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Dor no trapézio – quando se preocupar?

A dor do músculo trapézio consiste em queixa de dor, rigidez e tensão do músculo trapézio na região cervical. É caracterizada por dor na região cervical e ombro aguda ou persistente.

 

O trapézio está entre os principais músculos do corpo humano, e pode apresentar quadros dolorosos bastante incômodos e que comprometem o bem-estar cotidiano do paciente.

Trabalhos monótonos com trabalhos altamente repetitivos, esforços intensos, alto nível de contrações estáticas, cargas estáticas prolongadas, posturas de trabalho inadequadas ou uma combinação desses fatores são possíveis causas de distúrbios no pescoço e ombros na população.

Por isso, a fim de minimizar as chances de desenvolver tais situações deve-se compreender as causas, bem como os tratamentos possíveis para a dor no trapézio.

Sindrome Dolorosa Miofascial

O que é?  

Inicialmente, para entendermos os motivos para as queixas frequentes de dor no trapézio precisamos conhecer algumas de suas características anatômicas.

 

O músculo trapézio

O músculo trapézio, presente na região mais superficial do dorso junto ao grande dorsal, possui um formato característico, pois seus pontos de inserção ocorrem na parte posterior inferior da cabeça, nos ombros e na 12° vértebra torácica.

Logo, sua abrangência é ampla e ele pode ser dividido em três regiões: a superior, a média e a inferior.

Sua inervação é constituída pelo nervo craniano XI, relacionado à função motora do músculo, e os ramos dorsais de C3 a C4, associados aos aspectos sensoriais do trapézio1.

Além disso, essa musculatura desempenha diversas funções em associação com outros músculos como os da cintura escapular e os do pescoço. Desta forma, o equilíbrio funcional da cabeça e dos ombros é garantido.

 

Citamos também como algumas funções específicas do trapézio:

 

  • a elevação e abaixamento da escápula;
  • a flexão lateral da cabeça;
  • a flexão dorsal da cabeça e da coluna cervical.

Músculo trapézio e pontos-gatilho

Qualquer músculo do corpo humano pode ser acometido pelo que chamamos de pontos-gatilho. Estes são regiões em que há uma tensão muscular excessiva que resulta na contração das fibras musculares e, consequentemente, redução do aporte sanguíneo, fadiga e fraqueza muscular, bem como dor2.

Logo, sendo o trapézio um músculo bastante extenso e responsável por diferentes movimentos essenciais ao equilíbrio funcional do corpo, é possível uma maior predisposição ao surgimento dos pontos-gatilho e, como resultado, maior ocorrência de dor3.

Vale ressaltar que a dor em um desses pontos é frequentemente irradiada para outras áreas, motivo que originou a nomenclatura específica desses nódulos de tensão.

Causas comuns

Dentre as causas mais comuns para a dor no trapézio indicamos os traumas locais e a tensão muscular.

Como promotores de traumas citamos:

  • quedas;
  • pancadas;
  • uso excessivo da musculatura;
  • sobrecarga sobre o trapézio;
  • erros de técnica na execução de exercícios físicos;
  • realização de movimentos bruscos;
  • má postura ao longo do dia.

 

Salientamos ser possível, inclusive, o surgimento de um ponto-gatilho como resultado de um trauma inicial. Caso não haja um tratamento, a condição pode ser ampliada para outros pontos do músculo o que propicia a extensão do quadro doloroso.

Já no caso da tensão muscular ela é frequentemente associada a situações de ansiedade, insegurança e estresse às quais o paciente é submetido cotidianamente. Ao longo do tempo, a musculatura do trapézio começa a manter-se em contração mesmo em situações nas quais não haveria essa necessidade.

Vale ressaltar que outras possibilidades para dor no trapézio podem ser a compressão ou lesão indevida de algum dos nervos que inervam a região ou alguma patologia associada como a doença autoimune fibromialgia.

dor nas costas e no pescoço

Diagnóstico 

Uma vez que a dor costuma ser o sintoma principal que leva o paciente a buscar ajuda médica, o diagnóstico baseia-se na identificação de suas causas e em suas características.

Isto é feito a partir da anamnese, de testes de sensibilidade e da verificação da presença de outros sintomas. Destacamos que o conhecimento do histórico clínico do paciente e seus hábitos cotidianos é essencial para um diagnóstico correto.

