultrassom (1,5 W/cm², 1 MHz, 5 minutos) com LIFU ou LIPU, uma vez por dia, com avaliações imediatas e após 72 horas
Ambos os grupos tiveram redução significativa da dor: LIFU reduziu 2,0 cm e LIPU reduziu 1,0 cm na escala visual analógica
Nenhum evento adverso foi relatado em qualquer grupo durante todo o período de estudo
Achados Interessantes
EQUIVALÊNCIA
Contrariando a expectativa de que o ultrassom focado seria superior por concentrar energia mais profundamente, o estudo não encontrou diferença comprovada entre as duas modalidades
JANELA DE TEMPO CURTA
O estudo demonstra que é possível obter alívio clinicamente relevante em apenas três dias, o que pode ser útil para quem precisa de resposta rápida antes de eventos importantes
BIOMARCADORES EM TEMPO REAL
O uso de eletromiografia de superfície para acompanhar a resposta ao ultrassom é uma abordagem inovadora que pode, no futuro, ajudar a personalizar tratamentos — embora os resultados ainda sejam preliminares
Resumo detalhado em linguagem acessível
A síndrome de dor miofascial é uma condição dolorosa que afeta uma parcela enorme da população — estima-se que até 85% das pessoas experimentem esse tipo de dor em algum momento da vida. Ela se caracteriza pela presença de pontos-gatilho nos músculos, áreas sensíveis que causam dor localizada, tensão e limitação de movimento. O músculo trapézio superior, que liga o pescoço aos ombros, é um dos mais comumente atingidos, especialmente em quem trabalha longas horas na frente do computador ou mantém posturas inadequadas por tempo prolongado. Para esses pacientes, encontrar tratamentos não medicamentosos, seguros e de rápida ação é uma prioridade importante.
Neste contexto, pesquisadores chineses conduziram um ensaio clínico randomizado para comparar duas modalidades de ultrassom terapêutico: o ultrassom focado de baixa intensidade (LIFU) e o ultrassom planar de baixa intensidade (LIPU). Ambos são recursos que aplicam ondas sonoras de alta frequência sobre a pele, com o objetivo de modificar a resposta do tecido e promover alívio sintomático. A diferença técnica entre eles está na forma como a energia se distribui: enquanto o ultrassom planar dispersa a energia de maneira mais ampla, o ultrassom focado concentra a energia em um ponto específico, mais profundamente no tecido.
O estudo incluiu 40 pacientes adultos, com idades entre 20 e 70 anos, todos diagnosticados com síndrome de dor miofascial no trapézio superior e com pontos-gatilho ativos confirmados por critérios clínicos rigorosos. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de 20 pessoas cada. Um grupo recebeu LIFU e o outro, LIPU. O protocolo terapêutico foi padronizado: três sessões de cinco minutos cada, uma por dia, com frequência de 1 MHz e intensidade de 1,5 W/cm², aplicadas diretamente sobre os pontos-gatilho identificados.
As avaliações foram feitas antes do tratamento, dez minutos após a última sessão e novamente após 72 horas.
Os resultados mostraram que ambos os tratamentos produziram melhora significativa e imediata nos principais desfechos. Quanto à intensidade da dor, medida pela escala visual analógica de 0 a 10 cm, o grupo LIFU apresentou redução média de 2,0 cm, enquanto o grupo LIPU teve redução de 1,0 cm. Ambas as reduções foram estatisticamente significativas e mantidas após 72 horas. A caracterização multidimensional da dor, avaliada pelo questionário de McGill abreviado, também melhorou nos dois grupos.
A função cervical, mensurada pelo Neck Disability Index, apresentou melhora clinicamente relevante: redução de 6,0 pontos no grupo LIFU e de 5,0 pontos no grupo LIPU, valores que superam o mínimo considerado clinicamente importante para essa escala.
Os pesquisadores também investigaram a atividade eletromiográfica da musculatura, usando eletromiografia de superfície. Essa avaliação busca capturar alterações na atividade elétrica muscular que possam refletir mudanças na função neuromuscular. Os achados nessa área foram mais complexos. O grupo LIPU mostrou redução significativa nos parâmetros de amplitude do sinal (RMS) imediatamente após o tratamento, sugerindo uma modulação da atividade muscular.
O grupo LIFU não apresentou alterações estatisticamente significativas nos mesmos parâmetros. Curiosamente, não houve diferença estatística direta entre os grupos em nenhum dos momentos avaliados, embora os tamanhos de efeito tenham sido de moderados a grandes, o que sugere que o estudo pode não ter tido poder estatístico suficiente para detectar diferenças mais sutis.
É importante destacar que nenhum evento adverso foi relatado em qualquer dos grupos durante todo o período de acompanhamento, o que reforça o perfil de segurança favorável de ambas as modalidades. Essa ausência de efeitos colaterais contrasta com as limitações de outros tratamentos frequentemente utilizados para essa condição, como medicamentos anti-inflamatórios — que podem causar irritação gástrica e outros problemas — ou intervenções invasivas, que carregam riscos de sangramento e hematomas.
No entanto, o estudo apresenta limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. A amostra de 40 participantes é relativamente pequena, o que reduz a precisão das estimativas e o poder de detectar diferenças entre os grupos. O acompanhamento de apenas 72 horas impede conclusões sobre a durabilidade dos efeitos a médio e longo prazo. A ausência de um grupo controle com placebo ou sham dificulta saber quanto da melhoria observada se deve especificamente ao ultrassom e quanto poderia ser atribuído a fatores como expectativa do paciente, efeito natural da condição ou outras variáveis.
Além disso, o estudo foi realizado em um único centro, o que pode limitar a generalização dos achados para outras populações e contextos de atendimento.
Do ponto de vista prático para pacientes, este estudo oferece uma mensagem reconfortante: tanto o ultrassom focado quanto o planar parecem ser opções seguras e capazes de produzir alívio rápido da dor e melhora funcional em pessoas com dor miofascial no trapézio superior. A escolha entre uma ou outra modalidade pode depender mais de fatores logísticos — como disponibilidade de equipamento, custo e preferência do profissional — do de uma superioridade comprovada de uma sobre a outra. Para quem busca alternativas não farmacológicas para o manejo da dor miofascial, o ultrassom terapêutico emerge como uma opção promissora, especialmente quando se deseja obter benefício em curto espaço de tempo. Ainda assim, mais pesquisas serão necessárias para definir qual seria o protocolo ideal, quantas sessões seriam necessárias para manutenção dos resultados e se existiriam subgrupos de pacientes que se beneficiariam mais de uma modalidade específica.
LIFU
20 pessoas
Ultrassom focado de baixa intensidade
LIPU
20 pessoas
Ultrassom planar de baixa intensidade
Redução da dor - LIFU
Redução da dor - LIPU
Melhora da função - LIFU
Melhora da função - LIPU
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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