Redução da dor com ultrassom
91,6%
Queda relativa do VAS de dor muscular (de 247,87 para 20,87)
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
European Journal of Dentistry
Ano
2016
Autores
Rai et al.
Desenho
Estudo comparativo randomizado
Este estudo comparou duas terapias não invasivas para dor na musculatura da face causada por DTM: ultrassom terapêutico e TENS. Ambas as terapias reduziram significativamente a dor muscular, mas o ultrassom terapêutico mostrou resultados superiores tanto na redução da dor quanto na melhora das alterações musculares vistas no exame de ultrassom. Os tratamentos são seguros e podem ser considerados como opções terapêuticas para pacientes com dor miofascial.
Título original do estudo: Management of myofascial pain by therapeutic ultrasound and transcutaneous electrical nerve stimulation: A comparative study
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Ultrassom terapêutico e TENS reduzem a dor miofascial em DTM, mas o ultrassom mostrou resultados superiores na diminuição da dor, melhora do dia a dia e resolução de alterações musculares ao ultrassom; ambos são seguros e bem tolerados.
Este estudo comparou duas terapias não invasivas para dor na musculatura da face causada por DTM: ultrassom terapêutico e TENS. Ambas as terapias reduziram significativamente a dor muscular, mas o ultrassom terapêutico mostrou resultados superiores tanto na redução da dor quanto na melhora das alterações musculares vistas no exame de ultrassom. Os tratamentos são seguros e podem ser considerados como opções terapêuticas para pacientes com dor miofascial.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Ultrassom terapêutico e TENS aliviam a dor facial muscular, mas o ultrassom mostrou resultados um pouco melhores em mais critérios
Ponto 1
Ambos os tratamentos são não invasivos, seguros e reduzem a dor significativamente em cerca de 10 semanas
Ponto 2
O ultrassom terapêutico teve melhor desempenho na redução da dor, no dia a dia e na recuperação estrutural do músculo
Ponto 3
A melhora pode não durar para sempre — pergunte ao seu médico sobre plano de acompanhamento e manutenção
O que este estudo acrescenta
Este foi um dos poucos estudos da época a correlacionar melhora subjetiva da dor com alterações estruturais visíveis ao ultrassom diagnóstico no músculo masseter, oferecendo uma ponte entre o que o paciente sente e o que
Aplicabilidade clínica
A redução da dor foi substancial e clinicamente perceptível em ambos os grupos, com vantagem consistente do ultrassom em múltiplos desfechos; no entanto, a ausência de placebo e o tamanho amostral moderado limitam a cert
Força do desenho do estudo
Este estudo randomizou pacientes entre dois tratamentos ativos, oferecendo evidência de maior confiabilidade que estudos observacionais, embora sem o rigor adicional de duplo-cego
Redução da dor com ultrassom
91,6%
Queda relativa do VAS de dor muscular (de 247,87 para 20,87)
Redução da dor com TENS
86,5%
Queda relativa do VAS de dor muscular (de 240,60 para 32,37)
Resolução das áreas anecóicas
95,6%
Proporção de músculos com melhora estrutural no grupo ultrassom, versus 74,4% no TENS
Duração média do tratamento
9,57 semanas
Tempo médio para atingir critério de melhora (VAS < 10), menor que o máximo de 12 semanas
Espessura do masseter em DTM
13,0 mm
Média pré-tratamento, significativamente maior que os 12,0 mm dos controles saudáveis
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor miofascial em distúrbios temporomandibulares (DTM)
Tipo de estudo
Ensaio clínico comparativo randomizado
Participantes
90 adultos (20-60 anos): 30 controles saudáveis, 30 com ultrassom terapêutico, 3
Duração
12 semanas de tratamento, ou até VAS < 10
Sessões
3 sessões a cada 2 semanas, totalizando até 18 sessões
Comparador
Comparação direta entre ultrassom terapêutico e TENS, com grupo controle saudável para referência estrutural
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Até 18 sessões (média efetiva de tratamento: ~9,6 semanas)
3 sessões a cada 2 semanas
Não especificado no artigo
Ultrassom terapêutico aplicado sobre o músculo masseter com intensidade de 0,73 W/cm²; TENS aplicado com parâmetros convencionais de estimulação elétrica
