Estudo científico comentado

Comparação entre Ultrassom Terapêutico e TENS para Dor Miofascial em DTM

Referência acadêmica

Periódico

European Journal of Dentistry

Ano

2016

Autores

Rai et al.

Desenho

Estudo comparativo randomizado

Este estudo comparou duas terapias não invasivas para dor na musculatura da face causada por DTM: ultrassom terapêutico e TENS. Ambas as terapias reduziram significativamente a dor muscular, mas o ultrassom terapêutico mostrou resultados superiores tanto na redução da dor quanto na melhora das alterações musculares vistas no exame de ultrassom. Os tratamentos são seguros e podem ser considerados como opções terapêuticas para pacientes com dor miofascial.

Título original do estudo: Management of myofascial pain by therapeutic ultrasound and transcutaneous electrical nerve stimulation: A comparative study

🔬Estudo comparativo randomizado👥n=90 participantes🎯Eficácia clínica moderada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Ultrassom terapêutico e TENS reduzem a dor miofascial em DTM, mas o ultrassom mostrou resultados superiores na diminuição da dor, melhora do dia a dia e resolução de alterações musculares ao ultrassom; ambos são seguros e bem tolerados.

O que isso significa para você?

Este estudo comparou duas terapias não invasivas para dor na musculatura da face causada por DTM: ultrassom terapêutico e TENS. Ambas as terapias reduziram significativamente a dor muscular, mas o ultrassom terapêutico mostrou resultados superiores tanto na redução da dor quanto na melhora das alterações musculares vistas no exame de ultrassom. Os tratamentos são seguros e podem ser considerados como opções terapêuticas para pacientes com dor miofascial.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Você tem pelo menos duas opções de tratamento não invasivo para dor facial muscular: ultrassom terapêutico e TENS
  • 2O ultrassom terapêutico mostrou resultados ligeiramente superiores na maioria dos critérios avaliados, mas o TENS também é eficaz
  • 3A melhora tende a ser gradual, ao longo de cerca de 10 semanas de tratamento regular
  • 4Alterações estruturais no músculo podem ser acompanhadas por ultrassom, o que ajuda a visualizar a resposta ao tratamento
  • 5Não se sabe se a melhora se mantém a longo prazo; converse sobre estratégias de manutenção
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Com base na minha avaliação, o ultrassom terapêutico seria mais indicado que o TENS, ou devo considerar ambos?
  • 2Seria possível fazer uma ultrassonografia do músculo masseter para acompanhar minha resposta ao tratamento?
  • 3Se eu melhorar antes das 12 semanas, posso reduzir a frequência das sessões ou devo completar o protocolo?
  • 4Qual seria o plano se a dor voltar após o término do tratamento — há indicação de sessões de manutenção periódicas?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Ambas as terapias foram bem toleradas e sem eventos adversos reportados neste estudo específico
  • 2O TENS possui contraindicações conhecidas na literatura médica que devem ser avaliadas individualmente (como uso de marca-passo cardíaco em alguns protocolos)
  • 3A intensidade do ultrassom terapêutico deve ser ajustada por profissional qualificado; não há dados de segurança neste estudo para intensidades diferentes de 0,73 W/cm²
  • 4A segurança em longo prazo e em ciclos repetidos de tratamento não foi investigada neste estudo de 12 semanas

Leitura rápida para pacientes

Duas opções seguras, uma leve vantagem

Ultrassom terapêutico e TENS aliviam a dor facial muscular, mas o ultrassom mostrou resultados um pouco melhores em mais critérios

Ponto 1

Ambos os tratamentos são não invasivos, seguros e reduzem a dor significativamente em cerca de 10 semanas

Ponto 2

O ultrassom terapêutico teve melhor desempenho na redução da dor, no dia a dia e na recuperação estrutural do músculo

Ponto 3

A melhora pode não durar para sempre — pergunte ao seu médico sobre plano de acompanhamento e manutenção

O que este estudo acrescenta

IMAGEM OBJETIVA DA MELHORA

Este foi um dos poucos estudos da época a correlacionar melhora subjetiva da dor com alterações estruturais visíveis ao ultrassom diagnóstico no músculo masseter, oferecendo uma ponte entre o que o paciente sente e o que

