Estudo científico comentado

Laser e ondas de choque mostram eficácia similar no tratamento da síndrome da dor miofascial

Referência acadêmica

Periódico

Archives of Basic and Clinical Research

Ano

2024

Autores

Özyiğit et al.

Desenho

Estudo randomizado

Este estudo comparou dois tratamentos não-invasivos para dor miofascial: laser de baixa intensidade e ondas de choque. Ambos foram eficazes para reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida quando combinados com exercícios. Os resultados mostram que não há diferença significativa entre os dois tratamentos, oferecendo aos pacientes opções terapêuticas equivalentes para esta condição dolorosa.

Título original do estudo: Comparison of the Efficacy of Laser and Extracorporeal Shockwave Therapy in Patients with Myofascial Pain Syndrome

🔬Estudo randomizado👥n=40 participantes📊Evidência moderada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Laserterapia e ondas de choque extracorpóreas mostraram eficácia similar para reduzir dor e melhorar qualidade de vida em pacientes com síndrome da dor miofascial, sem superioridade de uma modalidade sobre a outra quando ambas são combinadas com exercícios.

O que isso significa para você?

Este estudo comparou dois tratamentos não-invasivos para dor miofascial: laser de baixa intensidade e ondas de choque. Ambos foram eficazes para reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida quando combinados com exercícios. Os resultados mostram que não há diferença significativa entre os dois tratamentos, oferecendo aos pacientes opções terapêuticas equivalentes para esta condição dolorosa.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Você tem pelo menos duas opções de tratamento não invasivo com respaldo científico para dor miofascial em pescoço e costas
  • 2A consistência com os exercícios domiciliares parece tão importante quanto a escolha entre laser ou ondas de choque
  • 3Melhoras podem ser percebidas em semanas, mas alguns benefícios como maior tolerância à pressão podem levar um mês para ficar evidentes
  • 4Não há garantia de cura definitiva; a condição pode requerer manejo contínuo e atenção aos fatores desencadeantes
  • 5Converse com seu médico sobre qual opção se encaixa melhor na sua rotina, considerando número de sessões, deslocamento e custo
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Meus sintomas se enquadram em síndrome da dor miofascial ou há outras causas que precisam ser investigadas primeiro?
  • 2Considerando minha rotina e disponibilidade, laser com mais sessões ou ondas de choque com menos sessões seriam mais adequadas?
  • 3Há alguma contraindicação pessoal para alguma dessas modalidades no meu caso?
  • 4Como posso maximizar os benefícios dos exercícios domiciliares e que sinais de melhora devo acompanhar?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum efeito colateral foi relatado neste estudo, mas isso não elimina a possibilidade de reações individuais em outros contextos
  • 2A ESWT não deve ser aplicada sobre áreas com infecção, trombose, próteses ou próximo a órgãos vitais e tecidos nervosos sensíveis
  • 3A segurança em gestantes, pacientes oncológicos e portadores de marca-passo não foi avaliada nesta pesquisa e requer cautela
  • 4A sensação durante a aplicação de ESWT pode variar de desconforto leve a moderado, sendo importante comunicar ao operador qualquer dor excessiva

Leitura rápida para pacientes

Duas opções, mesmo benefício

Tanto laser quanto ondas de choque ajudam na dor miofascial do pescoço e costas quando combinados com exercícios. A escolha pode ser sua.

Ponto 1

Ambos os tratamentos reduziram a dor pela metade em média

Ponto 2

Nenhum se mostrou superior — a decisão pode considerar conveniência e preferência pessoal

Ponto 3

Exercícios diários em casa foram parte essencial do tratamento em ambos os grupos

O que este estudo acrescenta

EQUIVALÊNCIA TERAPEUTICA DEMONSTRADA

Este é um dos poucos estudos randomizados que compara diretamente laser e ESWT na mesma população de dor miofascial, fornecendo evidência de que ambas são opções válidas sem hierarquia estabelecida de eficácia.