Comparação direta entre ultrassom terapêutico e TENS
O tratamento era interrompido precocemente se o paciente atingisse VAS < 10 para dor muscular; avaliação por ultrassom diagnóstico em todos os grupos antes e após o tratamento
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Dor muscular
reduziu significativamente
Queda de ~247 para ~21 no ultrassom e de ~241 para ~32 no TENS, com vantagem estatística para o ultrassom
Impedimentos no dia a dia
melhorou
Falar, mastigar e comer ficaram mais fáceis; ultrassom mostrou melhora superior ao TENS
Impressão subjetiva do tratamento
melhorou
Conforto, sensação de calor e facilidade de abertura bucal foram melhores avaliados no ultrassom
Alterações estruturais musculares
melhoraram
Áreas anecóicas no ultrassom muscular desapareceram ou reduziram em 95,6% (ultrassom) versus 74,4% (TENS)
Abertura máxima da boca
melhorou
Ambos os grupos ganharam amplitude, sem diferença significativa entre as terapias
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
Ao final do tratamento (média de 9,6 semanas)
Redução significativa da dor
Ambos os grupos atingiram VAS médio abaixo de 35, com ultrassom chegando a 20,87
Após o ciclo completo de tratamento
Resolução das áreas anecóicas
95,6% dos músculos com melhora no grupo ultrassom versus 74,4% no TENS
Ao final do tratamento
Melhora dos impedimentos diários
Redução estatisticamente maior no grupo ultrassom (32,45 para 16,80 versus 40,21 para 26,67)
Antes e depois
Dor muscular (escala VAS total, 0-300)
escala máx. 300 pontos
Dor muscular (escala VAS total, 0-300)
escala máx. 300 pontos
Impedimento no dia a dia (VAS, 0-100)
escala máx. 100 pontos
Impedimento no dia a dia (VAS, 0-100)
escala máx. 100 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
A maioria dos pacientes que respondem ao tratamento experimenta redução substancial da dor muscular e melhora na capacidade de mastigar e falar, com o ultrassom terapêutico mostrando ligeira vantagem sobre o TENS
Tempo provável
Melhoras significativas tendem a aparecer ao longo de 9 a 12 semanas, com alguns pacientes atingindo alívio antes (crité
Não se sabe se os benefícios se mantêm após o término do tratamento, pois o estudo não incluiu seguimento de longo prazo
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
TENS e ultrassom são igualmente eficazes em todos os aspectos da dor miofascial
Achado
Embora ambos reduzam a dor, o ultrassom terapêutico mostrou superioridade estatística na redução da intensidade dolorosa, melhora da qualidade de vida e resolução de alterações estruturais musculares
Mito
A melhora da dor significa que o músculo voltou ao normal estruturalmente
Achado
Alguns pacientes melhoraram clinicamente mesmo sem resolução completa das áreas anecóicas ao ultrassom, sugerindo que a correlação entre imagem e sintomas não é perfeita
Mito
Se a dor melhorar, não preciso me preocupar com o que acontece depois
Achado
O estudo não acompanhou os pacientes após o término do tratamento, então não se sabe se a melhora se mantém ou se há necessidade de sessões de manutenção
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO MECÂNICO
O ultrassom terapêutico produz vibrações de alta frequência que penetram nos tecidos, provavelmente aumentando o fluxo sanguíneo local e a temperatura tecidual — mecanismo proposto, não diretamente observado neste estudo
MODULAÇÃO NERVOSA
O TENS envia impulsos elétricos de baixa voltagem que, segundo a teoria da 'porta do controle da dor', podem interferir na transmissão de sinais dolorosos e ativar sistemas endógenos de analgesia (endorfinas) — mecanismo
REDUÇÃO DO EDEMA
Ambas as terapias podem melhorar a drenagem linfática e reduzir o edema intersticial, o que explicaria tanto a diminuição da espessura muscular quanto a resolução das áreas anecóicas — interpretação dos autores baseada e
EFEITO COMBINADO
A melhora final provavelmente resulta de efeitos fisiológicos, neurológicos e psicológicos combinados, embora este estudo não tenha isolado a contribuição relativa de cada componente
O que ainda é incerto
Comparar a eficácia do ultrassom terapêutico versus TENS no tratamento da dor miofascial em DTM
