Estudo científico comentado

Ventosaterapia seca reduz dor cervical crônica em estudo piloto controlado

Referência acadêmica

Periódico

BMC Complementary and Alternative Medicine

Ano

2011

Autores

Lauche et al.

Desenho

estudo piloto randomizado

Este estudo mostrou que a ventosaterapia seca (técnica que usa copos de vidro para criar sucção na pele) pode ajudar a reduzir a dor no pescoço e melhorar a qualidade de vida. O tratamento foi aplicado 5 vezes em duas semanas e mostrou-se seguro, com apenas efeitos colaterais leves e temporários. Embora promissor, este é um estudo piloto pequeno e mais pesquisas são necessárias para confirmar esses benefícios.

Título original do estudo: The influence of a series of five dry cupping treatments on pain and mechanical thresholds in patients with chronic non-specific neck pain - a randomised controlled pilot study

🧪estudo piloto randomizado👥n=50 participantes📊impacto clínico moderado
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Cinco sessões de ventosaterapia seca em duas semanas reduziram significativamente a dor em repouso e ao movimento em pacientes com dor cervical crônica inespecífica, com melhora também na qualidade de vida e nos limiares de pressão-dor, embora sejam necessário

O que isso significa para você?

Este estudo mostrou que a ventosaterapia seca (técnica que usa copos de vidro para criar sucção na pele) pode ajudar a reduzir a dor no pescoço e melhorar a qualidade de vida. O tratamento foi aplicado 5 vezes em duas semanas e mostrou-se seguro, com apenas efeitos colaterais leves e temporários. Embora promissor, este é um estudo piloto pequeno e mais pesquisas são necessárias para confirmar esses benefícios.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A ventosaterapia seca mostrou potencial para reduzir dor e melhorar qualidade de vida quando aplicada em série de cinco sessões em duas semanas.
  • 2O tratamento é bem tolerado, mas exige avaliação médica prévia para descartar causas específicas de dor cervical e contraindicações.
  • 3As marcas na pele são normais e temporárias; a dor tende a aliviar de forma progressiva, não imediata.
  • 4Este é um estudo piloto promissor, mas ainda insuficiente para recomendar a técnica como tratamento padrão; mais pesquisas são necessárias.
  • 5A técnica pode ser considerada como adjuvante, não substituta de orientações posturais, exercícios e outros cuidados médicos recomendados.
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Minha dor cervical já foi investigada para descartar causas específicas como hérnia de disco, estenose ou doenças inflamatórias?
  • 2Tenho alguma contraindicação para ventosaterapia: uso de anticoagulantes, distúrbios de coagulação, gravidez ou cirurgia recente na coluna?
  • 3Quantas sessões seriam recomendadas e qual o intervalo entre elas? O estudo usou cinco sessões em duas semanas.
  • 4Como acompanhar se está funcionando para mim? Posso usar diário de dor como no estudo?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Contraindicações absolutas neste estudo: distúrbios hemorrágicos, uso de anticoagulantes, gravidez, câncer, diabetes e doenças inflamatórias ativas.
  • 2Efeitos colaterais foram leves e transitórios (menos de 4 horas), incluindo formigamento, tensão local, cefaleia e cansaço; um paciente teve piora temporária e interrompeu.
  • 3As marcas circulares da ventosa são esperadas e desaparecem em dias; sua presença impossibilita cegamento dos avaliadores em estudos.
  • 4Segurança de longo prazo e em populações mais amplas não foi estabelecida neste estudo piloto de curta duração.

Leitura rápida para pacientes

Ventosaterapia pode aliviar, mas não cura

Série de 5 sessões mostrou redução de dor e melhora de qualidade de vida em estudo piloto com pacientes de dor cervical crônica

Ponto 1

Funciona melhor como série: o alívio foi se acumulando ao longo das 5 sessões em 2 semanas

Ponto 2

É relativamente segura, mas deixa marcas temporárias e não é indicada para gestantes ou quem usa anticoagulantes

Ponto 3

Ainda é terapia em investigação: estudo foi pequeno, sem grupo placebo, e não provou cura da causa da dor

O que este estudo acrescenta

PRIMEIRO RCT PARA ESTA CONDIÇÃO

Este foi o primeiro ensaio clínico randomizado controlado de ventosaterapia seca para dor cervical crônica inespecífica publicado na literatura científica indexada.

