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Fibromialgia

O que é fibromialgia?

A fibromialgia é uma síndrome que provoca dores por todo o corpo por longos períodos.

A fibromialgia é uma síndrome sem contornos e causas muito bem definidos que ataca o sistema nervoso central e se manifesta por uma série de sintomas. O principal deles é a dor intensa e constante em vários pontos do corpo, seja na musculatura, nos tendões ou nas articulações.

Além da dor, o paciente com fibromialgia pode sentir também:

– Fadiga

– Sono não reparador (acordar com a sensação de cansaço)

– Depressão e ansiedade

– Alterações intestinais

– Dor ao fazer xixi

– Formigamentos

– Dor de cabeça (cefaléia) e enxaqueca

– Rigidez muscular e articular

– Sensibilidade extrema ao toque

– Falhas de memória

Embora a medicina ainda não tenha respostas precisas sobre a origem da fibromialgia, a estatística dá conta de que a doença afeta principalmente mulheres de meia idade, entre os 30 e os 50 anos, sendo delas 90% dos diagnósticos realizados.

Quais são os sintomas da Fibromialgia? Dor, Fadiga, Insônia, Depressão

Fibromialgia em números

A fibromialgia é, em média, oito vezes mais comum em mulheres do que em homens

A fibromialgia afeta entre 2% e 6% da população mundial, podendo chegar a 600 milhões de pessoas

(Fonte: Associação Nacional e Fibromialgia e Dor Crônica dos Estados Unidos)

Quais são as causas da fibromialgia?

Como mencionado no tópico acima, não existe causa definida para a fibromialgia, mas é possível apontar certos fatores de risco. Sabe-se, por exemplo, que pessoas com artrite reumatóide e lúpus, duas doenças autoimunes, são particularmente propensos a desenvolver a síndrome.

A idade também está relacionada à fibromialgia. Embora pessoas de qualquer faixa etária possam desenvolver os sintomas, a maioria dos diagnósticos é em indivíduos de meia idade. Além disso, quanto mais velho for o paciente, maiores as chances de ele acabar entrando para as estatísticas da doença.

Novas descobertas indicam que as pessoas que têm fibromialgia tem alterações no padrãp de processamento de dor do sistema nervoso central, que pode resultar em desequilíbrio da transmissão de sinais dolorosos pelo corpo, o que justificaria a sensibilidade exagerada no corpo para dor. Assim, a fibromialgia não seria apenas uma doença reumatológica, e sim uma doença com componente neurológico.

Sintomas da Fibromialgia
Como a doença não traz com ela alterações físicas ou deformidades, passa praticamente despercebida por quem não vive os seus sintomas.

Pode ser coisa da sua cabeça?

Levou anos de observação e estudos, mas a medicina há tempos abandonou a ideia preconceituosa de que a fibromialgia pode ser “frescura” ou “invenção” de um paciente confuso. A literatura médica, no entanto, de fato sugere que a síndrome relaciona fatores físicos, neurológicos e psicológicos, sobretudo porque a dor é um sintoma de medição abstrata e cuja intensidade pode ser afetada por emoções e pelo humor.

Um paciente com depressão ou ansiedade, por exemplo, pode manifestar a doença de forma mais intensa do que outro com a saúde mental em dia. Não são raros os casos em que os primeiros sintomas da fibromialgia apareçam depois de traumas físicos ou psicológicos, como separações, acidentes ou violência.

O oposto também é verdadeiro. Ao mesmo tempo em que a dor pode ser afetada por fatores psicológicos, a convivência constante e intensa com ela pelo paciente pode levar, por sua vez, ao aparecimento de estresse, preocupação e baixa no humor. Estudos com imagens do cérebro mostraram que o indivíduo realmente sente a dor, mas o modo como o cérebro interpreta o sintoma é que ocorre de modo exagerado.

Assim, um estímulo considerado leve por pessoas saudáveis, como uma topada em um móvel mal colocado, pode ser extremamente doloroso para alguém com fibromialgia.

Com a piora da dor, a pessoa começa a se sentir impossibilitada de fazer qualquer coisa e decide descansar e tomar medicação analgésica até a dor melhorar. Este período de descanso pode se estender, dependendo do tempo que leva para ocorrer uma melhora.

A química da dor

A medicina ainda não compreende muito bem como se dá esse mecanismo alterado de interpretação da dor, mas alguns estudos já apontam caminhos.

