Estudo científico comentado

Laser de alta intensidade vs. baixa intensidade no tratamento da fascite plantar

Referência acadêmica

Periódico

Lasers in Medical Science

Ano

2018

Autores

Ordahan et al.

Desenho

ensaio clínico randomizado

Este estudo comparou dois tipos de laser para tratar a dor no calcanhar (fascite plantar). Ambos os tratamentos funcionaram, mas o laser de alta intensidade foi mais eficaz que o laser tradicional de baixa intensidade. O laser de alta intensidade consegue penetrar mais profundamente nos tecidos e reduzir mais a dor e a sensibilidade. Estes resultados sugerem que pacientes com fascite plantar podem se beneficiar especialmente do laser de alta intensidade combinado com palmilhas e exercícios de alongamento.

Título original do estudo: The effect of high-intensity versus low-level laser therapy in the management of plantar fasciitis: a randomized clinical trial

🧪ensaio clínico randomizado👥n=70 participantes📈evidência moderada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Em adultos com fascite plantar persistente, o laser de alta intensidade (HILT) aliviou mais a dor e melhorou mais a função que o laser de baixa intensidade (LLLT) em três semanas, mas a ausência de grupo placebo e o seguimento curto limitam a certeza sobre a m

O que isso significa para você?

Este estudo comparou dois tipos de laser para tratar a dor no calcanhar (fascite plantar). Ambos os tratamentos funcionaram, mas o laser de alta intensidade foi mais eficaz que o laser tradicional de baixa intensidade. O laser de alta intensidade consegue penetrar mais profundamente nos tecidos e reduzir mais a dor e a sensibilidade. Estes resultados sugerem que pacientes com fascite plantar podem se beneficiar especialmente do laser de alta intensidade combinado com palmilhas e exercícios de alongamento.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Se você tem fascite plantar que não melhorou com palmilhas e alongamentos, o laser de alta intensidade pode ser uma opção a discutir com seu médico, com evidência de superioridade
  • 2O compromisso com 9 sessões em 3 semanas é importante — cerca de 1 em 14 participantes abandonou por dificuldade de adesão
  • 3Não espere milagre imediato: a melhora foi avaliada apenas ao final do tratamento, não durante
  • 4Continue usando palmilhas e fazendo alongamentos em casa, pois eles foram parte essencial do tratamento em ambos os grupos
  • 5Pergunte sobre plano de reavaliação após as sessões, já que o estudo não mostrou dados de longo prazo
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Eu já fiz injeção de corticoide no calcanhar? Isso pode afetar minha elegibilidade para o laser
  • 2Qual tipo de laser está disponível na clínica — HILT (1064nm) ou LLLT (904nm)? O estudo favoreceu o primeiro
  • 3Como será meu acompanhamento após as 3 semanas de tratamento, já que o estudo não mostrou dados de durabilidade?
  • 4As palmilhas e os exercícios de alongamento estão incluídos no plano, já que foram fundamentais no estudo?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum efeito adverso significativo foi relatado em ambos os grupos durante as 3 semanas de tratamento
  • 2Contraindicações específicas incluem doenças reumáticas ativas, histórico de injeção de corticoide ou cirurgia no pé, e alterações cutâneas no local de aplicação
  • 3A segurança a longo prazo do HILT para fascite plantar não foi avaliada devido ao seguimento curto do estudo
  • 4O laser de alta intensidade (Nd:YAG) é um equipamento que requer calibração e técnica adequadas; a segurança depende da correta aplicação dos parâmetros estudados

Leitura rápida para pacientes

Laser forte aliviou mais a dor no calcanhar

Em 3 semanas, pacientes com fascite plantar tratados com laser de alta intensidade tiveram alívio quase duas vezes maior que com laser tradicional, mas ainda faltam respostas sobre

Ponto 1

Ambos os lasers ajudaram, mas o de alta intensidade foi claramente superior na dor e função

Ponto 2

O tratamento exige 9 sessões em 3 semanas, sempre com palmilhas e alongamentos em casa