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A redução de dor em repouso (~45% no grupo tratado) e ao movimento (~29%) atinge o limiar de relevância clínica mínima (30% de redução ou 2 pontos na NRS). O tamanho do efeito para dor em repouso (d=1,4) é considerado gr

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é um estudo experimental com alocação aleatória, o segundo nível mais alto na hierarquia de evidências, mas com ressalvas por ser piloto e ter amostra pequena.

n de pacientes analisados

46

22 no tratamento + 24 no controle (de 50 randomizados)

redução da dor em repouso

22,5mm

diferença entre grupos na escala VAS 0-100; p=0,00002

redução da dor ao movimento

17,8mm

diferença entre grupos na escala VAS 0-100; p=0,01

sessões de tratamento

5

em 2 semanas, com intervalo de 3-4 dias entre elas

taxa de satisfação

95%

21 de 22 pacientes tratados recomendariam a terapia

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Dor cervical crônica inespecífica

Tipo de estudo

Ensaio clínico randomizado piloto

Participantes

50 pacientes, idade média ~51 anos, dor cervical há média de 7,2 anos

Duração

18 dias de acompanhamento (2 semanas de intervenção + avaliação final)

Sessões

5 sessões de ventosaterapia seca

Comparador

Lista de espera sem intervenção

Grupos do estudo

Ventosaterapia seca (5 sessões)Lista de espera (sem tratamento)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

5 sessões totais

Frequência02

A cada 3-4 dias, ao longo de 2 semanas

Duração da sessão03

10-20 minutos por sessão

Pontos / técnica04

Copos de vidro de paredes duplas (25-50mm) aquecidos com chama e aplicados sobre áreas de miogeloses, principalmente no trapézio descendente e transverso; sucção criada pelo resfri

Comparador05

Lista de espera sem qualquer intervenção durante o período do estudo

Nota de protocolo06

A duração da aplicação variava conforme a coloração da marca da ventosa (rosa a rosa-escuro); pacientes avaliaram expectativa antes do início

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos de 18 a 75 anos com dor cervical crônica há pelo menos 3 mesesDor presente pelo menos 5 dias por semana, com intensidade ≥ 40mm na escala VASPacientes com causas específicas de dor previamente excluídas por especialistaPessoas com miogeloses (tensões musculares palpáveis) na região cervicalQuem mantinha medicação e fisioterapia sem alterações nas 4 semanas anterioresMaioria com dor permanente e sem intervalos sem dor (93%)

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Dor cervical por trauma, whiplash ou doenças inflamatórias/malignasSintomas radiculares (dor irradiada, dormência, formigamento, fraqueza)Cirurgia na coluna no último ano, uso de corticoides, opioides ou anticoagulantesCondições sistêmicas graves como diabetes, câncer, distúrbios mentais ou gravidezPacientes sem miogeloses palpáveis ou com edema de tecido conjuntivo volumoso

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Dor em repouso

reduziu significativamente

Queda de 45,5 para 26,1mm no grupo tratado vs. 42,3 para 47,1mm no controle; diferença de 22,5mm

🏃

Dor ao movimento

reduziu significativamente

Queda de 62,0 para 29,0mm no tratado vs. 58,4 para 45,5mm no controle; diferença de 17,8mm

📊

Incapacidade cervical (NDI)

melhorou

Redução de 6,3% no índice, estatisticamente significativa mas abaixo do limiar de relevância clínica definido

💪

Vitalidade

melhorou significativamente

Aumento de 10,2 pontos na subescala do SF-36, indicando mais energia e disposição

🤲

Dor corporal (SF-36)

melhorou significativamente

Aumento de 13,8 pontos, indicando menor interferência da dor nas atividades diárias

🔍

Limiar de pressão-dor

aumentou

Maior tolerância à pressão em áreas dolorosas e também em áreas distantes (mão e pé), sugerindo efeito no processamento central da dor

O que não mudou

  • Limiar de detecção mecânica (MDT): sem diferença significativa entre grupos
  • Limiar de detecção de vibração (VDT): sem diferença significativa entre grupos
  • Função física geral (SF-36): sem diferença significativa entre grupos
  • Componente físico e mental agregados do SF-36: sem diferenças significativas, embora o mental tenha mostrado tendência

Quando a melhora apareceu

1

1ª sessão

Após a 1ª sessão

Primeiras mudanças detectadas nos diários de dor, embora ainda não significativas entre grupos

2

5ª sessão (final do tratamento)

Após a 5ª sessão

Diferença significativa entre grupos nos diários de dor; acúmulo de efeito ao longo da série

3

18 dias após início

Avaliação final (T2)

Redução significativa da dor em repouso, dor ao movimento, incapacidade cervical e melhora na qualidade de vida

