Estudo científico comentado

Exercícios combinados com laser de alta intensidade reduzem mais a dor durante atividades em síndrome do ombro

Referência acadêmica

Periódico

Physical Medicine and Rehabilitation Kuror

Ano

2024

Autores

Yeşilyaprak et al.

Desenho

estudo clínico randomizado

Este estudo mostra que o laser de alta intensidade é eficaz para dor no ombro, mas quando combinado com exercícios específicos traz ainda mais benefícios. Ambos os tratamentos melhoraram a funcionalidade do ombro e reduziram a dor, porém os exercícios foram superiores para diminuir a dor durante as atividades do dia a dia e fortalecer músculos importantes. O tratamento é seguro e pode ser uma boa opção não-cirúrgica para problemas no ombro.

Título original do estudo: The Addition of Exercise to High-Intensity Laser Therapy Improves Treatment Effectiveness on Pain and Muscle Strength in Patients with Subacromial Pain Syndrome: A Randomized Trial

🔬estudo clínico randomizado👥n=30 participantes📊benefício moderado
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Para síndrome da dor subacromial, laser de alta intensidade combinado com exercícios reduziu mais a dor durante atividades e fortaleceu melhor os músculos do ombro do que o laser isolado, embora ambos tenham melhorado função e dor em repouso de forma semelhant

O que isso significa para você?

Este estudo mostra que o laser de alta intensidade é eficaz para dor no ombro, mas quando combinado com exercícios específicos traz ainda mais benefícios. Ambos os tratamentos melhoraram a funcionalidade do ombro e reduziram a dor, porém os exercícios foram superiores para diminuir a dor durante as atividades do dia a dia e fortalecer músculos importantes. O tratamento é seguro e pode ser uma boa opção não-cirúrgica para problemas no ombro.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Se você tem dor no ombro por síndrome do impacto, laser de alta intensidade é uma opção válida, mas pedir para incluir exercícios pode trazer benefícios extras
  • 2A dor ao realizar tarefas do dia a dia — levantar objetos, vestir-se, trabalhar — parece responder melhor à combinação de tratamentos
  • 3Fortalecer músculos específicos do ombro e escápula não é apenas para atletas; pode ser parte essencial da recuperação
  • 4Três semanas de tratamento mostraram resultados, mas a manutenção a longo prazo ainda é uma incógnita que você deve discutir com seu médico
  • 5Não há atalho único: tecnologia e esforço ativo parecem ter papéis complementares na recuperação
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Meu diagnóstico é exatamente síndrome da dor subacromial ou há outras condições associadas que precisam ser tratadas primeiro?
  • 2Posso fazer exercícios sem agravar a dor? Quais movimentos devo evitar inicialmente?
  • 3Há necessidade de ressonância magnética ou ultrassom antes de iniciar tratamento conservador?
  • 4Como manter os benefícios após o término das sessões de laser e exercícios?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1O estudo não relatou eventos adversos, mas a segurança a longo prazo e em populações mais amplas não foi estabelecida
  • 2Contraindicações para laser de alta intensidade existem, embora não detalhadas no artigo; discuta seu histórico médico completo antes de iniciar
  • 3A progressão dos exercícios deve ser individualizada; aumentar a resistência de forma inadequada pode causar desconforto ou lesão
  • 4A ausência de seguimento pós-tratamento significa que não se sabe se há riscos de recaída ou necessidade de manutenção

Leitura rápida para pacientes

Laser + exercícios vencem na prática

Para dor no ombro por impacto subacromial, combinar tecnologia com movimento traz mais alívio na atividade e mais força do que tecnologia sozinha

Ponto 1

Ambos os tratamentos melhoram dor em repouso e função do ombro

Ponto 2

Exercícios adicionais reduzem mais a dor ao mover o braço e fortalecem músculos-chave

Ponto 3

Fale com seu médico sobre incluir exercícios direcionados no plano de tratamento

O que este estudo acrescenta

PRIMEIRA COMPARAÇÃO DIRETA

Este foi o primeiro estudo a comparar diretamente laser de alta intensidade isolado versus combinado com exercícios, incluindo avaliação detalhada de força muscular e propriocepção na síndrome da dor subacromial.

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A diferença na dor durante atividades e no ganho de força muscular são clinicamente relevantes para o cotidiano, mas a amostra pequena e a ausência de seguimento limitam a certeza sobre a durabilidade dos benefícios.