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A redução da dor foi substancial e clinicamente perceptível em ambos os grupos, com vantagem consistente do ultrassom em múltiplos desfechos; no entanto, a ausência de placebo e o tamanho amostral moderado limitam a cert

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este estudo randomizou pacientes entre dois tratamentos ativos, oferecendo evidência de maior confiabilidade que estudos observacionais, embora sem o rigor adicional de duplo-cego

Redução da dor com ultrassom

91,6%

Queda relativa do VAS de dor muscular (de 247,87 para 20,87)

Redução da dor com TENS

86,5%

Queda relativa do VAS de dor muscular (de 240,60 para 32,37)

Resolução das áreas anecóicas

95,6%

Proporção de músculos com melhora estrutural no grupo ultrassom, versus 74,4% no TENS

Duração média do tratamento

9,57 semanas

Tempo médio para atingir critério de melhora (VAS < 10), menor que o máximo de 12 semanas

Espessura do masseter em DTM

13,0 mm

Média pré-tratamento, significativamente maior que os 12,0 mm dos controles saudáveis

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Dor miofascial em distúrbios temporomandibulares (DTM)

Tipo de estudo

Ensaio clínico comparativo randomizado

Participantes

90 adultos (20-60 anos): 30 controles saudáveis, 30 com ultrassom terapêutico, 3

Duração

12 semanas de tratamento, ou até VAS < 10

Sessões

3 sessões a cada 2 semanas, totalizando até 18 sessões

Comparador

Comparação direta entre ultrassom terapêutico e TENS, com grupo controle saudável para referência estrutural

Grupos do estudo

Ultrassom terapêutico (0,73 W/cm²)TENS (estimulação elétrica transcutânea)Controle saudável

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

Até 18 sessões (média efetiva de tratamento: ~9,6 semanas)

Frequência02

3 sessões a cada 2 semanas

Duração da sessão03

Não especificado no artigo

Pontos / técnica04

Ultrassom terapêutico aplicado sobre o músculo masseter com intensidade de 0,73 W/cm²; TENS aplicado com parâmetros convencionais de estimulação elétrica

Comparador05

Comparação direta entre ultrassom terapêutico e TENS

Nota de protocolo06

O tratamento era interrompido precocemente se o paciente atingisse VAS < 10 para dor muscular; avaliação por ultrassom diagnóstico em todos os grupos antes e após o tratamento

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos entre 20 e 60 anos com diagnóstico de dor miofascial em DTM (critérios RDC/TMD)Pacientes com dor regional facial de caráter difuso persistindo há mais de 1 mêsIndivíduos com dois ou mais músculos da mastigação dolorosos à palpaçãoPessoas com dor reconhecível que aumentava com a palpação muscularGrupo controle de indivíduos saudáveis sem queixas de DTM para comparação estrutural

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes com patologia articular do ATM, deslocamento de disco sem redução ou dor puramente artrogênicaIndivíduos com outras condições de dor orofacial (neuralgia atípica, odontalgia atípica) ou dor dental não diagnosticadaPessoas com transtornos neurológicos, psiquiátricos, doenças metabólicas, vasculares ou neoplasiasPacientes que haviam recebido tratamento para DTM nos últimos 3 meses ou que já haviam usado TENS/ultrassom sem melhoraIndivíduos com histórico de abuso de medicamentos para dor

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Dor muscular

reduziu significativamente

Queda de ~247 para ~21 no ultrassom e de ~241 para ~32 no TENS, com vantagem estatística para o ultrassom

🗣️

Impedimentos no dia a dia

melhorou

Falar, mastigar e comer ficaram mais fáceis; ultrassom mostrou melhora superior ao TENS

😌

Impressão subjetiva do tratamento

melhorou

Conforto, sensação de calor e facilidade de abertura bucal foram melhores avaliados no ultrassom

🔍

Alterações estruturais musculares

melhoraram

Áreas anecóicas no ultrassom muscular desapareceram ou reduziram em 95,6% (ultrassom) versus 74,4% (TENS)

👄

Abertura máxima da boca

melhorou

Ambos os grupos ganharam amplitude, sem diferença significativa entre as terapias

