Participantes randomizados
70
35 em cada grupo de laser
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Lasers in Medical Science
Ano
2018
Autores
Ordahan et al.
Desenho
ensaio clínico randomizado
Este estudo comparou dois tipos de laser para tratar a dor no calcanhar (fascite plantar). Ambos os tratamentos funcionaram, mas o laser de alta intensidade foi mais eficaz que o laser tradicional de baixa intensidade. O laser de alta intensidade consegue penetrar mais profundamente nos tecidos e reduzir mais a dor e a sensibilidade. Estes resultados sugerem que pacientes com fascite plantar podem se beneficiar especialmente do laser de alta intensidade combinado com palmilhas e exercícios de alongamento.
Título original do estudo: The effect of high-intensity versus low-level laser therapy in the management of plantar fasciitis: a randomized clinical trial
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Em adultos com fascite plantar persistente, o laser de alta intensidade (HILT) aliviou mais a dor e melhorou mais a função que o laser de baixa intensidade (LLLT) em três semanas, mas a ausência de grupo placebo e o seguimento curto limitam a certeza sobre a m
Este estudo comparou dois tipos de laser para tratar a dor no calcanhar (fascite plantar). Ambos os tratamentos funcionaram, mas o laser de alta intensidade foi mais eficaz que o laser tradicional de baixa intensidade. O laser de alta intensidade consegue penetrar mais profundamente nos tecidos e reduzir mais a dor e a sensibilidade. Estes resultados sugerem que pacientes com fascite plantar podem se beneficiar especialmente do laser de alta intensidade combinado com palmilhas e exercícios de alongamento.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Em 3 semanas, pacientes com fascite plantar tratados com laser de alta intensidade tiveram alívio quase duas vezes maior que com laser tradicional, mas ainda faltam respostas sobre
Ponto 1
Ambos os lasers ajudaram, mas o de alta intensidade foi claramente superior na dor e função
Ponto 2
O tratamento exige 9 sessões em 3 semanas, sempre com palmilhas e alongamentos em casa
Ponto 3
Não se sabe se a melhoria dura, pois o estudo não acompanhou os pacientes depois
O que este estudo acrescenta
Este foi o primeiro ensaio clínico randomizado a confrontar laser de alta intensidade (HILT) com laser de baixa intensidade (LLLT) especificamente para fascite plantar, preenchendo uma lacuna de mais de duas décadas de u
Aplicabilidade clínica
A diferença de quase 3 pontos na EVA (2,8 vs 5,6) entre os dois lasers ativos representa um efeito clinicamente relevante, mas a ausência de grupo placebo e o seguimento curto de 3 semanas reduzem a certeza sobre o impac
Força do desenho do estudo
Este é um estudo experimental onde pacientes foram alocados aleatoriamente a dois tratamentos, oferecendo evidência de boa qualidade sobre a comparação entre eles, embora a ausênci
Participantes randomizados
70
35 em cada grupo de laser
Redução de dor com HILT
8,9→2,8
pontos na EVA (0-10), queda de 69%
Redução de dor com LLLT
8,4→5,6
pontos na EVA (0-10), queda de 33%
Sessões de tratamento
9
3 por semana durante 3 semanas
Abandono do estudo
5 (7%)
por não aderência ao protocolo, sem eventos adversos
Ficha rápida do estudo
Condição
Fascite plantar com dor no calcanhar há pelo menos 6 semanas
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado
Participantes
70 adultos (predominantemente mulheres, ~49 anos, com sobrepeso)
Duração
3 semanas de tratamento, sem seguimento posterior
Sessões
9 sessões (3 por semana)
Comparador
Laser de baixa intensidade ativo (não placebo)
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
9 sessões totais
3 vezes por semana
Variável: ~157s no LLLT; 75-105s no HILT conforme fase
HILT: movimentos circulares contínuos sobre a área da fáscia plantar em 2 fases; LLLT: irradiação superpulsada sobre a origem da fáscia + duas varreduras contínuas ao longo da bord
