Estudo científico comentado

Laserterapia de alta intensidade na síndrome do impacto subacromial: resultados equivalem ao exercício isolado

Referência acadêmica

Periódico

Clinical Rehabilitation

Ano

2019

Autores

Aceituno-Gómez et al.

Desenho

ensaio clínico controlado

Este estudo investigou se adicionar laser de alta intensidade aos exercícios traz benefícios extras para quem tem síndrome do impacto subacromial. Os resultados mostraram que tanto o grupo que recebeu laser quanto o que fez apenas exercícios melhoraram significativamente da dor e função do ombro. Como não houve diferença entre os grupos, isso sugere que os exercícios supervisionados são o principal fator de melhora, e o laser não oferece benefício adicional importante.

Título original do estudo: Efficacy of high-intensity laser therapy in subacromial impingement syndrome: a three-month follow-up controlled clinical trial

🧪ensaio clínico controlado👥n=43 pacientes🤝resultados equivalentes
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Exercícios supervisionados para síndrome do impacto subacromial produziram melhorias significativas e duradouras; adicionar laser de alta intensidade não trouxe benefício extra mensurável.

O que isso significa para você?

Este estudo investigou se adicionar laser de alta intensidade aos exercícios traz benefícios extras para quem tem síndrome do impacto subacromial. Os resultados mostraram que tanto o grupo que recebeu laser quanto o que fez apenas exercícios melhoraram significativamente da dor e função do ombro. Como não houve diferença entre os grupos, isso sugere que os exercícios supervisionados são o principal fator de melhora, e o laser não oferece benefício adicional importante.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Priorize um programa de exercícios bem estruturado — é o que tem melhor evidência para dor de ombro subacromial
  • 2Não se sinta pressionado a pagar por tecnologias adicionais se o benefício não está comprovado para seu caso específico
  • 3A melhora é gradual: espere algumas semanas de tratamento consistente antes de avaliar resultados
  • 4A dor intensa ou limitação grave de movimento exigem investigação mais aprofundada, não apenas reabilitação
  • 5Manter os exercícios em casa após a alta ajuda a preservar os ganhos obtidos
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Meu diagnóstico é definitivamente síndrome do impacto subacromial, ou poderia ser outra condição como rompimento do manguito rotador?
  • 2Qual é o protocolo de exercícios mais adequado para meu caso, e posso ter acesso a supervisão inicial?
  • 3Há alguma razão específica para mim a considerar laser de alta intensidade, dado que os estudos não mostram vantagem clara?
  • 4Como vamos definir objetivos claros para alta e manutenção do tratamento?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum efeito adverso foi relatado neste estudo, mas o tamanho da amostra não permite descartar eventos raros
  • 2O laser de alta intensidade requer proteção ocular e aplicação técnica adequada; não deve ser usado sem preparo específico
  • 3Contraindicações ao laser (como fotossensibilidade) devem ser avaliadas antes do tratamento
  • 4O estudo não detalhou quais contraindicações absolutas foram consideradas; converse com seu médico sobre sua situação específica

Leitura rápida para pacientes

Exercícios venceram sozinhos

Para dor de ombro por impacto subacromial, um programa intensivo de exercícios trouxe alívio duradouro — e o laser de alta intensidade não acrescentou benefício

Ponto 1

15 sessões em 3 semanas: melhora significativa da dor e função, mantida por 3 meses

Ponto 2

Laser real e laser falso tiveram resultados iguais: os exercícios foram o que realmente importou

Ponto 3

Nenhum efeito colateral, mas também nenhuma razão forte para pagar mais pelo laser nesta condição

O que este estudo acrescenta

PRIMEIRO SEGUIMENTO DE 3 MESES

Este foi o primeiro estudo controlado com placebo a acompanhar pacientes por 3 meses após laser de alta intensidade para síndrome do impacto subacromial, mostrando que a melhora com exercícios se mantém mesmo sem benefíc

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A melhoria com exercícios foi substancial e clinicamente relevante, mas a adição do laser não demonstrou valor agregado, limitando sua relevância para decisões de investimento em tecnologia