O que não mudou

  • Não houve diferença significativa na redução da espessura muscular entre ultrassom e TENS, embora ambos tenham reduzido comparado ao pré-tratamento
  • A abertura bucal melhorou em ambos os grupos, mas sem vantagem estatística de uma terapia sobre a outra
  • Não foi estabelecida correlação direta quantitativa entre melhora subjetiva da dor e resolução das áreas anecóicas ao ultrassom

Quando a melhora apareceu

1

Ao final do tratamento (média de 9,6 semanas)

Redução significativa da dor

Ambos os grupos atingiram VAS médio abaixo de 35, com ultrassom chegando a 20,87

2

Após o ciclo completo de tratamento

Resolução das áreas anecóicas

95,6% dos músculos com melhora no grupo ultrassom versus 74,4% no TENS

3

Ao final do tratamento

Melhora dos impedimentos diários

Redução estatisticamente maior no grupo ultrassom (32,45 para 16,80 versus 40,21 para 26,67)

Antes e depois

Dor muscular (escala VAS total, 0-300)

escala máx. 300 pontos

Antes248 pontos
Depois21 pontos

Dor muscular (escala VAS total, 0-300)

escala máx. 300 pontos

Antes241 pontos
Depois32 pontos

Impedimento no dia a dia (VAS, 0-100)

escala máx. 100 pontos

Antes32 pontos
Depois17 pontos

Impedimento no dia a dia (VAS, 0-100)

escala máx. 100 pontos

Antes40 pontos
Depois27 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Ambas as terapias foram bem toleradas durante todo o estudo
  • Nenhum evento adverso foi reportado em nenhum dos grupos
  • Tratamentos não invasivos, sem necessidade de medicação sistêmica
Amarelo
  • O estudo não relatou monitoramento sistemático de efeitos colaterais além da tolerabilidade geral
  • A intensidade do ultrassom (0,73 W/cm²) requer ajuste individual em aplicações clínicas reais
  • Contraindicações específicas do TENS (como uso de marca-passo) não foram detalhadas como critérios de exclusão
Vermelho
  • O artigo não traz um mapa completo de contraindicações ou de eventos adversos raros.

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor miofascial facial crônica associada a DTM, sem comprometimento articular grave
  • Pacientes que preferem ou necessitam de opções não farmacológicas e não invasivas
  • Indivíduos com espessamento do músculo masseter ou alterações visíveis ao ultrassom diagnóstico
  • Pessoas com impedimentos moderados nas atividades diárias (falar, mastigar, comer) devido à dor muscular

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com deslocamento de disco sem redução, doença articular degenerativa avançada ou dor predominantemente artrogênica
  • Indivíduos com contraindicações ao TENS (marca-passo, gravidez em algumas regiões) ou ao ultrassom (processos infecciosos agudos, neoplasias)
  • Pessoas com histórico de não resposta prévia a essas modalidades terapêuticas
  • Pacientes com condições sistêmicas não controladas que possam mascarar ou interferir na avaliação da dor (doenças reumatológicas ativas, fibromialgia generaliza

Expectativa realista

Alívio gradual da dor em cerca de 10 semanas

A maioria dos pacientes que respondem ao tratamento experimenta redução substancial da dor muscular e melhora na capacidade de mastigar e falar, com o ultrassom terapêutico mostrando ligeira vantagem sobre o TENS

Tempo provável

Melhoras significativas tendem a aparecer ao longo de 9 a 12 semanas, com alguns pacientes atingindo alívio antes (crité

Não se sabe se os benefícios se mantêm após o término do tratamento, pois o estudo não incluiu seguimento de longo prazo

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se há alterações visíveis ao ultrassom no músculo masseter e se seria útil repeti-la durante o tratamento
  2. 2Discutir se o ultrassom terapêutico está disponível e se há indicação específica para seu uso preferencial sobre o TENS
  3. 3Questionar sobre contraindicações ao TENS (uso de marca-passo, condições de pele) ou ao ultrassom terapêutico
  4. 4Verificar se há componente articular significativo que possa exigir abordagem diferente da dor exclusivamente muscular
  5. 5Perguntar sobre plano de manutenção ou reforço após a melhora inicial, considerando a ausência de dados de longo prazo

