CENTRO DE TRATAMENTO DE DOR: Acupuntura Médica, Ondas de Choque, Fisiatria e Fisioterapia.

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Acupuntura · Mecanismo molecular

Adenosina e os efeitos moleculares da acupuntura

A adenosina é uma das moléculas que ajudam a explicar como a acupuntura alivia a dor, ativando o receptor A1 e reduzindo o disparo dos nociceptores.

Resposta direta
  • A adenosina é uma molécula natural do corpo (um nucleosídeo) que se acumula no tecido lesado ou trabalhado e funciona como um sinal de “frear”, inclusive frear a dor.
  • A acupuntura eleva a adenosina ao redor da agulha; ela ativa o receptor A1 nas fibras nervosas e reduz o disparo dos nociceptores, o que ajuda a explicar parte do efeito analgésico local.
  • Esse é um dos vários mecanismos da acupuntura, com boa base experimental para a dor musculoesquelética; não cura doenças nem substitui o tratamento de base, e a indicação é sempre médica.
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40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Acupuntura médica

Centro de Referência no Brasil em Acupuntura Médica. Tratamento com base em evidências, na tradição da USP e do HC-FMUSP.

O que é a adenosina no corpo

Diagrama do mecanismo de analgesia da acupuntura: agulha libera adenosina, que atua no receptor A1 e reduz o sinal de dor
Durante a sessão, a concentração de adenosina no tecido sobe e cai em poucos minutos, base molecular do efeito analgésico

A adenosina é uma molécula que todo organismo produz o tempo todo. Quimicamente, é um nucleosídeo: a base nitrogenada adenina unida ao açúcar ribose. Ela é a peça central de moléculas que você talvez já tenha ouvido falar, como o ATP, a moeda de energia das células.

Vale separar o que cada coisa significa, porque a mesma palavra aparece em contextos muito diferentes. No corpo, a adenosina tem dois papéis principais. Como bloco de construção, ela compõe o ATP (trifosfato de adenosina), o ADP e o AMP cíclico, moléculas ligadas à energia e à sinalização celular, além de fazer parte do próprio DNA e do RNA. Como molécula sinalizadora livre, fora da célula, a adenosina age como um mensageiro que avisa: “houve gasto de energia ou estresse aqui, é hora de reduzir o ritmo”.

Esse segundo papel é o que interessa à dor. Quando um tecido trabalha muito, sofre uma lesão ou fica com pouco oxigênio, o ATP é consumido e quebrado em etapas (ATP para ADP, depois AMP e, por fim, adenosina). A adenosina se acumula no espaço entre as células e passa a atuar como um freio fisiológico: dilata vasos, modula a inflamação e reduz a excitabilidade de neurônios. É a mesma lógica do sono, aliás.

Ao longo do dia, a adenosina se acumula no cérebro e gera a sensação de cansaço; a cafeína desperta justamente porque bloqueia os receptores de adenosina. Isso explica, na prática, por que a adenosina é, em essência, uma molécula que “desacelera”.

Sobre o outro nome da adenosina: na linguagem do dia a dia ela costuma ser citada apenas como “adenosina” mesmo. Como medicamento de uso hospitalar, é uma substância injetável usada por cardiologistas para interromper certas taquicardias (arritmias do coração) e em alguns exames cardíacos, sob monitorização. Em cosméticos, “adenosina” aparece em fórmulas tópicas com a proposta de efeito sobre a pele.

São usos distintos do papel que nos interessa aqui, que é o da adenosina como sinal natural de analgesia no tecido. Não confunda a adenosina endógena (a que o seu corpo fabrica) com esses produtos.

Onde ela aparece

Molécula do corpo

Compõe o ATP e o DNA, regula o sono, dilata vasos e modula a inflamação. É produzida e reciclada continuamente em todos os tecidos.

O que ela faz na dor

Sinal de “frear”

Ao se acumular no tecido, ativa receptores que reduzem o disparo dos nervos que conduzem a dor. É um freio fisiológico local.