Uma das desconfianças é a de que haja alguma anomalia na quantidade de neurotransmissores, substâncias que agem como mensageiros entre as células cerebrais e as terminações nervosas.

Ainda na parte fisiológica de fatores que podem influenciar o surgimento da síndrome, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças norte-americano (CDC, na sigla em inglês), aponta também a obesidade, doenças infecciosas e a ocorrência de traumas de repetição, como pela movimentação excessiva de uma articulação, por exemplo.

Diagnóstico da fibromialgia 

Não existe nenhum exame específico capaz de identificar a fibromialgia, sendo o seu diagnóstico, portanto, puramente clínico.

O médico suspeita da doença na consulta e, por meio de uma entrevista detalhada com o paciente e pela exclusão de outras possíveis causas para a dor e os demais sintomas, fecha logo o quadro.

Como os sintomas são difusos e variam de paciente para paciente, não são incomuns os casos em que o indivíduo peregrina por consultórios até chegar a um diagnóstico preciso. Estudos diferentes estimam que esse tempo chega a variar de dois a quatro anos.

Como as causas das dores não aparecem em exames de raio-X ou ressonância, o médico geralmente se vale de alguns critérios para fechar o diagnóstico. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), os pontos a serem considerados são dor por mais de três meses em todo o corpo e presença de pontos dolorosos na musculatura (pelo menos 11 pontos, de um total de 18 pré-estabelecidos).

Ainda conforme a SBR, mesmo que o paciente não preencha todos os pontos, o diagnóstico pode ser feito e o tratamento iniciado.

Um diagnóstico diferencial importante da fibromialgia é a Síndrome Dolorosa Miofascial, a mais comum causa de dor músculo-esquelética. Exames de imagem como radiografias, tomografias e ressonâncias podem ajudar a excluir outras síndromes com sintomas semelhantes.

A fibromialgia é uma síndrome sem contornos e causas muito bem definidos que ataca o sistema nervoso central e se manifesta por uma série de sintomas. O principal deles é a dor intensa e constante em vários pontos do corpo, seja na musculatura, nos tendões ou nas articulações.

Tratamento para fibromialgia é multidisciplinar 

Como uma doença crônica, a fibromialgia não tem cura definitiva. Mas isso não significa que o paciente terá sua qualidade de vida afetada pelas dores incessantes.

Assim como não existe uma única causa para a condição, também não há apenas um tratamento, sendo a abordagem multidisciplinar a melhor alternativa para abordá-la. Em geral, a equipe inclui médico, psicólogo, fisioterapeuta, educador físico, terapeuta ocupacional, enfermeiro, e outros profissionais que podem ajudar no controle da dor, postura, fortalecimento da musculatura, controle da saúde mental, etc.

Tratamento médico 

O primeiro contato com um profissional geralmente é com o médico especialista em dor que identifica os sintomas e fecha o diagnóstico para, depois, prescrever medicamentos de redução da dor e alterações do humor, quando necessário.

O tratamento muitas vezes é de uso contínuo, com associação de medicamentos que têm função no processamento de dor no cérebro (como medicamentos anti-depressivos e anti-convulsivantes), além de atuarem nos sintomas secundários da fibromialgia como alterações de sono, humor e fadiga, que podem ser tão incapacitantes quanto à dor.

acupuntura pode ser recomendada ou feita também pelo médico como tratamento complementar, com benefícios como melhora da dor, sensação de bem-estar e controle da ansiedade. O tratamento usado como ferramenta a favor do paciente tem a vantagem de trazer nenhum ou poucos efeitos colaterais se executado pelo profissional adequado.

Fisioterapia e atividade física 

Os sintomas físicos que os medicamentos e a acupuntura, sozinhos, não conseguirem resolver podem ser abordados e amenizados com fisioterapia atividade física regular. Isso porque a melhora do condicionamento físico, da força muscular e do alongamento são fundamentais na melhora do cansaço e a dor.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, em inglês), recomenda que pacientes fibromiálgicos pratiquem atividade física moderada, como caminhada, natação ou pedalada por 30 minutos cinco dias da semana. Os trinta minutos, prega a entidade, podem ser divididos em três sessões separadas de exercícios ao longo do dia.

Além de melhorar os sintomas da fibromialgia, a prática regular de atividade física, segundo o CDC, pode também reduzir o risco de desenvolver outras doenças crônicas, como as cardiovasculares e diabetes.