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Estudo em que participantes foram divididos aleatoriamente em grupos de tratamento, oferecendo evidência de boa qualidade sobre a eficácia comparativa das intervenções.

participantes do estudo

30

15 em cada grupo, amostra pequena mas calculada para poder estatístico adequado

redução da dor em atividades (combinado)

5,3 pontos

escala de 0 a 10, diferença clinicamente relevante

redução da dor em atividades (laser isolado)

3,3 pontos

menor que no grupo combinado, mas ainda significativa

aumento de força do supraespinhal

2,9 kg

apenas no grupo com exercícios, músculo-chave para o espaço subacromial

sessões de tratamento

10

em dias alternados ao longo de 3 semanas

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

síndrome da dor subacromial (impacto do ombro)

Tipo de estudo

ensaio clínico randomizado

Participantes

n=30, adultos com diagnóstico confirmado por exame clínico e imagem

Duração

3 semanas de tratamento, sem seguimento posterior

Sessões

10 sessões, realizadas em dias alternados

Comparador

laser de alta intensidade isolado como controle ativo

Grupos do estudo

laser de alta intensidade (HILT)HILT + exercícios terapêuticos

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

10 sessões totais

Frequência02

dias alternados durante 3 semanas, mais a primeira sessão da 4ª semana

Duração da sessão03

16 a 18 minutos para o laser; exercícios adicionais no grupo combinado

Pontos / técnica04

laser aplicado em 3 fases: analgésica rápida, pontos-gatilho dolorosos, e fase regenerativa; exercícios incluíram pêndulo, postura, alongamento, fortalecimento com faixa elástica e

Comparador05

laser de alta intensidade isolado, mesma dose e tempo

Nota de protocolo06

progressão da resistência das faixas elásticas individualizada conforme tolerância; grupo laser teve oferta de exercícios após o término do estudo

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com idade igual ou superior a 18 anosDiagnóstico de síndrome da dor subacromial confirmado por exame clínico e imagemDor no ombro avaliada em menos de 7 em uma escala de 0 a 10Sem outras condições de ombro nos últimos 12 mesesCapacidade de elevar o ombro acima de 140 grausBoa saúde geral, sem doenças sistêmicas musculoesqueléticas

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes com histórico de fratura ou cirurgia no membro superiorCasos de capsulite adesiva (ombro congelado), lesão completa do manguito rotador ou instabilidade articularDor no ombro associada a movimentos cervicaisIndivíduos com contraindicações específicas para laserterapiaPacientes com dor em repouso muito intensa ou limitação severa de movimento

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

dor durante atividades

reduziu mais no grupo combinado

queda de 7,8 para 2,5 no grupo exercícios versus 8,2 para 4,8 no grupo laser isolado, diferença clinicamente significativa

💪

força muscular específica

melhorou mais no grupo combinado

supraespinhal, trapézio superior, médio, inferior e subescapular ganharam mais força com exercícios

🔄

função do ombro (CMS)

melhorou nos dois grupos

ambos ultrapassaram a diferença clinicamente importante mínima, mas grupo exercícios atingiu classificação 'boa' versus 'moderada'

🛌

dor em repouso

melhorou nos dois grupos

redução semelhante e significativa em ambos, sem diferença entre os tratamentos

🤸

amplitude de movimento

melhorou nos dois grupos

flexão, abdução e rotações aumentaram de forma comparable entre os grupos

🧭

propriocepção

melhorou nos dois grupos

senso de posição articular para abdução, rotação interna e externa melhorou sem diferença entre tratamentos

O que não mudou

  • Não houve diferença significativa entre os grupos na redução da dor em repouso
  • A melhora na funcionalidade avaliada pelo SPADI foi semelhante entre os grupos, sem vantagem clara do combinado
  • Não foi avaliado se os benefícios se mantêm após o término do tratamento, devido à ausência de seguimento

Quando a melhora apareceu

1

3 semanas

após 10 sessões

melhora significativa em dor, função e amplitude de movimento em ambos os grupos

2

final do tratamento

redução da dor em atividades

diferença clinicamente relevante a favor do grupo combinado, com redução de 5,3 versus 3,3 pontos

3

final do tratamento

ganho de força muscular

aumento significativo em trapézio inferior, médio e supraespinhal apenas no grupo com exercícios

Antes e depois

Dor durante atividades (0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes7.8 pontos
Depois2.5 pontos

Dor durante atividades (0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes8.2 pontos
Depois4.8 pontos

