Estudo científico comentado

Laser de alta intensidade no tratamento da síndrome de dor miofascial do trapézio

Referência acadêmica

Periódico

Lasers in Medical Science

Ano

2015

Autores

Dundar et al.

Desenho

ensaio clínico duplo-cego

Este estudo testou se um tipo de laser de alta intensidade pode ajudar mulheres com dores crônicas no músculo do pescoço (trapézio). O laser mostrou ser mais eficaz que tratamento falso, reduzindo significativamente a dor e melhorando a qualidade de vida. O tratamento foi seguro, sem efeitos colaterais. Embora promissor, mais estudos são necessários para confirmar estes benefícios.

Título original do estudo: Effect of high-intensity laser therapy in the management of myofascial pain syndrome of the trapezius: a double-blind, placebo-controlled study

🧪ensaio clínico duplo-cego👥n=76 participanteseficácia moderada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Laser de alta intensidade combinado a exercícios reduziu pela metade a dor em repouso de mulheres com síndrome miofascial crônica do trapézio, com benefícios superiores ao placebo que se mantiveram por 12 semanas, embora a dor não tenha desaparecido completame

O que isso significa para você?

Este estudo testou se um tipo de laser de alta intensidade pode ajudar mulheres com dores crônicas no músculo do pescoço (trapézio). O laser mostrou ser mais eficaz que tratamento falso, reduzindo significativamente a dor e melhorando a qualidade de vida. O tratamento foi seguro, sem efeitos colaterais. Embora promissor, mais estudos são necessários para confirmar estes benefícios.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A dor miofascial crônica do trapézio tem tratamentos com evidência científica, e o laser de alta intensidade é uma das opções promissoras
  • 2O laser funciona melhor como complemento aos exercícios, não como substituto deles — a combinação é essencial
  • 3Expectativa realista é redução importante, mas não eliminação total da dor; algum desconforto residual é comum
  • 4A segurança foi excelente neste estudo, mas é importante discutir com seu médico se você se enquadra no perfil estudado
  • 5Mais pesquisas são necessárias, especialmente em homens e com acompanhamento mais longo
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Meu diagnóstico de dor miofascial do trapézio está confirmado ou poderia haver outra causa para minha dor cervical?
  • 2A clínica onde farei o tratamento utiliza o mesmo tipo de laser (Nd:YAG pulsado de alta intensidade) e protocolo do estudo?
  • 3Quais exercícios devo fazer em conjunto com o laser, e por quanto tempo devo mantê-los após as sessões?
  • 4Se eu não obtiver melhora após quantas sessões devemos reconsiderar a estratégia terapêutica?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum efeito adverso foi observado em 75 pacientes que completaram o tratamento, indicando excelente tolerabilidade a curto prazo
  • 2O procedimento é descrito como indolor e não invasivo, sem necessidade de preparação especial ou recuperação
  • 3A segurança em populações não estudadas (homens, gestantes, idosos acima de 60 anos, pacientes com implantes metálicos) não foi estabelecida
  • 4Como em toda tecnologia, a qualidade do equipamento e a experiência do operador podem influenciar tanto a eficácia quanto a segurança

Leitura rápida para pacientes

Laser de alta intensidade pode ajudar sua dor no trapézio

Estudo mostrou alívio moderado a importante quando laser é combinado a exercícios, com segurança confirmada em mulheres

Ponto 1

15 sessões em 3 semanas reduziram pela metade a dor em repouso, comparado a quarto do efeito com exercícios sozinhos

Ponto 2

Benefícios incluíram melhora do sono, capacidade funcional e qualidade de vida física e social

Ponto 3

Tratamento é indolor e sem efeitos colaterais relatados, mas não elimina completamente a dor e precisa de mais estudos

O que este estudo acrescenta

PRIMEIRO ESTUDO ESPECÍFICO

Foi a primeira investigação controlada e duplo-cega a testar laser de alta intensidade (Nd:YAG pulsado) especificamente para síndrome de dor miofascial crônica do trapézio, preenchendo lacuna importante na literatura que

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A redução de aproximadamente 3 pontos na escala de dor (de ~6 para ~2,5) é clinicamente relevante para pacientes, embora a dor residual persista. A diferença de 28 pontos percentuais a favor do laser sobre placebo na dor