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Comparação direta entre tratamentos com grupo controle, oferecendo evidência de boa qualidade, embora com limitações de randomização neste caso específico

n de pacientes que completaram

43

21 no grupo laser, 22 no grupo controle

redução de dor na escala visual

3,5 a 3,6 pontos

queda similar em ambos os grupos após 3 meses

melhora no SPADI

30,8 a 38,2 pontos

redução da dor e incapacidade, sem diferença entre grupos

sessões de tratamento

15

5 vezes por semana durante 3 semanas

efeitos adversos

0

nenhum evento adverso relatado em nenhum grupo

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Síndrome do impacto subacromial (ombro doloroso)

Tipo de estudo

Ensaio clínico controlado com alocação alternada

Participantes

43 adultos (idade média ~59 anos), maioria mulheres

Duração

3 semanas de tratamento + seguimento de 3 meses

Sessões

15 sessões

Comparador

Laser falso (placebo) com mesmo protocolo de exercícios

Grupos do estudo

Laser de alta intensidade + exercíciosLaser falso + exercícios

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

15 sessões

Frequência02

5 vezes por semana, durante 3 semanas

Duração da sessão03

Não especificado em minutos; duas fases de aplicação com doses de 50 e 250 J/cm²

Pontos / técnica04

Aplicação dinâmica na região subacromial mapeada previamente, com distância de 1 cm da pele, usando protetor ocular

Comparador05

Laser falso: mesmo tempo, mesmo posicionamento, luz guia acesa, potência zero

Nota de protocolo06

Em ambos os grupos, as sessões de laser (real ou falso) eram seguidas do mesmo protocolo de alongamento e fortalecimento para o ombro

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos de 18 a 75 anos com diagnóstico de síndrome do impacto subacromialDor moderada (até 7 pontos na escala visual) e capacidade de elevar o braço até pelo menos 100°Pacientes atendidos em ambulatório de reabilitação hospitalarPessoas que não haviam feito fisioterapia para o ombro no último mêsIndivíduos sem ruptura completa do manguito rotador, capsulite adesiva ou fibromialgia

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Quem já fazia tratamento fisioterápico recente para o ombroPacientes com calcificação tendínea, ruptura completa do manguito rotador ou alterações de sensibilidade térmicaPessoas com contraindicações ao laser (uso de fotossensibilizantes, por exemplo)Quem precisou de injeção corticoide ou outra terapia durante o estudo (foram excluídos do seguimento)Idosos muito frágeis ou com dor muito intensa que impossibilitasse os exercícios

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Dor em repouso e movimento

melhorou significativamente

Queda de ~6 para ~2 pontos na escala visual em ambos os grupos após 3 meses

🔄

Função do ombro (SPADI)

melhorou significativamente

Redução de ~52 para ~14 pontos no grupo controle e ~42 para ~11 no grupo laser

💪

Função geral do membro (QuickDASH)

melhorou significativamente

Queda de ~46 para ~15 no controle e ~39 para ~10 no grupo laser

📊

Escore Constant-Murley

melhorou significativamente

Aumento de ~42 para ~66 no controle e ~50 para ~69 no grupo laser

👆

Limiar de dor à pressão

melhorou significativamente

Aumento da tolerância à pressão na região subacromial em ambos os grupos

O que não mudou

  • Não houve diferença significativa entre laser real e falso na maioria das comparações
  • Uso de medicamentos e número de sessões extras para alta não diferiram estatisticamente entre os grupos

Quando a melhora apareceu

1

3 semanas

Após as 15 sessões

Redução significativa da dor e melhora funcional já observada em ambos os grupos

2

1 mês pós-tratamento

1 mês de seguimento

Melhoras mantidas; grupo controle mostrou redução adicional do SPADI

3

3 meses pós-tratamento

3 meses de seguimento

Dor mínima em ambos os grupos (1,8 vs 2,6 na EVA), sem diferença significativa entre eles

Antes e depois

Dor (EVA 0-10)

escala máx. 10 pontos (grupo contro

Antes6.2 pontos (grupo contro
Depois2.6 pontos (grupo contro

Dor (EVA 0-10)

escala máx. 10 pontos (grupo laser)

Antes5.4 pontos (grupo laser)
Depois1.8 pontos (grupo laser)

Incapacidade (SPADI 0-100)

escala máx. 100 pontos (grupo contro

Antes51.8 pontos (grupo contro
Depois13.6 pontos (grupo contro

Incapacidade (SPADI 0-100)

escala máx. 100 pontos (grupo laser)