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

As melhorias na dor foram clínicamente perceptíveis (queda de aproximadamente 50% na escala visual), mas a ausência de grupo controle placebo e o tamanho amostral limitado reduzem a certeza sobre o efeito específico das

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Pacientes foram divididos aleatoriamente entre dois tratamentos, o que oferece maior confiabilidade que estudos observacionais, embora a ausência de grupo placebo limite algumas co

n de pacientes

40

20 em cada grupo de tratamento

redução média da dor (laser)

54%

queda de 6,8 para 3,1 pontos na escala VAS

redução média da dor (ESWT)

45%

queda de 7,1 para 3,9 pontos na escala VAS

sessões de laser

15

versus apenas 3 sessões de ondas de choque

tempo de seguimento

1 mês

após conclusão do tratamento de 3 semanas

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Síndrome da dor miofascial em músculos trapézio ou paraespinhais

Tipo de estudo

Ensaio clínico randomizado

Participantes

40 pacientes, média de 35 anos, predominância feminina

Duração

3 semanas de tratamento com seguimento de 1 mês

Sessões

15 sessões de laser ou 3 sessões de ondas de choque

Comparador

Laser versus ESWT, ambos com exercícios idênticos

Grupos do estudo

Grupo Laser (n=20)Grupo ESWT (n=20)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

15 sessões (laser) ou 3 sessões (ESWT)

Frequência02

Laser: 5 vezes por semana durante 3 semanas; ESWT: 1 vez por semana com 5-8 dias

Duração da sessão03

Laser: 30 segundos por ponto-gatilho; ESWT: 2000 pulsos a 10-15 Hz

Pontos / técnica04

Aplicação em 2 pontos-gatilho mais sensíveis dos músculos trapézio ou paraespinhais, com técnica de contato vertical e completo

Comparador05

Laser Ga-As (904nm, 1,2 J/cm², 6 kHz) versus ESWT focalizada (2,0 bar, 2000 pulsos)

Nota de protocolo06

Ambos os grupos realizaram exercícios diários de alongamento, amplitude de movimento e postura (3 séries de 10 repetições) por 2 meses em casa

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Pacientes com diagnóstico confirmado de síndrome da dor miofascial por critérios de Travell e SimonsDor localizada nos músculos trapézio ou paraespinhais com duração mínima de 3 mesesIdade predominantemente entre 27 e 50 anos, com média de 35 anosMaioria feminina (72,5% das participantes)Pacientes sem tratamento prévio nos últimos 30 diasIndivíduos com exames de imagem e laboratoriais normais para outras causas de dor

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes com doença discal cervical grave ou condições ortopédicas avançadasPortadores de fibromialgia, doenças oncológicas ou doenças psiquiátricas gravesGestantes ou pacientes com doenças cardiovasculares ou pulmonares avançadasPessoas com dor em outras regiões musculares além do trapézio e paraespinhaisIndivíduos em tratamento ativo para dor nos 30 dias anteriores à inclusão

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor

reduziu significativamente

Queda de 6,8 para 3,1 no grupo laser e de 7,1 para 3,9 no grupo ESWT na escala de 0 a 10

💪

Limiar de dor à pressão

melhorou

Aumento da tolerância à pressão nos pontos-gatilho avaliado por algometria após 1 mês

😊

Sintomas depressivos

melhoraram

Redução dos escores no Inventário de Beck em ambos os grupos ao final de 1 mês

🏃

Qualidade de vida física

melhorou

Aumento do componente físico do SF-36 em ambos os grupos no acompanhamento de 1 mês

O que não mudou

  • Não houve diferença significativa entre os dois tratamentos em nenhuma medida comparada diretamente
  • O componente mental do SF-36 não mostrou melhora estatisticamente significativa no período imediato pós-tratamento
  • Não foi possível determinar superioridade de uma modalidade sobre a outra para nenhum desfecho

Quando a melhora apareceu

1

3 semanas

Imediatamente após tratamento

Redução significativa da intensidade da dor (VAS) em ambos os grupos

2

4 semanas após início

Primeiro mês de acompanhamento

Melhora no limiar de dor à pressão (PPT) e nos componentes físicos de qualidade de vida em ambos os grupos

Antes e depois

Dor em repouso (VAS 0-10) — Grupo Laser

escala máx. 10 pontos

Antes6.8 pontos
Depois3.1 pontos

Dor em repouso (VAS 0-10) — Grupo ESWT

escala máx. 10 pontos

Antes7.1 pontos
Depois3.9 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum evento adverso foi relatado durante as sessões de laser ou ESWT
  • Ambas as modalidades são não invasivas e bem toleradas na prática clínica
  • A laserterapia de baixa intensidade não produz aquecimento tecidual significativo (menos de 0,5°C)
Amarelo
  • A ESWT pode causar desconforto temporário durante a aplicação devido à natureza mecânica das ondas de choque
  • A resposta individual pode variar; nem todos os pacientes apresentam a mesma magnitude de melhora
Vermelho
  • Segurança em populações específicas (gestantes, pacientes com câncer, portadores de marca-passo) não foi testada neste estudo
  • Contraindicações absolutas da ESWT incluem trombose, infecções ativas e próteses próximas ao local de aplicação, que devem ser avaliadas individualmen