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é um dos desenhos de pesquisa mais confiáveis, com pacientes alocados ao acaso entre tratamento real e placebo, reduzindo vieses e permitindo atribuir causas aos resultados ob

participantes do estudo

76

mulheres com dor miofascial crônica do trapézio

redução da dor em repouso

54%

no grupo laser de alta intensidade, contra 26% no placebo

redução da incapacidade cervical

35%

no grupo laser, contra 19% no grupo placebo

sessões de tratamento

15

realizadas em 3 semanas consecutivas

semanas de acompanhamento

12

período total observado após início do tratamento

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

síndrome de dor miofascial crônica do músculo trapézio

Tipo de estudo

ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo

Participantes

76 mulheres, 20-60 anos, com diagnóstico clínico confirmado

Duração

3 semanas de tratamento ativo, com seguimento até 12 semanas

Sessões

15 sessões diárias consecutivas

Comparador

laser falso (aparelho desligado) com mesmo protocolo de exercícios

Grupos do estudo

HILT real + exercícios (n=38)laser placebo + exercícios (n=37)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

15 sessões

Frequência02

uma vez ao dia, dias consecutivos

Duração da sessão03

aproximadamente 15 minutos

Pontos / técnica04

varredura bilateral do trapézio + 6 pontos-gatilho específicos em 3 fases, total 1. 060 J

Comparador05

mesmo protocolo com aparelho de laser desligado

Nota de protocolo06

todos os pacientes realizaram exercícios isométricos, mobilidade ativa e alongamentos cervicais por 15 minutos após o laser

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Mulheres entre 20 e 60 anos de idadeDiagnóstico clínico de síndrome de dor miofascial crônica do trapézioPresença de pontos-gatilho dolorosos e bandas tensas musculares palpáveisRestrição de amplitude de movimento cervical mensurávelDuração da doença em média de 7 mesesNenhuma terapia física nos últimos 6 meses

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Homens de qualquer idadePacientes com hérnia de disco cervical, estenose ou radiculopatiaPessoas com fibromialgia ou alterações radiológicas cervicaisQuem já realizava uso de analgésicos ou anti-inflamatóriosPacientes com histórico prévio de cirurgia na coluna cervical

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

dor em repouso

reduziu significativamente mais que placebo

de média 5,9 para 2,6 (54% de redução vs 26% no placebo)

🏃‍♀️

dor com movimento

reduziu significativamente mais que placebo

queda de 6,1 para 3,1 no grupo laser, contra 6,2 para 4,5 no placebo

🌙

dor noturna

reduziu significativamente mais que placebo

de 4,7 para 1,6 no laser, contra 4,6 para 3,0 no placebo, melhorando o sono

🦢

incapacidade cervical

melhorou significativamente mais que placebo

índice caiu de 32,6% para 20,3% no laser, contra 32,9% para 26,1% no placebo

🌈

qualidade de vida física e social

melhorou em múltiplos domínios

funcionamento físico, dor corporal, saúde geral, funcionamento social e limitações emocionais beneficiados

🔄

amplitude de movimento

melhorou em ambos os grupos

ganhos presentes no laser e no placebo, sem diferença significativa entre eles

O que não mudou

  • Vitalidade e saúde mental geral (SF-36) não diferiram entre laser real e placebo
  • Amplitude de movimento cervical não mostrou vantagem adicional do laser sobre exercícios isolados

Quando a melhora apareceu

1

semana 4

após 15 sessões (3 semanas)

redução significativa da dor em repouso, com movimento e noturna; melhora da incapacidade cervical e múltiplos domínios de qualidade de vida

2

semana 12

manutenção do efeito

os ganhos se mantiveram estáveis, sem perda significativa dos benefícios obtidos

Antes e depois

dor em repouso (0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes5.9 pontos
Depois2.6 pontos

dor em repouso - placebo (0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes5.7 pontos
Depois4.1 pontos

incapacidade cervical (%)

escala máx. 100 %

Antes32.6 %
Depois20.3 %

incapacidade cervical - placebo (%)

escala máx. 100 %

Antes32.9 %
Depois26.1 %

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum efeito colateral observado durante todo o estudo
  • Procedimento não invasivo e indolor
  • Boa tolerabilidade documentada em 75 pacientes que completaram o protocolo
Amarelo
  • Terapeuta aplicador não pôde ser cegado, potencial viés mínimo
  • Efeitos a longo prazo além de 12 semanas não avaliados
Vermelho
  • Estudo não investigou contraindicações específicas
  • Segurança em outras populações (homens, idosos >60 anos, gestantes) não estabelecida