Dr. Marcus Pai aplicando acupuntura no antebraço de uma paciente deitada na maca, com amplas janelas e jardim ao fundo
Atendimento na clínica Dr. Marcus Pai em atendimento de acupuntura na clínica

Adenosina e os receptores A1, A2A, A2B e A3

A adenosina não age sozinha: ela precisa se encaixar em receptores na superfície das células, como uma chave numa fechadura. Existem quatro tipos, e o efeito muda conforme o receptor ativado e o tecido onde ele está. Entender essa divisão é o que dá sentido ao mecanismo de ação da molécula.

Os quatro receptores de adenosina e o que fazem
ReceptorEfeito principalRelevância
A1Reduz a excitabilidade neuronal e o disparo de nociceptoresO principal alvo da analgesia local da acupuntura
A2ADilata vasos e modula a inflamação e a resposta imuneEfeito vascular e imunomodulador; alvo de fármacos
A2BParticipa de inflamação e de respostas em tecidos sob estresseMais ligado a contextos inflamatórios crônicos
A3Modula inflamação e dor crônica por vias própriasAlvo de pesquisa para dor neuropática

O receptor que importa para a analgesia local é o A1. Ele fica em terminações nervosas, inclusive nas fibras que conduzem a dor, e nos neurônios da medula. Quando a adenosina ativa o A1, a célula nervosa fica menos excitável: dispara menos e conduz menos sinal de dor.

É um mecanismo periférico, no próprio local da agulha, que se soma aos mecanismos centrais que a acupuntura também aciona, como as vias inibitórias descendentes e a liberação de opioides endógenos. Por isso a analgesia da acupuntura não tem uma explicação única, e sim várias camadas que atuam juntas.

Em uma frase

A adenosina é o sinal; o receptor A1 é a fechadura. Ativar essa fechadura no tecido reduz o disparo dos nervos da dor, e é aí que parte do efeito da agulha acontece.

Como a agulha eleva a adenosina e alivia a dor

Três figuras humanas sobrepostas em ciano, magenta e amarelo com pontos e meridianos de acupuntura mapeados no corpo e na cabeça
A inserção em pontos específicos desencadeia a liberação local de adenosina, conectando a técnica milenar ao mecanismo molecular

A ponte entre a adenosina e a acupuntura veio de um experimento que mudou a forma de explicar a técnica. Em modelos animais com dor, a inserção e a rotação da agulha em um ponto de acupuntura provocaram um aumento expressivo da adenosina no líquido ao redor do ponto. Esse aumento ativou os receptores A1 locais e reduziu a dor na pata estudada.

Quando se bloqueava o receptor A1 ou se removiam os animais sem esse receptor, o efeito analgésico da agulha desaparecia em boa parte. Em outras palavras: sem o sinal da adenosina agindo no A1, a agulha perdia parte do efeito local.

O mecanismo, passo a passo, é direto. O microtrauma controlado da agulha faz as células do tecido liberarem ATP, que é rapidamente quebrado em adenosina por enzimas presentes na superfície celular. A adenosina acumulada ativa o receptor A1 nas terminações nervosas próximas.

O nervo fica menos excitável e envia menos sinal de dor à medula. Some-se a isso o efeito da rotação da agulha, que aumenta esse acúmulo, e o quadro fica completo: um estímulo físico simples desencadeia uma resposta bioquímica analgésica no próprio local.

  1. A agulha estimula o tecido

    A inserção e a rotação geram um microtrauma controlado e mobilizam as células ao redor do ponto.

  2. Liberação de ATP e conversão em adenosina

    As células liberam ATP, que enzimas de superfície convertem em adenosina no espaço entre as células.

  3. Ativação do receptor A1

    A adenosina acumulada ativa o receptor A1 nas terminações nervosas locais.

  4. Redução do sinal de dor

    O nervo dispara menos e conduz menos nocicepção; o resultado é analgesia no local trabalhado.