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor miofascial crônica nos músculos trapézio ou paraespinhais confirmada por critérios clínicos
  • Pacientes com queixas de 3 meses ou mais, sem resposta adequada a medidas conservadoras isoladas
  • Pessoas comprometidas com programa de exercícios domiciliares regulares
  • Indivíduos sem doenças graves que contraindiquem essas modalidades
  • Pacientes que preferem opções não farmacológicas e não invasivas para manejo da dor

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com diagnóstico de fibromialgia ou doenças reumáticas sistêmicas que possam confundir o quadro
  • Indivíduos com doença discal cervical grave ou compressão neural documentada
  • Gestantes ou pacientes com doenças oncológicas ativas (excluídos do estudo)
  • Pessoas incapazes de realizar exercícios domiciliares ou com baixa adesão esperada ao tratamento
  • Pacientes com dor em regiões musculares diferentes das estudadas (não há evidência direta de extrapolação)

Expectativa realista

Dor que tende a diminuir pela metade em algumas semanas

Com tratamento consistente e exercícios regulares, muitos pacientes experimentam redução significativa da dor e melhora da capacidade de tolerar pressão nos pontos-gatilho musculares

Tempo provável

Melhora da dor pode ser percebida já durante as 3 semanas de tratamento; benefícios mais consolidados aparecem no acompa

Não há garantia de resultado idêntico para todos, e a durabilidade além de 1 mês não foi testada neste estudo

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se seus sintomas se enquadram nos critérios de síndrome da dor miofascial ou se há outras causas a investigar
  2. 2Discuta qual modalidade se adapta melhor à sua rotina: laser com mais sessões ou ondas de choque com menos sessões
  3. 3Verifique se há contraindicações pessoais para alguma das duas técnicas
  4. 4Solicite orientação clara sobre os exercícios domiciliares e a importância da adesão
  5. 5Combine uma data de retorno para avaliar a resposta e decidir sobre continuidade ou ajuste do tratamento

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Ondas de choque são sempre mais potentes e eficazes que laser para dor muscular

Achado

Neste estudo, ambas as modalidades produziram resultados estatisticamente equivalentes, sem superioridade da ESWT

Mito

Tratamentos não invasivos sozinhos resolvem a dor miofascial sem esforço do paciente

Achado

Ambos os grupos fizeram exercícios diários em casa por dois meses, sugerindo que a combinação com atividade física orientada é essencial

Mito

Se a dor melhorar, todos os aspectos da qualidade de vida melhoram igualmente

Achado

O componente físico do SF-36 melhorou, mas o componente mental não mostrou mudança significativa no curto prazo, indicando que aspectos psicológicos podem precisar de atenção adicional

Mito

Quanto mais sessões de tratamento, melhor o resultado

Achado

O grupo laser fez 15 sessões e o grupo ESWT apenas 3, ambos com resultados similares, sugerindo que a frequência não determina a eficácia comparativa

Como isso pode funcionar

🎯

ESTÍMULO LOCAL

Laser ou ondas de choque aplicadas diretamente sobre os pontos-gatilho musculares mais sensíveis — mecanismo de ação proposto, não totalmente elucidado

🔄

MODULAÇÃO DA DOR

Possível efeito na transmissão de sinais dolorosos, com interferência no ciclo vicioso de dor-espasmo-isquemia — teoria suportada por estudos pré-clínicos

💧

MICROCIRCULAÇÃO

Melhora do fluxo sanguíneo e drenagem linfática na região, facilitando a oxigenação de células hipóxicas nos pontos-gatilho — mecanismo proposto especialmente para laser

🏋️

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES

Alongamento e correção postural mantidos em casa ajudam a prevenir recorrência e potencializam os efeitos do tratamento — componente ativo e indispensável da intervenção

O que ainda é incerto

  • ?A durabilidade dos benefícios além de 1 mês não foi investigada, deixando em aberto se reforços ou manutenção seriam necessários
  • ?Sem grupo controle placebo ou exercícios isolados, não se sabe qual proporção da melhoria se deve especificamente às modalidades versus efeito de aten
  • ?O tamanho amostral de 40 pacientes pode não detectar diferenças menores entre os tratamentos que poderiam ser relevantes em estudos maiores
  • ?A aplicação se limitou a dois músculos específicos; a generalização para outras regiões do corpo carece de evidência direta
🎯

O que o estudo quis responder

Comparar a eficácia do laser e ondas de choque (ESWT) em pacientes com síndrome da dor miofascial