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Mulheres com dor miofascial crônica do trapézio confirmada clinicamente
  • Pacientes com pontos-gatilho ativos e bandas tensas palpáveis
  • Quem já respondeu parcialmente a exercícios e busca potencialização do resultado
  • Pessoas que preferem ou precisam evitar medicamentos sistêmicos
  • Indivíduos sem alterações estruturais graves na coluna cervical

Mais cautela para extrapolar

  • Homens (não estudados nesta pesquisa)
  • Pacientes com hérnia discal, estenose ou radiculopatia cervical
  • Quem apresenta fibromialgia como diagnóstico principal
  • Pessoas com necessidade de analgésicos diários que não podem suspender
  • Indivíduos com expectativa de eliminação completa e imediata da dor

Expectativa realista

Alívio parcial e gradual, não cura total

A maioria das pacientes experimenta redução importante da intensidade da dor e melhora da capacidade funcional, mas alguma dor residual tende a permanecer. O tratamento funciona melhor como complemento aos exercícios, não como substituto.

Tempo provável

benefícios mensuráveis já após 15 sessões (3 semanas), com manutenção por pelo menos 12 semanas

Resultados individuais variam, e a evidência disponível é mais robusta para mulheres; homens podem responder de forma diferente.

Checklist para consulta

  1. 1Confirmar se meu diagnóstico é realmente síndrome de dor miofascial do trapézio, sem outras causas estruturais
  2. 2Perguntar se há experiência com laser Nd:YAG de alta intensidade na clínica e se o protocolo é similar ao do estudo
  3. 3Discutir se devo manter ou ajustar meus exercícios domiciliares durante e após o tratamento
  4. 4Esclarecer quantas sessões seriam indicadas e qual o custo total estimado
  5. 5Questionar sobre sinais de alerta que indicariam interromper o tratamento

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Laser elimina completamente a dor miofascial

Achado

A dor reduziu significativamente, mas a média final ainda era 2,6 em 10 — alívio importante, porém não total

Mito

Laser substitui a necessidade de exercícios

Achado

Ambos os grupos fizeram exercícios; o laser potencializou os resultados, mas não os substituiu

Mito

Qualquer tipo de laser funciona igualmente

Achado

Este estudo usou laser Nd:YAG pulsado de alta intensidade específico; resultados não se aplicam automaticamente a lasers de baixa intensidade ou outras tecnologias

Mito

O efeito do laser é imediato e permanente

Achado

Foram necessárias 15 sessões para alcançar os benefícios, e o acompanhamento só foi até 12 semanas — duração mais longa desconhecida

Como isso pode funcionar

ESTÍMULO FOTÔNICO

O laser de alta intensidade emite pulsos de energia que penetram nos tecidos profundos, possivelmente aumentando o metabolismo celular local — mecanismo proposto, não completamente confirmado

🩸

MELHORA DA CIRCULAÇÃO

Hipótese de aumento do fluxo sanguíneo e permeabilidade vascular na região do ponto-gatilho, que poderia ajudar a resolver a 'crise energética' local

🧘

MODULAÇÃO DA DOR

Possível ativação de receptores somatossensoriais que alteram a percepção da dor e favorecem o relaxamento das bandas musculares tensas — efeito ainda em investigação

🤝

SINERGIA COM EXERCÍCIOS

O laser não age isoladamente; seu efeito foi demonstrado em combinação com fortalecimento, mobilidade e alongamentos, sugerindo papel de potencializador

O que ainda é incerto

  • ?Não se sabe se os benefícios se manteriam além de 12 semanas, pois o acompanhamento terminou nesse ponto
  • ?A exclusão de homens impede afirmar com segurança que a resposta seria equivalente no sexo masculino
  • ?O mecanismo exato de ação do laser na dor miofascial permanece hipotético, baseado em extrapolações de outros tecidos e condições
  • ?Não há consenso sobre dose ideal, número de sessões ou intervalo ideal entre tratamentos de manutenção
🎯

O que o estudo quis responder

Avaliar se laser de alta intensidade (HILT) melhora dor, mobilidade e qualidade de vida em mulheres com síndrome de dor miofascial crônica do trapézio

👥

QUEM PARTICIPOU

76 mulheres de 20-60 anos com síndrome de dor miofascial crônica do músculo trapézio

🧪

COMO FOI FEITO

Grupo tratamento recebeu laser real + exercícios; grupo controle recebeu laser falso + exercícios por 3 semanas

📈

O QUE MUDOU

Laser real reduziu mais a dor (54% vs 26%) e melhorou mais a incapacidade e qualidade de vida