Ponto 3

Não se sabe se a melhoria dura, pois o estudo não acompanhou os pacientes depois

O que este estudo acrescenta

PRIMEIRA COMPARAÇÃO DIRETA

Este foi o primeiro ensaio clínico randomizado a confrontar laser de alta intensidade (HILT) com laser de baixa intensidade (LLLT) especificamente para fascite plantar, preenchendo uma lacuna de mais de duas décadas de u

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A diferença de quase 3 pontos na EVA (2,8 vs 5,6) entre os dois lasers ativos representa um efeito clinicamente relevante, mas a ausência de grupo placebo e o seguimento curto de 3 semanas reduzem a certeza sobre o impac

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é um estudo experimental onde pacientes foram alocados aleatoriamente a dois tratamentos, oferecendo evidência de boa qualidade sobre a comparação entre eles, embora a ausênci

Participantes randomizados

70

35 em cada grupo de laser

Redução de dor com HILT

8,9→2,8

pontos na EVA (0-10), queda de 69%

Redução de dor com LLLT

8,4→5,6

pontos na EVA (0-10), queda de 33%

Sessões de tratamento

9

3 por semana durante 3 semanas

Abandono do estudo

5 (7%)

por não aderência ao protocolo, sem eventos adversos

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Fascite plantar com dor no calcanhar há pelo menos 6 semanas

Tipo de estudo

Ensaio clínico randomizado

Participantes

70 adultos (predominantemente mulheres, ~49 anos, com sobrepeso)

Duração

3 semanas de tratamento, sem seguimento posterior

Sessões

9 sessões (3 por semana)

Comparador

Laser de baixa intensidade ativo (não placebo)

Grupos do estudo

HILT (laser alta intensidade 1064nm)LLLT (laser baixa intensidade 904nm)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

9 sessões totais

Frequência02

3 vezes por semana

Duração da sessão03

Variável: ~157s no LLLT; 75-105s no HILT conforme fase

Pontos / técnica04

HILT: movimentos circulares contínuos sobre a área da fáscia plantar em 2 fases; LLLT: irradiação superpulsada sobre a origem da fáscia + duas varreduras contínuas ao longo da bord

Comparador05

LLLT ativo (904nm, 240mW, 680,4J por sessão)

Nota de protocolo06

Ambos os grupos receberam palmilhas de silicone de comprimento total e exercícios de alongamento da fáscia plantar 2x ao dia em casa

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com dor no calcanhar localizada há pelo menos 6 semanasDor reproduzível à palpação da fáscia plantar na inserção medial do calcâneoDor pior nos primeiros passos após repouso, que melhorava inicialmente mas piorava com atividadePacientes sem resposta ao tratamento conservador inicial (repouso, alongamentos, palmilhas, AINEs por 2 semanas)Fascite plantar unilateralPessoas de meia-idade (~49 anos em média) com sobrepeso (IMC ~31)

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Quem já fez injeção de corticoide no calcanhar anteriormentePacientes com cirurgia prévia no pé, hérnia de disco lombar ou lesão na colunaPessoas com doenças reumáticas (artrite reumatoide, espondiloartropatia, gota, lúpus)Quem apresentava rigidez articular, vermelhidão, calor, inchaço ou deformidades no péCrianças, adolescentes ou adultos muito jovens (fora da faixa etária do estudo)

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Dor em repouso e atividade

melhorou significativamente

EVA caiu de 8,9 para 2,8 no HILT vs 8,4 para 5,6 no LLLT — diferença clínica relevante entre os lasers

👆

Sensibilidade à palpação do calcanhar

melhorou significativamente

Índice de sensibilidade do calcanhar caiu de 2,05 para 0,37 no HILT vs 2,11 para 0,98 no LLLT

🚶

Função nas atividades diárias

melhorou significativamente

Subescala de atividades diávidas do FAOS subiu de 45,6 para 58,8 no HILT vs 46,5 para 51,6 no LLLT

🏃

Função esportiva e recreativa

melhorou significativamente

Subescala esporte do FAOS aumentou de 42,3 para 56,9 no HILT vs 42,8 para 49,2 no LLLT