👥

QUEM PARTICIPOU

40 pacientes com dor miofascial nos músculos trapézio ou paraespinhais

🧪

COMO FOI FEITO

Grupo laser: 15 sessões + exercícios. Grupo ESWT: 3 sessões + exercícios

📈

O QUE MUDOU

Ambos os tratamentos reduziram significativamente a dor e melhoraram qualidade de vida

🛟

SEGURANÇA

Nenhum evento adverso foi relatado durante os tratamentos

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

⚖️

PARIDADE INESPERADA

Apesar de tecnologias muito diferentes — laser com 15 sessões leves versus ESWT com 3 sessões mais intensas — ambas alcançaram resultados estatisticamente indistinguíveis, ampliando as opções terapêuticas

⏱️

TEMPOS DE RESPOSTA DIFERENTES

A dor melhorou já durante o tratamento, mas o limiar de dor à pressão só mostrou ganho significativo após 1 mês, sugerindo que alguns benefícios exigem tempo para consolidar

🧠

IMPACTO EMOCIONAL SECUNDÁRIO

A melhora da depressão acompanhou a redução da dor, sem intervenção psiquiátrica direta — reforçando que tratar a dor tem efeitos que vão além do físico

📋

PROTOCOLO EXERCICIOS UNIFORME

O fato de ambos os grupos terem feito os mesmos exercícios domiciliares fortalece a conclusão de que a diferença entre as modalidades é pequena, mas também destaca o papel central da atividade física orientada

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Laser e ondas de choque mostram eficácia similar no tratamento da síndrome da dor miofascial

A síndrome da dor miofascial é uma condição dolorosa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, caracterizada por pontos sensíveis nos músculos — conhecidos como pontos-gatilho — que podem causar dor local, espasmos musculares e limitação dos movimentos. Esses pontos-gatilho são particularmente comuns na região do pescoço e ombros, especialmente no músculo trapézio, e tendem a acometer mais mulheres do que homens, com maior frequência entre os 30 e 50 anos de idade. Pessoas com estilo de vida sedentário, que passam longas horas em posturas fixas ou que sofrem com estresse crônico apresentam maior risco de desenvolver essa condição. A dor miofascial não se limita ao desconforto físico: quando se torna crônica, frequentemente acompanha alterações de humor, como ansiedade e depressão, criando um ciclo vicioso que compromete significativamente a qualidade de vida.

Diante dessa realidade, o estudo conduzido por Özyiğit e Erdal em 2024 trouxe uma contribuição valiosa ao comparar duas modalidades terapêuticas não invasivas amplamente utilizadas no manejo da síndrome da dor miofascial: a laserterapia de baixa intensidade e a terapia por ondas de choque extracorpóreas, conhecida como ESWT. A pesquisa foi desenhada como um ensaio clínico randomizado, considerado o padrão ouro para avaliar intervenções médicas, no qual 40 pacientes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de 20 participantes cada. O grupo submetido à laserterapia recebeu 15 sessões de tratamento ao longo de três semanas, enquanto o grupo de ondas de choque passou por apenas três sessões com intervalos de cinco a oito dias entre elas. Ambos os grupos realizaram o mesmo programa de exercícios de alongamento e correção postural, que deveriam ser seguidos diariamente em casa durante dois meses.

Os critérios de inclusão foram rigorosos: apenas pacientes com diagnóstico confirmado de síndrome da dor miofascial segundo critérios estabelecidos, com queixas presentes há pelo menos três meses, que não haviam recebido tratamento no último mês e cujos exames de imagem e laboratoriais não revelavam outras causas para a dor. A maioria dos participantes era do sexo feminino, com idade média de 35 anos, refletindo a epidemiologia típica dessa condição. Foram excluídos pacientes com doenças discais cervicais graves, transtornos psiquiátricos, câncer, doenças de pele alérgicas, gestantes, portadores de fibromialgia ou aqueles com doenças cardíacas, pulmonares ou ortopédicas avançadas.

A avaliação dos resultados foi abrangente e utilizou instrumentos validados internacionalmente. A intensidade da dor foi mensurada pela Escala Visual Analógica, que vai de zero a dez. O limiar de dor à pressão, que indica quanta pressão o paciente suporta antes de sentir dor, foi avaliado com um algômetro — dispositivo que aplica pressão controlada sobre os pontos-gatilho. A qualidade de vida foi investigada pelo questionário SF-36, que examina tanto aspectos físicos quanto mentais, e os níveis de depressão foram avaliados pelo Inventário de Beck.