Antes e depois

Dor em repouso (VAS 0-100)

escala máx. 100 mm

Antes45.5 mm
Depois26.1 mm

Dor ao movimento (VAS 0-100)

escala máx. 100 mm

Antes62 mm
Depois29 mm

Incapacidade cervical (NDI 0-100%)

escala máx. 100 %

Antes27.5 %
Depois21.1 %

Vitalidade (SF-36, escala 0-100)

escala máx. 100 pontos

Antes55 pontos
Depois63.9 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Tratamento bem tolerado pela grande maioria dos pacientes
  • Efeitos colaterais leves e todos transitórios (< 4 horas)
  • Nenhum evento adverso grave ou permanente relatado
Amarelo
  • Uma pessoa interrompeu por piora temporária dos sintomas
  • Marcas circulares temporárias na pele são inevitáveis e visíveis por dias
  • Formigamento, cefaleia leve, cansaço e visão turva relatados em casos isolados
Vermelho
  • Contraindicações explícitas no estudo: distúrbios hemorrágicos, anticoagulação, gravidez
  • Não recomendado sem avaliação médica prévia para exclusão de causas específicas de dor
  • Dados de segurança de longo prazo não disponíveis neste estudo de curta duração

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor cervical crônica inespecífica há mais de 3 meses, já avaliados por especialista
  • Pessoas com tensões musculares palpáveis (nódulos tensos) na região do trapézio
  • Pacientes com dor predominantemente mecânica/postural, sem sintomas de nervos comprimidos
  • Quem busca terapia adjuvante e não faz uso de anticoagulantes ou não tem distúrbios de coagulação
  • Indivíduos que conseguem comparecer a sessões frequentes (a cada 3-4 dias) por duas semanas

Mais cautela para extrapolar

  • Pessoas com dor cervical aguda pós-trauma, whiplash ou com sintomas que irradiam para braços/mãos
  • Pacientes com doenças inflamatórias, autoimunes ativas, câncer ou diabetes não controlada
  • Quem usa anticoagulantes, tem tendência hemorrágica ou distúrbios de coagulação
  • Gestantes ou pessoas com cirurgia recente na coluna (último ano)
  • Indivíduos que esperam cura definitiva: o estudo mostra alívio sintomático, não resolução da causa

Expectativa realista

Alívio progressivo, não imediato

A maioria dos pacientes relatou que o benefício foi se acumulando ao longo das cinco sessões, sendo mais claro após a última. A dor em repouso tende a diminuir mais que a dor ao movimento.

Tempo provável

Avaliação significativa após 2 semanas (5 sessões); marcas na pele desaparecem em alguns dias

Este é um estudo piloto pequeno sem grupo placebo; parte do efeito pode estar relacionada a expectativa e atenção, não apenas à técnica em si

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se já foi descartada causa específica para sua dor cervical (exames de imagem, avaliação neurológica)
  2. 2Verificar se há contraindicações: uso de anticoagulantes, distúrbios de coagulação, gravidez ou cirurgia recente na coluna
  3. 3Discutir expectativas realistas: alívio sintomático, não cura; série de múltiplas sessões necessária
  4. 4Questionar sobre terapias atuais (medicação, fisioterapia) para evitar conflitos ou sobreposições
  5. 5Solicitar acompanhamento da evolução com diário de dor para avaliar se há benefício individual

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Ventosaterapia funciona como cura definitiva para qualquer dor no pescoço

Achado

O estudo mostrou alívio sintomático temporário em dor crônica inespecífica, sem resolver a causa subjacente; não se aplica a dores com causa específica

Mito

Uma única sessão de ventosa já resolve o problema

Achado

Os dados indicam efeito cumulativo: o benefício foi mais evidente após cinco sessões em duas semanas, sugerindo que a série é importante

Mito

As marcas da ventosa são sinais de que 'saiu o mal' ou de eficácia

Achado

As marcas são simplesmente resultado da sucção vascular na pele; sua intensidade ou duração não foi correlacionada ao alívio da dor no estudo

Mito

Se funciona para dor, deve ser seguro para qualquer pessoa

Achado

O estudo excluiu explicitamente gestantes, pessoas com distúrbios de coagulação, anticoagulados e várias condições sistêmicas; segurança não estabelecida fora desses perfis

Como isso pode funcionar

🔥

SUCÇÃO MECÂNICA

O calor dentro do copo cria vácuo ao resfriar, elevando a pele e os tecidos subcutâneos. Isso pode aumentar a microcirculação local e distender o tecido conjuntivo — mecanismo observado, não apenas proposto.

