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Síndrome Dolorosa Miofascial

A síndrome de dor miofascial é uma condição de dor crônica que afeta o sistema musculoesquelético. A maioria das pessoas experimenta dores musculares em algum momento que normalmente se resolve por conta própria depois de algumas semanas. Mas para algumas pessoas, a dor muscular persiste. Em pessoas com síndrome dolorosa miofascial, os pontos sensíveis são conhecidos como pontos-gatilho. Essas áreas se desenvolvem nas faixas tensas dos músculos (a fáscia). Quando a pressão é aplicada a esses pontos de gatilho, há dor (denominada dor referida) em uma parte diferente do corpo.

O que é a síndrome dolorosa miofascial?

É uma doença que provoca dor no tecido que envolve os órgãos do corpo, neste caso, os músculos.

A Síndrome Dolorosa Miofascial (ou Dor Miofascial) uma das causas mais comuns de dor músculo-esquelética e consiste em uma disfunção neuromuscular local que se caracteriza por áreas sensíveis em bandas musculares tensas (contraturadas) que geram dor em regiões afastadas ou vizinhas.

Se pegarmos palavra por palavra, os termos síndrome dolorosa miofascial ficarão assim: síndrome – sinais e sintomas de uma doença; dolorosa – que provoca dor; miofascialmio: músculo e fáscia: tecido que envolve os órgãos do corpo. Portanto, é uma doença que provoca dor no tecido que envolve os órgãos do corpo, neste caso, os músculos.

Melhorando esta definição, a síndrome dolorosa miofascial é um conjunto de sinais e sintomas que geram dor localizada, além de sensibilidade muscular e redução da amplitude dos movimentos. Ela ocorre mais frequentemente nos braços, cabeça, pescoço, pernas, glúteos, ombros e região lombar, podendo acometer qualquer grupo muscular.

Esta síndrome provoca bastante dor, porém não apresenta risco de vida ao portador. Apesar disto, compromete sua qualidade de vida, especialmente no que se refere ao convívio com outros indivíduos. A dor geralmente é maior nos períodos de estresse e durante atividades físicas.

Ela pode ocorrer em ambos os sexos, com maior incidência nas pessoas acima dos trinta anos de idade, especialmente nos atletas. São percebidos pontos de gatilho, que são pontos bem delimitados, onde se percebe um nódulo ou uma contração muscular. Quando esta região é estimulada há grande dor, porém não no mesmo local do ponto de gatilho (ela irradia para outra área do corpo).

Os sintomas da síndrome dolorosa miofascial são dores em determinadas regiões do organismo, nos músculos ou nas articulações. Ela pode aparecer tanto em repouso quanto durante atividades físicas, porém acontece com maior frequência neste último caso, quando há esforço físico.

 

Causas, sintomas e tratamento da Síndrome Dolorosa Miofascial, diagnóstico comum de dores musculo-esqueléticas

As causas desta síndrome são associadas a doenças psicológicas, como ansiedade e depressão, mas também a diabetes, problemas na tireoide, anemia e problemas reumáticos.

Esta é a doença dolorosa mais frequente na prática clínica, sendo a causa mais comum de dor nos músculos de forma crônica e localizada.

Podem também ter relação com atividades físicas, quando há estresse muscular (movimentos repetitivos, mau condicionamento físico, postura inadequada, trauma ou distensão muscular e até roupas apertadas).

Esta é a doença dolorosa mais frequente na prática clínica, sendo a causa mais comum de dor nos músculos de forma crônica e localizada. A frequência é tanta que, nas clínicas especializadas em dor crônica, está presente em 85% dos casos. Nos distúrbios do pescoço e cabeça é a síndrome que origina mais de 55% dos pacientes.

Comumente confundida com fibromialgia, a síndrome dolorosa miofascial muitas vezes não é identificada pelos médicos, o que dificulta seu tratamento.

A síndrome acomete músculos, fáscias, ligamentos, tecidos pericapsulares, tendões e bursas. Também pode ser decorrente de processos degenerativos, metabólicos, inflamatórios, infecciosos, neoplásicos, macro ou micro traumatismos de inúmeras estruturas, principalmente nas regiões cervical, cintura escapular e lombar. Caracteriza-se pela ocorrência de dor muscular em regiões enduradas, onde estão presentes bandas de tensão palpáveis e pontos extremamente dolorosos, os pontos gatilhos.

