n de pacientes
40
20 em cada grupo de tratamento
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Archives of Basic and Clinical Research
Ano
2024
Autores
Özyiğit et al.
Desenho
Estudo randomizado
Este estudo comparou dois tratamentos não-invasivos para dor miofascial: laser de baixa intensidade e ondas de choque. Ambos foram eficazes para reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida quando combinados com exercícios. Os resultados mostram que não há diferença significativa entre os dois tratamentos, oferecendo aos pacientes opções terapêuticas equivalentes para esta condição dolorosa.
Título original do estudo: Comparison of the Efficacy of Laser and Extracorporeal Shockwave Therapy in Patients with Myofascial Pain Syndrome
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Laserterapia e ondas de choque extracorpóreas mostraram eficácia similar para reduzir dor e melhorar qualidade de vida em pacientes com síndrome da dor miofascial, sem superioridade de uma modalidade sobre a outra quando ambas são combinadas com exercícios.
Este estudo comparou dois tratamentos não-invasivos para dor miofascial: laser de baixa intensidade e ondas de choque. Ambos foram eficazes para reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida quando combinados com exercícios. Os resultados mostram que não há diferença significativa entre os dois tratamentos, oferecendo aos pacientes opções terapêuticas equivalentes para esta condição dolorosa.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Tanto laser quanto ondas de choque ajudam na dor miofascial do pescoço e costas quando combinados com exercícios. A escolha pode ser sua.
Ponto 1
Ambos os tratamentos reduziram a dor pela metade em média
Ponto 2
Nenhum se mostrou superior — a decisão pode considerar conveniência e preferência pessoal
Ponto 3
Exercícios diários em casa foram parte essencial do tratamento em ambos os grupos
O que este estudo acrescenta
Este é um dos poucos estudos randomizados que compara diretamente laser e ESWT na mesma população de dor miofascial, fornecendo evidência de que ambas são opções válidas sem hierarquia estabelecida de eficácia.
Aplicabilidade clínica
As melhorias na dor foram clínicamente perceptíveis (queda de aproximadamente 50% na escala visual), mas a ausência de grupo controle placebo e o tamanho amostral limitado reduzem a certeza sobre o efeito específico das
Força do desenho do estudo
Pacientes foram divididos aleatoriamente entre dois tratamentos, o que oferece maior confiabilidade que estudos observacionais, embora a ausência de grupo placebo limite algumas co
n de pacientes
40
20 em cada grupo de tratamento
redução média da dor (laser)
54%
queda de 6,8 para 3,1 pontos na escala VAS
redução média da dor (ESWT)
45%
queda de 7,1 para 3,9 pontos na escala VAS
sessões de laser
15
versus apenas 3 sessões de ondas de choque
tempo de seguimento
1 mês
após conclusão do tratamento de 3 semanas
Ficha rápida do estudo
Condição
Síndrome da dor miofascial em músculos trapézio ou paraespinhais
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado
Participantes
40 pacientes, média de 35 anos, predominância feminina
Duração
3 semanas de tratamento com seguimento de 1 mês
Sessões
15 sessões de laser ou 3 sessões de ondas de choque
Comparador
Laser versus ESWT, ambos com exercícios idênticos
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
15 sessões (laser) ou 3 sessões (ESWT)
Laser: 5 vezes por semana durante 3 semanas; ESWT: 1 vez por semana com 5-8 dias
Laser: 30 segundos por ponto-gatilho; ESWT: 2000 pulsos a 10-15 Hz
Aplicação em 2 pontos-gatilho mais sensíveis dos músculos trapézio ou paraespinhais, com técnica de contato vertical e completo
Laser Ga-As (904nm, 1,2 J/cm², 6 kHz) versus ESWT focalizada (2,0 bar, 2000 pulsos)
Ambos os grupos realizaram exercícios diários de alongamento, amplitude de movimento e postura (3 séries de 10 repetições) por 2 meses em casa
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Intensidade da dor
reduziu significativamente
Queda de 6,8 para 3,1 no grupo laser e de 7,1 para 3,9 no grupo ESWT na escala de 0 a 10
Limiar de dor à pressão
melhorou
Aumento da tolerância à pressão nos pontos-gatilho avaliado por algometria após 1 mês
Sintomas depressivos
melhoraram
Redução dos escores no Inventário de Beck em ambos os grupos ao final de 1 mês
Qualidade de vida física
melhorou
Aumento do componente físico do SF-36 em ambos os grupos no acompanhamento de 1 mês
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
3 semanas
Imediatamente após tratamento
Redução significativa da intensidade da dor (VAS) em ambos os grupos
4 semanas após início
Primeiro mês de acompanhamento
Melhora no limiar de dor à pressão (PPT) e nos componentes físicos de qualidade de vida em ambos os grupos
Antes e depois
Dor em repouso (VAS 0-10) — Grupo Laser
escala máx. 10 pontos
Dor em repouso (VAS 0-10) — Grupo ESWT
escala máx. 10 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Com tratamento consistente e exercícios regulares, muitos pacientes experimentam redução significativa da dor e melhora da capacidade de tolerar pressão nos pontos-gatilho musculares