🧠

MODULAÇÃO DA DOR

O aumento do limiar de pressão-dor em áreas distantes (mão e pé) sugere que a ventosaterapia pode alterar o processamento da dor no sistema nervoso central, não apenas localmente. Isso é um achado do estudo, embora o mec

😌

EFEITO RELAXANTE

Pacientes relataram relaxamento extremamente alto (91,2/100). O alívio do estresse e da tensão muscular pode contribuir para o efeito analgésico, embora não se possa separar completamente efeitos específicos de não espec

⚠️

HIPÓTESES ADICIONAIS

Os autores mencionam respostas imunológicas e expressão de genes citoprotetores como possíveis vias, mas deixam claro que estas são especulativas e carecem de confirmação em estudos futuros.

O que ainda é incerto

  • ?O efeito é específico da ventosaterapia ou resultado de atenção, expectativa e ritual terapêutico? Não há grupo sham disponível para responder.
  • ?A melhora se mantém após as duas semanas de estudo? O acompanhamento foi muito curto para avaliar duração do efeito.
  • ?Funcionaria em pacientes que não apresentam miogeloses palpáveis? A amostra foi selecionada com base nesse critério.
  • ?Qual a dose ideal? Cinco sessões foram escolhidas por viabilidade, não por determinação da dose ótima.
🎯

O que o estudo quis responder

Investigar se 5 sessões de ventosaterapia seca aliviam dor cervical crônica inespecífica

👥

QUEM PARTICIPOU

50 pacientes com dor cervical há pelo menos 3 meses, idade média 51 anos

🧪

COMO FOI FEITO

Grupo tratamento recebeu 5 sessões de ventosa em 2 semanas vs grupo controle sem tratamento

📈

O QUE MUDOU

Redução de 22,5mm na dor em repouso (escala 0-100mm) e melhora da qualidade de vida

🛟

SEGURANÇA

Bem tolerado, apenas efeitos leves temporários como formigamento e cansaço

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

EFEITO SOBRE O PROCESSAMENTO DA DOR

Pela primeira vez em um RCT de ventosaterapia para dor cervical, foi demonstrada alteração em medida objetiva de sensibilidade à dor: o limiar de pressão-dor aumentou não apenas localmente, mas também em áreas distantes

🧭

ACÚMULO DE EFEITO COM O TRATAMENTO EM SÉRIE

Os diários de dor revelaram que o benefício foi crescendo a cada sessão, sendo significativo apenas após a quinta aplicação. Isso apoia a prática clínica de administrar ventosaterapia como série, não tratamento único.

📌

ALTA ACEITAÇÃO E RELAXAMENTO

A média de relaxamento durante o tratamento foi de 91,2/100, e 95% dos pacientes recomendariam a terapia. Este achado de satisfação não permite separar efeito específico de não específico.

🔬

PRIMEIRA EVIDÊNCIA CONTROLADA PARA ESTA INDICAÇÃ

Antes deste estudo, não existia ensaio clínico randomizado de ventosaterapia seca para dor cervical crônica inespecífica na literatura científica, apesar do uso milenar da técnica.

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Ventosaterapia seca reduz dor cervical crônica em estudo piloto controlado

Este estudo piloto randomizado e controlado investigou a eficácia da ventosaterapia seca no tratamento de dor cervical crônica inespecífica, uma condição que afeta milhões de pessoas mundialmente. A dor cervical crônica, quando não relacionada a traumatismos ou doenças específicas, frequentemente resulta de fatores posturais, tensão muscular e alterações nos tecidos conectivos, sendo um desafio terapêutico significativo na prática clínica. A ventosaterapia, técnica milenar utilizada em diversas culturas, cria sucção local através de copos de vidro aquecidos aplicados sobre a pele, visando aumentar a circulação sanguínea e linfática e aliviar a tensão muscular. Cinquenta pacientes com dor cervical crônica inespecífica (média de idade 50,5 anos) foram randomizados em dois grupos: 25 receberam série de cinco tratamentos de ventosaterapia seca ao longo de duas semanas, enquanto 25 permaneceram em lista de espera sem intervenção.

Os critérios de inclusão incluíam idade entre 18-75 anos, dor cervical pelo menos 5 dias por semana por no mínimo 3 meses consecutivos, com intensidade mínima de 40mm numa escala visual analógica de 100mm. Foram excluídos pacientes com dor por trauma, whiplash, doenças inflamatórias, malformações congênitas ou sintomas radiculares. O protocolo de ventosaterapia consistiu na aplicação de copos de vidro de dupla parede (diâmetros 25-50mm) aquecidos sobre áreas de tensão muscular identificadas através de exame físico, principalmente nos músculos trapézios. Os copos permaneciam aplicados por 10-20 minutos até formar marcas rosadas características.