O site da instituição disponibiliza uma lista de atividades físicas indicadas para pacientes de artrite que também podem ajudar pessoas que sofrem com a fibromialgia. Você pode conferir a lista aqui (em inglês).

Tratamento para fibromialgia é multidisciplinar

Tratamento psicológico 

O psicólogo é essencial para tratar as questões emocionais, como o estresse e a depressão, no caso de existirem, na forma de lidar com a dor, além de auxiliar na memória e na concentração.

Pacientes com fibromialgia (assim como outros que sofrem de dor crônica) tendem a desenvolver formas contraproducentes de pensar e agir, o que apenas piora seus sintomas. A terapia cognitivo comportamental oferece técnicas e práticas para reconhecer e alterar essas formas de pensamento muitas vezes inconscientes.

Estudos relatam que a terapia cognitivo comportamental é eficaz para a fibromialgia, seja entregue individualmente ou em grupo. Numerosos estudos também concluíram que o tratamento é eficaz no alívio dos sintomas de depressão e ansiedade. Assim, pode ser útil para pacientes que sofrem de um desses distúrbios, bem como fibromialgia.

Qual o prognóstico da fibromialgia?

A fibromialgia é uma doença crônica, que pode apresentar fases de melhora e de piora dos sintomas. No entanto, seguindo o tratamento à risca e adotando um estilo de vida saudável, o paciente pode restabelecer a sua qualidade de vida e conviver harmoniosamente com a síndrome, levando uma vida praticamente normal.

Atividades que promovam a redução do estresse e da ansiedade, a prática regular de exercícios físicos e a troca de ideias com outros pacientes da doença podem ajudar a amenizar os sintomas físicos e psicológicos.

 

Algumas dicas são:

  • Reduza o estresse diário. Se for necessário, peça ao seu médico indicações de tratamentos específicos para o problema
  • Durma o tempo necessário para estar descansado no dia seguinte. Esse tempo pode ser de oito horas ou mais de sono por noite, em um ambiente escuro e tranquilo. Não consuma substâncias estimulantes à noite, como café ou energéticos. Dependendo da situação, pode ser saudável tirar um cochilo durante o dia, mas o ideal é ter um sono completo e restaurador no período noturno
  • Faça exercícios físicos regularmente. A dor pode tornar a tarefa desconfortável no início, mas uma vida inativa tende a piorar os sintomas. O ideal é fazer caminhadas de cerca de 30 minutos, cinco vezes na semana, ou modalidades esportivas aquáticas, como hidroginástica. A água pode ser uma boa alternativa, principalmente, nos casos onde há artrose ou problemas com atividades de impacto. Os exercícios físicos não estão contraindicados mesmo nas piores crises de dor, já que os medicamentos auxiliarão o paciente a suportá-la
  • Não altere o seu ritmo de vida. Não deixe que os sintomas da doença mudem sua rotina, muito menos suas atividades diárias
  • Pratique fisioterapia, se o médico indicar. A prática pode ajudar a corrigir problemas posturais, além de promover a realização de exercícios acompanhados por um profissional de saúde
  • Caso seu médico permita, massagens ou outras técnicas de relaxamento podem ser bem vindas. Elas visam diminuir as crises dolorosas, especialmente quando são derivadas de tensões musculares. Além disso, podem reduzir o estresse causado pelo trabalho e outros problemas psicológicos
  • Tente a musicoterapia. Há estudos que provaram que ouvir música com frequência reduziu a dor e a depressão nos portadores de fibromialgia após quatro semanas. É de baixo custo, fácil implementação e podem ser usadas músicas com vozes, apenas instrumentos ou mesmo ruídos
  • yoga também atua de forma benéfica nos pacientes, promovendo redução dos sintomas, tanto físicos quanto psicológicos, além de equilibrar os níveis de cortisol, conhecido como o “hormônio do estresse”
  • Mantenha um diário da dor. Coloque nele as situações que pioram os sintomas, os locais onde a dor aparece, etc. Isso torna mais fácil para o médico e para você, como paciente, entenderem as crises. Isso facilita o controle da doença

A importância do sono

O sono tem muito mais valor do que apenas descansar. Dormir tem uma importância enorme, psicológica e bioquimicamente. Algumas poucas razões pelas quais seu corpo precisa de uma boa noite de sono incluem:

-Dormir permite que o corpo repare os tecidos

-Dormir auxilia em uma melhor saúde física e mental

-Aumenta a concentração e diminui o cansaço. Falta de um descanso de qualidade pode induzir a “fibro fog” (extrema dificuldade de se concentrar devido à fadiga da fibromialgia)

Vários pesquisadores acreditam que quem sofre de fibromialgia não tem um sono profundo, por não alcançar os estágios profundos do sono.