Como é feito o diagnóstico da dor miofascial?

O diagnóstico desta síndrome é feito pelo médico especialista reabilitação e dor (o médico fisiatra). O diagnóstico é clínico, por meio da palpação de bandas musculares tensas nos músculos afetados. O médico pode solicitar exames de raios-x e de sangue, visando afastar outros diagnósticos diferenciais. Não há necessidade de exames adicionais, já que não existem testes mais específicos.

Quando o paciente procurar um médico para falar sobre sua dor, é importante informar ao profissional de saúde o seu histórico de doenças (pessoal e familiar), tanto psicológico quanto físico. Será feito um exame do aparelho locomotor, onde haverá palpação dos músculos para perceber os pontos de gatilho.

Porém, também serão palpadas as articulações do paciente, incluindo a cabeça e a arcada dentária. Tudo isto faz parte do diagnóstico clínico desta síndrome.

Se feito de maneira eficaz, este processo pode diagnosticar a síndrome dolorosa miofascial através dos pontos de gatilho. Se pressionados com força normal, estes pontos geram dor local ou em outras partes do corpo do paciente. Além disso, a pressão pode gerar formigamento nas mãos, queimação e ardência.

Não necessariamente o paciente sentirá dor diretamente no ponto de gatilho. Por exemplo, ao ser pressionado um ponto na região do pescoço, a dor pode ser sentida atrás dos olhos. É importante o médico estar ciente destas informações, para não errar no diagnóstico e indicar o tratamento incorreto, que prejudicará o paciente e poderá agravar o seu estado.

O paciente também deve informar o médico de outras dores localizadas, como dores no ombro, que podem ser pela tendinopatia do manguito rotador, ou em região lombar, que pode ter uma hérnia de disco associada.

Os sintomas da síndrome dolorosa miofascial podem incluir:

Os sintomas de dor miofascial geralmente envolvem dores musculares com pontos “gatilho” ou “sensíveis” específicos. A dor pode piorar com atividade ou estresse. Além da dor local ou regional associada à síndrome dolorosa miofascial, as pessoas com o distúrbio também podem sofrer de depressão, fadiga e distúrbios comportamentais.

Outros sintomas incluem:

Dor regional

Dor ou alteração sensorial na distribuição de dor referida

Banda muscular tensa palpável

Ponto dolorido na banda muscular

Restrição de alguns graus de amplitude de movimento.

Queixa de dor ou reprodução da dor ao pressionar o ponto gatilho ou banda tensa muscular

Contração durante inserção de agulha ou palpação transversal do ponto na banda (Twitch response)

Melhora da dor quando o músculo em questão é estirado ou alongado

Fatores de risco para ter dor miofascial

A síndrome de dor miofascial é causada por um estímulo, como rigidez muscular, que desencadeia os pontos-gatilho em seus músculos. Fatores que podem aumentar o risco de pontos de gatilho muscular incluem:

Lesão muscular. Uma lesão muscular aguda ou estresse muscular contínuo pode levar ao desenvolvimento de pontos-gatilho. Por exemplo, um ponto dentro ou próximo de um músculo tenso pode se tornar um ponto de gatilho. Movimentos repetitivos e má postura também podem aumentar seu risco.

Estresse e ansiedade. Pessoas que freqüentemente experimentam estresse e ansiedade podem ter mais chances de desenvolver pontos-gatilho em seus músculos. Uma teoria sustenta que essas pessoas podem ser mais propensas a apertar os músculos, uma forma de tensão repetida que deixa os músculos suscetíveis a disparar pontos.

O tratamento da dor miofascial e pontos gatilho

O tratamento consiste na identificação da causa e sua correção.

O tratamento da síndrome miofascial visa eliminar ou minimizar a dor gerada pelo ponto gatilho, em associação com terapias como a acupuntura, exercícios de alongamento, uso de medicamentos como analgésicos e anti-inflamatórios, tratamento da etiologia quando possível e observação do paciente em seu ambiente social.