LLLT ativo (904nm, 240mW, 680,4J por sessão)
Ambos os grupos receberam palmilhas de silicone de comprimento total e exercícios de alongamento da fáscia plantar 2x ao dia em casa
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Dor em repouso e atividade
melhorou significativamente
EVA caiu de 8,9 para 2,8 no HILT vs 8,4 para 5,6 no LLLT — diferença clínica relevante entre os lasers
Sensibilidade à palpação do calcanhar
melhorou significativamente
Índice de sensibilidade do calcanhar caiu de 2,05 para 0,37 no HILT vs 2,11 para 0,98 no LLLT
Função nas atividades diárias
melhorou significativamente
Subescala de atividades diávidas do FAOS subiu de 45,6 para 58,8 no HILT vs 46,5 para 51,6 no LLLT
Função esportiva e recreativa
melhorou significativamente
Subescala esporte do FAOS aumentou de 42,3 para 56,9 no HILT vs 42,8 para 49,2 no LLLT
Qualidade de vida relacionada ao pé
melhorou significativamente
Subescala qualidade de vida do FAOS subiu de 45,5 para 57,6 no HILT vs 45,8 para 52,8 no LLLT
Sintomas gerais do pé
melhorou significativamente
Subescala sintomas do FAOS aumentou de 56,5 para 68,3 no HILT vs 56,9 para 60,8 no LLLT
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
final do protocolo (9ª sessão)
Após 3 semanas de tratamento
Ambos os grupos mostraram melhora significativa em dor, sensibilidade à palpação e função, mas o grupo HILT apresentou resultados superiores em todos os parâmetros
Antes e depois
Dor (EVA 0-10)
escala máx. 10 pontos
Dor (EVA 0-10) - LLLT
escala máx. 10 pontos
Sensibilidade ao toque (HTI 0-3)
escala máx. 3 pontos
Função - dor (FAOS 0-100)
escala máx. 100 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Com laser de alta intensidade, muitos pacientes podem esperar redução substancial da dor no calcanhar e melhora na caminhada após 9 sessões. Com laser de baixa intensidade, a melhora tende a ser mais modesta.
Tempo provável
Melhorias mensuráveis apareceram ao final das 3 semanas de tratamento; não se sabe quanto duram
O estudo não teve grupo placebo nem acompanhou os pacientes depois do tratamento, então não é possível saber se a melhoria se mantém ou quanto é efeito específi
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Todo tipo de laser funciona igual para fascite plantar
Achado
O estudo mostrou diferença clara: laser de alta intensidade (HILT) foi significativamente superior ao laser de baixa intensidade (LLLT) em todos os parâmetros avaliados
Mito
Laser sozinho resolve a fascite plantar
Achado
Em ambos os grupos, o laser foi combinado com palmilhas de silicone e exercícios de alongamento — não se sabe o efeito do laser isoladamente
Mito
A melhoria com laser é garantida e duradoura
Achado
Embora ambos os grupos tenham melhorado, o estudo não teve grupo placebo e não acompanhou os pacientes após as 3 semanas, deixando incertas a magnitude real do efeito e sua persistência
Mito
Laser é apenas um placebo sofisticado
Achado
A superioridade consistente do HILT sobre o LLLT sugere efeito dose-resposta relacionado à intensidade, argumento contra mero efeito placebo, mas a ausência de grupo sham impede conclusão definitiva
Como isso pode funcionar
PENETRAÇÃO TECIDUAL
O laser de alta intensidade (HILT, 1064nm) penetra mais profundamente na fáscia plantar que o laser tradicional de baixa intensidade — mecanismo proposto pelos autores, não diretamente medido neste estudo
TRANSFERÊNCIA DE ENERGIA
Maior quantidade de energia é depositada nos tecidos profundos, potencialmente promovendo efeitos bioestimulatórios mais intensos — base teórica da superioridade observada
EFEITOS CELULARES PROPOSTOS
Fotoreceptores mitocondriais podem converter luz em energia química (ATP), com possível aumento de microcirculação, síntese de colágeno e modulação inflamatória — mecanismos descritos na literatura de laser, não confirma
REPARO TECIDUAL