Função Constant-Murley

escala máx. 100 pontos

Antes57.9 pontos
Depois82.1 pontos

Função Constant-Murley

escala máx. 100 pontos

Antes57.9 pontos
Depois78.4 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Tratamentos bem tolerados durante todo o período de estudo
  • Nenhum evento adverso relatado entre os 30 participantes
  • Laser aplicado com proteção ocular para pacientes e operador
Amarelo
  • Duração relativamente curta do tratamento (3 semanas)
  • Progressão de resistência dos exercícios exigiu ajuste individual
  • Não se sabe se há riscos em tratamentos mais prolongados ou repetidos
Vermelho
  • Ausência de seguimento de segurança após o término do estudo
  • Contraindicações específicas para laser não detalhadas no artigo para orientação clara do paciente

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com síndrome da dor subacromial confirmada, sem lesão completa do manguito rotador
  • Pacientes com dor moderada que limita atividades do dia a dia, mas que conseguem elevar o braço acima de 140 graus
  • Pessoas motivadas a realizar exercícios regulares em casa ou em acompanhamento
  • Indivíduos que buscam opções não cirúrgicas para dor no ombro
  • Pacientes sem histórico recente de cirurgia ou fratura no membro superior

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com capsulite adesiva (ombro congelado) ou instabilidade articular
  • Casos de lesão completa do manguito rotador, que podem necessitar abordagem diferente
  • Indivíduos com dor intensa em repouso (acima de 7/10) ou muito limitação de movimento
  • Pacientes com doenças sistêmicas musculoesqueléticas ou dor referida da coluna cervical
  • Pessoas que não conseguem comprometer-se com a frequência de sessões e prática de exercícios

Expectativa realista

O que esperar do tratamento combinado

Redução da dor ao mover o ombro, especialmente durante tarefas cotidianas, e ganho gradual de força nos músculos que estabilizam a escápula e o manguito rotador

Tempo provável

Melhoras iniciais em função e dor podem aparecer ao longo de 3 semanas; ganhos de força tendem a exigir todo o período d

Os benefícios foram demonstrados apenas durante o tratamento ativo; não se sabe quanto tempo persistem após as sessões terminarem

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se seu caso é compatível com a síndrome da dor subacromial estudada ou se há outras condições associadas
  2. 2Discutir se você tem contraindicações para laserterapia e quais exercícios seriam seguros no seu estágio
  3. 3Questionar sobre a necessidade de imagens (ultrassom ou ressonância) antes de iniciar tratamento conservador
  4. 4Verificar se há possibilidade de acompanhamento de reforço após as sessões iniciais para manter os ganhos
  5. 5Combinar o tratamento com orientações sobre atividades do dia a dia e possíveis modificações ergonômicas

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Laser sozinho resolve qualquer dor no ombro

Achado

O laser isolado melhorou dor e função, mas foi inferior ao combinado para dor em atividades e força muscular

Mito

Exercícios só servem para prevenir, não para tratar dor aguda

Achado

Exercícios terapêuticos somados ao laser produziram maior redução da dor durante movimentos e ganhos de força mensuráveis

Mito

Tecnologia avançada substitui a reabilitação ativa

Achado

O laser e os exercícios tiveram efeitos complementares; a tecnologia não eliminou a necessidade do movimento e fortalecimento

Mito

Melhora da função significa que todos os aspectos melhoram igualmente

Achado

Ambos os grupos melhoraram na função geral, mas apenas o combinado teve vantagem em dor de atividades e força específica

Como isso pode funcionar

💡

ESTÍMULO FOTOQUÍMICO

O laser de alta intensidade pode aumentar o metabolismo celular e a produção de ATP, com efeitos anti-inflamatórios e analgésicos — mecanismo proposto, não completamente confirmado em humanos

🏋️

FORTALECIMENTO ATIVO

Exercícios direcionados promovem adaptações neuromusculares e melhoram o controle da escápula, reduzindo a compressão subacromial durante movimentos

⚖️

MELHORA BIOMECÂNICA

A combinação pode restaurar o equilíbrio entre músculos agonistas e antagonistas, facilitando movimentos mais eficientes e menos dolorosos — efeito plausível, mas que requer mais estudos

🧠

MODULAÇÃO DA DOR

A redução da dor durante atividades no grupo combinado pode refletir tanto efeitos periféricos quanto mudanças no processamento central da dor — interpretação especulativa baseada em conhecimento geral