Dentre os testes de sensibilidade o médico realiza técnicas de palpação para identificar os pontos-gatilho, uma vez que o trapézio é comumente relacionado a presença de tais nódulos dolorosos na Síndrome Dolorosa Miofascial.

Vale ressaltar também que testes físicos de força e amplitude são utilizados de modo a conhecer o quanto da capacidade da musculatura já está comprometida no momento da consulta.

Diante de algumas situações específicas, pode ser necessária a realização de exames complementares que servem para descartar ou diagnosticar outras ocorrências médicas associadas.

Sintomas 

A dor no trapézio é um sintoma que pode, ou não, estar associado a outros quadros clínicos. Mas é bastante frequente a sua relação com estados de tensão emocional por causa de estresses cotidianos ao qual os pacientes são submetidos4.

Como esse músculo possuí três regiões, os sintomas variam de acordo com a área acometida, pois a dor é irradiada para outros pontos relacionados de acordo com a inervação do local de origem.

Quando a região superior está lesionada surgem cefaleias tensionais junto à dor local; se a área acometida for a inferior, é o pescoço e a musculatura dorsal que também ficam doloridos; e, finalmente, se a origem estiver relacionada à região média do músculo, os desconfortos acontecem na região interescapular.

Vale salientar, que a dor no trapézio varia em intensidade desde leve a intensa e quando não é feito o diagnóstico e o tratamento torna-se crônica e pode desencadear o que conhecemos por Síndrome Miofascial, um quadro caracterizado pela presença de diversos pontos-gatilho na musculatura e, portanto, bastante debilitante.

Tratamento de dor no trapézio

O tratamento para dor no trapézio consiste em aliviar o desconforto e permitir que o paciente realize suas atividades diárias da melhor maneira possível. É realizado por meio do uso de fármacos e/ou técnicas que reduzem o processo inflamatório, inativam os pontos-gatilho e promovem o relaxamento do organismo na totalidade.

Citamos algumas práticas que são comumente utilizadas com estes objetivos:

 

  • exercícios físicos de alongamento;
  • acupuntura;
  • osteopatia;
  • liberação miofascial.

 

Porém, caso haja alguma patologia relacionada o tratamento precisa levá-la em consideração para que seja efetivo, ou seja, o que deve ser tratado é a doença, não bastando apenas amenizar as dores, pois elas irão surgir novamente.

Ressaltamos ainda que como diversas vezes a dor no trapézio ocorre devido a problemas psicológicos como estresse e ansiedade, o tratamento costuma ser mais eficiente quando utiliza uma abordagem multidisciplinar e holística.

Isto porque tal abordagem tem como objetivo equilibrar o organismo de forma integrada, atentando-se às diferentes dimensões do indivíduo: física, social, psíquica, etc.

Logo, o paciente torna-se mais consciente de seu próprio corpo, de suas emoções e, ao mesmo tempo, desenvolve hábitos cotidianos mais saudáveis. A longo prazo, portanto, evita-se o ressurgimento da dor no trapézio devido a uma ampliação de sua qualidade de vida.

Referências Bibliográficas

  1. Abbaszadeh-Amirdehi M, Ansari NN, Naghdi S, Olyaei G, Nourbakhsh MR. The neurophysiological effects of dry needling in patients with upper trapezius myofascial trigger points: study protocol of a controlled clinical trial. BMJ open. 2013 Jan 1;3(5). Disponível em: https://bmjopen.bmj.com/content/bmjopen/3/5/e002825.full.pdf
  2. Ziaeifar M, Arab AM, Karimi N, Nourbakhsh MR. The effect of dry needling on pain, pressure pain threshold and disability in patients with a myofascial trigger point in the upper trapezius muscle. Journal of bodywork and movement therapies. 2014 Apr 1;18(2):298-305.
  3. Grieve R, Barnett S, Coghill N, Cramp F. The prevalence of latent myofascial trigger points and diagnostic criteria of the triceps surae and upper trapezius: a cross sectional study. Physiotherapy. 2013 Dec 1;99(4):278-84.
  4. Larsson SE, Bodegård L, Henriksson KG, Öberg PÅ. Chronic trapezius myalgia: Morphology and blood flowlstudied in 17 patients. Acta Orthopaedica Scandinavica. 1990 Jan 1;61(5):394-8.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Presidente do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).  

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