😊

Qualidade de vida relacionada ao pé

melhorou significativamente

Subescala qualidade de vida do FAOS subiu de 45,5 para 57,6 no HILT vs 45,8 para 52,8 no LLLT

🔥

Sintomas gerais do pé

melhorou significativamente

Subescala sintomas do FAOS aumentou de 56,5 para 68,3 no HILT vs 56,9 para 60,8 no LLLT

O que não mudou

  • Não houve comparação com grupo placebo, então não se sabe quanto da melhoria em ambos os grupos foi efeito específico do laser versus efeito geral do
  • Não foi avaliada mudança estrutural na fáscia plantar (sem ultrassonografia)
  • Não há dados sobre manutenção dos resultados após as 3 semanas de tratamento

Quando a melhora apareceu

1

final do protocolo (9ª sessão)

Após 3 semanas de tratamento

Ambos os grupos mostraram melhora significativa em dor, sensibilidade à palpação e função, mas o grupo HILT apresentou resultados superiores em todos os parâmetros

Antes e depois

Dor (EVA 0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes8.9 pontos
Depois2.8 pontos

Dor (EVA 0-10) - LLLT

escala máx. 10 pontos

Antes8.4 pontos
Depois5.6 pontos

Sensibilidade ao toque (HTI 0-3)

escala máx. 3 pontos

Antes2.1 pontos
Depois0.4 pontos

Função - dor (FAOS 0-100)

escala máx. 100 pontos

Antes47 pontos
Depois55 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Ambos os tratamentos foram bem tolerados, sem relatos de efeitos adversos significativos
  • Não houve interrupções por eventos indesejáveis
Amarelo
  • 5 participantes (7%) abandonaram o estudo por não aderir ao protocolo, sugerindo que a frequência de 3 sessões semanais pode ser desafiadora para algu
  • O HILT utiliza laser 'quente' (Nd:YAG) que requer técnica cuidadosa para evitar superaquecimento tecidual
Vermelho
  • Segurança a longo prazo não avaliada devido ao seguimento curto
  • Contraindicações relatadas no estudo incluem doenças reumáticas ativas, alterações cutâneas no local e histórico de injeção de corticoide ou cirurgia

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos de meia-idade com fascite plantar unilateral persistente há mais de 6 semanas
  • Quem já tentou repouso, alongamentos, palmilhas e anti-inflamatórios sem alívio adequado
  • Pessoas com sobrepeso (IMC elevado), perfil comum no estudo
  • Pacientes que preferem evitar injeções de corticoide devido aos riscos conhecidos
  • Quem consegue disponibilidade para 3 sessões semanais durante 3 semanas

Mais cautela para extrapolar

  • Quem já fez injeção de corticoide no calcanhar recentemente
  • Pacientes com doenças reumáticas diagnosticadas (artrite reumatoide, lúpus, gota, espondiloartropatias)
  • Pessoas com cirurgia prévia no pé, hérnia de disco lombar ou lesão na coluna
  • Quem apresenta sinais inflamatórios ativos no pé (vermelhidão, calor, inchaço)
  • Crianças, adolescentes ou idosos muito frágeis (fora do perfil estudado)

Expectativa realista

Alívio da dor em 3 semanas, mas com ressalvas

Com laser de alta intensidade, muitos pacientes podem esperar redução substancial da dor no calcanhar e melhora na caminhada após 9 sessões. Com laser de baixa intensidade, a melhora tende a ser mais modesta.