Esse achado tem um valor que vai além da curiosidade científica: ele dá uma base molecular concreta a um efeito que muitos pacientes relatam. A demonstração mais robusta da via da adenosina vem de estudos pré-clínicos, em modelos animais. Em humanos, o mecanismo é coerente com o que se observa, mas a maior parte da evidência clínica de eficácia da acupuntura repousa sobre os desfechos de dor em si (intensidade, função), e não sobre a medida direta da adenosina no tecido. A via da adenosina explica como o efeito pode acontecer; o quanto de alívio cada pessoa terá depende do quadro, da indicação e do conjunto do tratamento.

Mito

“A acupuntura age só por sugestão ou efeito placebo, não tem nada físico por trás.”

Fato

Há mecanismos biológicos identificáveis, como a liberação de adenosina com ativação do receptor A1, além das vias inibitórias descendentes e dos opioides endógenos. Isso não significa que funcione para tudo, mas mostra que existe substrato fisiológico real.

A1Receptor-chave da analgesia local pela adenosina
ATP → adenosinaA conversão no tecido após o estímulo da agulha
MultimodalA adenosina é um de vários mecanismos que atuam juntos
Da prática clínica

Conhecer a via da adenosina muda o que se conversa com o paciente, mais do que muda a técnica em si. Três observações da clínica:

A primeira é uma sensação que muita gente descreve e estranha: o peso ou o entorpecimento difuso ao redor do ponto agulhado, às vezes chamado na acupuntura de de qi. Não é a mesma coisa que a dor da picada. Explicar que existe uma resposta química se instalando no tecido, para além do toque mecânico da agulha, costuma fazer esse sintoma soar menos estranho a quem o sente.

A segunda é uma expectativa que precisa ser ajustada com frequência: a de que a agulha “desligaria” a dor na hora, como um botão. Quem entende que existe um sinal bioquímico se acumulando e agindo aceita melhor que parte do alívio apareça com algumas horas de atraso, e que ele dependa do tecido trabalhado, não da força com que a agulha foi colocada.

A terceira surpreende quem chega cético: a explicação molecular costuma reduzir a desconfiança de que “isso é só psicológico” mais do que qualquer reforço de que a técnica é antiga. Ter um mecanismo concreto para apontar muda a conversa, mesmo sem mudar uma única agulha.

O que a adenosina explica e o que não explica

Conhecer a via da adenosina ajuda a calibrar expectativas em duas direções. De um lado, ela sustenta o uso da acupuntura e do agulhamento na dor musculoesquelética e miofascial, onde o efeito analgésico local somado aos mecanismos centrais faz sentido fisiológico e tem suporte clínico de qualidade razoável. De outro, ela não autoriza promessas além disso.

A adenosina é um sinal de analgesia e modulação, não um agente que reverte doenças. A acupuntura, por meio dela e dos demais mecanismos, pode ajudar a reduzir a dor e melhorar a função; não “cura” hérnia de disco, não regenera uma cartilagem desgastada nem trata por si a causa estrutural de uma doença. Em condições fora do território da dor musculoesquelética, como problemas de outras especialidades, a acupuntura, quando indicada, tem papel adjuvante e com evidência variável, sempre somada ao tratamento da especialidade responsável, nunca em substituição a ele. Sobre a pele e os cosméticos com adenosina, vale a mesma cautela: são produtos com proposta própria, distintos do mecanismo de analgesia descrito aqui, e não se confundem com o tratamento da dor.

A adenosina dá à acupuntura uma explicação molecular legítima dentro do seu campo, o da modulação da dor. Fora dele, a indicação é o encaminhamento ao especialista certo.

Dois pontos sobre a adenosina na acupuntura

Dois pontos importam para ler a via com precisão. O primeiro: a mesma molécula que alivia a dor pela via local do receptor A1 também provoca dor e desconforto torácico quando dada em dose alta na veia, como faz o cardiologista para interromper uma arritmia. Ou seja, adenosina não é, por natureza, uma substância analgésica; o que define o efeito é qual receptor é ativado, em que tecido e em que concentração. Tratá-la como um “analgésico” sem essa ressalva é impreciso. O segundo: a evidência mais forte e direta dessa via vem de modelos animais, com bloqueio do receptor A1; em humanos, ela é coerente, mas o que se mede na prática é a redução da dor, e não a adenosina no tecido. Quem só lê a versão entusiasmada fica com a impressão de uma prova humana fechada que, com rigor, ainda não existe nesses termos.