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

TENS e ultrassom são igualmente eficazes em todos os aspectos da dor miofascial

Achado

Embora ambos reduzam a dor, o ultrassom terapêutico mostrou superioridade estatística na redução da intensidade dolorosa, melhora da qualidade de vida e resolução de alterações estruturais musculares

Mito

A melhora da dor significa que o músculo voltou ao normal estruturalmente

Achado

Alguns pacientes melhoraram clinicamente mesmo sem resolução completa das áreas anecóicas ao ultrassom, sugerindo que a correlação entre imagem e sintomas não é perfeita

Mito

Se a dor melhorar, não preciso me preocupar com o que acontece depois

Achado

O estudo não acompanhou os pacientes após o término do tratamento, então não se sabe se a melhora se mantém ou se há necessidade de sessões de manutenção

Como isso pode funcionar

🔊

ESTÍMULO MECÂNICO

O ultrassom terapêutico produz vibrações de alta frequência que penetram nos tecidos, provavelmente aumentando o fluxo sanguíneo local e a temperatura tecidual — mecanismo proposto, não diretamente observado neste estudo

MODULAÇÃO NERVOSA

O TENS envia impulsos elétricos de baixa voltagem que, segundo a teoria da 'porta do controle da dor', podem interferir na transmissão de sinais dolorosos e ativar sistemas endógenos de analgesia (endorfinas) — mecanismo

🔄

REDUÇÃO DO EDEMA

Ambas as terapias podem melhorar a drenagem linfática e reduzir o edema intersticial, o que explicaria tanto a diminuição da espessura muscular quanto a resolução das áreas anecóicas — interpretação dos autores baseada e

🧠

EFEITO COMBINADO

A melhora final provavelmente resulta de efeitos fisiológicos, neurológicos e psicológicos combinados, embora este estudo não tenha isolado a contribuição relativa de cada componente

O que ainda é incerto

  • ?A ausência de grupo placebo impede saber quanto da melhora se deve ao efeito específico do tratamento versus expectativa, atenção terapêutica ou regre
  • ?O seguimento foi limitado ao período de tratamento; não se sabe se os benefícios persistem por 6 meses, 1 ano ou mais após a interrupção das sessões
  • ?A amostra de 30 pacientes por grupo de tratamento, embora suficiente para detectar diferenças grandes, pode não capturar variações importantes em subg
  • ?O estudo não foi duplo-cego, e a avaliação subjetiva da dor pode ter sido influenciada pelo conhecimento de qual tratamento estava sendo recebido
🎯

O que o estudo quis responder

Comparar a eficácia do ultrassom terapêutico versus TENS no tratamento da dor miofascial em DTM

👥

QUEM PARTICIPOU

90 adultos entre 20-60 anos: 30 controles saudáveis, 30 com ultrassom e 30 com TENS

🧪

COMO FOI FEITO

12 semanas de tratamento, 3 sessões a cada 2 semanas, avaliação por ultrassom diagnóstico

📈

O QUE MUDOU

Redução significativa da dor muscular em ambos os grupos, com vantagem para ultrassom terapêutico

🛟

SEGURANÇA

Ambas as terapias foram bem toleradas, sem eventos adversos reportados

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

A IMAGEM CONFIRMA A MELHORA

Pela primeira vez em um estudo comparativo direto, a resolução das áreas anecóicas ao ultrassom diagnóstico acompanhou — e foi superior com — o ultrassom terapêutico, dando um respaldo visual além da simples queixa do pa

🧭

UM GUIA PARA A ESCOLHA TERAPÊUTICA

O estudo ajuda a posicionar o ultrassom terapêutico como opção de primeira linha ligeiramente preferencial ao TENS para dor miofascial pura, embora ambos sejam válidos

📌

O MÚSCULO 'INCHA' E 'DESINCHA'

A espessura do masseter em pacientes com DTM era ~8% maior que em pessoas saudáveis, e essa espessura diminuiu com o tratamento — um achado concreto que liga a condição a uma alteração mensurável