Estimulação fototérmica e fotoquímica pode promover reparação da fáscia degenerada e reduzir o estímulo doloroso — explicação plausível, mas não comprovada por imagens ou biópsias nesta pesquisa
O que ainda é incerto
Comparar laser de alta intensidade (HILT) com laser de baixa intensidade (LLLT) no tratamento da dor no calcanhar
70 adultos com fascite plantar há pelo menos 6 semanas, sem resposta ao tratamento conservador
Grupo HILT (1064nm) vs grupo LLLT (904nm), 3 sessões por semana durante 3 semanas, ambos com palmilha e exercícios
Ambos os lasers reduziram dor, mas HILT foi superior: dor caiu de 8,9 para 2,8 vs 8,4 para 5,6 no LLLT
Tratamentos foram bem tolerados, 5 participantes saíram do estudo por não aderir ao protocolo
Achados Interessantes
HILT VENCEU EM TUDO
Pela primeira vez em um ensaio randomizado, o laser de alta intensidade superou o laser de baixa intensidade em todos os parâmetros: dor, sensibilidade à palpação, atividades diávidas, função esportiva e qualidade de vid
DOSE-RESPOSTA SUGERIDA
A superioridade do HILT aponta para uma relação entre intensidade do laser e magnitude do benefício, o que pode orientar futuras pesquisas sobre otimização de parâmetros e desenvolvimento de protocolos mais eficazes.
PALMILHA E EXERCÍCIO NÃO FORAM SUFICIENTES SOZIN
Todos os participantes já haviam falhado com tratamento conservador que incluía palmilhas e alongamentos; a adição do laser, especialmente HILT, trouxe melhora adicional significativa, sugerindo papel complementar import
O PLACEBO CONTINUA UM ENIGMA
Como não houve grupo com laser desligado, a pergunta 'será que qualquer laser ligado já basta? ' permanece sem resposta definitiva — a diferença entre HILT e LLLT sugere que não, mas não elimina a possibilidade.
Resumo detalhado em linguagem acessível
A fascite plantar é uma das causas mais comuns de dor crônica no calcanhar em adultos, afetando especialmente pessoas de meia-idade, com sobrepeso ou que passam muito tempo em pé. Caracteriza-se por dor aguda nos primeiros passos pela manhã ou após períodos de repouso, muitas vezes descrita como uma sensação de "faca" no calcanhar. Embora cerca de 90% dos pacientes encontrem alívio com tratamentos conservadores como repouso, alongamentos, palmilhas e anti-inflamatórios, uma parcela significativa permanece com sintomas persistentes, motivando a busca por alternativas terapêuticas eficazes e seguras.
Neste contexto, o estudo de Ordahan e colaboradores, publicado em 2018 na revista Lasers in Medical Science, representa um marco importante: foi o primeiro ensaio clínico randomizado a comparar diretamente dois tipos de terapia a laser para fascite plantar — o laser de alta intensidade (HILT, na sigla em inglês) e o laser de baixa intensidade (LLLT), amplamente utilizado há décadas. A pesquisa incluiu 70 adultos com dor no calcanhar há pelo menos seis semanas, que não haviam respondido adequadamente ao tratamento conservador inicial. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de 35 pessoas cada, com características demográficas semelhantes: idade média próxima de 49 anos, predomínio de mulheres e índice de massa corporal na faixa de 31 kg/m², indicativa de sobrepeso.
O protocolo de tratamento foi rigorosamente padronizado. Ambos os grupos receberam nove sessões de laser ao longo de três semanas, com frequência de três vezes por semana, sempre combinadas com o mesmo suporte adicional: palmilhas de silicone de comprimento total e exercícios de alongamento da fáscia plantar para realização em casa, duas vezes ao dia. A diferença central estava na tecnologia laser empregada. O grupo HILT foi tratado com laser de Nd:YAG pulsado, comprimento de onda de 1064 nanômetros, em duas fases distintas: as três primeiras sessões focaram efeito analgésico com aplicação de 150 joules de energia, enquanto as seis sessões seguintes priorizaram bioestimulação tecidual com doses de 120 a 150 joules.