Assista: Acupuntura – Quando ela pode ser útil?

Como aplicamos isso no tratamento da dor

Na prática clínica, a via da adenosina é um dos motivos pelos quais a agulha tem lugar no tratamento da dor, mas ela nunca atua isolada. A abordagem é multimodal, não-cirúrgica e individualizada: a base é ativa, com exercício orientado, e as técnicas com agulha e os demais recursos se somam conforme a apresentação e a resposta. O objetivo é reduzir a dor, recuperar a função e diminuir recorrências, evitando o uso crônico de medicação e procedimentos desnecessários.

Educação e movimento

Entender a origem da dor, ajustar postura e carga e manter-se ativo; o repouso prolongado tende a piorar a maioria dos quadros de dor crônica.

Exercício e reabilitação

Base do plano: controle motor, fortalecimento progressivo e dessensibilização ao movimento, com terapia manual como adjuvante.

Técnicas com agulha

Acupuntura, eletroacupuntura e agulhamento seco quando há componente miofascial ou se busca reduzir medicação.

Procedimentos e fármacos

Infiltração de pontos-gatilho, bloqueios, toxina botulínica em refratários e medicação adjuvante, sempre com indicação médica.

Acupuntura médica

É a expressão clínica direta de tudo o que foi descrito acima. A agulha eleva a adenosina local com ativação do receptor A1, e em paralelo recruta mecanismos centrais: vias inibitórias descendentes (a partir de estruturas do tronco encefálico, como a substância cinzenta periaquedutal e o bulbo rostroventromedial) e a liberação de opioides endógenos, como endorfinas e encefalinas. Há evidência de qualidade razoável para dor musculoesquelética crônica, incluindo dor cervical, lombar e cefaleias, com a vantagem prática de poupar medicação. Como a adenosina é convertida e degradada no tecido em segundos a poucos minutos, o estímulo da agulha precisa de tempo na pele para sustentar o acúmulo no ponto; por isso a sessão prevê alguns minutos de permanência e, em casos selecionados, a rotação ou a estimulação da agulha para renovar esse sinal local.

O efeito tende a ser cumulativo ao longo de uma série de sessões, com a periodicidade e o número definidos pela resposta de cada quadro, e não por uma contagem fixa. Em quem usa cafeína em alto volume, vale conhecer a interação de mecanismo descrita adiante, ainda que ela raramente mude a conduta. A indicação, os pontos e os parâmetros são responsabilidade do médico acupunturiatra.

Eletroacupuntura

Acrescenta uma corrente elétrica de baixa intensidade às agulhas e tende a recrutar de forma mais consistente os sistemas de analgesia. A frequência do estímulo importa: frequências baixas (em torno de 2 Hz) favorecem a liberação de encefalinas e beta-endorfina, enquanto frequências altas (em torno de 100 Hz) mobilizam outros mediadores, como a dinorfina. É uma opção útil em dor miofascial e em quadros que respondem pouco à acupuntura manual isolada. As sessões e a reavaliação seguem a mesma lógica de ciclo, com os parâmetros ajustados pelo médico.

Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho

É a aplicação mais nítida da via da adenosina na clínica, porque aqui a agulha trabalha o tecido sem injetar nada: todo o efeito vem da própria resposta local. No agulhamento seco, a agulha atinge o ponto-gatilho miofascial e desencadeia um espasmo breve e involuntário da banda tensa, sinal de que a placa motora hiperativa foi alcançada; é nesse microtrauma controlado que as células liberam ATP, rapidamente convertido em adenosina, que ativa o receptor A1 nas terminações nervosas do músculo e reduz a aferência de dor. O alívio costuma ter duas fases que confundem quem espera resultado único: uma redução imediata, ligada à quebra do ciclo dor-espasmo, e uma segunda janela ao longo dos dias seguintes, à medida que a sensibilização local cede, em geral com um dia ou dois de dor surda no ponto trabalhado. Quando o gatilho resiste, a infiltração com anestésico local ou soro fisiológico complementa, somando o bloqueio anestésico à mesma resposta de tecido.