Antes41.8 pontos (grupo laser)
Depois11 pontos (grupo laser)

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum efeito adverso relatado em nenhum dos grupos durante todo o estudo
  • Boa tolerabilidade do procedimento com uso de óculos de proteção
  • Laser aplicado com distância controlada da pele e técnica dinâmica para evitar queimaduras
Amarelo
  • Potência de até 15 W requer cuidados técnicos rigorosos; não é aplicável em casa
  • Terapeuta que aplicou o laser não foi cegado, o que teoricamente poderia influenciar a interação, embora não os resultados mensuráveis
Vermelho
  • Contraindicações ao laser não foram detalhadas no artigo; pacientes com fotossensibilidade ou certos medicamentos precisam de avaliação prévia
  • Estudo não foi desenhado para detectar eventos adversos raros devido ao tamanho da amostra

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor de ombro subacromial moderada e mobilidade preservada
  • Pessoas que conseguem comparecer a sessões frequentes (5x/semana) por algumas semanas
  • Pacientes sem lesões estruturais graves do manguito rotador
  • Quem busca tratamento não medicamentoso e está disposto a fazer exercícios regularmente

Mais cautela para extrapolar

  • Quem já faz outro tratamento fisioterápico simultâneo para o ombro
  • Pacientes com ruptura completa do manguito rotador ou capsulite adesiva (foram excluídos)
  • Pessoas com dor muito intensa (acima de 7/10) ou muito limitada na elevação do braço
  • Quem tem contraindicações ao uso de laser (sem avaliação médica prévia)
  • Indivíduos que esperam benefício exclusivo da tecnologia laser, sem comprometimento com os exercícios

Expectativa realista

Exercícios são a base da melhora

Com um programa de 15 sessões de exercícios supervisionados, a maioria das pessoas experimenta redução significativa da dor e recuperação da função do ombro, mantida por pelo menos 3 meses

Tempo provável

Melhoria perceptível já nas 3 semanas de tratamento; benefício máximo observado até 3 meses

O laser de alta intensidade não demonstrou agregar benefício extra nesse estudo; invista seu tempo e recursos prioritariamente nos exercícios

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se seu caso é realmente síndrome do impacto subacromial ou se há outra causa para a dor (ex: ruptura, artrose)
  2. 2Solicite um programa de exercícios estruturado e, se possível, supervisionado inicialmente
  3. 3Questione se há evidência específica para laser de alta intensidade no seu tipo de lesão, dado que este estudo não mostrou vantagem
  4. 4Informe sobre uso de medicamentos fotossensibilizantes ou condições que contraindiquem laser
  5. 5Combine critérios objetivos para alta e plano de manutenção domiciliar dos exercícios

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Laser de alta intensidade é superior ao laser comum e potencializa qualquer tratamento de ombro

Achado

Neste estudo, o laser de alta intensidade não superou o laser falso quando ambos foram combinados ao mesmo protocolo de exercícios

Mito

Tecnologia mais potente e cara sempre traz resultados melhores

Achado

A potência de 12-15 W não se traduziu em benefício clínico adicional; os exercícios foram o fator determinante da melhora

Mito

Tratamentos de ombro precisam de muitas semanas para funcionar

Achado

Melhoria significativa foi observada em apenas 3 semanas com sessões frequentes de exercícios

Como isso pode funcionar

🎯

ESTÍMULO MECÂNICO

Os exercícios de alongamento e fortalecimento promovem remodelação tecidual e melhora da biomecânica do ombro — mecanismo bem estabelecido

FOTOBIOMODULAÇÃO (PROPOSTA)

O laser de alta intensidade teoricamente penetraria mais profundamente, mas este estudo não confirmou que isso se traduz em benefício clínico adicional para esta condição

🔄

EFEITO PLACEBO

A melhora similar nos dois grupos sugere que expectativas, atenção terapêutica e a estrutura do tratamento também contribuem para o resultado

O que ainda é incerto

  • ?A amostra de 43 pacientes pode ter sido pequena para detectar diferenças menores mas clinicamente relevantes do laser
  • ?A alocação por alternância, em vez de randomização verdadeira, deixa dúvidas sobre a equivalência inicial dos grupos
  • ?Diferenças de baseline (grupo controle com mais dor e pior função) complicam a interpretação de algumas comparações
  • ?Não se sabe se outras doses, frequências ou técnicas de laser poderiam ter resultado diferente
🎯