Tempo provável
Melhora da dor pode ser percebida já durante as 3 semanas de tratamento; benefícios mais consolidados aparecem no acompa
Não há garantia de resultado idêntico para todos, e a durabilidade além de 1 mês não foi testada neste estudo
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Ondas de choque são sempre mais potentes e eficazes que laser para dor muscular
Achado
Neste estudo, ambas as modalidades produziram resultados estatisticamente equivalentes, sem superioridade da ESWT
Mito
Tratamentos não invasivos sozinhos resolvem a dor miofascial sem esforço do paciente
Achado
Ambos os grupos fizeram exercícios diários em casa por dois meses, sugerindo que a combinação com atividade física orientada é essencial
Mito
Se a dor melhorar, todos os aspectos da qualidade de vida melhoram igualmente
Achado
O componente físico do SF-36 melhorou, mas o componente mental não mostrou mudança significativa no curto prazo, indicando que aspectos psicológicos podem precisar de atenção adicional
Mito
Quanto mais sessões de tratamento, melhor o resultado
Achado
O grupo laser fez 15 sessões e o grupo ESWT apenas 3, ambos com resultados similares, sugerindo que a frequência não determina a eficácia comparativa
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO LOCAL
Laser ou ondas de choque aplicadas diretamente sobre os pontos-gatilho musculares mais sensíveis — mecanismo de ação proposto, não totalmente elucidado
MODULAÇÃO DA DOR
Possível efeito na transmissão de sinais dolorosos, com interferência no ciclo vicioso de dor-espasmo-isquemia — teoria suportada por estudos pré-clínicos
MICROCIRCULAÇÃO
Melhora do fluxo sanguíneo e drenagem linfática na região, facilitando a oxigenação de células hipóxicas nos pontos-gatilho — mecanismo proposto especialmente para laser
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
Alongamento e correção postural mantidos em casa ajudam a prevenir recorrência e potencializam os efeitos do tratamento — componente ativo e indispensável da intervenção
O que ainda é incerto
Comparar a eficácia do laser e ondas de choque (ESWT) em pacientes com síndrome da dor miofascial
40 pacientes com dor miofascial nos músculos trapézio ou paraespinhais
Grupo laser: 15 sessões + exercícios. Grupo ESWT: 3 sessões + exercícios
Ambos os tratamentos reduziram significativamente a dor e melhoraram qualidade de vida
Nenhum evento adverso foi relatado durante os tratamentos
Achados Interessantes
PARIDADE INESPERADA
Apesar de tecnologias muito diferentes — laser com 15 sessões leves versus ESWT com 3 sessões mais intensas — ambas alcançaram resultados estatisticamente indistinguíveis, ampliando as opções terapêuticas
TEMPOS DE RESPOSTA DIFERENTES
A dor melhorou já durante o tratamento, mas o limiar de dor à pressão só mostrou ganho significativo após 1 mês, sugerindo que alguns benefícios exigem tempo para consolidar
IMPACTO EMOCIONAL SECUNDÁRIO
A melhora da depressão acompanhou a redução da dor, sem intervenção psiquiátrica direta — reforçando que tratar a dor tem efeitos que vão além do físico
PROTOCOLO EXERCICIOS UNIFORME
O fato de ambos os grupos terem feito os mesmos exercícios domiciliares fortalece a conclusão de que a diferença entre as modalidades é pequena, mas também destaca o papel central da atividade física orientada
Resumo detalhado em linguagem acessível
A síndrome da dor miofascial é uma condição dolorosa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, caracterizada por pontos sensíveis nos músculos — conhecidos como pontos-gatilho — que podem causar dor local, espasmos musculares e limitação dos movimentos. Esses pontos-gatilho são particularmente comuns na região do pescoço e ombros, especialmente no músculo trapézio, e tendem a acometer mais mulheres do que homens, com maior frequência entre os 30 e 50 anos de idade. Pessoas com estilo de vida sedentário, que passam longas horas em posturas fixas ou que sofrem com estresse crônico apresentam maior risco de desenvolver essa condição. A dor miofascial não se limita ao desconforto físico: quando se torna crônica, frequentemente acompanha alterações de humor, como ansiedade e depressão, criando um ciclo vicioso que compromete significativamente a qualidade de vida.
Diante dessa realidade, o estudo conduzido por Özyiğit e Erdal em 2024 trouxe uma contribuição valiosa ao comparar duas modalidades terapêuticas não invasivas amplamente utilizadas no manejo da síndrome da dor miofascial: a laserterapia de baixa intensidade e a terapia por ondas de choque extracorpóreas, conhecida como ESWT. A pesquisa foi desenhada como um ensaio clínico randomizado, considerado o padrão ouro para avaliar intervenções médicas, no qual 40 pacientes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de 20 participantes cada. O grupo submetido à laserterapia recebeu 15 sessões de tratamento ao longo de três semanas, enquanto o grupo de ondas de choque passou por apenas três sessões com intervalos de cinco a oito dias entre elas. Ambos os grupos realizaram o mesmo programa de exercícios de alongamento e correção postural, que deveriam ser seguidos diariamente em casa durante dois meses.
