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Dry Needling ou Agulhamento Seco – O que você precisa saber

Agulhamento seco é um tratamento que envolve uma agulha muito fina sendo inserida através da pele, a fim de inativar um ponto gatilho muscular, buscando alívio de dores.

 

O agulhamento seco (ou dry needling) de pontos gatilho é um procedimento invasivo em que uma agulha fina ou agulha de acupuntura é inserida na pele e no músculo.

Destina-se a inativar e tratar pontos gatilho miofasciais1que são pontos hiper-irritáveis no músculo esquelético que estão associados a um nódulo palpável hipersensível em uma faixa tensa.

O agulhamento seco do ponto gatilho pode ser realizado em nível de tecido superficial ou profundo, trazendo alívio de dor2.

A técnica de agulhamento seco visa especificamente os pontos gatilho miofasciais. Acredita-se que eles sejam devidos a uma liberação excessiva de acetilcolina de placas motoras musculares3.

Estes ponto-gatilho (ou seja, geradores de dores musculares) podem ser divididos em pontos gatilho miofasciais Ativos e Latentes.

-Pontos gatilho ativos

Podem desencadear espontaneamente a dor local ou referida. Eles causam fraqueza muscular, restrição de movimento e fenômenos autonômicos.

– Pontos gatilho latentes

Não causam dor a menos que sejam estimulados. Eles podem alterar os padrões de ativação muscular e contribuir para diminuição de amplitude de movimento.

 

 

Formação de pontos gatilhos

A formação de pontos gatilho é causada pela criação de uma faixa tensa (contratura) no músculo. Esta banda é causada pela liberação excessiva de acetilcolina da placa terminal motora combinada com a inibição da acetilcolinesterase e aumento de receptores nicotínicos de acetilcolina4.

Bandas inicialmente tensas são produzidas como uma medida fisiológica protetora normal na presença de dano muscular real ou potencial. Acredita-se que ocorram em resposta a carga excêntrica ou concêntrica desacostumada, posturas sustentadas e estresse repetitivo de baixa carga. No entanto, quando mantidos, contribuem para a dor sustentada5.

A dor causada por pontos gatilho é devida a hipóxia e diminuição do fluxo sanguíneo dentro do ponto-gatilho. Isso leva a uma diminuição do pH, que ativa os nociceptores musculares para restaurar a homeostase. Isso causa sensibilização periférica.

Pontos gatilho também estão envolvidos na sensibilização central. O mecanismo permanece incerto, mas os pontos-gatilho mantêm a entrada nociceptiva no corno dorsal e, portanto, contribuem para a sensibilização central.

Em outras palavras, os pontos gatilho são dolorosos quando pressionados e podem criar dor em outra área também, o que é chamado de dor referida. Pode até gerar algo chamado hiperalgesia, que é uma sensibilidade aumentada à dor e que é frequentemente o resultado de danos nos nociceptores ou nos nervos periféricos6.

Por exemplo, pontos-gatilho nos músculos do ombro, pescoço e face são uma fonte comum de dores de cabeça porque o ponto-gatilho refere-se à dor na cabeça. De acordo com a pesquisa publicada no Current Pain and Headache Reports, o overtraining muscular ou trauma direto ao músculo pode levar ao desenvolvimento de pontos-gatilho7.

Os pontos-gatilho podem se desenvolver durante atividades ocupacionais, recreativas ou esportivas quando o uso do músculo excede a capacidade muscular e a recuperação normal é perturbada.

Agulhamento seco difere de outros tipos de procedimentos, porque se concentra em estimular esses pontos gatilho e liberar a tensão, com o objetivo de aliviar a dor local e referida.

Infiltracao de Ponto Gatilho

Efeitos mecânicos do dry needling

O agulhamento a seco remove os sinais de dor dos pontos de gatilho, melhora os níveis de acetilcolina nas placas motoras, o que melhora a cicatrização geral do tecido, a dor e a função8.

Muitos outros efeitos mecânicos, químicos / celulares, eletrofisiológicos e neurofisiológicos também ocorrem. O procedimento pode alivir a alodínia presente na região da banda tensa miofascial, e a hiperalgesia secundária à dor referida.