Uma prática muito usada é a injeção no ponto gatilho, que tem como objetivo eliminar os mesmos e, consequentemente, as bandas musculares tensas, reduzindo ou minimizando a dor, aumentando a amplitude de movimento, impossibilitando que estes nódulos se tornem fibróticos e resistentes ao tratamento ou fazendo com que as recidivas sejam frequentes.

A infiltração no ponto gatilho pode ser realizada principalmente por meio de duas técnicas: agulhamento a seco ou infiltração com anestésico local, como a mepivacaína e lidocaína.

Tratamento envolve a correção do estiramento muscular

Aprofundando um pouco mais, o tratamento da doença é feito com a correção das causas, podendo ou não ser medicamentosa (a síndrome dolorosa miofascial pode ser tratada com acupuntura) e reabilitação.

Se o problema for postural, é importante corrigir a postura do paciente e sua movimentação no dia a dia, para que a causa seja resolvida. Portanto, o portador desta síndrome precisa se conscientizar que deve colaborar com o tratamento. Esta colaboração é essencial, pois grande parte do tratamento é feito pela correção da causa e só quem poderá resolver isto é o paciente.

Portanto, é preciso melhorar a ergonomia dos ambientes de trabalho e pessoais do portador da síndrome. Eles deverão ser analisados e corrigidos, assim como a postura do paciente e seus hábitos cotidianos (comer, dormir, trabalhar, participar de atividades de lazer, etc.).

Algumas recomendações no tratamento

Normalmente os médicos sugerem um ou mais dos seguintes tratamentos para esta síndrome:

– conscientização da necessidade de melhoria no estilo de vida: incluir ou aumentar a atividade física, combatendo o sedentarismo (com o auxílio de um profissional de saúde); abolição do hábito de fumar; moderação no consumo de bebidas alcoólicas e à base de cafeína. Se o paciente não colaborar, a dor poderá ser agravada;

– uso de técnicas de relaxamento: ioga, meditação, etc. Elas serão eficazes para aliviar o estresse emocional;

– correção da postura: a síndrome dolorosa miofascial pode ser tratada aplicando-se as técnicas de correção da postura, desta forma aliviando o estresse e a tensão nos músculos;

– tratamento medicamentoso: o uso de analgésicos objetiva aliviar a tensão nos pontos de gatilho. Além disso, antiinflamatórios, relaxantes musculares e antidepressivos também podem ser indicados, dependendo do caso. Eles aliviarão a dor e melhorarão a qualidade de vida do paciente.

– estimulação elétrica transcutânea (TENS): a aplicação de uma pequena corrente elétrica nos pontos de gatilho alivia a dor e a tensão;

– apoio psicológico: os pacientes que fazem tratamento especializado com um psicólogo têm mostrado resultados bastante positivos;

– apoio odontológico: nos casos onde há bruxismo, a utilização de uma placa entre os dentes pode aliviar os sintomas de dor na articulação entre as têmporas e a mandíbula.

O repouso deverá ser feito até a melhora da dor. Portanto, atividades que sobrecarreguem o músculo dolorido precisam ser evitadas neste período. Não é necessário imobilizar a área, porém devem ser feitas sessões de fisioterapia e reabilitação.

O tratamento com agulhas (acupuntura), se escolhido pelo médico e acatado pelo paciente, também exige repouso durante alguns dias, para melhores resultados.

Outras medidas não farmacológicas

Acima no texto você leu que a síndrome dolorosa miofascial pode ser tratada sem o uso de medicamentos. A medida sugerida foi acupuntura, contudo existem outros métodos que pode ser eficazes como tratamento:

– por meios físicos: massagem, calor, eletroterapia (uso de eletricidade) ou crioterapia (uso de baixas temperaturas nos pontos que necessitam de tratamento); eletroestimulação (com o TENS)

– pulverizador tópico de ação congelante: aplicação de uma das duas substâncias, fluorometano ou cloro etílico, e estiramento (distensão) do músculo afetado;

– sessões de fisioterapia, com aplicação de técnicas como cinésioterapia (terapia do movimento muscular, para reabilitação do mesmo) ou alongamento do músculo no sentido contrário ao normal;

– sessões de terapia psicológica: este tratamento é indicado especialmente nos casos onde há mudanças no humor do paciente. São feitas manobras de relaxamento e autorregulação comportamental. A frequência recomendada é de seis a doze sessões por semana.