As sessões ocorreram a cada 3-4 dias. Os desfechos primários incluíram medidas de dor em repouso e relacionada ao movimento através de escalas visuais analógicas, além do Índice de Incapacidade Cervical (NDI). Como medidas secundárias, avaliou-se qualidade de vida (SF-36) e limiares sensoriais mecânicos incluindo limiar de detecção mecânica, limiar de dor à pressão e limiar de detecção vibratória, tanto em áreas dolorosas quanto em áreas controle. Os resultados demonstraram benefícios significativos da ventosaterapia.

A dor em repouso reduziu 22,5mm (IC95% -31,9 a -13,1, p=0,00002) no grupo tratamento comparado ao controle, representando redução de aproximadamente 44,8%. A dor máxima relacionada ao movimento diminuiu 17,8mm (IC95% -32,0 a -5,6, p=0,01). O índice de incapacidade cervical melhorou 6,3% (IC95% -10,2 a -2,4, p=0,002). No questionário SF-36, observaram-se melhorias significativas nos domínios dor corporal (Δ13,8, p=0,006) e vitalidade (Δ10,2, p=0,006).

Os diários de dor revelaram redução gradual e significativa após a quinta sessão (Δ-1,1, p=0,001), sugerindo efeito cumulativo do tratamento. Interessantemente, os limiares de dor à pressão aumentaram significativamente tanto em áreas dolorosas quanto em áreas controle no grupo tratamento, sugerindo que a ventosaterapia influencia o processamento funcional da dor. Este achado é relevante, pois indica alterações objetivas na sensibilidade dolorosa, não apenas nos autorrelatos subjetivos. O mecanismo proposto inclui melhora da microcirculação, redução da fibrose tecidual através da diminuição de TGF-β1 e síntese de colágeno, além de possíveis efeitos neuromodulatórios.

A segurança do tratamento foi adequada, com efeitos adversos leves e transitórios como formigamento, cansaço ou cefaleia leve, durando no máximo 4 horas. Um paciente descontinuou por piora temporária dos sintomas. A satisfação foi alta: 86% considerariam continuar o tratamento e 95% recomendariam para familiares. As limitações incluem amostra pequena, ausência de grupo controle sham (devido à dificuldade técnica de criar ventosaterapia placebo eficaz), impossibilidade de cegamento do avaliador devido às marcas visíveis da ventosa, e randomização precoce que pode ter afetado valores basais.

Entretanto, os grupos foram comparáveis no início e todas as análises foram ajustadas para expectativas do paciente. Este estudo pioneiro fornece evidência preliminar robusta de que a ventosaterapia seca pode ser intervenção eficaz e segura para dor cervical crônica inespecífica. O tamanho do efeito observado (d=1,4 para dor em repouso) é considerado grande e clinicamente relevante. Os achados de melhora nos limiares de dor à pressão sugerem alterações neurofisiológicas objetivas, não apenas efeito placebo.

Estudos futuros com amostras maiores, grupos controle apropriados e investigação dos mecanismos de ação são necessários para confirmar estes resultados promissores.

O que fortalece a leitura

  • 1Primeiro estudo controlado de ventosaterapia para dor cervical
  • 2Medidas objetivas de limiar de dor além de questionários
  • 3Boa aceitação pelos pacientes
  • 4Resultados clinicamente relevantes
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Amostra pequena (estudo piloto)
  • 2Grupo controle passivo sem placebo
  • 3Impossível cegar avaliadores devido às marcas da ventosa
  • 4Necessita replicação em estudos maiores

Leitura clínica do estudo

MODERADA
65/ 100
Desenho
3/5
Amostra
2/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

50pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Ventosaterapia

22 pessoas

5 sessões de ventosa seca em 2 semanas

Lista de espera

24 pessoas

sem tratamento durante o estudo

⏱️ Tempo de acompanhamento: 18 dias de acompanhamento

📊 Resultados em números

22,5mm

Redução da dor em repouso

17,8mm

Redução da dor ao movimento

6,3%

Melhora no índice de incapacidade cervical

10,2 pontos

Melhora na vitalidade (SF-36)

Destaques percentuais

6,3%
Melhora no índice de incapacidade cervical

📊 Comparação de Resultados

Dor em repouso (escala 0-100mm)

Ventosaterapia
26.1
Controle
47.1

📅 Linha do tempo da evidência

1970Ventosaterapia usada tradicionalmente há milênios
2005Primeiros estudos controlados de ventosaterapia para dor
2009Estudos mostram eficácia para síndrome do túnel do carpo
2011Este estudo piloto demonstra benefícios para dor cervical crônica

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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