🛟

SEGURANÇA

Nenhum efeito colateral foi observado durante o tratamento

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

SUPERIORIDADE SOBRE PLACEBO COMPROVADA

Pela primeira vez em dor miofascial cervical, o laser de alta intensidade mostrou vantagem estatística e clínica sobre procedimento falso em múltiplos desfechos simultâneos — dor, incapacidade e qualidade de vida

🧭

DIFERENÇA ENTRE TIPOS DE LASER

O estudo ajudou a distinguir o laser de alta intensidade (Nd:YAG pulsado, que alcança tecidos profundos) dos lasers de baixa intensidade tradicionais, cuja eficácia em dor cervical permanece controversa na literatura

📌

MANUTENÇÃO DO EFEITO

Um achado prático e memorável: os ganhos obtidos em apenas 3 semanas de tratamento se mantiveram estáveis por mais 9 semanas de observação, sem necessidade de sessões adicionais nesse período

🔍

LIMITE DO EXERCÍCIO SOZINHO

Ambos os grupos melhoraram com exercícios, mas o laser real duplicou a magnitude do alívio da dor, sugerindo que pacientes com resposta insuficiente aos exercícios podem se beneficiar da adição da tecnologia

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Laser de alta intensidade no tratamento da síndrome de dor miofascial do trapézio

A síndrome de dor miofascial do músculo trapézio é uma das principais causas de dor crônica na região cervical, afetando especialmente mulheres e impactando significativamente a qualidade de vida, o sono e a capacidade de realizar atividades cotidianas. Caracteriza-se pela presença de pontos-gatilho dolorosos, bandas tensas musculares e limitação da amplitude de movimento, frequentemente perpetuando um ciclo de dor-espasmo-isquemia que se autoalimenta. Neste cenário, o estudo de Dundar e colaboradores, publicado em 2015 no periódico Lasers in Medical Science, investigou se a terapia com laser de alta intensidade (HILT, na sigla em inglês), especificamente o laser Nd:YAG pulsado, poderia oferecer benefícios adicionais quando combinada a exercícios, em comparação com exercícios isolados acompanhados de um procedimento placebo.

O desenho do estudo foi rigoroso: ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, considerado padrão-ouro para avaliação de intervenções terapêuticas. Participaram 76 mulheres com idade entre 20 e 60 anos, diagnosticadas com síndrome de dor miofascial crônica do trapézio segundo critérios clínicos estabelecidos. As participantes foram divididas aleatoriamente em dois grupos: 38 receberam laser de alta intensidade real mais exercícios, enquanto 37 receberam laser falso (aparelho desligado) mais exercícios. O tratamento ocorreu ao longo de três semanas, totalizando 15 sessões diárias, com acompanhamento posterior de 12 semanas.

Importante ressaltar que ambos os grupos realizaram o mesmo protocolo de exercícios isométricos de fortalecimento, movimentação ativa e alongamentos cervicais, garantindo que a diferença observada pudesse ser atribuída especificamente ao laser.

O protocolo de laser foi detalhado e padronizado: cada sessão durava aproximadamente 15 minutos, com aplicação de energia total de 1. 060 joules divididos em três fases. A primeira e a terceira consistiam em varredura manual rápida e lenta, respectivamente, sobre os músculos trapézios bilaterais. A segunda fase focalizava seis pontos-gatilho específicos (três de cada lado) com aplicação direta.

Os avaliadores, cegos quanto à alocação dos grupos, mensuraram dor em repouso, durante movimento e noturna (escala visual analógica de 0 a 10), amplitude de movimento cervical, incapacidade funcional (índice de incapacidade cervical) e qualidade de vida (questionário SF-36 completo).

Os resultados revelaram melhorias significativas em ambos os grupos, o que já era esperado dado o efeito benéfico documentado dos exercícios terapêuticos para essa condição. Contudo, o grupo que recebeu laser real apresentou ganhos substancialmente superiores. Na avaliação da dor em repouso, por exemplo, observou-se redução de aproximadamente 54% no grupo HILT contra 26% no grupo placebo. A dor com movimento e a dor noturna seguiram padrão semelhante de superioridade do laser ativo.