Se você não consegue ter bastante tempo de sono profundo, seu corpo diminui a produção de hormônios importantes. A diminuição dessa produção de hormônios pode aumentar a dor.

De forma similar, se você não experiencia sono REM o suficiente, seu corpo pode produzir menos cortisol (apesar desse hormônio, que controla pressão sanguínea e açúcar no sangue, poder ser liberado a qualquer momento durante o sono. Pessoas com fibromialgia podem ter níveis mais baixo de cortisol, o que contribui para uma fadiga excessiva.

Alimentação para pacientes com fibromialgia

Manter uma dieta equilibrada e saudável e se atentar ao consumo de algumas substâncias e nutrientes específicos não vai promover a cura, mas pode, sim, ajudar a controlar os sintomas e elevar a sensação de bem-estar.

Existe uma alta prevalência de obesidade e sobrepeso em pacientes, e o controle de peso parece ser uma ferramenta eficaz para melhorar os sintomas. Algumas deficiências nutricionais foram descritas, mas ainda não está claro se elas estão diretamente relacionadas a esta doença ou não.

Sobre a utilidade de alguns suplementos alimentares, encontra-se poucos dados científicos, e parece que mais estudos são necessários para provar quais poderiam ajudar.

Segundo orientações de nutricionistas, ao montar um prato ou fazer um lanche, busque por alimentos ricos em:

  • Triptofano. A substância ajuda na produção de serotonina que, por sua vez, regula a dor, o sono e o humor. Encontrado em alimentos como ovo, carne, iogurte, chocolate, leite, banana e queijo
  • Magnésio. Ele participa da formação das proteínas, da contração muscular e da excitação dos nervos. É encontrado em cereais integrais, folhas verde-escuras (espinafre e rúcula, por exemplo), nozes, damasco seco, carne, leite e soja
  • Cálcio. Também é importante para a contração dos músculos. Níveis baixos de cálcio podem favorecer câimbras. Presente no leite e todos os seus derivados, na couve, brócolis, flocos de cereais, gergelim, amêndoas, castanhas brasileiras e farinha de soja
  • Vitamina E. Parte fundamental também na prevenção de câimbras. Encontrada nas nozes, carnes, amendoim, gema de ovo e gérmen de trigo
  • Manganês. Entre outras funções, é responsável pela produção de energia para o organismo. Presente em cereais integrais, avelã e grãos de soja

 

7 Dicas Para Melhorar o Sono na Fibromialgia

Anti-depressivos
Algumas pessoas descobrem que baixas dosagens de anti-depressivos tricíclicos auxiliam em um sono mais pesado. Os remédios fazem as pessoas sentirem-se cansadas e caírem no sono. Converse com seu médico sobre possíveis efeitos colaterais.

Não assista televisão ou navegue na internet imediatamente antes de ir para cama.
Essas atividades aumentam a atividade cerebral, tornando mais difícil cair no sono imediatamente após as mesmas.

Exercite-se
Sua dor e cansaço podem dificultar que você se exercite, mas exercícios leves podem ajudar a promover um sono mais restaurador.

Suplementos herbais.
Valeriana, kava kava, e melatonina são medicamentos alternativos que ajudaram algumas pessoas a dormir. Valeriana ajuda com insônia, kava kava também trata insônia, além de stress e ansiedade, e a melatonina ajuda a restaurar o ritmo natural do corpo, fazendo com que dormir se torne mais fácil.

Escolha do colchão
Se você não está dormindo em uma cama que permita uma boa noite de sono, você pode ter que ir as compras por um novo colchão Há uma enorme variedade de colchões disponíveis que fazem uma grande diferença na qualidade do seu sono.

Remédios para dormir
Existe uma variedade enorme de remédios aprovados para desordens do sono, incluindo zolpidem (Ambien) e eszoplicone (Lunesta). Consulte seu médico especialista.

Simule a respiração de sono profundo.
Essa respiração pode “enganar” seu corpo à pegar no sono através da mímica da respiração dos estágios mais profundos de sono. Você se sentirá relaxado e terá maior facilidade para dormir.