Tempo provável

Melhorias mensuráveis apareceram ao final das 3 semanas de tratamento; não se sabe quanto duram

O estudo não teve grupo placebo nem acompanhou os pacientes depois do tratamento, então não é possível saber se a melhoria se mantém ou quanto é efeito específi

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se já fez injeção de corticoide no calcanhar ou tem cirurgia prévia no pé — isso pode contraindicar o laser
  2. 2Questione sobre doenças reumáticas ou dores na coluna que possam explicar a dor de outra forma
  3. 3Verifique se há disponibilidade de equipamento HILT (1064nm) na sua região, pois é diferente do laser mais comum
  4. 4Discuta a necessidade de combinar o laser com palmilhas adequadas e alongamentos rigorosos em casa
  5. 5Pergunte sobre plano de seguimento após as sessões, já que o estudo não acompanhou os pacientes posteriormente

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Todo tipo de laser funciona igual para fascite plantar

Achado

O estudo mostrou diferença clara: laser de alta intensidade (HILT) foi significativamente superior ao laser de baixa intensidade (LLLT) em todos os parâmetros avaliados

Mito

Laser sozinho resolve a fascite plantar

Achado

Em ambos os grupos, o laser foi combinado com palmilhas de silicone e exercícios de alongamento — não se sabe o efeito do laser isoladamente

Mito

A melhoria com laser é garantida e duradoura

Achado

Embora ambos os grupos tenham melhorado, o estudo não teve grupo placebo e não acompanhou os pacientes após as 3 semanas, deixando incertas a magnitude real do efeito e sua persistência

Mito

Laser é apenas um placebo sofisticado

Achado

A superioridade consistente do HILT sobre o LLLT sugere efeito dose-resposta relacionado à intensidade, argumento contra mero efeito placebo, mas a ausência de grupo sham impede conclusão definitiva

Como isso pode funcionar

🔦

PENETRAÇÃO TECIDUAL

O laser de alta intensidade (HILT, 1064nm) penetra mais profundamente na fáscia plantar que o laser tradicional de baixa intensidade — mecanismo proposto pelos autores, não diretamente medido neste estudo

TRANSFERÊNCIA DE ENERGIA

Maior quantidade de energia é depositada nos tecidos profundos, potencialmente promovendo efeitos bioestimulatórios mais intensos — base teórica da superioridade observada

🔄

EFEITOS CELULARES PROPOSTOS

Fotoreceptores mitocondriais podem converter luz em energia química (ATP), com possível aumento de microcirculação, síntese de colágeno e modulação inflamatória — mecanismos descritos na literatura de laser, não confirma

🛡️

REPARO TECIDUAL

Estimulação fototérmica e fotoquímica pode promover reparação da fáscia degenerada e reduzir o estímulo doloroso — explicação plausível, mas não comprovada por imagens ou biópsias nesta pesquisa

O que ainda é incerto

  • ?Não se sabe quanto da melhoria em ambos os grupos foi efeito específico do laser versus placebo, expectativa ou cuidado geral recebido
  • ?A durabilidade dos resultados é desconhecida: o seguimento terminou junto com o tratamento, sem avaliação de semanas ou meses posteriores
  • ?A dose e frequência ótimas de HILT e LLLT para fascite plantar ainda não foram estabelecidas; este estudo testou apenas um protocolo específico
  • ?Não há evidência de que o laser altere a estrutura da fáscia plantar, já que não foi realizada avaliação por imagem
🎯

O que o estudo quis responder

Comparar laser de alta intensidade (HILT) com laser de baixa intensidade (LLLT) no tratamento da dor no calcanhar

👥

QUEM PARTICIPOU

70 adultos com fascite plantar há pelo menos 6 semanas, sem resposta ao tratamento conservador

🧪

COMO FOI FEITO

Grupo HILT (1064nm) vs grupo LLLT (904nm), 3 sessões por semana durante 3 semanas, ambos com palmilha e exercícios

📈

O QUE MUDOU

Ambos os lasers reduziram dor, mas HILT foi superior: dor caiu de 8,9 para 2,8 vs 8,4 para 5,6 no LLLT

🛟

SEGURANÇA

Tratamentos foram bem tolerados, 5 participantes saíram do estudo por não aderir ao protocolo

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

HILT VENCEU EM TUDO

Pela primeira vez em um ensaio randomizado, o laser de alta intensidade superou o laser de baixa intensidade em todos os parâmetros: dor, sensibilidade à palpação, atividades diávidas, função esportiva e qualidade de vid

🧭

DOSE-RESPOSTA SUGERIDA

A superioridade do HILT aponta para uma relação entre intensidade do laser e magnitude do benefício, o que pode orientar futuras pesquisas sobre otimização de parâmetros e desenvolvimento de protocolos mais eficazes.