90 adultos entre 20-60 anos: 30 controles saudáveis, 30 com ultrassom e 30 com TENS
12 semanas de tratamento, 3 sessões a cada 2 semanas, avaliação por ultrassom diagnóstico
Redução significativa da dor muscular em ambos os grupos, com vantagem para ultrassom terapêutico
Ambas as terapias foram bem toleradas, sem eventos adversos reportados
Achados Interessantes
A IMAGEM CONFIRMA A MELHORA
Pela primeira vez em um estudo comparativo direto, a resolução das áreas anecóicas ao ultrassom diagnóstico acompanhou — e foi superior com — o ultrassom terapêutico, dando um respaldo visual além da simples queixa do pa
UM GUIA PARA A ESCOLHA TERAPÊUTICA
O estudo ajuda a posicionar o ultrassom terapêutico como opção de primeira linha ligeiramente preferencial ao TENS para dor miofascial pura, embora ambos sejam válidos
O MÚSCULO 'INCHA' E 'DESINCHA'
A espessura do masseter em pacientes com DTM era ~8% maior que em pessoas saudáveis, e essa espessura diminuiu com o tratamento — um achado concreto que liga a condição a uma alteração mensurável
MELHORA ANTES DO PREVISTO
A duração média efetiva foi de ~9,6 semanas, não 12, sugerindo que muitos pacientes atingem alívio significativo antes do cronograma máximo estabelecido
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor miofascial relacionada aos distúrbios temporomandibulares (DTM) é uma condição que afeta milhões de pessoas, causando desconforto na musculatura da face, dificuldade para mastigar, falar e realizar atividades cotidianas que pareceriam simples. Para quem convive com essa dor, encontrar tratamentos não invasivos, seguros e eficazes é uma prioridade constante. O estudo conduzido por Rai e colaboradores, publicado na European Journal of Dentistry em 2016, oferece uma comparação direta entre duas modalidades terapêuticas amplamente utilizadas: o ultrassom terapêutico e a estimulação elétrica nervosa transcutânea, conhecida como TENS.
O desenho do estudo foi um ensaio comparativo randomizado que incluiu 90 participantes adultos, com idades entre 20 e 60 anos. Desses, 30 indivíduos formaram o grupo controle — pessoas saudáveis sem queixas de DTM — enquanto 60 pacientes com diagnóstico de dor miofascial foram divididos aleatoriamente em dois grupos de tratamento: 30 receberam ultrassom terapêutico e 30 receberam TENS. A randomização é um elemento importante porque reduz vieses de seleção, embora o estudo não tenha sido duplo-cego, o que significa que tanto os pacientes quanto os pesquisadores sabiam qual tratamento estava sendo aplicado. Essa característica pode influenciar resultados subjetivos, como a percepção de dor e conforto.
O protocolo de tratamento foi padronizado: todas as sessões ocorreram ao longo de 12 semanas, com frequência de três sessões a cada duas semanas, ou até que a dor muscular atingisse um valor inferior a 10 na escala analógica visual (VAS). O ultrassom terapêutico foi aplicado com intensidade média de 0,73 W/cm², enquanto o TENS seguiu parâmetros convencionais de estimulação elétrica. A avaliação foi meticulosamente estruturada, combinando medidas subjetivas — dor em repouso, dor com movimento mandibular, dor durante a mastigação, impedimentos nas atividades diárias e impressão subjetiva do tratamento — com uma avaliação objetiva por meio de ultrassonografia diagnóstica do músculo masseter, que permitiu visualizar alterações estruturais como espessamento muscular e áreas anecóicas (regiões que sugerem edema ou alterações teciduais).
Os resultados revelaram reduções expressivas de dor em ambos os grupos de tratamento, mas com diferenças importantes entre eles. No grupo do ultrassom terapêutico, a pontuação total de dor muscular na escala VAS caiu de 247,87 para 20,87, enquanto no grupo TENS a redução foi de 240,60 para 32,37. Essa diferença entre os grupos após o tratamento foi estatisticamente significativa, indicando vantagem do ultrassom terapêutico na redução da intensidade dolorosa. Quanto aos impedimentos nas atividades diárias, ambos os grupos melhoraram, mas novamente o ultrassom apresentou resultados superiores: a média de impedimento caiu de 32,45 para 16,80 no grupo ultrassom, contra 40,21 para 26,67 no grupo TENS.