O que ainda é incerto

  • ?Não se sabe se a vantagem do tratamento combinado persiste após 3 semanas, pois não houve seguimento
  • ?A amostra de 30 pacientes é pequena para definir recomendações amplas de tratamento
  • ?O efeito do laser isolado sobre a força de alguns músculos (trapézio inferior, médio e supraespinhal) não foi significativo, levantando dúvidas sobre
  • ?Não está claro quais componentes específicos do programa de exercícios (alongamento, fortalecimento, postura) foram mais determinantes para o benefíci
🎯

O que o estudo quis responder

Comparar laser de alta intensidade (HILT) sozinho versus HILT combinado com exercícios para dor no ombro

👥

QUEM PARTICIPOU

30 pacientes com síndrome do impacto do ombro, divididos em dois grupos de 15 pessoas

🧪

COMO FOI FEITO

10 sessões de HILT versus HILT + exercícios (fortalecimento, alongamento e postura) durante 3 semanas

📈

O QUE MUDOU

Ambos grupos melhoraram, mas exercícios reduziram mais a dor durante atividades e aumentaram força muscular

🛟

SEGURANÇA

Tratamentos bem tolerados, sem relatos de eventos adversos durante o estudo

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

SUPERIORIDADE NA DOR ATIVA

Pela primeira vez, um estudo mostrou que exercícios somados ao laser de alta intensidade reduzem significativamente mais a dor durante atividades do que o laser isolado, com diferença que realmente importa no dia a dia

🧭

FORÇA MUSCULAR ESPECÍFICA

O estudo detalhou quais músculos ganharam força com a combinação — supraespinhal, trapézios e subescapular — mapeando o perfil de benefício de forma inédita para essa modalidade

📌

FUNÇÃO SIMILAR, IMPACTO DIFERENTE

Curiosamente, a função geral do ombro melhorou igualmente nos dois grupos, mas quem fez exercícios teve menos dor ao se mover e mais força, sugerindo que 'melhorar' pode ter níveis distintos de significado prático

🔍

LACUNA DE SEGUIMENTO

O estudo deixa clara uma necessidade urgente: saber se os ganhos do tratamento combinado duram semanas ou meses após o fim das sessões

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Exercícios combinados com laser de alta intensidade reduzem mais a dor durante atividades em síndrome do ombro

A dor no ombro é uma das queixas mais comuns em consultórios médicos, e entre suas causas, a síndrome do impacto subacromial — também conhecida como síndrome da dor subacromial — ocupa lugar de destaque. Trata-se de uma condição em que os tecidos moles do ombro, como os tendões do manguito rotador, ficam comprimidos no espaço abaixo do acrômio durante os movimentos do braço. Isso provoca dor, limitação de movimento, perda de força muscular e, frequentemente, alterações na propriocepção, ou seja, na capacidade do corpo de perceber a posição do ombro no espaço. Para quem vive com essa condição, atividades simples como pentear o cabelo, pegar objetos em prateleiras altas ou até dormir do lado afetado podem se tornar desafiadoras.

O estudo de Yeşilyaprak e colaboradores, publicado em 2024, trouxe uma contribuição importante para entender como combinar diferentes abordagens terapêuticas pode melhorar a qualidade de vida desses pacientes. Os pesquisadores investigaram se adicionar exercícios terapêuticos ao tratamento com laser de alta intensidade — uma tecnologia não invasiva que usa luz de comprimento de onda específico para estimular tecidos — produziria benefícios adicionais em comparação com o laser aplicado isoladamente. A escolha do laser de alta intensidade não foi aleatória: estudos anteriores já haviam mostrado que essa modalidade pode reduzir a dor e melhorar a função em problemas musculoesqueléticos, possivelmente por meio de efeitos anti-inflamatórios, analgésicos e de estimulação do metabolismo celular. No entanto, permanecia a dúvida se o laser sozinho seria suficiente ou se a combinação com exercícios traria ganhos mais robustos e duradouros.

O desenho do estudo foi rigoroso: trinta pacientes com diagnóstico confirmado de síndrome da dor subacromial foram divididos aleatoriamente em dois grupos. O primeiro grupo recebeu apenas laser de alta intensidade, em sessões de dezesseis a dezoito minutos, totalizando dez sessões ao longo de três semanas. O segundo grupo recebeu o mesmo protocolo de laser, mas com a adição de exercícios que incluíam movimentos de pêndulo para mobilidade, exercícios de postura, alongamentos, fortalecimento com faixas elásticas e exercícios de parede. A progressão da resistência era individualizada conforme a tolerância de cada paciente.