📌

PALMILHA E EXERCÍCIO NÃO FORAM SUFICIENTES SOZIN

Todos os participantes já haviam falhado com tratamento conservador que incluía palmilhas e alongamentos; a adição do laser, especialmente HILT, trouxe melhora adicional significativa, sugerindo papel complementar import

⚠️

O PLACEBO CONTINUA UM ENIGMA

Como não houve grupo com laser desligado, a pergunta 'será que qualquer laser ligado já basta? ' permanece sem resposta definitiva — a diferença entre HILT e LLLT sugere que não, mas não elimina a possibilidade.

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Laser de alta intensidade vs. baixa intensidade no tratamento da fascite plantar

A fascite plantar é uma das causas mais comuns de dor crônica no calcanhar em adultos, afetando especialmente pessoas de meia-idade, com sobrepeso ou que passam muito tempo em pé. Caracteriza-se por dor aguda nos primeiros passos pela manhã ou após períodos de repouso, muitas vezes descrita como uma sensação de "faca" no calcanhar. Embora cerca de 90% dos pacientes encontrem alívio com tratamentos conservadores como repouso, alongamentos, palmilhas e anti-inflamatórios, uma parcela significativa permanece com sintomas persistentes, motivando a busca por alternativas terapêuticas eficazes e seguras.

Neste contexto, o estudo de Ordahan e colaboradores, publicado em 2018 na revista Lasers in Medical Science, representa um marco importante: foi o primeiro ensaio clínico randomizado a comparar diretamente dois tipos de terapia a laser para fascite plantar — o laser de alta intensidade (HILT, na sigla em inglês) e o laser de baixa intensidade (LLLT), amplamente utilizado há décadas. A pesquisa incluiu 70 adultos com dor no calcanhar há pelo menos seis semanas, que não haviam respondido adequadamente ao tratamento conservador inicial. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de 35 pessoas cada, com características demográficas semelhantes: idade média próxima de 49 anos, predomínio de mulheres e índice de massa corporal na faixa de 31 kg/m², indicativa de sobrepeso.

O protocolo de tratamento foi rigorosamente padronizado. Ambos os grupos receberam nove sessões de laser ao longo de três semanas, com frequência de três vezes por semana, sempre combinadas com o mesmo suporte adicional: palmilhas de silicone de comprimento total e exercícios de alongamento da fáscia plantar para realização em casa, duas vezes ao dia. A diferença central estava na tecnologia laser empregada. O grupo HILT foi tratado com laser de Nd:YAG pulsado, comprimento de onda de 1064 nanômetros, em duas fases distintas: as três primeiras sessões focaram efeito analgésico com aplicação de 150 joules de energia, enquanto as seis sessões seguintes priorizaram bioestimulação tecidual com doses de 120 a 150 joules.

O grupo LLLT utilizou laser de diodo de arseneto de gálio-alumínio, comprimento de onda de 904 nanômetros, com potência de 240 milivatts e energia total de 680,4 joules por sessão, aplicada sobre o ponto de inserção da fáscia no calcâneo e ao longo de sua borda medial.

Os resultados, avaliados por meio de três instrumentos validados — a Escala Visual Analógica (EVA) de dor, o Índice de Sensibilidade do Calcanhar (HTI) e o escore de Resultado de Pé e Tornozelo (FAOS) —, revelaram melhorias significativas em ambos os grupos após as três semanas de tratamento. Contudo, a magnitude dessas melhorias diferiu substancialmente. No grupo HILT, a dor média caiu de 8,87 para 2,75 pontos na EVA, uma redução de mais de dois terços, enquanto no grupo LLLT a queda foi de 8,35 para 5,56 pontos, ou seja, uma redução de aproximadamente um terço. Similarmente, o índice de sensibilidade à palpação do calcanhar diminuiu de 2,05 para 0,37 no grupo HILT, contra 2,11 para 0,98 no grupo LLLT.