Os critérios de inclusão foram rigorosos: apenas pacientes com diagnóstico confirmado de síndrome da dor miofascial segundo critérios estabelecidos, com queixas presentes há pelo menos três meses, que não haviam recebido tratamento no último mês e cujos exames de imagem e laboratoriais não revelavam outras causas para a dor. A maioria dos participantes era do sexo feminino, com idade média de 35 anos, refletindo a epidemiologia típica dessa condição. Foram excluídos pacientes com doenças discais cervicais graves, transtornos psiquiátricos, câncer, doenças de pele alérgicas, gestantes, portadores de fibromialgia ou aqueles com doenças cardíacas, pulmonares ou ortopédicas avançadas.
A avaliação dos resultados foi abrangente e utilizou instrumentos validados internacionalmente. A intensidade da dor foi mensurada pela Escala Visual Analógica, que vai de zero a dez. O limiar de dor à pressão, que indica quanta pressão o paciente suporta antes de sentir dor, foi avaliado com um algômetro — dispositivo que aplica pressão controlada sobre os pontos-gatilho. A qualidade de vida foi investigada pelo questionário SF-36, que examina tanto aspectos físicos quanto mentais, e os níveis de depressão foram avaliados pelo Inventário de Beck.
Os resultados revelaram melhorias significativas em ambos os grupos, embora com algumas nuances temporais importantes. Quanto à dor, medida pela escala visual, ambos os tratamentos produziram reduções estatisticamente significativas tanto imediatamente após o tratamento quanto no acompanhamento de um mês. No grupo laser, a dor caiu de 6,8 para 3,1 pontos em média; no grupo de ondas de choque, de 7,1 para 3,9 pontos. O limiar de dor à pressão, por sua vez, mostrou melhora significativa apenas no primeiro mês de acompanhamento em ambos os grupos, sugerindo que esse parâmetro pode responder de forma mais lenta às intervenções.
Os escores de depressão melhoraram em ambos os grupos ao final de um mês, reforçando a conexão entre alívio da dor e bem-estar emocional. A qualidade de vida no componente físico também apresentou melhora significativa em ambos os grupos no período de um mês, embora o componente mental do SF-36 não tenha mostrado alteração estatisticamente significativa no período imediato pós-tratamento.
O achado mais relevante do estudo, contudo, reside no que não foi encontrado: em nenhuma das comparações diretas entre os grupos houve diferença estatisticamente significativa. Isso significa que, embora ambos os tratamentos tenham funcionado, nenhum demonstrou superioridade sobre o outro. Para pacientes e médicos, essa equivalência terapêutica abre espaço para decisões individualizadas baseadas em preferências pessoais, disponibilidade de acesso, custo e conveniência logística. Alguém que prefira menos deslocamentos pode optar pelas três sessões de ondas de choque, enquanto outro paciente pode se sentir mais confortável com a laserterapia, que não produz sensações sonoras ou de impacto.
É importante reconhecer as limitações desta pesquisa. O tamanho amostral de 40 pacientes, embora adequado para um estudo piloto, é relativamente modesto e pode não capturar variações importantes entre subgrupos de pacientes. A ausência de um grupo controle que recebesse apenas exercícios ou placebo impede saber quanto da melhoria se deve especificamente às modalidades estudadas versus ao efeito do próprio acompanhamento e dos exercícios. O período de seguimento de apenas um mês deixa em aberto a questão da durabilidade dos benefícios a longo prazo, especialmente relevante em uma condição crônica como a síndrome da dor miofascial.
Ademais, o estudo se restringiu a pontos-gatilho nos músculos trapézio e paraespinhais, não permitindo extrapolação automática para outras regiões do corpo.
Do ponto de vista prático, este estudo reforça que tanto a laserterapia quanto as ondas de choque representam opções válidas no arsenal terapêutico para dor miofascial, desde que integradas a um programa de exercícios regulares e educação postural. A escolha entre elas pode ser negociada na consulta médica, considerando o perfil individual de cada paciente, suas expectativas e as características do serviço de saúde disponível. O que permanece inegociável é a necessidade de abordagem multidisciplinar, identificação e manejo dos fatores desencadeantes, e acompanhamento adequado para prevenir recorrências e cronicidade.
Grupo Laser
20 pessoas
15 sessões de laser (904nm) + exercícios domiciliares
Grupo ESWT
20 pessoas
3 sessões de ondas de choque + exercícios domiciliares
Redução da dor no grupo laser
Redução da dor no grupo ESWT
Melhora no limiar de dor (laser)
Melhora no limiar de dor (ESWT)
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor cervical · Avaliação especializada
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