Os resultados, em linhas gerais, mostraram que ambos os tratamentos foram benéficos. Pacientes dos dois grupos experimentaram melhora significativa na função do ombro, redução da dor em repouso, aumento da amplitude de movimento e melhora na propriocepção. Esses achados são reconfortantes porque indicam que o laser de alta intensidade, por si só, já é uma opção terapêutica válida. Contudo, o estudo revelou diferenças importantes a favor do grupo combinado.

A dor durante as atividades — aquela que aparece quando o paciente move o braço, levanta objetos ou realiza tarefas do dia a dia — diminuiu mais no grupo que fez exercícios. Enquanto a redução média foi de 3,3 pontos em uma escala de zero a dez no grupo laser isolado, chegou a 5,3 pontos no grupo combinado. Essa diferença não é apenas estatística, mas clinicamente relevante, pois representa uma mudança perceptível na capacidade de realizar atividades cotidianas sem desconforto. Outro achado relevante foi o ganho de força muscular.

O grupo que combinou laser com exercícios mostrou aumento significativo na força de músculos específicos como o trapézio inferior, o trapézio médio e o supraespinhal — este último particularmente importante porque é um dos músculos mais comprometidos na síndrome do impacto e essencial para manter o espaço subacromial aberto durante a elevação do braço. O fortalecimento desses músculos pode contribuir para uma biomecânica mais adequada do ombro, reduzindo a chance de nova compressão dos tecidos. Curiosamente, alguns resultados não mostraram diferença entre os grupos. A função geral do ombro, avaliada por questionários padronizados, melhorou nos dois grupos de forma semelhante, assim como a dor em repouso, a amplitude de movimento e a propriocepção.

Isso sugere que, para certos aspectos, o laser isolado já é eficaz, e os exercícios adicionam valor principalmente onde a demanda física é maior — na dor durante o movimento e na força muscular. A interpretação desses resultados deve ser feita com prudência. O estudo teve apenas trinta participantes, o que limita a generalização dos achados para toda a população com dor no ombro. Além disso, não houve acompanhamento após o término do tratamento, de modo que não se sabe se as vantagens do grupo combinado se manteriam a longo prazo.

Outro ponto é que o profissional que aplicou os tratamentos não era cego ao grupo de cada paciente, o que, embora mitigado por outras medidas metodológicas, introduz algum risco de viés. Para pacientes, a mensagem prática é clara: se você vive com dor no ombro por síndrome do impacto, o laser de alta intensidade pode ajudar, mas combiná-lo com um programa de exercícios direcionados parece oferecer vantagens adicionais, especialmente para quem precisa retomar atividades que exigem força e movimento do braço. A segurança foi boa, sem eventos adversos relatados durante o período de tratamento. Ainda assim, é fundamental que qualquer abordagem seja discutida com seu médico, considerando suas características individuais, histórico de saúde e objetivos pessoais de recuperação.

O que fortalece a leitura

  • 1estudo randomizado controlado com boa metodologia
  • 2avaliação abrangente incluindo força muscular e propriocepção
  • 3protocolo de tratamento bem detalhado e reprodutível
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1amostra pequena (apenas 30 participantes)
  • 2falta de seguimento a longo prazo após o tratamento
  • 3terapeuta não era cego ao tratamento aplicado

Leitura clínica do estudo

MODERADA
72/ 100
Desenho
4/5
Amostra
2/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

30pessoas avaliadas
divisão dos grupos

HILT apenas

15 pessoas

laser de alta intensidade por 16-18 min

HILT + exercícios

15 pessoas

laser + exercícios de fortalecimento e postura

⏱️ Tempo de acompanhamento: 3 semanas (10 sessões)

📊 Resultados em números

5,3 pontos

redução na dor durante atividades (grupo exercícios)

3,3 pontos

redução na dor durante atividades (grupo laser)

>20 pontos

melhora na funcionalidade (ambos grupos)

2,9 kg

aumento na força do supraespinhal (exercícios)

📊 Comparação de Resultados

Dor durante atividades (0-10)

HILT
4.8
HILT + exercícios
2.5

Score Constant-Murley funcionalidade

HILT
78.4
HILT + exercícios
82.1

📅 Linha do tempo da evidência

2009primeiros estudos com HILT para ombro mostrando eficácia versus ultrassom
2016evidências sobre HILT combinado com terapia manual
2019estudos com seguimento de 3 meses confirmando benefícios
2024este estudo demonstra superioridade da combinação HILT + exercícios

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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