Todas as subescalas do FAOS — dor, sintomas, atividades diárias, função esportiva e qualidade de vida — também favoreceram o laser de alta intensidade, com diferenças estatisticamente significativas entre os grupos.

A superioridade do HILT pode ser explicada, pelo menos teoricamente, por sua capacidade de penetrar mais profundamente nos tecidos e transferir maior quantidade de energia à fáscia plantar, que é uma estrutura relativamente espessa e de difícil acesso. O laser de alta intensidade promove efeitos fotoquímicos e fototérmicos que podem estimular a produção de colágeno, aumentar o fluxo sanguíneo e exercer ação anti-inflamatória, contribuindo para a reparação tecidual e remoção do estímulo doloroso. No entanto, é importante reconhecer que este estudo possui limitações relevantes. A ausência de um grupo controle com tratamento simulado (placebo) impede a quantificação precisa do efeito placebo, que pode ser particularmente significativo em intervenções físicas como o laser.

O período de acompanhamento de apenas três semanas é insuficiente para avaliar a durabilidade dos resultados a médio e longo prazo, especialmente em uma condição frequentemente recidivante como a fascite plantar. Além disso, a falta de avaliação ultrassonográfica não permitiu verificar se as melhorias clínicas se correlacionaram com alterações estruturais reais na fáscia plantar.

Do ponto de vista prático para pacientes, este estudo sugere que, entre as opções de terapia a laser, o tratamento de alta intensidade pode oferecer alívio mais pronunciado da dor e maior recuperação funcional em curto prazo, sempre como parte de um programa integrado que inclua palmilhas adequadas e exercícios de alongamento. A boa tolerabilidade observada em ambos os grupos, sem relatos de efeitos adversos significativos, posiciona o laser como uma alternativa atraente em comparação com injeções de corticoide, que carregam riscos documentados de ruptura da fáscia, atrofia da gordura do calcanhar e outras complicações. Todavia, a decisão terapêutica deve considerar a disponibilidade de equipamentos, custos, experiência do serviço e características individuais de cada paciente. Futuros estudos com grupos placebo, seguimentos mais prolongados e análise de custo-efetividade são necessários para consolidar o lugar do HILT no algoritmo terapêutico da fascite plantar refratária.

O que fortalece a leitura

  • 1Primeiro estudo a comparar diretamente HILT vs LLLT na fascite plantar
  • 2Protocolo padronizado com cegamento adequado
  • 3Ambos os grupos receberam tratamento adjuvante idêntico
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Ausência de grupo controle placebo
  • 2Seguimento curto de apenas 3 semanas
  • 3Não incluiu avaliação ultrassonográfica

Leitura clínica do estudo

MODERADA
72/ 100
Desenho
4/5
Amostra
3/5
Confirmação
4/5

🔬 Como o estudo foi organizado

70pessoas avaliadas
divisão dos grupos

HILT

35 pessoas

Laser alta intensidade 1064nm + palmilha + exercícios

LLLT

35 pessoas

Laser baixa intensidade 904nm + palmilha + exercícios

⏱️ Tempo de acompanhamento: 3 semanas

📊 Resultados em números

8,9→2,8 pontos

Redução da dor no grupo HILT

8,4→5,6 pontos

Redução da dor no grupo LLLT

46,8→54,7 pontos

Melhora na função (FAOS dor) HILT

45,9→49,9 pontos

Melhora na função (FAOS dor) LLLT

📊 Comparação de Resultados

Dor (escala 0-10)

HILT final
2.8
LLLT final
5.6

📅 Linha do tempo da evidência

1998Basford et al. questionam eficácia do LLLT na fascite plantar
2010Kiritsi et al. demonstram benefícios do LLLT com ultrassonografia
2015Macias et al. confirmam alívio da dor crônica com laser 635nm
2018Estudo atual comprova superioridade do HILT sobre LLLT

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Comparador

Comparação direta entre dois tipos de laser ativos, sem grupo placebo

🔬 ensaio clínico randomizado👥 60 participantes💚 impacto moderado

Força da evidência

72%

Kaydok et al.

Archives of Rheumatology

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