⏱️

MELHORA ANTES DO PREVISTO

A duração média efetiva foi de ~9,6 semanas, não 12, sugerindo que muitos pacientes atingem alívio significativo antes do cronograma máximo estabelecido

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Comparação entre Ultrassom Terapêutico e TENS para Dor Miofascial em DTM

A dor miofascial relacionada aos distúrbios temporomandibulares (DTM) é uma condição que afeta milhões de pessoas, causando desconforto na musculatura da face, dificuldade para mastigar, falar e realizar atividades cotidianas que pareceriam simples. Para quem convive com essa dor, encontrar tratamentos não invasivos, seguros e eficazes é uma prioridade constante. O estudo conduzido por Rai e colaboradores, publicado na European Journal of Dentistry em 2016, oferece uma comparação direta entre duas modalidades terapêuticas amplamente utilizadas: o ultrassom terapêutico e a estimulação elétrica nervosa transcutânea, conhecida como TENS.

O desenho do estudo foi um ensaio comparativo randomizado que incluiu 90 participantes adultos, com idades entre 20 e 60 anos. Desses, 30 indivíduos formaram o grupo controle — pessoas saudáveis sem queixas de DTM — enquanto 60 pacientes com diagnóstico de dor miofascial foram divididos aleatoriamente em dois grupos de tratamento: 30 receberam ultrassom terapêutico e 30 receberam TENS. A randomização é um elemento importante porque reduz vieses de seleção, embora o estudo não tenha sido duplo-cego, o que significa que tanto os pacientes quanto os pesquisadores sabiam qual tratamento estava sendo aplicado. Essa característica pode influenciar resultados subjetivos, como a percepção de dor e conforto.

O protocolo de tratamento foi padronizado: todas as sessões ocorreram ao longo de 12 semanas, com frequência de três sessões a cada duas semanas, ou até que a dor muscular atingisse um valor inferior a 10 na escala analógica visual (VAS). O ultrassom terapêutico foi aplicado com intensidade média de 0,73 W/cm², enquanto o TENS seguiu parâmetros convencionais de estimulação elétrica. A avaliação foi meticulosamente estruturada, combinando medidas subjetivas — dor em repouso, dor com movimento mandibular, dor durante a mastigação, impedimentos nas atividades diárias e impressão subjetiva do tratamento — com uma avaliação objetiva por meio de ultrassonografia diagnóstica do músculo masseter, que permitiu visualizar alterações estruturais como espessamento muscular e áreas anecóicas (regiões que sugerem edema ou alterações teciduais).

Os resultados revelaram reduções expressivas de dor em ambos os grupos de tratamento, mas com diferenças importantes entre eles. No grupo do ultrassom terapêutico, a pontuação total de dor muscular na escala VAS caiu de 247,87 para 20,87, enquanto no grupo TENS a redução foi de 240,60 para 32,37. Essa diferença entre os grupos após o tratamento foi estatisticamente significativa, indicando vantagem do ultrassom terapêutico na redução da intensidade dolorosa. Quanto aos impedimentos nas atividades diárias, ambos os grupos melhoraram, mas novamente o ultrassom apresentou resultados superiores: a média de impedimento caiu de 32,45 para 16,80 no grupo ultrassom, contra 40,21 para 26,67 no grupo TENS.

A impressão subjetiva do tratamento — que avaliou conforto, sensação de calor e facilidade de abertura bucal — também favoreceu o ultrassom, com pontuação média de 202,35 contra 179,53 do TENS.

Um dos achados mais interessantes do estudo está na análise ultrassonográfica. Antes do tratamento, 76,6% dos músculos avaliados no grupo ultrassom e 78,3% no grupo TENS apresentavam áreas anecóicas. Após o tratamento, essas áreas desapareceram ou reduziram-se em 95,6% dos músculos do grupo ultrassom, contra 74,4% no grupo TENS. Essa melhora estrutural, visível em imagem, oferece um respaldo objetivo às melhoras subjetivas relatadas pelos pacientes, embora o estudo não tenha estabelecido uma correlação direta quantitativa entre essas duas dimensões de melhora.

A espessura do músculo masseter, que era maior nos pacientes com DTM (13,00 mm) comparada aos controles saudáveis (12,00 mm), também diminuiu após ambos os tratamentos, sem diferença estatística entre as duas modalidades.