A farmacologia da adenosina e da via purinérgica

A mesma molécula que sinaliza analgesia no tecido tem uma farmacologia própria, e entendê-la fecha o quadro do mecanismo. Aqui valem duas distinções. Uma coisa é a adenosina como medicamento, com usos definidos, nenhum deles para tratar dor crônica em consultório; outra, ainda experimental, é a tentativa de transformar a própria via purinérgica em alvo de remédios. Vale tratar cada uma com o devido peso de evidência.

Onde a adenosina age: alvo molecular → efeito

A adenosina atua por receptores específicos, e cada subtipo produz um efeito distinto. É essa seletividade de receptor que separa o papel cardiológico do papel analgésico da molécula.

Receptor A1 (nó atrioventricular)
Lentifica a condução no nó AV: base do uso para interromper certas taquicardias supraventriculares, por via intravenosa rápida e monitorada.
Receptor A2A (vasculatura coronariana)
Promove vasodilatação coronariana: base de alguns testes de estresse farmacológico. Antagonistas de A2A são estudados em outras áreas.
Receptores A1 e A3 (tecido / nociceptores)
Sua ativação, ou o aumento da adenosina disponível, mostra efeito antinociceptivo em modelos pré-clínicos: é a base do mecanismo da agulha e do interesse de pesquisa.
Meia-vida de poucos segundos
Efeito agudo e fugaz: explica por que o uso injetável é monitorado e específico, e não se converte em tratamento prolongado para dor.

Cada forma da molécula e o seu peso de evidência

A confusão começa quando se imagina uma “injeção de adenosina para dor&rdquo, que não corresponde à prática. A adenosina que importa para a analgesia da agulha é a endógena, liberada localmente no tecido, e não uma substância administrada. A tabela separa cada forma da molécula, para quê serve e o que esperar.

Adenosina e via purinérgica: usos, estágio e cautelas
Fármaco / formaO que éEvidência / estágioO que esperar
Adenosina endógenaLiberada localmente no próprio tecido; é a que participa da analgesia da agulha.ModeradaÉ o mecanismo descrito aqui; não é uma substância administrada.
Adenosina injetável (intravenosa)Medicamento de uso hospitalar. Por via IV rápida e sob monitorização, é usada por cardiologistas para interromper certas taquicardias supraventriculares e em alguns testes de estresse farmacológico.Forte (em cardiologia)Uso agudo, monitorado e específico. Não é analgésico de consultório nem se converte em tratamento para dor.
Adenosina tópica (cosmética)Proposta de uso na pele, em cosméticos.LimitadaDistinta do mecanismo descrito aqui.
Agonistas de A1 / A3 e moduladores da viaCompostos que ativam o receptor A1 ou o A3, ou que aumentam a adenosina disponível; antagonistas de A2A estudados em outras áreas.Limitada · pré-clínica / pesquisaEfeito antinociceptivo em modelos pré-clínicos. Nenhum está estabelecido como analgésico de uso corrente, em parte pelos efeitos cardiovasculares e centrais ligados à ativação ampla desses receptores.
CafeínaAntagonista não seletivo de receptores de adenosina; o exemplo cotidiano do caminho inverso.Limitada · experimentalEm modelos experimentais, doses altas podem reduzir parte do efeito analgésico ligado a essa via. Ilustra o mecanismo sem, na prática, exigir suspender o café.

A via purinérgica valida o mecanismo da agulha e aponta direções de pesquisa, mas ainda não entregou um remédio que substitua o que já se usa.