Perguntas frequentes sobre Fibromialgia e Dor Miofascial

A fibromialgia pode causar uma sensação de “alfinetadas e agulhadas”?
A fibromialgia pode causar toda uma gama de sensações nervosas, incluindo “alfinetadas e agulhadas”. Eles ocorrem principalmente nas mãos e nos pés (chamados parestesias). Se você não tiver outros sintomas nervosos, como dormência ou fraqueza localizada grave, sentir formigamento ocasional não deve lhe causar uma causa incomum. Outros tipos de dor nos nervos também são comuns na síndrome fibromiálgica, como a síndrome do túnel do carpo ou neuropatias de fibras finas.
A causa da fibromialgia não é conhecida. Verdadeiro ou falso?
VERDADE. Não se sabe o que causa a fibromialgia, mas vários fatores podem estar em jogo. A fibromialgia pode ocorrer por si só, mas outras causas suspeitas incluem: – história familiar de fibromialgia – exposição a eventos estressantes ou traumáticos, como acidentes de carro – lesões repetitivas, causadas pela execução repetida da mesma ação – infecções ou doenças – doenças autoimunes prévias
Por que prescreveram anti-convulsivantes para minha dor?
Drogas anticonvulsivantes geralmente são usadas para controle de convulsões em pessoas que têm epilepsia. Estes remédios também podem ser usados para tratar outras condições dolorosas, como neuralgia pós-herpética e fibromialgia. Alguns medicamentos anticonvulsivantes podem funcionar melhor do que outros para determinadas condições. Anticonvulsivantes parecem funcionar melhor quando eles são usados para a dor do nervo. Neuralgia pós-herpética e neuropatia periférica diabética são exemplos de dor do nervo. Cerca de 7 em 10 pessoas com dor no nervo que tomar carbamazepina ter algum alívio da sua dor, pelo menos por um curto período. Gabapentina ajuda cerca de 3 a 4 de 10 pessoas para dores neuropáticas, e alguns anticonvulsivantes podem reduzir a dor em lombalgias persistentes. A pregabalina ajuda entre 3 e 5 de 10 pessoas com dores neuropáticas, especialmente a nevralgia pós-herpética, neuropatia periférica diabética e fibromialgia Gabapentina é muitas vezes utilizada para tratar a dor pélvica crônica. Carbamazepina e oxcarbazepina são usados para tratar a dor crônica da neuralgia do trigêmeo (dor facial súbita). A melhor evidência é para carbamazepina, mas oxcarbazepina provavelmente também funciona bem.
Quais tratamentos são, habitualmente, usados na fibromialgia e na dor miofascial?

Uma combinação de técnicas físicas, anestesiológicas e farmacológicas é, comumente, usada. Algumas das técnicas mais precoces envolvem infiltração ou simples colocação de agulhas nos pontos dolorosos.

Isto se baseava no conceito de que estes pontos representavam áreas de espasmos musculares. A eficácia da infiltração de pontos-gatilho jamais foi plenamente consubstanciada, ape sar de que alívios temporários tenham sido obtidos em alguns pacientes.

Técnicas físicas, tais como alongamento, vaporização e extensão, calor e frio, têm sido advogadas, sem qualquer documentação, mediante estudos bem controlados.

Antidepressivos tricíclicos são as drogas mais largamente usadas, nesta síndrome. Não está claro se elas atingem a síndrome dolorosa crônica, uma evidente fisiopatologia subjacente ou a depressão. AINHs são também usados, porém mais uma vez seu papel é obscuro.

Como é o distúrbio do sono relacionado à fibromialgia?

Esta é uma das queixas mais comuns e, de fato, constitui um critério diagnóstico. Inicialmente, foi descrito como “sono não-restaurador”. Alguns dos pacientes estudados exibiam uma intrusão de ritmos alfa no IV estágio do sono.

Entretanto, o mesmo padrão encefalográfico é visto, muitas vezes, em outras situações cónicas dolorosas. A incidência do distúrbio do sono parece mais relacionada à duração de dor do que a um diagnóstico específico.

Quais são os mecanismos fisiopatológicos propostos para a fibromialgia?

Assim como outras síndromes de origem algo nebulosa, explicações fisiopatológicas têm variado de, basicamente, central a uma combinação de central e periférica, além de, fundamentalmente, periférica. Tem sido considerada como uma variante de distúrbio afetivo, baseando-se, essencialmente, em sua associação com depressão, síndrome do cólon irritável e síndrome da fadiga crônica.