O índice de incapacidade cervical diminuiu cerca de 35% com o laser real, comparado a 19% com o placebo. Em termos de qualidade de vida, múltiplos domínios do SF-36 beneficiaram-se mais do laser: funcionamento físico, limitações por problemas físicos, dor corporal, percepção de saúde geral, funcionamento social e limitações por problemas emocionais. Curiosamente, os domínios de vitalidade e saúde mental não mostraram diferença entre os grupos, sugerindo que o laser atuou mais nos aspectos físicos e funcionais do que no bem-estar psicológico geral.

A segurança do procedimento foi excelente: nenhum efeito colateral foi observado durante todo o período de tratamento e acompanhamento, reforçando o perfil de boa tolerabilidade já descrito para essa tecnologia. Os autores propuseram mecanismos plausíveis para o efeito do laser de alta intensidade, incluindo aumento do fluxo sanguíneo local, maior permeabilidade vascular, incremento do metabolismo celular e possível resolução da crise energética que ocorre nos pontos-gatilho miofasciais. Também se especulou sobre ativação de receptores somatossensoriais que poderiam modificar a percepção da dor e facilitar o relaxamento das bandas tensas musculares. Esses mecanismos, entretanto, permanecem hipóteses que demandam confirmação em pesquisas futuras.

Do ponto de vista prático para pacientes, este estudo oferece evidência de que o laser de alta intensidade pode ser uma opção terapêutica valiosa para mulheres com dor miofascial crônica do trapézio, especialmente quando combinado a exercícios. A magnitude do efeito foi moderada a grande para a dor, com benefícios que se mantiveram estáveis até as 12 semanas de acompanhamento. No entanto, é fundamental manter expectativas realistas: o tratamento não eliminou completamente a dor (média final de 2,6 em 10 na dor em repouso), e a resposta individual pode variar consideravelmente. Além disso, o estudo apresenta limitações importantes que devem ser consideradas: amostra exclusivamente feminina e relativamente pequena, período de exercícios curto (apenas três semanas), e possível variabilidade entre os dois avaliadores que conduziram as mensurações.

A ausência de homens impede generalizações diretas para o público masculino, e a condição de duplo-cego, embora robusta, foi parcialmente comprometida pelo fato de o terapeuta aplicador não poder ser cegado.

Em síntese, este estudo representa um passo importante na consolidação da evidência para laser de alta intensidade em dor miofascial cervical, demonstrando superioridade sobre placebo em múltiplos desfechos relevantes para pacientes, com excelente perfil de segurança. Para quem convive com essa condição dolorosa crônica, a mensagem é de cauteloso otimismo: existe tecnologia com respaldo científico que pode ajudar, mas ela funciona melhor como parte de uma abordagem integrada que inclua exercícios, e seus benefícios, embora significativos, são moderados, não milagrosos. A decisão pelo tratamento deve sempre considerar o perfil individual, a disponibilidade da tecnologia e a discussão com o médico responsável.

O que fortalece a leitura

  • 1estudo duplo-cego bem controlado
  • 2avaliação de múltiplos desfechos clínicos
  • 3seguimento de 12 semanas
  • 4ausência de efeitos adversos
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1apenas mulheres incluídas
  • 2amostra relativamente pequena
  • 3período de exercícios curto (3 semanas)
  • 4dois avaliadores diferentes

Leitura clínica do estudo

MODERADA
75/ 100
Desenho
4/5
Amostra
3/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

76pessoas avaliadas
divisão dos grupos

HILT + exercícios

38 pessoas

laser de alta intensidade real + exercícios

Placebo + exercícios

37 pessoas

laser falso + exercícios

⏱️ Tempo de acompanhamento: 3 semanas de tratamento com seguimento de 12 semanas

📊 Resultados em números

0%

redução da dor em repouso (HILT)

0%

redução da dor em repouso (placebo)

0%

redução do índice de incapacidade cervical (HILT)

0%

redução do índice de incapacidade cervical (placebo)

Destaques percentuais

54%
redução da dor em repouso (HILT)
26%
redução da dor em repouso (placebo)
35%
redução do índice de incapacidade cervical (HILT)
19%
redução do índice de incapacidade cervical (placebo)

📊 Comparação de Resultados

dor em repouso (0-10)

HILT antes
5.9
HILT depois
2.6
placebo antes
5.7
placebo depois
4.1

índice de incapacidade cervical (%)

HILT antes
32.6
HILT depois
20.3
placebo antes
32.9
placebo depois
26.1

📅 Linha do tempo da evidência

2009primeiros estudos sobre laser de alta intensidade
2011evidências iniciais em dor lombar crônica
2013início do presente estudo
2015publicação dos resultados promissores em dor miofascial cervical

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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