A impressão subjetiva do tratamento — que avaliou conforto, sensação de calor e facilidade de abertura bucal — também favoreceu o ultrassom, com pontuação média de 202,35 contra 179,53 do TENS.
Um dos achados mais interessantes do estudo está na análise ultrassonográfica. Antes do tratamento, 76,6% dos músculos avaliados no grupo ultrassom e 78,3% no grupo TENS apresentavam áreas anecóicas. Após o tratamento, essas áreas desapareceram ou reduziram-se em 95,6% dos músculos do grupo ultrassom, contra 74,4% no grupo TENS. Essa melhora estrutural, visível em imagem, oferece um respaldo objetivo às melhoras subjetivas relatadas pelos pacientes, embora o estudo não tenha estabelecido uma correlação direta quantitativa entre essas duas dimensões de melhora.
A espessura do músculo masseter, que era maior nos pacientes com DTM (13,00 mm) comparada aos controles saudáveis (12,00 mm), também diminuiu após ambos os tratamentos, sem diferença estatística entre as duas modalidades.
A abertura máxima da boca melhorou em ambos os grupos, mas sem diferença significativa entre ultrassom e TENS, sugerindo que ambas as terapias são igualmente úteis para essa dimensão funcional específica. A duração média efetiva do tratamento foi de aproximadamente 9,6 semanas, o que indica que muitos pacientes atingiram o critério de alívio da dor (VAS < 10) antes das 12 semanas completas.
Do ponto de vista da utilidade clínica, este estudo oferece evidências de que tanto o ultrassom terapêutico quanto o TENS são opções viáveis para o manejo da dor miofascial em DTM, com boa tolerabilidade e ausência de eventos adversos reportados. No entanto, o ultrassom terapêutico demonstrou superioridade consistente em múltiplos desfechos, especialmente na redução da dor, melhora da qualidade de vida relacionada às atividades diárias e na resolução das alterações estruturais musculares observadas por ultrassom. Isso não significa que o TENS seja ineficaz — ele também produziu melhorias clinicamente relevantes —, mas sim que o ultrassom pode ser preferencial quando disponível e indicado.
É importante interpretar esses resultados com prudência. O tamanho amostral de 30 pacientes por grupo, embora razoável para um estudo piloto, limita a generalização das conclusões. A ausência de um grupo placebo ou de tratamento falso impede saber quanto da melhora se deve especificamente às intervenções versus efeitos de regressão à média, expectativa do paciente ou fatores naturais de resolução da dor. Além disso, o estudo não incluiu seguimento de longo prazo, de modo que não se sabe se as melhoras se mantiveram por meses ou anos após o término do tratamento.
A avaliação da dor, embora padronizada pela escala VAS, permanece intrinsecamente subjetiva e suscetível a influências psicológicas e contextuais.
Para pacientes que convivem com dor miofascial facial, este estudo traz uma mensagem encorajadora: existem tratamentos não invasivos com potencial de reduzir significativamente a dor e melhorar a função. A escolha entre ultrassom terapêutico e TENS deve ser individualizada, considerando disponibilidade, custo, preferência do paciente e características específicas do caso. A combinação de avaliação clínica criteriosa com imagem ultrassonográfica, como utilizada neste estudo, representa uma abordagem promissora para monitorar a resposta ao tratamento de forma mais objetiva, embora essa tecnologia não esteja universalmente disponível na prática clínica rotineira.
Controle
30 pessoas
Grupo saudável para comparação
Ultrassom terapêutico
30 pessoas
Terapia com ultrassom 0,73 W/cm²
TENS
30 pessoas
Estimulação elétrica transcutânea
Redução da dor muscular - Ultrassom
Redução da dor muscular - TENS
Melhora das áreas anecóicas - Ultrassom
Melhora das áreas anecóicas - TENS
Duração média do tratamento
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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