Voltando ao caso da acupuntura, que também faz parte dos tratamentos não medicamentosos desta síndrome, sugere-se de cinco a dez sessões semanais, com duração de trinta a sessenta minutos. Podem-se também ser feitas quinzenalmente, dependendo da gravidade da dor.

Diferença entre fibromialgia e síndrome dolorosa miofascial

Conforme citado anteriormente, estas duas doenças podem ser confundidas frequentemente. A causa da confusão são as manifestações clínicas (sinais e sintomas) semelhantes.

Ambas as doenças se manifestam através da dor, porém no caso da fibromialgia ela ocorre em vários locais do corpo e de forma generalizada. Na síndrome explorada neste texto, a dor é mais localizada e há formação de pontos de gatilho. A tabela abaixo explicará melhor as diferenças:

FibromialgiaSíndrome dolorosa miofascial
Dor difusa (que se espalha)Dor local
Cansaço comumCansaço anormal
Pontos dolorosos presentesPontos dolorosos ausentes
Pontos de gatilho ausentesPontos de gatilho presentes
Prognóstico crônico com tratamento (em 80%)Prognóstico melhor

 

Estudo: A Fibromialgia pode estar relacionada a um fluxo sanguíneo anormal em algumas áreas específicas do cérebro.

 

É comum o paciente procurar diversos médicos para resolver o seu problema e, em alguns casos, sair de suas clínicas sem resposta.

Administração da dor miofascial

 É imprescindível achar solução para esta enfermidade, para melhorar sua qualidade de vida. O indivíduo precisa tratar a síndrome porque o quadro pode agravar-se, inclusive desenvolvendo crises de depressão.

Se isto acontecer, além de toda a dor decorrente da doença, a pessoa terá tristeza profunda, falta de ânimo, isolamento social e baixa estima, agravando o seu quadro clínico já preocupante.

É importante procurar um médico especialista em dor, como o médico fisiatra (Medicina Física e Reabilitação), especialista médico fundamental no tratamento da enfermidade. O médico fisiatra tem bastante conhecimento e experiência nas dores musculares e esqueléticas, devido a sua formação curricular. O médico poderá indicar o tratamento farmacológico ou não farmacológico, com auxílio de outros procedimentos para o controle da sua dor, como terapia por ondas de choque e infiltrações articulares ou periarticulares.

Diagnóstico e tratamento especializado da miofascial

A dor miofascial pode ser uma condição desafiadora para se conviver. A chave para gerenciar sua dor será um tratamento abrangente. Não existe um tratamento único que funcione melhor para todos, por isso não desanime se um tratamento não funcionar. Mas com alguma forma de tratamento e escolhas de estilo de vida saudável, a dor dos pontos gatilhos e miofascial pode ser tratada com sucesso.

Este texto teve como objetivo informá-lo sobre o significado, os sinais e sintomas apresentados, o diagnóstico e o tratamento da síndrome dolorosa miofascial.

Serve apenas como forma de conhecimento da doença, jamais podendo ser utilizado como substituição de consulta com profissional de saúde especializado.

Só ele é quem poderá diagnosticar corretamente a doença, bem como recomendar o tratamento indicado para cada caso.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Colégio Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Cômite de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED).

3 Comentários

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  • Estou com um ponto gatilho no ombro já há dois meses por conta da academia (altas cargas e má execução do movimento). Fiz liberação miofascial, massagens e uso de antiinflamatório nesse tempo e não sinto melhora.
    É indicado retornar a academia mesmo que de forma lenta e leve?.

  • Melhor artigo que li! Explicou detalhadamente o que eu sinto. Parabéns Marcus e muito obrigada pela ajuda!

  • Estou com dor ao redor da região da escápula há 2 anos…já fiz 20 sessões de fisioterapia…fiz 10 sessões de acupuntura… porém o melhor resultado que tive foi quando tomei relaxante muscular indicado pela reumatologista durante 30 dias no período da noite e analgésico durante o dia…agora a dor voltou novamente…será que volto a tomar a medicação? Procuro a reumatologista novamente? Não sei mais o que fazer o dor lazarenta.

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