O que o estudo quis responder

Avaliar se laser de alta intensidade potencializa os benefícios dos exercícios para síndrome do impacto subacromial

👥

QUEM PARTICIPOU

43 adultos com síndrome do impacto subacromial, idade média de 59 anos

🧪

COMO FOI FEITO

15 sessões de laser + exercícios versus laser falso + exercícios, acompanhamento de 3 meses

📈

O QUE MUDOU

Ambos os grupos melhoraram igualmente: dor reduziu 3,5-3,6 pontos na escala visual

🛟

SEGURANÇA

Nenhum efeito adverso relatado com o laser de alta intensidade

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

EQUIVALÊNCIA INESPERADA

Apesar da teoria de penetração profunda e potência superior, o laser de alta intensidade não superou o placebo — uma surpresa que redireciona o foco para os exercícios

🧭

DURAÇÃO DO EFEITO

Este estudo confirmou que a melhora com exercícios se mantém por pelo menos 3 meses, informação que estudos anteriores mais curtos não forneciam

📌

DILEMA DA TECNOLOGIA

Equipamento sofisticado e caro não garantiu resultado melhor que 'luz apagada', levantando questões sobre custo-efetividade em reabilitação de ombro

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Laserterapia de alta intensidade na síndrome do impacto subacromial: resultados equivalem ao exercício isolado

A síndrome do impacto subacromial é uma condição dolorosa que afeta o ombro, causando irritação dos tendões do manguito rotador e da bursa subacromial no espaço limitado entre o osso da escápula e a cabeça do úmero. É uma queixa extremamente comum, com prevalência superior a 35% em algumas populações, e tem forte tendência a se tornar crônica se não adequadamente tratada. Para quem convive com essa dor, a simples elevação do braço entre 60 e 120 graus pode se tornar um movimento angustiante, limitando atividades cotidianas como vestir-se, pegar objetos em prateleiras altas ou praticar esportes.

Neste estudo, pesquisadores espanhóis investigaram se a adição da laserterapia de alta intensidade — uma tecnologia que promete penetração mais profunda no tecido e efeitos analgésicos potencialmente superiores aos do laser de baixa intensidade — poderia potencializar os benefícios de um protocolo de exercícios para o ombro. A pergunta central era prática e relevante: vale a pena investir tempo e recursos nessa tecnologia, ou os exercícios sozinhos já seriam suficientes?

O estudo incluiu 43 adultos com diagnóstico confirmado de síndrome do impacto subacromial, com idade média próxima dos 60 anos. Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu 15 sessões de laser Nd:YAG de alta intensidade (comprimento de onda de 1064 nanômetros, potências de 12 e 15 watts em duas fases) seguidas do mesmo protocolo de exercícios; o outro grupo recebeu laser falso, indistinguível do real para os pacientes, seguido do mesmo protocolo de exercícios. O tratamento ocorreu cinco vezes por semana durante três semanas, totalizando 15 sessões. Importante ressaltar que a alocação dos participantes não foi feita por randomização verdadeira, mas por alternância consecutiva — uma limitação metodológica que os próprios autores reconhecem.

A avaliação foi rigorosa e abrangente, realizada por um único examinador que desconhecia a qual grupo cada paciente pertencia. Foram utilizadas escalas validadas internacionalmente: a Escala Visual Analógica (EVA) para dor, o Índice de Dor e Incapacidade do Ombro (SPADI), o Escore Constant-Murley modificado e o QuickDASH para funcionalidade. Além disso, mediu-se o limiar de dor à pressão na região subacromial com algômetro. As avaliações ocorreram antes do tratamento, imediatamente após as 15 sessões, e em seguimento de um e três meses.

Os resultados foram claros: ambos os grupos melhoraram significativamente em todas as medidas de dor e função. A dor, que iniciava em média entre 5,4 e 6,2 pontos na escala de 0 a 10, caiu para aproximadamente 1,8 a 2,6 pontos após três meses. O SPADI, que mede dor e incapacidade, reduziu de valores próximos a 42-52 pontos para cerca de 11-14 pontos. O QuickDASH e o Escore Constant-Murley também mostraram melhoras substanciais e estatisticamente significativas em ambos os grupos.