Agulhamento resulta em uma Resposta de Contração Local.

A resposta de contração local resulta em uma alteração no comprimento da fibra muscular, além de ter um efeito inibitório sobre os músculos antagonistas

 

 

Agendamento de Consulta Clinica de Dor

O que o agulhamento seco é capaz de tratar?

Trigger Point ou Ponto Gatilho

Agulhamento seco envolve o uso de uma agulha filiforme fina para penetrar na pele e estimular pontos gatilho miofasciais subjacentes, tecidos musculares e conjuntivos, a fim de aliviar a dor e os problemas de movimento.

De acordo com estudos9, os pontos-gatilho foram identificados em várias patologias dolorosas, incluindo:

 

Síndrome Dolorosa Miofascial

Dores de cabeça tipo tensão

Enxaquecas

Dores da articulação temporo mandibular

Dores musculares do exercício

Dores por overtraining

Transtornos relacionados ao uso excessivo de computador

Distúrbios associados com lesão por chicote (whiplash)

Dor pélvica e outras síndromes urológicas

Tendinopatias do ombro

dor cronica canabidiol
Os 3 principais benefícios do Dry Needling

1 – Reduz a dor

Diversos estudos demonstraram melhorias imediatas ou a curto prazo na dor, ou incapacidade, tendo como alvo pontos-gatilho com agulhamento seco. Um estudo de 2007 publicado no American Journal of Physical Medicine and Rehabilitation sugere que o agulhamento seco reduziu significativamente a dor no ombro, tendo como alvo um ponto-gatilho. No estudo, pacientes com dor bilateral no ombro e pontos-gatilho miofasciais ativos nos músculos bilaterais foram submetidos a terapia com agulhamento seco em um lado e nenhuma terapia no outro lado, que serviu como controle.

A cinesioterapia seguida do agulhamento seco aumentou tanto a amplitude de movimento ativa e passiva da rotação interna do ombro quanto o limiar de dor por pressão dos pontos-gatilho. A intensidade da dor do ombro tratado foi significativamente reduzida também. O estudo fornece evidências de que o agulhamento seco de um ponto de gatilho miofascial específico reduz a dor e a sensibilidade nessa área.

Em um estudo de Terapia Manual de 2016, o agulhamento seco foi usado para tratar o ponto-gatilho miofascial latente do trapézio superior, ou MTrP – dor na região superior das costas – experimentada por 60 mulheres. Todos os participantes experimentaram uma redução na dor.

2- Melhora o Movimento

Pesquisas mostram que pacientes submetidos a terapia com agulhamento seco, em conjunto com terapia baseada em movimento, experimentam movimentos mais fluidos. De fato, o agulhamento seco pode ajudar a romper mecanicamente uma placa motora disfuncional10.

Um relato de caso de 2010 publicado na Acupuncture in Medicine tratou quatro atletas internacionais de vôlei feminino durante uma fase competitiva intensa de um mês com terapia com agulhamento seco. A amplitude de movimento, a força e a dor foram avaliadas antes e após o tratamento e todas as pontuações melhoraram após o tratamento. Os atletas foram capazes de continuar com atividades aéreas, o que prova que o agulhamento seco não causa fraqueza funcional e reduz a amplitude de movimento imediatamente após o tratamento.

Estes casos suportam o uso de agulhamento seco em atletas de elite durante uma fase competitiva com alívio da dor a curto prazo e melhora da função nas lesões do ombro.

3- Acelera o processo de recuperação

Pacientes submetidos a terapia com agulhamento seco sofrem menos dor rapidamente; na verdade, a maioria dos pacientes sente os benefícios imediatamente após o primeiro tratamento. De acordo com relatórios publicados pelo Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, a função do paciente é restaurada muito mais rapidamente quando o agulhamento seco é incorporado como parte do tratamento de reabilitação.

Um estudo realizado na Universidade de Queensland, na Austrália, investigou a eficácia do agulhamento seco em casos de lesão de chicote crônica, que está associado à hipersensibilidade sensorial e tem pouca capacidade de resposta a tratamentos físicos, como exercícios.

