Guia 09

Mapa de mecanismos da dor crônica.

Dor nociceptiva, neuropática, nociplástica, inflamatória, miofascial e mista pedem perguntas diferentes. As pistas de cada mecanismo preparam a conversa diagnóstica em consulta.

Mapa de mecanismos

O nome da dor muda o tipo de pergunta.

A dor crônica tem mecanismos distintos. O atlas separa pistas de tecido, inflamação, nervo, sensibilização, músculo e padrões mistos antes da conversa sobre tratamento.

Pistas do caso

Leitura do mecanismo

Mista

Dor mecânica com queimação, exame normal com hipersensibilidade, articulação dolorosa com medo de movimento.

Um exame isolado raramente fecha o mapa inteiro. O padrão vem de história, exame físico e resposta ao plano.

SequênciaPriorizar o risco maior e a alavanca mais modificável

ExercícioAjustar dose conforme mecanismo dominante

MedicaçãoEvitar acumular classes sem alvo claro

EquipeCombinar reabilitação, educação, sono, saúde mental e intervenções quando necessário

Laboratório do paciente

Aprender o vocabulário, reconhecer histórias e medir quatro semanas.

Este bloco acompanha mecanismos da dor e transforma termos técnicos em perguntas de consulta.

Termo aberto

Dor nociplástica

Em linguagem simplesDor real em que o processamento do sistema de dor parece sensível demais, sem ser explicada completamente por lesão de tecido ou nervo.

Pistas que combinamDor difusa, flares grandes, toque doloroso, sono ruim, fadiga e múltiplas regiões podem levantar essa hipótese.

O que não concluirNão significa dor inventada, fraqueza emocional ou ausência de tratamento.

Pergunta para consultaMeu padrão sugere sensibilização do sistema de dor ou existe uma fonte tecidual ou nervosa dominante?

Fonte: IASP terminology

Camada de estudo

Aprofunde: mecanismo não é rótulo, é hipótese testável.

Uma hipótese de mecanismo precisa explicar pistas, orientar exames, escolher alavancas e ser reavaliada quando a resposta ao plano aparece.

Nociplástica

Sensibilização não significa invenção.

Dor nociplástica descreve alteração no processamento da dor sem explicação completa por lesão tecidual ou nervosa. A dor segue real.

Validação e educação são parte do tratamento, não consolo.

Mista

Mais de um mecanismo pode coexistir.

Joelho com osteoartrite, sono ruim, medo de movimento e hipersensibilidade pode combinar mecanismos mecânicos, inflamatórios e nociplásticos.

Pergunte qual mecanismo domina agora e qual está amplificando.

Teste

A hipótese precisa mudar a conduta.

Se nomear o mecanismo não muda exercício, medicação, acupuntura, procedimento ou investigação, a hipótese ainda está pouco útil.

Boa hipótese gera uma próxima ação mensurável.

O método

Leia em quatro movimentos.

01

Comece pela pista dominante.

Movimento, inflamação, choque, hipersensibilidade, ponto-gatilho e sono contam histórias diferentes. O primeiro passo é nomear a pista mais forte.

02

Não trate mecanismo como rótulo fixo.

Uma pessoa pode ter dor mista: joelho com carga mecânica, medo de movimento, sono ruim e sensibilização. O mecanismo dominante pode mudar com o tempo.

03

Entenda o papel dos exames.

Exames ajudam a afastar causas importantes, mas não medem todos os mecanismos de dor. Exame normal não torna a dor falsa.

04

Use mecanismo para escolher perguntas.

O mecanismo orienta se a conversa deve priorizar exercício, acupuntura, medicação, sono, psicologia, procedimento, investigação ou re-teste funcional.

Perguntas úteis

Leve isto para a consulta.

Qual mecanismo parece dominante no meu caso hoje?

Que sinal faria investigar nervo, inflamação ou outra causa antes de tratar?

Meus exames explicam a dor inteira ou só afastam causas perigosas?

Qual parte do plano testa a hipótese do mecanismo?

Evite armadilhas

O que não concluir sozinho.

Não usar o mapa como autodiagnóstico.

Não concluir que dor nociplástica ou sensibilização significa dor imaginária.

Não perseguir um exame perfeito quando o exame físico e a função contam mais para o plano.

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