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Vogue: ventosaterapia: tudo sobre o método que virou febre na Rio 2016

Apesar de ter sido criado há séculos, o tratamento ganhou popularidade ao ganhar adeptos como o lendário Michael Phelps

13/08/2016 – 08h19 – Atualizado 15h11 por LARISSA GARGARO

Bastou Michael Phelps exibir seus 1,93 m de músculos repletos de “manchas” vermelhas para que começassem as especulações (e os memes na Internet) sobre o que aconteceu na sua pele. “Ele dormiu em cima de suas medalhas”, “ele foi atacado por um polvo gigante”, diziam os fãs bem-humorados. Nada disso: o medalhista olímpico é apenas mais um dos tantos adeptos da ventosaterapia.

Assunto (e obsessão de beauté) do momento, a terapia da medicina tradicional chinesa não é nenhuma novidade – ela foi criada há mais de dois mil anos – mas, graças à atenção voltada para Phelps na Olimpíada do Rio 2016, só agora ganhou popularidade.

“Nos Jogos de Pequim [em 2008], já havia atletas coreanos, chineses e japoneses adeptos do cupping e, para os espectadores ocidentais, isso acabava não chamando tanta atenção”, explica o Dr. Hong Jin Pai, médico especialista em acupuntura e expert na ventosaterapia. Vogue testou (e aprovou) o método; todos os detalhes da experiência você confere abaixo.

O QUE É VENTOSATERAPIA?

Fundada na medicina tradicional chinesa, a técnica promove uma série de benefícios para o corpo e para os músculos através da colocação de copos (ventosas) em pontos de acupuntura, que produzem hiperemia (melhoria da circulação do sangue) e, consequentemente, efeitos terapêuticos.

QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS?

Prevenção e auxílio no tratamento de lesões musculares; relaxamento dos músculos; tratamento de dores superficiais; tratamento de asma, resfriado e problemas respiratórios; liberação de endorfina, serotonina e outras substâncias analgésicas. Em casos de dores mais profundas, é aconselhado associar a ventosaterapia com a acupuntura.

QUEM PODE FAZER?

Bebês, idosos, grávidas, adolescentes, atletas, sedentários: todos podem fazer a ventosaterapia.” A única contra-indicação é para aqueles que ingerem remédios anticoagulantes”, explica Dr. Hong – o método não é aconselhado para tais pacientes.

COMO FUNCIONA O MÉTODO?

Acende-se o fogo em um pedaço de algodão e, passando a chama por dentro do copo, esteriliza-se a ventosa  para que ela seja posicionada na superfície do corpo, criando um vácuo. Este processo é completamente indolor, e a sensação é de que há uma leve sucção na pele – não se sente calor ou desconforto, e é possível até dormir durante a sessão. “Há várias técnicas de ventosaterapia: pode-se fixar a ventosa na pele ou, com a ajuda de um creme hidratante, deslizá-la sobre o músculo”, explica Dr. Hong. “De preferência se aplica o tratamento nas regiões onde há bastante músculo, como no peito, barriga, tronco, regiões dorsais e coxas”. Cada sessão dura de 25 a 30 minutos, e podem ser feitas duas vezes por semana ou até mesmo diariamente, dependendo da seriedade do caso. As marcas circulares vermelhas causadas pela terapia desaparecem em até 48 horas, e aconselha-se a evitar a exposição ao sol durante este período.

POR QUE A VENTOSATERAPIA É TÃO PRATICADA POR ATLETAS DE ELITE?

Atletas profissionais estão acostumados com rotinas intensas de treinos, onde a dor é praticamente constante – e qualquer método que possa aliviar as tensões é bem-vindo. Completamente natural e indolor, a ventosaterapia é uma maneira eficiente de evitar lesões, aliviar dores musculares e, de quebra, melhorar o desempenho do atleta. “A técnica relaxa o músculo, permitindo que o exercício seja praticado de forma mais natural e sem dor”, explica Dr. Hong. “Ela libera endorfina, serotonina e substâncias analgésicas que fazem com que o paciente fique mais relaxado, com menos dores e durma melhor – logo, no dia seguinte, tenha um preparo físico e psicológico melhor”. Outro benefício é a melhoria da respiração, o que, para um atleta de elite, faz uma grande (e positiva) diferença na performance.

NOSSO VEREDICTO

Como corredora amadora, a sensação de dor nos músculos das pernas é frequente. Ao apontar que meu desconforto maior era na região posterior das coxas, Dr. Hong logo esclareceu que isso é consequência de tensões existentes em outras áreas, como nas partes internas e no tronco – o que, no meu caso, faz com que eu corra com os pés voltados para levemente para dentro e me deixe propensa a desenvolver alguma lesão. Também chamei atenção para dores nos ombros, “duros como pedra”, e focamos a ventosaterapia nestes dois problemas.Nas pernas, Dr. Hong aplicou as ventosas nas regiões internas dos tornozelos e das coxas, onde elas permaneceram fixas por cerca de 10 minutos. A sensação de alívio é imediata: se você é adepta do rolo de liberação miofascial (e sofre de dor quando ele passa pela posterior da coxa), sabe o quão desconfortável esse processo pode ser – com a ventosaterapia, esta dor desaparece. “É um tratamento ótimo para se fazer no dia anterior a competições e treinos longos”, afirma Dr Hong. Pernas mais leves e livres de dor: check.

Nas costas, a dor resultante de musculação, corrida e ficar-sentada-de-frente-para-o-computador-o-dia-inteiro  foi solucionada com um mix de acupuntura e ventosaterapia. Foram aplicados seis copos pequenos, médios e grandes em toda a extensão da minha coluna, além de agulhas na região dos ombros. Após cerca de 15 minutos, havia “soltado” completamente toda a minha coluna – e adeus dor.

Meu veredicto? Sem dúvida alguma faria de novo, mantendo a frequência de uma ou duas vezes por semana e marcando sempre uma sessão para 24 horas antes de provas de corrida ou treinos longos mais importantes.