De modo a melhorar os resultados do tratamento de uma intervenção de exercício, agulhamento seco foi usado em conjunto com o exercício para abordar a hipersensibilidade sensorial do whiplash.

Como os programas de exercícios por si só não eliminaram totalmente os sintomas de chicotada após três meses de tratamento, os fisioterapeutas acrescentaram agulhas secas ao plano de tratamento para acelerar o processo de cicatrização, reduzir o custo econômico do tratamento e minimizar a dor e a incapacidade.

Resumo sobre agulhamento seco e dry needling

O agulhamento seco é um procedimento comum de tratamento em dor miofascial, realizado por especialistas.

O tratamento por agulhamento seco envolve uma agulha muito fina sendo inserida e manipulada através da pele, de modo a estimular um ponto gatilho muscular que causa dor e incapacidade.

Durante uma sessão de agulhamento seco, a agulha penetra no ponto gatilho, que é reconhecido quando há uma resposta de contração local. Essa resposta sugere que o ponto-gatilho está sendo estimulado e haverá uma resposta terapêutica.

Agulhamento seco é uma opção de tratamento seguro e eficaz para pacientes que não têm medo de agulhas.

Pacientes submetidos a agulhamento seco terão benefícios imediatos em amplitude de movimento e uso conjunto. Às vezes, várias sessões são necessárias para eliminar totalmente o ponto de gatilho.

Em nossa clínica, contamos com uma equipe de médicos especialistas em dor que realizam o procedimento de agulhamento seco, estimulação intramuscular e dry needling.

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Referências Bibliográficas

  1. Borg-Stein J, Simons DG. Myofascial pain. Archives of physical medicine and rehabilitation. 2002 Mar 1;83:S40-7. Disponível em: https://www.archives-pmr.org/article/S0003-9993(02)80011-9/pdf
  2. Cagnie B, Dewitte V, Barbe T, Timmermans F, Delrue N, Meeus M. Physiologic effects of dry needling. Current pain and headache reports. 2013 Aug 1;17(8):348. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Cagnie_Barbara/publication/242016975_Physiologic_Effects_of_Dry_Needling/links/0046352fc7854394e5000000.pdf
  3. Dommerholt J. Dry needling—peripheral and central considerations. Journal of Manual & Manipulative Therapy. 2011 Nov 1;19(4):223-7. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3201653/
  4. Lavelle ED, Lavelle W, Smith HS. Myofascial trigger points. Anesthesiology clinics. 2007 Dec 1;25(4):841-51. Disponível em: https://www.mcgill.ca/anesthesia/files/anesthesia/wk_3c_myofascial_trigger_points.pdf
  5. Gerwin RD, Dommerholt J, Shah JP. An expansion of Simons’ integrated hypothesis of trigger point formation. Current pain and headache reports. 2004 Dec 1;8(6):468-75. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007%252Fs11916-004-0069-x
  6. Gerwin RD. The taut band and other mysteries of the trigger point: an examination of the mechanisms relevant to the development and maintenance of the trigger point. Journal of Musculoskeletal Pain. 2008 Jan 1;16(1-2):115-21. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/10582450801960081
  7. Ge HY, Arendt-Nielsen L. Latent myofascial trigger points. Current pain and headache reports. 2011 Oct 1;15(5):386-92. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s11916-011-0210-6
  8. Dommerholt J, Mayoral del Moral O, Gröbli C. Trigger point dry needling. Journal of Manual & Manipulative Therapy. 2006 Oct 1;14(4):70E-87E. Disponível em: https://pdfs.semanticscholar.org/bd59/44e7096dcbfe874ed03f689368c4c7f00140.pdf
  9. Kietrys DM, Palombaro KM, Azzaretto E, Hubler R, Schaller B, Schlussel JM, Tucker M. Effectiveness of dry needling for upper-quarter myofascial pain: a systematic review and meta-analysis. journal of orthopaedic & sports physical therapy. 2013 Sep;43(9):620-34. Disponível em: https://www.jospt.org/doi/pdfplus/10.2519/jospt.2013.4668
  10. Dommerholt J. Dry needling—peripheral and central considerations. Journal of Manual & Manipulative Therapy. 2011 Nov 1;19(4):223-7. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3201653/

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Presidente do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).  
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