A abertura máxima da boca melhorou em ambos os grupos, mas sem diferença significativa entre ultrassom e TENS, sugerindo que ambas as terapias são igualmente úteis para essa dimensão funcional específica. A duração média efetiva do tratamento foi de aproximadamente 9,6 semanas, o que indica que muitos pacientes atingiram o critério de alívio da dor (VAS < 10) antes das 12 semanas completas.

Do ponto de vista da utilidade clínica, este estudo oferece evidências de que tanto o ultrassom terapêutico quanto o TENS são opções viáveis para o manejo da dor miofascial em DTM, com boa tolerabilidade e ausência de eventos adversos reportados. No entanto, o ultrassom terapêutico demonstrou superioridade consistente em múltiplos desfechos, especialmente na redução da dor, melhora da qualidade de vida relacionada às atividades diárias e na resolução das alterações estruturais musculares observadas por ultrassom. Isso não significa que o TENS seja ineficaz — ele também produziu melhorias clinicamente relevantes —, mas sim que o ultrassom pode ser preferencial quando disponível e indicado.

É importante interpretar esses resultados com prudência. O tamanho amostral de 30 pacientes por grupo, embora razoável para um estudo piloto, limita a generalização das conclusões. A ausência de um grupo placebo ou de tratamento falso impede saber quanto da melhora se deve especificamente às intervenções versus efeitos de regressão à média, expectativa do paciente ou fatores naturais de resolução da dor. Além disso, o estudo não incluiu seguimento de longo prazo, de modo que não se sabe se as melhoras se mantiveram por meses ou anos após o término do tratamento.

A avaliação da dor, embora padronizada pela escala VAS, permanece intrinsecamente subjetiva e suscetível a influências psicológicas e contextuais.

Para pacientes que convivem com dor miofascial facial, este estudo traz uma mensagem encorajadora: existem tratamentos não invasivos com potencial de reduzir significativamente a dor e melhorar a função. A escolha entre ultrassom terapêutico e TENS deve ser individualizada, considerando disponibilidade, custo, preferência do paciente e características específicas do caso. A combinação de avaliação clínica criteriosa com imagem ultrassonográfica, como utilizada neste estudo, representa uma abordagem promissora para monitorar a resposta ao tratamento de forma mais objetiva, embora essa tecnologia não esteja universalmente disponível na prática clínica rotineira.

O que fortalece a leitura

  • 1Uso de ultrassom diagnóstico para avaliar mudanças estruturais
  • 2Comparação direta entre duas terapias
  • 3Avaliação multidimensional incluindo dor e função
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Tamanho amostral pequeno por grupo
  • 2Ausência de grupo placebo
  • 3Falta de seguimento de longo prazo
  • 4Avaliação subjetiva da dor

Leitura clínica do estudo

MODERADA
68/ 100
Desenho
3/5
Amostra
3/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

90pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Controle

30 pessoas

Grupo saudável para comparação

Ultrassom terapêutico

30 pessoas

Terapia com ultrassom 0,73 W/cm²

TENS

30 pessoas

Estimulação elétrica transcutânea

⏱️ Tempo de acompanhamento: 12 semanas

📊 Resultados em números

247,87 para 20,87

Redução da dor muscular - Ultrassom

240,60 para 32,37

Redução da dor muscular - TENS

95,6%

Melhora das áreas anecóicas - Ultrassom

74,4%

Melhora das áreas anecóicas - TENS

9,57 semanas

Duração média do tratamento

Destaques percentuais

95,6%
Melhora das áreas anecóicas - Ultrassom
74,4%
Melhora das áreas anecóicas - TENS

📊 Comparação de Resultados

Redução da dor (escala VAS)

Ultrassom
20.87
TENS
32.37

📅 Linha do tempo da evidência

1981Primeiros estudos com TENS para DTM
1994Validação do ultrassom para avaliação do músculo masseter
2004Estabelecimento de características ultrassonográficas em DTM
2010Desenvolvimento de protocolos de massagem com ultrassom
2016Este estudo comparativo entre ultrassom terapêutico e TENS

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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