O grupo LLLT utilizou laser de diodo de arseneto de gálio-alumínio, comprimento de onda de 904 nanômetros, com potência de 240 milivatts e energia total de 680,4 joules por sessão, aplicada sobre o ponto de inserção da fáscia no calcâneo e ao longo de sua borda medial.
Os resultados, avaliados por meio de três instrumentos validados — a Escala Visual Analógica (EVA) de dor, o Índice de Sensibilidade do Calcanhar (HTI) e o escore de Resultado de Pé e Tornozelo (FAOS) —, revelaram melhorias significativas em ambos os grupos após as três semanas de tratamento. Contudo, a magnitude dessas melhorias diferiu substancialmente. No grupo HILT, a dor média caiu de 8,87 para 2,75 pontos na EVA, uma redução de mais de dois terços, enquanto no grupo LLLT a queda foi de 8,35 para 5,56 pontos, ou seja, uma redução de aproximadamente um terço. Similarmente, o índice de sensibilidade à palpação do calcanhar diminuiu de 2,05 para 0,37 no grupo HILT, contra 2,11 para 0,98 no grupo LLLT.
Todas as subescalas do FAOS — dor, sintomas, atividades diárias, função esportiva e qualidade de vida — também favoreceram o laser de alta intensidade, com diferenças estatisticamente significativas entre os grupos.
A superioridade do HILT pode ser explicada, pelo menos teoricamente, por sua capacidade de penetrar mais profundamente nos tecidos e transferir maior quantidade de energia à fáscia plantar, que é uma estrutura relativamente espessa e de difícil acesso. O laser de alta intensidade promove efeitos fotoquímicos e fototérmicos que podem estimular a produção de colágeno, aumentar o fluxo sanguíneo e exercer ação anti-inflamatória, contribuindo para a reparação tecidual e remoção do estímulo doloroso. No entanto, é importante reconhecer que este estudo possui limitações relevantes. A ausência de um grupo controle com tratamento simulado (placebo) impede a quantificação precisa do efeito placebo, que pode ser particularmente significativo em intervenções físicas como o laser.
O período de acompanhamento de apenas três semanas é insuficiente para avaliar a durabilidade dos resultados a médio e longo prazo, especialmente em uma condição frequentemente recidivante como a fascite plantar. Além disso, a falta de avaliação ultrassonográfica não permitiu verificar se as melhorias clínicas se correlacionaram com alterações estruturais reais na fáscia plantar.
Do ponto de vista prático para pacientes, este estudo sugere que, entre as opções de terapia a laser, o tratamento de alta intensidade pode oferecer alívio mais pronunciado da dor e maior recuperação funcional em curto prazo, sempre como parte de um programa integrado que inclua palmilhas adequadas e exercícios de alongamento. A boa tolerabilidade observada em ambos os grupos, sem relatos de efeitos adversos significativos, posiciona o laser como uma alternativa atraente em comparação com injeções de corticoide, que carregam riscos documentados de ruptura da fáscia, atrofia da gordura do calcanhar e outras complicações. Todavia, a decisão terapêutica deve considerar a disponibilidade de equipamentos, custos, experiência do serviço e características individuais de cada paciente. Futuros estudos com grupos placebo, seguimentos mais prolongados e análise de custo-efetividade são necessários para consolidar o lugar do HILT no algoritmo terapêutico da fascite plantar refratária.
HILT
35 pessoas
Laser alta intensidade 1064nm + palmilha + exercícios
LLLT
35 pessoas
Laser baixa intensidade 904nm + palmilha + exercícios
Redução da dor no grupo HILT
Redução da dor no grupo LLLT
Melhora na função (FAOS dor) HILT
Melhora na função (FAOS dor) LLLT
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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