Os resultados revelaram melhorias significativas em ambos os grupos, embora com algumas nuances temporais importantes. Quanto à dor, medida pela escala visual, ambos os tratamentos produziram reduções estatisticamente significativas tanto imediatamente após o tratamento quanto no acompanhamento de um mês. No grupo laser, a dor caiu de 6,8 para 3,1 pontos em média; no grupo de ondas de choque, de 7,1 para 3,9 pontos. O limiar de dor à pressão, por sua vez, mostrou melhora significativa apenas no primeiro mês de acompanhamento em ambos os grupos, sugerindo que esse parâmetro pode responder de forma mais lenta às intervenções.

Os escores de depressão melhoraram em ambos os grupos ao final de um mês, reforçando a conexão entre alívio da dor e bem-estar emocional. A qualidade de vida no componente físico também apresentou melhora significativa em ambos os grupos no período de um mês, embora o componente mental do SF-36 não tenha mostrado alteração estatisticamente significativa no período imediato pós-tratamento.

O achado mais relevante do estudo, contudo, reside no que não foi encontrado: em nenhuma das comparações diretas entre os grupos houve diferença estatisticamente significativa. Isso significa que, embora ambos os tratamentos tenham funcionado, nenhum demonstrou superioridade sobre o outro. Para pacientes e médicos, essa equivalência terapêutica abre espaço para decisões individualizadas baseadas em preferências pessoais, disponibilidade de acesso, custo e conveniência logística. Alguém que prefira menos deslocamentos pode optar pelas três sessões de ondas de choque, enquanto outro paciente pode se sentir mais confortável com a laserterapia, que não produz sensações sonoras ou de impacto.

É importante reconhecer as limitações desta pesquisa. O tamanho amostral de 40 pacientes, embora adequado para um estudo piloto, é relativamente modesto e pode não capturar variações importantes entre subgrupos de pacientes. A ausência de um grupo controle que recebesse apenas exercícios ou placebo impede saber quanto da melhoria se deve especificamente às modalidades estudadas versus ao efeito do próprio acompanhamento e dos exercícios. O período de seguimento de apenas um mês deixa em aberto a questão da durabilidade dos benefícios a longo prazo, especialmente relevante em uma condição crônica como a síndrome da dor miofascial.

Ademais, o estudo se restringiu a pontos-gatilho nos músculos trapézio e paraespinhais, não permitindo extrapolação automática para outras regiões do corpo.

Do ponto de vista prático, este estudo reforça que tanto a laserterapia quanto as ondas de choque representam opções válidas no arsenal terapêutico para dor miofascial, desde que integradas a um programa de exercícios regulares e educação postural. A escolha entre elas pode ser negociada na consulta médica, considerando o perfil individual de cada paciente, suas expectativas e as características do serviço de saúde disponível. O que permanece inegociável é a necessidade de abordagem multidisciplinar, identificação e manejo dos fatores desencadeantes, e acompanhamento adequado para prevenir recorrências e cronicidade.

O que fortalece a leitura

  • 1Estudo randomizado controlado
  • 2Uso de medidas objetivas como algometria
  • 3Avaliação de múltiplos desfechos incluindo qualidade de vida
  • 4Seguimento após o tratamento
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Tamanho amostral pequeno (40 pacientes)
  • 2Ausência de grupo controle placebo
  • 3Seguimento de apenas 1 mês
  • 4Limitado a músculos específicos

Leitura clínica do estudo

MODERADA
65/ 100
Desenho
3/5
Amostra
2/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

40pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Grupo Laser

20 pessoas

15 sessões de laser (904nm) + exercícios domiciliares

Grupo ESWT

20 pessoas

3 sessões de ondas de choque + exercícios domiciliares

⏱️ Tempo de acompanhamento: 3 semanas de tratamento com seguimento de 1 mês

📊 Resultados em números

0%

Redução da dor no grupo laser

0%

Redução da dor no grupo ESWT

0%

Melhora no limiar de dor (laser)

0%

Melhora no limiar de dor (ESWT)

Destaques percentuais

54%
Redução da dor no grupo laser
45%
Redução da dor no grupo ESWT
48%
Melhora no limiar de dor (laser)
67%
Melhora no limiar de dor (ESWT)

📊 Comparação de Resultados

Redução da dor (VAS 0-10)

Laser
3.7
ESWT
3.2

Componente físico SF-36

Laser
4.2
ESWT
6.9

📅 Linha do tempo da evidência

1996Primeiros estudos com laser em pontos-gatilho
2012Evidências iniciais de ESWT na dor miofascial
2020Meta-análise confirma eficácia de ambas as modalidades
2024Estudo atual demonstra equivalência terapêutica

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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