O ponto crucial, porém, é que não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos na grande maioria das comparações. Ou seja, o laser de alta intensidade não acrescentou benefício mensurável além do que já foi obtido com os exercícios supervisionados. Houve apenas duas exceções pontuais: uma pequena diferença favorável ao laser na escala de dor entre um e três meses, e uma diferença favorável ao grupo controle no SPADI entre a linha de base e um mês — ambas diferenças isoladas, sem padrão consistente que sustente superioridade de qualquer abordagem.

Sobre segurança, o estudo trouxe boas notícias: nenhum efeito adverso foi relatado em nenhum dos grupos durante todo o acompanhamento. O laser de alta intensidade, pelo menos na dose e técnica empregadas, demonstrou-se bem tolerado.

Em variáveis secundárias, como uso de medicamentos analgésicos/anti-inflamatórios e número de sessões adicionais necessárias para alta, o grupo do laser apresentou resultados numericamente melhores, mas sem significância estatística — o que significa que essas diferenças podem ter ocorrido ao acaso.

A interpretação prática desses achados é direta: para pacientes com síndrome do impacto subacromial, um protocolo estruturado de exercícios de alongamento e fortalecimento parece ser o componente terapêutico essencial. O laser de alta intensidade, embora tecnicamente sofisticado e teoricamente promissor, não demonstrou valor agregado convincente neste cenário específico. Isso não significa que a tecnologia seja inútil em todas as situações — estudos em outras condições, como ombro congelado, mostraram resultados mais favoráveis em momentos intermediários do tratamento — mas sim que, para a síndrome do impacto subacromial, a evidência atual não justifica sua adoção como adjuvante obrigatório.

As limitações do estudo merecem atenção. A amostra de 43 pacientes, embora adequada para detectar diferenças grandes, pode ter sido insuficiente para captar benefícios menores mas clinicamente relevantes do laser. A alocação por alternância, em vez de randomização verdadeira, introduz risco de viés. Além disso, houve diferenças de baseline entre os grupos: o grupo controle iniciou com dor ligeiramente mais intensa e pior função, o que complica as comparações.

O fato de o terapeuta que aplicou o laser não ter sido cegado à alocação, embora não tenha participado da escolha dos grupos, é outra fragilidade.

Para o paciente que busca orientação, a mensagem mais honesta é: concentre-se em um programa de exercícios bem conduzido e supervisionado. Essa é a base sólida comprovada por este e por múltiplos outros estudos. O laser de alta intensidade pode ser oferecido, mas com a ressalva de que seu benefício adicional, se existir, ainda não foi demonstrado de forma robusta para esta condição específica.

O que fortalece a leitura

  • 1Seguimento de 3 meses para avaliar durabilidade
  • 2Protocolo padronizado de exercícios em ambos os grupos
  • 3Avaliação com múltiplas escalas validadas
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Amostra pequena pode mascarar diferenças menores
  • 2Método de alocação por alternância não é randomização real
  • 3Diferenças iniciais entre grupos podem ter influenciado resultados

Leitura clínica do estudo

MODERADA
65/ 100
Desenho
3/5
Amostra
2/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

43pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Laser + Exercícios

21 pessoas

Laser Nd:YAG 1064nm + protocolo de exercícios

Exercícios

22 pessoas

Laser falso + mesmo protocolo de exercícios

⏱️ Tempo de acompanhamento: 15 sessões em 3 semanas, seguimento de 3 meses

📊 Resultados em números

3,6 pontos

Redução da dor no grupo laser

3,5 pontos

Redução da dor no grupo exercício

30,8 pontos

Melhora funcional SPADI (laser)

38,2 pontos

Melhora funcional SPADI (exercício)

📊 Comparação de Resultados

Dor (escala visual 0-10)

Laser + Exercícios
1.8
Exercícios
2.6

Índice SPADI (0-100)

Laser + Exercícios
11
Exercícios
13.6

📅 Linha do tempo da evidência

2009Primeiros estudos com laser de alta intensidade no ombro
2016Séries de casos mostram potencial da técnica
2017Realização deste ensaio clínico controlado com placebo
2019Publicação mostra equivalência entre laser e exercícios isolados

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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