Outra teoria central afirma que a anormalidade do sono é o distúrbio principal, alterando, posteriormente a percepção da dor. Fatores periféricos, tais como distúrbios músculo-esqueléticos, têm sido julgados como os mais importantes, com todos os fatores emocionais que resultam da dor crônica.

Travell e Simons acreditam que o problema muscular seja básico, rejeitando qualquer definição psicossomática e denominando-a “doença somato-psicótica”.

Quais exames de laboratório são úteis, na fibromialgia?
Todos os valores laboratoriais, nesta síndrome, são úteis para fins de exclusão. Não existem anormalidades de laboratório características, nem de natureza química, elétrica ou radiográfica.
A fibromialgia afeta mais mulheres?

Em muitas séries relatadas, 80-90% dos pacientes eram mulheres.

No geral, os estudos de literatura mostram que a fibromialgia afeta 9 mulheres para cada homem.

Quais síndromes são, comumente, associadas à fibromialgia?

Depressão, ansiedade, insônia e a síndrome de fadiga crônica são, muitas vezes, concomitantes.

Alguns autores acreditam que podem representar, simplesmente, diferentes aspectos do mesmo espectro da doença, sendo a fibromialgia um distúrbio psicossomático.

O que é fibromialgia?

Fibromialgia é uma síndrome clínica, caracterizada por dor crônica, difusa e múltiplos pontos sensíveis.

Outros dados característicos são fadiga, distúrbio do sono, rigidez, parestesia, cefaléia, síndrome do cólon irritável, sintomas semelhantes aos da síndrome de Raynaud, depressão e ansiedade.

Dor difusa pode se situar acima e abaixo da cintura, bilateralmente.

O que são “bandas tensas” ou “faixas distendidas”?

Em pacientes com dor miofascial, a palpação profunda dos músculos pode revelar uma área,  que se percebe tensa. A tração sobre esta faixa muscular provoca dor. Tais áreas são denominadas faixas distendidas.

Pontos-gatilho são encontrados, de modo característico, dentro das referidas faixas, A exata etiologia e a patogenia não estão claras.

Não parecem ser devido a espasmo muscular, no sentido usual da palavra, uma vez que os achados da eletroneuromiografia não são, universalmente, anormais. Rolando as pontas dos dedos sobre o ponto-gatilho (palpação mordente), pode-se obter uma resposta de “contratura” local. Isto é, um encurtamento da faixa muscular, e este é considerado um dos  sinais capitais da dor miofascial.

O que é a dor miofascial?
Dor miofascial é uma síndrome de dor regional, caracterizada por pontos-gatilho e faixas  distendidas. Foi descrita por Travell e, mais tarde, elaborada por Travell e Simons. Pode ocorrer em ðtversos pontos do corpo, porém é mais comum nas regiões cervical e lombar. Pontos-gatilho são definidos como pontos sensíveis, os quais, à palpação, produzem dor em locais distantes. A  síndrome é, geralmente, causada por traumas menores, pequenas quedas ou osteoartrite degenerativa. O tratamento da dor miofascial é variado, incluindo medidas simples como alongamentos e prevenção, a medicamentos, infiltrações, agulhamento seco, acupuntura e também terapia por ondas de choque. Aprenda mais sobre a Síndrome Dolorosa Miofascial em nosso artigo, clicando aqui.

Infográfico Fibromialgia

Infográfico sobre Fibromialgia

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Healthline – Everything you need to know about Fibromyalgia

Exercise for treating fibromyalgia syndrome

Management of fibromyalgia syndrome

Deare JC, Zheng Z, Xue CC, Liu JP, Shang J, Scott SW, Littlejohn G. Acupuncture for treating fibromyalgia. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2013(5).

Arranz LI, Canela MÁ, Rafecas M. Fibromyalgia and nutrition, what do we know?. Rheumatology international. 2010 Sep 1;30(11):1417-27.

Armstrong DJ, Meenagh GK, Bickle I, Lee AS, Curran ES, Finch MB. Vitamin D deficiency is associated with anxiety and depression in fibromyalgia. Clinical rheumatology. 2007 Apr 1;26(4):551-4.

Rooks DS. Fibromyalgia treatment update. Current opinion in rheumatology. 2007 Mar 1;19(2):111-7.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).

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