Em resumo sobre a farmacologia da molécula

A adenosina injetável é um fármaco cardiológico de uso agudo, e não um analgésico de consultório. A adenosina que participa da analgesia da agulha é a endógena, liberada no próprio tecido. E os fármacos que miram diretamente os receptores de adenosina ainda são território de pesquisa, não conduta clínica estabelecida.

A clínica

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.

Conheça a clínica
SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor
SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

O que é adenosina, em poucas palavras?

É uma molécula natural do corpo, um nucleosídeo formado por adenina e ribose. Compõe o ATP (a energia da célula) e o DNA, e também age como sinal que reduz a excitabilidade dos nervos e modula a inflamação. No contexto da dor, funciona como um freio fisiológico local.

Qual é o mecanismo de ação da adenosina na analgesia?

A adenosina se liga ao receptor A1 nas terminações nervosas. Isso reduz a excitabilidade do neurônio, que passa a disparar menos e a conduzir menos sinal de dor. É um efeito periférico, no próprio local, que se soma aos mecanismos centrais que a acupuntura também aciona.

A adenosina tem outro nome?

No dia a dia, costuma ser citada apenas como “adenosina”. Como medicamento injetável de uso hospitalar, é usada por cardiologistas em certas arritmias e exames cardíacos, sob monitorização. Em cosméticos, aparece como “adenosina” em fórmulas tópicas. São usos diferentes do papel de sinal analgésico no tecido descrito aqui.

A adenosina dos cosméticos para a pele é a mesma coisa?

É a mesma molécula, mas em outro uso e contexto. A adenosina em produtos tópicos tem proposta própria de efeito sobre a pele e não se confunde com a adenosina que o seu corpo libera no tecido durante o estímulo da agulha, que é a que participa da analgesia. Não há relação entre usar um creme e o mecanismo de alívio da dor.

Se a acupuntura age pela adenosina, ela funciona para qualquer doença?

Não. A via da adenosina explica um efeito de analgesia e modulação, principalmente na dor musculoesquelética. A acupuntura pode reduzir dor e melhorar função, mas não cura doenças nem substitui o tratamento da causa. Em condições de outras especialidades, quando indicada, tem papel adjuvante e deve ser somada ao tratamento do especialista responsável.

A descoberta da adenosina foi feita em pessoas ou em animais?

A demonstração mais clara da via da adenosina vem de estudos pré-clínicos, em modelos animais, que mostraram o aumento da adenosina e a perda do efeito quando o receptor A1 era bloqueado. Em humanos, o mecanismo é coerente, mas a evidência clínica de eficácia se apoia sobretudo nos desfechos de dor e função. É um mecanismo bem fundamentado, lido com a devida cautela.

A cafeína atrapalha o efeito da acupuntura?

A cafeína bloqueia receptores de adenosina e, em modelos experimentais, doses altas podem reduzir parte do efeito analgésico ligado a essa via. Na prática clínica isso não costuma exigir suspender o café, mas é um detalhe que ilustra bem como a adenosina participa do mecanismo.

Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências4 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Goldman N, Chen M, Fujita T, et al. Adenosine A1 receptors mediate local anti-nociceptive effects of acupuncture. Nat Neurosci. 2010;13(7):883 a 888. doi:10.1038/nn.2562 acessar
  2. He JR, Yu SG, Tang Y, Illes P. Purinergic signaling as a basis of acupuncture-induced analgesia. Purinergic Signal. 2020;16(3):297 a 304. doi:10.1007/s11302-020-09708-z acessar
  3. Vickers AJ, Cronin AM, Maschino AC, et al. Acupuncture for chronic pain: individual patient data meta-analysis. Arch Intern Med. 2012;172(19):1444 a 1453. doi:10.1001/archinternmed.2012.3654 acessar
  4. Ulett et al. Eletroacupuntura: mecanismos neurobiológicos e aplicações clínicas. Biological Psychiatry. 1998. ver resumo
Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 8 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Por descrever um mecanismo, esta página não estima quanto alívio cada pessoa terá: isso depende do diagnóstico e de um plano individualizado, definido em consulta. A acupuntura é um recurso complementar dentro de um plano de tratamento e não cura doenças por si só.

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